Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Estudo aponta que a maior concorrência reduziu os reajustes e aumentou os descontos nas concessionárias. Juros altos e renda estagnada, porém, ainda dificultam a compra do zero km. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Por Ismael Jales, g1 — São Paulo Postado em 30 de Julho de 2.026 às 10h25m .#.* - Post. -- Nº.\ 12.410 -- *.#.
JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos
Um estudo da Bright Consulting mostra que, pela primeira vez em seis
anos, o preço médio dos carros novos no Brasil subiu menos do que a
inflação em 2026. O valor dos veículos zero km teve uma queda real— descontada a inflação — de 1,5% neste ano.
Nominalmente, o preço médio sugerido pelas montadoras subiu 1,4% e chegou a R$ 166,9 mil. Mas o reajuste ficou abaixo da inflação oficial acumulada no período, de 3,18%. Houve uma forte desaceleração em relação aos 5,5% registrados no ano anterior.
De acordo com os analistas, a expansão das montadoras chinesas no país
foi o principal fator por trás da queda dos preços, já que aumentou a
competição no mercado brasileiro e forçou as fabricantes tradicionais a
reduzirem suas margens.
💰 Por outro lado, a renda estagnada e os juros elevados do crédito
veicular ainda mantêm a compra do automóvel zero km distante do bolso da
maioria da população. (entenda os detalhes abaixo)
Margem para negociação
Segundo Cássio Pagliarini, sócio da Bright Consulting, a queda dos
preços fica ainda mais evidente após a negociação na concessionária. O
valor efetivamente pago no balcão — conhecido como preço de transação— caiu 3,5% em 2026, passando de R$ 157,6 milpara R$ 152,1 mil.
A diferença de quase R$ 15 mil
entre a tabela oficial de fábrica e o preço final registrado na nota
fiscal mostra o esforço do comércio para reduzir os estoques acumulados.
Essa diferença é viabilizada por bônus de fábrica, maior valorização do
carro usado dado na troca e cortes pontuais nas taxas de financiamento.
Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil — Foto: g1 Efeito China
Como previsto, a entrada agressiva de marcas chinesas no país começou a provocar impactos no mercado.
Segundo Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da área
automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), as fabricantes chinesas se
beneficiam principalmente da grande escala de produção em seu país de
origem.
"Estamos
falando de um mercado de cerca de 34 milhões de veículos por ano, 10
vezes maior do que o brasileiro. A BYD, por exemplo, fabricou cerca de 4
milhões de carros só em 2025. Essa escala fabulosa reduz drasticamente o
custo médio por veículo", explica Martins.
Com mais de 140 marcas disputando espaço no mercado chinês — que já
apresenta demanda enfraquecida e oferta ainda elevada —, a busca por
rentabilidade em outros países virou prioridade para as fabricantes
chinesas. Para ganhar espaço rapidamente no Brasil, a estratégia foi
entrar com preços mais baixos.
🔍
O movimento já coloca o Brasil no topo: o país tornou-se o maior
importador de carros chineses no primeiro semestre de 2026, com US$ 5,2
bilhões em compras. Do total, US$ 4,5 bilhões foram
destinados a veículos elétricos e híbridos. Além da forte demanda por
veículos mais tecnológicos, as montadoras anteciparam estoques antes do
aumento das alíquotas do imposto de importação por aqui.
O professor da FGV aponta ainda que as fabricantes chinesas mudaram o
jogo ao verticalizar a produção e fabricar internamente parte dos
componentes mais importantes dos veículos, como as baterias. Isso
elimina margens de intermediários e garante mais qualidade a um custo
menor.
"Nos
anos 90, os carros chineses sofriam com rejeição por falta de
qualidade. Hoje, eles unem alto volume, controle da cadeia e muita
tecnologia embarcada", destaca o professor da FGV.
Carro mais barato não é fácil de comprar
Apesar da queda no valor médio dos carros, a dificuldade de acesso ao
financiamento ainda limita um avanço maior dos emplacamentos.
As taxas cobradas pelos bancos para o financiamento veicular ainda
variam entre 18% e 22% ao ano. A expectativa do setor é de que o crédito
só ganhe fôlego à medida que caia a taxa básica de juros (Selic),
atualmente em 14,25%.
