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domingo, 18 de outubro de 2026

Origem dos animais pode ser até 200 milhões de anos mais antiga

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Cientistas propõem que reino animal pode ter surgido no período Neoproterozoico, entre 800 milhões e 700 milhões de anos atrás — antes, portanto, de o planeta atravessar suas glaciações mais severas.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 18 de Outubro de 2.026 às 10h00m
 
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Ilustração artística do fundo marinho do período Ediacarano na Namíbia, há 543 milhões de anos — Foto: Museum of Natural History, University of Oxford/Mighty Fossils
Ilustração artística do fundo marinho do período Ediacarano na Namíbia, há 543 milhões de anos — Foto: Museum of Natural History, University of Oxford/Mighty Fossils

É um dos grandes enigmas da biologia evolutiva: os animais irrompem de forma relativamente repentina no registro fóssil pouco antes do período Cambriano, há entre 539 milhões e 487 milhões de anos, embora algumas evidências sugiram que sua linhagem tenha começado muito antes.

Mas, após analisar organismos microscópicos encontrados em depósitos antigos da Mongólia, uma equipe científica propôs que o reino animal possa ter surgido até 200 milhões de anos antes do que se estimava, durante o período Neoproterozoico, há entre 800 milhões e 700 milhões de anos. Antes, portanto, de o planeta atravessar suas glaciações mais severas. A conclusão consta de um estudo publicado na revista Science Advances.

O limite da biota de Weng'an

A biota de Weng'an, um sítio fossilífero com cerca de 590 milhões de anos encontrado em rochas do período Ediacarano, na China, tem sido há décadas uma das principais referências para a investigação da origem da vida multicelular complexa.

Esse sítio preserva organismos microscópicos com um nível extraordinário de detalhe, mas nenhum deles pode ser considerado um animal.

Por causa dessa excepcional preservação, a comunidade científica supunha que os primeiros animais teriam surgido depois de Weng'an. A lógica era que, caso já existissem antes, um depósito de qualidade tão elevada necessariamente teria registrado seus fósseis.

Descobertas na biota de Kheseen questionam tese

O novo estudo coloca essa premissa em dúvida após analisar mais de uma centena de amostras da biota de Kheseen, na Mongólia, um conjunto de fósseis cerca de 40 milhões de anos mais jovem que Weng'an.

Na biota de Kheseen tampouco foram encontrados fósseis de animais, apesar de registros fósseis no sul da China e na Namíbia confirmarem que já havia animais na Terra naquele período.

"A biota de Kheseen refuta o argumento de que os excepcionais microfósseis de Weng'an implicam que teríamos encontrado fósseis de animais naquele depósito caso eles existissem na época", afirmou o autor Ross Anderson.

A ausência de animais num sítio de preservação excepcional não permite concluir que eles não existiam, pois podem ter vivido em ambientes diferentes dos de Kheseen, cujas condições químicas impediram sua fossilização.

"Os microfósseis de Kheseen estão igualmente bem preservados, mas ainda assim não aparecem fósseis de animais, apesar de sabermos que eles existiam naquele momento", acrescentou Anderson.

Técnica do relógio molecular apoia a hipótese

Ao rejeitar Weng'an como limite máximo para a origem dos animais, os cientistas recorreram a depósitos fossilíferos muito mais antigos, datados de 850 milhões a 730 milhões de anos, localizados na Noruega, na Austrália e no Arizona, nos Estados Unidos.

Embora esses locais também não contenham fósseis de animais, a composição química das rochas indica que elas teriam sido capazes de preservá-los caso estivessem presentes.

Com essas novas referências temporais, os pesquisadores aplicaram a técnica conhecida como relógio molecular, que analisa diferenças genéticas entre espécies atuais e as combina com a idade dos fósseis para estimar quando viveram seus ancestrais comuns.

O resultado foi um recuo de cerca de 200 milhões de anos na estimativa para a origem do reino animal, situando-a entre 800 milhões e 700 milhões de anos atrás, muito antes dos primeiros fósseis corporais confirmados.

Glaciações globais do período Criogeniano

A hipótese coincide com a presença de biomarcadores químicos em rochas antigas, interpretados como possíveis evidências de esponjas primitivas que viveram há pelo menos 650 milhões de anos.

Tratava-se de organismos minúsculos, de corpo mole e com baixíssima probabilidade de fossilização quando comparados à fauna posterior, que passou a apresentar conchas, ossos ou outras estruturas resistentes.

