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sábado, 11 de abril de 2026

IPCA: inflação fica em 0,88% em março, acima das expectativas e puxada por combustíveis

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A projeção de economistas era de alta de 0,7% no mês e inflação de 4% em 12 meses. Mesmo com o resultado acima do esperado, o indicador permanece dentro da faixa de tolerância da meta de 3% fixada pelo CMN.
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 Por Janize Colaço, g1 — São Paulo

Postado em 11 de Abril de 2.026 às 09h00m
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Inflação fica em 0,88% em março, puxada pelos combustíveis
Inflação fica em 0,88% em março, puxada pelos combustíveis

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, mostra que os preços subiram 0,88% em março, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos nos últimos 12 meses, a alta foi de 4,14%.

A expectativa dos economistas era de avanço de 0,7% no mês e de inflação acumulada de 4% em 12 meses. Em março de 2025, a variação havia sido de 0,56%.

  • 🎯 Mesmo assim, o índice segue dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, essa meta passou a ser contínua — isso significa que o cumprimento é acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.

Em março, os principais destaques do índice foi o grupo Transportes, com variação de 1,64%, puxado pela alta dos combustíveis (+4,59%). Fernando Gonçalves, gerente do IPCA do IBGE, destaca que a alta foi influenciada pelo conflito no Irã, que afetou o comércio global de petróleo.

Gonçalves também lembrou que, nas últimas semanas, houve reajustes nos preços praticados pela Petrobras.

"A combinação entre restrições de oferta no mercado internacional e repasses domésticos acabou se refletindo nos preços ao consumidor e já aparece nos dados de inflação de março."

De acordo com o técnico do IBGE, sem a alta da gasolina o IPCA de março teria ficado em 0,68%. Se todos os combustíveis fossem desconsiderados do cálculo, a inflação do mês teria sido de 0,64%.

Veja o resultado dos grupos do IPCA:

  • Alimentação e bebida: 1,56%;
  • Habitação: 0,22%;
  • Artigos de residência: 0,51%;
  • Vestuário: 0,46%;
  • Transportes: 1,64%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,42%;
  • Despesas pessoais: 0,65%;
  • Educação: 0,02%;
  • Comunicação: 0,19%.
Combustíveis puxam inflação de março

Os preços do grupo Transportes aceleraram em março. A alta passou de 0,74% em fevereiro para 1,64%, puxada principalmente pelo aumento dos combustíveis, que subiram 4,47% no período.

E a gasolina teve papel central nesse resultado: depois de cair 0,61% em fevereiro, o preço do combustível subiu 4,59% em março e foi o item que mais pressionou a inflação do mês, com impacto de 0,23 ponto percentual (p.p.) no IPCA.

O óleo diesel também registrou forte alta, passando de 0,23% em fevereiro para 13,90% em março, com impacto de 0,03 p.p. Já o etanol subiu 0,93%, enquanto o gás veicular teve queda de 0,98%.

Entre os serviços de transporte, as passagens aéreas continuaram em alta, mas com ritmo menor: o aumento desacelerou de 11,4% em fevereiro para 6,08% em março.

As tarifas de ônibus urbano tiveram alta de 1,17%. O resultado reflete reajustes de preços em algumas cidades e mudanças nas regras de gratuidade ou descontos em domingos e feriados.

Outros serviços de transporte registraram variações mais moderadas. A tarifa de táxi subiu 0,26%, enquanto o metrô teve alta de 0,67%. Já o ônibus intermunicipal avançou 0,22%.

Outras variações

O grupo Alimentação e bebidas registrou forte alta em março. A variação passou de 0,26% em fevereiro para 1,56% no mês seguinte.

Grande parte desse avanço veio dos alimentos consumidos em casa, que subiram 1,94%, após alta de 0,23% no mês anterior.

Entre os produtos que mais encareceram estão:

  • 🍅 Tomate: 20,31%
  • 🧅 Cebola: 17,25%
  • 🥔 Batata-inglesa: 12,17%

Por outro lado, alguns itens ficaram mais baratos:

  • 🍎 Maçã: -5,79%
  • ☕ Café moído: -1,28%

Outro grupo que apresentou alta relevante foi o de Despesas pessoais, com avanço de 0,65%. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento nos preços de ingressos para cinema, teatro e concertos, que subiram 3,95% após o fim da chamada Semana do Cinema, realizada em fevereiro.

No grupo Saúde e cuidados pessoais, os preços subiram 0,42%, com destaque para o aumento nos planos de saúde, que tiveram alta de 0,49%.

Preço do combustível já tem sofrido os reflexos do fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: Rene Traut/Rene Traut Fotografie/picture alliance via DW
Preço do combustível já tem sofrido os reflexos do fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: Rene Traut/Rene Traut Fotografie/picture alliance via DW

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Análise: Trump paga preço muito alto pela paz com o Irã

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Estados Unidos não conseguiram atingir seus maiores objetivos durante a guerra e presidente viu sua popularidade cair para os níveis mais baixos desde o primeiro mandato     
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Américo Martins  Especialista em jornalismo internacional e fascinado pelo mundo desde sempre, foi diretor da BBC de Londres e VP de Conteúdo da CNN; já visitou mais de 70 países
08/04/26 às 12:17 | Atualizado 08/04/26 às 12:17
Postado em 11 de Abril de 2.026 às 06h00m
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O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no Salão Cruzado da Casa Branca  • Getty Images

O presidente Donald Trump anunciou o acordo de cessar-fogo de duas semanas com o Irã como uma vitória total e completa”. Mas a coisa não é bem assim. Muito pelo contrário.

