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terça-feira, 12 de maio de 2026

O câncer pode estar no DNA da sua família: maior estudo genômico do Brasil encontra mutação hereditária em 1 a cada 10 pacientes

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Estudo pioneiro mostra que identificar a alteração genética antes de a doença aparecer pode mudar radicalmente o que médico e paciente fazem a seguir.
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Por Talyta Vespa, g1

Postado em 12 de Maio de 2.026 às 07h00m
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Imagine descobrir, depois de um diagnóstico de câncer, que a doença não surgiu apenas por acaso —e que seus filhos, irmãos e pais podem carregar a mesma predisposição no DNA, sem saber. Foi exatamente isso que aconteceu com parte dos pacientes acompanhados pelo maior estudo genômico do câncer já realizado no Brasil.

O trabalho, publicado no periódico científico The Lancet Regional Health – Americas, sequenciou o genoma completo de 275 pacientes com câncer de mama, próstata ou intestino em hospitais públicos das cinco regiões do país.

O resultado mais impactante: 1 em cada 10 carregava uma mutação hereditária —uma falha no DNA que aumenta drasticamente o risco de câncer e pode ser passada de geração em geração.

O estudo faz parte do Mapa Genoma Brasil, iniciativa do Ministério da Saúde financiada pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), coordenada pelo Hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

O que isso muda na vida de quem tem câncer

Descobrir uma mutação hereditária não é apenas uma informação científica. Ela pode mudar o tratamento do paciente de imediato.

👩‍🏫 Parece complicado? O g1 te explica.

➡️ Quem tem câncer de mama e carrega uma mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2, por exemplo, pode passar a ser elegível para uma classe de medicamentos chamada inibidores de PARP —drogas que funcionam em tumores com esse tipo específico de defeito genético. Sem o teste, o médico pode nem saber que essa opção existe para aquele paciente.

➡️ Já no câncer de intestino, pacientes com mutações em genes como MLH1, MSH6 ou PMS2 costumam apresentar tumores com uma característica chamada instabilidade de microssatélites —e isso indica que eles podem responder bem à imunoterapia, um tratamento que ativa o próprio sistema imunológico contra o câncer.

É uma mudança de rota terapêutica que só se descobre com o teste genético.

"Nem toda mutação muda a droga imediatamente, mas todas mudam alguma coisa —a vigilância, a possibilidade de cirurgia preventiva, o alerta para a família", explica o urologista e cirurgião oncológico Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) e pesquisador principal do estudo. 
O parente que ainda não sabe que está em risco

Talvez o achado mais urgente do estudo seja este: entre os familiares dos pacientes que tinham mutação e aceitaram fazer o teste, quase 40% também carregavam a mesma alteração no DNA —sem ter desenvolvido nenhum câncer ainda.

É aí que o diagnóstico genético muda de patamar. Quando a mutação é encontrada antes da doença aparecer, médicos conseguem iniciar protocolos de vigilância e prevenção em pessoas que, muitas vezes, nem imaginavam estar em risco.

  • Quem carrega mutações no gene BRCA1, por exemplo, pode ter risco de câncer de mama que chega a 85% ao longo da vida —e de câncer de ovário, a até 60%. Para esses casos, as diretrizes médicas recomendam ressonância magnética anual a partir dos 25 anos e, dependendo da situação, cirurgia preventiva.
  • mutações no gene TP53 —associadas à Síndrome de Li-Fraumeni— estão ligadas a um risco ainda mais amplo: mais de 90% de chance de desenvolver algum tipo de câncer ao longo da vida. O acompanhamento inclui ressonância magnética de corpo inteiro anual e vigilância multidisciplinar.
  • No caso da Síndrome de Lynch, causada por mutações em genes como MLH1, o risco de câncer de intestino pode chegar a 80%, levando à recomendação de colonoscopias frequentes desde cedo.

