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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Temores com IA derrubam mercados globais nesta sexta-feira; Coreia do Sul aciona circuit breaker

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Bolsas europeias operam em forte queda, enquanto Japão e Coreia do Sul fecharam com perdas próximas de 6%. Movimento acompanha o tombo de Wall Street na 
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 06 de Novembro de 2.026 às 10h30m


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A tela exibe o Índice Composto de Preços das Ações da Coreia (KOSPI) em uma sala de negociação do Hana Bank em Seul, Coreia do Sul, na quinta-feira, 5 de novembro de 2026. — Foto: Lee Jin-man/AP
A tela exibe o Índice Composto de Preços das Ações da Coreia (KOSPI) em uma sala de negociação do Hana Bank em Seul, Coreia do Sul, na quinta-feira, 5 de novembro de 2026. — Foto: Lee Jin-man/AP

Apesar do desempenho misto das bolsas de Wall Street nesta sexta-feira (6), o forte tombo dos índices americanos na véspera se espalhou pelos mercados globais.

O movimento ocorre em meio às dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial (IA), agravadas pelo temor de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos resulte em regras mais rígidas e acabe restringindo a expansão dos centros de dados no país (entenda mais abaixo).

Enquanto os índices americanos operavam entre altas e baixas, as bolsas europeias tinham queda generalizada na sessão.

Perto das 12h, o Dow Jones caía 0,04%, enquanto o S&P 500 subia 0,61% e o Nasdaq Composite avançava 2,04%.

Já na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600, que reúne as principais empresas de 17 países europeus e serve como referência para o desempenho das bolsas da região, caía 1,39%.

Entre os demais índices acionários da região, o DAX, da Alemanha, caía 2,43% no mesmo horário, enquanto o CAC-40, da França, recuava 1,60% e o FTSE 100, do Reino Unido, perdia 1,84%.

Na Ásia, as principais bolsas de valores fecharam em forte queda nesta sexta-feira, acompanhando o tombo de Wall Street.

Japão e Coreia do Sul registraram algumas das maiores perdas, próximas de 6% no fechamento. Na bolsa sul-coreana, o índice Kospi, que acompanha o desempenho das principais empresas do país, chegou a despencar 8,8% durante o pregão.

A queda acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos extremos no mercado. Os negócios ficaram suspensos por 20 minutos. Após a retomada, o índice recuperou parte das perdas e fechou em queda de 6,02%.

Veja como fecharam as principais bolsas asiáticas:

  • Japão (Nikkei): queda de 5,96%, aos 57.434 pontos.
  • Coreia do Sul (Kospi): recuo de 6,02%, aos 5.059 pontos.
  • Taiwan (Taiex): baixa de 4,51%, aos 39.701 pontos.
  • Cingapura (Straits Times): queda de 2,17%, aos 5.181 pontos.
  • Hong Kong (Hang Seng): recuo de 1,27%, aos 24.481 pontos.
  • China (Xangai): baixa de 1,10%, aos 3.649 pontos.
  • China (CSI 300): queda de 1,44%, aos 4.054 pontos.
  • Austrália (S&P/ASX 200): recuo de 0,49%, aos 9.020 pontos.
Por que as bolsas estão caindo?

A onda de vendas começou em Wall Street. Na quinta-feira (5), o S&P 500, índice que reúne 500 das principais empresas americanas, teve o pior desempenho desde abril de 2025 — naquele mês, o presidente Donald Trump anunciou o “tarifaço”, como ficou conhecido o aumento de impostos sobre produtos importados.

Veja como fecharam os principais índices americanos:

  • S&P 500: queda de 4,4%, aos 7.353,73 pontos.
  • Dow Jones: recuo de 3,4%, aos 51.523,06 pontos.
  • Nasdaq: baixa de 5,5%, aos 24.315 pontos.

As perdas foram lideradas por empresas de tecnologia, em meio ao receio de que os investimentos bilionários em inteligência artificial não tragam o retorno esperado.

As chamadas "Sete Magníficas", grupo que reúne algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como Nvidia, Meta, Alphabet e Microsoft, perderam aproximadamente US$ 800 bilhões (R$ 4,4 trilhões) em valor de mercado, montante superior ao Produto Interno Bruto (PIB) da Suécia.

  • 🔍 Os investidores também se preocupam com o alto custo de construção dos data centers, grandes instalações que concentram servidores e outros equipamentos necessários ao funcionamento de sistemas de IA. O temor é que esses projetos desacelerem e que as empresas ligadas ao setor estejam supervalorizadas, o que poderia levar a uma correção mais forte nas ações.

