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sábado, 24 de outubro de 2026

Guerra no Irã está deixando seu legado tóxico no Golfo Pérsico

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Bombas e mísseis liberam substâncias nocivas na atmosfera e contaminam as águas da região, causando danos severos a um dos ecossistemas mais singulares do planeta
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Paula Hancocks, da CNN
24/10/26 às 13:00 | Atualizado 24/10/26 às 13:00
Postado em 24 de Outubro de 2.024 às 13h35m
 
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Petroleiro pega fogo próximo ao Iraque após ataques no Golfo Pérsico
Petroleiro pega fogo próximo ao Iraque após ataques no Golfo Pérsico  • IRIB

O conflito no Oriente Médio caminha para se tornar mais uma guerra dos Estados Unidos com um legado tóxico.

Bombas e mísseis liberaram metais pesados ​​e substâncias químicas nocivas na atmosfera. Ataques envolvendo os EUA, Israel e o Irã atingiram instalações petrolíferas, provocando incêndios que cobriram Teerã com uma densa fumaça negra e chuvas saturadas de petróleo, expondo milhões de pessoas a uma poluição que pode trazer impactos duradouros à saúde.

Esses ataques também estão afetando o Golfo Pérsico. Investidas contra navios e infraestruturas petrolíferas na região causaram derramamentos de petróleo visíveis do espaço.

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Um vazamento proveniente de um navio-tanque levou ao fechamento temporário de praias no emirado de Umm Al Quwain, com as autoridades trabalhando para conter os danos ambientais — informou, na quinta-feira (22), o Ministério de Mudanças Climáticas e Meio Ambiente dos Emirados Árabes Unidos.

Ainda não foi confirmado se o vazamento está relacionado aos ataques iranianos, mas o episódio é mais um sinal dos enormes riscos enfrentados pelo Golfo Pérsico, um dos ecossistemas marinhos mais delicados e singulares do mundo.

À medida que o conflito prossegue, especialistas alertam para uma crise de contaminação de maior escala.

Um aumento acentuado na poluição por petróleo

Há meses, navios de carga e petroleiros vêm sendo alvos no Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para o transporte de petróleo e gás entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.

Em muitos casos, é possível observar claramente a progressão que vai do impacto contra a embarcação até o dano ambiental, explica Brian Barnes, integrante de um grupo de oceanógrafos que utiliza imagens de satélite na Universidade do Sul da Flórida para analisar, à distância, os efeitos desta guerra.

“Em relação a algumas das grandes embarcações que foram atacadas, observamos extensas plumas de poluição que se espalham por centenas de quilômetros a partir do local do impacto”, diz Barnes.

O Golfo Pérsico sofre há muito tempo com a poluição por petróleo; no entanto, pesquisas conduzidas por Barnes e outros cientistas — comparando março de 2026, período de intensos combates, com o mesmo intervalo do ano anterior — revelam um aumento expressivo.

“O que estamos observando é uma quantidade de petróleo na superfície do Golfo Pérsico duas vezes maior do que seria esperado na ausência de um conflito de grande escala”, afirma Barnes. No entanto, ele observou que as imagens de satélite só conseguem mostrar o que está na superfície da água, e não a espessura da camada de óleo — dado que forneceria uma noção mais precisa da extensão da contaminação.

O que é mais difícil de avaliar, dado o acesso físico limitado a essa via navegável marcada por conflitos, é o impacto sobre a vida selvagem marinha.

Um dos ecossistemas mais singulares do planeta

No Golfo Pérsico, se juntam as águas dos rios Eufrates, Shatt Al-Arab e Karun. • Nasa/JPL/UCSD/JSC
No Golfo Pérsico, se juntam as águas dos rios Eufrates, Shatt Al-Arab e Karun. • Nasa/JPL/UCSD/JSC

O Golfo Pérsico abriga um ecossistema repleto de vida. É o lar de várias espécies de tartarugas marinhas, centenas de espécies de peixes e a segunda maior população mundial de dugongos — também conhecidos como vacas-marinhas.

