Total de visualizações de página

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Mísseis Patriot: Conheça interceptador que custou US$ 60 bi ao Pentágono

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Sistema de mísseis usa tecnologia "hit-to-kill", detecta ameaças a 150 km e dispara dois mísseis em menos de 9 segundos
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Da CNN Brasil
30/07/26 às 14:48 | Atualizado 30/07/26 às 14:48
Postado em 30 de Julho de 2.026 às 20h00m

.#.* -  Post. -- Nº.\  12.412 --  *.#.


O Pentágono fechou um contrato de quase US$ 60 bilhões com a empresa americana Lockheed Martin para a produção de mísseis do sistema de defesa aérea Patriot. O acordo visa ampliar significativamente o estoque de interceptadores, cuja demanda global está em alta devido aos conflitos em curso na Ucrânia e no Oriente Médio.

Segundo o editor de Internacional Diego Pavão, o que está em escassez não é o sistema em si, já instalado em diversos países.

"O que está em falta é o interceptador, o míssil que esse sistema dispara para conseguir interceptar e derrubar o outro míssil, aquele míssil inimigo que vem de fora", explicou Pavão durante o Live CNN desta quinta-feira (30).

Leia Mais

Cada interceptador leva entre 24 e 30 meses para ser produzido, um prazo que reflete a sofisticação tecnológica do equipamento. O míssil utiliza componentes altamente especializados, como microchips e semicondutores, cuja fabricação está concentrada em poucas empresas no mundo.

Taiwan é apontada como uma das principais produtoras desse tipo de componente, mas a oferta global ainda é considerada insuficiente diante da demanda crescente.

"A Ucrânia já usou e precisa muito desses mísseis. Eles estão conversando com os Estados Unidos sobre produzir esse míssil dentro do próprio território ucraniano para que o país não fique refém da demanda externa, já que tem uma guerra em andamento no Oriente Médio", destacou Pavão.

Atualmente, a Lockheed Martin produz 650 interceptadores por ano. O Pentágono considera esse volume insatisfatório e estabeleceu como meta atingir 2 mil unidades anuais até 2030, mais do que o triplo da produção atual.

"A gente sabe que os Estados Unidos têm menos de mil interceptadores em seu estoque. É pouco diante da demanda altíssima, considerando que temos dois conflitos grandes acontecendo no mundo que pedem exatamente esse tipo de armamento", disse Pavão.

Cada unidade do míssil Patriot custa US$ 4 milhões e, uma vez disparada, leva no mínimo dois anos para ser reposta.

Tecnologia "hit-to-kill"

O sistema Patriot utiliza uma tecnologia denominada "hit-to-kill", que pode ser traduzida, de forma literal, como "bater para matar".

Ao contrário de outros mísseis que contam com ogivas explosivas, o interceptador do Patriot destrói o alvo exclusivamente pelo impacto cinético. "Ou seja, apenas o encontro dele com o míssil inimigo já o destrói", explicou Pavão.

Essa característica torna o míssil mais leve e compacto, permitindo que mais unidades sejam acomodadas em uma mesma bateria de lançamento.

O radar do sistema é capaz de detectar mísseis inimigos a um raio de aproximadamente 150 km de distância. Após a detecção, o sistema calcula a rota do projétil adversário e realiza um disparo duplo (dois mísseis ao mesmo tempo), em no máximo 9 segundos, garantindo maior probabilidade de destruição do alvo no ar.

"Pelo fato de ele não ter uma ogiva explosiva, ele não tem danos colaterais. Ele não deixa destroços que podem atingir cidades e civis, por isso ele é tão eficiente", destacou o jornalista.

CNN Brasil Siga a CNN Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Tópicos


--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Análise: Por que Irã retomou ataques mesmo após EUA pararem de atirar?

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Teerã optou por retomar hostilidades por conta própria, demonstrando disposição crescente em utilizar força militar para moldar o curso da guerra
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Abbas Al Lawati, da CNN
30/07/26 às 18:30 | Atualizado 30/07/26 às 18:30
Postado em 30 de Julho de 2.026 às 18h45m

.#.* -  Post. -- Nº.\  12.411 --  *.#.


