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segunda-feira, 27 de abril de 2026

‘Sharingan da natureza’? Olho de ave viraliza e intriga fãs de Naruto

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Íris vermelha com manchas escuras chama atenção, mas tem explicações ligadas à comunicação e ao comportamento da espécie.
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Por Giovanne Cury*, Terra da Gente

Postado em 27 de Abril de 2.026 às 15h15m
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Olho de ave intriga ao lembrar habilidade de Naruto — Foto: Reprodução / @sol.plumita
Olho de ave intriga ao lembrar habilidade de Naruto — Foto: Reprodução / @sol.plumita

Um carrossel de imagens do mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland), uma ave sul-americana, chamou a atenção no Instagram após viralizar no perfil @sol.plumita. O motivo foi além da estética: fãs do anime Naruto rapidamente apontaram a semelhança entre os olhos da espécie e o famoso Sharingan, habilidade marcada justamente pela íris vermelha com padrões de manchas escuras.

Na animação japonesa, o Sharingan é um poder que muda a coloração da íris para vermelho com detalhes pretos, formando diferentes padrões para cada usuário. É uma herança genética específica do clã (família) Uchiha, cuja função é aumentar a percepção visual. A técnica permite prever movimentos rápidos, copiar habilidades e lançar ilusões (chamadas de genjutsu) nos adversários.

No caso da ave, no entanto, a coloração tem uma função completamente diferente, segundo o ornitólogo Fernando Igor de Godoy. Ela está associada à comunicação e ao reconhecimento entre os indivíduos, especialmente em ambientes com reflexo de luz na superfície.

A espécie dispõe de ótima visão, utilizada para caçar presas ágeis e detectar ameaças distantes, além de enxergar debaixo d'água na procura de alimento — característica comum a outras espécies de mergulhões.

Olhos do personagem Itachi de Naruto, com o sharingan — Foto: Maki Maki/Flickr
Olhos do personagem Itachi de Naruto, com o sharingan — Foto: Maki Maki/Flickr

Assim como no anime, esses olhos da vida real são considerados habilidosos, mas o talento na caça não tem relação direta com a cor vermelha em si. As manchas escuras nos olhos da ave ainda não têm função comprovada pela ciência, mas especialistas apontam que podem ajudar a reduzir a entrada de luz lateral, algo muito útil em um ambiente com luminosidade extrema e reflexos na água.

Esses mergulhões vivem em áreas alagadas, geralmente de grande extensão, por isso são adaptados a ambientes com bastante luminosidade. Entre os mergulhões, eles são os que mais caçam na superfície, mergulhando eventualmente, afirma o ornitólogo.

 Mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland) com olhos similares ao anime — Foto: Reprodução / @sol.plumita
Mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland) com olhos similares ao anime — Foto: Reprodução / @sol.plumita

Essa característica ajuda a entender um detalhe curioso: entre as espécies brasileiras do grupo, apenas o mergulhão-de-orelha-branca e o mergulhão-de-orelha-amarela apresentam olhos vermelhos. São justamente aqueles que passam mais tempo caçando fora d’água, o que indica uma possível influência da coloração dos olhos na visibilidade sob alta incidência de luz.

No fim das contas, o Sharingan da natureza pode até não conceder poderes especiais, mas garante à ave um dos olhares mais marcantes entre as espécies aquáticas do continente.

Sobre a espécie

Ave ocorre exclusivamente na América do Sul, com registros do Peru ao Chile, Argentina e sul do Brasil. — Foto: Reprodução / @sol.plumita
Ave ocorre exclusivamente na América do Sul, com registros do Peru ao Chile, Argentina e sul do Brasil. — Foto: Reprodução / @sol.plumita

  • Distribuição: o mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland) ocorre exclusivamente na América do Sul, com registros do Peru ao Chile, Argentina e sul do Brasil.
  • Habitat: vive em ambientes aquáticos, como lagos, rios e poças temporárias, geralmente em áreas abertas e com boa incidência de luz.
  • Alimentação: diferente da maioria dos mergulhões, alimenta-se principalmente na superfície da água. Sua dieta inclui invertebrados, plantas aquáticas e peixes.
  • Comportamento: realiza mergulhos de forma ocasional, embora tenha capacidade de capturar presas ágeis.
  • Características visuais: plumagem escura com tufos brancos nas laterais da cabeça e olhos vermelhos.
  • Reprodução: o período reprodutivo ocorre na primavera e no verão. Geralmente é solitário, mas há registros de formação de colônias.
  • Ninho: constrói ninhos em formato de plataforma flutuante, feitos com plantas aquáticas e fixados na vegetação densa próxima à água.
Mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland) com olhos similares ao anime — Foto: Reprodução / @sol.plumita
Mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland) com olhos similares ao anime — Foto: Reprodução / @sol.plumita
Sobre Naruto

Lançado no início dos anos 2000 e baseado no mangá de Masashi Kishimoto, Naruto é um dos animes japoneses mais populares do mundo. A história acompanha Naruto Uzumaki, um jovem ninja que sonha em se tornar Hokage, o líder de sua vila, enquanto busca reconhecimento e enfrenta desafios ligados ao seu passado.

