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quarta-feira, 8 de julho de 2026

'Filme de terror': a ameba 'comedora de cérebros' que tem se espalhado pelo mundo

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Ameba 'Naegleria fowleri' pode alcançar o cérebro pelas narinas quando as pessoas mergulham na água e, frequentemente, é fatal.
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TOPO
Por BBC

Postado em 08 de Julho de 2.026 às 16hoom
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Naegleria fowleri, mais conhecida como a 'ameba comedora de cérebros', ataca o tecido cerebral — Foto: Bruno da Rocha-Azevedo, Herbert B. Tanowitz e Francine Marciano-Cabral / Interdisciplinary Perspectives on Infectious Diseases
Naegleria fowleri, mais conhecida como a 'ameba comedora de cérebros', ataca o tecido cerebral — Foto: Bruno da Rocha-Azevedo, Herbert B. Tanowitz e Francine Marciano-Cabral / Interdisciplinary Perspectives on Infectious Diseases

Poucos dias depois do que deveria ter sido um divertido período de férias em família na Costa Rica, Steve Smelski estava na unidade de terapia intensiva, lamentando a morte do seu único filho. 

Jordan tinha 11 anos. Ele morreu de infecção cerebral causada pela Naegleria fowleri, mais conhecida como a "ameba comedora de cérebros".

Tipicamente encontrada em lagos e fontes de águas quentes, além de piscinas abandonadas, a ameba entra no corpo pelas narinas, quando as pessoas pulam na água. Ela começa, então, a atacar rapidamente o tecido cerebral.

"Jordan nadou um dia, uma vez, e, agora, ele se foi", conta Steve, hoje com 67 anos, ao Serviço Mundial da BBC.

No ano passado, foram identificados mais de 200 casos de infecções por Naegleria fowleri na Índia, o maior surto já registrado em todo o mundo. E novos casos continuam a surgir no país nos últimos meses.

Até então, menos de 500 casos haviam sido identificados em todo o mundo.

O surto gerou novos receios entre os pesquisadores. Eles afirmam que o organismo microscópico está sendo detectado em locais onde raramente era observado.

Em abril, uma criança de nove anos morreu em Rondônia com infecção por Naegleria fowleri, segundo a Agência de Vigilância em Saúde do Estado.

"Acho que haverá mais casos no futuro. Nós iremos observá-los em todo o mundo", afirma o parasitologista molecular Anastasios Tsaousis, da Universidade de Kent, no Reino Unido.

'Ela leva seu cérebro embora'

Jordan Smelski contraiu a infecção durante uma viagem, em 2014 — Foto: Steve Smelski
Jordan Smelski contraiu a infecção durante uma viagem, em 2014 — Foto: Steve Smelski

Steve Smelski é natural da Flórida, nos Estados Unidos.

Ele havia passado horas com seu filho em uma fonte natural de águas quentes, perto do seu hotel na Costa Rica, quando Jordan começou a sentir dores de cabeça.

Eles voltaram para casa, a dor se agravou e Jordan começou a vomitar.

Seus pais decidiram levá-lo para um hospital local. Lá, ele começou a sofrer alucinações e disse que estava vendo insetos rastejando pelo teto.

"Ele olhava para nós, mas não sabia quem nós éramos", relembra Smelski. "Acho que ele não sabia quem ele próprio era."

Os médicos lutavam para descobrir o que havia de errado com Jordan, até que ele sofreu uma convulsão e foi levado para a UTI, onde morreria mais tarde.

"Sete dias e meio depois de nadar, ele se foi", lamenta o pai. "Ele não tinha problemas até então. Sua saúde era perfeita."

Jordan morreu de meningoencefalite amebiana primária, a infecção cerebral causada por Naegleria fowleri.

Como muitas outras vítimas da doença, acreditava-se inicialmente que Jordan tivesse meningite, já que os sintomas das duas condições podem ser similares no estágio inicial.

Quando os médicos ligaram os pontos, era tarde demais. A infecção havia gerado grave inchaço no seu cérebro, causando danos irreversíveis.

"Ela leva seu cérebro embora, retira seus pensamentos, você deixa de ser quem é", conta Smelski.

Uma das últimas fotos de Steve Smelski com seu filho Jordan, no tobogã onde o menino contraiu a infecção mortal, na Costa Rica — Foto: Steve Smelski via BBC
Uma das últimas fotos de Steve Smelski com seu filho Jordan, no tobogã onde o menino contraiu a infecção mortal, na Costa Rica — Foto: Steve Smelski via BBC

Por que a ameba aparece em novos lugares?

