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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Irã reforça arsenal militar antes de discurso de presidente na ONU

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O presidente Masoud Pezeshkian acusa potências de violarem acordos e denuncia ataques contra civis enquanto Teerã testa novos armamentos

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Presidente do Irã Masoud Pezeshkian na ONU
Presidente do Irã Masoud Pezeshkian na ONU  • 24/9/2025 REUTERS/Bing Guan

O Irã está constantemente ampliando suas capacidades militares e realizando testes de novos armamentos, afirmou nesta terça-feira (22) o porta-voz da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica), Hossein Mohebbi, enquanto o presidente Masoud Pezeshkian viajava a Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Mohebbi disse que não poderia fornecer detalhes sobre as novas armas, mas afirmou que o país vem aumentando sua capacidade militar por meio da produção e dos testes de novos equipamentos para se defender e responder ao que chamou de agressão inimiga.

O que está acontecendo é que estamos constantemente aumentando nossas capacidades militares e produzindo e testando novas armas para nos defendermos e repelir a agressão inimiga, afirmou.









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O porta-voz também mencionou um teste realizado anteriormente envolvendo um porta-aviões, que, segundo ele, foi bem-sucedido. Mohebbi afirmou que, caso o assunto volte a receber atenção, o Irã poderá levar outros sistemas de armas ao campo de batalha.

Segundo a agência de notícias Fars, Mohebbi afirmou na segunda-feira (21) que o Irã usaria novas armas e atacaria locais que nunca haviam sido alvos anteriormente caso os Estados Unidos lançassem uma nova ofensiva contra o país.

Pezeshkian acusa potências de violarem acordos

Pezeshkian partiu de Teerã para Nova York em tom desafiador, acusando potências mundiais de desrespeitarem acordos assinados e de cometerem crimes contra civis. O presidente iraniano se prepara para discursar na 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU.

Antes da partida, Pezeshkian afirmou que as partes violaram repetidamente acordos escritos firmados durante negociações e condenou o que descreveu como atrocidades em curso em Gaza, na Síria, no Iêmen e no Irã.

O presidente iraniano, Pezeshkian, parte para Nova Iorque para participar da Assembleia Geral da ONU (22.09.26) • POOL via WANA
O presidente iraniano, Pezeshkian, parte para Nova Iorque para participar da Assembleia Geral da ONU (22.09.26) • POOL via WANA

Ele citou diretamente o ataque de 28 de fevereiro à Escola Primária Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab. Autoridades iranianas afirmaram que mais de 150 pessoas morreram no episódio, incluindo cerca de 120 crianças em idade escolar.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também discursou em Nova York após desembarcar. Ele afirmou que o tema da Assembleia Geral deste ano — Restaurando a Confiança, Gerenciando a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Beneficia a Todos — representa, por si só, um reconhecimento de que a confiança na organização internacional entrou em colapso.

Araqchi atribuiu essa perda de confiança ao desrespeito de diversos países pelo direito internacional e pelas instituições internacionais.

Petróleo e tensões no Oriente Médio

Os preços do petróleo subiram pela primeira vez em cinco sessões nesta terça-feira, enquanto investidores aguardavam possíveis avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã durante a Assembleia Geral da ONU. A alta ocorreu após a chegada de mais petróleo pelo Estreito de Ormuz no fim de semana.

As tensões no Oriente Médio permaneceram elevadas depois que os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, afirmaram ter atacado Riad e uma instalação da Saudi Aramco em Yanbu. O grupo também intensificou os esforços para isolar forças apoiadas pela Arábia Saudita da costa do Mar Vermelho.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

7 limites planetários já rompidos pioram e atingem maior nível de pressão já registrado, diz relatório

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Avaliação de 2026 aponta agravamento em todos os sete processos fora da faixa segura e alerta para enfraquecimento da capacidade de florestas e solos de absorver carbono.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 21 de Setembro de 2.026 às 16h15m

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Representação visual dos limites planetários. — Foto: Globaia/Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK)
Representação visual dos limites planetários. — Foto: Globaia/Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK)

Os sete limites planetários que já estavam fora da faixa considerada segura pioraram em 2026 e atingiram os maiores níveis de pressão já registrados, aponta um novo relatório feito por mais de 60 cientistas e coordenado pelo Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK), na Alemanha.

