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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Ford Territory Titanium e Jeep Compass Limited: comparativo G1 comparou o novato com o líder dos SUVs médios.

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Apesar de estarem no mesmo segmento, os modelos têm grandes diferenças e acabam ficando em níveis diferentes. 
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Por Guilherme Fontana, G1  
07/08/2020 11h01  Atualizado há 1 horas
Postado em 07 de agosto de 2020 às 12h15m


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Ford Territory e Jeep Compass — Foto: Celso Tavares/G1Ford Territory e Jeep Compass — Foto: Celso Tavares/G1

Com a saturação da oferta de SUVs compactos, o mercado brasileiro passa agora por uma nova onda: a dos médios. Depois de Volkswagen Tiguan e Jeep Compass, vários outros modelos chegaram ou foram renovados. Agora chegou a vez da Ford com o Territory.

Apresentado durante o Salão do Automóvel de São Paulo em 2018, o SUV foi confirmado para o Brasil há um ano. Nesta sexta-feira (7), a marca inicia a pré-venda para o modelo por aqui, que chega importado da China em duas versões: SEL, por R$ 165.900 e Titanium, por R$ 187.900.
O G1 andou na configuração mais cara do Ford, que já estreia sendo colocado à prova contra seu principal rival: o Compass Limited flex, que parte de R$ 159.390 e, com pacote de equipamentos semelhante ao novato, chega a R$ 174.390 (segundo os preços dos opcionais da linha 2020).
Ford Territory tem porte e visual marcante  — Foto: Celso Tavares/G1Ford Territory tem porte e visual marcante — Foto: Celso Tavares/G1

Um spoiler: apesar de serem colocados no mesmo segmento, os SUVs são separados por muitas e grandes diferenças.

*O Jeep das imagens é meramente ilustrativo. Na ocasião, a FCA só dispunha de uma unidade da versão Longitude para testes e fotos.

Territory sai na frente com motor turbo
O Compass segue desde seu lançamento equipado com motor 2.0 flex aspirado de até 166 cv de potência e 20,5 kgfm de torque com etanol, e câmbio automático de 6 marchas. Assim, ele vai de 0 a 100 km/h em 11,9 segundos. Com gasolina são 159 cv e 20 kgfm.

Enquanto isso, o Territory chega com um novo 1.5 turbo a gasolina de 150 cv de potência e 22,9 kgfm, e um câmbio automático CVT que simula 8 marchas. Ele vai de 0 a 100 km/h em 11,8 segundos.
Motor turbo dá mais facilidade nas acelerações do Ford — Foto: Celso Tavares/G1Motor turbo dá mais facilidade nas acelerações do Ford — Foto: Celso Tavares/G1
Apesar do empate técnico nas acelerações, existem grandes diferenças na maneira como elas acontecem.
Mesmo sendo mais leve (1.547 kg, contra 1.632 kg) e mais potente do que o Territory, o Compass faz parecer o contrário. Em retomadas e subidas, por exemplo, são constantes as reduções de marchas para tomar fôlego. Também é comum, nestas situações, que ele segure as marchas e faça o motor "gritar". Em resumo, o Jeep precisa se esforçar mais para se movimentar.

Por outro lado, o Territory acelera de maneira mais fácil e silenciosa. Além do turbo, o câmbio CVT ajuda na boa desenvoltura do modelo por não ter efeito elástico e funcionar de maneira progressiva, sem jogar o giro do motor lá no alto. A transmissão busca trabalhar sempre em giros baixos, em nome do silêncio e da economia de combustível.
Maiores dimensões do Territory são aparentes — Foto: Celso Tavares/G1Maiores dimensões do Territory são aparentes — Foto: Celso Tavares/G1

Porém, também não espere nenhum desempenho esportivo ou algo do tipo, afinal, ainda estamos falando de um SUV familiar sem pretensões para tal.