Entre 1962 e 2023, foram relatados em todo o mundo 488 casos, segundo uma análise de 2025, publicada pelo Journal of Infection and Public Health.

A maioria dos casos ocorreu no sul dos Estados Unidos, no Paquistão e na Austrália. Cerca de 97% das vítimas morreram.

Mas, nos últimos 20 anos, foi detectada uma proporção maior de casos em países do hemisfério norte, incluindo a Itália e a Bélgica.

Novas infecções também foram encontradas nos últimos 15 anos no norte dos Estados Unidos, que é mais frio, incluindo no Estado de Minnesota. E, no ano passado, a Eslováquia registrou seu primeiro caso confirmado de infecção por Naegleria fowleri.

Os casos também foram relacionados a ambientes fora dos lagos e rios tradicionalmente associados à ameba.

Em Taiwan, um homem morreu em 2023 após exposição à Naegleria fowleri em um local fechado de surfe. No mesmo ano, nos Estados Unidos, uma criança contraiu a infecção fatal após utilizar um "tapete de água" contaminado.

Com as mudanças climáticas aquecendo lagos e tanques, a ameba começa a se expandir para regiões onde, antes, era muito frio para que ela pudesse se desenvolver.

Como a ameba entra no cérebro — Foto: BBC
Como a ameba entra no cérebro — Foto: BBC

"Quando a água se aquece, a ameba fica mais ativa", explica Tsaousis. "Com isso, aumenta a possibilidade de infecção das pessoas durante atividades recreativas."

Ele alerta que não há motivo para pânico, mas as pessoas devem estar "atentas" ao aumento do risco.

Tsaousis também acredita que os cientistas estão começando a detectar melhor a ameba, o que pode estar colaborando para o aumento dos casos registrados.

"Minha hipótese é que os números podem ter sido sempre altos e, agora, estamos simplesmente percebendo o aumento destes casos porque sabemos como fazer o teste", explica ele.

Por que o risco é maior entre as crianças?

Por que o risco é maior entre as crianças? — Foto: BBC
Por que o risco é maior entre as crianças? — Foto: BBC

Especialistas indicam que as crianças têm maior probabilidade de serem infectadas por Naegleria fowleri do que os adultos.

"A idade em que mais pessoas sofrem da doença ao contraírem a infecção é aos 12 anos, pois as crianças adoram esguichar água quente", segundo o professor Ian Wright, especialista em ciências da água da Universidade do Oeste de Sydney, na Austrália. "É muito cruel."

Alguns cientistas também acreditam que as crianças podem estar em maior risco de contrair a infecção porque a ameba conseguiria atravessar a barreira entre o nariz e o cérebro das pessoas mais jovens com maior facilidade.

"É como um pesadelo, um filme de terror ou um romance de Stephen King", descreve Wright. "É muito improvável contrair a infecção, mas, se ela ocorrer, você provavelmente irá morrer."

No caso de infecções em estágio inicial, os médicos tentam tratar os pacientes com uma combinação de medicações, além de medidas para reduzir o inchaço do cérebro. Ainda assim, o índice de sobrevivência permanece extremamente baixo.

Mas o recente surto em Kerala, um dos Estados localizados mais ao sul da Índia e popular destino turístico, desafiou nossos conhecimentos sobre a real mortalidade da doença.

Ali, mais da metade das 200 pessoas contaminadas sobreviveram, o que está muito acima do índice histórico de sobrevivência de cerca de 3%, segundo uma nova pesquisa publicada na revista Communications Medicine.

As conclusões indicam que as infecções causadas pela ameba comedora de cérebros podem não ser tão fatais quanto se pensava anteriormente.

O diagnóstico precoce, maior conhecimento dos médicos e protocolos de tratamento mais consistentes provavelmente contribuíram para os melhores resultados, segundo a equipe internacional de pesquisadores responsável pelo estudo.

Como se manter em segurança

Além das brincadeiras na água, a ameba Naegleria fowleri também pode entrar no corpo através de sistemas de irrigação nasal, os frascos de bico longo tipicamente utilizados para combater os sintomas de resfriados, infecções dos seios nasais e alergias.

No ano passado, uma mulher até então saudável de 71 anos morreu no Estado americano do Texas, após duas semanas de uso de um desses sistemas, abastecido com água da torneira de um trailer.