O número de limites ultrapassados continua o mesmo do levantamento anterior. A novidade agora é que todos os sete seguem em piora.

➡️ O relatório também aponta avanço da acidificação dos oceanos e sinais de que florestas, solos e outros ecossistemas podem estar perdendo parte da capacidade de absorver o gás carbônico emitido pelas atividades humanas.

Os chamados limites planetários são indicadores usados para acompanhar nove processos fundamentais para o funcionamento da Terra.

Ultrapassar um deles não significa que haverá um colapso imediato, mas indica aumento do risco de mudanças graves e difíceis de reverter.

🌎 Os sete limites que seguem fora da faixa segura são:

  1. mudanças climáticas;
  2. perda de biodiversidade;
  3. mudanças no uso da terra;
  4. alterações na água doce;
  5. desequilíbrios nos ciclos de nitrogênio e fósforo;
  6. poluição por substâncias produzidas pelo homem, como plásticos e compostos químicos;
  7. acidificação dos oceanos.

Os dois limites que continuam dentro da faixa considerada segura em escala global são os relacionados à camada de ozônio e à quantidade de partículas suspensas na atmosfera, como poeira, fumaça e fuligem.

Mesmo assim, o relatório ressalta que algumas regiões ainda apresentam níveis elevados dessas partículas.

Segundo Boris Sakschewski, principal autor do relatório, a piora simultânea dos sete indicadores mostra que a pressão sobre os sistemas naturais continua aumentando.

“O diagnóstico é claro. A pressão está aumentando em todos os limites planetários que já estão fora da faixa segura”, afirmou.

Um dos pontos de atenção da edição de 2026 é a capacidade da própria natureza de ajudar a retirar gás carbônico da atmosfera.

Vegetação e solos absorvem uma parcela importante das emissões de CO₂ produzidas pelas atividades humanas.

Mas episódios repetidos de calor, seca, incêndios e degradação de ecossistemas podem diminuir essa absorção e, em algumas regiões, fazer com que áreas que antes retiravam carbono da atmosfera passem a liberá-lo.

O relatório afirma que observações recentes levantam dúvidas sobre até que ponto florestas e outros ecossistemas conseguirão manter essa função nas próximas décadas.

“Nossa trajetória para zerar as emissões líquidas depende do funcionamento desses sistemas naturais. As observações atuais levantam um sinal de que o planeta pode estar perdendo parte dessa capacidade de proteção”, disse Sakschewski.

Gráfico mostra os nove limites planetários e indica quais já estão fora da faixa considerada segura para o funcionamento da Terra. — Foto: Reprodução/Planetary Health Check 2026
Gráfico mostra os nove limites planetários e indica quais já estão fora da faixa considerada segura para o funcionamento da Terra. — Foto: Reprodução/Planetary Health Check 2026

Outro ponto de piora é a acidificação dos oceanos. O fenômeno ocorre quando o mar absorve parte do gás carbônico presente na atmosfera, alterando a química da água.

Isso dificulta, por exemplo, a formação e a manutenção de conchas e esqueletos de alguns organismos marinhos e pode afetar cadeias alimentares, pesca e ecossistemas costeiros.

O levantamento também reforça que os nove limites não funcionam separadamente. Alterações no clima, na biodiversidade, na água, nas florestas e nos oceanos podem se influenciar e ampliar os efeitos umas das outras.

Apesar do cenário de piora, os pesquisadores destacam que há exemplos de recuperação. A camada de ozônio, por exemplo, voltou para a faixa considerada segura após acordos internacionais restringirem substâncias responsáveis por sua degradação.

Para Johan Rockström, diretor do PIK e um dos autores do relatório, medidas para reduzir essas pressões ainda podem mudar a trajetória.