Outro fator de incerteza foram as eleições de meio de mandato nos EUA. A vitória dos democratas aumentou o temor de maior fiscalização e de restrições à construção dessas instalações, em meio às preocupações com seu elevado consumo de energia.

Entre as empresas mais afetadas na quinta-feira estão:

  • Nvidia: queda de 9,3%.
  • AMD: recuo de 17,3%.
  • CoreWeave: baixa de 9,8%.
  • GE Vernova: queda de 7,5%.

Com as perdas, o Nasdaq, que concentra grandes empresas de tecnologia, ficou 11,9% abaixo do recorde registrado no mês passado.

Uma queda superior a 10% em relação a um pico recente é chamada, no mercado financeiro, de “correção”.

Apesar da queda, bolsas chinesas têm alta na semana

Na China e em Hong Kong, as bolsas recuperaram parte das perdas ao longo do pregão, com investidores em busca de ações que haviam ficado mais baratas e diante das medidas de apoio ao mercado adotadas por Pequim.

Apesar das perdas desta sexta-feira, os principais índices da China e de Hong Kong encerraram a semana em alta:

  • CSI 300 (China): avanço de 1,7%.
  • Xangai (China): alta de 1,4%.
  • Hang Seng (Hong Kong): valorização de 5,1%.
  • Hang Seng Tech (Hong Kong): alta de 8,6%.

As empresas chinesas ligadas à inteligência artificial, porém, também foram pressionadas pela onda de vendas no setor nos Estados Unidos. A Zhongji Innolight caiu 9,2%, enquanto a Eoptolink Technology recuou 7,3%.

Segundo analistas, investidores na China acompanham de perto os sinais de uma possível bolha no setor de IA nos Estados Unidos, que poderia ter reflexos também sobre as empresas chinesas.

* Com informações das agências de notícias Reuters e Associated Press

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Superesportivo da BYD chega a 503 km/h e bate recorde mundial de velocidade

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Modelo elétrico Yangwang U9 Xtreme superou sua própria marca e conquistou dois recordes reconhecidos pelo Guinness. Teste foi realizado em uma estrada de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 06 de Novembro de 2.026 às 09h50m


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Yangwang U9 — Foto: divulgação/BYD
Yangwang U9 — Foto: divulgação/BYD

O Yangwang U9 Xtreme, superesportivo elétrico da marca de ultraluxo da montadora chinesa BYD, atingiu 503,17 km/h e estabeleceu um novo recorde mundial de velocidade para carros de produção, segundo comunicado divulgado pela fabricante nesta sexta-feira (6).

A marca foi alcançada em 1º de novembro, durante um teste realizado em uma estrada de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. O veículo superou seu próprio recorde anterior, de 496,22 km/h, registrado em setembro de 2025, na Alemanha.

Segundo a BYD, o resultado garantiu ao modelo dois títulos do Guinness:

  • Maior velocidade alcançada por um carro de produção em uma única direção;
  • Maior velocidade registrada por um carro elétrico de produção nas mesmas condições.

A marca também foi reconhecida pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

O carro foi conduzido pelo piloto alemão Marc Basseng, que também estava ao volante quando o veículo estabeleceu seu recorde anterior.

Para realizar o teste, as autoridades locais autorizaram o fechamento de um trecho de 10 quilômetros de estrada. A maior reta disponível tinha sete quilômetros de extensão.

Os primeiros testes ocorreram em 31 de outubro, quando o carro chegou a 490 km/h. Após ajustes na suspensão, nos pneus e na aerodinâmica, a equipe realizou mais duas tentativas em 1º de novembro. Na última delas, o superesportivo atingiu os 503,17 km/h.

Como é o carro que ultrapassou os 500 km/h?

O Yangwang U9 Xtreme é uma versão mais potente do U9 convencional, superesportivo elétrico da BYD conhecido por acelerar mais rápido que uma Ferrari e até saltar sobre buracos.

A versão que bateu o recorde tem quatro motores elétricos, um em cada roda, que entregam uma potência combinada de aproximadamente 3.019 cavalos.

O modelo também conta com uma bateria de alta potência, pneus desenvolvidos para suportar velocidades extremas e uma suspensão inteligente, capaz de realizar ajustes automáticos para manter a estabilidade.

Já o U9 convencional tem quatro motores que, juntos, entregam cerca de 1.300 cavalos de potência. O veículo acelera de 0 a 100 km/h em apenas 2,3 segundos, superando a Ferrari SF90 Stradale, que leva 2,5 segundos para atingir a mesma velocidade.

