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domingo, 31 de maio de 2026

Análise: A guerra do Irã e a trégua que ninguém assinou

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No meio, ficam os árabes alvejados pelo vizinho que cortejavam, uma Europa que se descobriu exposta e uma China que prefere a estabilidade do petróleo a qualquer alinhamento
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Thiago de Aragão, especial para a CNN Brasil*
30/05/26 às 03:15 | Atualizado 30/05/26 às 03:37
Postado em 31 de Maio de 2.026 às 06h00m
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Pessoas passam por outdoor anti-EUA em Teerã, Irã
Pessoas passam por outdoor anti-EUA em Teerã, Irã  • Majid Asgaripour/WANA via Reuters

Há uma cena que resume o estado da guerra do Irã melhor do que qualquer comunicado oficial. Na quinta-feira (28), negociadores americanos e iranianos fecharam um MoU (memorando de entendimento) para estender por 60 dias o cessar-fogo e reabrir as conversas sobre o programa nuclear.

No mesmo dia, os Estados Unidos bombardearam drones e um sítio de lançamento iraniano perto do Estreito de Ormuz, o Irã disparou contra uma base americana no Kuwait, e o Kuwait interceptou um míssil. O acordo nasceu sendo violado.

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E, detalhe que não é pequeno, Donald Trump ainda não o assinou. Pediu alguns dias para pensar. Teerã, por sua vez, avisou que qualquer narrativa ocidental sobre um acordo finalizado não vale nada enquanto não comunicar oficialmente o mediador paquistanês.



Esse é o retrato fiel de maio de 2026: não há guerra plena nem paz, há um interregno tenso que o mercado de petróleo já precificou como otimismo (o brent caiu abaixo de US$ 91 na sexta, acumulando queda de cerca de 15% no mês) e que os comandantes no terreno tratam como mera pausa para recarregar.

A guerra que começou em 28 de fevereiro não é a Guerra dos Doze Dias de junho de 2025. É outra coisa, de outra magnitude.

EUA e Israel lançaram a Operação Epic Fury (Roaring Lion, no codinome israelense) durante negociações nucleares ainda em curso, no mês do Ramadã, e a salva de abertura matou o próprio líder supremo, Ali Khamenei. O Irã respondeu com a Operação True Promise IV, que sua mídia estatal apelidou deGuerra do Ramadã.

Mojtaba Khamenei foi designado sucessor em 8 de março. Houve um cessar-fogo mediado pelo Paquistão em 8 de abril, que ruiu nas Conversas de Islamabad. Desde 13 de abril vige um duplo bloqueio: a Marinha americana bloqueia o Irã, e o Irã bloqueia o Golfo Pérsico. É esse impasse que o MoU de 60 dias tenta destravar.

O ponto que o noticiário daqui simplifica como Irã fechou o estreito é, na verdade, uma disputa de soberania com implicações de direito do mar.

Teerã não quer apenas reabrir Ormuz. Quer institucionalizar um controle que não tinha antes da guerra, propondo gestão conjunta com Omã, já que o canal navegável passa pelas águas territoriais dos dois países.

Pela Convenção do Mar, não se pode cobrar pedágio pela passagem por um estreito internacional, mas é possível cobrar por serviços prestados às embarcações - e é exatamente nessa brecha que o Irã trabalha.

A ideia tem mais idade do que parece. Da metade do século XV até 1857, a Dinamarca cobrou o chamado Sound Dues de todo navio que cruzasse o estreito de Øresund, na entrada do Báltico, uma taxa que o rei Erico da Pomerânia inventou e que só foi abolida pela Convenção de Copenhague, quando as potências marítimas pagaram à coroa dinamarquesa uma indenização à vista para se livrar dela de vez.

Teerã está reinventando o pedágio dinamarquês com vocabulário do século XXI. Chama de taxa ambiental, não de pedágio, e a diferença é puramente semântica. Os EUA rejeitam qualquer forma de controle iraniano.