“Não temos o luxo do tempo, mas temos o conhecimento, a capacidade e as soluções para mudar de rumo”, afirmou.
Turistas observam um incêndio florestal em meio ao agravamento da seca após uma onda de calor e escassez de água em grande parte da França, 24 de julho de 2026 — Foto: Stephane Mahe/REUTERS
Turistas observam um incêndio florestal em meio ao agravamento da seca após uma onda de calor e escassez de água em grande parte da França, 24 de julho de 2026 — Foto: Stephane Mahe/REUTERS


Imprensa americana publica vídeo que mostra o começo da avalanche no Nepal
Imprensa americana publica vídeo que mostra o começo da avalanche no Nepal

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domingo, 20 de setembro de 2026

Como uma janela de avião é feita? Saiba por que fabricação exige engenharia complexa

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Embora existam poucas empresas que fabriquem janelas para aeronaves, novos concorrentes têm dificuldade para entrar nesse mercado devido ao alto grau de regulamentação do setor.
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TOPO
Por Chris Baraniuk

Postado em 20 de Setembro de  2.026 às 22h25m

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Equipes de bombeiros jogam água em um tanque superaquecido em Los Angeles, em maio. — Foto: Los Angeles Times via Getty Images
Equipes de bombeiros jogam água em um tanque superaquecido em Los Angeles, em maio. — Foto: Los Angeles Times via Getty Images

Um pesadelo industrial começava a se desenhar no sul de Los Angeles, nos Estados Unidos.

No final de maio, um tanque de armazenamento de produtos químicos com mais de 7 mil galões de material tóxico começou a esquentar rapidamente. O tanque pertencia à GKN Aerospace, empresa que fornece peças para a indústria de aviação, entre elas janelas de aeronaves.

À medida que a temperatura dentro do tanque metálico aumentava, os trabalhadores perceberam que havia um problema. Havia risco de explosão do tanque, que poderia espalhar metil metacrilato (MMA) pelos bairros próximos. A substância, usada na produção de plásticos, pode causar irritação na pele e nos pulmões.

A temperatura no tanque chegou a 38°C (100°F), e pode ter subido ainda mais, já que esse era o limite máximo registrado pelo medidor instalado no interior do recipiente.

Mais de 50 mil moradores da cidade de Garden Grove foram retirados de suas casas, e equipes de bombeiros começaram a jogar água no tanque para tentar resfriá-lo. Em determinado momento, o tanque "chegou a estufar", segundo o chefe dos bombeiros locais.

Felizmente, não houve explosão. Meses depois, em agosto, a GKN e as autoridades locais anunciaram um programa de US$ 100 milhões (cerca de R$ 513 milhões) para indenizar os moradores que tiveram de deixar suas casas durante o incidente. Mas a produção de janelas de aeronaves no local, interrompida após o episódio, ainda não foi totalmente retomada.

Pouquíssimas empresas fabricam janelas de aviões. — Foto: Getty Images via BBC
Pouquíssimas empresas fabricam janelas de aviões. — Foto: Getty Images via BBC

O episódio provocou preocupação na indústria aeronáutica porque a GKN é uma das poucas empresas no mundo que fabricam janelas de aeronaves, que são peças que exigem engenharia sofisticada e são essenciais para a segurança dos aviões.

A produção na fábrica da GKN em Garden Grove continua limitada a cerca de 50% do nível normal, segundo informações divulgadas pela Melrose Industries, controladora britânica da empresa. A meta é retomar totalmente a produção até 28/9. A GKN não aceitou conceder entrevista à reportagem da BBC.

"Ela [a GKN] é uma das raríssimas fornecedoras de janelas essenciais para a segurança das aeronaves", afirma Marisa Garcia, analista do setor de aviação. "Um dos pontos frágeis da cadeia de suprimentos da aviação é que há pouquíssimas empresas qualificadas para fazer determinadas coisas e, quando algo dá errado, todo o sistema é afetado."

