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sábado, 19 de setembro de 2026

Análise: Como via navegável no Iêmen se tornou carta na manga do Irã

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Estreito de Bab el-Mandeb (Portão das Lágrimas, na tradução livre), que garante acesso ao Mar Vermelho, se tornou ponto central na guerra dos EUA contra o Irã após ofensiva dos Houthis
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Brett H. McGurk, da CNN
19/09/26 às 09:00 | Atualizado 19/09/26 às 09:00
Postado em 19 de Setembro de 2.026 às 12h00m

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Vista do Estreito de Bab el-Mandeb em 2 de abril de 2026
Vista do Estreito de Bab el-Mandeb em 2 de abril de 2026  • Reuters

O Estreito de Bab el-Mandeb é uma passagem marítima estreita que separa a Península Arábica da África. Ao norte, ele conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e ao Oceano Índico. Ao sul, proporciona acesso ao Mediterrâneo através do Canal de Suez.

Antes dos conflitos atuais, essa passagem movimentava cerca de 30% do tráfego global de contêineres.

Carros, móveis, alimentos, energia — tudo isso passando por apenas cerca de aproximadamente 32 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito. Sem ele, os navios que viajam entre a Ásia e a Europa precisam contornar o sul da África e o Cabo da Boa Esperança, o que acrescenta milhares de milhas e dias de viagem, além de elevar os preços das mercadorias.

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O conflito em curso com o Irã concentrou as atenções no Estreito de Ormuz e na dependência mundial do fluxo de energia que passa por lá. O Irã tem atacado navios em Ormuz para aumentar a pressão sobre Washington, visando interromper a guerra e buscar a paz. É uma tática que o Irã aperfeiçoou anos atrás em Bab el-Mandeb — e que está pronto para repetir após uma nova ofensiva dos Houthis, grupo apoiado por Teerã no Iêmen, ocorrida na semana passada.

Bab el-Mandeb traduz-se literalmente como "Portão das Lágrimas". Algumas lendas atribuem o nome a antigos terremotos e inundações que separaram a África da Arábia, matando um número incalculável de pessoas. Seja qual for a origem precisa, o nome não remete a coisas boas.

Irã tira proveito da situação

Desde 1979, o governo revolucionário do Irã busca expandir sua ideologia e influência por todo o Oriente Médio, principalmente por meio do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e de sua elite, a Força Quds — literalmente, "Força de Jerusalém" —, que treina e equipa grupos armados em toda a região.

O Hezbollah no Líbano. O Hamas e a Jihad Islâmica Palestina em Gaza. Milícias no Iraque que atacaram repetidamente forças americanas, Israel e a Arábia Saudita. E, cada vez mais, os Houthis no Iêmen.

A estratégia é simples: construir redes armadas em Estados frágeis ou fragmentados, conferindo a Teerã profundidade estratégica e poder de barganha sem precisar lutar diretamente.

Os Estados Unidos, Israel e as parcerias regionais lideradas pelos EUA — particularmente com a Arábia Saudita — têm sido alvos centrais há muito tempo.

O Iêmen, situado diretamente ao sul da Arábia Saudita, foi dividido entre Norte e Sul durante a Guerra Fria, sendo unificado apenas em 1990. No entanto, a unificação nunca resolveu plenamente as profundas divisões políticas, tribais e regionais.

O movimento Houthi surgiu no norte do Iêmen, entre o final da década de 1980 e a década de 1990, a partir de um movimento de revitalização do Islã xiita zaidita. Sob a liderança de Hussein al-Houthi, o grupo tornou-se político e militante, travando sucessivas guerras contra o governo central do Iêmen.

Mais tarde, o grupo adotou o nome Ansar Allah e um slogan oficial de inspiração iraniana que não tinha nada de sutil:

“Deus é grande. Morte à América. Morte a Israel. Malditos sejam os judeus. Vitória ao Islã.”

Em 2014, os Houthis tomaram a capital do Iêmen, Sanaa, forçando o governo a recuar para o sul e desencadeando, por fim, uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita.

O Irã não criou os Houthis, que mantêm seus próprios interesses e ambições. Contudo, o fornecimento de armas, componentes de mísseis, drones, treinamento e expertise técnica pelo Irã ajudou a transformar uma insurgência local em uma força de relevância global.