Só esperar e monitorar sem um plano estruturado não é uma conduta adequada para quem carrega essas variantes de alto risco, diz Guimarães. A diferença entre encontrar a mutação antes ou depois do tumor aparecer pode ser, literalmente, a diferença entre prevenir e tratar.

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Uma mutação especificamente brasileira

O estudo também identificou casos da mutação TP53 R337H, associada à Síndrome de Li-Fraumeni, condição genética que aumenta fortemente o risco de câncer ao longo da vida.

Essa variante tem uma relação especial com o Brasil. Pesquisas lideradas pela oncogeneticista Maria Isabel Achatz, do Hospital Sírio-Libanês, mostraram que ela se disseminou no país a partir de um ancestral comum que viveu há cerca de 300 anos, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Hoje, estudos estimam que a alteração esteja presente em cerca de 1 a cada 300 pessoas em algumas regiões brasileiras —uma frequência muito acima da observada em outros países. Segundo os pesquisadores, a presença recorrente da mutação no novo estudo reforça a importância de ampliar o rastreamento genético no país.

Por que estudar o DNA da população brasileira?

O trabalho também reforça um problema conhecido da genética: a maioria dos grandes bancos de dados usados no mundo foi construída principalmente com populações europeias.

Isso dificulta a interpretação de variantes genéticas encontradas em populações miscigenadas, como a brasileira.

No estudo, quase 59% dos participantes se declararam pardos, refletindo a mistura histórica entre populações indígenas, europeias, africanas e asiáticas no país.

Isso significa que algumas alterações genéticas identificadas em brasileiros ainda podem ser classificadas como variantes de significado incerto simplesmente porque faltam dados sobre populações semelhantes.

Para os pesquisadores, ampliar estudos genéticos no Brasil ajuda não apenas a entender melhor o risco de câncer na população, mas também a tornar diagnósticos e tratamentos mais precisos.

O que o SUS ainda não consegue oferecer

O modelo utilizado no estudo —com equipamentos de última geração e aconselhamento genético especializado— não está disponível na maioria dos hospitais públicos brasileiros.

"O Brasil tem menos de 500 geneticistas clínicos para uma população de 215 milhões de pessoas, e os serviços de oncogenética estão concentrados nos grandes centros urbanos", diz Guimarães.

📑 O caminho mais realista para ampliar esse acesso, segundo o pesquisador, começa com algo mais simples: um questionário de histórico familiar, aplicado por um enfermeiro treinado, que identifique quem tem maior probabilidade de carregar uma mutação hereditária.

Esse paciente seria então encaminhado a um centro de referência para fazer o teste —e a informação voltaria ao médico que o atendeu originalmente.

O estudo está em seu segundo ciclo. Nos próximos anos, deve fornecer base para que o Ministério da Saúde avalie a incorporação de testes genéticos e protocolos de cuidado específicos ao SUS.

Se você tem histórico de câncer na família, o que saber

  • âncer de mama, ovário, intestino ou próstata em parentes próximos —especialmente antes dos 50 anos— pode ser sinal de predisposição hereditária.
  • Médicos podem solicitar avaliação em serviços de oncogenética disponíveis em hospitais de referência do SUS.
  • O teste genético, quando indicado, identifica se há mutação e orienta a vigilância para outros membros da família.
  • Encontrar a mutação antes do câncer aparecer permite agir preventivamente —com exames mais frequentes ou, em alguns casos, cirurgia preventiva.
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Hegseth pede investigação contra senador após fala sobre arsenal dos EUA

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Secretário de Defesa dos EUA criticou Mark Kelly após o capitão da Marinha e ex-astronauta ter expressado preocupação sobre a quantidade de munições restantes no país
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Aleena Fayaz, da CNN
11/05/26 às 18:50 | Atualizado 11/05/26 às 18:50
Postado em 12 de Maio de 2.026 às 06h00m
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Secretário de Defesa dos EUA Pete Hegseth 31 de março de 2026 REUTERS/Jonathan Ernst  • REUTERS

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, pediu uma investigação contra o senador Mark Kelly por comentários feitos a respeito dos estoques de armas do país. Essa é a segunda vez que o chefe do Pentágono pede a abertura de uma investigação sobre o senador democrata.

