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domingo, 18 de outubro de 2026

Origem dos animais pode ser até 200 milhões de anos mais antiga

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Cientistas propõem que reino animal pode ter surgido no período Neoproterozoico, entre 800 milhões e 700 milhões de anos atrás — antes, portanto, de o planeta atravessar suas glaciações mais severas.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 18 de Outubro de 2.026 às 10h00m
 
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Ilustração artística do fundo marinho do período Ediacarano na Namíbia, há 543 milhões de anos — Foto: Museum of Natural History, University of Oxford/Mighty Fossils
Ilustração artística do fundo marinho do período Ediacarano na Namíbia, há 543 milhões de anos — Foto: Museum of Natural History, University of Oxford/Mighty Fossils

É um dos grandes enigmas da biologia evolutiva: os animais irrompem de forma relativamente repentina no registro fóssil pouco antes do período Cambriano, há entre 539 milhões e 487 milhões de anos, embora algumas evidências sugiram que sua linhagem tenha começado muito antes.

Mas, após analisar organismos microscópicos encontrados em depósitos antigos da Mongólia, uma equipe científica propôs que o reino animal possa ter surgido até 200 milhões de anos antes do que se estimava, durante o período Neoproterozoico, há entre 800 milhões e 700 milhões de anos. Antes, portanto, de o planeta atravessar suas glaciações mais severas. A conclusão consta de um estudo publicado na revista Science Advances.

O limite da biota de Weng'an

A biota de Weng'an, um sítio fossilífero com cerca de 590 milhões de anos encontrado em rochas do período Ediacarano, na China, tem sido há décadas uma das principais referências para a investigação da origem da vida multicelular complexa.

Esse sítio preserva organismos microscópicos com um nível extraordinário de detalhe, mas nenhum deles pode ser considerado um animal.

Por causa dessa excepcional preservação, a comunidade científica supunha que os primeiros animais teriam surgido depois de Weng'an. A lógica era que, caso já existissem antes, um depósito de qualidade tão elevada necessariamente teria registrado seus fósseis.

Descobertas na biota de Kheseen questionam tese

O novo estudo coloca essa premissa em dúvida após analisar mais de uma centena de amostras da biota de Kheseen, na Mongólia, um conjunto de fósseis cerca de 40 milhões de anos mais jovem que Weng'an.

Na biota de Kheseen tampouco foram encontrados fósseis de animais, apesar de registros fósseis no sul da China e na Namíbia confirmarem que já havia animais na Terra naquele período.

"A biota de Kheseen refuta o argumento de que os excepcionais microfósseis de Weng'an implicam que teríamos encontrado fósseis de animais naquele depósito caso eles existissem na época", afirmou o autor Ross Anderson.

A ausência de animais num sítio de preservação excepcional não permite concluir que eles não existiam, pois podem ter vivido em ambientes diferentes dos de Kheseen, cujas condições químicas impediram sua fossilização.

"Os microfósseis de Kheseen estão igualmente bem preservados, mas ainda assim não aparecem fósseis de animais, apesar de sabermos que eles existiam naquele momento", acrescentou Anderson.

Técnica do relógio molecular apoia a hipótese

Ao rejeitar Weng'an como limite máximo para a origem dos animais, os cientistas recorreram a depósitos fossilíferos muito mais antigos, datados de 850 milhões a 730 milhões de anos, localizados na Noruega, na Austrália e no Arizona, nos Estados Unidos.

Embora esses locais também não contenham fósseis de animais, a composição química das rochas indica que elas teriam sido capazes de preservá-los caso estivessem presentes.

Com essas novas referências temporais, os pesquisadores aplicaram a técnica conhecida como relógio molecular, que analisa diferenças genéticas entre espécies atuais e as combina com a idade dos fósseis para estimar quando viveram seus ancestrais comuns.

O resultado foi um recuo de cerca de 200 milhões de anos na estimativa para a origem do reino animal, situando-a entre 800 milhões e 700 milhões de anos atrás, muito antes dos primeiros fósseis corporais confirmados.