Um membro armado do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica monitora uma área na Praça Azad, no oeste de Teerã, Irã, em 11 de fevereiro de 2026  • Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images

O Irã colocou fim a dias de relativa calma no Oriente Médio ao lançar o que os EUA classificaram como um ataque "surpresa", marcando uma mudança notável no padrão do conflito.

Em vez de reagir a um novo ataque americano, Teerã optou por retomar as hostilidades por conta própria, demonstrando uma disposição crescente em utilizar força militar para moldar o curso da guerra segundo seus próprios termos.

Isso, por sua vez, prepara o terreno para uma nova escalada. "Vamos dar uma surra neles", disse o presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista à Fox News na manhã de quarta-feira (30).

"Vamos atingi-los com força. Eles vão levar uma surra", acrescentou.

Essa ameaça dificilmente surpreendeu Teerã, que lançou seus mísseis ciente de que isso poderia provocar o retorno dos bombardeiros americanos.

Trump havia atribuído a pausa da semana passada a um pedido do Irã, alegando que eles "pediram de forma muito educada" e queriam negociações.

Teerã nunca se comprometeu publicamente com a pausa recente, embora uma autoridade iraniana de alto escalão tenha declarado que "nossas forças armadas também decidiram não realizar ações militares".

Isso torna a decisão do Irã de retomar os ataques ainda mais significativa.

Horas depois de sinalizar publicamente que corresponderia à contenção demonstrada pelos EUA, Teerã atacou forças americanas — aparentemente concluindo que aumentar a pressão valia o risco de reiniciar os bombardeios noturnos.

"Algo parece ter mudado fundamentalmente na abordagem do Irã, particularmente em relação à sua disposição de iniciar um ataque caso considere essa a única opção viável", escreveu Hamid Reza Azizi, pesquisador do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança, na rede social X.

O ataque do Irã ocorreu logo após a reunião do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com Trump em Washington — encontro que o líder israelense descreveu como "uma das melhores conversas" que ambos já tiveram, em meio a atritos crescentes entre os dois.

Horas antes da reunião, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que queria atacar a infraestrutura energética iraniana, mas foi contido pela administração Trump.

"O ataque parece ter sido um sinal relacionado à visita de Netanyahu à Casa Branca, ocorrida mais cedo naquele dia", escreveu Azizi.

"Isso sugere que a estratégia militar do Irã pode ter mudado e que Teerã agora está preparada para lançar um ataque preventivo caso detecte sinais de uma ameaça iminente", disse.

Pouco depois do ataque na Jordânia, as forças armadas dos EUA e da Arábia Saudita realizaram ataques conjuntos contra milícias apoiadas pelo Irã no Iraque.

O CENTCOM (Comando Central dos EUA) apresentou a operação no Iraque não como uma retaliação pelo ataque na Jordânia, mas como uma resposta a mais de 30 ataques com drones contra forças americanas e infraestrutura energética saudita nas 72 horas anteriores.

A escalada ocorrida durante a noite demonstrou como o conflito está se expandindo. A Arábia Saudita, que há muito relutava em ser diretamente arrastada para a guerra, está se envolvendo mais profundamente à medida que enfrenta ameaças em três frentes: os Houthis no Iêmen, milícias apoiadas pelo Irã no Iraque e o próprio Irã.

“O desafio central para Washington e seus parceiros do Golfo é que nem o Irã nem seus aliados regionais parecem dispostos a recuar do que agora definem como objetivos estratégicos fundamentais”, escreveu na rede social X Danny Citrinowicz, pesquisador sênior do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel e ex-chefe da divisão do Irã na inteligência militar israelense.

“Teerã continua insistindo em manter sua influência sobre o Estreito de Ormuz, enquanto os Houthis deixaram claro que não encerrarão sua campanha a menos que o bloqueio imposto a eles — liderado pela Arábia Saudita — seja suspenso”.

‘Nada mais do que uma fantasia’

Em entrevista à televisão estatal iraniana, publicada poucas horas antes do ataque na Jordânia, o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, apresentou talvez uma das exposições mais claras da posição de Teerã até o momento.

