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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Negociador iraniano diz que EUA estão "pressionando" o Irã por concessões

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"Parem de esperar que a trupe de palhaços tire um coelho da cartola e conserte a bagunça que vocês criaram", afirmou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf
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Mitchell McCluskey, da CNN
18/08/26 às 18:01 | Atualizado 18/08/26 às 18:01
Postado em 19 de Agosto de 2.026 às 10h00m

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Presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf  • Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images

O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os EUA de tentarem forçar mais concessões por parte do Irã.

"Os americanos acham que pressionar o Irã com mais força garantirá concessões que nunca fizeram parte do acordo", escreveu Ghalibaf, que é o principal negociador do Irã, em uma publicação na rede social X nesta terça-feira (18).

A autoridade também afirmou que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, estão "muito além de sua capacidade".

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"Parem de esperar que a trupe de palhaços tire um coelho da cartola e conserte a bagunça que vocês criaram", disse Ghalibaf.

Na semana passada, Bessent afirmou que os EUA aplicariam medidas contra o Irã "nunca antes vistas". O presidente dos EUA, Donald Trump, também indicou que planeja exercer mais pressão econômica sobre Teerã.

Trump diz que não há negociações em andamento

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira (18) que não há conversas em andamento com o Irã, nem nenhuma agendada, acrescentando que o bloqueio naval do Estreito de Ormuz permanece em pleno vigor e efeito.

Ele fez os comentários em uma publicação no Truth Social.

"Não há negociações ou conversas em andamento, nem agendadas, com a República Islâmica do Irã. O bloqueio naval permanece em pleno vigor e efeito. O Estreito de Ormuz está aberto e operacional. Todas as minas aquáticas foram removidas ou detonadas", disse ele.

Mais cedo nesta terça-feira, Trump publicou uma imagem nas redes sociais que mostra o Estreito de Ormuz identificado como "Novo Território dos EUA".

A publicação do presidente no Truth Social foi feita um dia depois de ele ter dito que declarar o Estreito um território dos EUA era uma "ótima ideia".

"Quero dizer que nós o controlamos", disse Trump a repórteres no Salão Oval, ao ser questionado sobre o que quis dizer na semana passada, quando afirmou que logo declararia Ormuz como um território dos Estados Unidos.

"Nós o controlamos com o bloqueio, e gosto da ideia de declará-lo um território", acrescentou o presidente.

Estreito de Ormuz surgiu como uma importante moeda de troca na guerra com o Irã. Essa via, de importância estratégica vital, foi efetivamente fechada pelo Teerã desde o início dos combates, no final de fevereiro, interrompendo uma rota fundamental para o transporte global de petróleo.

Especialistas afirmaram que nenhum dos lados tem controle total da via navegável.

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EUA não oferecem contrapartida equivalente ao que a China oferece, diz Arko

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Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice Internacional, aponta, ao WW, que Washington superestima o valor de sua validação política e não consegue competir com os investimentos chineses na América Latina
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Da CNN Brasil
19/08/26 às 08:50 | Atualizado 19/08/26 às 08:50
Postado em 19 de Agosto de 2.026 às 09h20m

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Os Estados Unidos não conseguem oferecer uma contrapartida equivalente ao que a China proporciona à América Latina, segundo avaliação do CEO da Arko Advice Internacional, Thiago de Aragão, ao WW. Segundo o especialista, Washington parte de premissas equivocadas ao tentar ampliar sua influência no hemisfério.

De acordo com Aragão, há uma leitura por parte de Donald Trump de que todos os países da região teriam um desejo intrínseco e de alto nível de expandir suas relações com os Estados Unidos. "Isso pode ser certo, pode ser errado, pode variar de país a país", afirmou. O problema, segundo ele, está no mecanismo de aproximação adotado por Washington.

Washington superestima o valor de sua validação

Aragão explica que Washington interpreta, com frequência, que governantes e líderes da oposição latino-americanos buscam validação norte-americana e que essa validação teria um valor muito alto.

