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terça-feira, 3 de março de 2026

Análise: Irã aposta no caos econômico como arma na guerra contra os EUA

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Regime dos aiatolás está atacando refinarias, petroleiros e instalações de produção de gás em vários países do Oriente Médio como tática para pressionar o presidente Trump
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Américo Martins
Especialista em jornalismo internacional e fascinado pelo mundo desde sempre, foi diretor da BBC de Londres e VP de Conteúdo da CNN; já visitou mais de 70 países

03/03/26 às 07:39 | Atualizado 03/03/26 às 07:45
Postado em 03 de Março de 2.026 às 10h00m
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Bandeiras iranianas em dia de ataque dos EUA ao Irã  • Reuters

O Irã está tentando provocar uma grave crise econômica no Oriente Médio, e possivelmente em outras partes do mundo, para usá-la como arma contra os Estados Unidos.

É por isso que os iranianos decidiram atacar praticamente todos os países da região do Golfo Pérsico, tendo como alvos, em especial, pontos de infraestrutura econômica.

Essas retaliações iranianas causaram espanto em boa parte do mundo. O próprio presidente Donald Trump afirmou em entrevista exclusiva à CNN que ficou surpreso com a abrangência dos ataques.

A expectativa dos americanos era a de que Teerã concentrasse sua retaliação em bases militares dos Estados Unidos na região ou diretamente contra Israel.

Em vez disso, o regime dos aiatolás ampliou o raio de ação e passou a atingir ativos estratégicos de países árabes que, em muitos casos, são aliados históricos de Washington mas que mantém também relações com o Irã.

A lógica por trás dessa escolha é estratégica.

Ao espalhar o conflito, o Irã tenta impedir que a guerra fique restrita a um embate militar direto com americanos e israelenses, confronto no qual está em clara desvantagem tecnológica e aérea.

Ao mirar em alvos econômicos, Teerã amplia o custo político do conflito e transforma o mercado de energia em campo de batalha.

E os danos já são muito sérios.

Na Arábia Saudita, drones e mísseis atingiram uma grande refinaria na costa leste do país, forçando a interrupção temporária de parte da produção.

Autoridades sauditas confirmaram danos em unidades de processamento e armazenamento, o que reduziu a capacidade de refino em centenas de milhares de barris por dia.

No Catar, um ataque contra instalações de produção de gás natural levou à suspensão parcial das operações em um dos principais complexos exportadores do mundo.

O país é um dos maiores exportadores globais de GNL (gás liquefeito), especialmente para Europa e Ásia. A paralisação, ainda que temporária, teve impacto imediato nos preços internacionais do produto, que saltaram a níveis recordes.

Além disso, o Irã prometeu atacar e incendiar qualquer petroleiro que tente atravessar o Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e por onde passam mais de 20% de toda a produção de petróleo mundial.

Pelo menos duas embarcações relataram danos após explosões próximas ao casco, segundo relatos de companhias de navegação.

O simples risco de bloqueio ou ataques na região já praticamente zerou o tráfego de petroleiros no local, elevou prêmios de seguro marítimo e ampliou a ansiedade no setor energético.

Para piorar, os alvos não se limitaram ao petróleo e ao gás.

Infraaestruturas civis de alto valor simbólico e econômico também foram atingidas.

O aeroporto de Dubai, um dos maiores hubs internacionais do mundo, teve operações interrompidas após um ataque que danificou áreas logísticas.

Milhares de voos na região já foram cancelados, afetando também o mercado de cargas.

Hotéis de luxo na região registraram cancelamentos em massa. O setor de turismo, já fragilizado pela instabilidade regional, sofreu novo abalo.

Tudo isso está acontecendo porque o Irã aposta que governos como os da Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, profundamente dependentes da estabilidade energética, comercial e aérea, vão pressionar Washington a rever sua estratégia militar.

O cálculo iraniano é que uma crise prolongada no fornecimento de petróleo e gás teria impacto global, pressionaria a inflação em várias economias e poderia afetar o próprio eleitorado americano.

Há ainda um componente político regional. Teerã aposta que os governos árabes hesitarão em entrar diretamente no conflito ao lado de Israel.