O detalhe revelador, pouco comentado fora da região: o secretário do Tesouro, Scott Bessent, ameaçou sancionar Omã, aliado próximo de Washington, caso o sultanato facilite a cobrança. Quando você precisa ameaçar o próprio aliado para sustentar sua posição, o problema deixou de ser militar. Virou arquitetura de ordem regional.

O MoU prevê passagem irrestrita e a remoção das minas iranianas em até 30 dias, mas o próprio texto se contradiz: a CNN aponta divergências sobre se ele inclui a retirada de forças americanas e o fim do bloqueio aos portos iranianos. Teerã afirma que sim. Washington nega.

Enquanto isso, dezenas de milhares de marítimos seguem presos ao longo do canal, os prêmios de seguro de guerra continuam proibitivos, e o jamming de GPS persiste.

Convém lembrar a escala do choque.

No auge, em março, o bloqueio retirou cerca de 20% do comércio global de petróleo e forçou os produtores do Golfo a cortar perto de 10 milhões de barris/dia, com o brent batendo US$ 119,50 em 9 de março, o maior valor desde 2022. Os EUA chegaram ao ponto de suspender temporariamente restrições à compra de petróleo russo para aliviar preços, uma ironia que diz muito sobre a urgência.

A história que quase não circula no Brasil é a das monarquias do Golfo, que vinham normalizando relações com Teerã e foram alvejadas mesmo assim. Bahrein, Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Emirados e Jordânia receberam mísseis e drones iranianos. O Catar tornou-se o primeiro país árabe a abater aeronaves iranianas (dois bombardeiros Su-24), e ainda assim Doha negou publicamente ter aderido à campanha contra o Irã, numa diplomacia de equilíbrio difícil de sustentar.

Houve fogo amigo de proporções constrangedoras: um F/A-18 da Força Aérea do Kuwait derrubou três caças americanos F-15E. E, num dado que define a posição árabe, a Resolução 2817 do Conselho de Segurança das ONU (Nações Unidas) condenou as represálias iranianas contra os países do Golfo, e não os ataques americano-israelenses que iniciaram tudo.

Quando os houthis do Iêmen entraram na guerra em 28 de março e ameaçaram fechar também o Bab al-Mandeb, ficou claro o que estava em jogo: não um conflito Irã contra Israel, mas o estilhaçamento de toda a arquitetura de segurança do Golfo.

Para o leitor brasileiro, a guerra é EUA, Israel e Irã. A leitura europeia é outra. O E3 (Reino Unido, França e Alemanha) comprometeu-se com medidas defensivas proporcionais. Formou-se uma coalizão naval em torno do Chipre: Itália, Países Baixos e Espanha enviaram navios; a Grécia, fragatas e F-16; a Irlanda se ofereceu.

A base britânica de Akrotiri, no Chipre, foi atingida por drone. Mísseis iranianos foram interceptados pela defesa integrada da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) sobre território turco em pelo menos três ocasiões (Dörtyol, em Hatay; Gaziantep; e perto de Incirlik, em Adana), com o secretário-geral Mark Rutte reafirmando o compromisso de defender a Turquia.

Bombardeiros americanos B-1 e B-52 se posicionaram em Fairford, no Reino Unido, e em Ramstein, na Alemanha. Um soldado francês morreu num ataque de drone a uma base no Curdistão iraquiano, morte confirmada por Emmanuel Macron.

O episódio mais revelador, porém, foi de recusa: em 16 de março, tanto os aliados europeus da Otan quanto a China rejeitaram o apelo de Donald Trump para ajudar a reabrir Ormuz, levando o presidente a chamar a decisão de erro muito tolo. Foi a primeira vez em muito tempo que Bruxelas e Pequim convergiram contra Washington num teatro de guerra ativo.

Por dentro, o Irã vive sob restrição. Os ciberataques de abertura derrubaram a internet do país por mais de 60 horas, com a conectividade caindo a 1% do normal, e o acesso segue racionado a usuários aprovados pelo governo.

A guerra foi precedida pelo retorno das sanções via mecanismo desnapback em setembro de 2025 e pelo colapso do rial, que Bessent celebrou em dezembro como a culminação grandiosa da pressão máxima, além dos massacres de manifestantes em janeiro de 2026.