É chinês, mas um legítimo Ford
Desenvolvido e produzido na China em conjunto com a JMC (Jiangling Motors Co.), o Territory passou por diversas alterações de engenharia para o mercado brasileiro, como dinâmica, ruídos, vibrações, calibração e durabilidade do motor e da transmissão, além de suspensão.

O resultado é o rodar típico dos Ford no Brasil, com uma suspensão de ajustes mais firmes, que ajuda na boa estabilidade em velocidades mais altas e em curvas fechadas, mas sem comprometer o conforto. Imperfeições no solo são superadas sem traumas para os ocupantes.
Territory passa por imperfeições do asfalto sem problemas, apesar da suspensão mais firme — Foto: Celso Tavares/G1Territory passa por imperfeições do asfalto sem problemas, apesar da suspensão mais firme — Foto: Celso Tavares/G1

Em conjunto, a direção elétrica com ajuste direto dá ainda um maior refinamento na dirigibilidade do modelo.

Outro ponto alto do Territory é o isolamento acústico. De acordo com a Ford, o nível de ruído interno do modelo atinge os 71,8 decibéis a 120 km/h, contra 73,1 do Compass.
Na prática, o que mais se ouve de dentro do carro são os pneus, um pouco ruidosos, mas que não chegam a incomodar.

O Compass também tem um ótimo e robusto conjunto de suspensão e direção, além de uma posição mais alta de dirigir. A suspensão oferece conforto aos ocupantes, mas o ajuste mais macio e permissivo acaba deixando a carroceria rolar em curvas.

Ford Territory e Jeep Compass — Foto: Celso Tavares/G1Ford Territory e Jeep Compass — Foto: Celso Tavares/G1 



A direção tem respostas mais lentas em relação ao Ford, e os ruídos dos esforços nas acelerações, ditos acima, invadem a cabine.
Em resumo, o Compass foca em robustez, enquanto o Territory mira em dirigibilidade e refinamento. 
Compass é um médio apertado
O espaço interno é mais uma das vantagens do Territory. O SUV leva 3 pessoas no banco traseiro sem aperto, com sobra de espaço para joelhos, ombros e cabeça, isso considerando também o conforto de quem vai na frente. Ele só perde no porta-malas, de 348 litros, contra 410 do Jeep.
Três pessoas viajam com conforto no banco traseiro do Territory — Foto: Celso Tavares/G1Três pessoas viajam com conforto no banco traseiro do Territory — Foto: Celso Tavares/G1

No Compass, até é possível levar 3 pessoas no banco de trás, mas elas não irão tão confortáveis, especialmente lado a lado, esbarrando pernas e ombros uns nos outros. Até quem vai nos bancos da frente pode se sentir mais apertado, já que a cabine é mais estreita em um todo.
No Compass, o espaço para joelhos é bom, mas o modelo é mais estreito — Foto: Divulgação/JeepNo Compass, o espaço para joelhos é bom, mas o modelo é mais estreito — Foto: Divulgação/Jeep

Na prática, a grande diferença entre os modelos está no formato das colunas laterais. Enquanto o Ford aposta em formas mais quadradas, que privilegiam o espaço, o Jeep tem as colunas arqueadas para dentro, prejudicando a largura do interior.

Veja abaixo as dimensões dos modelos:
Compare as medidas dos modelos — Foto: Divulgação/Arte: G1Compare as medidas dos modelos — Foto: Divulgação/Arte: G1

Equipamentos podem ser próximos
O Territory é oferecido sempre em versões fechadas, sem pacotes opcionais. No caso da Titanium avaliada, por R$ 187.900, há quadro de instrumentos digital com 3 modos diferentes de mostradores, rodas aro 18, câmera 360°, banco do motorista com ajustes elétricos e carregador de celular sem fio.