O Irã havia cessado os disparos, sugeriu ele, mas não hesitaria em retomar as hostilidades caso sua reivindicação de soberania sobre o Estreito de Ormuz fosse contestada.

Teerã não poderia considerar-se vitoriosa se o estreito retornasse ao seu status anterior à guerra, afirmou o vice-ministro. A via navegável havia se tornado um elemento central para a segurança nacional do país e uma “ferramenta de defesa”.

Quando o entrevistador perguntou por que Teerã havia arriscado reiniciar a guerra ao atacar navios comerciais, apesar de um cessar-fogo em vigor, Gharibabadi disse que o Irã considerava uma “linha vermelha” os esforços de Omã e dos EUA para estabelecer uma rota de navegação concorrente através do estreito. Permitir a operação dessa rota, argumentou ele, reduziria a reivindicação do Irã ao “exercício efetivo de soberania” sobre a via navegável a “nada mais do que uma fantasia”.

“Pode-se analisar a questão de forma simples e perguntar por que o Irã atacaria três navios comerciais com mísseis apenas porque eles desligaram o GPS, correndo o risco de reiniciar uma guerra”, disse ele.

“Mas, se você observar os bastidores, verá que os arranjos aplicados ao Estreito de Ormuz terão um impacto de longo prazo na segurança da República Islâmica do Irã”, afirmou.

Do ponto de vista de Teerã, a pausa de Washington nos ataques ao Irã reflete “fraqueza estratégica, e não contenção”, escreveu Citrinowicz. Essa percepção corre o risco de alimentar um ciclo em que o Irã intensifica as hostilidades para impor custos maiores, enquanto nenhum dos lados recua por medo de perder credibilidade.

Os EUA e seus parceiros, portanto, enfrentam uma escolha, argumentou ele: atender a algumas exigências iranianas ou aceitar a perspectiva de um conflito prolongado marcado por ataques crescentes à navegação, à infraestrutura energética e às rotas comerciais.

(Com informações de Aida Karimi, Eyad Kourdi, Dana Karni, Mohammed Tawfeeq e Tal Shalev, da CNN).

CNN Brasil Siga a CNN Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

inglês 

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Estudo aponta que a maior concorrência reduziu os reajustes e aumentou os descontos nas concessionárias. Juros altos e renda estagnada, porém, ainda dificultam a compra do zero km.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Por Ismael Jales, g1 — São Paulo

Postado em 30 de Julho de 2.026 às 10h25m

.#.* -  Post. -- Nº.\  12.410 --  *.#.

JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos
JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos

Um estudo da Bright Consulting mostra que, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos no Brasil subiu menos do que a inflação em 2026. O valor dos veículos zero km teve uma queda real — descontada a inflação — de 1,5% neste ano.

Nominalmente, o preço médio sugerido pelas montadoras subiu 1,4% e chegou a R$ 166,9 mil. Mas o reajuste ficou abaixo da inflação oficial acumulada no período, de 3,18%. Houve uma forte desaceleração em relação aos 5,5% registrados no ano anterior.

De acordo com os analistas, a expansão das montadoras chinesas no país foi o principal fator por trás da queda dos preços, já que aumentou a competição no mercado brasileiro e forçou as fabricantes tradicionais a reduzirem suas margens.

💰 Por outro lado, a renda estagnada e os juros elevados do crédito veicular ainda mantêm a compra do automóvel zero km distante do bolso da maioria da população. (entenda os detalhes abaixo)

Margem para negociação

Segundo Cássio Pagliarini, sócio da Bright Consulting, a queda dos preços fica ainda mais evidente após a negociação na concessionária. O valor efetivamente pago no balcão — conhecido como preço de transação — caiu 3,5% em 2026, passando de R$ 157,6 mil para R$ 152,1 mil.

A diferença de quase R$ 15 mil entre a tabela oficial de fábrica e o preço final registrado na nota fiscal mostra o esforço do comércio para reduzir os estoques acumulados.

Essa diferença é viabilizada por bônus de fábrica, maior valorização do carro usado dado na troca e cortes pontuais nas taxas de financiamento.

Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil — Foto: g1
Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil — Foto: g1
Efeito China

Como previsto, a entrada agressiva de marcas chinesas no país começou a provocar impactos no mercado.