Glaciações globais do período Criogeniano

A hipótese coincide com a presença de biomarcadores químicos em rochas antigas, interpretados como possíveis evidências de esponjas primitivas que viveram há pelo menos 650 milhões de anos.

Tratava-se de organismos minúsculos, de corpo mole e com baixíssima probabilidade de fossilização quando comparados à fauna posterior, que passou a apresentar conchas, ossos ou outras estruturas resistentes.

Além disso, situar a origem dos animais entre 800 milhões e 700 milhões de anos atrás implica que os estágios iniciais de sua evolução coincidiram com as glaciações globais do período Criogeniano, iniciadas há cerca de 720 milhões de anos, quando grande parte do planeta estava coberta por gelo, num fenômeno conhecido como "Terra Bola de Neve"

Repensar o ritmo da evolução

Os resultados ajudam a esclarecer "o que sabemos sobre os ritmos da evolução, o momento em que surgem as inovações biológicas e os processos que levam à diversificação dos animais", afirmou o coautor Derek Briggs, professor da Universidade Yale.

No entanto, os cientistas ressaltam que o estudo não demonstra de forma definitiva a existência de animais há 800 milhões de anos. O trabalho mostra apenas que a ausência de fósseis de animais num sítio específico não é suficiente para descartar essa possibilidade, abrindo espaço para que análises moleculares revelem uma história evolutiva muito mais antiga.

"Até que a evidência esteja disponível, a data exata de surgimento do reino animal continua incerta", conclui Anderson.

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Protestos na França levam mais de 500 mil às ruas e deixam 1 morto, 500 policiais feridos e 1.800 presos

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Manifestações contra o alto custo de vida registraram saques e incêndios no fim de semana. Presidente Emmanuel Macron disse que não há 'espaço para violência' e prometeu punir vândalos.
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Por Redação g1

Postado em 18 de Outubro de 2.026 às 09h00m
 
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Protestos tomam conta de várias cidades na Europa
Protestos tomam conta de várias cidades na Europa

A França amanheceu neste domingo (18) contabilizando os danos de uma das ondas de protestos mais violentas dos últimos anos no país.

Manifestações contra a inflação e cortes em serviços públicos deixaram um morto, mais de 500 policiais feridos e quase 1.800 detidos no sábado (17). 

Segundo o Ministério do Interior, mais de 500 mil pessoas foram às ruas em dezenas de cidades. Os atos marcam a união de um movimento estudantil que já dura um mês com a insatisfação geral da população contra o aumento do custo de vida.

Fachada da prefeitura de Limoges, na França, parcialmente destruída por incêndio. Prédio foi alvo de vandalismo após protestos contra a inflação no país registrarem saques e violência extrema no sábado (17). — Foto: PASCAL LACHENAUD/AFP
Fachada da prefeitura de Limoges, na França, parcialmente destruída por incêndio. Prédio foi alvo de vandalismo após protestos contra a inflação no país registrarem saques e violência extrema no sábado (17). — Foto: PASCAL LACHENAUD/AFP

Embora centenas de milhares de pessoas tenham protestado pacificamente, grupos radicais entraram em confronto com as forças de segurança.

Os protestos começaram no mês passado, motivados pelas condições das escolas e pela falta de professores em bairros de periferia. Nas últimas semanas, o movimento se ampliou para uma pauta contra a desigualdade e cortes de gastos públicos.

A morte, registrada em Paris, foi por conta de um ataque cardíaco.

Saques e rastro de destruição

Pedestres passam por dois veículos queimados estacionados em uma rua um dia após os protestos nacionais contra o alto custo de vida, em Paris. — Foto: MATTHIEU RONDEL/AFP
Pedestres passam por dois veículos queimados estacionados em uma rua um dia após os protestos nacionais contra o alto custo de vida, em Paris. — Foto: MATTHIEU RONDEL/AFP

Uma grande operação de limpeza teve início neste domingo em cidades de norte a sul do país, como Lille, Marselha, Estrasburgo e Bordeaux.

Nesta última, um grupo mascarado invadiu a residência do representante do governo local, e o prefeito Thomas Cazenave relatou que cerca de 100 lojas foram saqueadas.