Hegseth criticou o capitão da Marinha aposentado e ex-astronauta por expressar preocupação no programa "Face the Nation", da CBS, sobre os estoques de armas dos EUA em meio à guerra com o Irã, dizendo que Kelly estava "falando besteiras na TV" sobre um briefing confidencial do Pentágono.

Ele violou seu juramento… de novo? O consultor jurídico do @DeptofWar vai analisar o casopublicou Hegseth nas redes sociais na tarde de domingo (10).

Kelly afirmou que, após receber relatórios do Pentágono sobre munições, incluindo mísseis Tomahawks, ATACMS e projéteis Patriot, ficou "surpreso com a profundidade da nossa análise desses estoques".

Já gastamos muita munição. E isso significa que o povo americano está menos seguro. Seja um conflito no Pacífico Ocidental com a China ou em qualquer outro lugar do mundo, a munição está esgotada, disse Kelly, que integra as Comissões de Serviços Armados e de Inteligência do Senado, a Margaret Brennan, da CBS News.

O senador respondeu à publicação de Hegseth com um vídeo dos dois em uma recente audiência no Senado.

Tivemos essa conversa em uma audiência pública há uma semana e você disse que levaria 'anos' para reabastecer alguns desses estoques. Isso não é informação confidencial, é uma citação sua, publicou Kelly, acrescentando que a guerra está causando sérios danos.

A CNN entrou em contato com o gabinete de Kelly para obter um comentário. O Pentágono, ao ser contatado, encaminhou a CNN para a publicação de Hegseth.

Mark Kelly já entrou em conflito com o governo Trump antes

O pedido de Hegseth por uma segunda investigação sobre o senador do Arizona surge dias depois de um tribunal federal de apelações parecer prestes a rejeitar a tentativa do secretário de Defesa de punir Kelly por seu apelo para que integrantes das Forças Armadas dos EUA se recusassem a cumprir ordens ilegais.

A ligação, que ocorreu em um vídeo postado em novembro por Kelly e outros cinco democratas com experiência militar ou em inteligência, provocou a ira tanto de Hegseth quanto do presidente Donald Trump.

Kelly processou Hegseth em janeiro, depois que o secretário de Defesa anunciou que o Pentágono tomaria medidas administrativas contra o senador do Arizona, incluindo a redução de sua patente militar mais alta — o que diminuiria o salário que ele recebe como capitão da Marinha aposentado — e a emissão de uma carta de censura.

Na semana passada, a maioria dos juízes de um painel de três integrantes do Tribunal de Apelações do Circuito de Washington, nos EUA, rejeitou os argumentos do Departamento de Justiça para reviver os planos de Hegseth, que foram derrubados no início deste ano por um juiz federal que os considerou uma retaliação inconstitucional.

A CNN já havia noticiado que as forças armadas americanas reduziram significativamente seu estoque de mísseis importantes durante a guerra, criando um "risco a curto prazo" de falta de munição em um futuro conflito, caso este ocorra nos próximos anos, segundo especialistas e três pessoas familiarizadas com avaliações internas recentes do Departamento de Defesa sobre os estoques.

Em 21 de abril, as Forças Armadas dos EUA haviam gasto pelo menos 45% de seu estoque de mísseis de ataque de precisão; pelo menos metade de seu estoque de mísseis THAAD, projetados para interceptar mísseis balísticos; e quase 50% de seu estoque de mísseis interceptores de defesa aérea Patriot.

Os números foram calculados de acordo com uma análise realizada no mês passado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. Esses números coincidem com dados confidenciais do Pentágono sobre os arsenais dos EUA, segundo fontes familiarizadas com a avaliação.

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