Segundo Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da área automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), as fabricantes chinesas se beneficiam principalmente da grande escala de produção em seu país de origem.

"Estamos falando de um mercado de cerca de 34 milhões de veículos por ano, 10 vezes maior do que o brasileiro. A BYD, por exemplo, fabricou cerca de 4 milhões de carros só em 2025. Essa escala fabulosa reduz drasticamente o custo médio por veículo", explica Martins.

Com mais de 140 marcas disputando espaço no mercado chinês — que já apresenta demanda enfraquecida e oferta ainda elevada —, a busca por rentabilidade em outros países virou prioridade para as fabricantes chinesas. Para ganhar espaço rapidamente no Brasil, a estratégia foi entrar com preços mais baixos.

  • 🔍 O movimento já coloca o Brasil no topo: o país tornou-se o maior importador de carros chineses no primeiro semestre de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras. Do total, US$ 4,5 bilhões foram destinados a veículos elétricos e híbridos. Além da forte demanda por veículos mais tecnológicos, as montadoras anteciparam estoques antes do aumento das alíquotas do imposto de importação por aqui.

O professor da FGV aponta ainda que as fabricantes chinesas mudaram o jogo ao verticalizar a produção e fabricar internamente parte dos componentes mais importantes dos veículos, como as baterias. Isso elimina margens de intermediários e garante mais qualidade a um custo menor.

"Nos anos 90, os carros chineses sofriam com rejeição por falta de qualidade. Hoje, eles unem alto volume, controle da cadeia e muita tecnologia embarcada", destaca o professor da FGV. 
Carro mais barato não é fácil de comprar

Apesar da queda no valor médio dos carros, a dificuldade de acesso ao financiamento ainda limita um avanço maior dos emplacamentos.

As taxas cobradas pelos bancos para o financiamento veicular ainda variam entre 18% e 22% ao ano. A expectativa do setor é de que o crédito só ganhe fôlego à medida que caia a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,25%.

"Em momentos normais do mercado, cerca de 60% das vendas de carros no Brasil dependem de financiamento bancário. Quando o crédito fica caro, os bancos reduzem a concessão por receio da inadimplência", avalia Martins, da FGV.

BYD Atto 2 DM-i Flex é lançado oficialmente no Brasil — Foto: Divulgação / BYD
BYD Atto 2 DM-i Flex é lançado oficialmente no Brasil — Foto: Divulgação / BYD

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Desemprego fica em 5,4% no trimestre até junho, diz IBGE

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Número de desempregados cai para 5,9 milhões, enquanto total de pessoas ocupadas atinge 103,1 milhões.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Por Micaela Santos, g1 — São Paulo

Postado em 30 de Julho de 2.026 às 09h25m

.#.* -  Post. -- Nº.\  12.409 --  *.#.

Desemprego fica em 5,4% no trimestre até junho
Desemprego fica em 5,4% no trimestre até junho

A taxa de desocupação ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho de 2026, segundo a PNAD Contínua divulgada nesta quinta-feira (30) pelo IBGE.

Com o resultado, a taxa caiu 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre de janeiro a março de 2026, quando estava em 6,1%. Na comparação com o mesmo período do ano passado (abril a junho de 2025), a queda foi de 0,4 ponto percentual, já que a taxa era de 5,8%.

No trimestre encerrado em junho, o Brasil tinha 5,9 milhões de pessoas desempregadas. O número representa uma queda de 10,9% em relação ao trimestre anterior, encerrado em março (6,6 milhões).

Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 6,3%, o equivalente a 392 mil pessoas a menos em busca de trabalho.

Já o total de pessoas ocupadas somou 103,1 milhões. Esse contingente cresceu 1,1% em relação ao trimestre anterior e 0,7% na comparação com o mesmo período do ano passado, o que representa um acréscimo de 742 mil pessoas.

Como consequência, o nível de ocupação — indicador que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada — ficou em 58,8%, com alta de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e estabilidade na comparação anual.