Em Limoges, equipes avaliavam os danos à prefeitura da cidade, um prédio histórico de 143 anos que foi parcialmente destruído por um incêndio criminoso.

Sede da prefeitura de Limoges, na França, é destruída em incêndio — Foto: MELAINE PAYZAL/AP
Sede da prefeitura de Limoges, na França, é destruída em incêndio — Foto: MELAINE PAYZAL/AP

O fogo começou depois que um carro da polícia municipal foi incendiado em frente à prefeitura. O telhado desabou sobre os andares inferiores, com exceção da ala oeste.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, Guerin ameaçou renunciar ao cargo se a cidade não receber 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,69 mihões) necessários para reparar o edifício.

"Houve uma intenção clara e premeditada de incendiar a prefeitura, e as pessoas que estavam lá dentro temeram por suas vidas", afirmou o prefeito.

Em Paris, o cenário pós-protestos era de vitrines quebradas, bicicletas queimadas e pichações. Segundo as autoridades, os atos na capital começaram de forma pacífica, mas rapidamente terminaram em confrontos violentos.

A escalada da violência aumentou a pressão sobre o governo. Nas redes sociais, o presidente Emmanuel Macron declarou que não há "espaço para violência na República".

"Aqueles que depredaram, atacaram as prefeituras e o comércio, e saquearam até mesmo nossos prédios públicos, serão processados e punidos", escreveu Macron no X (antigo Twitter).

Macron vai se reunir com sua equipe de governo durante o dia fará um pronunciamento à nação na noite deste domingo (18).

O primeiro-ministro Sebastien Lecornu afirmou que o governo não será "intimidado" e culpou a "extrema esquerda" e criminosos comuns pelos distúrbios, em um momento de tensão às vésperas das eleições presidenciais do próximo ano.

Na área econômica, o ministro Roland Lescure prometeu apoio aos comerciantes que sofreram prejuízos e garantiu que os vândalos "pagarão e repararão os danos". Em Marselha, o prefeito Benoit Payan anunciou ajuda financeira emergencial para os negócios afetados.

No mesmo dia, manifestações contra o custo de vida e os preços da moradia ocorreram em outros países europeus, entre eles Portugal, Itália, Bélgica e Espanha.

Veja mais fotos das cidades francesas após os protestos:

Policiais examinam prédio do escritório de turismo de Lyon, depredado nos protestos de sábado (17). — Foto: JEFF PACHOUD/AFP
Policiais examinam prédio do escritório de turismo de Lyon, depredado nos protestos de sábado (17). — Foto: JEFF PACHOUD/AFP


Centro de compras cheio de detritos após protestos em Marselha, no domingo (18). — Foto: THIBAUD MORITZ/AFP
Centro de compras cheio de detritos após protestos em Marselha, no domingo (18). — Foto: THIBAUD MORITZ/AFP


Pedestres passam por dois veículos queimados estacionados em uma rua um dia após os protestos nacionais contra o alto custo de vida, em Paris. — Foto: MATTHIEU RONDEL/AFP
Pedestres passam por dois veículos queimados estacionados em uma rua um dia após os protestos nacionais contra o alto custo de vida, em Paris. — Foto: MATTHIEU RONDEL/AFP


Pessoas caminham em frente a loja de luxo com escrito "Coma os ricos" em Paris, após os protestos de sábado (17). — Foto: Stephanie Lecocq/Reuters
Pessoas caminham em frente a loja de luxo com escrito "Coma os ricos" em Paris, após os protestos de sábado (17). — Foto: Stephanie Lecocq/Reuters


Lanchonete McDonalds depredada em protestos no sábado (17) em PAris — Foto: Benoit Tessier/Reuters
Lanchonete McDonalds depredada em protestos no sábado (17) em PAris — Foto: Benoit Tessier/Reuters


Bombeiro francês examina vitrine quebrada na manhã de domingo (18), após os protestos do fim de semana em Paris — Foto: JEFF PACHOUD/AFP
Bombeiro francês examina vitrine quebrada na manhã de domingo (18), após os protestos do fim de semana em Paris — Foto: JEFF PACHOUD/AFP