“Uma das maiores concentrações de tubarões-baleia do mundo ocorre perto do campo de petróleo de South Pars, na região onde o Catar e o Irã se encontram”, afirmou Bernhard Riegl, professor da Nova Southeastern University, que estuda o Golfo Pérsico há décadas.

Ilhas arenosas e extensas pradarias de ervas marinhas tornam o Golfo um habitat ideal para a nidificação e a reprodução. Extensos manguezais e formações de recifes de coral criam refúgios protegidos para golfinhos, aves marinhas e tubarões-baleia. Contudo, na primavera — tradicionalmente a época de reprodução —, a guerra estava em pleno curso.

Apenas as formas de vida marinha mais resistentes sobrevivem nessas águas. O Golfo Pérsico não é apenas um dos mares mais quentes do mundo, mas também apresenta variações bruscas de temperatura ao longo do ano.

As águas próximas à cidade do Kuwait, por exemplo, oscilam entre máximas de cerca de 36 graus Celsius, no auge do verão, e mínimas de aproximadamente 16 graus Celsius.

Razan Khalifa Al Mubarak, enviada especial do Ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos para questões da natureza, defendeu o fim dos ataques no Golfo em um artigo de opinião publicado no início deste ano.

“Embora os custos financeiros dos danos possam ser calculados, a perda de ecossistemas e espécies, não. Uma vez degradados, esses sistemas podem não se recuperar”, escreveu ela.

Uma catástrofe iminente

A contaminação no Golfo traz desafios singulares, uma vez que esse corpo hídrico é relativamente raso — as áreas mais profundas chegam a apenas cerca de 360 ​​pés (aproximadamente 110 metros) — e possui uma extensão reduzida, de cerca de 240.000 quilômetros quadrados.

Além disso, existe apenas um ponto de entrada e saída que conecta a região ao oceano aberto: o Estreito de Ormuz, que dá acesso ao Golfo de Omã e, mais adiante, ao Oceano Índico. Tudo isso significa que os poluentes não se dispersam nem se diluem facilmente.

Independentemente de qual país ou embarcação seja alvo durante este conflito, as repercussões terão impactos abrangentes, afirmou Riegl: “Se pegarmos uma gota de petróleo e a colocarmos na água, no lado iraniano da entrada do Golfo, um ano depois ela estará no Kuwait; dois anos depois, estará no lado omanense do Golfo, flutuando por lá”.

A Guerra do Golfo de 1991 deve servir como um alerta, disse Riegl. As forças iraquianas, em retirada, incendiaram centenas de poços de petróleo no Kuwait, provocando uma catástrofe ambiental que foi sentida em todo o Golfo.

“As linhas costeiras foram devastadas”, disse Riegl. “Na verdade, em muitas áreas da Arábia Saudita, se você cavar a areia, ainda encontrará petróleo antigo. É extremamente difícil se livrar dele.”

Outra preocupação é o fato de que dezenas de milhões de habitantes da região do Golfo dependem de usinas de dessalinização, que transformam a água do mar em água potável.

Os seis países que compõem o Conselho de Cooperação do Golfo produzem cerca de um terço de toda a água dessalinizada do mundo. O Bahrein e o Kuwait dependem quase inteiramente da dessalinização para obter água potável. A poluição por petróleo no Golfo poderia danificar essas instalações, colocando em risco o abastecimento de água.

Quando centenas de milhões de galões de petróleo foram lançados intencionalmente no Golfo Pérsico durante a Guerra do Iraque, o Kuwait precisou recorrer à Arábia Saudita, à Turquia e a outros países, que enviaram centenas de caminhões-pipa e veículos para fornecer água engarrafada.

Um laboratório natural

Uma consequência talvez inesperada dos danos ambientais no Golfo Pérsico é que eles podem prejudicar a compreensão dos cientistas sobre os impactos que as mudanças climáticas terão nos mares ao redor do mundo.

