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sábado, 3 de janeiro de 2026

'Fazer muita coisa ao mesmo tempo é uma grande falácia': neurocientista explica efeitos de ser 'multitarefa'

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Neurocirurgião e professor da USP, Fernando Gomes falou em entrevista ao podcast O Assunto como o modo "fazer tudo ao mesmo tempo" pode causar sérios danos ao cérebro e ao corpo humano.
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Por g1 — São Paulo

Postado em 03 de Janeiro de 2.026 às 05h15m
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"Fazer muita coisa ao mesmo tempo é uma grande falácia". A afirmação é do neurocientista Fernando Gomes, entrevistado de Natuza Nery no episódio do podcast O Assunto da sexta-feira (2).

Na conversa, Fernando explicou quais as consequências para o cérebro humano, e para o corpo, de se ter uma rotina "multitarefa"(OUÇA A ENTREVISTA COMPLETA NO PLAYER ACIMA)

Neurocientista e neurocirurgião, Fernando é professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Ele diz que o cérebro humano tem a habilidade de fazer até nove itens "abertos ao mesmo tempo", mas explica: "quando você faz mais de uma coisa ao mesmo tempo, o produto final nem sempre é o melhor do que quando você faz uma tarefa por vez".

Ele exemplifica o que acontece quando uma pessoa "pula" de uma tarefa para outra, mudando rapidamente seu foco de atenção:

"Existe o um gasto metabólico muito grande. Você precisa de oxigênio, você precisa de glicose. E todo o fluxo sanguíneo cerebral terá que ser mudado conforme você permite que a sua atenção passe a funcionar não de uma forma concentrada e sustentada em uma só tarefa, mas em duas", diz.

Fernando resume as consequências desse processo: "Isso cansa. Leva o cérebro a um processo de exaustão."

Segundo ele, estimular o cérebro o tempo todo - navegando durante horas em redes sociais, por exemplo - afeta a memória a longo prazo e pode impactar também no aprendizado.

Na conversa, o professor cita também um estudo publicado pela Universidade Stanford em 2009.

"Esse estudo mostra que, apesar de conseguirmos realizar mais de uma coisa ao mesmo tempo, a pessoa que faz muitas coisas ao mesmo tempo tende a apresentar problemas relacionados com atenção seletiva e também com processo de memorização", lembra.

Fernando fala que fazer várias coisas ao mesmo tempo aumenta o "grau de alerta" do cérebro, impactando o funcionamento deste que é o principal órgão do nosso sistema nervoso.

Segundo ele, este processo leva ao acionamento do eixo hipotálamo e da hipófise adrenal, jogando mais adrenalina no organismo. "O que faz com que a pessoa fique com aquela percepção de maior atenção que a longo prazo se transforma numa liberação crônica e mais elevada do cortisol", diz. O cortisol é conhecido como "hormônio do estresse".

"A gente acha que fazer muita coisa ao mesmo tempo é um sinal de heroísmo. E, na verdade, a gente está subutilizando o nosso cérebro. E estamos nos ajoelhando a um elemento externo que nos cobra algo que só a gente mesmo pode falar: 'não!'". 
A importância do sono e de fazer "faxina mental"

Na conversa com Natuza, Fernando destaca também a importância do sono e de fazer uma "faxina mental".

"É preciso entender que há um pilar da saúde: o sono. O período do sono é um período mágico para o cérebro", diz.

O professor explica que, mesmo neste momento, o cérebro segue funcionando.

"Durante o período do sono, as experiências do dia anterior são organizadas no hipocampo e nos circuitos neurais. Durante o sono, o sistema glinfático, que basicamente faz a limpeza do tecido cerebral, entra em ação com mais vigor, levando neurotoxinas e produtos do metabolismo para fora da caixa craniana. Então, primeira coisa, entender que o sono é sagrado."

"É como se a gente pudesse descarregar toda a entrada que tivemos de dado e de informações", diz, sobre a importância de ter momentos de tédio e de "faxina mental", sem estímulos.

A epidemia do cérebro sobrecarregado
A epidemia do cérebro sobrecarregado

O que você precisa saber:

O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sarah Resende, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Carlos Catelan. Apresentação: Natuza Nery.

O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.

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    CZT: o incrível material que está gerando uma revolução tecnológica (e por que é tão difícil de obter)

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    Apenas poucas empresas conseguem produzir telureto de cádmio e zinco (CZT), um material com propriedades poderosas que pode transformar áreas como o diagnóstico médico por imagens
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    TOPO
    Por Chris Baraniuk

    Postado em 03 de Janeiro de 2.026 às 06h00m
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    Muito poucas organizações conseguem fornecer telureto de cádmio e zinco. — Foto: Kromek via BBC
    Muito poucas organizações conseguem fornecer telureto de cádmio e zinco. — Foto: Kromek via BBC

    Deitar-se de costas dentro de um grande scanner de tomografia, o mais quieto possível, com os braços acima da cabeça e durante 45 minutos, não é das coisas mais divertidas.

    Era isso que os pacientes do Royal Brompton Hospital, em Londres, precisavam fazer durante certos exames pulmonares. Mas, com a instalação de um novo equipamento no ano passado, o tempo diminuiu para apenas 15 minutos.

    Isso se deve, em parte, à tecnologia de processamento de imagens do aparelho, mas também a um material especial conhecido como CZT (sigla em inglês para telureto de cádmio e zinco), que permite à máquina produzir imagens tridimensionais muito detalhadas dos pulmões dos pacientes.

    "Com este scanner, obtêm-se imagens maravilhosas", afirma a médica Kshama Wechalekar, chefe de medicina nuclear e PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons) do hospital.