Anime Naruto foi febre mundial em sua época — Foto: Kotik75/GoodFon
Anime Naruto foi febre mundial em sua época — Foto: Kotik75/GoodFon

Ambientada em um universo onde ninjas utilizam habilidades especiais, a obra combina ação, drama e fantasia. Ao longo da narrativa, os personagens desenvolvem técnicas únicas, sendo algumas delas relacionadas aos olhos — como é o caso do Sharingan, uma habilidade que amplia a percepção e se tornou um dos símbolos mais marcantes da série.

Com o sucesso entre diferentes gerações, Naruto se consolidou como um fenômeno global da cultura pop. A obra influenciou não só outras produções do gênero, mas também gerações de discussões, memes e comparações curiosas – como a que envolve até mesmo o olhar de uma ave sul-americana.

* Sob supervisão de Rodrigo Peronti.

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domingo, 26 de abril de 2026

Salão de Pequim: marca de luxo da BYD mostra supercarro elétrico mais veloz que Ferrari; VÍDEO

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O modelo está previsto para chegar ao Brasil ainda em 2026 e é compatível com um sistema de recarga capaz de levar a bateria de 10% a 97% em apenas 9 minutos.
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Por André Fogaça, g1 — Pequim, China

Postado em 26 de Abril de 2.026 às 09h30m
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marca de luxo da BYD mostra supercarro elétrico mais veloz que Ferrari
Marca de luxo da BYD mostra supercarro elétrico mais veloz que Ferrari

A Denza, marca de luxo da BYD, apresentou o Denza Z no Salão do Automóvel de Pequim. O supercarro entrega mais de 1.000 cv de potência e acelera de 0 a 100 km/h em menos de dois segundos.

Embora seja um modelo chinês, o Denza Z carrega forte influência alemã. O projeto é assinado pelo designer Wolfgang Egger, ex-Audi, e essa herança europeia aparece em vários detalhes do carro.

Isso fica evidente no visual, que lembra uma mistura de modelos da Maserati e da Ferrari, e também no volante, que remete aos carros da Porsche.

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1
Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)

Exibido na cor verde-claro durante o salão, o modelo pode ser conversível ou cupê e também conta com uma configuração voltada para uso em pistas.

Sob a carroceria, o Denza Z reúne o que há de mais avançado na eletrificação da chinesa. São três motores elétricos, que garantem tração integral e somam mais de 1.000 cv de potência, permitindo acelerações extremamente rápidas — a BYD não divulgou a potência exata.

A BYD não informa o tempo exato, mas o fato de a aceleração ser inferior a 2 segundos já coloca o Denza Z à frente da Ferrari SF90 Stradale, que até então era considerada a mais rápida da marca italiana, com 0 a 100 km/h em 2,5 segundos.

O modelo tem quatro bancos e acabamento em fibra de carbono, material que também está presente no console central elevado.

A identidade chinesa também se revela na central multimídia, que tem aspecto flutuante e dimensões generosas, semelhantes às vistas em modelos da BYD.

O Denza Z é equipado com a suspensão magnética DiSus-M, a versão mais avançada do sistema de direção semi-autônoma da BYD e um conjunto de baterias compatível com o carregamento mais rápido oferecido pela marca.

Denza Z

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1
Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Com esse sistema, o Denza Z leva apenas 9 minutos para passar de 10% a 97% de carga da bateria.

Denza Z estreia primeiro fora da China

Apesar de ter sido apresentado no Salão do Automóvel de Pequim, o lançamento mundial do supercarro está marcado para julho, na Inglaterra, durante o Goodwood Festival of Speed.

Só depois o Denza Z será lançado na China. Segundo a BYD, o supercarro chegará ao Brasil no segundo semestre de 2026.

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Ataques de EUA e Israel não reduziram poder do Irã, diz especialista

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Professor da UFF e pesquisador de Harvard afirma que o país continua demonstrando força ao fechar o Estreito de Ormuz, apesar dos bombardeios de Israel e EUA
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Da CNN Brasil
26/04/26 às 07:38 | Atualizado 26/04/26 às 07:38
Postado em 26 de Abril de 2.026 às 07h55m
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Os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã não eliminaram a capacidade do país de projetar poder na região, afirmou o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin, durante entrevista a CNN.