Outra característica do superesportivo chinês é a capacidade de saltar sobre buracos e até "dançar" ao som de música.

Isso é possível graças a um sistema de suspensão hidráulica que permite elevar rapidamente o veículo. Segundo a BYD, o carro consegue realizar um salto em apenas meio segundo.

Em uma demonstração divulgada pela fabricante, o U9 chegou a 120 km/h e percorreu cerca de seis metros no ar ao saltar sobre um obstáculo.

O sistema também permite que o carro realize movimentos sincronizados com música e luzes, criando a impressão de que está dançando.

O U9 convencional ainda não é vendido no Brasil. Na China, seu preço parte de 1,68 milhão de yuans (cerca de R$ 1,38 milhão).

Já o Yangwang U9 Xtreme, responsável pelo novo recorde, terá produção limitada a apenas 30 unidades em todo o mundo.

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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

O que é o zeptoverso descoberto por cientistas, mundo 100 bilhões de vezes menor que um átomo

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Descoberta foi feita por equipe liderada por cientistas de Cambridge, no Reino Unido, a partir de experimento realizado no Grande Colisor de Hádrons.
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TOPO
Por BBC

Postado em 05 de Novembro de 2.026 às 20h00m

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Muitas partículas subatômicas são produzidas por colisões entre os componentes internos dos átomos — Foto: CERN/Getty Images
Muitas partículas subatômicas são produzidas por colisões entre os componentes internos dos átomos — Foto: CERN/Getty Images

Cientistas detectaram sinais na menor escala da natureza já explorada: 100 bilhões de vezes menor que um átomo.

É um mundo tão pequeno que alguns físicos o apelidaram de zeptoverso (referência ao zeptometro, unidade de medida que corresponde a um trilionésimo de um bilionésimo de metro, ou seja, 0,000000000000000000001 m).

A descoberta foi feita por uma equipe liderada por cientistas de Cambridge, no Reino Unido, a partir de um experimento realizado no Grande Colisor de Hádrons (conhecido pela sigla LHC, do inglês Large Hadron Collider).

Essa máquina gigantesca (LHC), instalada na Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), na fronteira entre a Suíça e a França, provoca colisões entre átomos para fragmentá-los e descobrir o que existe em seu interior.

O resultado é importante porque pode ajudar pesquisadores a desenvolver uma teoria nova e mais completa sobre o funcionamento do Universo.

'Às portas' do zeptoverso

A matéria escura é um dos maiores mistérios da ciência. Ela representa grande parte do Universo, mas os pesquisadores têm dificuldade para detectá-la.

A matéria escura constitui cerca de 25% da energia total do universo e é uma forma de matéria que não interage com a luz.

Os cientistas sabem que ela existe porque sua força gravitacional influencia a matéria comum. Sua presença é detectável apenas por seus efeitos gravitacionais na formação e evolução de estruturas no universo, como galáxias e aglomerados de galáxias. Em todos os outros aspectos, no entanto, ela permanece completamente invisível.

Nesse experimento, partículas foram submetidas a colisões de alta energia, e os cientistas analisaram o material liberado, os fragmentos produzidos pelos choques.

Entre essas partículas está o quark beauty, também conhecido como quark bottom, uma partícula subatômica, ou seja, menor que um átomo.

Essa partícula é instável e existe por apenas 1,5 trilionésimo de segundo antes de se transformar em outras partículas, em um processo conhecido como decaimento.

Apesar de sua existência tão breve, os pesquisadores conseguiram detectar sua interação com outras partículas minúsculas em uma escala de um sextilionésimo de metro.

Algumas teorias sugerem que, nessas escalas, as partículas são mais sensíveis à matéria escura, que poderia influenciar a forma como os quarks interagem e decaem. Por isso, detectar atividade nesse mundo minúsculo poderia ajudar os cientistas a identificar a matéria escura.

"Estamos batendo às portas desse zeptoverso", disse o físico Harry Cliff, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que liderou a análise dos dados, à BBC News.

Segundo Cliff, essa dança subatômica permite aos pesquisadores observar de perto o comportamento de possíveis novas partículas.

"E o que queremos fazer agora é entrar nesse mundo, explorá-lo e descobrir que novas partículas estão à nossa espera. Para isso, precisamos de mais dados", acrescentou Cliff.