Na prática, porém, haveria uma discrepância significativa entre o que Washington imagina que essa validação vale e o que as capitais latino-americanas efetivamente percebem. "O preço dessa validação seria feito de uma forma onde você abriria mão de vários níveis de relacionamento com a China", disse o especialista.

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Diferença estrutural entre EUA e China

Um ponto central destacado por Aragão é a diferença estrutural entre as duas potências. "Como uma democracia, os Estados Unidos não conseguem obrigar as suas indústrias a investir em determinado país", afirmou.

A China, por outro lado, consegue pressionar suas empresas a investir em nações específicas, mesmo que isso implique perdas financeiras recorrentes. Como exemplo, Aragão citou o caso do presidente argentino, Javier Milei, que, na mesma semana em que recebeu um cheque de US$ 25 bilhões do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, realizou exportações recorde de carne e trigo para a China.

Limpeza da imagem chinesa na região

O especialista também destacou que a China vem passando por uma espécie de "limpeza" em sua imagem em diversos países da América Latina, inclusive naqueles governados pela direita.

Aragão lembrou que, há alguns anos, havia grande repercussão sobre questões como direitos humanos em Xinjiang e repressão por parte do governo chinês — temas que, segundo ele, praticamente deixaram de ser discutidos.

Na China, Trump é chamado de "Chuan Jianguo", que significa "o grande construtor da nação", justamente porque os chineses interpretam que tanto as tarifas quanto a pressão norte-americana tornam líderes da região cada vez mais pragmáticos em relação a Pequim.

"Os Estados Unidos não conseguem oferecer uma contrapartida equivalente ao que a China oferece", concluiu Aragão.

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Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Como o 'Super El Niño' pode afetar economia global e fazer subir os preços de alimentos

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Secas, enchentes e ondas de calor podem prejudicar plantações e provocar perdas na produção.
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Por Fantástico

Postado em 18 de Agosto de 2.026 às 07h00m

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Cientistas monitoram formação de 'Super El Niño' e alertam para impactos no Brasil
Cientistas monitoram formação de 'Super El Niño' e alertam para impactos no Brasil

O Super El Niño que está se formando no Oceano Pacífico não deve trazer apenas mudanças no clima. O fenômeno também pode provocar impactos na economia, com efeitos sobre a produção de alimentos, os preços e os gastos para recuperar áreas atingidas por eventos extremos.

Anos de El Niño costumam ser marcados por escassez de alimentos e aumento de preços. Isso acontece porque secas, enchentes e ondas de calor podem prejudicar plantações e provocar perdas na produção.

O impacto pode chegar ao consumidor. Com uma oferta menor de determinados alimentos, os preços tendem a subir, aumentando a pressão sobre o custo de vida.

Secas e enchentes podem gerar prejuízos

Os efeitos econômicos não ficam restritos ao campo. Eventos extremos também podem destruir estradas, casas e outras estruturas, exigindo grandes investimentos para reconstrução.

Os prejuízos acumulados provocados por secas, enchentes e ondas de calor chegam à ordem de trilhões de dólares no mundo.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas de 2024 provocaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de 20 quilômetros de estrada. A reconstrução do local foi estimada em R$ 700 milhões, e, dois anos depois, a estrada ainda permanecia em obras.

Além do custo direto para reconstruir a infraestrutura, empresas e produtores também podem ter prejuízos com a interrupção de atividades e a perda de produção.

Pressão sobre a inflação

A combinação de menor produção de alimentos e aumento dos gastos para reparar áreas destruídas pode pressionar a economia.

Quando eventos climáticos reduzem a oferta de alimentos, o efeito pode aparecer nos preços. Ao mesmo tempo, governos e empresas precisam destinar recursos para reconstruir estradas, instalações e outras estruturas danificadas.

Segundo especialistas, esse conjunto de prejuízos pode afetar o crescimento econômico mundial.

O impacto, portanto, pode acontecer em diferentes etapas: o clima extremo prejudica a produção, a menor oferta pode encarecer alimentos e os danos à infraestrutura aumentam os custos de reconstrução.

