Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Atacante do Equador perde caminhão de gols contra Curaçao e assume a ponta da lista -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Por Bruno Imaizumi e Roberto Maleson — Rio de Janeiro Postado em 21 de Junho de 2.026 às 12h30m #.* -- Post. - Nº.\ 12.336 -- *.#
Enner Valencia perde gol na cara e Equador vai pro intervalo empatando com Curaçao
Enner Valencia assumiu a liderança do ranking de ineficiência da Copa do Mundo de 2026. No surpreendente empate em 0 a 0 com Curaçao,
o centroavante do Equador finalizou seis vezes, mas não conseguiu
superar o goleiro Room. A falta de pontaria nas conclusões fez ele se
tornar o jogador com maior ineficiência nas finalizações de todo o
Mundial.
O Gato Mestre* analisou todas as 843 finalizações da competição e
elaborou a lista dos jogadores menos eficientes da disputa. Para
determinar o "nível de ameaça" das jogadas concluídas por Enner
Valencia, por exemplo, comparamos as características de suas
finalizações com as de 843 feitas no torneio, uma métrica conhecida como
"expectativa de gol" ou simplesmente "xG".
Um exemplo prático: o ex-atacante do Internacional
fez cinco finalizações cara a cara com o goleiro adversário, lances em
que a chance de fazer um gol é muito alta, mas nenhuma virou gol. É
disso que se trata. Comparadas com todas as outras finalizações, é
possível calcular qual o potencial de cada finalização virar gol. E
nesse quesito, o equatoriano foi o mais ineficiente da competição.
Enner Valencia desperdiça chance cara a cara com o goleiro Room, de
Curaçao — Foto: Scott Winters/Icon Sportswire via Getty Images
No empate em 0 a 0 contra Curaçao, o goleiro Room foi o grande
responsável por evitar que o Equador não saísse com a vitória. Ele fez
15 defesas na partida e bateu o recorde de defesas em um único jogo
durante os 90 minutos na história da Copa do Mundo. Room ficou a uma
defesa de superar o recorde histórico geral do americano Howard diante
da Bélgica na Copa de 2014. A partida foi para a prorrogação e ele fez
16 defesas nos 120 minutos.
A expectativa de gols do Equador contra Curaçao indica que a seleção
sul-americana deveria ter feito pelo menos dois gols, mas não conseguiu
balançar a rede nenhuma vez.
Veja com mais detalhes na imagem abaixo:
xG do jogo do Equador indica que deveria ter feito pelo menos 2 gols — Foto: Gato Mestre/Bruno Imaizumi
Potencializado pela partida de ontem, o camisa 13 do Equador foi quem
mais desperdiçou chances claras neste Mundial. Enner Valencia deveria já
ter marcado pelo menos um gol, segundo a expectativa de gols em seus
arremates.
Logo na primeira tentativa, na estreia contra Costa do Marfim, o
centroavante do Pachuca finalizou dentro da área cara a cara com o
goleiro Yahia Fofana e acertou a trave. Todas as demais finalizações do
jogador foram de dentro da área.
Confira o ranking dos 10 jogadores mais ineficientes desta Copa do Mundo, segundo a expectativa de gols em suas finalizações:
Jogadores mais ineficientes da Copa do Mundo 2026
Jogador
Finalizações
xG
Gol
Eficiência (gols - xG)
Enner Valencia | Equador
7
1,454
0
-1,454
Tillman | Estados Unidos
5
1,019
0
-1,019
Buchanan | Canadá
4
0,879
0
-0,879
Ferran Torres | Espanha
4
0,853
0
-0,853
Éderson | Brasil
1
0,780
0
-0,780
Gül |Turquia
2
0,647
0
-0,647
Malen | Holanda
3
0,591
0
-0,591
Oluwaseyi | Canadá
3
0,591
0
-0,591
Son Heung-Min | Coreia do Sul
6
0,546
0
-0,546
Circati | Austrália
1
0,543
0
-0,543
O segundo jogador mais ineficiente da Copa do Mundo é o americano
Tillman. O volante dos Estados Unidos finalizou cinco vezes até aqui no
torneio. Uma de dentro da pequena área, com defesa difícil do goleiro
paraguaio Gill e outra finalização cara a cara com o goleiro.