Um ataque aberto contra o Irã poderia provocar reação negativa da opinião pública nesses países e desestabilizar lideranças locais. É uma aposta de alto risco, mas calculada.

Ao transformar a economia em arma de guerra, o Irã amplia o campo de batalha e manda um recado claro de que quer que o custo do conflito seja pago por toda a região e, possivelmente, pelo mundo todo.

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PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, diz IBGE

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Resultado representa uma desaceleração em comparação ao ano anterior, quando a economia brasileira cresceu 3,4%. Avanço foi puxado pela agropecuária, que cresceu 11,7% no período.
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Por Isabela Bolzani, g1 — São Paulo

Postado em 03 de Março de 2.026 às 09h25m
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PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, diz IBGE
PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, diz IBGE

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3). Em valores correntes, a economia brasileira totalizou R$ 12,7 trilhões no ano.

O resultado representa uma desaceleração em comparação a 2024, quando o Brasil cresceu 3,4%, e é o menor número em cinco anos. Ainda assim, o número marca o quinto ano seguido de crescimento da economia brasileira. No quarto trimestre de 2025, o PIB cresceu 0,1% em relação aos três meses anteriores, mantendo-se praticamente estável.

O principal destaque ficou com a agropecuária, que registrou um crescimento de 11,7% em 2025 — resultado dos aumentos na produção e dos ganhos na produtividade de várias culturas, com destaque para o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que alcançaram recordes no ano.

"Só a agropecuária responde por 33% de todo o crescimento da economia do ano passado. Tivemos um recorde nas safra de soja e milho, que pesam 45% da lavoura e também vimos uma safra muito alta de laranja", afirmou Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do IBGE.

Evolução do PIB brasileiro ano a ano, até 2025 — Foto: Arte/g1
Evolução do PIB brasileiro ano a ano, até 2025 — Foto: Arte/g1

O setor de serviços, por sua vez, apresentou um avanço de 1,8% no ano e registrou um crescimento de todas as atividades em 2025 — mesmo com o alto nível de juros. Entre os destaques, estavam informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%) e transporte, armazenagem e correio (2,1%).

A indústria teve um crescimento de 1,4% no ano, apoiada pelas Indústrias Extrativas, que registraram um avanço de 8,6% no período com o impulso da extração de óleo e gás. O segmento de construção (0,5%) também contribuiu para o avanço do setor, enquanto eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,4%) e as indústrias de transformação (-0,2%) tiveram variações negativas.

Quatro atividades: agropecuária, indústrias extrativas, informação e comunicação e outras atividades de serviços, contribuíram com 72% do total do volume do valor adicionado em 2025, atividades estas menos afetadas pela política monetária contracionista [juros elevados], disse Palis, em nota.

  • 🔎 Valor adicionado é a riqueza efetivamente gerada na economia. É calculado pela diferença entre o valor do que foi produzido no país e o custo dos insumos utilizados na produção.
Míriam Leitão analisa os números do PIB de 2025
Míriam Leitão analisa os números do PIB de 2025

Principais destaques do PIB em 2025:

  • Serviços: 1,8%
  • Indústria: 1,4%
  • Agropecuária: 11,7%
  • Consumo das famílias: 1,3%
  • Consumo do governo: 2,1%
  • Investimentos: 2,9%
  • Exportações: 6,2%
  • Importação: 4,5%
O Tocantins sediará a Abertura Nacional da Colheita da Soja 2026, evento que reforça a visibilidade do estado no cenário agrícola nacional. — Foto: Grupo Wink
O Tocantins sediará a Abertura Nacional da Colheita da Soja 2026, evento que reforça a visibilidade do estado no cenário agrícola nacional. — Foto: Grupo Wink

Consumo das famílias desacelera no ano

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias registrou um crescimento de 1,3%. O resultado positivo, segundo o IBGE, foi reflexo da melhora do mercado de trabalho no ano — com crescimento da massa salarial real —, do aumento do crédito e dos programas de transferência de renda do governo.

