Em um futuro que fica cada vez mais real e se aproxima, os integrantes do BRICS estão conduzindo projetos-piloto bilaterais para testar plataformas de pagamento, afirmou o vice-ministro das Finanças da Rússia, Ivan Chebeskov, ao jornal Izvestia. Isso inclui iniciativas russas como o BRICS Bridge e o BRICS Clear — um sistema de pagamento comum e uma infraestrutura de liquidação e compensação. Essas iniciativas permitirão investimentos mais seguros nas economias dos países-membros do BRICS.

O grupo também discute o aumento do investimento em infraestrutura conjunta e a possibilidade de envolver o setor privado nesses mecanismos, declarou o vice-ministro das Finanças dos Emirados Árabes Unidos, Younis Haji Al Khouri. No entanto, especialistas acreditam que as tensões internas do BRICS, assim como a ameaça de sanções ocidentais, podem atrasar a implementação desses planos.

Nesse contexto, plataformas estão sendo desenvolvidas pelos países do bloco. Assim, as nações do BRICS iniciaram testes-piloto bilaterais de novas plataformas de pagamento, segundo Chebeskov ao Izvestia.

A discussão continua sobre todas as iniciativas que propusemos para 2024. Embora ainda não tenham sido criadas plataformas específicas, já existem resultados iniciais — especificamente, alguns projetos-piloto bilaterais dessas iniciativas. E, em segundo lugar, uma discussão mais ativa sobre a necessidade geral de criar infraestrutura alternativa, observou Chebeskov.

Durante a presidência russa do BRICS em 2024, Moscou propôs aos parceiros a criação de uma plataforma de liquidação chamada BRICS Bridge, que permitiria pagamentos internacionais sem depender da infraestrutura bancária dos Estados Unidos e de outros países ocidentais. A BRICS Bridge pretende se consolidar como alternativa ao sistema SWIFT.

Além disso, a Rússia iniciou os trabalhos para a criação de um sistema de custódia do BRICS — o BRICS Clear. Trata-se de uma estrutura voltada para a circulação de títulos entre os países do bloco, semelhante aos sistemas existentes no Ocidente, mas cujo uso hoje é restrito à Rússia e a alguns outros países.

No período entre 2022 e 2024, isso parecia uma proposta nova da Federação Russa, sobretudo porque o país enfrentava dificuldades estruturais e financeiras em razão das sanções. Agora, porém, a proposta foi adotada como base pela maioria dos países, revelando uma necessidade concreta. "Tais sistemas tendem a existir no futuro, disse Ivan Chebeskov.

Ele destacou ainda que muitos parceiros ainda hesitam em discutir publicamente soluções de plataforma importantes devido a preocupações com as consequências geopolíticas. Ao mesmo tempo, segundo ele, esses países estão preparados para trabalhar bilateralmente, realizar discussões e conduzir testes-piloto.

Vale lembrar que, no início do ano passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou os países do BRICS com tarifas de 100% caso tentassem substituir o dólar.

Na conjuntura atual, Washington exerce pressão sobre membros individuais do BRICS, especialmente Índia e China, por meio de tarifas comerciais. Além disso, uma das principais exigências de Trump é ampliar as importações de bens e serviços norte-americanos. A maioria dos especialistas, no entanto, aponta que essa pressão explícita tende a acelerar a criação de instrumentos de pagamento independentes no interior do bloco.

Ambos os projetos — BRICS Bridge e BRICS Clear — ainda estão em fase conceitual, e um prazo realista para um lançamento parcial seria entre 2027 e 2028, condicionado à vontade política dos principais participantes, afirmou Alisa Kazelko, membro da Associação Russa de Controle de Exportações e especialista do Clube Valdai, ao Izvestia.

A lógica estratégica é clara: hoje, as transações entre Índia e Brasil, Rússia e África do Sul ainda passam pela infraestrutura do dólar, criando riscos de sanções para toda a cadeia. Se essas plataformas estiverem operacionais, elas eliminarão essa vulnerabilidade e funcionarão como uma apólice de seguro de longo prazo para todo o Sul Global — especialmente à medida que o BRICS se expande para incluir novos membros da África e da América Latina, observou a especialista.

Entretanto, a implementação dessas iniciativas não ocorre sem obstáculos. A ameaça de sanções ocidentais é um fator importante, já que Estados Unidos e União Europeia continuam sendo parceiros comerciais centrais para muitos países do BRICS. Além disso, conflitos internos precisam ser administrados.

O BRICS não é a União Europeia: não há mecanismos supranacionais que forcem a integração, e cada país integrará essas novas plataformas em seu próprio ritmo.

A título de exemplo, a Índia vê as iniciativas financeiras do BRICS como um projeto chinês em embalagem internacional e, por isso, avança com extrema cautela. O Brasil, por sua vez, se declara aberto à desdolarização, mas seu sistema financeiro permanece profundamente integrado à infraestrutura ocidental.

Dessa forma, um cenário realista para os próximos dez anos aponta para a formação de um sistema monetário paralelo dentro do BRICS, mantendo o dólar como referência nas transações externas. O ritmo desse processo será determinado não pelas cúpulas diplomáticas, mas pela dinâmica das sanções americanas, que funcionam como principal incentivo estrutural para a desdolarização, concluiu Kazelko.

As nações do BRICS já avançam na negociação em moedas nacionais. Atualmente, a maioria das transações dentro da associação ocorre nessas moedas, e essa participação tende a crescer, enfatizou Ivan Chebeskov. Na primavera de 2025, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, confirmou que 67% do comércio bilateral já é liquidado em moedas dos países do BRICS, enquanto a participação do dólar caiu para 33%.

Na prática, e de forma conclusiva, existem oportunidades concretas para ampliar investimentos em infraestrutura, bem como para envolver o setor privado no uso e nos benefícios de parcerias público-privadas em diversas áreas, incluindo saúde, educação e, futuramente, infraestrutura estratégica.

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