Câmera 360° do Territory ajuda em manobras, mas imagens ficam distorcidas ao se aproximar de outro veículo — Foto: André Paixão/G1

A lista segue com sistema de alerta de colisão e frenagem automática de emergência, monitoramento de pontos cegos, alerta de mudança de faixa, piloto automático adaptativo, estacionamento semiautônomo, bancos dianteiros aquecidos e refrigerados, faróis automáticos e sensores de chuva.

Em comum com a versão mais barata, SEL, há faróis full LED, monitoramento de pressão dos pneus, teto solar panorâmico elétrico, central com Android Auto e Apple Carplay (este último sem fio) e tela de 10,1 polegadas, chave presencial, 6 airbags, assistente de partida em rampas, freio de estacionamento eletrônico, controles de estabilidade e tração, e ar-condicionado digital de apenas uma zona.

Central multimídia do Territory tem tela com divisão de funções — Foto: André Paixão/G1

No caso do Compass, de série por R$ 159.390, são 7 airbags, faróis automáticos de xenon, chave presencial com partida remota, rodas de 19 polegadas, sensor de chuva, start-stop, piloto automático, banco do motorista com ajustes elétricos, câmera de ré, freio de estacionamento eletrônico e monitoramento de pressão dos pneus.

A lista segue com estacionamento semiautônomo, central com Apple Carplay, Android Auto e tela de 8,4 polegadas, monitoramento de pontos cegos, assistente de partida em rampas e controles de estabilidade e tração.
Na prática, o Compass oferece a mais em relação ao Territory airbag de joelho, ar de duas zonas, rodas maiores e partida remota pela chave, além de ter faróis mais eficientes.
Jeep Compass tem ar-condicionado de duas zonas, estacionamento autônomo e alerta de ponto cego — Foto: DivulgaçãoJeep Compass tem ar-condicionado de duas zonas, estacionamento autônomo e alerta de ponto cego — Foto: Divulgação

Porém, fica devendo painel digital, teto solar, tela maior na central multimídia, carregador de celular sem fio, além de sistemas como piloto automático adaptativo, frenagem de emergência, alerta de mudança de faixa e câmera de 360°.

Alguns desses itens são opcionais no Jeep: o teto solar panorâmico, por R$ 8 mil, e um pacote com aviso de mudança de faixa, porta-malas eletrônico, som Beats, frenagem automática de emergência, piloto automático adaptativo e faróis altos automáticos, por R$ 7 mil.

Territory dá show em acabamento
É na aparência que o Territory pode lembrar a alguns de sua origem chinesa. Feito a partir do Jiangling Yusheng S330 o modelo herda a traseira "inspirada" no Range Rover Evoque, com linhas horizontais, lanternas afiladas e vidro estreito. A lateral também tem linhas vindas do SUV britânico.
Traseira do Ford lembra o Range Rover Evoque, herança do irmão chinês S330 — Foto: Celso Tavares/G1Traseira do Ford lembra o Range Rover Evoque, herança do irmão chinês S330 — Foto: Celso Tavares/G1



A dianteira é o ângulo de maior personalidade no Ford, com capô alto e faróis ligados à grade, que tem acabamento preto brilhante. A luz diurna em LED fica no para-choque, acima dos faróis de neblina.

Por outro lado, o Compass tem desenho mais original e que caiu no gosto do consumidor brasileiro, e garantiu meses como o SUV mais vendido do país, mas que já perdeu o ar de novidade e começa a cansar. O modelo é o mesmo desde que foi lançado, em 2016.
Compass tem personalidade, mas desenho é o mesmo há 4 anos — Foto: Guilherme Fontana/G1Compass tem personalidade, mas desenho é o mesmo há 4 anos — Foto: Guilherme Fontana/G1



Por dentro, o Territory reforça que deveria estar um degrau acima do rival. O painel mistura materiais emborrachados, couro com costuras aparentes e um plástico que imita madeira, além de apliques em preto brilhante e aço escovado.
A iluminação ambiente de LED no painel e nas portas tem 7 opções de cores, mas fica automaticamente vermelha assim que uma porta é aberta, como forma de alerta.
A versão Titanium é sempre oferecida com revestimento interno na cor bege, que dá maior refinamento e amplitude visual. Os bancos são bonitos, confortáveis e têm partes perfuradas para aquecimento/refrigeração.
Interior do Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1Interior do Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1

