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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Por que o PIX, meio mais usado por pequenos negócios, virou pretexto dos EUA no tarifaço

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Governo dos EUA diz que sistema operado pelo Banco Central cria vantagem sobre empresas privadas. No Brasil, especialistas defendem que tecnologia reduziu custos e ampliou acesso a pagamentos.
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Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Postado em 17 de Julho de 2.026 às 06h00m
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Alckmin: Governo terá programa de apoio a setores afetados pelo novo tarifaço
Alckmin: Governo terá programa de apoio a setores afetados pelo novo tarifaço

Em pouco menos de cinco anos, o PIX deixou de ser uma novidade para se tornar uma das principais formas de pagamento dos brasileiros. Para milhões de pequenos negócios, ele passou a significar recebimento imediato, redução de custos e mais facilidade para administrar o fluxo de caixa.

Mas a tecnologia que conquistou comerciantes e consumidores agora está no centro de uma disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.

O governo do presidente Donald Trump incluiu o PIX entre os argumentos usados para justificar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os EUA. O anuncio foi feito nesta quarta-feira (15).

Segundo documentos do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o sistema brasileiro prejudicaria empresas americanas do setor de pagamentos ao criar uma concorrência considerada desigual.

  • 🔎 Na avaliação dos americanos, o problema não está no uso do PIX pelos brasileiros, mas no fato de o sistema ter sido criado e ser operado pelo Banco Central. Para os EUA, essa estrutura dá ao sistema vantagens que empresas privadas não possuem.

No Brasil, porém, a lógica é outra. O sistema ganhou espaço justamente pelos fatores questionados pelos americanos: reduziu custos, eliminou intermediários e permitiu que empreendedores recebessem o dinheiro das vendas praticamente em tempo real.

Antes do PIX, muitos comerciantes dependiam de dinheiro em espécie ou de cartões, que envolvem taxas e prazos maiores para o repasse dos valores. Com o sistema, o dinheiro entra na conta no mesmo momento, facilitando a compra de mercadorias, o pagamento de fornecedores e a organização das contas.

Essa combinação transformou o PIX em uma das principais ferramentas financeiras dos pequenos negócios.

Segundo a pesquisa Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), 59% dos donos de pequenos negócios já consideram o PIX o principal meio de recebimento das vendas.

O levantamento também mostra que:

  • 53% usam o sistema como principal ferramenta para pagar parceiros comerciais;
  • entre os MEIs, 97% utilizam o sistema como forma de pagamento;
  • para 28% dos MEIs, o PIX representa mais de 75% do faturamento;
  • outros 20% afirmam que a ferramenta responde por cerca de metade dos recebimentos.

O sistema é uma forma de pagamento que não tem volta e se tornou a preferida dos pequenos negócios pela rapidez no recebimento e pela contribuição para a manutenção do fluxo de caixa dessas empresas, afirma Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.

Com isso, a expansão do PIX mudou a estrutura do mercado de pagamentos.

Nas compras tradicionais com cartão, participam da operação bandeiras, credenciadoras, bancos e outros intermediários. Cada etapa pode gerar custos. No PIX, porém, a transferência ocorre diretamente entre as instituições financeiras.

Apesar disso, o crédito continua sendo essencial para compras parceladas.

Na avaliação de especialistas, o sistema criou uma alternativa competitiva para pagamentos à vista e obrigou empresas tradicionais a adaptar seus modelos de negócio.

É justamente esse impacto sobre o mercado de pagamentos que colocou o sistema no centro da disputa comercial internacional.

Por que o PIX incomoda os EUA?

Na investigação conduzida pelo USTR, as práticas brasileiras seriam "injustificáveis e discriminatórias", prejudicando agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos.

O argumento é que o BC brasileiro teria criado condições favoráveis ao PIX em relação às empresas privadas estrangeiras que atuam no setor.

Nos documentos divulgados pelo governo dos EUA, o sistema é chamado de "PICS" e descrito como um serviço estatal de pagamentos eletrônicos que receberia tratamento diferenciado por ser operado pelo governo brasileiro.

A avaliação americana se baseia principalmente em três pontos:

  • O BC atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, definindo as regras e administrando a infraestrutura do PIX;
  • O sistema teria vantagens por não funcionar como uma empresa privada tradicional, já que não busca obter lucro por meio da cobrança de taxas sobre as transações;
  • Empresas americanas poderiam ser prejudicadas ao competir com uma infraestrutura pública de pagamentos.