O físico Harry Cliff faz parte da equipe de cientistas britânicos que participa da pesquisa — Foto: Joshua Falcon/BBC
O físico Harry Cliff faz parte da equipe de cientistas britânicos que participa da pesquisa — Foto: Joshua Falcon/BBC

Os 28 países que participam do projeto concordaram em investir 150 milhões de libras (cerca de R$ 1,1 bilhão) na modernização do detector LHCb, instalado no Grande Colisor de Hádrons (LHC). A melhoria permitiria aumentar em dez vezes a frequência com que esses decaimentos são registrados.

"Com isso, poderemos investigar o interior do zeptoverso e descobrir o que existe lá", disse Cliff, da Universidade de Cambridge.

Mas, no ano passado, a agência de Pesquisa e Inovação do Reino Unido (UKRI, na sigla em inglês), órgão governamental responsável pelo financiamento de pesquisas, anunciou que deixaria de contribuir com sua parcela dos recursos destinados à modernização.

Posteriormente, a agência anunciou, durante o verão, cortes no financiamento de vários outros projetos de física de partículas e astronomia, incluindo o emblemático telescópio Lovell, do Observatório Jodrell Bank.

Embora a pesquisa tenha sido liderada por cientistas de Cambridge, os cortes colocam em dúvida a participação plena do Reino Unido nos próximos estudos, segundo Tim Gershon, professor que coordena a colaboração científica internacional do LHCb, em entrevista à BBC News.

"O Reino Unido corre o risco de ficar de fora e deixar de participar de descobertas realmente importantes", disse Gershon. "Mas acho que o maior impacto a longo prazo será o fato de o Reino Unido deixar de colher os benefícios da formação de jovens pesquisadores, que são, de fato, o nosso maior patrimônio."

A pesquisadora Mary Richardson-Slipper está em dúvida se continua sua carreira na área de física no Reino Unido ou se procura trabalho no exterior — Foto: Joshua Falcon/BBC
A pesquisadora Mary Richardson-Slipper está em dúvida se continua sua carreira na área de física no Reino Unido ou se procura trabalho no exterior — Foto: Joshua Falcon/BBC

Entre esses pesquisadores em início de carreira está Mary Richardson-Slipper, integrante da equipe responsável pela descoberta do zeptoverso. Diante dos cortes no financiamento da física, ela está repensando seu futuro profissional.

"Adoro estar aqui no Reino Unido, mas estou procurando emprego no exterior porque parece haver mais oportunidades fora do país neste momento", disse Richardson-Slipper.

Ela acrescentou que "muitos" de seus colegas que trabalham com pesquisa em física fundamental já se mudaram para outros países.

Os cortes ocorrem apesar de um aumento recorde no orçamento geral destinado à ciência.

O físico Brian Cox, apresentador de televisão e pesquisador de física de partículas da Universidade de Manchester, no Reino Unido, que não participou do estudo, avaliou o resultado como "importante".

E criticou a recente decisão de cortar o financiamento britânico ao projeto do Cern.

"Seria extraordinário abrir mão da liderança científica do Reino Unido neste momento, prejudicando o futuro programa de pesquisas e causando sérios danos à nossa reputação internacional, conquistada com tanto esforço", disse Cox.

A UKRI disse à BBC News que o Reino Unido continua plenamente envolvido no Cern, do qual é a segunda maior financiadora, com uma contribuição de cerca de 175 milhões de libras por ano (aproximadamente R$ 1,3 bilhão).

Um porta-voz da UKRI afirmou: "Buscamos orientação independente e decidimos avançar com um conjunto promissor de novos investimentos em infraestrutura, que incluem projetos nas áreas de energia limpa, diagnóstico por imagem e patrimônio cultural."

"No entanto, como costuma acontecer, recebemos mais propostas promissoras de financiamento do que tínhamos condições de apoiar."

Reportagem adicional de Alejandra Martins

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Governo estabelece lista de minerais críticos e estratégicos para o país

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Decreto cria três níveis de prioridade para 27 grupos de minerais e define critérios para classificação
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Por Pedro José Borges
postado em 05/11/2026 18:08 / atualizado em 05/11/2026 19:01
Postado em 05 de Novembro de 2.026 às 19h15m 

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A Classe I, de prioridade alta, reúne substâncias que exigem atuação prioritária do poder público, em razão da relevância para os interesses nacionais e da intensidade dos riscos ou oportunidades estratégicas. -  (crédito: Divulgação Sigma Lithium)
(crédito: Divulgação Sigma Lithium)

A Classe I, de prioridade alta, reúne substâncias que exigem atuação prioritária do poder público, em razão da relevância para os interesses nacionais e da intensidade dos riscos ou oportunidades estratégicas.