Além disso, situar a origem dos animais entre 800 milhões e 700 milhões de anos atrás implica que os estágios iniciais de sua evolução coincidiram com as glaciações globais do período Criogeniano, iniciadas há cerca de 720 milhões de anos, quando grande parte do planeta estava coberta por gelo, num fenômeno conhecido como "Terra Bola de Neve"

Repensar o ritmo da evolução

Os resultados ajudam a esclarecer "o que sabemos sobre os ritmos da evolução, o momento em que surgem as inovações biológicas e os processos que levam à diversificação dos animais", afirmou o coautor Derek Briggs, professor da Universidade Yale.

No entanto, os cientistas ressaltam que o estudo não demonstra de forma definitiva a existência de animais há 800 milhões de anos. O trabalho mostra apenas que a ausência de fósseis de animais num sítio específico não é suficiente para descartar essa possibilidade, abrindo espaço para que análises moleculares revelem uma história evolutiva muito mais antiga.

"Até que a evidência esteja disponível, a data exata de surgimento do reino animal continua incerta", conclui Anderson.

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Protestos na França levam mais de 500 mil às ruas e deixam 1 morto, 500 policiais feridos e 1.800 presos

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Manifestações contra o alto custo de vida registraram saques e incêndios no fim de semana. Presidente Emmanuel Macron disse que não há 'espaço para violência' e prometeu punir vândalos.
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Por Redação g1

Postado em 18 de Outubro de 2.026 às 09h00m
 
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Protestos tomam conta de várias cidades na Europa
Protestos tomam conta de várias cidades na Europa

A França amanheceu neste domingo (18) contabilizando os danos de uma das ondas de protestos mais violentas dos últimos anos no país.

Manifestações contra a inflação e cortes em serviços públicos deixaram um morto, mais de 500 policiais feridos e quase 1.800 detidos no sábado (17). 

Segundo o Ministério do Interior, mais de 500 mil pessoas foram às ruas em dezenas de cidades. Os atos marcam a união de um movimento estudantil que já dura um mês com a insatisfação geral da população contra o aumento do custo de vida.

Fachada da prefeitura de Limoges, na França, parcialmente destruída por incêndio. Prédio foi alvo de vandalismo após protestos contra a inflação no país registrarem saques e violência extrema no sábado (17). — Foto: PASCAL LACHENAUD/AFP
Fachada da prefeitura de Limoges, na França, parcialmente destruída por incêndio. Prédio foi alvo de vandalismo após protestos contra a inflação no país registrarem saques e violência extrema no sábado (17). — Foto: PASCAL LACHENAUD/AFP

Embora centenas de milhares de pessoas tenham protestado pacificamente, grupos radicais entraram em confronto com as forças de segurança.

Os protestos começaram no mês passado, motivados pelas condições das escolas e pela falta de professores em bairros de periferia. Nas últimas semanas, o movimento se ampliou para uma pauta contra a desigualdade e cortes de gastos públicos.

A morte, registrada em Paris, foi por conta de um ataque cardíaco.

Saques e rastro de destruição

Pedestres passam por dois veículos queimados estacionados em uma rua um dia após os protestos nacionais contra o alto custo de vida, em Paris. — Foto: MATTHIEU RONDEL/AFP
Pedestres passam por dois veículos queimados estacionados em uma rua um dia após os protestos nacionais contra o alto custo de vida, em Paris. — Foto: MATTHIEU RONDEL/AFP

Uma grande operação de limpeza teve início neste domingo em cidades de norte a sul do país, como Lille, Marselha, Estrasburgo e Bordeaux.

Nesta última, um grupo mascarado invadiu a residência do representante do governo local, e o prefeito Thomas Cazenave relatou que cerca de 100 lojas foram saqueadas.

Em Limoges, equipes avaliavam os danos à prefeitura da cidade, um prédio histórico de 143 anos que foi parcialmente destruído por um incêndio criminoso.

Sede da prefeitura de Limoges, na França, é destruída em incêndio — Foto: MELAINE PAYZAL/AP
Sede da prefeitura de Limoges, na França, é destruída em incêndio — Foto: MELAINE PAYZAL/AP

O fogo começou depois que um carro da polícia municipal foi incendiado em frente à prefeitura. O telhado desabou sobre os andares inferiores, com exceção da ala oeste.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, Guerin ameaçou renunciar ao cargo se a cidade não receber 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,69 mihões) necessários para reparar o edifício.