Pedestres em Paris passam em frente a restaurante depredado nos protestos na região central de Paris. — Foto: MATTHIEU RONDEL/AFP
Pedestres em Paris passam em frente a restaurante depredado nos protestos na região central de Paris. — Foto: MATTHIEU RONDEL/AFP


Pixação diz "Redistribua as riquezas" em fachada de loja em Marselha. — Foto: Manon Cruz/Reuters
Pixação diz "Redistribua as riquezas" em fachada de loja em Marselha. — Foto: Manon Cruz/Reuters


Fachada da prefeitura de Limoges com carro incendiado à frente; o prédio foi incendiado no sábado (17) — Foto: PASCAL LACHENAUD/AFP
Fachada da prefeitura de Limoges com carro incendiado à frente; o prédio foi incendiado no sábado (17) — Foto: PASCAL LACHENAUD/AFP

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sábado, 17 de outubro de 2026

Por que pessoas ainda procuram a Arca de Noé em uma formação rochosa natural na Turquia

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Especialista em cristianismo primitivo explica como uma formação conhecida como Durupınar, a apenas alguns quilômetros da fronteira com o Irã, vem sendo associada à Arca de Noé há quase 70 anos
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TOPO
Por The Conversation Brasil

Postado em 17 de Outubro de 2.026 às 10h00m
 
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Algumas pessoas acreditam que a formação de Durupınar seja os restos fossilizados da Arca de Noé, mas todos estudos feitos até agora indicam ser proveniente de processos geológicos naturais — Foto: Mfikretyilmaz via Wikimedia Commons, CC BY
Algumas pessoas acreditam que a formação de Durupınar seja os restos fossilizados da Arca de Noé, mas todos estudos feitos até agora indicam ser proveniente de processos geológicos naturais — Foto: Mfikretyilmaz via Wikimedia Commons, CC BY

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Cumhuriyet de Sivas na Turquia está investigando uma alegação de longa data: de que uma formação geológica em forma de barco, localizada no leste do país, conteria os restos da Arca de Noé.

No livro bíblico do Gênesis, Deus decide destruir o mundo com um dilúvio. Seguindo as instruções de Deus, Noé constrói uma arca – uma grande embarcação de madeira – para salvar a si mesmo, sua família e animais de todos os tipos.

A formação em questão, conhecida como Durupınar, vem sendo associada à Arca de Noé há quase 70 anos. Mas essa nova equipe de pesquisa chamou a atenção das redes sociais por meio de uma parceria com uma organização cristã sediada nos Estados Unidos chamada Noah’s Ark Scans. Esse grupo vem promovendo Durupınar como o local de repouso da Arca de Noé desde pelo menos 2021.

Durupınar é uma formação geológica natural composta por material sedimentar rico em óxidos de ferro. Está localizada perto da cidade de Doğubayazıt, a apenas alguns quilômetros da fronteira com o Irã.

Declarações oficiais dos pesquisadores envolvidos no projeto afirmam que as análises laboratoriais ainda estão em andamento. Os pesquisadores, no entanto, descreveram algumas descobertas preliminares como potencialmente consistentes com uma estrutura semelhante a um navio, enquanto afirmações que circulam nas redes sociais têm sido mais categóricas, alegando que as imagens de varredura confirmaram que a formação é de origem humana e “100% não geológica”.

Afirmações de que a formação é de origem humana também apareceram na cobertura do caso pela imprensa britânica e americana.

Como estudioso do cristianismo primitivo, estudo textos bíblicos e sua interpretação. Certas alegações sobre a formação de Durupınar vêm circulando há décadas e oferecem uma oportunidade de examinar como as pessoas leem e interpretam a história bíblica do dilúvio.

Para compreender as alegações atuais, no entanto, é útil perguntar em primeiro lugar como essa formação passou a ser associada à Arca de Noé.