A Boeing afirmou à BBC que está "tomando medidas para reduzir possíveis impactos" e descreveu a redução da produção como um problema que afeta todo o setor.

"Estamos dando suporte ao nosso fornecedor", acrescentou um porta-voz da empresa. Uma porta-voz da Airbus, por sua fez, afirmou: "Estamos acompanhando a situação de perto e observamos avanços positivos rumo à normalização."

O problema ocorre em um momento em que as companhias aéreas "não conseguem receber novos aviões com a rapidez necessária", afirma Mike Stengel, da consultoria AeroDynamic Advisory. "Elas estão mantendo as aeronaves em operação por mais tempo."

Embora existam poucas empresas que fabriquem janelas para aeronaves, novos concorrentes têm dificuldade para entrar nesse mercado devido ao alto grau de regulamentação do setor, acrescenta Stengel. "Pode levar tempo para mudar de fornecedor."

Isso exige um "equilíbrio" entre os fabricantes de aviões e as empresas que fornecem as peças de que eles dependem, afirma Stengel.

A fabricação das janelas começa com uma placa de acrílico. — Foto: Saint-Gobain via BBC
A fabricação das janelas começa com uma placa de acrílico. — Foto: Saint-Gobain via BBC

Como essas janelas são fabricadas

Para entender como é feita uma janela de avião, a BBC conversou com Jean-Eric Vermont, diretor-geral da empresa francesa Saint-Gobain Aerospace.

"Trabalhamos principalmente com aviões comerciais, aeronaves regionais e helicópteros", afirma.

Vermont, no entanto, preferiu não dizer qual é a participação da empresa no mercado de janelas de aeronaves, ou transparências, como são chamadas no setor.

As janelas ovais da cabine, ao lado dos assentos dos passageiros, costumam ser feitas com materiais à base de plástico, segundo Vermont. "Você começa com uma placa de acrílico", explica. "Depois, corta no tamanho necessário para dar o formato."

Um porta-voz da Saint-Gobain confirmou à BBC que a empresa não armazena nem processa MMA, como a GKN. Em vez disso, compra placas de MMA polimerizado, ou acrílico.

Segundo Vermont, da Saint-Gobain Aerospace, os fabricantes de aeronaves têm encomendado janelas de cabine cada vez maiores para oferecer aos passageiros uma visão mais ampla do lado de fora. Isso funciona como um atrativo comercial, mas exige testes adicionais para verificar se as janelas maiores têm a mesma resistência das menores.

A Saint-Gobain testa as janelas com pressões muito maiores do que as enfrentadas por uma aeronave durante voos em altitude.

Essas janelas de cabine feitas à base de acrílico costumam ter duas camadas. A Saint-Gobain também realiza testes para verificar se a janela resiste mesmo quando uma dessas camadas é danificada

Quanto maiores as janelas dos aviões, mais difícil é de fabricá-las. — Foto: Saint-Gobain via BBC
Quanto maiores as janelas dos aviões, mais difícil é de fabricá-las. — Foto: Saint-Gobain via BBC

As janelas da cabine de comando, segundo Vermont, são "completamente diferentes".

Em geral, elas são feitas de vidro, reforçado quimicamente com a adição de potássio. No processo, íons menores de sódio são substituídos por íons maiores de potássio, que ajudam a preencher a estrutura molecular do vidro. Durante a fabricação, quando o material esfria, essa estrutura fica mais compacta e resistente.

Algumas das aeronaves mais recentes também têm janelas curvas na cabine de comando, o que deixa o avião mais aerodinâmico e melhora a eficiência no consumo de combustível. Mas fabricar essas janelas é um desafio: qualquer pequena distorção ou defeito fica claramente visível para o piloto.

Por isso, são adotados rígidos controles de qualidade para garantir que o produto final não tenha problemas desse tipo.

Todas as janelas de aeronaves precisam resistir a impactos, mas as da cabine de comando, na parte dianteira do avião, são especialmente vulneráveis a colisões com aves, afirma Vermont. "O problema não é a velocidade da ave, mas a velocidade da aeronave."