A higienização do nariz também pode fazer parte de práticas religiosas, como no islamismo, e de outras práticas como o ayurveda, um sistema de medicina holística originário da Índia.

Os sistemas de irrigação nasal podem ser um caminho fácil para que a Naegleria fowleri chegue ao cérebro — Foto: Getty Images via BBC
Os sistemas de irrigação nasal podem ser um caminho fácil para que a Naegleria fowleri chegue ao cérebro — Foto: Getty Images via BBC

Medidas simples podem reduzir ainda mais o risco de infecção, que já é naturalmente muito pequeno.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) aconselham o uso de água destilada, esterilizada ou previamente fervida e resfriada para a higienização nasal.

A água da torneira contaminada já foi relacionada a casos raros de infecção.

Ao nadar em água doce quente, a agência recomenda reduzir o risco de que a água entre pelo nariz. Para isso, você pode segurar o nariz ou usar um clipe nasal, ao mergulhar ou pular na água.

"Na dúvida, simplesmente não coloque sua cabeça dentro da água", aconselha Ian Wright.

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Preço do petróleo dispara após novos ataques entre EUA e Irã e Trump dizer que acordo de paz 'acabou'

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O petróleo Brent, referência internacional, subiu 5,3%, sendo cotado a US$ 78,09 o barril (cerca de R$ 403)
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Por Associated Press

Postado em 08 de Julho de 2.026 às 07h15
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Guerra no Oriente Médio atinge diretamente setores da indústria brasileira que usam derivados de petróleo como matéria prima — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Guerra no Oriente Médio atinge diretamente setores da indústria brasileira que usam derivados de petróleo como matéria prima — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

As bolsas asiáticas fecharam sem tendência definida nesta quarta-feira (8), enquanto os preços do petróleo dispararam mais de 5% após os Estados Unidos lançarem ataques contra o Irã e após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter dito que o acordo de paz com os iranianos "acabou".

A ofensiva americana ocorreu após Washington acusar Teerã de atingir três navios no Estreito de Ormuz.

Os mercados futuros em Nova York operavam com estabilidade.

O petróleo Brent, referência internacional, subia 5,3%, cotado a US$ 78,09 o barril no início desta quarta-feira. O petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, registrava alta quase idêntica de 5,4%, negociado a US$ 74,23 o barril. Ambos os contratos vinham acumulando quedas recentes, retornando aos patamares registrados antes do início do conflito com o Irã, no fim de fevereiro.

As ações na China e em Hong Kong avançaram, enquanto os demais mercados da região operaram majoritariamente em queda.

Em Tóquio, o índice Nikkei 225 recuou 0.3%, aos 68.077,96 pontos. Em Seul, o Kospi registrou forte queda de 2,9%, fechando a 7.429,13 pontos.

O índice sul-coreano vem enfrentando forte volatilidade: chegou a superar a marca dos 9.000 pontos no mês passado, mas passou a sofrer com sucessivas ondas de realização de lucros em grandes empresas de tecnologia voltadas para inteligência artificial (IA), como a Samsung Electronics e a SK Hynix. A Samsung caiu 2,9% no início da quarta-feira, após desabar cerca de 7% no pregão anterior. Já a SK Hynix avançou 2,4%.

Em Taiwan, o índice Taiex registrou leve baixa de 0,2%.

Por outro lado, em Hong Kong, o Hang Seng subiu 2,4%, para 24.057,24 pontos. Na China continental, o índice de Xangai Composto avançou 0,5%, aos 4.011,05 pontos.

Embora o "boom" global das ações de IA tenha ignorado as bolsas chinesas em grande parte, os investidores parecem focar agora nos esforços domésticos de Pequim para desenvolver sua própria infraestrutura no setor.

O setor de tecnologia liderou a alta desta quarta-feira no mercado chinês, com a Tencent Holdings subindo 3,1%, enquanto a gigante do comércio eletrônico e financeiro Alibaba Group Holding disparou 8,1%. A Baidu avançou 4,7%.

Em outros mercados da Ásia, o índice S&P/ASX 200, da Austrália, recuou 0,7%, para 8.738,90 pontos, enquanto o Sensex, da Índia, também fechou em queda de 0,7%.

Na véspera, a volatilidade dos papéis de IA voltou a pressionar as bolsas de Nova York, arrastando Wall Street para o terreno negativo.

O S&P 500 caiu 0,4%, para 7.503,85 pontos, embora a maioria das ações do índice tenha fechado em alta.