Uma forma de barco no leste da Turquia

A formação de Durupınar leva o nome do capitão do Exército turco İlhan Durupınar, que percebeu a forma semelhante a um barco ao examinar fotografias aéreas da região em 1959. Devido à sua proximidade com um pico conhecido desde a Idade Média como Monte Ararat, que, segundo o relato do dilúvio do Gênesis, é o local onde a Arca de Noé veio a repousar, Durupınar questionou se essa formação poderia ser os restos petrificados da arca, preservados na paisagem ao longo do tempo.

No ano seguinte, Durupınar juntou-se a uma equipe patrocinada pela Fundação de Pesquisa Arqueológica dos Estados Unidos em uma expedição ao local. Liderada por George Vandeman, um evangelista televisivo, e Arthur Brandenberger, um especialista que utilizava fotografias aéreas para medir e mapear a paisagem, a equipe viajou até o local com o objetivo explícito de confirmar se se tratava, de fato, dos restos petrificados da lendária Arca de Noé.

A expedição foi tema de um breve artigo na edição de 5 de setembro de 1960 da revista LIFE. O artigo observou que, embora um integrante da expedição permanecesse cético quanto à possibilidade de a natureza, por si só, ser responsável por uma forma como essa, as pesquisas realizadas acabaram por “não revelar nenhum indício de que o objeto fosse de origem humana”. A expedição, portanto, concluiu que se tratava de uma formação geológica natural. Em outras palavras, não eram os restos petrificados da Arca de Noé bíblica.

Como Durupınar se tornou a Arca de Noé

Após a expedição de 1960, o interesse por Durupınar diminuiu, e o caso foi ignorado por um tempo. O local, porém, voltou a chamar a atenção do público no final da década de 1970, quando Ron Wyatt, um enfermeiro anestesista e arqueólogo amador, inspirado pelo artigo da LIFE, viajou para Durupınar para investigar por conta própria.

Enquanto estava no local, Wyatt realizou uma série de testes e acabou afirmando que a formação era, na verdade, os restos da Arca de Noé. Ele argumentou que o radar e outras varreduras mostravam evidências de paredes, conveses, madeira petrificada, acessórios de metal e outros materiais que se poderia esperar encontrar nas ruínas de um navio de madeira. Wyatt também ficou intrigado com grandes pedras próximas ao local, que, segundo ele, teriam sido penduradas no barco para mantê-lo estável enquanto estava flutuando.

Inicialmente, Wyatt conseguiu convencer outro arqueólogo amador dos EUA, David Fasold, de que suas alegações eram verdadeiras. De fato, em 1988, Fasold publicou um livro no qual argumentava que a formação de Durupınar era a Arca de Noé.

Ilustração da Arca de Noé no Monte Ararat, feita pelo pintor flamenco Simon de Myle. — Foto: Sotheby's Paris, 23 de junho de 2011 via Wikimedia Commons
Ilustração da Arca de Noé no Monte Ararat, feita pelo pintor flamenco Simon de Myle. — Foto: Sotheby's Paris, 23 de junho de 2011 via Wikimedia Commons

O entusiasmo de Fasold pelo local, no entanto, durou relativamente pouco, e menos de 10 anos após a publicação de seu livro sobre o tema, ele foi coautor de um artigo científico com o geólogo Lorence Collins que refutou suas conclusões anteriores. Após uma avaliação completa das evidências disponíveis, Fasold concluiu que “a suposta Arca perto de [Doğubayazıt] é uma formação rochosa totalmente natural. Não pode ter sido a Arca de Noé, nem mesmo um modelo construído pelo homem”.

Geólogos qualificados tendem a concordar com a avaliação de Fasold e Collins: Durupınar é uma formação geológica natural, e não os restos de um navio de madeira. O geólogo Murat Avcı, por exemplo, identifica a formação em forma de barco como um grande bloco de calcário que desceu a encosta em um deslizamento de terra e foi posteriormente moldado por um fluxo de terra e outros processos geológicos.

Análises geológicas identificaram o material que Wyatt descreveu como madeira petrificada como rocha comum, e os objetos descritos como suportes de ferro como material vulcânico intemperizado. Os padrões que foram interpretados como compartimentos da arca são consistentes com a estrutura natural e as fraturas da formação, enquanto as supostas “pedras de âncora” são, na verdade, compostas de rocha vulcânica local.

