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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Brasil reavalia postura e abre espaço para negociações entre Mercosul e China

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Mesmo sem acordo amplo à vista, integrantes do governo avaliam que um pacto parcial entre Mercosul e China pode avançar no longo prazo, diante das tarifas dos EUA, que vêm redesenhando o comércio global e alianças econômicas.
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TOPO
Por Reuters — São Paulo

Postado em 17 de Fevereiro de 2.026 às 10h00m
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Governo vai enviar proposta de acordo Mercosul-UE para o Congresso
Governo vai enviar proposta de acordo Mercosul-UE para o Congresso

O Brasil avalia, pela primeira vez, promover um acordo comercial parcial entre o Mercosul e a China, segundo altos funcionários do governo brasileiro. A iniciativa representaria uma mudança relevante na postura da maior economia da América Latina.

Historicamente, o país vetou negociações formais com Pequim para proteger a indústria nacional do avanço das importações chinesas.

No entanto, diante da busca da China por laços comerciais mais profundos e das sucessivas tarifas impostas pelos Estados Unidos, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a reavaliar essa posição.

Uma declaração conjunta divulgada durante a visita do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, a Pequim, onde se reuniu com o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que ambos esperam que as negociações de livre comércio entre China e Mercosul possam começar o mais rápido possível.

  • 👉 O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia prestes a se tornar membro pleno do bloco.

Embora um acordo comercial amplo ainda esteja distante, dois integrantes do governo brasileiro afirmaram que um pacto parcial entre Mercosul e China passou a ser visto como uma possibilidade de longo prazo.

A avaliação leva em conta as tarifas impostas pelos EUA a parceiros comerciais, que têm afetado o comércio global e alterado alianças econômicas.

Os ministérios das Relações Exteriores e do Comércio da China não responderam imediatamente a pedidos de comentário.

A mudança de postura do Brasil reflete o que um dos funcionários, que pediu anonimato devido à sensibilidade do tema, classificou como um novo cenário global.

Precisamos diversificar nossos parceiros, afirmou o funcionário. Segundo ele, a China oferece a possibilidade de um acordo parcial, restrito a algumas faixas tarifárias.

Outro representante do governo brasileiro, envolvido diretamente nas negociações internas do Mercosul, disse que o bloco poderia avançar em temas como cotas de importação, procedimentos alfandegários e regras sanitárias e de segurança.

Esses pontos, segundo ele, já abririam espaço relevante no mercado chinês.

O mesmo funcionário afirmou que ainda é cedo para indicar quais setores poderiam ser incluídos nas negociações, classificando o tema comoaltamente complexo.

Lula e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, durante visita oficial do presidente brasileiro à China — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República via BBC
Lula e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, durante visita oficial do presidente brasileiro à China — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República via BBC

"Nova dinâmica na região"

O Brasil tem demonstrado cautela em relação a um acordo mais amplo, por receio de que a grande capacidade industrial da China prejudique os fabricantes nacionais.

Apesar disso, os investimentos chineses na produção brasileira cresceram nos últimos anos, movimento que o governo brasileiro tem interesse em preservar.

Segundo Ignacio Bartesaghi, especialista em política externa da Universidade Católica do Uruguai, as políticas econômicas do presidente dos EUA, Donald Trump — que incluíram pressão sobre países latino-americanos para reduzir laços com a China — podem estar incentivando Pequim a buscar novos acordos comerciais na região.

Há uma nova dinâmica regional no comércio, impulsionada principalmente por Trump, afirmou Bartesaghi.

Ideias que antes pareciam completamente travadas agora podem avançar, acrescentou.

Ainda assim, qualquer acordo no âmbito do Mercosul exige consenso entre todos os membros, o que impõe desafios relevantes.

O Paraguai é um dos poucos países no mundo que mantêm relações diplomáticas formais com Taiwan, reivindicada pela China. Esse fator, segundo autoridades brasileiras, dificulta — embora não inviabilize — um acordo com Pequim.

Em 2025, o Paraguai importou US$ 6,12 bilhões em mercadorias da China e participou das discussões entre Mercosul e China, indicando que o diálogo segue aberto.

O presidente paraguaio, Santiago Peña, afirmou que não se opõe a um acordo, desde que seja respeitado o direito do país de manter relações diplomáticas com Taiwan.

Se existe hoje um bloco capaz de negociar com qualquer país ou grupo, esse bloco é o Mercosul, disse Peña em entrevista concedida em julho à imprensa argentina.

A Argentina, terceira maior economia da América Latina, também pode dificultar o consenso. Desde a posse do presidente Javier Milei, em 2023, o país se aproximou de Washington.

Milei priorizou o fortalecimento dos laços com os EUA, incluindo um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões com o Tesouro americano.

Apesar disso, a China segue como um importante credor e um dos principais compradores das exportações agrícolas argentinas.