Já a taxa composta de subutilização ficou em 12,9% no trimestre encerrado em junho. O indicador caiu 1,4 ponto percentual em relação ao período anterior e recuou 1,5 ponto na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

Ao todo, 14,7 milhões de pessoas estavam nessa condição. Esse contingente caiu 10,1% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a 1,642 milhão de pessoas a menos, e recuou 11,0% na comparação com o mesmo período do ano passado, o que representa 1,809 milhão de pessoas a menos.

Veja os destaques da pesquisa

  • Taxa de desocupação: 5,4%
  • População desocupada: 5,9 milhões de pessoas
  • População ocupada: 103,1 milhões
  • População fora da força de trabalho: 66,5 milhões
  • População desalentada: 2,3 milhões
  • Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,6 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões

*Reportagem em atualização

Carteira de trabalho vaga de emprego Sine Maceió — Foto: Jonathan Lins
Carteira de trabalho vaga de emprego Sine Maceió — Foto: Jonathan Lins

IBGE

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Os EUA estão mesmo ficando sem armas na guerra contra o Irã?

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Os EUA dispararam milhares de mísseis de difícil reposição durante a guerra 
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
TOPO
Por BBC

Postado em 29 de Julho de 2.026 às 05h00m

.#.* -  Post. -- Nº.\  12.408 --  *.#.

No dia que a guerra do Irã completa 5 meses, Trump recebe Netanyahu na Casa Branca
No dia que a guerra do Irã completa 5 meses, Trump recebe Netanyahu na Casa Branca

Quando o presidente norte-americano, Donald Trump, subiu ao palco da Cúpula de Defesa e Inovação da Pensilvânia, nos EUA, no início deste mês, ao lado de CEOs de algumas das maiores empresas de defesa do país, ele tinha uma mensagem: é preciso aumentar o volume e a velocidade da produção de armas.

"Temos as armas de melhor qualidade do mundo", disse Trump aos fabricantes de armamentos reunidos na Escola de Guerra do Exército dos EUA, ao lado do secretário de Guerra, Pete Hegseth. "Mas precisamos produzir mais rápido."

O governo Trump apresentou a cúpula como parte de uma estratégia com dois objetivos: revitalizar a indústria americana e reforçar a capacidade de combate das Forças Armadas dos EUA e, nas palavras de Hegseth, o "arsenal da liberdade" do país.

No entanto, pouco se falou sobre o enorme volume de armamentos sofisticados, de fabricação complexa, empregado durante os quase 40 dias de intensas operações militares da Operação Epic Fury ("Fúria Épica", em tradução livre), contra o Irã no início deste ano, e nos ataques de subsequentes realizados desde então.

Até agora, o governo dos EUA afirma que a guerra custou US$ 37,5 bilhões (cerca de R$ 208 bilhões), e a maior parte desse valor foi destinada à compra de munições.

Quando um frágil cessar-fogo entrou em vigor em 8 de abril, as forças americanas já haviam atingido mais de 13 mil alvos no Irã, segundo a Casa Branca. No mesmo período, os sistemas de defesa aérea dos EUA interceptaram mais de 1,7 mil drones e mísseis balísticos iranianos.

Agora, os EUA suspenderam os ataques ao Irã para permitir o avanço das negociações. Segundo uma reportagem do jornal americano The New York Times, Trump foi aconselhado a desistir de intensificar o conflito, já que isso reduziria ainda mais os estoques americanos de armamentos.

Na segunda-feira (27), Trump negou que houvesse escassez. Em entrevista ao jornal americano The Wall Street Journal, ele afirmou: "Temos muito mais munições do que qualquer outro país do mundo, e muito mais do que precisamos".

Esse é um tema delicado há algum tempo dentro do governo dos EUA. No mês passado, ao ser questionado sobre o assunto, Hegseth negou que os estoques estivessem caindo rapidamente.

Sua posição parece ter mudado desde então. Na semana passada, Hegseth disse à Comissão de Apropriações do Senado — que define destinações orçamentárias para agências e depatamentos — que o Pentágono precisa de mais US$ 87 bilhões (R$ 482 bilhões) para suprir "carências críticas", incluindo equipamentos.

Os números exatos sobre o consumo de munições e o volume dos estoques remanescentes continuam sob sigilo. Mas dados públicos compilados pelo centro de pesquisa e debates CSIS, sediado em Washington D.C., revelam um quadro preocupante: os estoques foram reduzidos a um nível que, no curto prazo, é difícil de ser recomposto.