Mesmo assim, o número ainda representa uma desaceleração em comparação a 2024, quando cresceu 5,1%. Essa desaceleração era esperada pelo mercado por conta dos altos níveis da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano, e pelo alto endividamento das famílias.

Já o volume de investimentos feitos no país — chamados pelo IBGE de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) — cresceu 2,9% em 2025, impulsionado pelo aumento na importação de bens de capital, pelo desempenho de software e pelo bom desempenho na indústria de construção.

"Essas contribuições positivas compensaram a queda na produção interna de bens de capital", informou o IBGE em nota.

A taxa de investimento em 2025 foi de 16,8%, em uma leve desaceleração em comparação ao ano anterior (16,9%). Já a taxa de poupança acelerou de 14,1% para 14,4% na mesma relação.

PIB cresce 0,1% no quarto trimestre

Nos últimos três meses de 2025, a atividade econômica brasileira registrou um crescimento de 0,1% em comparação ao terceiro trimestre, mantendo-se praticamente estável.

Variação trimestral do PIB brasileiro no quarto trimestre de 2025 — Foto: Arte/g1
Variação trimestral do PIB brasileiro no quarto trimestre de 2025 — Foto: Arte/g1

Nessa relação, as atividades de serviços e agropecuária cresceram 0,8% e 0,5%, respectivamente, enquanto a indústria apresentou um recuo de 0,7%.

Entre as variações positivas no setor de serviços, o destaque ficou com atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, com um avanço de 3,3%. Informação e comunicação (1,5%), outras atividades de serviços (0,7%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,4%) também tiveram resultados positivos.

Já entre as atividades industriais, o resultado negativo foi puxado principalmente pela queda na construção (2,3%) e nas indústrias de transformação (-0,6%).

Pela ótica da despesa, o consumo do governo cresceu 1% e o consumo das famílias ficou estável. Os investimentos, por sua vez, caíram 3,5% no período.

*Esta reportagem está em atualização

Análise do PIB sob a ótica da oferta no 4º trimestre de 2025 — Foto: Arte/g1
Análise do PIB sob a ótica da oferta no 4º trimestre de 2025 — Foto: Arte/g1


Análise do PIB sob a ótica da demanda no 4º trimestre de 2025 — Foto: Arte/g1
Análise do PIB sob a ótica da demanda no 4º trimestre de 2025 — Foto: Arte/g1

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segunda-feira, 2 de março de 2026

Análise: O Irã não é a Venezuela

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Comparar a Absolute Resolve e a Epic Fury é um exercício de falsa simetria e não ajuda a explicar o que acontece no Oriente Médio nesse momento
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Fernanda Magnotta
PhD especializada em Estados Unidos. Professora da FAAP, pesquisadora do CEBRI e do Inter-American Dialogue. Referência brasileira na área de Relações Internacionais

02/03/26 às 18:47 | Atualizado 02/03/26 às 18:47
Postado em 02 de Março de 2.026 às 19h20m
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Fumaça se eleva no horizonte após uma explosão em Teerã, Irã, neste sábado (28)  • Reprodução/AP/CNN Internacional

Comparar a operação Absolute Resolve, que capturou Nicolás Maduro, e a Epic Fury, que culminou nos ataques ao Irã, é um exercício de falsa simetria e revela mais sobre quem compara do que sobre os fatos.

Em menos de dois meses, Donald Trump autorizou duas operações militares contra regimes com os quais Washington mantinha antagonismos históricos.

A primeira, em 3 de janeiro, capturou Nicolás Maduro em Caracas. A segunda, em 28 de fevereiro, em coordenação com Israel, eliminou o aiatolá Ali Khamenei e desarticulou parte substancial da cúpula político-militar iraniana.

Para parte do comentariado, trata-se de variações de uma mesma doutrina. A leitura tem apelo retórico, mas falha ao ignorar a assimetria estrutural entre os dois teatros.

A diferença central não está no presidente que ordena, mas no sistema que reage. A Venezuela é um Estado economicamente colapsado, com capacidade militar limitada e poder de retaliação praticamente nulo fora de suas fronteiras.

A captura de seu chefe de Estado produziu impacto regional e simbólico, mas não choque sistêmico global.