"Em
momentos normais do mercado, cerca de 60% das vendas de carros no
Brasil dependem de financiamento bancário. Quando o crédito fica caro,
os bancos reduzem a concessão por receio da inadimplência", avalia
Martins, da FGV.
BYD Atto 2 DM-i Flex é lançado oficialmente no Brasil — Foto: Divulgação / BYD
Número de desempregados cai para 5,9 milhões, enquanto total de pessoas ocupadas atinge 103,1 milhões. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Por Micaela Santos, g1 — São Paulo 30/07/2026 09h00 Atualizado há 11 minutos Postado em 30 de Julho de 2.026 às 09h25m .#.* - Post. -- Nº.\ 12.409 -- *.#.
Desemprego fica em 5,4% no trimestre até junho
A taxa de desocupação ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho de
2026, segundo a PNAD Contínua divulgada nesta quinta-feira (30) pelo IBGE.
Com o resultado, a taxa caiu 0,7 ponto percentualem relação ao trimestre de janeiro a março de 2026,
quando estava em 6,1%. Na comparação com o mesmo período do ano passado
(abril a junho de 2025), a queda foi de 0,4 ponto percentual, já que a
taxa era de 5,8%.
No trimestre encerrado em junho, o Brasil tinha5,9 milhões de pessoas desempregadas. O número representa umaqueda de 10,9% em relação ao trimestre anterior, encerrado em março (6,6 milhões).
Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 6,3%, o equivalente a 392 mil pessoas a menos em busca de trabalho.
Já o total depessoas ocupadas somou 103,1 milhões. Esse contingente cresceu 1,1% em relação ao
trimestre anterior e 0,7% na comparação com o mesmo período do ano
passado, o que representa um acréscimo de 742 mil pessoas.
Como consequência, o nível de ocupação
— indicador que mede a parcela da população em idade de trabalhar que
está empregada — ficou em 58,8%, com alta de 0,5 ponto percentual em
relação ao trimestre anterior e estabilidade na comparação anual.
Já a taxa composta de subutilização
ficou em 12,9% no trimestre encerrado em junho. O indicador caiu 1,4
ponto percentual em relação ao período anterior e recuou 1,5 ponto na
comparação com o mesmo trimestre do ano passado.
Ao todo, 14,7 milhões de pessoas estavam nessa condição. Esse
contingente caiu 10,1% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a
1,642 milhão de pessoas a menos, e recuou 11,0% na comparação com o
mesmo período do ano passado, o que representa 1,809 milhão de pessoas a
menos.
Veja os destaques da pesquisa
Taxa de desocupação: 5,4%
População desocupada: 5,9 milhões de pessoas
População ocupada: 103,1 milhões
População fora da força de trabalho: 66,5 milhões
População desalentada: 2,3 milhões
Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões
Empregados sem carteira assinada: 13,6 milhões
Trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões
*Reportagem em atualização
Carteira de trabalho vaga de emprego Sine Maceió — Foto: Jonathan Lins
Os EUA dispararam milhares de mísseis de difícil reposição durante a guerra -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Por BBC 29/07/2026 03h00 Atualizado há 02 horas Postado em 29 de Julho de 2.026 às 05h00m .#.* - Post. -- Nº.\ 12.408 -- *.#.
No dia que a guerra do Irã completa 5 meses, Trump recebe Netanyahu na Casa Branca
Quando o presidente norte-americano, Donald Trump,
subiu ao palco da Cúpula de Defesa e Inovação da Pensilvânia, nos EUA,
no início deste mês, ao lado de CEOs de algumas das maiores empresas de
defesa do país, ele tinha uma mensagem: é preciso aumentar o volume e a
velocidade da produção de armas.
"Temos as armas de melhor qualidade do mundo", disse Trump aos
fabricantes de armamentos reunidos na Escola de Guerra do Exército dos
EUA, ao lado do secretário de Guerra, Pete Hegseth. "Mas precisamos
produzir mais rápido."
O governo Trump apresentou a cúpula como parte de uma estratégia com
dois objetivos: revitalizar a indústria americana e reforçar a
capacidade de combate das Forças Armadas dos EUA e, nas palavras de
Hegseth, o "arsenal da liberdade" do país.