A Saint-Gobain usa simulações numéricas e "testes físicos que simulam o impacto de uma ave de grande porte" para avaliar a resistência das janelas a esse tipo de colisão.

"Normalmente, se o avião atravessa uma tempestade de granizo ou atinge uma ave grande o suficiente, a camada externa racha", afirma Vermont. "A janela da cabine de comando é projetada para suportar isso."

Recentemente, um voo de Londres para Londonderry foi afetado por uma rachadura em uma das janelas da cabine de comando. Embora tenha sido declarada uma emergência durante o voo, o avião pousou em segurança. "Casos assim podem acontecer", afirma Vermont, acrescentando que nenhuma janela da Saint-Gobain esteve envolvida recentemente em um episódio desse tipo.

"É claro que estamos falando de uma superfície em contato com dois ambientes muito diferentes", afirma Stengel, da AeroDynamic Advisory. "Por isso, esses produtos exigem um projeto de engenharia mais complexo."

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sábado, 19 de setembro de 2026

Análise: Como via navegável no Iêmen se tornou carta na manga do Irã

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Estreito de Bab el-Mandeb (Portão das Lágrimas, na tradução livre), que garante acesso ao Mar Vermelho, se tornou ponto central na guerra dos EUA contra o Irã após ofensiva dos Houthis
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Brett H. McGurk, da CNN
19/09/26 às 09:00 | Atualizado 19/09/26 às 09:00
Postado em 19 de Setembro de 2.026 às 12h00m

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Vista do Estreito de Bab el-Mandeb em 2 de abril de 2026
Vista do Estreito de Bab el-Mandeb em 2 de abril de 2026  • Reuters

O Estreito de Bab el-Mandeb é uma passagem marítima estreita que separa a Península Arábica da África. Ao norte, ele conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e ao Oceano Índico. Ao sul, proporciona acesso ao Mediterrâneo através do Canal de Suez.

Antes dos conflitos atuais, essa passagem movimentava cerca de 30% do tráfego global de contêineres.

Carros, móveis, alimentos, energia — tudo isso passando por apenas cerca de aproximadamente 32 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito. Sem ele, os navios que viajam entre a Ásia e a Europa precisam contornar o sul da África e o Cabo da Boa Esperança, o que acrescenta milhares de milhas e dias de viagem, além de elevar os preços das mercadorias.

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O conflito em curso com o Irã concentrou as atenções no Estreito de Ormuz e na dependência mundial do fluxo de energia que passa por lá. O Irã tem atacado navios em Ormuz para aumentar a pressão sobre Washington, visando interromper a guerra e buscar a paz. É uma tática que o Irã aperfeiçoou anos atrás em Bab el-Mandeb — e que está pronto para repetir após uma nova ofensiva dos Houthis, grupo apoiado por Teerã no Iêmen, ocorrida na semana passada.

Bab el-Mandeb traduz-se literalmente como "Portão das Lágrimas". Algumas lendas atribuem o nome a antigos terremotos e inundações que separaram a África da Arábia, matando um número incalculável de pessoas. Seja qual for a origem precisa, o nome não remete a coisas boas.

Irã tira proveito da situação

Desde 1979, o governo revolucionário do Irã busca expandir sua ideologia e influência por todo o Oriente Médio, principalmente por meio do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e de sua elite, a Força Quds — literalmente, "Força de Jerusalém" —, que treina e equipa grupos armados em toda a região.

O Hezbollah no Líbano. O Hamas e a Jihad Islâmica Palestina em Gaza. Milícias no Iraque que atacaram repetidamente forças americanas, Israel e a Arábia Saudita. E, cada vez mais, os Houthis no Iêmen.

A estratégia é simples: construir redes armadas em Estados frágeis ou fragmentados, conferindo a Teerã profundidade estratégica e poder de barganha sem precisar lutar diretamente.

Os Estados Unidos, Israel e as parcerias regionais lideradas pelos EUA — particularmente com a Arábia Saudita — têm sido alvos centrais há muito tempo.

