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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Brasil e Suécia negociam produção de novos caças Gripen em fábrica brasileira

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Aeronaves suecas deverão ser produzidas em solo nacional, mirando mercado da América Latina. Governo descreve programa como chave para redução da dependência externa.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 04 de Junho de 2.026 às 17h00m
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FAB começa a usar caças Gripen na defesa da Capital Federal
FAB começa a usar caças Gripen na defesa da Capital Federal

O Brasil assinou nesta quinta-feira (4) um acordo de intenções com a Suécia para potencialmente comprar 20 novos caças do modelo Gripen E e F, da fabricante Saab.

O ministro da Defesa sueco, Pal Jonson, disse que as aeronaves seriam fabricadas no Brasil, durante coletiva de imprensa em Estocolmo, ao lado da sua contraparte brasileira, José Mucio.

Os dois países já haviam assinado em 2014 outro acordo, avaliado em 4,5 bilhões de dólares (o equivalente, hoje, a quase R$ 23 bilhões), para a aquisição de outros 36 caças Gripen pela Força Aérea Brasileira (FAB). Os primeiros jatos já foram recebidos, e a expectativa é que o restante seja entregue até 2027.

À época do primeiro acordo do Brasil com a Saab, o Gripen desbancou o F-18 Super Hornet, da americana Boeing, e o Rafale, da francesa Dassault Aviation SA.

Lula chegou a ser acusado de favorecer a fabricante sueca anos depois, mas o processo contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) acabou suspenso em 2022 pelo então ministro Ricardo Lewandowski.

Em 2024, o Departamento de Estado dos Estados Unidos intimou a Saab a prestar informações sobre o negócio.

Brasil assina acordo para comprar mais 20 caças Gripen — Foto: Andre Penner/AP Photo/picture alliance
Brasil assina acordo para comprar mais 20 caças Gripen — Foto: Andre Penner/AP Photo/picture alliance

Produção em solo nacional

Uma segunda fase da cooperação firmada nesta quinta envolveria ainda a transferência de tecnologia para a produção das aeronaves no Brasil, mirando o mercado da América Latina.

A Embraer e a Saab lançaram, em 2023, a primeira linha de produção da aeronave no Brasil, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, prevendo ali a fabricação de 15 das 36 aeronaves abrangidas pelo acordo inicial.

Em março deste ano, foi apresentado o primeiro caça produzido em território nacional, no que o governo brasileiro descreveu como passo importante na redução da dependência externa. Uma nova entrega está prevista para este ano.

"Hoje, o céu do Brasil é palco de um momento histórico. Voei escoltado pelo primeiro Gripen produzido no Brasil. Um momento muito simbólico, que mostra um país que acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania, afirmou, então, o presidente Lula.

Presidente durante a cerimônia de apresentação do primeiro Caça F-39 E Gripen montado no Brasil. — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Presidente durante a cerimônia de apresentação do primeiro Caça F-39 E Gripen montado no Brasil. — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

Preço ainda desconhecido

Segundo a Folha de S.Paulo, o anúncio surpreendeu pessoas familiarizadas com o tema, em vista da redução orçamentária que afeta o Ministério da Defesa. Serão suprimidos R$ 4,3 bilhões neste ano da pasta, a mais impactada pelos cortes na Esplanada.

Por sua vez, Jonson não quis especificar o valor da operação e ressaltou que "é algo que ainda deve ser discutido" entre o Brasil e a fabricante sueca dos caças.

Na prática, as aeronaves são usadas para o treinamento de pilotos e mecânicos, além de poderem atuar em operações aéreas.

Segundo o governo brasileiro, o programa Gripen beneficia ainda o país com o fortalecimento da capacidade de defesa, "incremento tecnológico, geração de postos de trabalho altamente qualificados e ampliação de oportunidades econômicas". O Planalto estima que sejam gerados cerca de 13 mil empregos, incluindo 2,2 mil diretos e 10,8 mil indiretos.