No entanto, pouco se falou sobre o enorme volume de armamentos
sofisticados, de fabricação complexa, empregado durante os quase 40 dias
de intensas operações militares da Operação Epic Fury ("Fúria Épica",
em tradução livre), contra oIrã no início deste ano, e nos ataques de subsequentes realizados desde então.
Até agora, o governo dos EUA afirma que a guerra custou US$ 37,5
bilhões (cerca de R$ 208 bilhões), e a maior parte desse valor foi
destinada à compra de munições.
Quando um frágil cessar-fogo entrou em vigor em 8 de abril, as forças
americanas já haviam atingido mais de 13 mil alvos no Irã, segundo a
Casa Branca. No mesmo período, os sistemas de defesa aérea dos EUA
interceptaram mais de 1,7 mil drones e mísseis balísticos iranianos.
Agora, os EUA suspenderam os ataques ao Irã para permitir o avanço das
negociações. Segundo uma reportagem do jornal americano The New York
Times, Trump foi aconselhado a desistir de intensificar o conflito, já
que isso reduziria ainda mais os estoques americanos de armamentos.
Na segunda-feira (27), Trump negou que houvesse escassez. Em entrevista
ao jornal americano The Wall Street Journal, ele afirmou: "Temos muito
mais munições do que qualquer outro país do mundo, e muito mais do que
precisamos".
Esse é um tema delicado há algum tempo dentro do governo dos EUA. No
mês passado, ao ser questionado sobre o assunto, Hegseth negou que os
estoques estivessem caindo rapidamente.
Sua posição parece ter mudado desde então. Na semana passada, Hegseth
disse à Comissão de Apropriações do Senado — que define destinações
orçamentárias para agências e depatamentos — que o Pentágono precisa de
mais US$ 87 bilhões (R$ 482 bilhões) para suprir "carências críticas",
incluindo equipamentos.
Os números exatos sobre o consumo de munições e o volume dos estoques
remanescentes continuam sob sigilo. Mas dados públicos compilados pelo
centro de pesquisa e debates CSIS, sediado em Washington D.C., revelam
um quadro preocupante: os estoques foram reduzidos a um nível que, no
curto prazo, é difícil de ser recomposto.
"Depende do tipo de munição, mas o prazo mínimo é de um a cinco anos
[para fabricar um único míssil]", diz Mark Cancian, coronel reformado do
Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e assessor sênior do CSIS, que
estuda o tema. "E não há nada que possa acelerar esse processo."
Mas será que os EUA estão consumindo munições em um ritmo tão acelerado
que poderão ter dificuldades para cumprir suas missões e alcançar seus
objetivos militares?
Um arsenal americano desfalcado
Até agora, o governo dos EUA afirma que a guerra custou US$ 37,5
bilhões (cerca de R$ 208 bilhões), e a maior parte desse valor foi
destinada à compra de munições — Foto: Getty Images via BBC
As munições mais importantes empregadas na guerra dos EUA contra o Irã
se dividem em duas categorias: sistemas de ataque terrestre de longo
alcance e sistemas de defesa aérea e antimísseis usados para interceptar
os ataques iranianos.
Entre os sistemas de ataque terrestre mais utilizados estava o míssil
de ataque terrestre Tomahawk, normalmente lançado de navios ou
submarinos contra alvos localizados a mais de 1,6 mil km de distância.
Essas armas permitem aos EUA realizar ataques de precisão contra alvos
militares fortemente protegidos, como bunkers de comando e instalações
militares fortificadas, sem expor aeronaves tripuladas ao risco de
contra-ataque.
Segundo estimativas do CSIS, mais de mil mísseis Tomahawk foram
disparados durante a guerra, e o estoque talvez só volte ao nível
anterior ao conflito em 2031.
De acordo com o CSIS, as versões mais recentes do Tomahawk de ataque
terrestre custam cerca de US$ 2,6 milhões (R$ 14,4 milhões) por unidade.
Entre os sistemas de defesa aérea empregados na guerra, o Patriot foi o
mais utilizado. Lançado a partir de bases terrestres, o míssil é capaz
de interceptar aeronaves e mísseis balísticos e de cruzeiro.