Um fenômeno global

O El Niño não atinge apenas o Brasil. As alterações provocadas pelo aquecimento das águas do Pacífico modificam a circulação atmosférica e podem provocar efeitos em diferentes partes do planeta.

No episódio atual, cientistas apontam que o fenômeno está ocorrendo em um planeta já mais quente por causa do aquecimento global.

As previsões indicam mais de 90% de chance de um El Niño muito forte. O fenômeno deve atingir o pico em dezembro e pode continuar com intensidade forte ou muito forte durante o primeiro semestre de 2027.

Ainda não é possível saber exatamente quais serão os impactos econômicos em cada região. Mas, conforme o fenômeno avançar, as previsões devem ficar mais precisas sobre os locais e períodos mais afetados.

Por enquanto, os cientistas já sabem que o super El Niño pode representar não apenas um desafio climático, mas também uma ameaça para a produção de alimentos, a infraestrutura e a economia global.

Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados — Foto: Reprodução/TV Globo
Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados — Foto: Reprodução/TV Globo

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'O plano secreto do Irã': por que o regime iraniano não quer encerrar a guerra agora?

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Reportagens da imprensa norte-americana mostram que forças iranianas estão se preparando para uma nova rodada de ataques. Parte do governo defende acordo diplomático.
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Por Redação g1

Postado em 18 de Agosto de 2.026 às 05h45m

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Irã diz que pode fazer ofensiva no Estreito de Ormuz e Trump ameaça atacar país aliado no Oriente Médio
Irã diz que pode fazer ofensiva no Estreito de Ormuz e Trump ameaça atacar país aliado no Oriente Médio

O Irã está se preparando para uma nova fase da guerra no Oriente Médio, segundo fontes ouvidas pela imprensa norte-americana. Reportagens do Wall Street Journal e do New York Times publicadas no domingo (16) e segunda-feira (17) mostram que a liderança iraniana aproveitou o período de trégua para reforçar as Forças Armadas e preparar novas ações militares na região.

A reportagem do Wall Street Journal, com o título: "O plano secreto do Irã para escalar a guerra" detalha a estratégia iraniana que começou a tomar forma em junho, quando o presidente Donald Trump assinou um memorando de entendimento com o Irã.

  • O acordo previa o fim das operações militares, a reabertura do Estreito de Ormuz e novas negociações sobre o programa nuclear iraniano.
  • Em troca, Teerã receberia alívio de sanções, acesso a bilhões de dólares congelados e a possibilidade de um fundo de US$ 300 bilhões para reconstrução.
  • A liderança iraniana, porém, passou a desconfiar que o acordo poderia apenas dar tempo para Estados Unidos e Israel se reorganizarem para um novo ataque.

De acordo com o WSJ, enquanto diplomatas negociavam um acordo em público, a Guarda Revolucionária do Irã atuava nos bastidores para preparar forças e grupos aliados para uma eventual ampliação da guerra.

A mudança foi vista de forma mais clara no Estreito de Ormuz. Três semanas depois da assinatura do acordo com Trump, o Irã voltou a atacar navios que tentavam atravessar a rota marítima. A pressão também foi sentida no Mar Vermelho por meio dos rebeldes Houthis, aliados de Teerã.

O Irã também aumentou a pressão sobre forças americanas na região. Em julho, o país lançou mísseis contra a Jordânia.

Ao mesmo tempo, Teerã reorganizou a própria estrutura de segurança. Segundo o New York Times, o líder supremo Mojtaba Khamenei nomeou veteranos da Guarda Revolucionária e da guerra Irã-Iraque para postos importantes neste mês.

Entre eles está Mohsen Rezaei, ex-comandante da Guarda Revolucionária que assumiu o Conselho Supremo de Segurança Nacional, e Hossein Taeb, que voltou ao comando de uma rede paramilitar usada também para reprimir protestos.

Segundo o NYT, Khamenei determinou que a organização amplie a atuação como uma espécie de rede de inteligência interna, em um momento em que o governo teme novos protestos provocados pela crise econômica.