No plano nuclear, vale separar o que a Aiea (Agência Internacional de Energia Atômica) de fato diz do que se atribui a ela: a agência classifica o programa iraniano como ambicioso, reclama do bloqueio às inspeções dos sítios bombardeados, mas afirma não haver evidência de armamentização em curso.

A leitura britânica e americana descreve a estratégia de Teerã como hedging nuclear: manter a infraestrutura técnica para montar uma arma em curto prazo sem efetivamente produzi-la.

As avaliações mais incisivas vão além: o estoque de urânio enriquecido seria alavanca de barganha, e o Irã estaria disposto a diluí-lo ou exportá-lo em troca de alívio de sanções e garantias de segurança.

Não por acaso, fontes ligadas à negociação afirmam que Teerã teria conseguido incluir no MoU a liberação de cerca de US$ 12 bilhões, metade de seus ativos congelados no exterior.

Há ainda um custo civilizatório raramente mencionado: a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e a Blue Shield International classificaram como crime de guerra os danos a sítios protegidos, do Palácio Golestan ao pavilhão Chehel Sotoun e a monumentos de Isfahan.

Um aviso metodológico que todo analista honesto precisa fazer. Os números são névoa. EUA, Israel e Irã impuseram censura pesada, e vítimas e eventos específicos são difíceis de verificar de forma independente. O Irã reporta cerca de 3.468 mortos, enquanto organizações de direitos humanos falam em 3.636. EUA e Israel estimam mais de 6.000 militares iranianos mortos. O próprio governo iraniano avalia o prejuízo econômico entre US$ 300 bilhões e US$ 1 trilhão.

Para o Brasil, o efeito imediato é ambíguo, e a eleição de 2026 eleva o que está em jogo. O brent saltou 22,9% nos primeiros 30 dias de guerra e, embora tenha recuado para perto de US$ 90 com o otimismo da trégua, a volatilidade beneficiou Petrobras e PRIO e ajudou a levar o Ibovespa a um recorde de cerca de 194 mil pontos em abril.

Como o Estado é grande acionista da estatal, o brent alto melhora dividendos e a foto fiscal. O problema é o repasse.

O Brasil importa gasolina, diesel e fertilizantes (boa parte do Oriente Médio), e a privatização de refinarias como a RLAM (Refinaria Landulpho Alves) reduziu a capacidade da Petrobras de amortecer preços, como nota Adriano Pires, da CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura).

Em ano eleitoral, ressurge a tentação histórica de segurar combustível artificialmente, deteriorando as contas da estatal, enquanto o choque energético se sobrepõe ao protecionismo tarifário americano e cria terreno para estagflação (a Coface já fala em pressão na cesta básica chegando à safra 2026/27).

O contraponto otimista, lembrado pelo Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis): com 80% do petróleo de Ormuz indo para a Ásia, a queda da oferta do Oriente Médio abre espaço para a Petrobras ampliar exportações à China, que talvez consiga segurar a ausência iraniana por cerca de dois meses.

A pergunta que vale não é se Trump assina o MoU. É se a estrutura de incentivos permite que ele dure. O Irã quer transformar Ormuz em ativo soberano permanente. Os EUA querem o estreito aberto, o urânio enriquecido fora do país e o programa nuclear encerrado, três condições que Teerã trata como negociáveis em fases, não em bloco.


No meio, ficam os árabes alvejados pelo vizinho que cortejavam, uma Europa que se descobriu exposta sem ter escolhido, e uma China que prefere a estabilidade do fluxo de petróleo a qualquer alinhamento.

Enquanto cada incidente isolado, um drone aqui, um míssil no Kuwait ali, reativa o prêmio de risco no brent, a trégua seguirá sendo o que é hoje: real o suficiente para mover mercados, frágil o suficiente para não tirar ninguém do seu posto de combate.