Nova pesquisa, mito antigo

Todos os resultados do projeto de pesquisa mais recente são, no momento, ainda preliminares e inconclusivos. As amostras aguardam análise em laboratórios, e comunicados oficiais da universidade afirmam que a avaliação das evidências se estenderá até 2027.

Como estudioso da Bíblia, porém, estou mais interessado em nosso fascínio contínuo pelas histórias do dilúvio.

A maioria dos estudiosos da Bíblia interpreta a história do dilúvio no Gênesis como parte de uma tradição muito mais antiga de mitologia de um dilúvio do antigo Oriente Próximo. Escritores da antiga Mesopotâmia contavam várias versões de uma história na qual os deuses enviam um dilúvio catastrófico, mas avisam um homem, que então constrói uma grande arca para salvar sua família e os animais.

No Épico de Atrahasis, conhecido por manuscritos que datam do segundo milênio a.C., por exemplo, esse sobrevivente é Atrahasis. Outra versão da mesma história também aparece na Epopeia de Gilgamesh, onde o sobrevivente do dilúvio Utnapishtim constrói uma grande embarcação para resistir à tempestade.

O Gênesis não se limita a copiar essas histórias mais antigas; ele as reformula. Em Atrahasis, os humanos barulhentos se tornam um incômodo para os deuses, então os deuses os afogam. O Gênesis, por outro lado, apresenta a violência e a corrupção como o principal problema. O final do Gênesis também segue uma direção diferente. Em vez de impor novos limites à reprodução humana, como faz o épico de Atrahasis, Deus, no Gênesis, abençoa a família de Noé, diz a eles para “serem fecundos e se multiplicarem” e estabelece uma aliança com toda a Humanidade e com todos os seres vivos .

Uma das coisas mais interessantes sobre a história do dilúvio no Gênesis é que o dilúvio, na verdade, não consegue resolver o problema que o causou inicialmente. Antes do dilúvio, a Humanidade já se inclinava para o mal. Após o dilúvio, o problema persiste. Mas a história, em última análise, não trata da eliminação da maldade humana; trata de como a vida continua, apesar das falhas persistentes da Humanidade.

A pesquisa atual em Durupınar, assim como as que a precederam, parte do pressuposto de que, por trás da história bíblica, há evidências tangíveis apenas esperando para serem encontradas. Por quase 70 anos, essa formação geológica em formato de barco manteve essa possibilidade viva.

As antigas histórias sobre o dilúvio e como elas se transformaram ao longo das diferentes culturas podem revelar como as pessoas interpretavam as catástrofes, a violência humana e a possibilidade de recomeçar. Uma forma de barco no leste da Turquia provavelmente não consegue fazer isso.

Eric Vanden Eykel é professor Associado de Estudos Religiosos do Ferrum College. Ele não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

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194 anos: O segredo de Jonathan, o animal terrestre mais velho do mundo

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Cientistas descobriram o que torna o animal terrestre mais velho do mundo tão resistente à passagem do tempo. Contemporâneo de Darwin, bicho sobreviveu a duas guerras mundiais e grandes pandemias.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 17 de Outubro de 2.026 às 06h00m
 
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Jonathan conserva mecanismos de reparação celular próprios de tartarugas muito mais jovens, diz estudo — Foto: St Helena/PA Media/dpa/picture alliance
Jonathan conserva mecanismos de reparação celular próprios de tartarugas muito mais jovens, diz estudo — Foto: St Helena/PA Media/dpa/picture alliance

Ele foi contemporâneo de Charles Darwin (1809–1882), pai da teoria da evolução, e sobreviveu a duas guerras mundiais e grandes pandemias, da gripe espanhola à covid-19.

Jonathan, o animal terrestre mais longevo do mundo, tem 194 anos de idade. Uma análise de sua genética privilegiada revelou o segredo de sua eterna juventude.