  • Para o jornal, a reorganização mostra que Mojtaba Khamenei pretende manter o país em estado permanente de preparação para a guerra.
  • A reportagem destaca que o novo líder iraniano também demonstrou uma disposição maior do que o pai dele, Ali Khamenei, para iniciar confrontos com os Estados Unidos.
Divisão interna
Foto mostra painel em Teerã no dia 6 de agosto de 2026, em meio à guerra entre EUA e Irã. — Foto: Fatemeh Bahrami/Anadolu/Reuters
Foto mostra painel em Teerã no dia 6 de agosto de 2026, em meio à guerra entre EUA e Irã. — Foto: Fatemeh Bahrami/Anadolu/Reuters

As movimentações não significam que o Irã tenha abandonado completamente a diplomacia. Segundo o NYT, parte da liderança iraniana ainda defende um acordo, mas quer negociar a partir de uma posição de força.

Inclusive, a divisão interna dentro do próprio governo iraniano ajuda a explicar por que as negociações com os EUA travaram.

  • A aposta dos setores mais duros do regime é que o Irã consegue suportar a pressão econômica por mais tempo do que Trump consegue suportar os custos políticos da guerra.
  • Por outro lado, a economia iraniana já enfrenta inflação, desvalorização da moeda, falta de energia, sanções e danos provocados pelo conflito.
  • Sendo assim, a estratégia deixa o governo diante de um dilema: prolongar a guerra pode aumentar o poder de barganha, mas alimentar uma crise interna difícil de controlar.

Um dos exemplos dessa divisão foi exposto recentemente. De acordo com o WSJ, diplomatas iranianos chegaram a um entendimento com Omã para criar rotas e permitir uma reabertura gradual de Ormuz. No entanto, a própria Guarda Revolucionária do Irã voltou a atacar navios.

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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Como uma rota de navegação congelada está aproximando a China e a Rússia

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Rota do Mar do Norte, no Ártico, vira caminho para o transporte de gás russo sancionada a Pequim
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Simone McCarthy, Rosa de Acosta e Isaac Yee, da CNN
16/08/26 às 09:00 | Atualizado 16/08/26 às 09:00
Postado em 17 de Agosto de 2.026 às 18h00m

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Presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim  • 3 de setembro de 2025 Sputnik/Alexander Kazakov/Pool via REUTERS

O gelo ainda cobria densamente as águas quando o gigantesco navio-tanque Christophe de Margerie iniciou a primeira viagem da temporada pela Rota do Mar do Norte, no final de maio.

Dados de navegação mostram que a embarcação havia acabado de passar por um porto conectado ao Arctic LNG-2 — uma instalação de gás natural liquefeito situada nas profundezas do Ártico russo e alvo de sanções dos EUA.

De lá, escoltado na maior parte do trajeto por um quebra-gelo, o navio-tanque avançou lentamente por milhares de milhas de águas árticas e pelo Mar de Bering.

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Sua viagem de cerca de duas semanas terminou na Península de Kamchatka, no Extremo Oriente russo, onde o navio-tanque entrou em uma baía isolada que abrigava, no passado, um assentamento militar soviético.

Imagens de satélite analisadas pela CNN mostram o Christophe de Margerie atracando ao lado de uma enorme unidade de armazenamento flutuante, em uma configuração típica de transferências de carga entre navios. Dados do Marine Traffic indicam que o navio-tanque pareceu descarregar sua carga — sujeita a sanções — na unidade antes de iniciar a viagem de volta ao Ártico.

Bloqueada por gelo intransponível durante a maior parte do ano e navegável sem quebra-gelos apenas durante uma curta janela de verão, a NSR (Rota do Mar do Norte), controlada por Moscou, é uma via controversa que atravessa uma região cada vez mais vista como um novo palco de rivalidade entre grandes potências.

Uma análise da CNN sobre dados de navegação compilados pelo Centre for High North Logistics, sediado na Noruega, revela que, desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, o trânsito internacional na rota tem sido dominado pelo comércio com um único parceiro estrangeiro: a China.