Mudança nas políticas dos EUA

Pouco antes de Joe Biden assumir o cargo, a questão do Iêmen era uma prioridade urgente.

A Casa Branca recebeu ligações de senadores, organizações humanitárias e ativistas instando-nos a fazer o que fosse necessário para acabar com a guerra.

A guerra civil entrava em seu sétimo ano, e a situação humanitária era terrível, especialmente nas áreas controladas pelos Houthis, que canalizavam recursos para o conflito enquanto dependiam de organizações internacionais para sustentar a população civil sob seu controle.

O presidente dos EUA, Donald Trump, havia classificado os Houthis como uma Organização Terrorista Estrangeira. Grupos de ajuda humanitária alertaram que tal medida colocava em risco jurídico as operações de assistência e poderia agravar a crise humanitária, já intensificada pelos ataques aéreos sauditas contra os Houthis em Sanaa e outras áreas sob seu domínio.

Em resposta, o governo Biden revogou essa classificação, encerrou o apoio dos EUA a operações ofensivas sauditas — incluindo certas vendas de armas — e nomeou um enviado especial para buscar um cessar-fogo e uma solução política.

Quase simultaneamente, as forças armadas dos EUA retiraram recursos da região, removendo sistemas de defesa aérea da Arábia Saudita e retirando contratorpedeiros e grupos de ataque de porta-aviões do Oriente Médio.

O foco de Washington voltou-se para a diplomacia, mas sem o respaldo do poder coercitivo que muitas vezes é necessário para o sucesso da diplomacia. Enquanto os EUA recuavam, o Irã intensificava sua atuação.

O país forneceu suprimentos aos Houthis por meio de rotas de contrabando marítimas e terrestres. Integrantes do Irã e do Hezbollah também ajudaram a montar e fabricar armamentos sofisticados, à medida que os ataques Houthis contra a Arábia Saudita se intensificavam.

Em abril de 2022, os Estados Unidos ajudaram a intermediar uma trégua, viabilizada em parte pela visita do presidente Biden à Arábia Saudita naquele verão. Havia a esperança de que a trégua pudesse abrir caminho para um acordo político mais duradouro.

Em retrospecto, no entanto, a trégua acabou favorecendo os Houthis. O Irã continuou a treinar e equipar seu grupo aliado para utilizá-lo em uma estratégia regional mais ampla.

7 de outubro: a entrada dos Houthis no conflito

Em 2023, logo após os ataques do Hamas em 7 de outubro e a resposta de Israel em Gaza, grupos armados aliados ao Irã entraram no conflito a partir de várias frentes.

O Hezbollah realizou disparos a partir do Líbano, enquanto milícias apoiadas pelo Irã no Iraque e na Síria atacavam forças americanas, chegando a matar cidadãos dos EUA.

Do Iêmen, os Houthis lançaram mísseis balísticos e drones contra Israel e atacaram navios comerciais no Mar Vermelho e no estreito de Bab al-Mandeb. Alegando pressionar Israel por causa de Gaza, eles atacaram, na verdade, navios que não tinham qualquer relação com o conflito, com o objetivo de perturbar uma importante rota comercial.

Em 10 de janeiro de 2024, um diplomata americano de alto escalão se reuniu secretamente com autoridades iranianas em Omã para tentar conter a escalada regional.

Na noite anterior, os Houthis haviam realizado seu maior ataque até então contra navios comerciais e forças navais lideradas pelos EUA no Mar Vermelho, utilizando drones, mísseis de cruzeiro antinavio e mísseis balísticos. Foi o maior ataque contra a Marinha dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial.

Não houve baixas apenas graças à competência dos marinheiros e aos avançados sistemas de defesa antimíssil.

A mensagem do Irã era clara: o país apoiaria suas ambições regionais e sua diplomacia com ataques contra nós, ao mesmo tempo em que negava responsabilidade direta.

A reunião em Omã não obteve sucesso.

Na noite seguinte, o presidente Biden ordenou os primeiros grandes ataques dos EUA contra alvos militares Houthis, com o apoio do Reino Unido, Austrália, Bahrein, Canadá e Países Baixos. A campanha prosseguiu, de diversas formas, por mais de um ano.

Lições duras

Washington aprendeu da maneira mais difícil que a calmaria no Iêmen escondia uma mudança estratégica significativa.