Segundo estimativas do CSIS, até 1.430 mísseis Patriot foram disparados
durante o conflito, de um estoque estimado em cerca de 2.330 unidades
antes da guerra.
Cada míssil interceptador Patriot custa aproximadamente US$ 4 milhões
(R$ 22,2 milhões). Embora caro, o sistema foi empregado repetidamente
para derrubar drones iranianos que custam entre US$ 20 mil e US$ 50 mil
(entre R$ 111 mil e R$ 278 mil) cada.
Repor esse arsenal não será uma tarefa rápida. "Demora vários anos para
se fabricar um míssil. Se você investir recursos hoje, só terá esse
míssil daqui a três ou quatro anos. Às vezes, até cinco", diz Cancian,
do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. "Os mísseis que estamos recebendo
agora foram financiados em 2023."
Outro sistema utilizado foi o Thaad (Terminal High Altitude Area
Defense, sistema de defesa aérea para grandes altitudes), mais moderno e
sofisticado, com alcance maior e capaz de interceptar alvos em
altitudes superiores às do Patriot.
Os estoques já eram limitados antes do conflito. O CSIS estima que
entre 190 e 290 mísseis Thaad tenham sido disparados, de um estoque
pré-guerra de cerca de 360 unidades.
Como existem apenas nove baterias Thaad em operação no mundo — sete
delas pertencentes aos EUA —, o uso contínuo desse sistema pode reduzir a
capacidade das Forças Armadas americanas de enfrentar ameaças
representadas por mísseis balísticos de países como Rússia, China e
Coreia do Norte.
O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa ao lado do secretário de
Defesa, Pete Hegseth, durante uma reunião de gabinete na Sala do
Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 —
Foto: REUTERS/Evan Vucci
Olhares voltados para Taiwan e o Pacífico
A guerra contra o Irã ocorre às vésperas do período conhecido como
"janela de Davidson", quando, na avaliação de parte dos estrategistas
militares americanos, aumenta a probabilidade de uma tentativa chinesa
de invadir Taiwan.
O conceito, alvo de controvérsia e central no planejamento militar dos
EUA para o Pacífico, surgiu a partir de uma audiência no Congresso
americano, em 2021, na qual o almirante Philip Davidson, então
comandante das forças americanas na região, afirmou que uma invasão
poderia ocorrer "nos seis anos seguintes".
Em 2023, o então diretor da CIA, William Burns, disse acreditar que a China estaria pronta para invadir Taiwan até 2027.
A China há muito promete promover a "reunificação" com Taiwan,
território autônomo que considera uma província rebelde, e nunca
descartou o uso da força.
A possibilidade de os EUA defenderem Taiwan e entrarem em guerra com a
China é alvo de intenso debate. Apesar da ambiguidade da posição
americana, os EUA continuam fornecendo armamentos de defesa à ilha.
Cancian, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, descreve a escassez de
munições como uma "janela de vulnerabilidade", durante a qual os EUA
"não terão estoques suficientes das munições consideradas prioritárias"
caso haja um conflito no Pacífico.
Na avaliação de Cancian, isso aumenta o risco de as forças americanas
não estarem preparadas para enfrentar o vasto arsenal de mísseis e
aeronaves que a China poderia empregar em um conflito na região.
Exercícios militares da China para simular cerco a Taiwan reacendem
risco de mais uma guerra — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
A China, que, segundo autoridades americanas, vem estudando de perto o
desempenho das defesas aéreas dos EUA durante a guerra contra o Irã,
investiu pesadamente em tecnologia de mísseis nos últimos anos,
incluindo mísseis hipersônicos planadores, muito mais sofisticados do
que os mísseis e drones de baixo custo utilizados pelo Irã.
A China também destinou grandes investimentos ao desenvolvimento de táticas baseadas em "enxames de drones".
Mas nem todos veem a redução dos estoques americanos apenas como um problema.
Jacob Olidort, ex-integrante da CIA e ex-assessor para a política do
Oriente Médio no gabinete do secretário de Defesa dos EUA, observa que o
uso dessas armas em combate também transmite uma mensagem poderosa.
"As armas funcionam como instrumento de dissuasão não apenas porque um
país as possui, mas também porque demonstra disposição para
empregá-las", afirma Olidort, hoje diretor de política de segurança dos
EUA no America First Policy Institute, think tank (centro de pesquisa e
debates) de orientação conservadora.