O governo federal regulamentou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e estabeleceu critérios para classificar os recursos minerais considerados prioritários para o país. O decreto, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) nesta quarta-feira (4/11).

A norma também define as diretrizes de atuação do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce), responsável por elaborar e atualizar a lista oficial dessas substâncias. A relação será revisada a cada quatro anos.A classificação considera fatores como risco geopolítico, concentração da oferta, possibilidade de substituição, participação do Brasil na cadeia produtiva e dependência de importações. O decreto divide os minerais em três classes, conforme o nível de prioridade de atuação do Estado.

A Classe I, de prioridade alta, reúne substâncias que exigem atuação prioritária do poder público, em razão da relevância para os interesses nacionais e da intensidade dos riscos ou oportunidades estratégicas. Estão nessa categoria terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio.

A Classe II, de prioridade média, abrange minerais que justificam medidas para desenvolver ou fortalecer cadeias produtivas e reduzir vulnerabilidades. A lista inclui tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre.

Já a Classe III, de prioridade baixa, contempla substâncias submetidas a monitoramento estratégico e reavaliação periódica. Fazem parte desse grupo nióbio, estanho, ferro, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e metais do grupo da platina.

Durante o evento de apresentação dos níveis de prioridade, o presidente Lula afirmou que a política busca ampliar a participação brasileira na exploração e no processamento de recursos minerais. Ele defendeu a cooperação com outros países e a atração de investimentos privados para o setor. “O objetivo atual é demonstrar que é possível construir um país diferente”, afirmou.

Lula disse que o governo não pretende concentrar o controle da exploração e da industrialização mineral, mas estabelecer parcerias para desenvolver essas atividades.

“O foco é construir parcerias e aprender a desenvolver o processo de transformação e exploração mineral junto a outros países interessados. Para atrair capital, é indispensável agir com seriedade. Ninguém investirá recursos por causa da imagem dos governantes, mas sim ao perceber que o investimento gerará benefícios mútuos e retorno financeiro. Por essa razão, é fundamental manter a responsabilidade jurídica e a responsabilidade fiscal”, declarou.

O presidente também afirmou que a atração de investimentos depende da organização da economia e da segurança na execução dos projetos. “É preciso provar a quem votou que valeu a pena a mobilização do povo nas ruas, nas redes e o esforço dos idosos para apoiar um projeto que devolve a dignidade ao Brasil”, explicou.

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Endividamento recua pelo 2º mês seguido, mas ainda atinge 81,6% das famílias

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A parcela de famílias que se consideram muito endividadas recuou ao menor nível em seis meses, enquanto a inadimplência também apresentou queda pelo segundo mês consecutivo.
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Por Ismael Jales, g1 — São Paulo

Postado em 05 de Novembro de 2.026 às 11h30m

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Educador financeiro explica como endividamento afeta a vida das pessoas
Educador financeiro explica como endividamento afeta a vida das pessoas

A parcela de Famílias brasileiras com algum tipo de dívida a vencer, como cartão de crédito, financiamento ou empréstimo, ficou em 81,6% em outubro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (5) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O índice teve queda de apenas 0,1 ponto percentual na comparação com setembro, mas continua acima dos 79,5% registrados no mesmo mês de 2025.

Já a parcela de famílias que se consideram muito endividadas caiu de 17,3% em setembro para 16,8% em outubro. O resultado é o menor desde abril, quando o indicador marcou 16,4%.

  • 💵 Endividamento: considera famílias que têm algum tipo de dívida, como cartão de crédito, cheque especial, empréstimos ou financiamentos, mesmo que estejam pagando as parcelas em dia.
  • 💵 Inadimplência: considera famílias que têm contas ou parcelas em atraso, ou seja, que não conseguiram pagar suas dívidas no prazo.

A inadimplência também apresentou melhora pelo segundo mês consecutivo. A parcela de famílias com dívidas em atraso passou de 29,6% em setembro para 29,3% em outubro, atingindo o menor patamar de 2026.

A CNC projeta que a redução do endividamento continue nos últimos meses do ano, impulsionada pelo pagamento da segunda parcela do 13º salário. "As famílias têm privilegiado o abatimento ou a quitação de dívidas, até em detrimento do consumo", explicou ao g1.