Três pontos podem melhorar: a alavanca do câmbio tem desenho antiquado, acabamento simplório e funcionamento grosseiro; os direcionadores das saídas de ar parecem frágeis no manuseio; e o ajuste de altura dos faróis fica muito escondido, à direita, abaixo do volante (note a luz azul na foto acima) - foi visto a noite, por um passageiro do banco traseiro, já que fica fora do campo de visão do motorista.

O Compass também utiliza materiais emborrachados no painel, com acabamento cuidadoso e boa montagem, mas tem visual mais sóbrio e simples. Os bancos são confortáveis e bonitos. Na linha 2021, a versão Limited ganhou a opção de revestimento em couro marrom, além da cinza já disponível.
Interior do Jeep Compass — Foto: Divulgação/JeepInterior do Jeep Compass — Foto: Divulgação/Jeep



Conclusão: níveis diferentes
Este é um comparativo estranho e injusto para ambas as partes, mas precisou ser feito, afinal, a Ford apresentou o Compass como o principal concorrente do Territory. Porém, algumas considerações precisam ser feitas.

Superior ao Compass em acabamento, equipamentos, mecânica e espaço, o Territory é, sem dúvidas, o melhor entre os dois, e por isso cobra mais caro. Vale considerar, porém, que o Ford está em um nível acima. Os dois são SUVs médios, mas em níveis diferentes.

Sendo assim, se você está de olho em um Compass, mas tem dinheiro sobrando para completar e chegar ao Territory, vá sem medo. Se não há reservas, fique com o Jeep, também um excelente produto, cheio de qualidades e que justifica seus valores mais "baixos".

Veja mais fotos do novo Ford Territory
Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1

Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1
Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1


Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1


Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1


Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1


Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1


Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1


Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1Ford Territory — Foto: Celso Tavares/G1


Ajuste de altura dos faróis do Ford Territory fica "escondido" — Foto: Celso Tavares/G1Ajuste de altura dos faróis do Ford Territory fica "escondido" — Foto: Celso Tavares/G1


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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

É libertador saber como vai acabar o universo, diz astrônoma

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Em seu livro 'O Fim de Tudo', a cosmóloga Katie Mack afirma estar ciente de como tudo terminará e diz que isso a liberta. TOPO Por BBC  06/08/2020 07h10  Atualizado há 6 horas
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Por BBC
Postado em 06 de gosto de 2020 às 10h15m

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Buracos negros fizeram Mack se interessar pelo universo  — Foto: JPL CALTECH-NASA/ BBCBuracos negros fizeram Mack se interessar pelo universo — Foto: JPL CALTECH-NASA/ BBC

Expressões como "morte térmica", "grande implosão", "decomposição à vácuo" não parecem muito animadoras. E realmente não são.

Elas descrevem algumas das teorias apresentadas pelos cientistas sobre como o universo um dia morrerá.
No entanto, quando a cosmóloga Katie Mack pensa sobre o fim de tudo, ela sente uma paz profunda.
"Há algo em aceitar a transitoriedade da existência que te liberta um pouco", disse ela à BBC.
Compartilhar o terror

Como será o fim do universo? — Foto: Nasa Goddard/ BBCComo será o fim do universo? — Foto: Nasa Goddard/ BBC

Mack ainda se lembra vivamente da primeira vez em que teve consciência de que o universo poderia acabar a qualquer momento: ela estava com um professor e colegas de classe na universidade.

"Eu estava sentada no chão da sala do professor Phinney com o resto da minha turma de astronomia após nosso jantar semanal, e lembro que o professor estava com a filha dele de 3 anos no colo", escreveu ela em seu novo livro: "O fim de tudo."