Segundo Olidort, os "êxitos" dos EUA "ao enfraquecer as capacidades
militares do Irã com ataques de precisão, em tempo recorde, enviam um
sinal a outros adversários, entre eles a China e suas ambições".
E a Europa?
Os estoques de mísseis, incluindo os Tomahawk, foram reduzidos — Foto: Getty Images via BB
A aparente tensão entre fornecer armamentos aos aliados e preservar os
próprios estoques dos EUA já havia se manifestado no caso da Ucrânia.
Em outubro de 2025, meses antes do início da Operação Epic Fury, Trump
se recusou a fornecer mísseis Tomahawk à Ucrânia, alegando a necessidade
de evitar uma redução dos estoques americanos.
O episódio antecipou o dilema que agora domina o debate sobre o futuro do arsenal dos EUA após a guerra contra o Irã.
Autoridades ucranianas afirmam precisar com urgência de sistemas
Patriot e de outros equipamentos de defesa aérea para conter as
sucessivas ondas de ataques russos com drones e mísseis.
"Além do impacto sobre os preços da energia, [a guerra contra o Irã]
provoca a redução dos estoques dos EUA e afeta a capacidade dos
fabricantes de sistemas de defesa aérea", disse Volodymyr Zelensky,
presidente da Ucrânia, à BBC, em março. "Nós [na Ucrânia] também estamos
ficando sem recursos."
Zelensky chamou atenção para a dimensão do problema: os EUA produzem
cerca de 60 a 65 mísseis por mês, ou entre 700 e 800 por ano, enquanto
803 foram utilizados apenas no primeiro dia da Operação Epic Fury.
Mais recentemente, Trump surpreendeu muitos dirigentes europeus ao
oferecer à Ucrânia a possibilidade de produzir mísseis Patriot em seu
próprio território. Acordos semelhantes já existem com Alemanha e Japão.
Elaine McCusker, que trabalhou por 13 anos no Departamento de Defesa
dos EUA (atual Departamento de Guerra, após mudança de nome na nova
gestão Trump) e hoje é pesquisadora do American Enterprise Institute,
afirma que a experiência da Ucrânia na guerra contra a Rússia, assim
como a dos EUA no conflito com o Irã, pode contribuir para o
desenvolvimento de sistemas mais baratos e produzidos em larga escala,
capazes de complementar os equipamentos de maior custo.
"Há muito tempo sabemos que não faz sentido disparar interceptadores de
US$ 6 milhões (R$ 33,3 milhões) contra drones de US$ 1.000 [cerca de R$
5.600]", diz McCusker. "Acho que agora há um foco maior nessa solução e
mais pessoas trabalhando para fabricar sistemas descartáveis de baixo
custo."
As consequências
O presidente Donald Trump discursa no jantar da Associação de
Correspondentes da Casa Branca no Waldorf Astoria Washington DC, na
sexta-feira, 24 de julho de 2026 — Foto: AP Photo/Mark
Schiefelbein
Apesar de tudo isso, no curto prazo há pouca preocupação com a
possibilidade de os EUA ficarem sem munições, não porque seus estoques
sejam ilimitados, mas porque a situação do Irã é muito mais crítica.
"As Forças Armadas dos EUA dispõem de munições, armamentos e estoques
mais do que suficientes para cumprir todos os objetivos estratégicos do
presidente Donald Trump e muito mais. A Operação Epic Fury mostrou o que
acontece com quem enfrenta os EUA", afirmou a porta-voz da Casa Branca,
Anna Kelly, em comunicado enviado à BBC.
"Ainda
assim, o presidente tem incentivado continuamente nossa indústria de
defesa a produzir mais armamentos fabricados nos EUA", acrescentou
Kelly.
Os ataques mais recentes anunciados pelo Comando Central dos EUA se
concentraram em reduzir a capacidade do Irã de ameaçar embarcações no
estreito de Ormuz, a estratégica rota marítima que o Irã e os EUA
bloquearam durante o conflito.
As perdas militares do Irã foram muito maiores do que as dos EUA após
sucessivas ondas de ataques americanos e israelenses, e o país tem
capacidade extremamente limitada para repor esse arsenal no curto prazo.