    "É uma verdadeira façanha de engenharia e física."

    O CZT da máquina foi fabricado pela empresa britânia Kromek, uma das poucas do mundo capazes de produzi-lo.

    Talvez você nunca tenha ouvido falar dele, mas — nas palavras de Wechalekar — ele está provocando uma "revolução" na imagiologia médica.

    Esse material incrível ainda tem muitos outros usos, como em telescópios de raios-x, detectores de radiação e scanners de segurança em aeroportos.

    E sua demanda só cresce.

    Kshama Wechaleka com o novo equipamento no Royal Brompton Hospital de Londres. — Foto: Guy's and St Thomas' NHS Foundation Trust via BBC
    Kshama Wechaleka com o novo equipamento no Royal Brompton Hospital de Londres. — Foto: Guy's and St Thomas' NHS Foundation Trust via BBC

    As pesquisas sobre os pulmões dos pacientes realizadas por Wechalekar e seus colegas envolvem a detecção de numerosos coágulos de sangue minúsculos em pessoas com covid prolongada, ou de um coágulo maior conhecido como embolia pulmonar, por exemplo.

    O scanner, que custa um milhão de libras esterlinas (cerca de R$ 7,4 milhões), funciona detectando os raios gama emitidos por uma substância radioativa injetada no corpo dos pacientes.

    Mas a sensibilidade do scanner também significa que é necessária uma quantidade menor dessa substância do que antes.

    "Podemos reduzir as doses em cerca de 30%", afirma a médica.

    Embora os scanners baseados em CZT não sejam novos, equipamentos de corpo inteiro e de grande porte como este são uma inovação relativamente recente.

    O CZT existe há décadas, mas sua fabricação é notoriamente difícil.

    "Levou muito tempo desenvolvê-lo para que se tornasse um processo de produção em escala industrial", afirma Arnab Basu, diretor-executivo e fundador da Kromek.

    Nas instalações da empresa em Sedgefield, na Inglaterra, há 170 pequenos fornos em uma sala que Basu descreve como "semelhante a uma fazenda de servidores".

    Nesses fornos, um pó especial é aquecido, fundido e depois solidificado, formando uma estrutura monocristalina.

    Todo o processo leva semanas.

    "Átomo por átomo, os cristais se reorganizam […] até ficarem completamente alinhados", explica Basu.

    O CZT recém-formado, um semicondutor, pode detectar partículas minúsculas de fótons em raios-x e raios gama com precisão incrível, funcionando como uma versão altamente especializada do sensor de imagem baseado em silício sensível à luz que existe na câmera do seu smartphone.

    Cada vez que um fóton de alta energia incide no CZT, como o raio-x, ele mobiliza um elétron, e esse sinal elétrico pode ser usado para gerar uma imagem. A tecnologia de scanners anterior utilizava um processo em dois passos, que não era tão preciso.

    "É digital", detalha Basu.

    "É um único passo de conversão. Preserva toda a informação importante, como o tempo e a energia dos raios-x que atingem o detector de CZT; é possível criar imagens coloridas ou espectroscópicas (que permite diferenciar materiais, tecidos ou substâncias)."

    Ele acrescenta que scanners baseados em CZT já são usados atualmente para detecção de explosivos em aeroportos do Reino Unido e para escanear bagagens despachadas em alguns aeroportos dos EUA.

    "Esperamos que o CZT seja incorporado ao segmento de bagagem de mão nos próximos anos."

    O material escolhido

    Mas nem sempre é fácil conseguir CZT.

    Henric Krawczynski, pesquisador da Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA, já utilizou o material anteriormente em telescópios espaciais suspensos em balões de grande altitude.

    Esses detectores podem captar raios-x emitidos tanto por estrelas de nêutrons quanto pelo plasma ao redor de buracos negros.

    O professor Krawczynski precisa de peças muito finas de CZT, de 0,8 mm, para seus telescópios, pois isso ajuda a reduzir a quantidade de radiação de fundo captada, permitindo um sinal mais claro.

    "Gostaríamos de comprar 17 detectores novos", afirma. "É realmente difícil encontrá-los tão finos."

    A Kromek não pôde ajudá-lo porque, segundo Basu, a empresa enfrenta uma grande demanda atualmente.

    "Apoiamos inúmeras organizações de pesquisa", acrescenta. "É muito difícil fazer cem coisas diferentes. Cada projeto de pesquisa requer um tipo muito específico de estrutura de detector."

    Muitos outros cientistas também utilizam CZT.

    No Reino Unido, uma grande modernização do centro de pesquisa Diamond Light Source, em Oxfordshire, melhorará suas capacidades graças à instalação de detectores baseados em CZT.

    O Diamond Light Source é um sincrotron - que acelera elétrons ao redor de um anel gigante, a uma velocidade próxima à da luz.

    Os ímãs fazem com que esses elétrons, ao passarem, percam energia na forma de raios-x, direcionados em linhas de luz para, por exemplo, analisar materiais.

    Alguns experimentos recentes envolveram a análise de impurezas no alumínio durante sua fusão. Compreender melhor essas impurezas pode ajudar a melhorar as formas recicladas do metal.

    Com a atualização do Diamond Light Source, cuja conclusão está prevista para 2030, os raios-x produzidos serão significativamente mais brilhantes, o que significa que os sensores existentes não conseguirão detectá-los corretamente.

    "Não faz sentido gastar todo esse dinheiro em melhorar essas instalações se não for possível detectar a luz que elas produzem", diz Matt Veale, líder do grupo de desenvolvimento de detectores no Conselho de Instalações Científicas e Tecnológicas, uma das partes interessadas no Diamond Light Source.

    Por isso, mais uma vez, o CZT foi o material escolhido.

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