Ela aprendeu que os cientistas não têm a menor ideia de por que o universo se expande de tal maneira — a chamada inflação cósmica — e isso significa que eles também não podem afirmar que o espaço não começará a se destruir violentamente a qualquer momento.

"Eu transformei aquilo numa questão pessoal. Pensei que já que todo o universo tem esses processos que ocorrem o tempo todo, em princípio isso também pode acontecer comigo. Eu estou no universo, sou parte dele, e não tenho como me proteger de tudo isso", conta.

"Uma das coisas que procuro com este livro é compartilhar um pouco desse terror, que pode parecer mesquinho, mas é para ajudar as pessoas a terem uma conexão mais pessoal com o que acontece no universo", acrescenta.

O que está acontecendo no espaço fascina Mack desde que ela era pequena. Mas ser uma empregada doméstica em Los Angeles não lhe deu muito acesso ao que a maioria dos astrônomos diriam que os inspiraram a seguir essa carreira.

"Ali você não pode ver a Via Láctea. A duras penas você consegue ver as estrelas", diz Mack, que trabalhou como pesquisadora nas universidades de Caltech, Princeton, Cambridge e agora na Universidade Estadual da Carolina do Norte.

Em vez disso, foram "todas as coisas raras" que a levaram para esse caminho: "Todas essas coisas que torcem seu cérebro, como buracos negros e espaço-tempo".
Quando soube que Stephen Hawking se rotulava como um cosmólogo, ela soube "o que queria ser".

Devo esclarecer que não passei nos exames de ciências para obter o certificado do ensino médio, por isso imagino que deve haver melhores repórteres para entrevistar uma astrofísica teórica.

Mas depois de acumular 350 mil seguidores no Twitter, Mack aprimorou sua capacidade de falar com pessoas comuns e é para mentes não científicas que seu livro é voltado.
Não vou fingir que entendi todos os conceitos de seu livro, mas Mack reconhece que "não é para folhear e absorver tudo imediatamente".

'Dar um tempo'

"Eu sei que muitos escritores científicos tentam evitar isso completamente e querem guiar os leitores por todos os detalhes, mas acho que às vezes é recomendável dar um tempo."

Palavras simples como "morte térmica" são fáceis de entender, e isso é bom porque é a maneira mais provável de o universo acabar.
"É a ideia de que o universo se expande e se expande até esfriar e tudo desmoronar e desaparecer", diz Mack, reconhecendo que não é a "probabilidade mais fascinante".

"A que eu acho mais engraçada é a decomposição à vácuo. Talvez divertida não seja a palavra que devo usar em relação à destruição do universo, mas o conceito é divertido.

"Ela altera algo nas equações e logo é possível que algum tipo de bolha da morte se materialize em algum lugar do universo e se expanda na velocidade da luz destruindo tudo".

A ciência não pode descartar essa possibilidade.
"A única coisa que nos faz duvidar do que aconteceria é que ela existe naquele âmbito em que não podemos testar nenhum aspecto da teoria. Portanto, não sabemos se algo mudaria teoricamente nessa situação de alta energia", diz ele.
"Provavelmente não vai acontecer nos próximos trilhões e trilhões e trilhões de anos. Mas tecnicamente isso pode acontecer a qualquer momento."

São pensamentos desse calibre que Mack sustenta que não podem dar um "senso de perspectiva".
"Muitos aspectos da vida moderna são projetados para tentar nos convencer de que estamos completamente seguros, protegidos e no controle de tudo que nos rodeia. E isso simplesmente não é verdade. Evidentemente, o mundo está passando por uma situação que está impulsionando essa mensagem".

"Mas também de uma perspectiva cósmica, estamos dentro deste universo e temos que aceitar o que ele nos dará."