Esse comércio — que sustenta a economia de guerra da Rússia e reforça a segurança energética da China — ocorre paralelamente à expansão das operações de transporte marítimo chinês na região e a uma preocupação crescente no Ocidente de que a presença chinesa no local possa prenunciar um futuro uso militar.

Um dia após a partida do Christophe de Margerie da Península de Kamchatka, um segundo navio-tanque sancionado pelos EUA — o Arctic Mulan — chegou à entrada da mesma baía. A embarcação permaneceu nas imediações por vários dias antes de ser rebocada para junto da mesma unidade de armazenamento flutuante, onde desligou seu dispositivo de rastreamento por cerca de um dia, segundo dados de transponder.

O céu nublado dificultou a captura, por satélite, dos acontecimentos seguintes; no entanto, um dia depois, o transponder da embarcação foi reativado e — provavelmente já transportando a carga russa — ela seguiu em direção ao porto chinês de Beihai.

Uma imagem de satélite obtida 11 dias mais tarde, analisada pela CNN, mostra o Arctic Mulan atracado no porto do sul da China, onde um terminal tem sido "reservado para receber cargas de GNL russo sujeitas a sanções" desde setembro passado, segundo Charles Costerousse, analista sênior de GNL da Kpler, empresa de inteligência comercial.

Dados de navegação indicam que a operação foi repetida com as mesmas embarcações em julho, evidenciando como a NSR (Rota do Mar do Norte) surgiu como uma via rápida para a China obter o combustível sancionado pelos EUA.

Agora, enquanto um conflito liderado pelos EUA — desta vez no Oriente Médio — deixa navios-tanque de petróleo e gás retidos e prejudica o comércio global, a China e a Rússia preparam-se para o que pode ser uma temporada recorde ao longo dessa rota marítima alternativa no topo do globo.

Para a China, isso também representa um ano de grande destaque em uma região onde o país busca há muito tempo ampliar sua presença como uma autoproclamada "nação próxima ao Ártico" — e onde o derretimento do gelo poderá permitir temporadas mais longas e a abertura de mais rotas nas próximas décadas.

"(A China tem) uma enorme fronteira à sua frente agora", afirmou Daisuke Harada, diretor-geral da unidade de negócios de energia da JOGMEC (Organização Japonesa para Segurança de Metais e Energia), entidade apoiada pelo governo e familiarizada com o projeto *Arctic LNG-2* e com as operações chinesas na região.

Sonhos árticos

Há muito tempo, o presidente russo Vladimir Putin vislumbra que a rota de cerca de 5.600 km ao longo da recortada costa ártica da Rússia se torne uma importante artéria comercial — e um motor de investimentos em portos e campos de petróleo e gás russos.

Nos últimos meses, ele tem afirmado que as interrupções no comércio causadas pelos conflitos nas imediações do Mar Vermelho e do Estreito de Ormuz demonstram que essa rota sazonal é "a mais segura, confiável e eficiente".

O líder chinês Xi Jinping também sonha, há anos, com uma "Rota da Seda Polar" através do Ártico, uma extensão gelada de sua principal iniciativa de infraestrutura, o Cinturão e Rota (Belt and Road). Apresentado por Xi em 2018, o plano visava projetar a influência da China na região, estendendo-a da Rússia à Escandinávia e além.

No entanto, os vultosos investimentos chineses previstos em portos e infraestrutura polares nunca se concretizaram. Além disso, os altos custos e as condições arriscadas ao longo da rota já haviam complicado a visão de Putin — mesmo antes de a guerra da Rússia contra a Ucrânia afastar atores internacionais de seu território ártico. As gigantes estatais chinesas dos setores de transporte marítimo e energia também recuaram.

Ainda assim, a situação criou uma "janela de oportunidade" para Pequim, segundo Marc Lanteigne, professor da Universidade de Tromsø (a Universidade Ártica da Noruega): a chance de utilizar sua posição como principal parceira de Moscou no desenvolvimento da rota para ampliar seu papel no Ártico.