A expectativa era que ele fizesse ao menos um gol na competição até aqui, mas ele ainda não balançou as redes.
Aos 42 min do 1º tempo - chute de dentro da área defendido de Malik Tillman do Estados Unidos contra o Paraguai
*Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros,
Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, Leandro Silva,
Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir
Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo
programador Gusthavo Macedo.
Antes de audiência pública, companhias dos setores de mineração, madeira, construção e educação solicitaram isenções, argumentando que dependem de insumos vindos do mercado brasileiro. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Por Micaela Santos, g1 — São Paulo 20/06/2026 05h00 Atualizado há 02 horas Postado em 20 de Junho de 2.026 às 07h00m #.* -- Post. - Nº.\ 12.335 -- *.#
Tarifa dos EUA contra Brasil é marcada por vaivém
Extraídas de minas brasileiras, pedras naturais como ametistas, ágatas e
quartzos percorrem milhares de quilômetros até chegar aos Estados
Unidos, onde são transformadas em itens de decoração, presentes e
lembranças vendidos por atacadistas e varejistas.
Esse comércio, no entanto, pode ser afetado pela proposta do governo americano de novamente impor uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros.
Por isso, até mesmo empresas americanas que dependem dessas importações
passaram a pressionar Washington para retirar os produtos brasileiros
da lista de sobretaxas. Elas argumentam que não há fornecedores em
outros países capazes de substituir o Brasil em termos de qualidade,
escala de produção e preço.
Entre essas empresas está a GeoCentral, atacadista sediada em Mason, no
estado de Ohio, especializada em pedras, cristais e fósseis.
A companhia, controlada desde 2008 pela holding familiar CM Paula,
pediu formalmente ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados
Unidos (USTR) que as pedras semipreciosas brasileiras sejam incluídas
na lista de produtos isentos da medida.
Segundo a empresa, mais de 25% de todo o seu portfólio é importado do
Brasil de estados como Minas Gerais e Rio Grande so Sul, incluindo a
maior parte das pedras preciosas e semipreciosas comercializadas em
diferentes formatos, de cristais soltos a produtos prontos para o
varejo.
A GeoCentral não está sozinha.Ao
menos outras 11 empresas e entidades setoriais enviaram manifestações
ao USTR contestando a proposta de sobretaxa sobre mercadorias
brasileiras.
Destas, pelo menos nove são companhias americanas. Em comum, elas
afirmam que a medida aumentará custos, prejudicará suas operações e
reduzirá a competitividade da indústria dos EUA.
‘Não existem alternativas equivalentes’
Minarais comercilizados pela GeoCentral: empresa pediu a inclusão de
pedras naturais na lista de isenção do governo dos EUA — Foto:
Divulgação
Em entrevista ao g1,
o CEO da CM Paula, George White, afirmou que a empresa compra produtos
brasileiros por necessidade, e não apenas por preferência.
“Nós
não compramos do Brasil simplesmente porque queremos. Compramos porque o
país oferece a melhor combinação de qualidade e custo disponível no
mundo.”
Em 2025, as exportações brasileiras da categoria de pérolas e pedras
preciosas ou semipreciosas, brutas ou trabalhadas, somaram cerca de US$ 45,6 milhões para os EUA. Quando se incluem joias e outros artigos de matérias preciosas ou semipreciosas, o valor supera US$ 71,8 milhões.
Segundo White, o Brasil possui uma infraestrutura mineradora difícil de
ser replicada por outros países, com capacidade para extrair, cortar,
polir e preparar pedras para comercialização em larga escala.
“Simplesmente não existem alternativas equivalentes em outros lugares”,
afirmou.
Em sua manifestação ao USTR, a CM Paula informou que cerca de 120
produtos comercializados pela GeoCentral seriam afetados pela tarifa e
argumentou que eles “não estão disponíveis em fontes alternativas com
preços razoáveis, qualidade semelhante ou quantidade suficiente fora do
Brasil”.