A declaração conjunta assinada por Brasil e Suécia destaca ainda "o estabelecimento de um centro de inovação dedicado ao desenvolvimento e à exploração de novos sistemas e equipamentos aplicáveis à operação, manutenção e melhoria dos caças Gripen".

Caças F-39 Gripen da FAB — Foto: Reprodução/SO Johnson/Força Aérea Brasileira
Caças F-39 Gripen da FAB — Foto: Reprodução/SO Johnson/Força Aérea Brasileira

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Agência da ONU aponta poucas mudanças em programa nuclear do Irã

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Relatório reiterou apelos para que Teerã explique o destino dos estoques de urânio enriquecido
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Da Reuters, da CNN
04/06/26 às 14:57 | Atualizado 04/06/26 às 14:57
Postado em 04 de Junho de 2.026 às 15h30m
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Instalação iraniana de enriquecimento de urânio no Irã
Vista da instalação iraniana de enriquecimento de urânio de Natanz, a 250km ao sul da capital Teerã  • Foto: Raheb Homavandi (Reuters)

A agência nuclear da ONU enviou um relatório aos Estados integrantes nesta quinta-feira (4) sem grandes alterações na avaliação do programa nuclear iraniano, apesar dos três meses de guerra entre Estados Unidos e Israel com o objetivo declarado de impedir Teerã de construir uma bomba atômica.

No primeiro relatório sobre o programa nuclear iraniano desde o dia anterior aos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o país no final de fevereiro, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) reiterou os apelos para que Teerã explique o destino dos estoques de urânio enriquecido.

O urânio está desaparecido desde uma campanha de bombardeio conjunta dos EUA e de Israel, realizada no ano passado, que teve como alvo as principais instalações nucleares do Irã.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, citaram repetidamente a destruição do programa nuclear iraniano como um de seus principais objetivos ao lançarem novos ataques no final de fevereiro.

O estoque de urânio enriquecido do Irã tem sido um grande obstáculo nas negociações entre os Estados Unidos e Teerã para pôr fim à guerra, com Trump insistindo que o país o abandone. Os esforços recentes têm se concentrado em um acordo preliminar que deixaria as questões nucleares para uma data posterior.

relatório confidencial sobre o Irã foi um dos dois divulgados nesta quinta-feira (4) e vistos pela agência Reuters antes da reunião trimestral da próxima semana do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica, composto por 35 nações.

Os relatórios mostraram poucas mudanças em relação aos anteriores, do final de fevereiro, pouco antes da última guerra.

"O Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica enfatizou ao Irã que é indispensável e urgente implementar efetivamente o Acordo de Salvaguardas do TNP (Tratado de Não Proliferação Nuclear) e que sua implementação não pode ser suspensa pelo Irã sob nenhuma circunstância", diz o relatório visto pela Reuters.

A AIEA não conseguiu retornar aos locais nucleares que Israel e os Estados Unidos bombardearam em junho passado. Israel ainda não informou à AIEA sobre o destino de seus estoques de urânio pouco e altamente enriquecido (HEU e o LEU), incluindo urânio enriquecido a até 60% de pureza, um passo abaixo dos cerca de 90% de grau militar.

"A falta de acesso da Agência para verificar o HEU e o LEU previamente declarados, durante quase um ano – o que já deveria ter sido feito há muito tempo, de acordo com as práticas padrão de salvaguardas – é motivo de preocupação em termos de proliferação e de conformidade com o Acordo de Salvaguardas do TNP", afirmou o relatório.

A falta de supervisão por tanto tempo leva à perda do controle sobre o assunto, o que a agência chama de perda da "continuidade do conhecimento".

"A perda de continuidade do conhecimento da Agência sobre todo o material nuclear previamente declarado em instalações afetadas no Irã precisa ser abordada com a máxima urgência", afirmou, referindo-se aos locais afetados, ou atingidos, nos ataques militares dos EUA e de Israel em junho.

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