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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Imunidade contra a Covid-19 por histórico de resfriados ainda é especulação, diz estudo na 'Science'

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Cientistas imaginam que o histórico pode influenciar na intensidade da doença, mas ainda não podem provar. Pesquisa identifica partes do novo coronavírus que podem ser reconhecidas pelo sistema de defesa do corpo mesmo que ele nunca tenha tido contato com a infecção, pela semelhança com vírus que causam resfriados.  
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Por Lara Pinheiro, G1  
05/08/2020 16h17 Atualizado há 4 horas
Postado em 05 de agosto de 2020 às 20h25m

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Homem passa por cartaz colado em caminhão que diz, em inglês, "por favor, vá para casa e fique em casa", em Melbourne, na Austrália, nesta quarta-feira (5). — Foto: William West / AFPHomem passa por cartaz colado em caminhão que diz, em inglês, "por favor, vá para casa e fique em casa", em Melbourne, na Austrália, nesta quarta-feira (5). — Foto: William West / AFP

Uma pesquisa publicada na terça-feira (4) na revista científica "Science", uma das mais importantes do mundo, identificou partes do novo coronavírus (Sars-CoV-2) que podem ser reconhecidas pelo sistema de defesa do corpo mesmo que ele nunca tenha tido contato com a infecção, pela semelhança com alguns vírus que causam resfriados.

Essa semelhança, entretanto, não significa que ter tido resfriados no passado dê alguma proteção contra a Covid-19. No estudo, os pesquisadores destacam que essa possibilidade é uma especulação que ainda precisa ser provada com ensaios clínicos.
"A hipótese de imunidade cruzada entre Sars-CoV-2 e [vírus] HCoVs para resfriado comum ainda aguarda ensaios experimentais", afirmam os pesquisadores, de três universidades nos Estados Unidos e uma na Austrália.

Eles já sabiam, de estudos anteriores feitos em vários países, que uma parte da população (entre 20% e 50%) era capaz de "reconhecer" pedaços do novo coronavírus mesmo sem ter tido contato com ele. Esse reconhecimento é feito com as células T, um tipo de célula de defesa do corpo que é responsável por, além de outras atividades, destruir células infectadas com vários tipos de vírus (não só o Sars-CoV-2).

O que os cientistas não sabiam, entretanto, é como essas células T eram capazes de reconhecer o novo coronavírus sem nunca ter sido expostas a ele.
Para tentar desvendar esse mecanismo, eles mapearam 142 partes do novo coronavírus que, em indivíduos infectados, eram "reconhecidas" pelas células T.

Depois, testaram, em laboratório, esses pedaços de vírus contra outras células T, retiradas de amostras de sangue colhidas antes do surgimento do novo coronavírus. Dessa forma, teriam certeza de que as células de defesa nunca teriam tido contato com o Sars-CoV-2.

Nos testes, viram que houve reação dessas células a algumas partes do novo coronavírus. Com isso, demonstraram que as células tinham uma "memória cruzada", que conseguia identificar partes do vírus da Covid-19 que eram semelhantes às de vários outros vírus da família corona, causadores de resfriados. Por isso é que as células das amostras eram capazes de identificar esses pedaços, de outros vírus, no Sars-CoV-2.
Foto microscópica mostra célula humana sendo infectada pelo Sars Cov-2, o novo coronavírus — Foto: NIAID via NasaFoto microscópica mostra célula humana sendo infectada pelo Sars Cov-2, o novo coronavírus — Foto: NIAID via Nasa
"Eles mostraram o mecanismo: você vê a célula reconhecendo ou não", explica Natália Machado Tavares, pesquisadora de imunologia e patologia da Fiocruz Bahia. "Isso não quer dizer que quem teve um resfriado comum causado por um coronavírus está imune", esclarece.