"Depende do tipo de munição, mas o prazo mínimo é de um a cinco anos [para fabricar um único míssil]", diz Mark Cancian, coronel reformado do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e assessor sênior do CSIS, que estuda o tema. "E não há nada que possa acelerar esse processo."

Mas será que os EUA estão consumindo munições em um ritmo tão acelerado que poderão ter dificuldades para cumprir suas missões e alcançar seus objetivos militares?

Um arsenal americano desfalcado

Até agora, o governo dos EUA afirma que a guerra custou US$ 37,5 bilhões (cerca de R$ 208 bilhões), e a maior parte desse valor foi destinada à compra de munições — Foto: Getty Images via BBC
Até agora, o governo dos EUA afirma que a guerra custou US$ 37,5 bilhões (cerca de R$ 208 bilhões), e a maior parte desse valor foi destinada à compra de munições — Foto: Getty Images via BBC

As munições mais importantes empregadas na guerra dos EUA contra o Irã se dividem em duas categorias: sistemas de ataque terrestre de longo alcance e sistemas de defesa aérea e antimísseis usados para interceptar os ataques iranianos.

Entre os sistemas de ataque terrestre mais utilizados estava o míssil de ataque terrestre Tomahawk, normalmente lançado de navios ou submarinos contra alvos localizados a mais de 1,6 mil km de distância.

Essas armas permitem aos EUA realizar ataques de precisão contra alvos militares fortemente protegidos, como bunkers de comando e instalações militares fortificadas, sem expor aeronaves tripuladas ao risco de contra-ataque.

Segundo estimativas do CSIS, mais de mil mísseis Tomahawk foram disparados durante a guerra, e o estoque talvez só volte ao nível anterior ao conflito em 2031.

De acordo com o CSIS, as versões mais recentes do Tomahawk de ataque terrestre custam cerca de US$ 2,6 milhões (R$ 14,4 milhões) por unidade.

Entre os sistemas de defesa aérea empregados na guerra, o Patriot foi o mais utilizado. Lançado a partir de bases terrestres, o míssil é capaz de interceptar aeronaves e mísseis balísticos e de cruzeiro.

Segundo estimativas do CSIS, até 1.430 mísseis Patriot foram disparados durante o conflito, de um estoque estimado em cerca de 2.330 unidades antes da guerra.

Cada míssil interceptador Patriot custa aproximadamente US$ 4 milhões (R$ 22,2 milhões). Embora caro, o sistema foi empregado repetidamente para derrubar drones iranianos que custam entre US$ 20 mil e US$ 50 mil (entre R$ 111 mil e R$ 278 mil) cada.

Repor esse arsenal não será uma tarefa rápida. "Demora vários anos para se fabricar um míssil. Se você investir recursos hoje, só terá esse míssil daqui a três ou quatro anos. Às vezes, até cinco", diz Cancian, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. "Os mísseis que estamos recebendo agora foram financiados em 2023."

Outro sistema utilizado foi o Thaad (Terminal High Altitude Area Defense, sistema de defesa aérea para grandes altitudes), mais moderno e sofisticado, com alcance maior e capaz de interceptar alvos em altitudes superiores às do Patriot.

Os estoques já eram limitados antes do conflito. O CSIS estima que entre 190 e 290 mísseis Thaad tenham sido disparados, de um estoque pré-guerra de cerca de 360 unidades.

Como existem apenas nove baterias Thaad em operação no mundo — sete delas pertencentes aos EUA —, o uso contínuo desse sistema pode reduzir a capacidade das Forças Armadas americanas de enfrentar ameaças representadas por mísseis balísticos de países como Rússia, China e Coreia do Norte.

O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa ao lado do secretário de Defesa, Pete Hegseth, durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Evan Vucci
O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa ao lado do secretário de Defesa, Pete Hegseth, durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Evan Vucci

Olhares voltados para Taiwan e o Pacífico

A guerra contra o Irã ocorre às vésperas do período conhecido como "janela de Davidson", quando, na avaliação de parte dos estrategistas militares americanos, aumenta a probabilidade de uma tentativa chinesa de invadir Taiwan.