Durante os anos em que a guerra civil esteve praticamente paralisada, o Irã ajudou a criar uma força armada capaz não apenas de ameaçar a Arábia Saudita ou de combater em uma guerra civil dentro do Iêmen, mas também de alcançar Israel e manter o comércio global refém sempre que desejasse, bloqueando o estreito de Bab al-Mandeb.

No ano passado, o presidente Trump restabeleceu a classificação dos Houthis como terroristas e intensificou os ataques dos EUA contra o grupo. Após sete semanas de ataques americanos, Omã mediou um entendimento: os Estados Unidos parariam de bombardear alvos Houthis e o grupo deixaria de atacar embarcações dos EUA.

O acordo não abrangia Israel nem a Arábia Saudita, mas parecia impor certa calmaria. Por algum tempo.

Novo ataque surpresa

Então, na semana passada, o cenário mudou novamente.

Em uma ofensiva rápida ao longo da costa do Iêmen no Mar Vermelho, forças Houthis conquistaram novas posições com vista direta para o estreito de Bab al-Mandeb. Em seguida, segundo relatos, elas avançaram para a ilha de Mayyun — também conhecida como Perim —, situada no meio do estreito.

Nic Robertson, da CNN, havia acabado de visitar a região e relatado sua vulnerabilidade.

Agora, armas convencionais dos Houthis — artilharia e foguetes — podem atingir navios, e não apenas drones e mísseis de longo alcance.

Ainda não é um novo "status quo"

Por enquanto, navios continuam passando por Bab al-Mandeb. Trump afirmou que os Houthis alegam não querer um confronto conosco e que permitirão a passagem das embarcações.

No entanto, os Houthis não precisam fechar o estreito amanhã. Sua capacidade de manter a passagem sob ameaça confere a Teerã um trunfo adicional.

Será esse o novo *status quo*?

Não necessariamente. As linhas de frente no Iêmen mudam com frequência. Há relatos de que forças governamentais preparam um contra-ataque e de que Washington pode fornecer informações de inteligência.

O comandante do CENTCOM (Comando Central dos EUA), Almirante Brad Cooper, esteve recentemente na Arábia Saudita para avaliar a situação.

Seja qual for o desdobramento, os Houthis lembraram ao mundo mais uma vez que estão posicionados para permanecer — com o apoio direto do Irã — como um fator imprevisível em qualquer disputa regional por poder e influência.

E Washington nunca mais deve confundir calmaria com paz.

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Tópicos


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Avanços dos Houthis preocupam, mas EUA evitam intervir

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Autoridades americanas reconhecem que rebeldes apoiados pelo Irã avançam para controlar estreito de Bab al-Mandeb mas Donald Trump sinaliza que não deve entrar diretamente no conflito
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https://www.cnnbrasil.com.br/internacional
19/09/26 às 11:01 | Atualizado 19/09/26 às 11:01
Postado em 19 de Setembro de 2.026 às 11h20m

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Fumaça sobe de caminhões em chamas na fronteira entre o Iêmen e a Arábia Saudita após ataque dos Houthis (08.09.26)  • REUTERS

Os dramáticos avanços recentes dos Houthis, grupo apoiado pelo Irã, incluindo a tomada de uma ilha estrategicamente importante no Mar Vermelho, representaram mais um golpe para uma região já abalada pela guerra dos EUA com o Irã e agravaram uma crise energética global que já era severa. Mas nem os EUA nem seu principal aliado, a Arábia Saudita, têm um plano claro para conter o grupo, disseram várias fontes à CNN, levando muitos na região a questionar de onde virá a contraofensiva.

Embora autoridades americanas reconheçam que o grupo rebelde iemenita está avançando com o objetivo final de assumir o controle do estratégico estreito de Bab al-Mandeb, o governo Donald Trump sinaliza que tem pouco interesse em usar as Forças Armadas dos EUA para detê-los — contando, em vez disso, com a Arábia Saudita para fazê-lo.

Mas, mesmo com o apoio adicional de inteligência e de dados para definição de alvos fornecido pelos EUA, a Arábia Saudita não conseguiu impedir de forma eficaz que os Houthis tomassem importantes cidades costeiras do Iêmen, frustrando autoridades do Golfo e dos EUA. Fontes ouvidas pela CNN expressaram dúvidas de que os sauditas seriam capazes de deter os Houthis sozinhos.