O Irã, por sua vez, é uma potência regional de quase 90 milhões de habitantes, com orçamento militar expressivo, arsenal de mísseis balísticos, programa nuclear sensível e uma rede de proxies que se estende do Líbano ao Iêmen.

Mais decisivo: o país ocupa posição estratégica no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

Nas primeiras horas após a operação americana, o gás europeu abriu com alta significativa e o Brent disparou. Uma escalada envolvendo Teerã não é crise periférica; é risco sistêmico, com potencial de produzir choques energéticos comparáveis aos de 1973, pressionar a inflação global e desorganizar cadeias produtivas.

A Venezuela não move mercados globais. O Irã pode paralisá-los.

Também diverge a natureza do objetivo. Maduro havia sido formalmente indiciado em 2020 pelo Distrito Sul de Nova York por narcoterrorismo. A operação foi enquadrada como ação policial extraterritorial: captura, transferência e apresentação a um juiz federal.

No caso iraniano, não havia indiciamento nem tribunal. A linguagem oficial foi de guerra estratégica e mudança de regime. Uma operação produz um réu; a outra elimina um líder de um país soberano.

O contexto diplomático amplia o contraste. A Epic Fury ocorreu após o anúncio de Omã de que Teerã aceitara não mais estocar urânio enriquecido e permitir verificação plena da Agência Internacional de Energia Atômica.

Atacar após um avanço negociado, ainda que frágil, altera profundamente a leitura internacional do ato. Capturar um indiciado não reconfigura a arquitetura global de segurança.

Em ambos os casos, Trump agiu sem autorização prévia do Congresso, mas a moldura jurídica também difere.

Na Venezuela, apoiou-se em indiciamentos preexistentes e na doutrina de autoridade constitucional inerente. No Irã, invocou-se ameaça iminente, justificativa contestada por analistas e ex-oficiais que veem na operação acionamento direto da Lei de Poderes de Guerra.

Reconhecer o fio condutor, a preferência pela força como instrumento central de política externa, não autoriza equivalência analítica.

Não se trata de absolver nem de condenar, mas de compreender proporções. Uma operação atravessou fronteiras; a outra atravessou o equilíbrio estratégico de uma região inteira.

Confundir ambas é reduzir a complexidade do sistema internacional a uma narrativa conveniente. E, na política global, narrativas podem confortar, mas são as consequências que permanecem.

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Preço do petróleo dispara após ataques ao Irã

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O preço do barril de Brent chegou a subir quase 14%; o conflito afeta o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 02 de Março de 2.026 às 12h40m
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Os preços do petróleo e do gás dispararam e as principais Bolsas do mundo operavam em queda nesta segunda-feira (2), após a escalada do conflito no Oriente Médio, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e pela resposta de Teerã.

Segundo a France Presse, o setor mais afetado nos mercados acionários foi o de aviação e turismo, com quedas expressivas nas ações das companhias.

Em meio ao conflito, os preços do petróleo já chegaram a subir 13%, ultrapassando os US$ 82 por barril, o valor mais alto desde janeiro de 2025.

  • 🔎 Na abertura dos mercados, o barril do Brent subiu quase 14%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou cerca de 12%. Por volta das 10h18 (horário de Brasília), o Brent subia 8,30%, cotado a US$ 78,92, e o WTI ganhava 7,74%, negociado a US$ 72,19.

Antes mesmo da escalada do conflito, o petróleo já vinha subindo por causa das tensões políticas e terminou a semana em US$ 72.

  • 🔥 A guerra também elevou fortemente os preços do gás na Europa. O contrato do TTF (Title Transfer Facility), principal referência para o preço do gás natural na Europa, subia mais de 41% por volta das 10h28 (horário de Brasília), cotado a 45,3 euros por megawatt-hora (MWh).

O temor é de que o conflito afete as exportações de gás natural liquefeito (GNL) da região do Golfo, especialmente do Catar.

Na Ásia, a maioria dos mercados de ações caiu, refletindo a preocupação dos investidores com o conflito no Oriente Médio. Tóquio (1,4%) e Hong Kong (2,1%) tiveram quedas mais fortes, enquanto Xangai foi exceção e fechou em leve alta (veja mais detalhes do dia no mercado).