Neste fim de semana, espera-se que a Sea Legend — uma empresa de transporte marítimo recém-criada, sediada em Singapura e de gestão chinesa — lance o primeiro serviço regular de transporte de contêineres com operação sazonal entre a China e a Europa. A empresa anuncia um tempo de trânsito de 20 dias — cerca da metade do tempo da rota padrão via Suez — ao mesmo tempo em que "evita riscos de perturbações geopolíticas".

Outra empresa chinesa, a New New Shipping — também formada na esteira da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 —, lançou no mês passado uma nova linha ligando Tianjin, na China, a Murmansk, o maior porto ártico da Rússia. Essa operação se soma aos serviços já existentes da New New, que transportam produtos industriais chineses em um sentido e matérias-primas russas no sentido oposto.

Ao todo, espera-se que pelo menos seis empresas de navegação chinesas realizem mais de 50 viagens pela rota nesta temporada, utilizando navios porta-contêineres, graneleiros e embarcações de uso múltiplo — com a grande maioria dos trânsitos ocorrendo entre a China e a Rússia, segundo cronogramas divulgados pela Associação de Armadores da China.

Quanto à carga, "a China e a Rússia são, atualmente, as únicas que realmente utilizam essa rota; elas a veem, em grande medida, como parte de sua estreita cooperação", afirmou Kjell Stokvik, diretor administrativo do Centro de Logística do Extremo Norte (CHNL) da Universidade Nord, na Noruega, que monitora o tráfego na Rota do Mar do Norte (NSR).

O comércio ao longo da rota permanece insignificante em comparação com grandes vias de passagem, como o Canal de Suez, e é dominado pelo petróleo e gás russos que — juntamente com alguns outros compradores de GNL na Ásia — têm como principal destino a China.

As importações chinesas de GNL provenientes da Rússia, por todas as rotas, cresceram quase 28% em volume no primeiro semestre do ano, uma vez que as exportações de GNL do Oriente Médio estagnaram devido às tensões entre EUA e Irã. (A Europa continua sendo, de longe, a maior compradora de GNL russo de instalações não sancionadas, como a Yamal LNG, mas não via trânsito pela NSR. Uma proibição iminente da UE à compra de GNL russo transportado por via marítima, prevista para 2027, alterará esse cenário).

Cada um dos oito navios-tanque que realizaram a travessia completa da NSR no ano passado com destino direto à China havia sido incluído em listas negras dos EUA por transportar cargas sujeitas a sanções; essa informação consta em uma análise da CNN sobre dados de navegação do CHNL, baseada nos números de identificação de registro das embarcações.

Além disso, a proliferação de navios da chamada "frota fantasma" — frequentemente embarcações mais antigas que utilizam manobras evasivas — está elevando os riscos ambientais ao longo da rota, impulsionada pela demanda da segunda maior economia do mundo, segundo especialistas.

Analistas e profissionais do setor também afirmam que entidades chinesas forneceram, discretamente, equipamentos essenciais para a instalação Arctic LNG-2, alvo de pesadas sanções dos EUA.

Os investidores estrangeiros do projeto — que incluíam duas empresas estatais chinesas, bem como a francesa TotalEnergies e um consórcio japonês — congelaram suas participações ou retiraram-se do empreendimento.

A participação da China no projeto — assim como no projeto Yamal LNG, da Rússia — está proporcionando às suas empresas um "conhecimento valioso", afirmou Harada, da Organização Japonesa para Segurança de Metais e Energia (JOGMEC), uma das parceiras estrangeiras que congelaram sua participação no Arctic LNG-2. "Elas estão aprendendo de maneira eficaz."

O principal motivo pelo qual a China tem conseguido desempenhar esse papel é a falta de acompanhamento das sanções por parte de Washington, segundo o analista de energia Kjell Eikland, diretor da Eikland Energy AS.

"É difícil superestimar a importância da China para a Rússia no que diz respeito ao comércio de energia ao longo da rota", disse ele.

Um Ocidente cauteloso

Mas o Ocidente tem estado atento.