As altas temperaturas do Golfo são, aproximadamente, as condições esperadas para as regiões marinhas tropicais por volta do ano 2100, explicou Riegl.

O Golfo possui “alguns dos recursos genéticos mais valiosos de qualquer mar na Terra, pois grande parte das adaptações necessárias para o futuro já ocorreu por lá”.

“Se quisermos saber como serão os oceanos em geral no final deste século”, acrescentou ele, “o Golfo é o lugar para onde devemos olhar.”

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Irã ameaça destruir cabos de comunicação submarinos no Golfo

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Altos funcionários iranianos informaram que plano deve ser colocado em ação caso os Estados Unidos e Israel ataquem Teerã novamente
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Da Reuters
23/10/26 às 20:43 | Atualizado 23/10/26 às 20:43
Postado em 24 de Outubro de 2.026 às 12h45m

 
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Cabos de internet no Mar Vermelho, entre a Jordânia e o Egito
Cabos de internet no Mar Vermelho, entre a Jordânia e o Egito  • undefined

O Irã elaborou planos detalhados para atacar cabos de comunicação submarinos no Golfo, caso os Estados Unidos e Israel ataquem Teerã novamente, informaram à Reuters dois altos funcionários da segurança iraniana.

As declarações surgem na sequência de avisos feitos por autoridades iranianas de que os cabos submarinos na região poderiam se tornar alvos em um eventual novo conflito, caso a diplomacia com Washington fracasse.

Os dois funcionários da segurança iraniana, que falaram sob condição de anonimato, forneceram poucos detalhes e não especificaram como ou exatamente onde Teerã realizaria tais ataques. No entanto, um deles afirmou que o Irã buscaria impedir a realização de reparos após os ataques, visando prolongar as interrupções nas comunicações, incluindo as conexões de internet.

"Se o Irã for atacado, não haverá mais 'linhas vermelhas'... desde cabos submarinos até bases militares, incluindo instalações secretas", disse um dos funcionários.

O funcionário alertou Washington para não "brincar com fogo", acrescentando que o Irã tem acesso total aos cabos submarinos e poderia destruí-los facilmente.

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Yadollah Javani, vice-chefe de assuntos políticos da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã), declarou na quarta-feira (21) que o Irã poderia atacar sete grandes cabos de internet situados sob o Estreito de Ormuz, caso a infraestrutura iraniana fosse alvo de ataques.

Segundo a União Internacional de Telecomunicações, uma agência da ONU, os cabos submarinos transportam cerca de 99% do tráfego global de internet. Contudo, o impacto global de tais ataques por parte do Irã poderia ser limitado, uma vez que menos de 1% da largura de banda internacional passa pelo Estreito de Ormuz, explicou Alan Mauldin, diretor de pesquisa da empresa de consultoria em telecomunicações TeleGeography.

O estreito separa o Irã de Omã, conectando o Golfo ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.

O Departamento de Estado dos EUA e o Ministério das Relações Exteriores do Irã não responderam aos pedidos de comentário da Reuters sobre as declarações das autoridades de segurança iranianas. Não houve manifestação imediata por parte dos países do Golfo.

"Resposta mais forte"

Os planos para possíveis ataques a cabos submarinos refletem a convicção, entre a liderança iraniana, de que uma nova campanha militar dos EUA teria de ser enfrentada com uma resposta mais contundente do que as anteriores.

Mohsen Rezaei, uma autoridade de alto escalão na área de segurança, alertou este mês que a infraestrutura digital ligada aos EUA em toda a região do Golfo — incluindo centros de dados e instalações voltadas para inteligência artificial — poderia se tornar alvo em um eventual novo conflito.

Os aliados de Washington no Golfo investiram pesadamente em tal infraestrutura e eles "deveriam responsabilizar Washington, e não Teerã, por qualquer dano aos cabos submarinos", afirmou a segunda autoridade de segurança iraniana.