Durante a apresentação das medidas contra o Brasil, representantes do governo Trump afirmaram que a intenção não é acabar com o sistema.

"Não estamos pedindo ao Brasil para se livrar do PICS ou de qualquer coisa que importe para o Brasil. Isso não é problema. O que não queremos é uma situação em que empresas americanas sejam forçadas a anunciar o PICS, ou sejam limitadas pelo PICS, e que elas e o PICS recebam tratamento especial simplesmente por serem de propriedade brasileira ou por serem um sistema de pagamento eletrônico". 
Existe concorrência desleal?

Para os especialistas ouvidos pelo g1, o PIX de fato provocou uma transformação profunda no mercado de pagamentos, mas isso não significa uma prática desleal.

A principal crítica americana está relacionada ao fato de o BC exercer o papel regulador e operador do sistema. Isso, porém, foi o principal fator para o sucesso.

  • Ao criar padrões tecnológicos, estabelecer regras comuns e exigir a participação das instituições financeiras na infraestrutura, o BC conseguiu fazer com que praticamente todos os bancos e fintechs passassem a oferecer o serviço desde o lançamento.

Especialistas são incisivos: a existência de uma infraestrutura pública não significa uma concorrência desleal.

Segundo eles, o PIX não impediu a atuação de outros meios de pagamento e, desde seu lançamento, cartões de crédito, débito e outros serviços continuaram funcionando no país.

"O PIX não foi criado para concorrer ou substituir outros meios de pagamento, como o cartão de crédito. Desde o lançamento do sistema, as demais formas de pagamento, especialmente os cartões, continuaram crescendo", afirma Ralf Germer, CEO da PagBrasil.

Germer defende ainda que empresas do setor tiveram tempo para se adaptar e criar soluções capazes de competir frente a frente com o sistema.

Já o economista e professor da ESPM, Jorge Ferreira dos Santos Filho, aponta que a pressão dos EUA está relacionada principalmente à mudança no modelo de negócios de empresas que tradicionalmente lucravam com tarifas cobradas em transações.

"O PIX é gratuito para pessoas físicas e tem custo baixo para empresas, representando forte concorrência para grandes operadoras de cartão de crédito americanas, como Visa e Mastercard", afirma.

Especialistas destacam ainda que o avanço do sistema brasileiro também pressiona fintechs e empresas de tecnologia que também já possuem soluções próprias de pagamento.

A disputa além dos cartões

Embora a discussão sobre cartões seja o argumento oficial apresentado pelos EUA, um dos pontos mencionados pelos especialistas é o avanço do chamado PIX Internacional, projeto do BC para permitir pagamentos transfronteiriços por meio da integração com sistemas de outros países.

Hoje, o sistema já pode ser usado de forma limitada por brasileiros em alguns estabelecimentos no exterior. A expectativa é que sistemas de pagamento instantâneo de diferentes países possam ser conectados.

Nesse sentido, a possibilidade de uso do PIX Internacional como meio de pagamento entre países do Brics, por exemplo, pode ter incomodado os EUA por ameaçar a paridade do dólar nas negociações, comprometendo a hegemonia da moeda no sistema financeiro global.

  • 🔎 O Brics é um grupo de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã.

"Esse pode ser o ponto que mais incomoda o governo americano: a criação de uma moeda única do Brics e o possível uso do sistema PIX para reduzir a influência do dólar nas negociações entre esses países."

Especialistas ressaltam, porém, que o PIX Internacional ainda está em desenvolvimento e que a relação com a disputa geopolítica é uma interpretação sobre possíveis impactos futuros, não uma justificativa oficialmente apresentada pelo governo americano.

Apesar das críticas, os EUA também contam com sistemas de pagamentos instantâneos, como o FedNow, criado pelo Federal Reserve, e o Zelle, desenvolvido por grandes bancos americanos.

Para especialistas, o ponto de diferença está na escala de uso. Nos EUA, a participação das instituições foi voluntária e não alcançou o mesmo nível de integração visto no Brasil.

Atenção internacional

O crescimento do PIX é considerado uma das maiores transformações recentes do sistema financeiro brasileiro. Lançado em novembro de 2020, o sistema alcançou escala nacional em poucos anos.

Segundo dados do Banco Central, ele já conta com cerca de:

  • 170 milhões de usuários pessoas físicas, o equivalente a aproximadamente 80% da população brasileira;
  • mais de 24 milhões de usuários pessoas jurídicas.

