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sábado, 15 de agosto de 2026

China tenta reduzir dependência de alimentos importados; o que isso significa para o agro brasileiro

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O 15º Plano Quinquenal do país asiático prevê ampliar a produção interna de soja, milho, carne e leite. Como maior exportador de grãos para a China, Brasil terá de se adaptar e buscar novos mercados, mas seguirá relevante para o abastecimento chinês.
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Por Paula Salati, g1 — São Paulo

Postado em 15 de Agosto de 2.026 às 06h00m

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Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e China
Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e China

"A tigela de arroz do povo chinês tem que estar firme nas próprias mãos, cheia principalmente de comida chinesa."

A frase, repetida há mais de uma década pelo presidente Xi Jinping, resume a estratégia que vem orientando a política de segurança alimentar da China: produzir mais alimentos internamente e depender menos das importações.

Esse objetivo aparece nas metas estabelecidas pelo governo chinês em seu 15º Plano Quinquenal, publicado no início do ano para o período de 2026 a 2030.

  • 🔎 O Plano Quinquenal reúne as principais metas estratégicas da China para períodos de cinco anos, com objetivos de desenvolvimento econômico e social. Nesta edição, o documento prevê ampliar a produção interna de produtos dos quais o Brasil é hoje um dos principais fornecedores, como soja, milho e carne. (saiba mais abaixo)

As cotas de importação de carne bovina impostas pela China neste ano a diversos países, incluindo o Brasil, já fazem parte desse movimento. O país trabalha para elevar sua autossuficiência em carne bovina e ovina de 70% para 85%.

Mas como fica o Brasil diante dessa nova estratégia? Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o cenário não aponta para uma ruptura nem para uma queda drástica das importações chinesas, mas já exige adaptação por parte das empresas brasileiras.

O jogo dos próximos anos não é vender mais tonelada, é vender a melhor tonelada. Isso significa agregar valor, sair da commodity pura para corte premium, produto processado e marca. E diversificar destinos, para não ficar refém de um comprador só, afirma Theo Paul Santana, fundador da consultoria Destino China, que facilita negócios com o país asiático.

Continuaremos importantes por um motivo que a própria China reconhece: ela pode fazer maravilhas em engenharia, mas ainda não dá para inventar terra e água, acrescenta. 

Embora tenha um território maior que o do Brasil, a China dispõe de uma parcela limitada de terras aptas à agricultura. Boa parte do país é formada por regiões montanhosas, áridas ou desérticas. Além disso, concentra menos de 5% da água doce disponível no planeta.

Por isso, os planos da China devem avançar principalmente por meio do aumento da produtividade — ou seja, produzir mais na mesma área com o apoio de tecnologias, como melhoramento genético de sementes e maquinário mais avançado.

Larissa Wachholz, ex-assessora especial do Ministério da Agricultura e sócia da Vallya Associados, afirma que, embora a China esteja longe de se tornar 100% autossuficiente, não se deve subestimar sua capacidade de cumprir as metas que estabelece.

Acompanho a política pública chinesa há anos e vejo que, quando a China se compromete a fazer algo e coloca seus esforços de tecnologia, educação e recurso financeiro em prol disso, ela consegue ter resultado consistente", diz.

O que prevê o plano chinês de segurança alimentar

Dentre as diversas frentes do plano chinês, alguns pontos destacados pelos especialistas são:

  • mais grãos: elevar a capacidade de produção anual para 725 milhões de toneladas até 2030. No ano passado, a China colheu um pouco menos que 715 milhões de toneladas.
  • mais tecnologia no campo: aumentar de 64% para 67% a contribuição da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento agrícola;
  • menos dependência da soja importada: reduzir a participação do farelo de soja na ração animal de cerca de 14% para menos de 10% até 2030;
  • mais autossuficiência: produzir ao menos 95% dos grãos básicos, como arroz e trigo, dentro da China; alcançar 85% de autossuficiência em carne bovina e ovina e de 70% em leite.

Theo Santana afirma que a China já atingiu a meta de autossuficiência em grãos básicos, como arroz e trigo, e que a produção desses alimentos já supera em mais de 100% a demanda interna, segundo dados do Escritório Nacional de Estatística do governo chinês, levantados por ele.

No entanto, o país ainda está abaixo das metas para outros alimentos. No caso das carnes bovina e ovina, o país consegue suprir 70% da demanda interna. Já na produção de leite, esse percentual é de 62%.