O conceito, alvo de controvérsia e central no planejamento militar dos EUA para o Pacífico, surgiu a partir de uma audiência no Congresso americano, em 2021, na qual o almirante Philip Davidson, então comandante das forças americanas na região, afirmou que uma invasão poderia ocorrer "nos seis anos seguintes".

Em 2023, o então diretor da CIA, William Burns, disse acreditar que a China estaria pronta para invadir Taiwan até 2027.

A China há muito promete promover a "reunificação" com Taiwan, território autônomo que considera uma província rebelde, e nunca descartou o uso da força.

A possibilidade de os EUA defenderem Taiwan e entrarem em guerra com a China é alvo de intenso debate. Apesar da ambiguidade da posição americana, os EUA continuam fornecendo armamentos de defesa à ilha.

Cancian, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, descreve a escassez de munições como uma "janela de vulnerabilidade", durante a qual os EUA "não terão estoques suficientes das munições consideradas prioritárias" caso haja um conflito no Pacífico.

Na avaliação de Cancian, isso aumenta o risco de as forças americanas não estarem preparadas para enfrentar o vasto arsenal de mísseis e aeronaves que a China poderia empregar em um conflito na região.

Exercícios militares da China para simular cerco a Taiwan reacendem risco de mais uma guerra — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Exercícios militares da China para simular cerco a Taiwan reacendem risco de mais uma guerra — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A China, que, segundo autoridades americanas, vem estudando de perto o desempenho das defesas aéreas dos EUA durante a guerra contra o Irã, investiu pesadamente em tecnologia de mísseis nos últimos anos, incluindo mísseis hipersônicos planadores, muito mais sofisticados do que os mísseis e drones de baixo custo utilizados pelo Irã.

A China também destinou grandes investimentos ao desenvolvimento de táticas baseadas em "enxames de drones".

Mas nem todos veem a redução dos estoques americanos apenas como um problema.

Jacob Olidort, ex-integrante da CIA e ex-assessor para a política do Oriente Médio no gabinete do secretário de Defesa dos EUA, observa que o uso dessas armas em combate também transmite uma mensagem poderosa.

"As armas funcionam como instrumento de dissuasão não apenas porque um país as possui, mas também porque demonstra disposição para empregá-las", afirma Olidort, hoje diretor de política de segurança dos EUA no America First Policy Institute, think tank (centro de pesquisa e debates) de orientação conservadora.

Segundo Olidort, os "êxitos" dos EUA "ao enfraquecer as capacidades militares do Irã com ataques de precisão, em tempo recorde, enviam um sinal a outros adversários, entre eles a China e suas ambições".

E a Europa?

Os estoques de mísseis, incluindo os Tomahawk, foram reduzidos — Foto: Getty Images via BBC
Os estoques de mísseis, incluindo os Tomahawk, foram reduzidos — Foto: Getty Images via BB

A aparente tensão entre fornecer armamentos aos aliados e preservar os próprios estoques dos EUA já havia se manifestado no caso da Ucrânia.

Em outubro de 2025, meses antes do início da Operação Epic Fury, Trump se recusou a fornecer mísseis Tomahawk à Ucrânia, alegando a necessidade de evitar uma redução dos estoques americanos.

O episódio antecipou o dilema que agora domina o debate sobre o futuro do arsenal dos EUA após a guerra contra o Irã.

Autoridades ucranianas afirmam precisar com urgência de sistemas Patriot e de outros equipamentos de defesa aérea para conter as sucessivas ondas de ataques russos com drones e mísseis.

"Além do impacto sobre os preços da energia, [a guerra contra o Irã] provoca a redução dos estoques dos EUA e afeta a capacidade dos fabricantes de sistemas de defesa aérea", disse Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, à BBC, em março. "Nós [na Ucrânia] também estamos ficando sem recursos."

Zelensky chamou atenção para a dimensão do problema: os EUA produzem cerca de 60 a 65 mísseis por mês, ou entre 700 e 800 por ano, enquanto 803 foram utilizados apenas no primeiro dia da Operação Epic Fury.