Alex Vatanka, diretor do programa sobre o Irã no Middle East Institute, em Washington, disse que tais ameaças visam desencorajar um novo conflito e pressionar os EUA, fazendo com que os governos do Golfo e as empresas norte-americanas temam por seus investimentos na região.

"Teerã quer que os Estados do Golfo e os executivos corporativos pressionem o presidente dos EUA, Donald Trump, a respeito dos riscos que suas políticas representam para os planos de investimento deles", disse Vatanka.

Segundo analistas, múltiplos cortes de cabos poderiam desacelerar os serviços de internet e interromper transações financeiras, o comércio eletrônico e a computação em nuvem. O impacto dependeria de como as operadoras redirecionariam o tráfego e da capacidade disponível em conexões alternativas, explicou Mauldin.

Especialistas observam que restaurar conexões em tempos de guerra poderia ser difícil; além disso, custos mais elevados de seguro e atrasos na obtenção de autorizações para entrar em águas territoriais poderiam complicar ainda mais os reparos.

O Mar Vermelho poderia representar um alvo mais significativo do que o Estreito de Ormuz, especialmente se o Irã contasse com o apoio de seus aliados houthis no Iêmen — embora Teerã não tenha feito nenhuma declaração pública indicando que planeja atacar cabos naquela região.

A via é uma rota para o tráfego de dados entre a Europa, a África Oriental e a Ásia; a capacidade que passa por ali responde por cerca de 3% da demanda internacional global e por aproximadamente 10% do tráfego entre essas regiões, afirmou Mauldin.

Os governos do Golfo têm investido pesadamente em tecnologia para diversificar suas economias para além do petróleo e se tornarem polos globais de inteligência artificial, estreitando laços com empresas de tecnologia dos EUA.

Em março, ataques iranianos atingiram diretamente duas instalações da Amazon Web Services nos Emirados Árabes Unidos e danificaram uma infraestrutura próxima a uma de suas unidades no Bahrein. No auge do conflito, em março, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã classificou empresas de tecnologia norte-americanas — incluindo Microsoft, Google, Apple e Nvidia — como alvos legítimos.

Conexões terrestres podem oferecer rotas alternativas para o tráfego de internet; por isso, os Estados do Golfo e empresas de tecnologia dos EUA estão investindo em infraestrutura adicional para aumentar a resiliência.

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Tópicos


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Kim Jong-un cruza nova ponte que une Coreia do Norte à China

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Estrutura deve facilitar o transporte de equipamentos pesados, matérias-primas e produtos energéticos entre os dois países asiáticos
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https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/
24/10/26 às 11:00 | Atualizado 24/10/26 às 11:00
Postado em 24 de Outubro de 2.024 às 11h25m

 
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Imagem mostra líder da Coreia do Norte caminhando em nova ponte que liga país à China
Kim Jong-un cruza ponte que leva da Coreia do Norte à China  • Reprodução/CCTV via Reuters

O líder norte-coreano Kim Jong-un visitou a cidade chinesa de Dandong, na fronteira, neste sábado (25) — informou a agência Xinhua. Ele chegou ao território chinês atravessando uma ponte recém-inaugurada, um gesto simbólico visto como um indicativo do esforço de Pequim e Pyongyang para ampliar os laços comerciais.

Durante a visita, Kim esteve acompanhado por Wang Huning, a quarta autoridade de maior escalão da China, que transmitiu saudações do presidente Xi Jinping, segundo a agência oficial de notícias Xinhua.

Kim chegou a Dandong pela Nova Ponte do Rio Yalu, que conecta a Coreia do Norte à China, informou uma autoridade do governo sul-coreano sob condição de anonimato, uma vez que não estava autorizada a falar publicamente.