Pessoas são vistas andando em meio a uma plantação de arroz em Yuanyang, na China. — Foto: AP/Liang Zhiqiang/Xinhua
Pessoas são vistas andando em meio a uma plantação de arroz em Yuanyang, na China. — Foto: AP/Liang Zhiqiang/Xinhua

Como a estratégia chinesa atinge o Brasil

O consultor Theo Paul Santana destaca que o foco da estratégia chinesa está, principalmente, nos grãos destinados à alimentação da população, produtos que o Brasil praticamente não exporta para o país.

"O que o Brasil vende é justamente aquilo em que a China não consegue ser autossuficiente: soja e carne", diz.

No ano passado, a China importou um volume recorde de quase 112 milhões de toneladas de soja, e mais de 70% desse total teve origem no Brasil. A produção chinesa responde por apenas cerca de 20% da demanda do país.

A China, no entanto, se sente desconfortável com essa dependência, afirma Larissa Wachholz. Por isso, o país vem intensificando os investimentos em tecnologia e melhoramento genético, inclusive em sementes transgênicas, tema que, até pouco tempo atrás, era tratado como tabu no país. O objetivo é aumentar a produção sem ampliar a área plantada nem o consumo de água.

No mercado de grãos, o Brasil já sentiu o impacto nas exportações de milho. No ano passado, a China teve uma safra recorde e reduziu as importações do cereal de 8,4 milhões de toneladas em 2024 para menos de 4 milhões em 2025.

Como resultado, o valor das exportações brasileiras de milho para a China caiu 20,8% no ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Outro reflexo desse movimento já apareceu no mercado de carne bovina, com a adoção de cotas para o Brasil e outros países exportadores.

Em janeiro, a China estabeleceu uma sobretaxa de 55% sobre as importações de carne brasileira que ultrapassarem 1,1 milhão de toneladas. Em julho, esse limite que já foi batido, segundo levantamento do consultor Fernando Enrique Iglesias, do Safras & Mercado.

"A cota nasceu de uma investigação de salvaguarda, e o próprio Ministério do Comércio chinês foi explícito ao justificá-la: a carne importada estava prejudicando a indústria doméstica, e a medida serviria para estabilizar o rebanho e dar tempo aos produtores chineses de se reorganizar", afirma Santana.

Mas, para o especialista, essa política vai encontrar um teto. "A China produz cerca de 7,8 milhões de toneladas de carne bovina e consome perto de 11 ou 12 milhões. Esse buraco é estrutural, e a OCDE projeta que ele chegue perto de 4 milhões de toneladas por ano até 2032", diz Santana.

"Ou seja, a cota administra o ritmo da importação e protege o pecuarista local, mas não elimina a dependência. É um escudo temporário, não uma porta que fecha". 
O que o Brasil deve fazer?

Uma das saídas é diversificar destinos de exportação. "Só em 2025, o Brasil abriu mais de 200 novos mercados, sendo quase 20 deles para carne bovina", diz Santana.

Contudo, não vai ser fácil substituir parte do mercado chinês, que compra metade de tudo o que o Brasil exporta de carne bovina.

Valor exportado de carne bovina em 2025; total e para os 5 maiores destinos. — Foto: Arte/g1
Valor exportado de carne bovina em 2025; total e para os 5 maiores destinos. — Foto: Arte/g1

Outra frente é ampliar a presença das empresas brasileiras na China para acompanhar mais de perto as mudanças regulatórias, tecnológicas e comerciais.

Segundo Larissa Wachholz, a presença do setor privado brasileiro no país ainda está aquém da importância que esse mercado tem para o agronegócio nacional.

A especialista diz que o Brasil pode ainda criar novas oportunidades, como na área de produção de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e para o transporte marítimo, setores que devem ampliar a demanda por matérias-primas agrícolas nos próximos anos.

Nesse cenário, soja e milho podem ganhar novos mercados de maior valor agregado, reduzindo a dependência da exportação de grãos.

Por fim, os especialistas reforçam que a nova estratégia da China está longe de provocar uma ruptura entre os dois países.

"Tem um sinal que vale mais que discurso: os chineses estão investindo no Brasil para garantir abastecimento de alimentos. A COFCO ampliou terminal no Porto de Santos, comprou locomotivas e vagões, e há um memorando para estudar a ferrovia bioceânica ligando o Centro-Oeste ao Pacífico", diz Santana.