Trump acabou tendo que pagar um preço altíssimo para conseguir a paz, ainda que temporária, com o regime iraniano. É fato que os ataques dos norte-americanos e israelenses destruíram boa parte das capacidades militares e de defesa do Irã, que viu a sua Marinha e a sua Força Aérea serem praticamente desmanteladas.

Houve grande destruição de infraestrutura e a morte de cerca de 3.600 pessoas, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos do Irã, sediada nos Estados Unidos.

Do ponto de vista militar tradicional, o Irã tomou, de fato, uma surra. Teve dezenas de líderes militares e políticos mortos e, ao final, já não conseguia se defender dos ataques aéreos.

O regime, no entanto, usou com eficiência táticas de guerra assimétrica e a geografia a seu favor. Esses fatores aumentaram a pressão sobre Trump, que também acabou sofrendo consequências profundas com a guerra.

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Para começar, os norte-americanos não conseguiram atingir seus principais objetivos políticos. Apesar da morte do líder supremo Ali Khamenei, o regime islâmico continua no poder em Teerã.

Agora sob a liderança formal do filho e sucessor Mojtaba Khamenei, mas também com o claro fortalecimento da linha dura, sob controle da temida e brutal Guarda Revolucionária Islâmica.

Não houve, portanto, mudança de regime nem a tomada do poder pela população civil iraniana, como chegou a defender Trump no início do conflito.

Além disso, o Irã ainda mantém pelo menos 450 quilos de urânio enriquecido a 60%, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica.

Esse material poderia, com enriquecimento adicional, ser utilizado para a produção de uma arma nuclear. Isso mostra que o conflito não deixou o mundo mais seguro, como afirma Trump.

Por fim, os norte-americanos também não conseguiram acesso ao petróleo iraniano, como desejava o presidente.

Pelo contrário. Ao fechar o estratégico Estreito de Ormuz, os aiatolás impediram exportações de outros países do Golfo e provocaram uma forte crise no setor de energia, com alta nos preços globais de combustíveis e gás.

Isolamento internacional

O conflito também deixou o governo americano mais isolado no cenário internacional. Com a óbvia exceção de Israel, nenhum aliado foi consultado sobre os ataques iniciais.

Muitos classificaram o conflito como “ilegal”, por não ter autorização do Conselho de Segurança da ONU nem estar associado a uma ameaça iminente.

O isolamento se aprofundou com a crise na Otan, que recusou apoiar os Estados Unidos na tentativa de reabrir o Estreito de Ormuz.

Os europeus, cada vez mais, discutem formas de garantir sua própria defesa e já consideram até um cenário sem participação americana na aliança.
Grandes rivais dos Estados Unidos, como Rússia e China, saíram fortalecidos.

Moscou se beneficiou da alta nos preços do petróleo e da flexibilização parcial de sanções, o que pode ampliar sua capacidade de financiar a guerra na Ucrânia.
Pequim, por sua vez, buscou se apresentar como um ator mais estável e responsável, reforçando a narrativa de que os Estados Unidos são uma fonte de instabilidade global.

Impacto na política interna

Mas foi dentro dos Estados Unidos que os efeitos mais imediatos apareceram.

A guerra nunca foi popular entre os eleitores, nem mesmo entre parte da base de Trump tradicionalmente contrária às chamadas guerras sem fim. Aliados políticos chegaram a deixar o governo, alegando falta de justificativa para o conflito.

Ao mesmo tempo, o fechamento de Ormuz elevou rapidamente os preços dos combustíveis nos postos norte-americano, aumentando o desgaste do presidente.
Durante o conflito, sua popularidade caiu para o nível mais baixo desde o primeiro mandato.

Apenas 31% aprovaram sua gestão econômica, segundo pesquisa da CNN divulgada na semana passada.

Dois terços dos americanos afirmaram que suas políticas pioraram a economia, um aumento de 10 pontos percentuais desde janeiro.

A aprovação no combate à inflação caiu para 27%, bem abaixo dos 44% registrados um ano antes.

Houve também erosão dentro do próprio Partido Republicano: a aprovação do presidente entre seus apoiadores caiu de 52% para 43% em apenas dois meses.

Tudo isso passou a preocupar Trump, especialmente diante das eleições de meio de mandato, em novembro.

Diante desse cenário, o presidente passou a intensificar as ameaças contra o Irã, ao mesmo tempo em que buscava uma saída para o conflito.
Qualquer saída. E a qualquer preço.

Os iranianos, também interessados em encerrar a guerra, ofereceram um acordo precário, prontamente aceito pela Casa Branca. Trump vai continuar dizendo que venceu a guerra, mas isso não deve colar a não ser entre os seus aliados mais fervorosos.

Resta saber se Trump terá tempo para reverter o prejuízo até as eleições de novembro.

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