Espera-se que a nova ponte facilite o transporte de equipamentos pesados, matérias-primas e produtos energéticos de que a Coreia do Norte necessita para o seu desenvolvimento. Sua inauguração oficial, neste mês, é o sinal mais recente de uma reaproximação entre Pequim e Pyongyang, após dois encontros entre seus líderes nos últimos 13 meses.

A China, que lutou ao lado da Coreia do Norte na Guerra da Coreia (1950–1953), continua sendo o principal apoio econômico e diplomático de Pyongyang, respondendo pela maior parte de seu comércio oficial.

No entanto, o aprofundamento dos laços militares da Coreia do Norte com a Rússia, desde a invasão da Ucrânia por Moscou em 2022, levou analistas a questionar se Pyongyang estaria se tornando menos dependente de Pequim.

Ainda assim, a viagem de Kim aponta para um novo esforço, por parte da China e da Coreia do Norte, para fortalecer sua relação econômica.

A agência de notícias sul-coreana Yonhap havia noticiado anteriormente que a expectativa era de que Kim retornasse à Coreia do Norte após a visita de sábado (24).

Imagens da emissora estatal chinesa CCTV mostraram Kim caminhando sobre a ponte, ladeado por pessoas que agitavam bandeiras, em direção à Coreia do Norte.

A Xinhua informou que Wang acompanhou Kim a um memorial da Guerra da Coreia em Dandong, onde o líder norte-coreano prestou homenagem aos soldados do Exército de Voluntários do Povo Chinês que lutaram ao lado da Coreia do Norte durante o conflito de três anos. Kim também visitou uma fábrica de automóveis em Dandong, acrescentou a agência.

Leia Mais.

A China e a Coreia do Norte inauguraram, neste mês, a Nova Ponte sobre o Rio Yalu — com 3 km de extensão e a mais importante passagem de fronteira terrestre entre os dois países — após um longo atraso. A iniciativa visa revitalizar o comércio e as trocas econômicas, superando anos de relações tensas e interrupções causadas pela pandemia.

"Kim deu seu aval ao comércio bilateral ao cruzar a Nova Ponte sobre o Rio Yalu para entrar na China", afirmou Christopher Green, especialista em Coreia na Universidade de Leiden, nos Países Baixos. Segundo ele, o atraso na inauguração evidenciou o quão disfuncional a relação havia se tornado.

Durante um encontro no sábado (30), Wang disse a Kim que a China está pronta para aproveitar a abertura da ponte para ampliar o intercâmbio de pessoas, bem como a cooperação econômica e comercial, informou a agência Xinhua.

A visita de Kim ocorre em um momento marcado por laços econômicos mais estreitos e intercâmbios de alto nível mais frequentes entre a China e a Coreia do Norte, observou Lu Chao, especialista em relações sino-norte-coreanas na Academia de Ciências Sociais de Liaoning — um centro de estudos vinculado ao governo chinês, sediado em Shenyang.

"A abertura da ponte eliminou um grande gargalo na logística comercial entre a China e a Coreia do Norte", disse Lu. "Com a superação desse entrave logístico, é provável que o comércio bilateral cresça ainda mais."

Donald Trump e Kim Jong Un se cumprimentam na zona desmilitarizada entre as Coreias do Norte e do Sul em 2019 • 30/06/2019 KCNA via REUTERS
Donald Trump e Kim Jong Un se cumprimentam na zona desmilitarizada entre as Coreias do Norte e do Sul em 2019 • 30/06/2019 KCNA via REUTERS

Trump aguarda uma aproximação de Kim Jong-un

A última visita conhecida de Kim à China ocorreu em setembro de 2025, por ocasião das celebrações do 80º aniversário do Dia da Vitória, em Pequim, quando ele se reuniu com o presidente chinês, Xi Jinping. Xi, por sua vez, realizou uma visita de Estado à Coreia do Norte em junho.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem demonstrado interesse em retomar as negociações com a Coreia do Norte; contudo, autoridades americanas e sul-coreanas consideram cada vez menos provável um encontro entre ele e Kim ainda este ano, informou a Reuters na sexta-feira.