Em 2025, o sistema bateu recorde ao movimentar cerca de R$ 35,4 trilhões, distribuídos em quase 80 bilhões de transações. O volume corresponde a quase três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo e fundador do RegLab, afirma que o sistema passou a ser observado por outros países justamente pela combinação de escala e eficiência.

"De uma forma ou de outra, o Pix virou um modelo, uma vitrine."

Segundo ele, o sucesso do sistema mostra que governos podem criar infraestruturas digitais capazes de transformar mercados tradicionalmente dominados pela iniciativa privada.

Outros argumentos

Embora o sistema de pagamentos tenha ganhado destaque, ele aparece como apenas um dos argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar o novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.

Entre os argumentos estão as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo plataformas digitais, críticas ao ambiente regulatório para empresas de tecnologia americanas, questionamentos sobre proteção à propriedade intelectual, alegações de corrupção, tarifas aplicadas pelo Brasil a determinados produtos importados e até acusações relacionadas ao desmatamento.

No caso das big techs, o governo americano cita medidas adotadas pela Justiça brasileira contra plataformas que descumpriram determinações judiciais.

O USTR também questiona regras e decisões que, na avaliação americana, poderiam afetar empresas de tecnologia dos Estados Unidos.

Já na área comercial, o governo Trump acusa o Brasil de conceder tratamento preferencial a alguns parceiros comerciais e critica políticas relacionadas ao mercado de etanol. O relatório ainda menciona preocupações envolvendo propriedade intelectual e o combate à corrupção.

O governo brasileiro rejeita as acusações e sustenta que as medidas adotadas seguem a legislação nacional e respeitam princípios de soberania. Após o anúncio do tarifaço, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país responderá com base na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada neste ano para permitir reação a barreiras comerciais impostas por outros países.

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quinta-feira, 16 de julho de 2026

PIX: Galípolo defende meio de pagamento alvo de contestação dos EUA; 'gratuito', 'seguro' e 'instantâneo'

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Ministros e o presidente do Banco Central (BC) fazem coletiva à imprensa nesta quinta-feira (7) após confirmação pelos Estados Unidos de tarifaço ao Brasil.
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Por Mariana Assis, Rafaela Rosa

Postado em 16 de Julho de 2.026 às 17h50m
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Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16) — Foto: Júlio César Silva/MDIC
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16) — Foto: Júlio César Silva/MDIC

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu nesta quinta-feira (16) o PIX como um meio de pagamento "gratuito", "seguro" e "instantâneo", com enorme potencial de inclusão financeira para a população brasileira.

Ao lado de ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Galípolo participou de coletiva à imprensa convocada para rebater os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para nova ofensiva tarifária ao Brasil.

Na investigação comercial, o governo americano acusa o Brasil de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o PIX.

"A gente vai seguir sempre fornecendo o PIX como algo gratuito, seguro e instantâneo e seguir na evolução técnica do PIX em cooperação com outros Bancos Centrais para que, cada vez mais, a população brasileira possa ter acesso a serviços financeiros de maneira mais segura, mais rápida e com maior inclusão financeira," disse Galípolo.

'Quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico'

O USTR afirmou que o Banco Central brasileiro favorecer o sistema de pagamentos em detrimento de empresas americanas que atuam no setor. O governo americano também critica o BC por atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que limitaria a atuação de concorrentes.

"Quando a gente olha para as alternativas e o que aconteceu no mercado, quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos. O custo de transação de você levar fisicamente cheques ou dinheiro físico é altíssimo. Então, o caso da implementação do PIX, ele consegue se configurar como um desses em que ele é benéfico para quem demanda e para quem oferta para o setor público e para o setor privado".

Galípolo disse o BC trabalhará pela ampliação de termos de cooperação técnica para que o PIX chegue a outros países, inclusive aos Estados Unidos.

"O Banco Central já assinou com mais de 47 outros bancos centrais termos de cooperação técnica para que o Banco Central possa transferir tecnologia e esses outros bancos centrais possam desenvolver o seu sistema de pagamento instantâneo também. Países como Estados Unidos e a Europa, a China, a Índia, Singapura, uma série de outros bancos centrais, ou já implementou, ou está estudando implementar sistemas de pagamento instantâneo".