O presidente dos EUA, Donald Trump, levantou a possibilidade de navios russos e chineses patrulharem as águas do Atlântico Norte, perto da Groenlândia, para justificar sua ameaça de tomar à força o território insular dinamarquês — uma questão que provocou uma divergência histórica com os aliados da Otan em Washington na Europa.

Washington também firmou um acordo de construção naval com a Finlândia para expandir a frota de quebra-gelos dos EUA, ao observar Pequim expandir a sua própria frota.

A chefe de política externa da UE (União Europeia), Kaja Kallas, alertou no início deste ano que a China poderia transformar rotas de navegação e cadeias de suprimentos do Ártico em instrumentos de pressão geopolítica.

Em julho, o chefe da Otan, Mark Rutte, afirmou que a aliança precisa se coordenar para enfrentar o "enorme risco de que a Rússia e a China obtenham cada vez mais acesso ao Ártico".

Observadores ocidentais estão alarmados com sinais de uma expansão incipiente da cooperação de segurança entre China e Rússia no extremo norte, incluindo um exercício conjunto com bombardeiros perto do Alasca e uma operação conjunta da guarda costeira em águas do Ártico, ambos realizados em 2024.

Eles também afirmam que missões de pesquisa chinesas — como o atual envio de sua crescente frota polar à região para uma expedição de quatro meses — poderiam fornecer dados cruciais aos militares chineses. Uma missão de pesquisa realizada no ano passado incluiu o envio de submersíveis para operar sob o gelo do Ártico.

Pequim tem refutado repetidamente tais alegações, afirmando que elas visam inflar a narrativa da "ameaça chinesa" e semear divisões na região. O governo chinês defende suas atividades no Ártico como iniciativas "voltadas para promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável", em conformidade com o direito internacional. Pequim também defende há muito tempo seu comércio com a Rússia — sua parceira próxima — e rejeita sanções unilaterais.

Moscou, por sua vez, é amplamente vista como cautelosa em relação a abrir as portas para o envolvimento da China em questões de segurança no Ártico; em vez disso, espera que a China continue comprando energia e ampliando seu papel no desenvolvimento da lucrativa Rota do Mar do Norte (NSR).

O "próximo passo"

Em um dia ensolarado de setembro do ano passado, na cidade portuária chinesa de Ningbo — não muito longe de Xangai —, executivos da empresa de transporte marítimo Sea Legend reuniram-se com autoridades locais de transporte em um terminal portuário.

Eles se juntaram sob os guindastes do cais para aplaudir e fotografar o grande momento: o carregamento do último contêiner no Istanbul Bridge, um navio de carga com destino Reino Unido.

Agora, essa viagem experimental, que durou cerca de 20 dias, deve se tornar uma rota regular de transporte pela primeira vez, com o objetivo de levar à Europa carros elétricos e híbridos fabricados na China, baterias de lítio e produtos de energia solar. A viagem deste fim de semana é a primeira de oito programadas para a Europa nesta temporada.

O objetivo é oferecer uma logística confiável "diante da atual situação internacional complexa e volátil", afirmou o CEO da Sea Legend, Li Xiaobin, em entrevista publicada no periódico financeiro chinês *Caixin* em outubro passado.

No início deste mês, o chefe da agência nuclear russa Rosatom, Alexey Likhachev, saudou o "serviço de linha regular" como o "próximo passo" no desenvolvimento do transporte marítimo sazonal e regular para a Europa. A Rosatom é a operadora da Rota do Mar do Norte.

Tanto a Sea Legend quanto a New New Shipping começaram a operar nessa rota apenas nos últimos anos — após a gigante estatal chinesa de transporte marítimo COSCO ter se juntado a outras empresas internacionais do setor e reduzido suas atividades em 2022.

O uso de novas empresas privadas para incursões no Ártico pode ser um sinal de cautela por parte de Pequim, disse Elizabeth Wishnick, especialista nas relações China-Rússia e pesquisadora sênior do CNA (Center for Naval Analyses), nos EUA.