Os movimentos dos Houthis não surpreenderam fontes na região nem ex-diplomatas, que disseram que as fragilidades das forças iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita eram conhecidas. Durante meses, relatórios de inteligência dos EUA indicaram que o grupo tentaria fechar outra importante via marítima para o transporte comercial, como o Irã fez no início deste ano, segundo autoridades americanas.

Ainda assim, os EUA acreditam que estão atualmente fornecendo à Arábia Saudita tudo o que ela precisa para ter sucesso contra os Houthis, disse uma autoridade americana à CNN, referindo-se ao recente aumento no compartilhamento de informações de inteligência e de dados para definição de alvos com o reino. E, após cerca de uma década treinando as Forças Armadas do governo do Iêmen, o reino havia assegurado às autoridades americanas que estava confiante em sua capacidade, disseram duas fontes à CNN.

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As forças do governo iemenita apoiadas pela Arábia Saudita começaram a combater os Houthis, que são apoiados e treinados pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), há mais de uma década, durante a brutal guerra civil do Iêmen. Uma trégua mediada pela ONU em 2022 havia proporcionado um período de níveis relativamente baixos de hostilidades entre os dois lados.

No entanto, os combates foram retomados e se intensificaram nas últimas semanas. Os sauditas acusaram os Houthis de atacar Meca, a cidade mais sagrada do Islã, e os Houthis afirmam ter derrubado um caça F-15 saudita. No último dia, alertas soaram pela primeira vez na capital, Riad.

O presidente Donald Trump deixou claro que sua atual linha vermelha é a participação direta dos EUA em ataques cinéticos contra os Houthis. Até o momento, o apoio militar americano tem se limitado ao fornecimento de informações de inteligência e dados para definição de alvos para os ataques sauditas.

Sem ataques ofensivos, disse uma autoridade americana.

“Os Houthis nos ligaram e não querem lutar”

Várias fontes do Golfo e dos EUA afirmam que as mensagens de Trump sinalizam aos iranianos que ele não está disposto a apoiar os aliados americanos na região.

Os Houthis nos ligaram e não querem lutar conosco, disse Trump a repórteres na Irlanda no último fim de semana. Eles não querem que os ataquemos e prefeririam muito que não estivéssemos envolvidos, e estão deixando a maioria dos navios passar.

É apenas um país com o qual eles não estão muito satisfeitos, disse Trump, referindo-se à Arábia Saudita,e vamos resolver isso.

Barbara Leaf, ex-diplomata americana que trabalhou em todo o Oriente Médio, classificou como chocantes os próprios comentários de Trump sobre os Houthis.

É uma maneira bastante dura de tratar a relação com um parceiro próximo, parecer privilegiar seu acordo com um grupo que você designou como (organização terrorista estrangeira) e que atacou esse parceiro, disse ela à CNN. O governo americano designou os Houthis como Organização Terrorista Estrangeira em março de 2025.

O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman conversou duas vezes com Trump na semana passada para pedir ataques americanos contra os Houthis. Até agora, o pedido foi rejeitado, e fontes disseram que é difícil saber se a política do governo vai mudar.

Em meio à frustração com os avanços dos Houthis, muitas fontes do Golfo acreditam que a ofensiva representa uma nova frente na guerra com o Irã, que pode prolongar o conflito. Apesar de alguns esforços para tratar as questões separadamente, as fontes acreditam cada vez mais que é improvável haver progresso em relação ao Irã sem lidar com os Houthis.

A ofensiva dos Houthis no Mar Vermelho está encorajando a IRGC. Os sauditas precisam resolver isso; caso contrário, estarão negociando com uma arma sobre a mesa, e eles não vão fazer isso, disse Joey Hood, ex-embaixador dos EUA que passou grande parte de sua carreira trabalhando no Oriente Médio.

Hood, assim como outras fontes, observou que, embora os Houthis afirmem que sua luta é apenas contra os sauditas, há uma clara conexão com o Irã.

O Irã está agora em uma batalha existencial e mobilizando todos os seus representantes para lutar. Os Houthis não são controlados remotamente pelo Irã, mas precisam de combustível fornecido por eles. Portanto, as declarações dos Houthis sobre o motivo pelo qual estão realizando essa ofensiva agora não refletem completamente a realidade, disse Hood.

A situação no Iêmen complicou as outras negociações, incluindo as relacionadas ao Estreito de Ormuz.

