Total de visualizações de página

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Coreia do Norte lança maior navio de guerra e acelera expansão naval

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Destróier de 5 mil toneladas entra em serviço em cerimônia com Kim Jong Un, enquanto analistas apontam avanço militar e possíveis ajudas externas
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Brad Lendon e Yoonjung Seo, da CNN
24/06/26 às 03:38 | Atualizado 24/06/26 às 03:38
Postado em 24 de Junho de 2.026 às 05h30m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
#.* --  Post. - Nº.\  12.340 --  *.#


Kim afirma que a Coreia do Norte deve construir dois navios de guerra por ano nos próximos cinco anos  • Reuters

A Coreia do Norte colocou em operação na terça-feira (23) seu maior navio de guerra já construído, um destróier de 5 mil toneladas que, segundo analistas militares, pode dar aos adversários de Pyongyang mais um elemento de atenção em situações de crise.

Em discurso no estaleiro de Nampho, na costa oeste do país, o líder Kim Jong Un afirmou que a incorporação representa um novo capítulo na história militar norte-coreana, declarando que a marinha pôs fim a mais de 70 anos de estagnação.

Em termos de equipamento militar, a marinha era a mais fraca de todos os ramos de nossas forças armadas. Agora as coisas mudaram claramente, disse Kim, segundo a agência estatal KCNA.

A capacidade de combate da nossa marinha crescerá de forma admirável, além da imaginação.

Leia Mais

A frota naval norte-coreana há muito é ofuscada pelas forças da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, que operam navios modernos e submarinos com eletrônica avançada e poderosos sistemas de mísseis.

O destróier incorporado nesta terça-feira, o Choe Hyon, deve ter capacidade de lançar mísseis antinavio e de ataque terrestre, embora isso ainda não tenha sido confirmado, disseram analistas.

O novo navio representa um avanço em relação ao modelo naval tradicional do país, baseado em forças costeiras assimétricas, como submarinos, embarcações rápidas de ataque, artilharia costeira, minas e infiltração de forças especiais, disse Yu Ji-hoon, pesquisador do Instituto Coreano de Análises de Defesa.

A marinha norte-coreana está se afastando de uma estrutura centrada na defesa costeira para ampliar sua ameaça nuclear e de mísseis ao domínio marítimo, afirmou.

Kim disse ainda que o Choe Hyon será o primeiro de uma frota moderna, com embarcações ainda maiores previstas.

Ele reconheceu dificuldades no processo, afirmando que a expansão naval não é nada tranquila, possivelmente em referência ao navio-irmão Kang Kon, que virou durante o lançamento em maio de 2025.

O Kang Kon foi reflutuado e voltou a operar cerca de um mês depois, iniciando testes no mar neste mês. Kim disse que ele também será incorporado “em breve”.

O líder pediu que estaleiros norte-coreanos produzam dois novos navios de superfície por ano, incluindo cruzadores com o dobro do tamanho do Choe Hyon.

Embora Kim afirme que o navio foi produzido inteiramente no país, o professor Leif-Eric Easley, da Universidade Ewha, em Seul, disse que o ritmo da construção pode indicar apoio externo.

A velocidade e a escala pretendida da expansão naval de Kim Jong Un sugerem que a Coreia do Norte pode estar recebendo assistência significativa de material e tecnologia da Rússia, afirmou.

Ainda assim, analistas dizem que o país ainda está longe de alcançar a Coreia do Sul e os Estados Unidos, que juntos operam dezenas de destróieres com sistemas avançados de mísseis e combate.

Não acho que o Choe Hyon represente diretamente uma nova ameaça à Coreia do Sul, disse Carl Schuster, ex-diretor do Centro Conjunto de Inteligência do Comando do Pacífico dos EUA.

A sobrevivência do navio seria limitada em um conflito, afirmou.

Mas ele destacou que o navio precisa ser considerado no planejamento militar.

Os Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul podem ser forçados a ampliar o monitoramento da marinha norte-coreana, disse.