Navegar pela rota, embora não viole diretamente as sanções ocidentais, pode acarretar riscos de transações com empresas incluídas em listas de sanções. "(A China) teve de criar novas empresas para evitar sanções", disse Wishnick.

A New New Shipping, que opera na rota desde 2023, atraiu a atenção internacional depois que uma de suas embarcações, o *New New Polar Bear*, supostamente danificou cabos submarinos e um gasoduto no Mar Báltico naquele ano.

O capitão do navio declarou-se inocente das acusações — que incluem danos criminais — em um processo que será julgado no início do próximo ano em Hong Kong, onde a empresa está registrada. As operações da New New Shipping no Ártico têm sido impulsionadas pelo comércio com a Rússia; a empresa não tem evitado esses vínculos, com seus representantes participando frequentemente de reuniões na Rússia e, segundo relatos, negociando parcerias para a construção de um projeto de águas profundas em um porto ártico.

Algumas outras empresas chinesas de transporte marítimo também passaram a operar nessa rota no último ano. No entanto, para todas as operadoras, as viagens permanecem limitadas e são altamente sazonais. No caso das rotas para a Europa — região com a qual a China mantém um enorme superávit comercial —, há também a questão da viabilidade da rota em ambos os sentidos.

Mas as empresas do setor são ambiciosas. Em declarações a jornalistas nesta semana, a Sea Legend afirmou que pretende viabilizar a "navegação durante todo o ano" pela rota do Ártico na próxima década.

Um futuro no Ártico?

Questões sobre a viabilidade sempre pairaram sobre a rota e sobre os sonhos dos líderes que buscam desenvolvê-la. Mesmo antes da guerra na Ucrânia, gigantes do transporte marítimo internacional mostravam-se céticos, e a rota continua sendo motivo de controvérsia.

A navegação pela rota exige registro junto a uma agência vinculada à Rosatom, da Rússia. A janela sazonal é curta. As condições ao longo do trajeto podem mudar rapidamente — e não é incomum que navios fiquem presos no gelo e precisem pedir socorro, mesmo no verão, quando as embarcações podem atravessar sem especificações para navegação no gelo ou escolta de quebra-gelos.

"A previsibilidade é algo que se deve levar em conta ao operar uma linha marítima, e o problema aqui é que existem diversas condições que causam atrasos", afirmou Stokvik, do CHNL, na Noruega.

O alto risco — e os desafios de lidar com eles — de derramamentos de petróleo e outros incidentes de segurança no clima hostil do Ártico constituem outro fator de dissuasão, assim como os custos ambientais da operação na região. Várias grandes empresas de logística internacional assinaram um compromisso de não utilizar a rota devido aos "impactos ambientais potencialmente devastadores" do aumento do tráfego de embarcações na área.

No entanto, os governos também estão cientes de que, com o derretimento do gelo nas próximas décadas, as temporadas de navegação poderão se estender e novas rotas poderão surgir, como uma possível rota transpolar que evite completamente a costa russa. Para a China, isso poderia oferecer uma via rápida para o Atlântico Norte.

Outras nações asiáticas também buscam formas de ampliar suas capacidades no Ártico, inclusive por meio da navegação pela Rota do Mar do Norte.

A empresa de navegação sul-coreana PanStar está se preparando para uma viagem de teste planejada para 22 de agosto, de Busan à Europa via NSR, depois que o presidente sul-coreano Lee Jae-myung declarou que o país estava determinado a "liderar a abertura da era da Rota do Mar do Norte".

Como pioneiras nessas linhas de navegação, as empresas chinesas — incluindo a COSCO, no passado — possuem uma "certa vantagem comparativa", segundo Zhao Long, pesquisador sênior do Instituto de Estudos Estratégicos e de Segurança Internacionais de Xangai; isso é especialmente relevante para um momento futuro em que a "situação geopolítica se normalize".

Nesse cenário, previu ele, "haverá uma nova onda de empresas chinesas indo para a Rússia para realizar mais investimentos no Ártico russo".

(Com informações de Fred He, Yoonjung Seo, Chris Lau e Anna Chernova, da CNN)

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