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Tráfego de embarcações permanece restrito, ressaltando a influência contínua de Teerã sobre o estreito
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Hanna Zlady, da CNN
Postado em 20 de Agosto de 2.026 às 11h25m
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Navios ancorados no Estreito de Ormuz • 25 de maio de 2026 REUTERS/Stringer
O tráfego de embarcações permanece severamente restrito, demonstrando que muitos não estão dispostos a correr o risco de um possível ataque iraniano e ressaltando a influência contínua de Teerã sobre Ormuz.
O número de travessias de embarcações representa uma fração mínima da média de cerca de 130 travessias diárias registradas antes da guerra, muitas vezes mal chegando a dois dígitos.
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No caso de petroleiros carregados com petróleo bruto, em média, apenas dois ou três navios do tipo VLCC (Superpetroleiro) transitaram pelo estreito diariamente desde 7 de julho, segundo a Kpler, empresa que monitora navios utilizando transponders e dados de satélite.
Esse número contrasta com a média de cerca de oito trânsitos diários de VLCCs antes da guerra.
No entanto, apesar da redução no número de travessias, volumes crescentes de petróleo estão contornando totalmente o estreito ou dependendo da proteção dos EUA e de transferências de navio para navio para retirar o petróleo do Golfo Pérsico de forma sigilosa.
Um Estreito de Ormuz "permeável" enfraquece a barganha energética de Teerã e, ao mesmo tempo, alivia parte da pressão sobre os preços do petróleo bruto — e, consequentemente, da gasolina —, concedendo ao presidente dos EUA, Donald Trump, mais tempo para prolongar o atual impasse, na esperança de que o Irã recue.
Os Estados Unidos apostam que a pressão econômica alcançará o que a força militar não conseguiu até agora: forçar o regime iraniano a ceder.
No final da quarta-feira (19), Trump ameaçou impor "consequências econômicas ENORMES" a qualquer país que ofereça "qualquer tábua de salvação ao Irã", em uma publicação na Truth Social na qual declarou um "Dia D econômico".
No entanto, o Irã
não dá sinais de que vá ceder, apesar da pressão crescente sobre sua
economia e as vendas de petróleo. O país continua atacando navios na
região, prejudicando o fornecimento de energia para os mercados globais.
"Agora é uma questão de quem recua primeiro — se é que alguém vai recuar", disse Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da Rystad, uma consultoria do setor de energia.
"Existe essa dicotomia... o impacto econômico é maior para o Irã do que para os EUA neste momento, mas, o que é importante, a pressão política sobre o Irã é muito menor", afirmou ele à CNN.
A economia de sobrevivência do Irã
A economia do Irã já sofreu um duro golpe devido à guerra. O Fundo Monetário Internacional prevê uma retração superior a 5% neste ano, o que representaria a pior contração em quase quatro décadas.
A inflação está próxima de 80%, e a moeda local, o rial, atingiu mínimas históricas em relação ao dólar, forçando muitos iranianos a comprar até mesmo itens essenciais no crédito.
No entanto, Trump pode estar subestimando o limite de tolerância do Irã ao sofrimento. As dificuldades econômicas são uma realidade conhecida pelos cidadãos do país e, até o momento, não houve manifestações generalizadas contra o regime, que parece apenas ter se fortalecido com a guerra.
"A liderança do Irã está preparada para suportar muito mais sofrimento econômico", afirmou Gregory Brew, analista sênior do Eurasia Group, uma consultoria de risco político. O país "suportou anos de sanções dos EUA e, agora, uma longa guerra, sem recuar".

Vida
cotidiana em Teerã em meio a um cessar-fogo entre os EUA e o Irã •
Pessoas passam por uma faixa com uma foto do falecido comandante da
Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), Mohammad Pakpour, no Bazar de
Teerã, em meio a um cessar-fogo entre os EUA e o Irã, em Teerã, Irã, 21
de abril de 2026. Majid Asgaripour/WANA (Agência de Notícias da Ásia
Ocidental) via REUTERS
Os EUA estão apertando o cerco ao sufocar as exportações de petróleo do Irã por meio de um bloqueio aos portos iranianos.
O volume de petróleo carregado em navios-tanque iranianos caiu para uma fração dos níveis registrados entre fevereiro e abril, segundo a Kpler.
O país já possui cerca de 80 milhões de barris em trânsito marítimo — fora do alcance do bloqueio — destinados principalmente à China, o que lhe renderá cerca de US$ 1,5 bilhão (cerca de 7,7 bilhões de reais) por mês aos preços atuais, afirmou Homayoun Falakshahi, chefe de análise de petróleo bruto da Kpler.