Segundo o especialista, embora os bombardeios tenham destruído grande parte da marinha iraniana e a força aérea já estivesse comprometida por sanções antes do conflito, o Irã ainda mantém uma força terrestre significativa, com 610 mil militares ativos e 350 mil reservistas.

"Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não acabaram com a possibilidade do Irã de projetar poder, que, segundo o secretário de guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, seria o objetivo principal dessa guerra", explicou Brustolin.

Leia Mais

  1. Presidente do Irã diz que não fará negociação "forçada" sob pressão dos EUA
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Estreito de Hormuz como instrumento de poder

O pesquisador destacou que o Irã continua demonstrando sua capacidade de projeção de poder através do controle do Estreito de Ormuz, utilizando armas relativamente baratas como minas navais, drones e mísseis. De acordo com Brustolin, o país possui entre 2 mil e 6 mil minas navais, equipamentos menos custosos que os empregados pelos Estados Unidos e Israel no conflito.

A presença militar americana na região foi reforçada significativamente nas últimas semanas. "Os Estados Unidos, por exemplo, agora tem três porta-aviões na região. Já tinha o Abraham Lincoln e o Gerald Ford, que voltou da Croácia depois de receber reparos, e agora chegou na região o George H.W. Bush", informou o especialista, ressaltando que tal concentração naval não era vista desde a Guerra do Iraque.

Impacto político nos EUA

Brustolin também analisou o cenário político americano, observando que o tempo corre a favor do regime iraniano neste momento. Segundo ele, Donald Trump enfrenta pressões internas devido às eleições de novembro, inclusive de apoiadores do movimento MAGA que o criticam por não cumprir promessas de campanha relacionadas à paz.

"O Trump prometeu que seria o presidente da paz. Ele fez campanha em 2024 dizendo que a Kamala Harris afundaria os Estados Unidos em uma guerra, que ela levaria os Estados Unidos a uma guerra mundial", lembrou o pesquisador, acrescentando que Trump corre o risco de perder apoio no Congresso se não conseguir administrar adequadamente o conflito.

Para o especialista, enquanto os EUA enfrentam pressões democráticas e eleitorais, o regime iraniano, descrito por ele como uma "ditadura militar com um representante teocrático", não enfrenta os mesmos constrangimentos internos, o que lhe confere maior capacidade de resistência no atual cenário de tensão internacional.

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sábado, 25 de abril de 2026

Fim do Wayback Machine? Como a preservação da memória da internet está sobre pressão

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Guardiã da história da web, plataforma luta pela sobrevivência. Cada vez mais empresas de comunicação se recusam a permitir que a plataforma armazene seus conteúdos — acabando por prejudicar a memória da web.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 25 de Abril de 2.026 às 08h00m
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Wayback Machine — Foto: Reprodução
Wayback Machine — Foto: Reprodução

Há 30 anos, o portal archive.org guarda a memória da internet. Sua plataforma Wayback Machine contém mais de um bilhão de sites arquivados e funciona como uma ferramenta imprescindível, que permite a jornalistas, pesquisadores, historiadores e juristas acessar conteúdos originais de páginas que foram alteradas ou até mesmo excluídas.

No entanto, esse projeto fundamental da entidade criada em São Francisco, nos EUA, enfrenta uma crise existencial. E a última ameaça vem justamente de quem mais precisa do arquivo — os veículos de imprensa.

Um número cada vez maior de empresas de comunicação vem negando o acesso do Internet Archive aos seus conteúdos.

Segundo uma pesquisa da Nieman Foundation for Journalism, da Universidade de Harvard, pelo menos 241 portais de notícias de nove países já bloquearam o acesso da Wayback Machine. Entre eles estão o britânico The Guardian, o americano New York Times, o francês Le Monde e o USA Today, maior conglomerado jornalístico dos Estados Unidos.

O próprio USA Today publicou recentemente uma reportagem mostrando como a polícia de imigração americana, o ICE, havia ocultado informações na web sobre sua política de detenção. Para a apuração, o jornal utilizou conteúdos da Wayback Machine do archive.org, contradizendo a própria política da empresa, que agora bloqueia o acesso da plataforma a seus artigos.

O motivo pelo qual os veículos de comunicação estão barrando o acesso à ferramenta que eles mesmos utilizam é simples. Os jornais temem que empresas de inteligência artificial, como OpenAI ou Google, acessem os conteúdos jornalísticos arquivados na plataforma para treinar seus modelos de linguagem — sem autorização e sem pagamento.