Pedra ágata, importada do Brasil e vendida pela GeoCentral nos EUA — Foto: Divulgação
Histórico de tarifas já afetou a empresa
White afirma que a empresa já sofreu impactos relevantes com o aumento
das tarifas impostas anteriormente sobre importações brasileiras.
Segundo o executivo, as sobretaxas obrigaram a companhia a reduzir
despesas, demitir funcionários, diminuir investimentos em marketing e
elevar preços praticados no atacado.
Posteriormente, após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegais parte
dessas sobretaxas, o governo americano passou a utilizar outros
instrumentos legais para sustentar algumas cobranças, incluindo uma tarifa global de 10% sobre as importações.
Essa medida também foi contestada judicialmente, mas um tribunal federal de apelações decidiumantê-la temporariamente em vigorenquanto analisa o recurso do governo.
De acordo com White, a empresa já recuperou cerca de 10% dos valores
devidos e espera receber o restante até o fim deste ano ou no início do
próximo. Ao todo, a companhia já apresentou 117 pedidos de restituição
relacionados a importações provenientes do Brasil e da China.
Mesmo que a tarifa adicional de 25% seja implementada, a GeoCentral afirma que continuará comprando produtos brasileiros.
“Continuaremos
importando do Brasil. A única diferença é que teremos de arcar com
custos maiores por causa das tarifas”, disse White. Segundo o executivo,
a companhia ainda não encontrou em outros países fornecedores capazes
de substituir as pedras brasileiras.
Com base no relatório, o órgão propôs uma tarifa adicional de 25% sobre
uma ampla gama de produtos brasileiros e abriu uma consulta pública
para receber manifestações de empresas, associações e demais
interessados.
O processo será concluído com uma audiência marcada para 6 de julho,
quando representantes dos setores afetados poderão apresentar ao governo
americano os impactos da medida.
🔎 O número de empresas protestando só não é maior porque a proposta prevê uma longa lista de exceções. Devem
ficar de fora da sobretaxa materiais informativos, doações e uma lista
específica de produtos, que inclui itens como café, chá, determinadas
carnes, frutas, minerais, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas
industriais e medicinais, além de palha e forragem. (veja a lista completa aqui)
Nas manifestações enviadas ao USTR, empresas dos setores de pisos, construção, mineração, educação e habitação sustentam que muitos produtos brasileiros não têm substitutos
equivalentes no mercado americano e alertam que a tarifa aumentaria os
custos para empresas e consumidores dos próprios EUA, sem fortalecer a
produção doméstica.
O g1localizou algumas delas nos pedidos de participação nas audiências públicas da investigação.
🪵The Fantastic Floor:empresa
do estado de Washington e especializada em pisos de madeira pediu a
exclusão de espécies brasileiras como jatobá e cumaru da tarifa. Segundo
a companhia, essas madeiras são nativas da América do Sul e não estão
disponíveis comercialmente nos EUA.
🪵Artivo Surfaces:
importadora e distribuidora americana de revestimentos e pisos de
madeira. Em manifestação ao USTR, afirmou que as madeiras brasileiras
precisam ser processadas ainda na origem para preservar sua qualidade e
que a sobretaxa não estimularia a produção doméstica. “Aumentar a tarifa
não beneficiará os fabricantes ou consumidores dos EUA, porque as
matérias-primas são naturalmente indisponíveis e a qualidade do produto
não pode ser replicada”, disse.
🪵Strong Flooring Solutions:
empresa do setor de pisos que argumentou que não existem espécies
americanas capazes de reproduzir a aparência das madeiras brasileiras.
Para a companhia, consumidores interessados nesse tipo de produto não
migrariam para alternativas nacionais simplesmente porque “não há opção
disponível”.
🪵Wood Timber Import:importadora
de produtos de madeira que destacou a importância de molduras e
componentes de construção fabricados no Brasil para o mercado
imobiliário americano. Segundo a empresa, a produção doméstica não
consegue atender à demanda em volume e qualidade suficientes, e novas
tarifas apenas elevariam os custos dos projetos.