Uma primeira reunião entre os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e o Irã desde o início da guerra entre EUA e Irã foi cancelada no início desta semana. A Arábia Saudita decidiu não participar devido a preocupações com a linguagem de um possível acordo entre Omã e Irã para abrir o Estreito de Ormuz, e outros países do Golfo seguiram o exemplo. Fontes regionais disseram que foi um sinal claro de que o reino não vê vantagem em dialogar com os iranianos em meio aos ataques dos Houthis.

Por causa dos ataques dos Houthis e da situação perto do corredor de Bab al-Mandeb, isso está afetando o acordo sobre o Estreito de Ormuz, disse uma fonte regional à CNN. Os sauditas estão exigindo uma abordagem de tudo ou nada, o que é compreensível, mas atrasa o processo.

“Ninguém quer lutar sozinho”

Há cerca de uma década, os sauditas vêm treinando as Forças Armadas do Iêmen e, até agora, essas forças não conseguiram conter os Houthis de forma eficaz. Ataques sauditas, apoiados por inteligência dos EUA e por dados de precisão para definição de alvos, impediram que a milícia exercesse um comando firme sobre parte do território que tomou, mas os avanços não foram completamente contidos.

Os mais altos escalões do governo dos EUA ignoraram em grande parte a ameaça dos Houthis durante a última década, apesar de autoridades americanas de escalões inferiores e de atores regionais pedirem mais atenção ao grupo rebelde à medida que ele se fortalecia, segundo fontes. A campanha militar americana contra os Houthis no ano passado também expôs os limites do poder de fogo dos EUA — meses de bombardeios não conseguiram desalojar efetivamente o grupo de sua posição dentro do Iêmen e terminaram com um cessar-fogo abrupto entre EUA e Houthis.

Os EUA consolidaram o cessar-fogo com os Houthis durante uma reunião em Omã neste fim de semana, disse a autoridade americana — uma mensagem que reforça a relutância do governo em se envolver.

Os americanos enviaram uma mensagem, disse à CNN na quinta-feira uma autoridade sênior dos Houthis familiarizada com o assunto, de que não querem se juntar aos sauditas e fazer parte do conflito.

Nós recebemos essa mensagem positivamente, acrescentou a fonte.

Havia a percepção de que o próprio poder de fogo da Arábia Saudita, combinado com seu investimento nas Forças Armadas do Iêmen, poderia contrabalançar as ofensivas dos Houthis, segundo autoridades americanas atuais e antigas. Essa expectativa não se concretizou.

Outros dizem que os sucessos dos Houthis estão longe de ser surpreendentes, especialmente diante da unidade da milícia e do apoio do Irã.

Os Houthis têm a vantagem de ter essa relação realmente profunda e produtiva com a Guarda Revolucionária Islâmica, que os treinou e os elevou vários níveis, passando de combatentes rudimentares das cavernas que eram há 12 anos para uma força que pode ser realmente devastadora, disse Leaf, que foi subsecretária de Estado para Assuntos do Oriente Próximo.

Os Houthis passaram muito tempo nos últimos meses preparando suas forças justamente para esse tipo de movimento, continuou ela. Eles atravessaram as forças alinhadas aos sauditas e ao governo iemenita, sem surpresa, simplesmente avançaram por elas — as forças simplesmente se desintegraram.

Ninguém quer lutar sozinho, disse uma autoridade do Golfo em exercício. Ou os sauditas lutam ou fazem um acordo com os Houthis.

Mas, à medida que fica claro que o governo apoiado pela Arábia Saudita precisará de mais recursos para enfrentar os Houthis, o reino também está sobrecarregado ao administrar uma ampla gama de desafios decorrentes da guerra em curso: um ataque recente ao seu oleoduto Leste-Oeste, a cooperação com as Forças Armadas dos EUA para viabilizar o tráfego de navios-tanque pelo estreito e a manutenção de uma ponte terrestre para transportar recursos essenciais pela região.

A Arábia Saudita também reduziu as exportações de petróleo para a Europa no mês de setembro nos últimos dias, provocando a percepção de que a crise energética global pode se aprofundar.

Uma reação eficaz por parte das forças apoiadas pela Arábia Saudita no Iêmen provavelmente exigirá tropas adicionais da Arábia Saudita ou de outros lugares, além de uma demonstração de compromisso por parte dos EUA, disseram fontes. Mas nenhuma dessas iniciativas parece provável.