O Iêmen, situado diretamente ao sul da Arábia Saudita, foi dividido entre Norte e Sul durante a Guerra Fria, sendo unificado apenas em 1990. No entanto, a unificação nunca resolveu plenamente as profundas divisões políticas, tribais e regionais.

O movimento Houthi surgiu no norte do Iêmen, entre o final da década de 1980 e a década de 1990, a partir de um movimento de revitalização do Islã xiita zaidita. Sob a liderança de Hussein al-Houthi, o grupo tornou-se político e militante, travando sucessivas guerras contra o governo central do Iêmen.

Mais tarde, o grupo adotou o nome Ansar Allah e um slogan oficial de inspiração iraniana que não tinha nada de sutil:

“Deus é grande. Morte à América. Morte a Israel. Malditos sejam os judeus. Vitória ao Islã.”

Em 2014, os Houthis tomaram a capital do Iêmen, Sanaa, forçando o governo a recuar para o sul e desencadeando, por fim, uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita.

O Irã não criou os Houthis, que mantêm seus próprios interesses e ambições. Contudo, o fornecimento de armas, componentes de mísseis, drones, treinamento e expertise técnica pelo Irã ajudou a transformar uma insurgência local em uma força de relevância global.

Mudança nas políticas dos EUA

Pouco antes de Joe Biden assumir o cargo, a questão do Iêmen era uma prioridade urgente.

A Casa Branca recebeu ligações de senadores, organizações humanitárias e ativistas instando-nos a fazer o que fosse necessário para acabar com a guerra.

A guerra civil entrava em seu sétimo ano, e a situação humanitária era terrível, especialmente nas áreas controladas pelos Houthis, que canalizavam recursos para o conflito enquanto dependiam de organizações internacionais para sustentar a população civil sob seu controle.

O presidente dos EUA, Donald Trump, havia classificado os Houthis como uma Organização Terrorista Estrangeira. Grupos de ajuda humanitária alertaram que tal medida colocava em risco jurídico as operações de assistência e poderia agravar a crise humanitária, já intensificada pelos ataques aéreos sauditas contra os Houthis em Sanaa e outras áreas sob seu domínio.

Em resposta, o governo Biden revogou essa classificação, encerrou o apoio dos EUA a operações ofensivas sauditas — incluindo certas vendas de armas — e nomeou um enviado especial para buscar um cessar-fogo e uma solução política.

Quase simultaneamente, as forças armadas dos EUA retiraram recursos da região, removendo sistemas de defesa aérea da Arábia Saudita e retirando contratorpedeiros e grupos de ataque de porta-aviões do Oriente Médio.

O foco de Washington voltou-se para a diplomacia, mas sem o respaldo do poder coercitivo que muitas vezes é necessário para o sucesso da diplomacia. Enquanto os EUA recuavam, o Irã intensificava sua atuação.

O país forneceu suprimentos aos Houthis por meio de rotas de contrabando marítimas e terrestres. Integrantes do Irã e do Hezbollah também ajudaram a montar e fabricar armamentos sofisticados, à medida que os ataques Houthis contra a Arábia Saudita se intensificavam.

Em abril de 2022, os Estados Unidos ajudaram a intermediar uma trégua, viabilizada em parte pela visita do presidente Biden à Arábia Saudita naquele verão. Havia a esperança de que a trégua pudesse abrir caminho para um acordo político mais duradouro.

Em retrospecto, no entanto, a trégua acabou favorecendo os Houthis. O Irã continuou a treinar e equipar seu grupo aliado para utilizá-lo em uma estratégia regional mais ampla.

7 de outubro: a entrada dos Houthis no conflito

Em 2023, logo após os ataques do Hamas em 7 de outubro e a resposta de Israel em Gaza, grupos armados aliados ao Irã entraram no conflito a partir de várias frentes.

O Hezbollah realizou disparos a partir do Líbano, enquanto milícias apoiadas pelo Irã no Iraque e na Síria atacavam forças americanas, chegando a matar cidadãos dos EUA.