A desvalorização das empresas ligadas à inteligência artificial derrubou o índice de tecnologia Nasdaq em 1,2%, para 25.818,69 pontos. O Dow Jones Industrial Average recuou 0,2%, afastando-se de seu recorde histórico para fechar em 52.925,15 pontos.

Os mercados vêm sendo atingidos por temores de que as ações de IA tenham subido além do justificável e de que os investimentos massivos em chips e data centers possam não gerar o ganho de produtividade e os lucros necessários para validar tais valuations.

A Advanced Micro Devices despencou 6,5%, a Intel recuou 9,7% e a Micron Technology perdeu 4,7%.

A SpaceX, controladora da operação da xAI, caiu 6,8% em sua estreia no índice Nasdaq 100.

No setor automotivo, a fabricante de veículos elétricos Rivian Automotive desabou 18,1% após anunciar a emissão de 75 milhões de novas ações, movimento que dilui a participação dos atuais acionistas.

No mercado de câmbio, o dólar americano subia para 162,38 ienes, contra 162,11 ienes do fechamento anterior. O euro operava estável, cotado a US$ 1,1414.

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Irã lança mísseis contra bases militares dos EUA no Bahrein e Kuwait após bombardeio

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Guarda Revolucionária do Irã afirma ter atingido aeronave americana, do modelo MQ-9, no sul do país.
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Por Redação g1

Postado em 08 de Julho de 2.026 às 05h00m
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 Explosão em Bandar Abbas, no Irã, após bombardeio dos EUA
Explosão em Bandar Abbas, no Irã, após bombardeio dos EUA 

Irã lançou ataques retaliatórios contra o Bahrein e o Kuwait na madrugada desta quarta-feira (8). A ofensiva de Teerã é uma resposta imediata aos bombardeios aéreos realizados horas antes pelos Estados Unidos contra o território iraniano, após o regime persa ser acusado de atingir três navios comerciais no Estreito de Ormuz.

Ambos os países árabes atingidos abrigam bases militares de Washington: o Bahrein é a sede da 5ª Frota da Marinha dos EUA, enquanto o Kuwait serve de quartel-general para as forças do Exército americano na região. Os dois governos acionaram alertas de mísseis para a população no início da manhã.

O comando militar central do Irã confirmou a reação e alertou que "responderá de forma decisiva a essa agressão e ato terrorista" dos Estados Unidos. Até a última atualização desta reportagem, a mídia estatal iraniana havia reconhecido explosões nas regiões de Bandar Abbas, Qeshm e Sirik, mas não divulgou informações sobre baixas ou a extensão dos danos no Bahrein e no Kuwait.

Segundo a Guarda Revolucionária do país, 85 instalações militares dos EUA foram atingidas nos dois países.

EUA bombardeiam alvos no Irã após navios serem atacados no Estreito de Ormuz
EUA bombardeiam alvos no Irã após navios serem atacados no Estreito de Ormuz

A nova escalada militar coloca em xeque o acordo provisório de cessar-fogo na região, costurado após a guerra iniciada no fim de fevereiro. Os ataques ocorrem no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, cumpre agenda na Turquia para a cúpula da Otan.

EUA bombardeiam o Irã

De acordo com o Centcom, a ofensiva tem como objetivo impor "custos elevados" ao Irã por atacar embarcações comerciais tripuladas por civis em uma das principais rotas marítimas do mundo.

"O Irã demonstrou uma agressão injustificada, perigosa e que representa uma clara violação do cessar-fogo", afirmou o comando militar americano em comunicado.

Uma fonte americana ouvida pela Reuters disse que os ataques miraram sistemas de defesa aérea do Irã, além de lançadores de drones e mísseis.

A TV estatal iraniana informou que várias explosões foram registradas em Sirik, cidade portuária no sul do Irã, próxima ao Estreito de Ormuz. Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre a causa das explosões nem sobre possíveis vítimas.

Ainda segundo a mídia estatal, o chanceler iraniano disse que os ataques violam o cessar-fogo e provocarão ações "decisivas".

Mais cedo, a agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que três navios foram atingidos por projéteis no Estreito de Ormuz. Ninguém ficou ferido.

O governo do Catar afirmou que uma das embarcações atingidas era o petroleiro "Al Rekayyat" e responsabilizou o Irã pelo ataque. Segundo a Reuters, nos bastidores, autoridades dos EUA também culpavam Teerã.