"Houve uma intenção clara e premeditada de incendiar a prefeitura, e as pessoas que estavam lá dentro temeram por suas vidas", afirmou o prefeito.

Em Paris, o cenário pós-protestos era de vitrines quebradas, bicicletas queimadas e pichações. Segundo as autoridades, os atos na capital começaram de forma pacífica, mas rapidamente terminaram em confrontos violentos.

A escalada da violência aumentou a pressão sobre o governo. Nas redes sociais, o presidente Emmanuel Macron declarou que não há "espaço para violência na República".

"Aqueles que depredaram, atacaram as prefeituras e o comércio, e saquearam até mesmo nossos prédios públicos, serão processados e punidos", escreveu Macron no X (antigo Twitter).

Macron vai se reunir com sua equipe de governo durante o dia fará um pronunciamento à nação na noite deste domingo (18).

O primeiro-ministro Sebastien Lecornu afirmou que o governo não será "intimidado" e culpou a "extrema esquerda" e criminosos comuns pelos distúrbios, em um momento de tensão às vésperas das eleições presidenciais do próximo ano.

Na área econômica, o ministro Roland Lescure prometeu apoio aos comerciantes que sofreram prejuízos e garantiu que os vândalos "pagarão e repararão os danos". Em Marselha, o prefeito Benoit Payan anunciou ajuda financeira emergencial para os negócios afetados.

No mesmo dia, manifestações contra o custo de vida e os preços da moradia ocorreram em outros países europeus, entre eles Portugal, Itália, Bélgica e Espanha.

Veja mais fotos das cidades francesas após os protestos:

Policiais examinam prédio do escritório de turismo de Lyon, depredado nos protestos de sábado (17). — Foto: JEFF PACHOUD/AFP
Policiais examinam prédio do escritório de turismo de Lyon, depredado nos protestos de sábado (17). — Foto: JEFF PACHOUD/AFP


Centro de compras cheio de detritos após protestos em Marselha, no domingo (18). — Foto: THIBAUD MORITZ/AFP
Centro de compras cheio de detritos após protestos em Marselha, no domingo (18). — Foto: THIBAUD MORITZ/AFP


Pedestres passam por dois veículos queimados estacionados em uma rua um dia após os protestos nacionais contra o alto custo de vida, em Paris. — Foto: MATTHIEU RONDEL/AFP
Pedestres passam por dois veículos queimados estacionados em uma rua um dia após os protestos nacionais contra o alto custo de vida, em Paris. — Foto: MATTHIEU RONDEL/AFP


Pessoas caminham em frente a loja de luxo com escrito "Coma os ricos" em Paris, após os protestos de sábado (17). — Foto: Stephanie Lecocq/Reuters
Pessoas caminham em frente a loja de luxo com escrito "Coma os ricos" em Paris, após os protestos de sábado (17). — Foto: Stephanie Lecocq/Reuters


Lanchonete McDonalds depredada em protestos no sábado (17) em PAris — Foto: Benoit Tessier/Reuters
Lanchonete McDonalds depredada em protestos no sábado (17) em PAris — Foto: Benoit Tessier/Reuters


Bombeiro francês examina vitrine quebrada na manhã de domingo (18), após os protestos do fim de semana em Paris — Foto: JEFF PACHOUD/AFP
Bombeiro francês examina vitrine quebrada na manhã de domingo (18), após os protestos do fim de semana em Paris — Foto: JEFF PACHOUD/AFP


Pedestres em Paris passam em frente a restaurante depredado nos protestos na região central de Paris. — Foto: MATTHIEU RONDEL/AFP
Pedestres em Paris passam em frente a restaurante depredado nos protestos na região central de Paris. — Foto: MATTHIEU RONDEL/AFP


Pixação diz "Redistribua as riquezas" em fachada de loja em Marselha. — Foto: Manon Cruz/Reuters
Pixação diz "Redistribua as riquezas" em fachada de loja em Marselha. — Foto: Manon Cruz/Reuters


Fachada da prefeitura de Limoges com carro incendiado à frente; o prédio foi incendiado no sábado (17) — Foto: PASCAL LACHENAUD/AFP
Fachada da prefeitura de Limoges com carro incendiado à frente; o prédio foi incendiado no sábado (17) — Foto: PASCAL LACHENAUD/AFP

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