Do Iêmen, os Houthis lançaram mísseis balísticos e drones contra Israel e atacaram navios comerciais no Mar Vermelho e no estreito de Bab al-Mandeb. Alegando pressionar Israel por causa de Gaza, eles atacaram, na verdade, navios que não tinham qualquer relação com o conflito, com o objetivo de perturbar uma importante rota comercial.

Em 10 de janeiro de 2024, um diplomata americano de alto escalão se reuniu secretamente com autoridades iranianas em Omã para tentar conter a escalada regional.

Na noite anterior, os Houthis haviam realizado seu maior ataque até então contra navios comerciais e forças navais lideradas pelos EUA no Mar Vermelho, utilizando drones, mísseis de cruzeiro antinavio e mísseis balísticos. Foi o maior ataque contra a Marinha dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial.

Não houve baixas apenas graças à competência dos marinheiros e aos avançados sistemas de defesa antimíssil.

A mensagem do Irã era clara: o país apoiaria suas ambições regionais e sua diplomacia com ataques contra nós, ao mesmo tempo em que negava responsabilidade direta.

A reunião em Omã não obteve sucesso.

Na noite seguinte, o presidente Biden ordenou os primeiros grandes ataques dos EUA contra alvos militares Houthis, com o apoio do Reino Unido, Austrália, Bahrein, Canadá e Países Baixos. A campanha prosseguiu, de diversas formas, por mais de um ano.

Lições duras

Washington aprendeu da maneira mais difícil que a calmaria no Iêmen escondia uma mudança estratégica significativa.

Durante os anos em que a guerra civil esteve praticamente paralisada, o Irã ajudou a criar uma força armada capaz não apenas de ameaçar a Arábia Saudita ou de combater em uma guerra civil dentro do Iêmen, mas também de alcançar Israel e manter o comércio global refém sempre que desejasse, bloqueando o estreito de Bab al-Mandeb.

No ano passado, o presidente Trump restabeleceu a classificação dos Houthis como terroristas e intensificou os ataques dos EUA contra o grupo. Após sete semanas de ataques americanos, Omã mediou um entendimento: os Estados Unidos parariam de bombardear alvos Houthis e o grupo deixaria de atacar embarcações dos EUA.

O acordo não abrangia Israel nem a Arábia Saudita, mas parecia impor certa calmaria. Por algum tempo.

Novo ataque surpresa

Então, na semana passada, o cenário mudou novamente.

Em uma ofensiva rápida ao longo da costa do Iêmen no Mar Vermelho, forças Houthis conquistaram novas posições com vista direta para o estreito de Bab al-Mandeb. Em seguida, segundo relatos, elas avançaram para a ilha de Mayyun — também conhecida como Perim —, situada no meio do estreito.

Nic Robertson, da CNN, havia acabado de visitar a região e relatado sua vulnerabilidade.

Agora, armas convencionais dos Houthis — artilharia e foguetes — podem atingir navios, e não apenas drones e mísseis de longo alcance.

Ainda não é um novo "status quo"

Por enquanto, navios continuam passando por Bab al-Mandeb. Trump afirmou que os Houthis alegam não querer um confronto conosco e que permitirão a passagem das embarcações.

No entanto, os Houthis não precisam fechar o estreito amanhã. Sua capacidade de manter a passagem sob ameaça confere a Teerã um trunfo adicional.

Será esse o novo *status quo*?

Não necessariamente. As linhas de frente no Iêmen mudam com frequência. Há relatos de que forças governamentais preparam um contra-ataque e de que Washington pode fornecer informações de inteligência.

O comandante do CENTCOM (Comando Central dos EUA), Almirante Brad Cooper, esteve recentemente na Arábia Saudita para avaliar a situação.

Seja qual for o desdobramento, os Houthis lembraram ao mundo mais uma vez que estão posicionados para permanecer — com o apoio direto do Irã — como um fator imprevisível em qualquer disputa regional por poder e influência.

E Washington nunca mais deve confundir calmaria com paz.

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