* Thiago de Aragão é CEO da Arko Internacional

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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Juiz manda retirar nome de Trump do Kennedy Center

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Decisão judicial afirma que o espaço cultural não pode ser renomeado sem a aprovação do Congresso americano
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Mike Scarcella, da Reuters, Washington
29/05/26 às 17:32 | Atualizado 29/05/26 às 17:32
Postado em 29 de Maio de 2.026 às 18h00m
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Juiz dos EUA determina a retirada do nome de Trump do Kennedy Center  • Reuters

Um juiz de Washington determinou a remoção do nome do presidente Donald Trump do Kennedy Center for the Performing Arts, nesta sexta (29), decidindo que o icônico espaço cultural da capital americana não pode ser renomeado sem um ato do Congresso.

Segundo a decisão do juiz distrital Christopher Cooper, a administração Trump deve remover todas as placas físicas com o nome de Trump e eliminar quaisquer referências a um Trump Kennedy Center de materiais oficiais em até 14 dias.

O estatuto orgânico do Kennedy Center deixa absolutamente claro que o centro deve ser nomeado em homenagem ao presidente Kennedy, e não pode ter qualquer outro nome formal ou memorial público baseado na decisão unilateral da diretoria, escreveu Cooper. O Congresso deu ao Kennedy Center seu nome, e somente o Congresso pode alterá-lo.

O juiz afirmou que sua decisão não pretende ditar como o centro deve ser administrado, nem prescreve qualquer plano específico para a instituição — construção, fechamento ou outro — daqui para frente.

Cooper tomou a decisão em uma ação movida pela deputada democrata de Ohio, Joyce Beatty, membro do conselho do Kennedy Center por sua posição no Congresso. Beatty declarou após a decisão queo Kennedy Center é uma instituição que pertence ao povo americano, não a Donald Trump.

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A Casa Branca não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.

O plano de Trump para reformar o centro faz parte de um esforço mais amplo do líder republicano para remodelar o núcleo monumental de Washington. Ele também pretende erguer um arco de 76 metros e construir um salão de festas de mais de 8.300 metros quadrados  no local da demolida Ala Leste da Casa Branca.

Esses esforços também enfrentam desafios judiciais. Um tribunal federal de apelações permitiu que a administração Trump prosseguisse com a construção do salão enquanto o caso é analisado.

A ordem de Cooper também suspende o fechamento planejado de dois anos do edifício pela administração Trump. O juiz afirmou que sua decisão não impede o Kennedy Center de prosseguir com obras de reparo de capital planejadas, que, segundo os registros do processo, são urgentemente necessárias.

A diretoria ainda poderia fechar o centro, escreveu Cooper, caso chegue a essa decisão novamente após avaliar de forma independente suas múltiplas obrigações com o Centro de maneira prudente.

Beatty processou a administração Trump em dezembro, chamando a mudança de nome do prédio de uma flagrante violação do Estado de Direito que vai contra a nossa ordem constitucional.

Seus advogados, em um comunicado, elogiaram a decisão de Cooper. Este é um golpe poderoso contra a corrupção da administração Trump, disseram os advogados Norm Eisen e Nathaniel Zelinsky.

O Kennedy Center foi inaugurado em 1971 como um memorial vivo ao falecido presidente John F. Kennedy.

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Lula defende soberania após decisão dos EUA sobre PCC e CV: 'Não aceitamos ser tratados como moleques'

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Presidente condenou decisão dos Estados Unidos e afirmou que está atuando no combate às facções internamente. Ele pediu que governo americano 'comece' o combate ao crime entregando os foragidos que moram lá.
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Por Kellen Barreto, Ana Flávia Castro, g1 — Brasília

Postado em 29 de Maio de 2.026 às 12h55m
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Lula condena decisão dos EUA sobre facções: 'Não aceitamos ser tratados como moleques'
Lula condena decisão dos EUA sobre facções: 'Não aceitamos ser tratados como moleques'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (29), que o governo brasileiro pretende combater internamente o crime organizado e que não vai aceitar intervenções internacionais, após o anúncio dos Estados Unidos de classificar facções criminosas como organizações terroristas estrangeiras.