Este exemplar de tartaruga-gigante foi levado das Ilhas Seychelles para a ilha de Santa Helena (um território britânico ultramarino situado a 1.860 quilômetros da costa de Angola) em 1882, como um presente para Sir William Grey Wilson, que, pouco depois de recebê-lo, foi nomeado governador da ilha.

A tartaruga já tinha 50 anos quando se instalou nos jardins da residência do governador de Santa Helena, e lá permanece há 144 anos.

Embora pertença a uma espécie muito longeva – a das tartarugas-gigantes-das-Seychelles (Aldabrachelys gigantea hololissa), que podem viver cerca de cem anos –, Jonathan quebrou todos os recordes de longevidade, o que levou uma equipe internacional de cientistas vinculados a centros dos Estados Unidos, Reino Unido, Dinamarca e Alemanha a investigar o motivo.

Jonathan chegou à ilha de Santa Helena como um presente para o governador local, sir William Grey-Wilson — Foto: St. Helena Presseamt/dpa/picture alliance
Jonathan chegou à ilha de Santa Helena como um presente para o governador local, sir William Grey-Wilson — Foto: St. Helena Presseamt/dpa/picture alliance

Análise de uma longevidade extraordinária

Os pesquisadores coletaram material genético de Jonathan por meio de raspagens na bochecha e de um exame de sangue com coleta pela boca, no qual o animal foi atraído com comida de um modo que o levou a abrir bastante suas mandíbulas.

Da mesma forma, os cientistas obtiveram material genético de outras quatro tartarugas-das-Seychelles – jovens e mais velhas – para fins de comparação. Um artigo científico publicado na última quarta-feira (7) na revista científica Science Advances descreve as descobertas resultantes do estudo de seu genoma e metiloma, bem como da comparação com os de outros exemplares de sua espécie.

O sequenciamento de seu genoma revelou que a tartaruga não apenas possui bons genes, como a maioria de sua espécie, mas também não apresenta sinais de deterioração genética. E é aí que reside a chave de sua extraordinária longevidade.

Os cientistas identificaram 287 variantes genéticas únicas que reduzem os efeitos habituais do envelhecimento.

Essas variantes controlam processos fundamentais do organismo que impedem o envelhecimento celular, como o reparo de danos no DNA, a redução da inflamação, a regulação da insulina e a supressão do câncer.

O segredo está no metiloma

Em termos mais técnicos, os cientistas estudaram o metiloma completo de Jonathan, ou seja, o conjunto de "marcas" químicas em seu DNA que regula quais genes são ativados ou desativados nas células ou, dito de outra forma, as instruções precisas que orientam o desenvolvimento e o funcionamento do corpo da tartaruga.

A entropia da metilação do DNA analisa a heterogeneidade ou o "ruído" que pode existir nessas marcas químicas (grupos metil) em uma população de células.

No caso da tartaruga mais longeva do mundo, observou-se que esse "ruído" é mínimo nos genes relacionados à função mitocondrial, ao processamento de RNA e ao reparo do genoma.

Ao que tudo indica, a tartaruga possui o que se chama de "transcrição genética de alta fidelidade", o que lhe confere uma resistência única ao envelhecimento. Os pesquisadores compararam o metiloma de Jonathan com o de tartarugas-gigantes mais jovens da mesma espécie e observaram que os interruptores que controlam os genes de reparo do DNA e do metabolismo de Jonathan são muito semelhantes aos de seus parentes mais jovens.

"Em Jonathan, os reguladores genéticos envolvidos na produção de energia e no reparo do DNA permaneceram incrivelmente estáveis durante quase dois séculos, o que é notável, pois geralmente eles se deterioram com o tempo", aponta um dos autores, Justin Gerlach, pesquisador de ecologia de tartarugas-gigantes na Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

"O genoma de Jonathan nos oferece um modelo de resiliência celular. Agora, nosso objetivo é aproveitar esses conhecimentos evolutivos e traduzi-los imediatamente em tratamentos práticos e acessíveis para as pessoas comuns", destaca outro autor, Stephen Clark, diretor da Fundação Kallel, que estuda os processos de envelhecimento.

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