No estudo, os cientistas levantam essa hipótese: de que essa "memória" das células T pode ter relação com a gravidade com que uma pessoa desenvolve a Covid-19. Ou seja: poderia explicar por que algumas pessoas morrem enquanto outras têm apenas sintomas leves, ou nem sequer os apresentam. Mas isso não tem comprovação, frisam os autores.
"Com base nesses dados, é plausível supor que a memória das células T que têm reação cruzada preexistente em alguns doadores possa ser um fator contribuinte para variações nos resultados da doença do paciente com Covid-19, mas, no momento, é altamente especulativo", frisam.
Exposição

A professora e pesquisadora de imunologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Daniela Santoro Rosa explica que o estudo, apesar de trazer várias possibilidades, não consegue dizer se essa exposição anterior a outros tipos de coronavírus vai influenciar na gravidade clínica da Covid-19.
"O que a gente precisa saber é: o que isso causa para o indivíduo? Quem teve essa infecção com [outro] coronavírus, fez essa célula de memória e depois entrou em contato com o Sars-CoV-2, como foi a infecção pela Covid? Foi mais leve?", questiona a cientista.

Por fim, ela lembra que nem todos os resfriados são causados por coronavírus (vírus da família corona), e, na maioria das vezes, as pessoas não sabem qual tipo de vírus é o causador.

"Quando eles [cientistas] falam 'vírus do resfriado', eles falam do resfriado causado por coronavírus, porque existem outros vírus que causam resfriados: rinovírus, adenovírus", pondera Rosa.
'Imunidade de rebanho': o que é e quais os riscos de deixar a pandemia correr seu curso
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CORONAVÍRUS

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Próxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na Amazônia

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Em entrevista à GloboNews, o médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa Gonçalo Vecina alertou para o desmatamento na floresta, onde a quantidade de vírus existentes pode levar a outras epidemias. 
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Por GloboNews 
05/08/2020 08h45 Atualizado há 2 horas
Postado em 05 de agosto de 2020 às 10h50m

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Próxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na AmazôniaPróxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na Amazônia

O médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa Gonçalo Vecina afirmou, em entrevista à GloboNews nesta quarta-feira (5), que o desmatamento na Amazônia pode levar a outras epidemias, como a da Covid-19, pelo fato de a floresta abrigar muitos outros vírus.
"Nós estamos agredindo a Amazônia. Na Amazônia, tem uma quantidade de vírus imensa. A próxima epidemia, com o nível de agressão que nós estamos fazendo ao meio ambiente, já está a caminho", afirmou Vecina.

"Nós temos que estar cuidando disso desde agora. E cuidar disso significa identificar esses agentes o mais cedo possível e desenvolver remédios e vacinas o mais cedo possível", acrescentou o médico.

"Portanto, investimento em ciência continuamente – ciência básica e ciência aplicada – será fundamental. Espero que os nossos próximos governantes – porque desse já não falo mais – tenham essa consciência e façam esse investimento, para que nós estejamos preparados para a próxima crise, que virá", completou Vecina.

As declarações do médico foram feitas depois que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, recuou da proposta de diminuir a meta de preservação da Amazônia.

Em maio, o ministro defendeu "passar a boiada" e "aproveitar o momento" em que o foco da sociedade e da mídia está voltado para o coronavírus para mudar regras de proteção ambiental.

Febre hemorrágica brasileira

Febre hemorrágica reaparece no Brasil após 20 anos
Febre hemorrágica reaparece no Brasil após 20 anos

"Alguns [vírus] nós já conhecemos", lembrou Vecina. "Tem um vírus lá [na Amazônia], chamado sabiá, que é um vírus mortal terrível", lembrou Vecina.

O vírus sabiá é o causador da febre hemorrágica brasileira, uma doença rara e de alta letalidade. Ele reapareceu no Brasil em janeiro deste ano, em São Paulo, o primeiro caso depois de 20 anos. (Veja vídeo acima).

O sabiá pertence à mesma família do vírus causador da febre de Lassa, que é endêmica em alguns países do oeste africano, como Benin, Gana, Guiné, Libéria, Mali, Serra Leoa, Togo e Nigéria.

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