Os ataques ocorreram apesar do cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã após a guerra iniciada no fim de fevereiro.

Apesar da nova escalada, as negociações continuam. Um funcionário do governo americano disse à Reuters que representantes dos dois países seguem atuando "de boa-fé" para tentar chegar a um acordo de paz definitivo.

A segurança de navegação e o controle sob o Estreito de Ormuz é um dos principais pontos de atrito nas negociações entre Teerã e Washington.

Após os ataques à embarcações no Estreito de Ormuz, os Estados Unidos voltaram a impor sanções sobre o setor de petróleo do Irã. O governo americano revogou nesta terça-feira uma licença que havia suspendido temporariamente as restrições às exportações de petróleo iraniano.

A isenção, anunciada em junho como parte do acordo de cessar-fogo entre os dois países, permitia que Teerã produzisse, vendesse e entregasse petróleo bruto e derivados até 21 de agosto.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a decisão e afirmou que a medida viola o Memorando de Islamabad, firmado para encerrar a guerra entre os dois países.

Teerã também responsabilizou Washington pelas consequências da decisão e disse que adotará "todas as medidas necessárias" para proteger seus interesses e a segurança nacional.

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terça-feira, 7 de julho de 2026

Procuradores democratas contestam tarifaço dos EUA que atinge o Brasil

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Grupo se opõe às taxas de até 12,5% a dezenas de países acusados de não combater trabalho forçado
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Mariana Catacci, da CNN Brasil
06/07/26 às 20:23 | Atualizado 06/07/26 às 20:23
Postado em 07 de Julho de 2.026 às 06h00m
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Miniatura do presidente dos EUA, Donald Trump, em ilustração diante da bandeira do Brasil com a palavra "tarifas"  • 23/07/2025. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File photo

Um grupo de 22 procuradores-gerais democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, nesta segunda-feira (6), criticando as tarifas de até 12,5% a países acusados de não combater o trabalho forçado, incluindo o Brasil.

Os procuradores afirmam que as tarifas, se concretizadas, teriam efeitos abrangentes e prejudiciais à economia, além de permitirem ao "Poder Executivo usurpar o poder de tributar do Congresso, ao exceder os limites da Seção 301".

O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) recomendou tarifas de até 12,5% ao Brasil e outros 58 países, além da União Europeia, por supostamente não agirem para combater o trabalho forçado. A recomendação do órgão americano veio após investigações no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA retaliar supostas práticas comerciais desleais de outros países.

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Na carta, o democratas condenam veemente o trabalho forçado e reconhecem que produtos fabricados a partir de práticas ilegais devem ser impedidos de entrar nos EUA. No entanto, alegam que o USTR "utilizou o trabalho forçado como pretexto para manter um esquema tarifário ilegal".

As autoridades estaduais afirmam, ainda, que o efeito provável da tarifa não seria a redução do trabalho forçado, mas sim o aumento dos preços nos estados americanos e a "devastação econômica que tarifas anteriores causaram".

"O presidente Trump demonstrou que deseja ter autoridade ilimitada para impor tarifas à maior parte do mundo. Mas a Constituição garante ao Congresso, e não ao Presidente, o poder para instituir e cobrar impostos, direitos, taxas e tributos", diz a carta.

O documento assinado pelos democratas cita o que considera como contradições na recomendação do USTR e dá destaque ao exemplo do Brasil. Segundo a carta, o relatório do órgão comercial dos EUA cita a carne bovina congelada do Brasil como um dos produtos associados ao trabalho forçado, mas isenta boa parte desses produtos logo no Anexo A da proposta. Outros produtos, como café e minérios, também são citados e depois isentos.

Os procuradores consideraram que o relatório do USTR "não explica de forma satisfatória por que a importação desses produtos sem tarifas é justificada, ao mesmo tempo em que se impõem tarifas a inúmeros outros produtos que não apresentam risco de terem sido produzidos com trabalho forçado e que, por sua vez, não distorcem o mercado".

Além da taxa de 12,5%, os EUA também ameaçar aplicar uma outra tarifa de 25% ao Brasil. Entre as razões, estão o suposto favorecimento do Banco Central ao Pix, em detrimento de outros serviços de pagamento oferecidos por companhias americanas. Além disso, o USTR cita o fim da cooperação bilateral sobre etanol, o desmatamento, a pirataria e a corrupção como outras justificativas para a nova barreira comercial.

O prazo final para que o governo americano decida sobre a aplicação das tarifas é 15 de julho.











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