Pelo menos a possibilidade de envolvimento dos EUA precisa pairar sobre todos como elemento de dissuasão; se você simplesmente eliminar isso desnecessariamente, isso é desmoralizante, especialmente para os iemenitas no terreno, disse outra fonte regional.

Leaf disse que não ouviu autoridades da região demonstrarem exasperação com os sauditas, mas sim questionamentos como: O que diabos os EUA vão fazer aqui?

Fontes do Golfo e dos EUA também expressaram dúvidas sobre se a escalada dos Houthis pode ser completamente resolvida por meios militares.

Eles vêm tentando há anos, disse a fonte regional, observando que a ação militarvai enfraquecê-los, sim, mas não vai acabar com eles.

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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Número de militares dos EUA mortos na guerra com Irã é maior que o divulgado, diz jornal

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Autoridades americanas disseram ao The Washington Post que 22 militares morreram durante a guerra contra o Irã. Oficialmente, governo afirma que 18 militares perderam a vida.
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Por Redação g1

Postado em 18 de Setembro de 2.026 às 16h30m

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Irã faz desfile militar com 'caixões' de Trump e Netanyahu e mulheres segurando AK-47
Irã faz desfile militar com 'caixões' de Trump e Netanyahu e mulheres segurando AK-47

O número de militares das Forças Armadas dos Estados Unidos mortos durante a guerra contra o Irã é maior do que o divulgado pelo Pentágono, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (18) pelo jornal "The Washington Post".

A reportagem ouviu seis militares norte-americanos de alto escalão com conhecimento da contagem de baixas do Departamento de Guerra, segundo o jornal.

  • Oficialmente, os EUA afirmam que 18 militares morreram durante o conflito contra o Irã no Oriente Médio, iniciado no fim de fevereiro deste ano.
  • As mortes ocorreram em ataques de Teerã contra bases dos EUA na região e em um incidente envolvendo um helicóptero militar norte-americano. Veja o mapa abaixo.

Ao Washington Post, cinco fontes afirmaram que 22 pessoas morreram. Uma sexta fonte disse que o número de mortos é de 23.

Segundo a reportagem, nem todas as mortes estão diretamente ligadas ao conflito. No entanto, todas envolvem militares americanos que estavam no Oriente Médio durante a troca de ataques.

Além disso, uma autoridade afirmou que outros três funcionários americanos no Oriente Médio, que não eram militares, também morreram desde o início da guerra.

Detalhes sobre as identidades das vítimas que ainda não aparecem oficialmente nos dados do governo americano não foram revelados.

Segundo o Washington Post, autoridades com conhecimento do número real de mortos estão frustradas com a falta de informações disponibilizadas pelo Departamento de Guerra dos EUA ao público.

Isso ocorre porque, quando um militar norte-americano morre em um conflito, o governo precisa abrir uma investigação para apurar as circunstâncias do incidente. A apuração determina quais benefícios e indenizações os familiares dos militares mortos poderão receber.

Mortes de militares dos EUA na Guerra do Irã — Foto: Kayan Albertin e Dhara Pereira/g1
Mortes de militares dos EUA na Guerra do Irã — Foto: Kayan Albertin e Dhara Pereira/g1


Donald Trump na cerimônia de repatriação dos corpos de militares dos EUA mortos na guerra do Irã — Foto: SAUL LOEB / AFP
Donald Trump na cerimônia de repatriação dos corpos de militares dos EUA mortos na guerra do Irã — Foto: SAUL LOEB / AFP

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O que se sabe sobre as armas que os EUA admitiram ter enviado ao espaço

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Governo americano reconheceu publicamente pela primeira vez ter capacidades militares em órbita, sob a justificativa de se defender de ações "hostis"
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Da CNN Brasil*
18/09/26 às 08:18 | Atualizado 18/09/26 às 08:19
Postado em 18 de Setembro de 2.026 às 08h35m

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Os Estados Unidos admitiram publicamente, pela primeira vez, que implantaram armas no espaço e que as utilizarão para defender suas forças contra ameaças hostis. O reconhecimento foi feito por Troy Meink, chefe da Força Aérea americana, e representa um marco inédito na comunicação oficial do governo americano sobre suas capacidades militares em órbita.