💎JKG Inc. (Jessie Kan Granite):
empresa americana distribuidora de placas de granito, mármore e
quartzo, afirmou que os materiais brasileiros possuem características
geológicas únicas. Em sua manifestação, alertou que a medida apenas
encareceria obras e produtos finais: “Adicionar tarifas sobre pedras
naturais do Brasil servirá apenas para elevar os custos de construção e
aumentar os custos para os consumidores finais”.
🏠Legacy Roots Housing Initiative (LRHI):
organização voltada ao desenvolvimento de moradias modulares e projetos
de infraestrutura habitacional nos EUA. A entidade afirmou que a tarifa
sobre esses componentes criaria barreiras para pequenos incorporadores e
atrasaria projetos de habitação.
🦷 Lauria Dental Model: empresa americana que comercializa modelos odontológicos utilizados por
universidades e cursos de formação profissional. A companhia pediu a
exclusão desses produtos da medida, argumentando que eles são destinados
exclusivamente ao ensino, não competem com dispositivos médicos
fabricados nos EUA e que a sobretaxa apenas elevaria os custos da
educação.
🌱 Entidades setoriais também entraram no debate. A American Seed Trade
Association (ASTA), que representa a indústria de sementes dos EUA,
pediu participação na audiência pública do USTR e defendeu que sementes para plantio sejam excluídas da tarifa proposta sobre produtos brasileiros.
Segundo a associação, a implementação da nova taxa prejudicaria a
competitividade do setor americano e afetaria cadeias globais de
suprimento essenciais para a inovação agrícola.
Brasil aposta em negociação antes da decisão final
Após o prazo para envio de manifestações por escrito, que se encerra em
1º de julho, e da audiência pública marcada para 6 de julho, o governo
dos EUA deverá analisar as contribuições recebidas antes de tomar a
decisão final.
A expectativa é que o processo seja concluído até 15 de julho, data prevista para eventual implementação das novas tarifas.
Segundo o Itamaraty, o Brasil tem atuado em duas frentes para tentar reverter a proposta: a contestação técnica da investigação conduzida pelo USTR e a negociação diplomáticacom Washington.
O governo brasileiro afirma já ter enviado manifestações formais ao
órgão americano e estuda apresentar uma nova contribuição durante o
período de consultas.
Em paralelo, o tema pode ganhar espaço na agenda política internacional.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da cúpula do G7, na França,
e o governo brasileiro trabalha com a possibilidade de um encontro com o
presidente Donald Trump, embora não haja reunião bilateral oficialmente
marcada.
Nos bastidores, a avaliação é que a proposta de sobretaxa de 25% ainda
pode ser negociada antes da conclusão do processo conduzido pelo USTR.
Câmara Americana de Comércio intensifica articulação
Ao g1,
a Amcham Brasil, entidade que representa empresas e as relações
comerciais entre Brasil e EUA, afirmou que acompanha de perto a
investigação conduzida pelo governo americano e defende uma saída
negociada para o impasse.
A entidade informou que vem mantendo conversas com autoridades
brasileiras e americanas sobre o tema. Segundo a Amcham, foi realizada
uma reunião em 15 de junho, em São Paulo, com o ministro do
Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e representantes
de cerca de 15 empresas.
No encontro, foram discutidos os possíveis impactos da imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
A Amcham também disse que participou da consulta pública e da audiência
promovidas pelo governo dos EUA e prepara uma nova manifestação à USTR.
O documento deve destacar os efeitos das sobretaxas sobre as cadeias de
suprimentos, a produção e o consumo no mercado americano, além do papel
do Brasil como fornecedor estratégico e do risco de que esses produtos
sejam substituídos por concorrentes de outras regiões, especialmente da
Ásia.
"Brasil
e Estados Unidos possuem uma relação econômica altamente complementar e
estratégica", afirmou a entidade, em nota. Por isso, acrescentou,
"segue trabalhando para que eventuais divergências sejam tratadas por
meio do diálogo e da cooperação, preservando o comércio, os
investimentos e a competitividade das empresas dos dois países".
