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domingo, 12 de abril de 2026

Análise: Por que Trump vai bloquear Ormuz se o Irã já está bloqueando?

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Presidente dos EUA arrisca aumentar ainda mais os preços do petróleo e da gasolina para maximizar o poder de influência sobre o Irã
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David Goldman, da CNN
12/04/26 às 15:06 | Atualizado 12/04/26 às 15:06
Postado em 12 de Abril de 2.026 às 15h30m
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Imagem aérea da região próxima ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial diariamente
Imagem aérea da região próxima ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial diariamente  • REUTERS / GREEK GOVERNMENT HANDOUT

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está ameaçando bloquear o Estreito de Ormuz – uma rota marítima crucial que já está sob bloqueio do Irã e que o presidente americano anteriormente afirmou precisar ser reaberta.

Com efeito imediato, a Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, iniciará o processo de BLOQUEIO de todo e qualquer navio que tente entrar ou sair do Estreito de Ormuz, postou Trump no Truth Social na manhã deste domingo (12). Em algum momento, chegaremos a um ponto em que TODOS PODEM ENTRAR, TODOS PODEM SAIR, mas o Irã não permitiu que isso acontecesse.

A decisão do Irã de fechar o estreito ao tráfego de petroleiros causou graves danos econômicos a países que dependem do petróleo do Oriente Médio e levou a um aumento dos preços em todo o mundo – incluindo nos Estados Unidos.

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Então por que Trump iria querer bloquear o estreito que ele mesmo tentou reabrir?

O estreito não está tecnicamente fechado – o Irã tem permitido gradualmente a passagem de alguns petroleiros em troca de um pedágio de até 2 milhões de dólares por navio. E, principalmente, o Irã tem permitido que o seu próprio petróleo entre e saia da região durante a guerra.

O Irã conseguiu exportar uma média de 1,85 milhões de barris de petróleo por dia ao longo do mês de março – cerca de 100 mil barris por dia mais do que nos três meses anteriores, segundo a empresa de dados e análise Kpler.

Ao fechar o estreito, Trump poderia cortar uma fonte fundamental de financiamento para o governo e para as operações militares do Irã.

É uma alavanca que o governo Trump não estava disposto a puxar: bloquear o estreito – até mesmo ao petróleo iraniano -- pode fazer o preço do petróleo disparar no mundo todo.

É por isso que a Marinha dos EUA permitiu que petroleiros iranianos passassem pela região. Qualquer petróleo que saia do Golfo neste momento poderia ajudar a manter os preços do petróleo, pelo menos um pouco, sob controle.

Na verdade, os Estados Unidos concederam em março uma licença temporária ao Irã para vender petróleo que estava estocado em petroleiros.

Os Estados Unidos têm aplicado sanções intermitentes ao petróleo iraniano durante décadas, e o governo Trump bloqueou as vendas do petróleo bruto do país desde que abandonou o acordo nuclear com o Irã em 2018.

A decisão de Trump de retirar as sanções no mês passado liberou muito petróleo bruto: 140 milhões de barris, o que é suficiente para satisfazer toda a procura mundial de petróleo durante cerca de um dia e meio, de acordo com a Administração de Informação sobre Energia dos EUA.

Mas a retirada temporária das sanções permitia ao Irã vender o petróleo sancionado para ajudar a financiar a guerra contra os Estados Unidos e os seus aliados. E Teerã estava lucrando bastante, vendendo o seu petróleo por vários dólares acima do preço do petróleo Brent, a referência internacional.


O descontentamento diante do aumento dos preços da gasolina pressionou o governo Trump a pausar a guerra, e a liberação de centenas de milhões de barris talvez tenha dado algum tempo aos EUA. A retirada das sanções abriu as vendas de petróleo iraniano aos países ocidentais, em vez de ir exclusivamente para a China, de longe o maior cliente do Irã.

O governo dos EUA tem tentado encontrar qualquer manobra que possa utilizar para manter os preços do petróleo sob controle enquanto luta sua guerra. A administração Trump coordenou uma liberação histórica de reservas de petróleo de emergência em todo o mundo e também retirou as sanções de centenas de milhões de barris de petróleo russo no mês passado.

Agora, Trump corre o risco de a aumentar ainda mais os preços do petróleo e da gasolina para maximizar o poder de influência sobre o Irã e pôr fim à guerra.

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Compreensão da História como ensinamento é ingenuidade, diz historiador

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Michel Gherman, professor da UFRJ, analisa que perspectiva de que humanidade aprende com história é ligada a "visão linear do processo histórico"
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Da CNN Brasil
12/04/26 às 03:11 | Atualizado 12/04/26 às 05:53
Postado em 12 de Abril de 2.026 às 06h30
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A ideia de que a humanidade aprende com a história e consegue evitar repetir os mesmos erros é uma concepção ingênua, segundo Michel Gherman, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Ghermen afirma que a história tem uma "perspectiva de tragédia".

"Eu acho que essa ideia de que a humanidade aprende com a história é uma ideia que tem muito a ver com filosofia da história, tem muito a ver com uma perspectiva de compreensão da história como algo que caminha linearmente e que tem como responsabilidade o ensino", disse Gherman ao WW Especial.

Para ele, essa visão representa uma perspectiva funcional da história, onde a tarefa da humanidade seria simplesmente a aprendizagem.

O historiador reconhece que é possível instrumentalizar a história através da educação, das leis e da luta por expansão de direitos, o que nos dá condições de compreender os processos históricos e aprender com eles.

Porém, ressalta que a história em si possui uma dimensão trágica, referenciando o conceito do filósofo Walter Benjamin sobre o "anjo da história" que caminha para frente sem conseguir parar os movimentos ou ensinar o que está acontecendo.

Gherman cita especialmente o físico, Albert Einstein, o criador da Psicanálise, Sigmund Freud, e o sociólogo Karl Marx como bases para entender as "dimensões da história".

Segundo o historiador, essas figuras tinham como perspectiva a compreensão de que, além dos elementos visíveis, existem dimensões invisibilizadas que influenciam os processos históricos.

"Para além das dimensões objetivas e claras da história, há uma dimensão menos clara e menos visível que também nos faz compreender referências que influenciam a história, apesar de não serem objetivamente claras para quem olha os processos históricos", conclui o professor.

WW Especial

Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

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