Mas ele pondera que a trajetória dos juros será determinante para a evolução do endividamento em 2027. Com a manutenção da taxa básica em patamar elevado, a expectativa é de uma redução mais lenta dos juros, o que pode limitar o crescimento da economia e dificultar a recuperação financeira das famílias, especialmente as de menor renda.

Ele reforça que o peso dos juros sobre as famílias vai muito além da Selic e aponta o rotativo do cartão de crédito como um dos principais vilões do endividamento. Segundo Bentes, enquanto a taxa básica está em 13,75% ao ano, os juros médios do rotativo chegam a 440% ao ano.

"Quando essa taxa do rotativo está lá em cima, isso dificulta muito esse reequilíbrio. É uma dívida que dobra em menos de cinco meses", afirma.

PEIC — Foto: g1
PEIC — Foto: g1

Inadimplência recua pelo segundo mês seguido

A parcela de famílias com dívidas em atraso caiu de 29,6% em setembro para 29,3% em outubro. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o indicador estava em 30,5%, houve recuo de 1,2 ponto percentual.

➡️ Também diminuiu o percentual de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas atrasadas. O indicador passou de 12,5% para 12,2% no mês. Em outubro de 2025, estava em 13,2%.

O tempo médio de atraso das dívidas recuou para 65,1 dias. Ainda assim, quase metade das dívidas em atraso (48,8%) estava vencida havia mais de 90 dias.

Menos famílias se consideram muito endividadas

Além da queda na inadimplência, a pesquisa mostra uma redução na parcela de famílias que se consideram muito endividadas.

O percentual passou de 17,3% em setembro para 16,8% em outubro, menor nível desde abril. Já a proporção de famílias que se consideram pouco endividadas subiu de 34,9% para 35,8%.

As famílias que se consideram mais ou menos endividadas representaram 29% do total, ante 29,5% no mês anterior.

Já a parcela de consumidores que disseram não ter dívidas passou de 18,1% para 18,2%.

O comprometimento da renda também apresentou melhora. Em outubro, 19,3% das famílias destinavam mais da metade dos rendimentos ao pagamento de dívidas.

Inadimplência tem comportamento diferente conforme a renda

A evolução da inadimplência não foi igual em todas as faixas de renda analisadas pela pesquisa.

  • Entre as famílias que ganham até três salários mínimos, o percentual de inadimplentes subiu de 38,5% em setembro para 38,6% em outubro. Foi a única faixa em que o indicador avançou no período.
  • Já entre aquelas com renda de três a cinco salários mínimos, a inadimplência caiu de 27,8% para 27,1%.
  • Na faixa de cinco a dez salários mínimos, o percentual recuou de 20,2% para 19,7%.
  • Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o indicador permaneceu estável em 15%.

A diferença também aparece na proporção de famílias endividadas.

➡️ Entre aquelas que recebem até três salários mínimos, 84,5% tinham dívidas em outubro. Na faixa de três a cinco salários mínimos, o percentual era de 83,3%.

Entre as famílias com renda de cinco a dez salários mínimos, o endividamento subiu de 77,9% para 79,3%. Já entre aquelas que recebem mais de dez salários mínimos, caiu de 71,9% para 71,5%.

PEIC — Foto: g1
PEIC — Foto: g1

Para Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN), conhecido como Dr. Dívidas, a diferença entre as faixas de renda pode ser explicada por uma combinação de fatores, como medidas governamentais de transferência de renda, recuperação do poder de compra, mudanças na tributação do Imposto de Renda Pessoa Física e aquecimento do mercado de trabalho.

Segundo ele, as famílias que recebem entre 3 e 5 salários mínimos podem estar conseguindo absorver melhor esses efeitos, seja pelo aumento da renda, seja pela maior capacidade de reorganizar seus compromissos financeiros.

Já entre aquelas com renda de até 3 salários mínimos, os impactos positivos ainda não são plenamente sentidos. Isso porque uma parcela significativa do orçamento continua comprometida com despesas essenciais, como alimentação, moradia, transporte e serviços básicos.

"Não podemos olhar apenas para o crescimento da renda nominal. Precisamos avaliar quanto efetivamente sobra no orçamento familiar depois de pagar as contas", afirma.

Para Domingos, é justamente nessa faixa de renda que a falta de educação financeira se torna ainda mais preocupante.

Aposentada que nega ter contratado cartão consignado deve receber indenização de banco em MG — Foto: Envato Elements / Imagem Ilustrativa
Aposentada que nega ter contratado cartão consignado deve receber indenização de banco em MG — Foto: Envato Elements / Imagem Ilustrativa

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