O fato de ser o primeiro navio oceânico de 5.000 toneladas do país também adiciona complexidade à aplicação de sanções da ONU.

Por exemplo, uma escolta de um navio de guerra em uma remessa marítima de armas complica uma operação de interceptação e abordagem, afirmou Schuster.

Yu também afirmou que Seul não pode ignorar a nova embarcação.

Mesmo que não seja um destróier totalmente moderno, ainda pode representar um peso real para a segurança sul-coreana se for usado como plataforma de lançamento de mísseis ou para escalar crises, disse.

CNN Brasil Siga a CNN Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Tópicos


--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

terça-feira, 23 de junho de 2026

Piloto dos EUA abatido no Irã diz ter visto drones com capacidade inédita

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Conteúdo exclusivo: Militar descreveu visão chocante de dispositivos se movendo como "água-viva", gerando debate na inteligência americana
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Zachary Cohen e Katie Bo Lillis, da CNN
23/06/26 às 12:46 | Atualizado 23/06/26 às 13:47
Postado em 23 de Junho de 2.026 às 13h45m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
#.* --  Post. - Nº.\  12.339 --  *.#


Um piloto de caça americano resgatado por forças especiais após ser abatido sobre o Irã em abril descreveu uma visão chocante antes de ejetar de sua aeronave: vários drones iranianos pairando no ar, movendo-se como um só, em uma formação que lembrava uma água-viva, segundo quatro fontes familiarizadas com o assunto.

O relato, que não havia sido divulgado anteriormente, foi compartilhado pelo piloto do F-15 com oficiais de inteligência durante um interrogatório após o incidente. O que ele contou desencadeou uma onda de debates acalorados na comunidade de inteligência dos EUA, que ainda não foi resolvida.

Se o aviador realmente viu o que descreveu — uma formação movendo-se em uníssono —, isso representaria um avanço alarmante nas capacidades de drones do Irã.

Vários drones interconectados e movendo-se como uma unidade só, com drones menores abaixo dos maiores, como se fossem pernas, disse à CNN uma das fontes a par do relato do piloto. Coisa de outro mundo mesmo.

Leia Mais

Embora a causa exata da queda do F-15 ainda esteja sendo investigada, os relatos iniciais indicaram que era possível que a formação de drones tivesse, de alguma forma, permitido ao Irã abater o jato americano, explicaram duas das fontes.

O F-15 transportava uma tripulação de dois homens — um piloto e um oficial de sistemas de armas. As forças americanas iniciaram imediatamente as operações de busca e resgate, conforme noticiado anteriormente pela CNN.

A derrubada do caça marcou a primeira vez que uma aeronave americana foi abatida sobre o Irã durante o conflito.

O piloto foi resgatado horas depois de se ejetar da aeronave, enquanto o oficial de sistemas de armas conseguiu escapar da captura iraniana nas montanhas por mais de um dia, antes de também ser resgatado. Não está claro se o oficial de sistemas de armas também viu a formação de drones.

Uma segunda aeronave, um A-10, foi abatida durante a operação de resgate, mas o piloto conseguiu ejetar em segurança, fora do espaço aéreo iraniano.

Piloto interrogado

Os oficiais de inteligência dos EUA discordaram sobre como interpretar o que o piloto do F-15 descreveu e se o piloto poderia relatar o ocorrido com clareza.

Ele sofreu uma concussão na queda. Foi a segunda vez que o piloto foi abatido durante a guerra com o Irã: ele também estava entre os militares abatidos em um incidente de fogo amigo pelas forças do Kuwait no início do conflito, segundo duas das fontes.

Ele teria então testemunhado uma capacidade avançada da qual a inteligência americana não tinha conhecimento? Um teste beta? Uma miragem no deserto?

Os oficiais de inteligência que conduziam o interrogatório disseram algo como: "Tem certeza de que viu o que está dizendo que viu?", afirmou outra fonte.

A Força Aérea dos EUA direcionou as perguntas ao Comando Central dos EUA, que não respondeu diretamente às questões da CNN. O Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional não respondeu ao pedido de comentário.