"Muitos comentários dão a entender que o Irã dispõe de uma quantidade
praticamente ilimitada de armamentos", afirma Jason Brodsky, diretor de
políticas da United Against Nuclear Iran. "Acho que precisamos
reconhecer que há limites e que os EUA comprometeram de forma muito
significativa a base industrial de defesa do Irã", diz Brodsky.
Segundo ele, a capacidade iraniana de produzir, em larga escala, os
mísseis, drones e outros sistemas de armas de que o país necessita foi,
em grande parte, destruída.
Os estoques remanescentes do Irã, segundo Brodsky, estão sendo
direcionados para o que ele descreve como o principal trunfo do país no
conflito: a capacidade de ameaçar o estreito de Ormuz. Mas na avaliação
dele, essa capacidade está se enfraquecendo. "O regime iraniano está
ficando sem tempo."
O conflito atual com o Irã é o que Brodsky chama de "centro de
gravidade" das Forças Armadas dos EUA e, por isso, tem prioridade
imediata para os EUA, embora autoridades reconheçam que seria
"irresponsável" ignorar a situação mais ampla dos estoques de
armamentos.
"Neste momento, a ameaça no Indo-Pacífico [envolvendo a China] é mais
distante", afirma Brodsky. "Os formuladores de políticas públicas
precisam estabelecer prioridades, e o Oriente Médio é o foco do
presidente neste momento."
Por enquanto, cada míssil disparado contra um alvo no Irã, enviado para
a linha de frente na Ucrânia ou preservado para um eventual conflito em
Taiwan sai de um estoque que vem diminuindo gradualmente.
Ainda assim, os EUA apostam que conseguirão atravessar este conflito com uma capacidade de produção que atenda à demanda.
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que situação brasileira 'está melhor'. Especialistas avaliam que os dois países vivem momentos econômicos diferentes, o que exige cautela na comparação. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Por André Catto, g1 — São Paulo 28/07/2026 00h00 Atualizado há 6 horas Postado em 28 de Julho de 2.026 às 06h00m .#.* - Post. -- Nº.\ 12.407 -- *.#.
Ministro da Fazenda diz que Brasil está melhor que a Argentina e chama Milei de 'palhaço'
A comparação entre as economias dos dois países passou a alimentar o debate entre esquerda e direita,
que buscam nos indicadores econômicos argumentos para defender quais
governos ou linhas políticas apresentam melhores resultados.
Para especialistas ouvidos pelo g1, porém,colocar Brasil e Argentina lado a lado exige cautela: as duas economias têm diferenças importantes de tamanho, estrutura
produtiva e trajetória de inflação e estabilidade econômica.
"A
situação das duas economias hoje não é estritamente comparável, porque a
Argentina vive um cenário similar ao que o Brasil enfrentava em meados
da década de 1990", afirma Fabio Giambiagi, pesquisador associado do FGV
Ibre, em referência ao processo de combate à inflação.
Ainda assim, alguns indicadores ajudam a entender a dinâmica de cada
país. Inflação, desemprego, pobreza, dívida pública, reservas
internacionais e Produto Interno Bruto (PIB) revelam os principais
contrastes entre as duas economias.
Entenda abaixo, em 8 gráficos, as diferenças.
1. Inflação
Inflação Brasil e Argentina — Foto: Arte/g1
Uma das principais diferenças entre os países hoje está na inflação. Enquanto
o Brasil controlou a alta dos preços com o Plano Real, na década de
1990, a Argentina ainda enfrenta inflação elevada, apesar da forte
desaceleração registrada nos últimos meses.
O economista-chefe da consultoria Análise Econômica, André Galhardo,
explica que a inflação elevada na Argentina tem diversas causas, mas
destaca a forte oscilação do peso argentino em relação ao dólar como um
dos principais fatores.
"A
Argentina tem uma moeda muito desvalorizada e é bastante exposta aos
choques da economia internacional por depender das exportações. Com
isso, a desvalorização recorrente do peso acaba pressionando a
inflação", diz.
Segundo ele, o Brasil também está suscetível a esses movimentos, mas a
inflação se mantém controlada e está "em níveis baixos para os padrões
brasileiros".