No próximo mês, a China sediará, em Shenzhen, uma cúpula do fórum da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), evento no qual se espera a presença de Trump.

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BYD quer dobrar capacidade de produção no Brasil e superar Volkswagen e Chevrolet

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A marca prometeu nacionalizar, até 2027, mais de 50% da produção de peças, incluindo processos de estamparia, pintura e soldagem de componentes dos veículos.
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TOPO
Por Luciana Magalhaes

Postado em 24 de Outubro de 2.026 às 06h00m
 
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Fábrica da BYD em Camaçari (BA) — Foto: divulgação/BYD
Fábrica da BYD em Camaçari (BA) — Foto: divulgação/BYD

A fabricante chinesa de carros elétricos BYD iniciou os pedidos de licenças para dobrar para 600.000 veículos a capacidade anual de produção de sua fábrica brasileira. Ao mesmo tempo, a empresa entra na fase final de obras e testes dos galpões de estamparia, soldagem e pintura, disse à Reuters o principal executivo da companhia no país.

A unidade da BYD no Brasil deve iniciar 2027 com mais do que o mínimo exigido de 50% de nacionalização de componentes. Isso permitirá à empresa atender às exigências regulatórias e iniciar as exportações regionais, afirmou em entrevista o vice-presidente sênior Alexandre Baldy.

A empresa enfrentou reclamações de grupos da indústria local por depender muito de importações e de tarifas temporariamente baixas.

"A gente trabalha para inaugurar 2027 já ultrapassando essa posição e termos essas etapas em operação para sermos considerados um fabricante local", disse Baldy.

A BYD tem como meta se tornar a maior montadora do Brasil em volume de vendas até 2030, mas a demanda já supera sua capacidade atual de produção, disse Baldy. Veja ranking de produção de automóveis e comerciais leves:

  1. FIAT: 723.365 unidades
  2. VOLKSWAGEN: 538.657 unidades
  3. GENERAL MOTORS: 323.070 unidades
  4. HYUNDAI: 214.128 unidades
  5. RENAULT GEELY DO BRASIL: 184.914 unidades
  6. TOYOTA: 169.765 unidades
  7. HONDA: 101.580 unidades
  8. CAOA / CAOA CHERY: 68.739 unidades
  9. PEUGEOT CITROËN: 64.528 unidades
  10. NISSAN: 59.374 unidades

* Dados de produção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)

Embora esteja acelerando suas operações e planeje atingir uma produção mensal de 25.000 veículos até o fim de 2026, a BYD prevê que a demanda continuará superando a oferta.

"Nossa demanda tem ficado em uma média de cerca de 30.000 carros por mês, o que significa que estamos deixando de faturar cerca de 5.000 a 6.000 vendas adicionais", disse Baldy.

O investimento na nova fábrica da empresa no Brasil já ultrapassou R$ 5,5 bilhões, e as vendas faturadas da unidade brasileira atingirão nesta semana a marca de 200.000 carros no acumulado de 2026, afirmou Baldy.

BYD Dolphin — Foto: Divulgação / BYD
BYD Dolphin — Foto: Divulgação / BYD

Em setembro, a empresa teve 22.209 veículos emplacados no Brasil, o equivalente a uma fatia de 8,5% do mercado, segundo dados da companhia.

A BYD já é líder de mercado no Uruguai e ocupa posições de destaque em vendas na Colômbia e na Argentina, disse o executivo.

A montadora no Brasil também recebeu pedidos de 50.000 unidades do México e outras 50.000 da Argentina. A empresa estará apta a atendê-los a partir do ano que vem graças ao aumento do índice de componentes locais.

A BYD inaugurou sua fábrica em Camaçari, na Bahia, em 9 de outubro de 2025, em um complexo industrial que pertenceu à Ford.

A fábrica emprega atualmente cerca de 9.000 pessoas e espera ampliar esse número para cerca de 10.000 até o fim deste ano.

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