As perguntas sobre o programa de drones do Irã surgem em um momento em que os EUA e Teerã negociam um acordo que encerraria a guerra com o Irã, após o início de um período de 60 dias para conversas, como parte de um cessar-fogo na semana passada.

Espera-se que essas conversas se concentrem no programa nuclear iraniano, embora uma ampla gama de questões tenha sido levantada por ambas as partes.

Embora a capacidade específica de drones descrita pelo piloto não fosse algo que as agências de inteligência americanas tivessem avaliado anteriormente como sendo de posse do Irã, há um histórico de relatos indicando que Teerã vinha recebendo assistência da China e da Rússia no desenvolvimento de sua tecnologia de drones, segundo fontes familiarizadas com o assunto.

Ainda conforme as fontes, o termo técnico para a capacidade descrita pelo projeto piloto é "rede mesh de um para muitos".

Em geral, as redes em malha permitem que um operador comande vários drones ao mesmo tempo.

Tecnologia dos drones

Acredita-se que outros países — Rússia e China — também possuam essa capacidade. Qualquer desenvolvimento no já sofisticado programa de guerra com drones do Irã seria motivo de preocupação para as forças americanas e seus aliados na região.

Teoricamente, as redes em malha também poderiam ser usadas para fornecer conectividade à internet em áreas remotas sem infraestrutura existente, observou um funcionário americano — em teoria, uma função benéfica.

Durante o conflito que durou semanas contra as forças americanas e israelenses, bem como contra os países vizinhos do Golfo, o Irã empregou agressivamente seus drones de ataque como uma arma assimétrica.

"Vamos gastar uma fortuna, muito sangue e recursos, para nos proteger de algo que consegue se coordenar dessa forma", disse Emma Bates, especialista em guerra com drones e modernização da defesa, fundadora da empresa Cachai, à CNN, referindo-se à ameaça representada pelas capacidades de interconexão de redes dos drones.

Se conseguir se coordenar em uma forma reconhecível e manter essa forma, se tiver explosivos a bordo e se mantiver recursos em reserva para atacar o que o primeiro disparo não destruiu, essa é uma abordagem muito eficaz, disse Bates.

CNN Brasil Siga a CNN Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

inglês 

Tópicos

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Esquerda x direita: veja como está o mapa da América do Sul após a eleição presidencial na Colômbia

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Vitória de Abelardo de la Espriella no domingo (21) mudou cenário político na Colômbia e deu à direita o 7º governo dos 12 países sul-americanos. Especialistas explicam cenário de instabilidade e polarização na região.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Por Wesley Bischoff, g1 — São Paulo

Postado em 22 de Junho de 2.026 às 05h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
#.* --  Post. - Nº.\  12.338 --  *.#


Abelardo de la Espriella vence as eleições presidenciais na Colômbia, aponta apuração preliminar

A vitória de Abelardo de la Espriella na eleição presidencial da Colômbia deu à direita a superioridade sobre a esquerda nos governos dos países da América do Sul.

▶️ Contexto: Abelardo de la Espriella, candidato considerado de extrema direita, foi declarado vencedor da eleição para presidente da Colômbia neste domingo (21), segundo apuração preliminar. Em uma votação apertada, o direitista foi eleito com 49,66% dos votos, contra 48,7% do esquerdista Iván Cepeda —uma margem de apenas 250 mil votos. O resultado final será divulgado nos próximos dias após apuração de todos os votos, em processo chamado "escrutínio".

Com a vitória de Espriella, a direita ultrapassou a esquerda nos governos da América do Sul, controlando sete dos 12 países sul-americanos.

A vitória marcou não apenas uma virada ideológica na Colômbia —já que o candidato do presidente esquerdista Gustavo Petro foi derrotado—, mas também uma consolidação do avanço da direita no continente, que saiu vitoriosa nas últimas três eleições presidenciais:

Veja no mapa abaixo como está a atual disposição entre direita e esquerda na América Latina.