"O problema é que os conteúdos do New York Times no Internet Archive são utilizados pelas empresas de IA, que infringem direitos autorais para concorrer diretamente conosco", declarou o porta-voz do NYT, Graham James.
Milhares de consultas por segundo com robôs

De fato, dados mostram que, no site archive.org, inúmeros robôs são usados para buscar conteúdos jornalísticos e utilizá-los no treinamento de modelos de IA — obtendo, assim, exatamente as informações que lhes são negadas.

O diretor do Wayback Machine, Mark Graham, afirmou à revista Wired que algumas empresas chegaram a acessar os arquivos com dezenas de milhares de solicitações por segundo, a ponto de sobrecarregar temporariamente os servidores.

Era algo que o archive.org não esperava. A organização sem fins lucrativos se apresenta como uma entidade comprometida com a internet aberta.

"Exatamente como uma biblioteca clássica, oferecemos acesso gratuito a pesquisadores, historiadores, cientistas e pessoas com deficiência visual e ao público em geral. Nosso objetivo é possibilitar a todas as pessoas o acesso universal a todo o conhecimento", diz o lema da associação.

Isso também exclui a possibilidade de bloquear robôs e rastreadores — o que levou às sanções impostas por grandes editoras e empresas de mídia.

A Electronic Frontier Foundation (EFF), organização de direitos humanos especializada em questões digitais, compara a atitude dos veículos de imprensa a uma situação em que "um jornal proibisse bibliotecas de manter cópias de seu periódico".

A história da internet pode se perder para sempre

Desde então, mais de 100 jornalistas assinaram uma petição em apoio ao Internet Archive. Em carta aberta, eles afirmam:

"Em um cenário de mídia digital em que artigos desaparecem devido à perda de links, fusões de empresas ou cortes de custos, os jornalistas dependem frequentemente da Wayback Machine do Internet Archive para recuperar páginas que, de outra forma, estariam perdidas. Sem esse trabalho contínuo de preservação da Internet, grande parte da história jornalística recente já teria se perdido."

Mark Graham, do New York Times, afirmou também à Wired que está em conversas com as empresas de jornalismo para reaver o acesso. O desfecho ainda é incerto.

"Não há dúvida de que o bloqueio crescente de grande parte da internet pública prejudica a capacidade da sociedade de compreender o que está acontecendo em nosso mundo", confessou Graham.

Fragmentar a internet é inevitável? — Foto: Getty Images
Fragmentar a internet é inevitável? — Foto: Getty Images

Arquivo como infraestrutura pública

Repórter especializado em mídia e fundador do socialmedia watchblog.de, Martin Fehrensen vê no archive.org o único registro funcional da web aberta. Caso a plataforma não consiga mais cumprir essa função, isso teria consequências graves, diz ele à DW.

"Milhões de trechos da Wikipedia perderiam a referência; pesquisas sobre a responsabilidade das plataformas – ou seja, quais termos de uso vigoravam em cada momento, quais regras de moderação foram reformuladas e de que maneira – se tornariam significativamente mais difíceis; e as evidências digitais com valor probatório judicial seriam perdidas", explica, acrescentando que, especialmente para os veículos jornalístico, seria totalmente absurdo bloquear o arquivo.

Segundo Fehrensen, há duas maneiras de se resolver esse conflito. "Precisamos de um diálogo com os editores, com uma separação técnica clara entre o arquivamento e o treinamento de IA, pois esse é o verdadeiro conflito, não o arquivo em si", explica o jornalista.

A médio prazo, na opinião dele, deve ser criado um status jurídico especial para os arquivos da web. E, a longo prazo, o arquivamento da internet deve ser tratado como infraestrutura pública, não como um projeto isolado de uma ONG em São Francisco, acrescenta.

"O fato de que, em 2026, ele ainda dependa de uma única organização é a verdadeira falha estrutural", conclui.
Um conflito dramático – entre vários

Não é a primeira vez que o Internet Archive luta para continuar existindo. Em setembro de 2024, um ataque hacker ao site resultou no roubo de 31 milhões de contas de usuário. Foi um duro golpe, mas a organização conseguiu se recuperar.

No mesmo ano, o Archive perdeu um processo de direitos autorais em um tribunal de apelação dos EUA: as editoras Hachette, Penguin Random House, HarperCollins e Wiley entraram com uma ação contra o programa gratuito de empréstimo de e-books que o Archive havia lançado durante a pandemia de Covid-19, e obtiveram sucesso. Mais de 500 mil livros tiveram que ser retirados da plataforma. Mas o archive.org ainda enfrenta pedidos de indenização na casa dos milhões.

Em comparação com essas derrotas, a ameaça atual representada pelos bloqueios da mídia é estruturalmente mais grave, pois não pode ser sanada por uma decisão judicial ou uma atualização. Ela é o resultado de inúmeras decisões corporativas que, em conjunto, minam a essência do Wayback Machine: a documentação completa da internet pública.

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