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Irã orientou Houthis a fecharem rota do Mar Vermelho se EUA atacarem usinas

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Segundo a agência de notícias Reuters, citando fontes, o grupo concluiu preparativos para atacar navios com mísseis e drones perto do Estreito de Bab el-Mandeb
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www.cnbrasil.com.br/internacional/
16/07/26 às 09:32 | Atualizado 16/07/26 às 09:32 
Postado em 16 de Julho de 2.026 às 09h55m
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Praia de Aqaba, que serve como janela da Jordânia para o Mar Vermelho
Praia de Aqaba, que serve como janela da Jordânia para o Mar Vermelho  • MItz

O Irã pediu ao grupo Houthi do Iêmen que se prepare para fechar a rota de petróleo do Mar Vermelho caso os Estados Unidos ataquem a infraestrutura energética iraniana, disseram três fontes à agência de notícias Reuters nesta quinta-feira (16), criando uma nova e significativa ameaça ao abastecimento global de energia.

A ideia foi discutida pela liderança da República Islâmica, e a mensagem foi transmitida ao grupo aliado, afirmaram duas fontes iranianas de alto escalão e uma fonte regional a par do assunto, sob condição de anonimato.

As fontes informaram que os Houthis foram comunicados recentemente sobre o pedido de Teerã, algo que não havia sido divulgado anteriormente.

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O Ministério das Relações Exteriores do Irã e um porta-voz do grupo Houthi não estavam imediatamente disponíveis para responder à solicitação da Reuters.

Drones dos Houthis perto do Estreito de Bab el-Mandeb

Uma fonte próxima aos Houthis afirmou que o grupo concluiu os preparativos para atacar navios com o lançamento de mísseis e drones perto do Estreito de Bab el-Mandeb, a porta de entrada para o Mar Vermelho, no planalto iemenita com vista para Hodeida e o Golfo de Aden, e aguardava a ordem para iniciar o ataque.

Qualquer ameaça ao Mar Vermelho e ao Estreito de Bab el-Mandeb pode agravar enormemente a crise energética global desencadeada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e ressalta os riscos explosivos decorrentes de uma nova onda de guerra.

Com o Estreito de Ormuz já fechado, qualquer ataque dos Houthis a embarcações ou portos no Mar Vermelho interromperia simultaneamente as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio, abrindo uma nova frente tanto na crise energética quanto no conflito mais amplo do Irã com os Estados Unidos.

Representantes da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) que já estão no Iêmen controlarão a decisão sobre quando fechar o estreito de Bab el-Mandeb, afirmou a fonte próxima aos Houthis.

Em um sinal de escalada das tensões na região, os Houthis dispararam mísseis contra a Arábia Saudita após acusarem o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle na segunda-feira (13), rompendo uma trégua de quatro anos no conflito entre o reino e o grupo.

Torbjorn Solvedt, principal analista para o Oriente Médio da empresa de inteligência de riscos Verisk Maplecroft, disse que a nova onda de hostilidades entre os Houthis e a Arábia Saudita ocorreu em um momento inoportuno.

"Se os combates se intensificarem e se propagarem para a infraestrutura de exportação e para a navegação no Mar Vermelho, isso ameaçará a única grande rota alternativa para as exportações de petróleo da região", disse ele.

Duas fontes regionais próximas a Riad afirmaram que o reino estava levando muito a sério as ameaças do Irã e dos Houthis, acrescentando que Riad estava ciente de que o grupo iemenita agora coordenava estreitamente suas ações com o Irã em relação ao Mar Vermelho.

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Israel e os Estados Unidos atacaram o Irã, levando Teerã a fechar o Estreito de Ormuz — a principal rota, antes da guerra, para cerca de um quinto do suprimento global de energia.

As tensões aumentaram desde o colapso de uma trégua frágil firmada em junho entre Teerã e Washington, reacendendo o receio de uma guerra em grande escala e perturbando o fluxo de energia através do estreito.

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Estudo identifica microplásticos em vítimas de infarto; entenda por que isso não basta para apontar um novo vilão para a saúde cardíaca

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Como se trata de um estudo observacional, não é possível determinar causa e consequência entre os fatores, apenas uma associação.
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Por Júlia Carvalho, g1

Postado em 16 de Julho de 2.026 às 08h00m
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Amostras de plásticos e microplásticos coletadas em um riacho na Flórida (EUA). — Foto: Maia McGuire/Florida Sea Grant
Amostras de plásticos e microplásticos coletadas em um riacho na Flórida (EUA). — Foto: Maia McGuire/Florida Sea Grant

Os microplásticos podem estar associados à maior incidência de problemas cardíacos. Isso é o que mostrou um novo estudo publicado na revista científica "European Heart Journal".