Mapa mostra disposição entre países governados pela esquerda e pela direita na América Latina após eleição na Colômbia em junho de 2026. — Foto: Bruna Azevedo/Arte g1
Mapa mostra disposição entre países governados pela esquerda e pela direita na América Latina após eleição na Colômbia em junho de 2026. — Foto: Bruna Azevedo/Arte g1

O Peru aparece em cinza no mapa acima porque sua eleição se encontra no final da apuração, que já dura duas semanas. Apesar disso, ele é considerado o 7º país governado pela direita porque o governo que está deixando o poder é de Dina Baluarte, de direita, e a candidata direitista Keiko Fujimori está com 50,111% dos votos, 41 mil à frente do esquerdista Roberto Sánchez, com mais de 99,6% das urnas apuradas. Ou seja, a tendência política vai se manter.

Historicamente, as forças políticas da região alternam períodos de domínio. Apesar de a esquerda ter prevalecido no continente no início do século 21, com a chamada "onda rosa", a direita recuperou espaço nos últimos anos.

Nos últimos meses, a direita contou com a ajuda do Chile e da Bolívia para chegar a esse cenário a um equilíbrio de poderes. Após quase duas décadas no poder, a esquerda ficou de fora do segundo turno das eleições bolivianas. A vitória foi de Rodrigo Paz, em 19 de outubro.

Em entrevistas realizadas na época da eleição de Rodrigo Paz na Bolívia, o g1 ouviu especialistas para explicarem o cenário de instabilidade e polarização na região. Confira:

🔍 Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo Iuperj e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, explica que o continente viveu uma guinada conservadora após 2010, com o esgotamento do ciclo econômico iniciado com o boom global das commodities.

O que a gente tem agora é um continente que está bem dividido ideologicamente. O que chama atenção é termos um cenário internacional marcado por dificuldade de diálogo e cooperação de governos latino-americanos de diferentes orientações ideológicas.

🔍 Já Regiane Nitsch Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que a América Latina vive momentos pendulares na política. Segundo ela, a alternância ideológica é algo natural nas democracias, mas se torna delicada quando ocorre em contextos de fragilidade institucional.

"Existe um problema estrutural na América Latina por conta da nossa história, da nossa economia e do fato de vivermos com desigualdade e pobreza. Isso leva à descrença nas instituições democráticas. Essa alternância tão pendular, ela facilmente se move para governos autoritários."

Abelardo De La Espriella — Foto: Charlie Cordero/Reuters
Abelardo De La Espriella — Foto: Charlie Cordero/Reuters

Na história recente da América do Sul, forças de esquerda e direita têm se alternado no poder. Muitos países viveram ditaduras na segunda metade do século 20, como o Brasil. Na década de 1990, o cenário se inclinava para governos de perfil conservador, com agendas neoliberais.

🔴 Segundo o professor Maurício Santoro, o revezamento entre correntes ideológicas era raro nessa época, já que partidos mais progressistas tinham dificuldades para vencer eleições. O quadro começou a mudar no início dos anos 2000, com a chamada onda rosa.

  • O termo se popularizou após ser usado pelo jornalista Larry Rohter, do jornal americano The New York Times, depois da vitória de Tabaré Vázquez nas eleições de 2004 no Uruguai.
  • Naquele momento, havia um sentimento de mudança no continente, impulsionado pelo desejo de reduzir a pobreza e a desigualdade.
  • Os novos governos de esquerda chegaram ao poder durante a alta global das commodities, estimulada principalmente pela demanda da China.
  • Com o aumento das receitas, algumas gestões conseguiram investir em programas sociais e políticas de redistribuição de renda.

"Os produtos de exportação da América Latina, agrícolas ou minerais, estavam muito valorizados no mercado internacional. Isso deu muito dinheiro na mão dos governos, e alguns presidentes conseguiram usar esse dinheiro de uma maneira muito boa", afirma Santoro.