Mais recentemente, Trump surpreendeu muitos dirigentes europeus ao oferecer à Ucrânia a possibilidade de produzir mísseis Patriot em seu próprio território. Acordos semelhantes já existem com Alemanha e Japão.

Elaine McCusker, que trabalhou por 13 anos no Departamento de Defesa dos EUA (atual Departamento de Guerra, após mudança de nome na nova gestão Trump) e hoje é pesquisadora do American Enterprise Institute, afirma que a experiência da Ucrânia na guerra contra a Rússia, assim como a dos EUA no conflito com o Irã, pode contribuir para o desenvolvimento de sistemas mais baratos e produzidos em larga escala, capazes de complementar os equipamentos de maior custo.

"Há muito tempo sabemos que não faz sentido disparar interceptadores de US$ 6 milhões (R$ 33,3 milhões) contra drones de US$ 1.000 [cerca de R$ 5.600]", diz McCusker. "Acho que agora há um foco maior nessa solução e mais pessoas trabalhando para fabricar sistemas descartáveis de baixo custo."

As consequências

O presidente Donald Trump discursa no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca no Waldorf Astoria Washington DC, na sexta-feira, 24 de julho de 2026 — Foto: AP Photo/Mark Schiefelbein
O presidente Donald Trump discursa no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca no Waldorf Astoria Washington DC, na sexta-feira, 24 de julho de 2026 — Foto: AP Photo/Mark

Schiefelbein

Apesar de tudo isso, no curto prazo há pouca preocupação com a possibilidade de os EUA ficarem sem munições, não porque seus estoques sejam ilimitados, mas porque a situação do Irã é muito mais crítica.

"As Forças Armadas dos EUA dispõem de munições, armamentos e estoques mais do que suficientes para cumprir todos os objetivos estratégicos do presidente Donald Trump e muito mais. A Operação Epic Fury mostrou o que acontece com quem enfrenta os EUA", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, em comunicado enviado à BBC.

"Ainda assim, o presidente tem incentivado continuamente nossa indústria de defesa a produzir mais armamentos fabricados nos EUA", acrescentou Kelly.

Os ataques mais recentes anunciados pelo Comando Central dos EUA se concentraram em reduzir a capacidade do Irã de ameaçar embarcações no estreito de Ormuz, a estratégica rota marítima que o Irã e os EUA bloquearam durante o conflito.

As perdas militares do Irã foram muito maiores do que as dos EUA após sucessivas ondas de ataques americanos e israelenses, e o país tem capacidade extremamente limitada para repor esse arsenal no curto prazo.

"Muitos comentários dão a entender que o Irã dispõe de uma quantidade praticamente ilimitada de armamentos", afirma Jason Brodsky, diretor de políticas da United Against Nuclear Iran. "Acho que precisamos reconhecer que há limites e que os EUA comprometeram de forma muito significativa a base industrial de defesa do Irã", diz Brodsky.

Segundo ele, a capacidade iraniana de produzir, em larga escala, os mísseis, drones e outros sistemas de armas de que o país necessita foi, em grande parte, destruída.

Os estoques remanescentes do Irã, segundo Brodsky, estão sendo direcionados para o que ele descreve como o principal trunfo do país no conflito: a capacidade de ameaçar o estreito de Ormuz. Mas na avaliação dele, essa capacidade está se enfraquecendo. "O regime iraniano está ficando sem tempo."

O conflito atual com o Irã é o que Brodsky chama de "centro de gravidade" das Forças Armadas dos EUA e, por isso, tem prioridade imediata para os EUA, embora autoridades reconheçam que seria "irresponsável" ignorar a situação mais ampla dos estoques de armamentos.

"Neste momento, a ameaça no Indo-Pacífico [envolvendo a China] é mais distante", afirma Brodsky. "Os formuladores de políticas públicas precisam estabelecer prioridades, e o Oriente Médio é o foco do presidente neste momento."

Por enquanto, cada míssil disparado contra um alvo no Irã, enviado para a linha de frente na Ucrânia ou preservado para um eventual conflito em Taiwan sai de um estoque que vem diminuindo gradualmente.

Ainda assim, os EUA apostam que conseguirão atravessar este conflito com uma capacidade de produção que atenda à demanda.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------