Nessa quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos EUA, chefiado por Marco Rubio, anunciou que vai classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas.

Esta foi a primeira vez que Lula comentou o tema. Em discurso durante um evento em Sergipe, o petista defendeu a soberania do país. Ele disse: "Não aceitamos ser tratados como moleques", ou como uma "republiqueta".

Afirma que é "deplorável" que "mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil", como já fizeram com o tarifaço (leia mais abaixo).

Lula durante evento em Manaus — Foto: Ricardo Stuckert / PR
Lula durante evento em Manaus — Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente está em Sergipe nesta sexta para anúncios de investimentos na Petrobras e visitas a hospitais. Durante seu discurso, ele tocou no assunto afirmando que estava muito "decepcionado" por conta do anúncio norte-americano.

"Estou muito triste hoje, com a notícia de que o Secretário dos Estados Unidos, da América do Norte, um tal de Marco Rubio disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção", afirmou o petista.

Segundo Lula, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) são, de fato, terroristas para cidadãos que moram em regiões de periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. Por isso, serão combatidos internamente.

"Nós aprovamos uma Lei Antifacção, e aprovamos a lei para combater o crime organizado, e vamos combater. Eles não são os terroristas que o Trump quer, o Trump quer o Osama Bin Laden...e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá", prosseguiu.

"Porque as armas importadas que estão sendo contrabandeadas pro Brasil vêm dos Estados Unidos". A Polícia Federal entregou um documento para o Trump. O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado, e vamos começar pelo seu estado de Delaware que tem lavagem de dinheiro de brasileiros.

🔎A fala de Delaware tem a ver com um monitoramento feito pelo governo sobre lavagem de dinnheiro e fraudes tributárias. Segundo a PF, a Receita e o Ministério da Fazenda, criminosos usam o estado nos EUA como paraíso fiscal para tirar ilegalmente dinheiro do país, sem a devida declaração, e depois trazê-lo de volta lavado.

Em seguida, Lula citou o caso do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, foragido após ser condenado, junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tramar um golpe de Estado no país. Ele mora em território americano enquanto aguarda um pedido de asilo.

Foto de arquivo de 17/07/2024. Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da ABIN, chega para prestar depoimento na sede da Polí­cia Federal, no Rio de Janeiro. — Foto: PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO
Foto de arquivo de 17/07/2024. Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da ABIN, chega para prestar depoimento na sede da Polí­cia Federal, no Rio de Janeiro. — Foto: PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO

Ramagem chegou a ser preso em abril, e liberado dois dias depois. O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos EUA disse à PF que ele poderá aguardar em liberdade nos EUA a conclusão de um processo de pedido de asilo.

"Vamos começar entregando o Ramagem que está escondido lá. Começar entregando o maior contrabandista de combustíveis do país, o Ricardo Magro [dono da Refit], a PF e a Receita apreenderam R$ 250 milhões de combustível que eles estão contrabandeando e ele está morando em Miami. Eu entreguei para o Trump o nome dele e a fotografia da casa dele. Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos".

O advogado e empresário Ricardo Magro, que comanda o Grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, foi alvo de operação da PF e está foragido. O grupo é considerado um dos maiores devedores de impostos do país.

Lula então afirmou: "Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta", destacou. 
Viagem de Flávio aos EUA

Trump e Flávio se encontraram nesta terça-feira (26) em Washington. Os dois posaram para foto após a reunião na Casa Branca. No dia seguinte, ele foi recebido por Marco Rubio.

Na quinta, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que classificou as duas facções como organizações terroristas.

"Eu tive três horas com o presidente Trump, entreguei quatro documentos a ele. O sr. Marco Rubio não estava lá, possivelmente porque ele estava preparado a ajudar um filho de bolsonarista que é candidato a eleição no país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil", afirmou.

EUA classificam CV e PCC como organizações terroristas
EUA classificam CV e PCC como organizações terroristas

Legalmente, a decisão final cabe ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que responde diretamente ao presidente dos EUA, Donald Trump. Presume-se que haja um aval da Casa Branca e que as designações sejam um consenso na alta cúpula do governo dos EUA.