No entanto, o tempo está passando. Com uma taxa de desembarque de 650 mil barris por dia, Teerã terá o equivalente a cerca de quatro meses de receitas de exportação, acrescentou ele. "É mais como uma morte lenta do que uma queda abrupta", disse ele à CNN.
Por outro lado, a economia dos EUA tem estado comparativamente protegida dos efeitos da guerra, mas a alta nos preços da gasolina — que agora superam, em média, US$ 4 o galão — está prejudicando muitos americanos e testando a popularidade de Trump antes das eleições de meio de mandato, em novembro.
Ainda assim, o presidente norte-americano mantém sua posição. "A guerra impopular e os preços mais altos da gasolina trazem prejuízos políticos a Trump, mas uma retirada caótica do Oriente Médio seria pior", afirmou Dan Alamariu, estrategista-chefe de geopolítica da Alpine Macro, uma empresa da Oxford Economics.
"Os eleitores americanos não gostam de presidentes que perdem guerras", escreveu ele em um relatório na semana passada.
A batalha de Ormuz
O governo Trump tem exaltado sua capacidade de escoltar navios pelo estreito, mas vários analistas que conversaram com a CNN afirmaram que o Irã continua a exercer influência significativa sobre a via navegável, embora as opiniões dos especialistas divirjam.
“O Irã exerce controle quase total sobre o Estreito de Ormuz”, mantido por meio da “ameaça de ataque”, afirmou Dimitris Maniatis, CEO da Marisks, uma empresa de segurança marítima sediada na Grécia.
Apesar da influência de Teerã, uma média de até 15 milhões de barris de petróleo sai do Golfo diariamente, incluindo o fluxo pelo estreito e por meio de oleodutos, segundo o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright.
Esse volume representa uma parcela significativa dos 20 milhões de barris que a região exportava diariamente antes do conflito envolvendo o Irã.
Serviços de rastreamento de embarcações, como a Kpler, apontam números bem mais baixos, mas analistas admitem que está cada vez mais difícil monitorar as movimentações.
Muitos petroleiros tentam realizar travessias “às escuras”, desligando seus AIS (Sistemas de Identificação Automática) para evitar detecção e, em alguns casos, recorrendo a transferências de carga entre navios fora de Ormuz para ocultar ainda mais seus movimentos.
É provável que o Irã esteja fazendo vista grossa para essas passagens, que em muitos casos envolvem petroleiros pertencentes, em última análise, a interesses iranianos, russos, chineses ou turcos, segundo Maniatis.
“Uma embarcação que desliga seu AIS não fica invisível... Essa enorme massa de metal sobre a água emite muitas outras transmissões eletrônicas além do seu transponder AIS”, disse ele à CNN, observando que até mesmo um micro-ondas ou uma geladeira na cozinha do navio emitem sinais detectáveis.
“Se os iranianos quiserem atacar uma embarcação, eles não dependem do AIS dela”, acrescentou.
O próprio Wright reconheceu que o Irã — que, segundo ele, havia “acumulado um arsenal gigantesco” — estava “causando dificuldades na região” e “para a economia mundial”. No entanto, ele argumentou que a capacidade do país de fazer isso estava diminuindo.
“Nossa capacidade de escoltar embarcações e retirar produtos daquela região está aumentando”, disse ele em entrevista à Fox News na semana passada.
Os dados da Kpler parecem confirmar isso: Falakshahi afirmou que 72 dos 84 petroleiros carregados com petróleo bruto — ou seja, 86% — que transitaram pelo estreito desde 7 de julho navegaram com os sistemas de rastreamento desligados e provavelmente utilizaram a rota autorizada pela ONU através de águas de Omã.
Ele ressaltou, no entanto, que não se sabe disso "com certeza".
Seis das 84 embarcações utilizaram a rota iraniana, enquanto as outras seis se dividiram entre a rota de Omã e uma passagem utilizada antes do conflito entre os dois países, embora esta última provavelmente estivesse mais próxima da rota iraniana, acrescentou ele.
"Parece cada vez mais que o Irã perdeu, pelo menos parcialmente, o controle do estreito", disse Falakshahi à CNN.
Por enquanto, o fluxo através de Ormuz proporciona um alívio muito necessário ao mercado de petróleo. No entanto, isso pode acabar, ironicamente, prolongando ainda mais a guerra.
“O fluxo de barris passando (por Ormuz) aumenta a probabilidade de uma guerra mais longa, possivelmente estendendo-se até bem dentro de 2027”, disse Alamariu, da Alpine Macro. “Nenhum dos lados sente urgência se o preço do petróleo não sofrer alteração significativa e o Irã continuar ganhando o suficiente para sustentar o regime”, acrescentou.
David Goldman contribuiu com a reportagem.







