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Exclusivo CNN: Análise de imagens de satélite do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais revela aumento de obras em montanha de granito, provável refúgio para atividades nucleares do irã
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Davis Winkie, Zachary Cohen e Thomas Bordeaux, da CNN
Postado em 09 de Setembro de 2.026 às 10h00m
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Construção iraniana na Montanha da Picareta, vista em imagens de satélite de 9 de agosto de 2026. • CSIS/Satellogic/Via CNN
O complexo de Pickaxe Mountain, localizado perto do complexo nuclear de Natanz, a cerca de 225 quilômetros ao sul de Teerã, tem sido monitorado por agências de inteligência, que consideram o local uma provável opção do Irã para proteger futuras atividades de seu programa nuclear.
Segundo uma nova análise de imagens de satélite do CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais), compartilhada exclusivamente com a CNN antes da publicação, houve “um claro aumento na atividade de construção” no local neste ano.
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Os analistas do CSIS avaliam que a instalação subterrânea foi “provavelmente” projetada como um refúgio para o programa nuclear iraniano.
A inteligência israelense sugeriu que o Irã pode estar planejando transferir centrífugas para o local como parte de seus esforços de enriquecimento de urânio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também ameaçou repetidamente atacar a instalação.
“Podemos atingir Pickaxe muito em breve”, disse Trump a jornalistas na semana passada, acrescentando que “sabemos quem está se movimentando” no local.
A montanha de granito, no entanto, representa um alvo difícil até mesmo para as bombas não nucleares mais potentes do Pentágono, segundo a equipe do CSIS. E Pickaxe Mountain não é a única instalação nuclear iraniana considerada inacessível às armas atuais.
Há sinais, porém, de que os Estados Unidos estão tentando desenvolver formas de atingir esses locais, enquanto as forças americanas se concentram principalmente em outros tipos de alvos durante os seis meses de conflito com o Irã.
Quatro dias antes de os EUA lançarem a Operação Epic Fury, um gerente de programa de uma agência pouco conhecida do Pentágono, responsável pelo combate a armas de destruição em massa, assinou uma justificativa emergencial de US$ 1,2 milhão para reparar uma “instalação subterrânea de testes exclusiva no campo de testes de mísseis de White Sands”, no Novo México. O objetivo era realizar um “teste com munição real para validar capacidades classificadas contra ameaças emergentes rapidamente”.
O documento da DTRA (Agência de Redução de Ameaças de Defesa) foi publicado em um banco de dados federal em 27 de fevereiro, um dia antes do início da guerra.
O memorando dizia que a “preparação rápida para o teste”, como outro banco de dados classificou o contrato concedido à Pate Construction, deveria ser concluída em duas a três semanas devido a uma “diretriz de segurança nacional sensível ao tempo”.
Três fontes familiarizadas com o assunto disseram à CNN que os planos do teste estavam relacionados à guerra com o Irã e à necessidade de desenvolver uma forma de atingir as instalações subterrâneas mais profundas do país e, provavelmente, simular ataques americanos contra determinados complexos nucleares.
Os Estados Unidos já haviam atacado instalações nucleares iranianas em junho de 2025, na operação que os militares chamaram de Midnight Hammer. Embora os ataques tenham destruído alguns locais importantes ligados ao programa nuclear de Teerã, um alto general americano disse a parlamentares no ano passado que a instalação nuclear de Isfahan, profundamente enterrada, teve apenas suas entradas soterradas, porque o Pentágono acreditava que suas bombas projetadas para destruir bunkers, conhecidas como Massive Ordnance Penetrator, não seriam capazes de destruí-la.
As Forças Armadas americanas trabalham no desenvolvimento de uma bomba “penetradora de próxima geração” para substituir a atual MOP e potencialmente atingir alvos ainda mais profundos. Um contrato para iniciar o desenvolvimento de um protótipo foi concedido em setembro de 2025, e a Força Aérea americana consultou empresas do setor de defesa sobre a nova arma em junho.
Imagens de satélite analisadas pela CNN mostram que, entre 16 e 18 de fevereiro, começaram trabalhos de escavação em uma área remota de White Sands operada pela DTRA e pelo Comando Estratégico dos Estados Unidos, destinada a testar os efeitos de armas contra alvos profundamente enterrados.
O período coincide com o contrato emergencial: a Pate Construction apresentou uma estimativa para os trabalhos em 17 de fevereiro e recebeu o contrato no dia seguinte, segundo registros federais.
As obras no local remoto, conhecido como Alternate Seismic Hardrock in Situ Test Site, continuaram até meados de março, enquanto um monte de terra escavada aumentava gradualmente. Segundo as imagens, as atividades parecem ter sido interrompidas depois disso.
Assim como Pickaxe Mountain, a área de testes da DTRA em White Sands também foi escavada em granito, segundo uma avaliação ambiental.
A CNN não conseguiu verificar de forma independente se o teste foi realizado nem confirmar o objetivo das obras observadas por imagens de satélite. O Pentágono não respondeu imediatamente aos questionamentos da CNN. A Pate Construction também não respondeu às ligações de um repórter da CNN.
As Forças Armadas americanas mantêm planos operacionais para atacar Pickaxe Mountain, que fazia parte de um pacote de alvos considerado no início deste verão, quando Trump ameaçava ampliar o conflito com o Irã, segundo uma fonte familiarizada com o assunto.
O plano de ataque previa o uso de algumas das maiores bombas do arsenal americano, embora ainda não esteja claro se essas munições conseguiriam penetrar profundamente o suficiente para destruir o que quer que o Irã tenha transferido para o local, acrescentou a fonte.
Os esforços para desenvolver planos de ataques decisivos contra instalações subterrâneas continuam. Uma fonte familiarizada com o assunto disse à CNN que setores do Departamento de Defesa realizaram recentemente uma “força-tarefa de planejamento” sobre o tema.
Segundo a análise do CSIS, a instalação de Pickaxe Mountain foi “provavelmente” projetada para uma de três finalidades, todas relacionadas ao programa nuclear iraniano: uma instalação de montagem de centrífugas, uma instalação de enriquecimento ou um refúgio para outras atividades relacionadas a armas nucleares, como a conversão de urânio metálico.
No relatório, os analistas do CSIS afirmaram que as obras no local “passaram de uma escavação ativa para provavelmente uma construção interna e um reforço externo contínuo”.
Em 2026, Pickaxe Mountain registrou “mais movimentação nas estradas” do que em qualquer outro momento. Os trabalhos também incluíram “elevação e reforço dos acessos aos túneis, pavimentação da rede interna de estradas, reforço nas áreas de acesso e nivelamento e remoção” da terra escavada durante a construção dos túneis.
Os analistas do CSIS alertaram que a “construção contínua” observada em Pickaxe Mountain, entre outros fatores, sugere que o local “ainda não é capaz de realizar atividades de enriquecimento”, caso essa seja sua finalidade.
Tal Shalev, da CNN, contribuiu para esta reportagem.
O trabalho de Davis Winkie na CNN conta com o apoio de uma parceria entre a Outrider Foundation e a Journalism Funding Partners (JFP). A CNN mantém controle editorial integral sobre a reportagem.