➡️ A professora Regiane Nitsch Bressan explica que, após a crise econômica mundial de 2008, as commodities começaram a perder valor, o que dificultou a permanência dos governos progressistas. Na década seguinte, o campo conservador voltou a ganhar espaço — movimento que também ocorreu em outras partes do mundo.

"A gente não pode deixar de observar que há uma grande força da direita, e isso não acontece só na nossa região. Esse movimento começa, eu diria, no Reino Unido, com o Brexit, que foi uma grande prova de que a esquerda estava perdendo espaço", diz.

"Depois, esse avanço se espalha para a Europa, chega aos Estados Unidos e, em seguida, à América Latina, onde ainda encontra muito espaço."

  • Em 2015, a América do Sul tinha oito governos alinhados à esquerda e quatro à direita.
  • Três anos depois, o cenário se inverteu, com avanço dos conservadores.
  • Essa tendência recuou a partir de 2020, após a pandemia.
  • A partir de 2026, seis países são governados por líderes de esquerda e seis pela direita.
Democracia e instabilidade
Manifestantes ateiam fogo em Tribunal Eleitoral de Sucre, na Bolívia, após denúncia de fraude na eleição presidencial de 2019 — Foto: Jose Luis Rodriguez/AFP
Manifestantes ateiam fogo em Tribunal Eleitoral de Sucre, na Bolívia, após denúncia de fraude na eleição presidencial de 2019 — Foto: Jose Luis Rodriguez/AFP

Mesmo com o avanço nas últimas décadas, a América do Sul ainda enfrenta desafios para consolidar as instituições democráticas. O índice de democracia do instituto sueco V-Dem mostra que a região passou por altos e baixos nos últimos 100 anos. Veja no gráfico mais abaixo.

😡 A professora Regiane Nitsch Bressan destaca que a instabilidade democrática na região tem raízes estruturais. Segundo ela, os problemas de desigualdade e pobreza são ameaças constantes por alimentarem a descrença nas instituições.

"O povo latino-americano, por estar cansado das instituições democráticas, é muito seduzido por governos populistas ou neopopulistas. Ou seja, aqueles governos que apresentam frases de efeito e dizem que vão resolver o problema a curto prazo", afirma. O fenômeno do avanço da extrema direita se repete em outras partes do mundo.

  • Discursos nesse sentido aparecem em líderes tanto de direita quanto de esquerda.
  • Como exemplo, a professora cita Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela, e Javier Milei, atual mandatário da Argentina.
  • Ainda segundo ela, pesquisas recentes mostram que parte da população latino-americana prefere governos que ofereçam soluções econômicas rápidas, mesmo que sejam autoritários.
  • Bressan avalia que o problema não está na ideologia política, mas no risco de surgimento de regimes autoritários.

Eu elejo um político de esquerda com esse discurso e ele não resolve o meu problema. Então vou lá e troco por um de direita. Essa alternância tão pendular facilmente se move para governos autoritários.

🤜 Também se somam a esse cenário outros desafios, como o confronto crônico entre Executivo e Legislativo — comum em regimes presidencialistas — e o uso político da Justiça em disputas de poder, o que enfraquece o Estado de Direito e esvazia as instituições.

O processo de redemocratização na América Latina ainda é muito jovem, e nós ainda não demos conta de fortalecer e consolidar as nossas instituições democráticas, afirma.

O cientista político Maurício Santoro complementa dizendo que, atualmente, um dos principais fatores de preocupação é a polarização. Segundo ele, lideranças de diferentes espectros ideológicos têm se tornado mais extremas em suas propostas e perdido a capacidade de diálogo. O Uruguai é exceção —onde direita e esquerda se revezam no poder sem presença de extremos.

A polarização regional está inviabilizando iniciativas de integração e respostas unificadas a desafios políticos e de segurança, como o avanço do crime organizado e até mesmo a longa crise venezuelana.

🌎 Santoro avalia ainda que a instabilidade política dos últimos anos na América do Sul faz parte de uma crise global mais ampla, que também afeta países da Europa, além dos Estados Unidos.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------