Conflito provocou disparada da commodity e uma série de consequências relacionadas. Com o acordo de paz, economistas tentam estimar quando a normalização começará a aparecer. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Por Isabela Bolzani, Micaela Santos, g1 — São Paulo 19/06/2026 05h01 Atualizado há 03 horas Postado em 19 de Junho de 2.026 às 08h00m #.* -- Post. - Nº.\ 12.334 -- *.#
Trump e presidente do Irã assinam acordo de paz, que já está em vigor
A interrupção do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz provocou uma
série de problemas. O preço da commodity disparou, os combustíveis e
seus derivados pressionaram a inflação em vários países, e as
perspectivas futuras para a economia se deterioraram.
Resultado é que os preços subiram para o consumidor, enquanto o mercado
financeiro acumulou perdas com a revisão das estratégias de
investimento. Nesse cenário, as bolsas de valores caíram e o dólar se
fortaleceu.
Agora, com o fim do conflito, economistas tentam estimar quando a economia dará sinais de normalização. O g1 listou os principais efeitos da guerra sobre a economia e as possíveis saídas para a recuperação.
Veja nesta reportagem os principais impactos em:
Alta nos preços do petróleo e de combustíveis
Alta na inflação dos EUA e queda na popularidade de Trump
Os efeitos no Brasil
Impactos no mercado financeiro
Piora nas projeções de crescimento da economia global
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala durante cerimônia
no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., em 10 de junho de
2026. — Foto: Ken Cedeno/A
Ainda assim, a alta do petróleo não foi amortecida o suficiente e
pressionou a inflação em diversos países. O impacto atingiu primeiro os
combustíveis e seus derivados e, em seguida, se espalhou pelos
transportes, pela indústria e até pela produção agrícola:
Fretes marítimos e rodoviários subiram, encarecendo alimentos e bens de consumo.
🛢️ Com o anúncio do acordo de paz nesta semana, o mercado começou a se estabilizar. Nesta
quinta-feira (18), o petróleo Brent recuou para US$ 78,33 por barril,
aliviando parte das pressões sobre a inflação. No início da manhã de
sexta-feira, o petróleo Brent estava cotado a US$ 79,68 por barril, após
cancelamento do encontro na Suíça. Ainda assim, está quase US$ 10 mais caro que antes do início do conflito.
Alta na inflação dos EUA e queda na popularidade de Trump
O presidente americano iniciou o segundo mandato prometendo reduzir o
custo de vida. Mas, também nos EUA, a alta do petróleo elevou o preço
dos combustíveis — um dos itens mais sensíveis para o eleitorado de
Trump.
O preço médio do galão de gasolina nos EUA saltou de cerca de US$ 2,98 para mais de US$ 4.
Em maio, a inflação ao consumidor chegou a 4,2% no acumulado em 12 meses, o maior patamar em três anos. O índice se afastou ainda mais da meta de 2% do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
Como o Fed utiliza os juros para controlar a inflação, a instituição
manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na reunião de
quarta-feira (17), adiando ainda mais a esperada redução nos EUA.
Esse baque econômico provocou uma queda ainda mais acentuada na aprovação de Trump.
Em 2025, a aprovação de Donald Trump havia recuado de 42% em abril para 40% em julho, em meio aos efeitos do tarifaçoimposto aos parceiros comerciais dos EUA.
Com aguerrae uma nova aceleração da inflação, sua popularidade atingiu o pior nível do segundo mandato em abril deste ano, chegando a 34% de aprovação.
Pesquisas da Reuters/Ipsos mostraram que 63% dos americanos
desaprovavam o governo, enquanto apenas 36% o aprovavam. Na área
econômica, a aprovação era ainda menor, de 27%, o pior resultado da
série histórica do instituto.
🛢️ O recuo dos preços da gasolina nas últimas semanas trouxe uma melhora modesta.