Na Argentina, a inflação atingiu o pico em abril de 2024, quando o índice de preços acumulado em 12 meses chegou a 289,4%.
O resultado ocorreu em meio ao ajuste do governo Milei, que incluiu a
retirada de subsídios para reduzir o desequilíbrio das contas públicas.
2. Desemprego
Desemprego Brasil e Argentina — Foto: Arte/g1
A trajetória do desemprego seguiu movimentos semelhantes nos dois
países, mas com taxas mais altas no Brasil nos últimos anos, segundo
dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).
🔎
O gráfico acima utiliza dados do FMI para manter a mesma metodologia na
comparação entre os países. Por isso, os números podem diferir dos
divulgados pelo IBGE e pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos
(Indec), da Argentina.
Por lá, a desocupação vinha em queda até 2023. Após o chamado Plano Motosserra, de Milei
— que incluiu cortes de gastos públicos e medidas de ajuste —, a
economia retraiu. Nesse cenário, o mercado de trabalho perdeu força e o
desemprego passou a subir.
Para o FMI, a economia argentina avançou no processo de estabilização,
mas a geração de empregos se tornou um dos principais desafios. A
avaliação foi feita pela diretora-gerente da instituição, Kristalina
Georgieva, durante visita ao país nesta segunda-feira (27).
“O desemprego na Argentina não é alto na comparação internacional, mas muitas pessoas trabalham na economia informal”, afirmou.
“As pequenas e médias empresas geram a maioria dos empregos. Devemos
facilitar o acesso delas ao financiamento para que possam crescer e
contratar mais trabalhadores”, acrescentou a chefe do FMI.
No Brasil, o mercado de trabalho passou por uma recuperação após a
crise econômica de 2015 e 2016 e a pandemia de Covid-19. Em 2025, o país
registrou a menor taxa média de desemprego da série histórica.
Ainda assim, a informalidade também continua como um dos principais
desafios. “É um problema comum à maioria dos países em desenvolvimento”,
afirma André Galhardo, da Análise Econômica.
3. Pobreza
População abaixo da linha da pobreza: Brasil e Argentina — Foto: Arte/g1
Um índice de pobreza calculado pelo Banco Mundial aponta que 26,2% da população brasileiravivia abaixo da linha de pobreza social em 2024, contra 24,1% na Argentina.
🔎
O indicador ajusta o limite de pobreza ao nível de renda de cada país
e, por isso, não corresponde às taxas oficiais divulgadas pelos
governos. Nos dados oficiais dos dois países, a parcela da população brasileira abaixo da linha de pobreza é menor do que a da Argentina.
A proporção de pessoas em situação de pobreza caiu de 27,3%, em 2023, para 23,1%, em 2024— uma redução de 8,6 milhões de brasileiros nessa condição.
🔎 Para calcular o indicador, o IBGE considera como pobresos domicílios com renda inferior a US$ 6,94 por pessoa ao mês.
Na Argentina, a pobreza aumentou inicialmente após o impacto econômico do Plano Motosserra, mas recuou posteriormente com a melhora de alguns indicadores econômicos.
PIB Brasil e Argentina em paridade de poder de compra — Foto: Arte/g1
A economia brasileira é cerca de três vezes maior que a argentina quando considerado o PIB em paridade de poder de compra(PPP, na sigla em inglês), indicador que leva em conta as diferenças de preços entre os países.
Uma das explicações está no tamanho da economia brasileira: o Brasil tem uma população muito maior, um mercado consumidor mais amplo e uma estrutura produtiva mais diversificada, com destaque para serviços, indústria, agronegócio e energia.
Outro fator é a trajetória econômica da Argentina, marcada por décadas
de inflação elevada e instabilidade, que reduziram o peso da economia do
país em algumas comparações internacionais.
Galhardo,
da Análise Econômica, lembra que o país já enfrentava desequilíbrios
macroeconômicos antes da pandemia. “A alta dívida externa e a
dependência do dólar tornam a Argentina mais vulnerável a crises e
dificultam a recuperação da economia”, diz.
5. Evolução do PIB brasileiro
Evolução do PIB brasileiro ano a ano, até 2025 — Foto: Arte/g1
O PIB do Brasil fechou 2025 com alta de 2,3%,
puxado pela agropecuária, no quinto ano consecutivo de crescimento. O
resultado, porém, mostrou desaceleração em relação aos anos anteriores.