Pesquisadores italianos decidiram investigar a presença de microplásticos no sangue como possível fator de risco para doenças cardiovasculares.

➡️Eles concluíram, a partir de um pequeno estudo observacional, com 61 participantes, que essa substância foi identificada com uma frequência maior no organismo de pessoas que tiveram infarto no miocárdio, em comparação com pacientes com síndromes coronarianas crônicas e com o grupo de controle.

Os resultados mostraram que os microplásticos foram detectados em:

  • 84,2% dos pacientes com infarto do miocárdio;
  • 40% dos pacientes com síndromes coronarianas crônicas;
  • 31,8% dos pacientes do grupo controle com artérias coronárias normais.

Como se trata de um estudo observacional, não é possível determinar causa e consequência entre os fatores, apenas uma associação.

Por esse motivo, os próprios autores afirmam que os "achados devem ser interpretados como exploratórios e geradores de hipóteses, e não como uma estimativa definitiva ou confirmatória de risco".

VEJA TAMBÉM:

Cientistas detectam microplásticos na chuva na Indonésia
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Limitações do estudo

Além da natureza do estudo impedir que se estabeleça uma relação de causa e efeito, há outras limitações por se tratar de uma análise pequena e por haver pouca informação sobre como os participantes foram selecionados.

Alun Hughes, professor de Fisiologia e Farmacologia Cardiovascular do Instituto de Ciências Cardiovasculares da University College London (UCL), que não participou da pesquisa, analisa que o fato de os autores não terem abordado os chamados fatores de confusão também pode ser um problema.

👉Um fator de confusão é uma variável que pode distorcer os resultados de um estudo. Ele pode se associar tanto à causa quanto ao efeito, criando uma falsa associação ou mascarando uma relação verdadeira.

"Os altos níveis de microplásticos em pessoas que sofreram infarto podem ser consequência de algum fator que aumente tanto a exposição aos microplásticos quanto o risco de infarto. Um exemplo seria a vulnerabilidade socioeconômica, que poderia levar a maior exposição aos microplásticos e também a um maior risco de infarto", analisa o professor.

Outro ponto a ser considerado nessa análise e que não foi levado em consideração pelos autores foi a causalidade reversa, definida por Hughes como a "possibilidade de que o próprio infarto resulte em níveis elevados de microplásticos".

  • "Essa hipótese não é implausível. Pessoas que chegam ao hospital com suspeita de infarto normalmente recebem infusões intravenosas como parte do tratamento. Sabe-se que essas infusões podem liberar microplásticos na corrente sanguínea", sugere.

Ria Devereux, pesquisadora em Meio Ambiente da University of East London (UEL), que também não participou do estudo, pontua que, uma vez que o estudo é transversal, ele avalia a exposição e a doença.

⚠️Por isso, não é possível afirmar se os microplásticos causaram a doença, aumentaram em consequência dela ou simplesmente estavam presentes no sangue devido à exposição ambiental.

Os pesquisadores que analisaram o estudo sem terem conduzido a investigação também pontuam que as limitações dos achados evidenciam ainda as dificuldades de transportar pesquisas sobre os efeitos dos microplásticos no organismo humano de estudos laboratoriais altamente controlados para populações humanas do mundo real.

"Nessas condições, os estudos se tornam mais complexos devido à influência de múltiplos fatores, como genética, estilo de vida, exposição ambiental e outros fatores que afetam o risco de doença", pondera Devereux.

Apesar do aumento da presença de plásticos no meio ambiente poder estar relacionado ao acúmulo dessas substâncias no corpo humano, os efeitos exatos para a saúde ainda não estão claros.

Estudos anteriores já enfrentavam limitações, por exemplo, por usarem microscópios para identificar essas partículas nos tecidos humanos. Mas esses aparelhos só conseguiam detectar aquelas maiores que 5 micrômetros, o que restringia a compreensão sobre a verdadeira extensão da contaminação.

Fatores de risco cardiovascular

Para além da possibilidade de os microplásticos surgirem como um fator a mais de risco para doenças cardiovasculares, hábitos conhecidos podem contribuir para o desenvolvimento desses problemas.

👉Entre os principais estão:

  • Obesidade
  • Tabagismo
  • Estresse
  • Consumo excessivo de álcool
  • Sono inadequado
  • Atividade física insuficiente
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