O anúncio foi feito um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com Marco Rubio.

Nota do Planalto

No texto, o governo afirma que "medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime".

Além disso, "podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros".

"Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país", prossegue o texto.

"A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança", conclui.

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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Análise: Trump vincula acordo com Irã a Acordos de Abraão

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Analistas avaliam as condições impostas por Trump para um acordo com Teerã e a expansão militar israelense no Líbano
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Da CNN Brasil
28/05/26 às 11:10 | Atualizado 28/05/26 às 11:15
Postado em 28 de Maio de 2.026 às 12h00
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a vincular um eventual acordo com o Irã à adesão de países árabes aos Acordos de Abraão, que visam normalizar as relações desses países com Israel. A declaração foi feita em uma publicação extensa na rede social do líder americano e reacende o debate sobre as reais possibilidades de um entendimento diplomático na região.

Segundo o que foi divulgado, Trump já havia indicado no início da semana que países como Catar e Arábia Saudita deveriam estabelecer relações diplomáticas com Israel como parte de um acordo entre Washington e Teerã.

A TV estatal iraniana chegou a divulgar o que seria um memorando de entendimento em discussão entre os dois países, no qual o bloqueio militar americano a portos iranianos seria suspenso em troca da retomada do tráfego pré-guerra no Estreito de Ormuz em até 30 dias. A Casa Branca, porém, classificou a reportagem como uma "invenção completa".

Possibilidade próxima de zero para Acordos de Abraão

O professor de Relações Internacionais da ESPM e da Unifa Gunther Rudzit avalia que a Arábia Saudita vinha se afastando progressivamente de qualquer normalização com Israel desde o início dos conflitos na região.

Recentemente, o país assinou uma aliança militar com o Paquistão e declarou que não há como firmar um acordo de normalização enquanto não houver a criação de um Estado palestino. "Diante da postura do governo de Benjamin Netanyahu, o Estado palestino não vai existir. Portanto, sim, a possibilidade é zero", afirmou Rudzit.

Mãos atadas: os limites de Trump diante do conflito

Lourival Sant'Anna também destacou que os americanos têm se contido militarmente. Apesar de terem derrubado quatro drones iranianos recentemente, a ação ainda não representa uma retomada dos bombardeios.

Segundo o analista, Trump enfrenta restrições legais, políticas e econômicas que limitam suas opções. Lourival acrescentou que, pela Constituição americana, sem aprovação do Congresso, após 60 dias — prazo encerrado em 28 de abril —, o governo americano não pode lançar uma nova ofensiva contra o Irã. "Seria uma clara violação da lei americana", disse.

No campo estratégico, Rudzit aponta que o conflito está redesenhando a ordem energética global. "Está em andamento um rearranjo regional que ainda vai ter repercussões globais, tanto em termos estratégicos quanto energéticos", afirmou.

O professor destacou ainda o envio recente de 6 mil soldados e um esquadrão de caças pelo Paquistão à Arábia Saudita como um sinal da aproximação entre um Paquistão nuclear com a  Arábia Saudita, olhando para Israel. "Isso é só a ponta do iceberg dessas mudanças que virão pela frente", concluiu.

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Paralelamente às negociações diplomáticas, Israel continua ampliando sua atuação militar no território libanês, apesar do cessar-fogo em vigor. As forças de defesa de Israel passaram a considerar toda a região abaixo do rio Zahrani como zona de combate contra o Hezbollah.

A área corresponde a cerca de 2 mil quilômetros quadrados, representando aproximadamente 20% do território libanês — mais que o dobro do que havia antes.

A foz do rio Zahrani fica a menos de 10 quilômetros de Sidon, terceira cidade mais populosa do Líbano, para onde parte da população deslocada do sul do país tem buscado refúgio. Já são mais de 1,2 milhão de libaneses deslocados por ataques israelenses e ordens de evacuação desde 2 de março, o equivalente a cerca de 20% da população do país.

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