Na avaliação de economistas,
um dos desafios para o crescimento sustentável é o equilíbrio das
contas públicas. A expectativa é que uma melhora no cenário fiscal possa
abrir espaço para a redução dos juros e favorecer a atividade
econômica.
Para 2026, economistas do mercado financeiro projetam nova desaceleração, com crescimento de 1,99%.
6. Evolução do PIB argentino
PIB da Argentina — Foto: Arte/g1
O PIB da Argentina cresceu 4,4% em 2025,
segundo o Indec. O resultado representou uma recuperação em relação a
2024, quando a economia retraiu 1,3%, conforme valores revisados.
Foi o primeiro avanço do PIB sob a gestão de Milei, queassumiu o cargo em dezembro de 2023. Foi também a primeira alta desde 2022, ano em que o país cresceu 6%, durante o governo de Alberto Fernández.
Para especialistas ouvidos pelo g1,
embora o resultado do PIB tenha sido positivo, ele ainda apresenta
desafios estruturais, com crescimento concentrado em setores específicos
e consumo interno ainda fraco — ou seja, os argentinos seguem
consumindo pouco. (leia mais)
7. Dívida em relação ao PIB
Brasil e Argentina: dívida em relação ao PIB — Foto: Arte/g1
A dívida pública é elevada nos dois países,
mas os desafios em relação às contas aparecem em contextos diferentes.
Na Argentina, o endividamento se soma a um histórico de crises fiscais,
dificuldades de financiamento e vulnerabilidade externa.
No Brasil, a principal pressão vem do aumento das despesas públicas e da trajetória de crescimento da dívida, embora o país tenha maior acesso ao mercado e mais reservas para enfrentar choques.(leia mais abaixo)
Federico Servideo, diretor-presidente da Câmara de Comércio
Argentino-Brasileira de São Paulo, ressalta que, sob Milei, a Argentina
adotou um forte ajuste nas contas públicas, com cortes de gastos e
geração de superávit primário (receitas maiores que as despesas) no
curto prazo.
"Já o Brasil enfrenta um cenário de maior pressão fiscal, com aumento das despesas e crescimento da dívida pública", destaca.
Dados compilados pelo FMI mostram quea dívida bruta do governo brasileiro chegou a 93,3% do PIB, enquanto a da Argentina ficou em 80,3%. O indicador mede o total de obrigações do governo em relação ao tamanho da economia.
Para estabilizar ou reduzir a dívida, um país precisa gerar resultado
fiscal positivo — ou seja, arrecadar mais do que gasta antes do
pagamento dos juros da dívida.
Reservas internacionais de Brasil e Argentina — Foto: Arte/g1
Com US$ 360,9 bilhões, o Brasil possui um volume de reservas internacionais muito superior ao da Argentina, que tem US$ 49 bilhões. Esse colchão de dólares ajuda o país a enfrentar momentos de turbulência nos mercados e reduz a exposição a choques externos.
A diferença também aparece no risco de crédito.
Pelo CDS de 5 anos (Credit Default Swap), um dos indicadores usados
pelo mercado para medir a percepção de risco de um país, a Argentina
aparece em um patamar muito superior ao Brasil: 1.030,95 pontos, contra
124,40 pontos.
🔎
O CDS funciona como uma espécie de seguro contra um eventual calote da
dívida. Quanto maior o indicador, maior a desconfiança dos investidores
e, em geral, maior o custo para o país captar recursos no mercado.
"O
Brasil tem como vantagem uma maior disponibilidade de reservas em
dólares, uma dívida emitida majoritariamente em moeda local e desemprego
controlado. Por outro lado, enfrenta desafios fiscais, com a trajetória
de aumento da dívida pública", analisa Servideo, da Câmara de Comércio
Argentino-Brasileira.
Conforme mostrou o g1,
o acúmulo de reservas internacionais ainda é um dos desafios de Milei.
Desde janeiro de 2025, porém, o Banco Central da Argentina (BCRA)
aumentou em US$ 20,7 bilhõesseu estoque.
Lula e Milei durante encontro do Mercosul — Foto: Luis ROBAYO / AFP