Cúpula do Mercosul. Da esquerda para a direita: o presidente do Panamá, José Raúl Mulino; o presidente da Argentina, Javier Milei; o presidente do Paraguai, Santiago Peña; o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; e o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Aramayo. Foz do Iguaçu (PR), no Brasil, em 20 de dezembro de 2025. — Foto: EVARISTO SA/AFP
Cúpula do Mercosul. Da esquerda para a direita: o presidente do Panamá, José Raúl Mulino; o presidente da Argentina, Javier Milei; o presidente do Paraguai, Santiago Peña; o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; e o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Aramayo. Foz do Iguaçu (PR), no Brasil, em 20 de dezembro de 2025. — Foto: EVARISTO SA/AFP

Ainda assim, especialistas como Bartesaghi avaliam que Buenos Aires pode resistir, ao menos no curto prazo, a apoiar negociações lideradas pela China dentro do Mercosul, sobretudo se isso comprometer os esforços do governo Milei para obter apoio dos EUA a reformas econômicas e financiamento.

O Ministério das Relações Exteriores da Argentina afirmou que não comentaria hipóteses ao ser questionado sobre as negociações entre Mercosul e China.

A Argentina mantém relações cordiais com a China — elas apenas não são muito visíveis, disse Florencia Rubiolo, diretora do centro de estudos argentino Insight 21.

Segundo ela, um acordo envolvendo todo o Mercosul tornaria essa relação mais evidente.

Se a questão for um gesto diplomático, parece improvável que o governo apoie esse tipo de acordo, concluiu.

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Khamenei diz que Trump não conseguirá derrubá-lo e ameaça afundar porta-aviões dos EUA

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Líder supremo iraniano falou na TV estatal do país em meio a negociações com os EUA em Genebra nesta terça (17). Presidente dos EUA pressiona o Irã para fazer um acordo que limite o programa nuclear iraniano.
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Por Redação g1

Postado em 17 de Fevereiro de 2.026 às 08h00m
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Ali Khamenei e Donald Trump — Foto: Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP; AP Photo/Evan Vucci
Ali Khamenei e Donald Trump — Foto: Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP; AP Photo/Evan Vucci

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta terça-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não conseguirá acabar com a República Islâmica. Ele também ameaçou derrubar o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, que está na próximo ao Irã.

"O presidente dos EUA diz que o Exército deles é o mais forte do mundo, mas o Exército mais forte do mundo às vezes pode levar um golpe tão forte que não consegue se levantar. (...) Mais perigoso que o porta-aviões deles é a arma que pode enviá-lo ao fundo do mar", afirmou Khamenei em discurso em Teerã.

A fala ocorreu em meio à retomada das negociações entre EUA e Irã, mediadas pelo Omã, para limitar o programa nuclear iraniano. Trump exige que Teerã acabe com seu programa e protagoniza uma escalada de tensões e militar contra o regime Khamenei. O líder norte-americano ameaça atacar o país do Oriente Médio caso as negociações fracassem. (Leia mais abaixo)

Ao contrário de Khamenei, Trump fala constantemente sobre as negociações com o Irã e alterna entre ameaças e um tom mais otimista. Na segunda-feira, ele disse que estaria envolvido "indiretamente" nas tratativas e voltou a ameaçar o país do Oriente Médio caso não haja acordo.

"Estarei envolvido indiretamente nas negociações, vamos ver o que vai acontecer. Acho que eles são maus negociadores, porque poderíamos ter tido um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir o potencial nuclear deles. E tivemos que enviar os B-2", disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One. Não acho que eles queiram as consequências de não fechar um acordo, concluiu.

Desde que iniciou a pressão contra o Irã, em janeiro, Trump ordenou a ida de uma ampla presença militar para o Oriente Médio, que inclui dois porta-aviões e dezenas de outros navios de guerra, incluindo destróieres, além de dezenas de jatos de combate.

O grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln chegou no final de janeiro ao Mar Arábico, próximo à costa sul do Irã. Já o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, foi despachado para a região nos últimos dias.

Negociação nuclear e tensão militar

Manifestantes a favor do príncipe herdeiro do Irã, em Munique. — Foto: Ebrahim Noroozi/AP
Manifestantes a favor do príncipe herdeiro do Irã, em Munique. — Foto: Ebrahim Noroozi/AP

As negociações são tratadas com cautela porque EUA e Irã ainda têm grandes diferenças entre eles: enquanto Washington exige de Teerã extinguir os programas nuclear e de mísseis e parar de apoiar grupos armados da região, o regime Khamenei afirma que negociará apenas seu programa nuclear.

A principal autoridade nuclear iraniana afirmou nesta semana que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções impostas ao país. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear.

O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse na semana passada que o país está disposto a "inspeções" da AIEA para mostrar que seu programa nuclear é pacífico, mas afirmou que não cederá a "exigências excessivas" dos EUA.

O presidente dos EUA, Donald Trump, alterna entre indicar esperança por um acordo nuclear e ameaças diretas ao regime Khamenei. Na semana passada, Trump ameaçou tomar "medidas muito duras" contra o Irã caso as negociações fracassem e enviou o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, para reforçar o cerco militar ao país do Oriente Médio —que já tem o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln posicionado na região.

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou na segunda-feira que faria novos exercícios militares no Estreito de Ormuz, o que elevou as tensões com as tropas dos EUA que estão estacionadas na região.

Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, discursa em Teerã em 17 de fevereiro de 2026. — Foto: Gabinete do líder supremo do Irã/Wana Handout via REUTERS
Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, discursa em Teerã em 17 de fevereiro de 2026. — Foto: Gabinete do líder supremo do Irã/Wana Handout via REUTERS

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