Na Europa, as Bolsas também abriram em queda, com perdas generalizadas. Paris caía 1,96%, Frankfurt recuava 1,99%, Milão perdia 2,13%, Londres cedia 0,55% e Madri registrava queda de 2,58%, segundo a AFP.

✈️ As empresas aéreas foram as mais prejudicadas, uma vez que a alta do petróleo encarece o combustível dos aviões. Em contraste, companhias de energia se valorizaram, já que o aumento dos preços do petróleo e do gás tende a elevar seus lucros.

Produção interrompida em vários países

De acordo com a Reuters, o Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito após uma instalação da QatarEnergy ser atingida por drones iranianos.

A Arábia Saudita também fechou, por precaução, sua maior refinaria doméstica, em Ras Tanura, com capacidade para 550 mil barris por dia.

No Curdistão iraquiano, a maior parte da produção de petróleo foi interrompida. Empresas como DNO, Gulf Keystone Petroleum, Dana Gas e HKN Energy paralisaram suas operações preventivamente, embora não tenham sido relatados danos diretos.

Em fevereiro, a região exportava cerca de 200 mil barris por dia por meio de um oleoduto até o porto turco de Ceyhan.

Em Israel, o governo determinou que a Chevron suspendesse temporariamente as operações no campo de gás Leviatã, um dos maiores do país e estratégico para as exportações ao Egito.

A empresa também opera o campo de Tamar. A Energean desligou sua plataforma que atendia campos menores, segundo a Reuters.

No Irã, explosões foram registradas na ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do país. Ainda não há informações precisas sobre o impacto nas instalações, de acordo com a Reuters.

O Irã é o terceiro maior produtor da Opep e responde por cerca de 4,5% do fornecimento global de petróleo. Sua produção é estimada em 3,3 milhões de barris por dia, além de 1,3 milhão de barris de condensados e outros líquidos.

Estreito de Ormuz e risco de disparada nos preços

Segundo a Reuters, o conflito praticamente paralisou a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.

Com isso, os preços do petróleo subiram cerca de 13% e ultrapassaram US$ 82 por barril, o maior nível desde janeiro de 2025.

Após ataques a navios na região do Golfo, a Organização Marítima Internacional recomendou que empresas evitassem a área. O preço dos seguros disparou e grandes companhias confirmaram a suspensão de rotas pelo estreito, informou a France Presse.

Embora países importadores mantenham estoques estratégicos — membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) são obrigados a ter reservas equivalentes a 90 dias de consumo —, analistas não descartam que o barril supere os US$ 100.

Se houver uma interrupção prolongada no fornecimento por Ormuz, o petróleo pode subir rapidamente para US$ 100 por barril, especialmente se ocorrerem ataques a instalações da região, afirmou o Eurasia Group à AFP.

A última vez que o petróleo ultrapassou esse patamar foi no início da guerra na Ucrânia, quando a alta da energia contribuiu para um ciclo prolongado de inflação.

Em resposta ao conflito, Arábia Saudita, Rússia e outros seis integrantes da Opep+ decidiram aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, volume acima do inicialmente previsto, segundo a France Presse.

Ouro e dólar em alta

O encarecimento da energia pode pressionar ainda mais a inflação e prejudicar a atividade econômica.

A geopolítica e a situação envolvendo Irã, Estados Unidos e o Oriente Médio devem dominar os mercados financeiros nesta segunda-feira, disse Kathleen Brooks, da corretora XTB, à AFP.

O ouro, considerado um ativo de proteção em períodos de instabilidade, subiu 2%, enquanto o dólar também se valorizou.

Com o envio de tropas, aviões e navios de guerra dos Estados Unidos para a região nas últimas semanas, os metais preciosos já vinham se recuperando: o ouro subiu 3,3% e a prata, 10,8% na semana passada, afirmou Brooks. Eles continuam sendo vistos como reserva de valor.

Navio passa pelo estreito de Ormuz — Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo
Navio passa pelo estreito de Ormuz — Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo

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