A aprovação da atuação de Trump no combate ao custo de vida subiu de
22% para 24%, mas o presidente segue bem abaixo dos níveis registrados
no início do mandato.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
(ANP) mostram que os preços do diesel e da gasolina no Brasil chegaram a
acumular altas de 23,6% e 8%, respectivamente, nos últimos meses — e
não demorou até que o consumidor sentisse o efeito disso no bolso.
➡️ O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país,acumula alta de 3,20% no ano até maio. Em 12 meses, o índice avançou 4,72%, acima do teto da meta para 2026, de 4,5%.
Com a pressão sobre os preços e a incerteza provocada pela guerra nos
últimos meses, as projeções do mercado financeiro para os juros também
pioraram.
O Boletim Focus da última segunda-feira (15) mostra que os economistas do mercado esperam uma taxa Selic de 13,75% ao ano em 2026, um aumento de 0,25 ponto percentual (p.p.) em relação à semana anterior.
🔎 Isso significa que o mercado espera juros elevados por mais tempo, o que deve continuar encarecendo o crédito e pode limitar o consumo das famílias brasileiras.
Entre os principais setores da economia, os efeitos foram variados.
De um lado, exportadores de petróleo se beneficiaram com a alta das
cotações. Por outro, segmentos dependentes da commodity sentiram o
impacto nos preços de derivados.
O resultado é uma pressão generalizada sobre a economia brasileira, com
efeitos que vão do bolso do consumidor ao desempenho dos setores
produtivos.
As incertezas sobre a duração do conflito e seus impactos na economia
global também se refletiram nos mercados de câmbio e de ações ao redor
do mundo.
Como costuma ocorrer, o início da guerra trouxe uma valorização do
dólar. Isso acontece porque a moeda americana é vista como um dos ativos
mais seguros do mundo e costuma ser a preferência dos investidores em
momentos de incerteza, como forma de proteger suas aplicações.
No Brasil, o dólar atingiu o maior nível do ano em 13 de março,
mês seguinte ao início do conflito, ao ser cotado a R$ 5,3142,
impulsionado pela alta do petróleo. Nos meses seguintes, o cenário
começou a mudar, à medida que as incertezas iniciais se dissiparam e o
mercado passou a ter mais clareza sobre quais países e setores seriam
mais impactados pela guerra.
Com isso, investidores reduziram suas posições em dólar e passaram a
buscar ativos mais arriscados — movimento que favoreceu o real. No
acumulado do ano até quarta-feira (17), amoeda americana registrava desvalorização de 6,94%.
O movimento foi semelhante nos mercados de ações: em um primeiro
momento, investidores retiraram recursos de ativos mais arriscados e,
depois, passaram a apostar em papéis que poderiam se beneficiar do novo
cenário.
🔎 Vale destacar que outros fatores também influenciaram as cotações nos últimos meses, como o tarifaço
imposto pelo governo Trump, a política fiscal brasileira, o noticiário
corporativo e os dados econômicos do Brasil e dosEstados Unidos.
No acumulado do ano até a última quarta-feira, o Ibovespa, principal
índice da bolsa de valores brasileira, registrava alta de 4,38%.
Piora nas projeções de crescimento da economia global
Antes do conflito entre EUA e Irã, a previsão era de que o crescimento global desacelerasse apenas de forma moderada, com a inflação perdendo força e permitindo um ambiente econômico mais estável.
Com a escalada da guerra, porém, o cenário piorou. O aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas elevou os custos de produção, transporte e energia em diversos países, alimentando a inflação e reduzindo ainda mais as perspectivas de crescimento.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico(OCDE)
passou a estimar uma desaceleração do crescimento global, de 3,4% em
2025 para 2,8% em 2026. A organização alertou que, caso a crise
energética se prolongasse, a expansão global poderia cair para apenas
2,1%, nível associado a períodos de forte desaceleração econômica;
Países
como Alemanha e França tiveram suas projeções reduzidas devido ao
encarecimento da energia, que diminuiu o poder de compra das famílias e
aumentou os custos das empresas.
Mesmo com a melhora recente, FMI e OCDE avaliam que a recuperação
dependerá da manutenção da estabilidade no Oriente Médio e da
normalização do abastecimento global de energia.