"Ninguém investe em logística de longo prazo num fornecedor que pretende abandonar. O comércio agrícola entre os dois países já bate a casa dos US$ 100 bilhões por ano. O que muda é a exigência, não a importância", conclui.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Quais são as 18 espécies de árvores que sustentam a Amazônia na luta contra o aquecimento global

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Estudo brasileiro identifica o pequeno grupo de árvores que domina a recuperação da Amazônia. Floresta tem instinto inteligente para regeneração após desmatamento, com espécies que respondem melhor ao ambiente hostil.
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Por Poliana Casemiro

Postado em 14 de Agosto de 2.026 às 18h00m

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Alertas de desmatamento na Amazônia atingem o menor índice da série histórica
Alertas de desmatamento na Amazônia atingem o menor índice da série histórica

Depois que uma área da Amazônia é destruída, a floresta parece "saber" por onde recomeçar. Um grupo de apenas 18 espécies de árvores domina, repetidamente, o processo de regeneração em qualquer lugar do bioma — e um estudo brasileiro identificou quais são elas e por que a natureza recorre sempre a esse mesmo grupo primeiro.

A resposta está numa seleção natural bem específica. Segundo Fernando Elias, pesquisador do museu Goeldi que liderou o estudo com apoio do Instituto Serrapilheira, a maioria das árvores amazônicas precisa crescer à sombra de outras para sobreviver. Mas essas 18 espécies são diferentes: suportam sol a pino, solo compactado e calor extremo.

Esse é o cenário que a vegetação encontra depois de um processo de destruição para dar lugar a pastagem, roça ou lavoura. Para se manter de pé, a floresta responde de forma "inteligente", trazendo primeiro essas espécies, que abrem caminho para o restante da floresta crescer.

A regeneração da floresta é a saída para enfrentar os milhares de quilômetros quadrados já desmatados nos anos anteriores.

Hoje, o bioma registra a menor área sob alerta de desmatamento desde o início da série atual do sistema de monitoramento Deter, em 2016. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Amazônia registrou 2.874 km² sob alerta, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ainda assim, é apenas a ponta mais recente de um passivo histórico de desmatamento.

O governo brasileiro tem um plano para recompor parte dessa área. O Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, o Planaveg, prevê a restauração de 12 milhões de hectares em todos os biomas do país até 2030, incluindo a Amazônia.

"Essas espécies são a tentativa da floresta de se reerguer. Para isso, ela faz essa seleção de forma instintiva. O que a pesquisa mostra para a gente é a capacidade que a Amazônia tem de resistir e como isso pode nos ajudar a apoiar a floresta nesse processo", explica. 
Como a floresta age de forma "inteligente"?

Depois de um desmatamento, a floresta ainda tenta sobreviver e, ainda que o solo tenha sido degradado, a vegetação nasce de novo. É o que chamamos de floresta secundária.

Esse tipo de vegetação nem sempre nasce tão rápido quanto a floresta primária, nem é tão densa ou biodiversa quanto era originalmente. O que a pesquisa de Elias e sua equipe mostra é que essas primeiras espécies funcionam como uma resposta "inteligente" da floresta para sobreviver e criar as condições para que as demais espécies possam nascer.

O estudo mapeou 102 parcelas de floresta secundária espalhadas por quatro regiões do leste da Amazônia, separadas por uma distância média de 600 quilômetros entre si.

O mesmo padrão de dominância se repetiu em todas elas — um indício de que essas espécies não são um acaso local, mas um padrão real de como a floresta amazônica se recompõe.

Essas 18 espécies crescem rápido e produzem grande quantidade de folhas, que caem no chão e ajudam a fertilizar o solo.

Com suas copas, elas também reduzem a temperatura por baixo delas. Segundo Elias, é possível ter uma diferença de 3 a 4 graus Celsius do pleno sol para dentro da floresta.

Essa sombra e esse solo mais fértil criam um microclima ameno o suficiente para que espécies mais sensíveis, que não sobreviveriam ao calor de uma pastagem, consigam se estabelecer depois.

"Ela começa com árvores que suportam condições hostis, até que o ambiente seja menos vulnerável e possa ter mais biodiversidade, para que outras espécies venham. É uma resposta instintiva da floresta ao processo de degradação que ela passou. Uma forma de se reerguer", explica o pesquisador.

A pesquisa também teve o apoio do CNPq, Museu Goeldi, Centro Capoeira e Rede Amazônia Sustentável.

E de que espécies estamos falando?

Das 18 espécies identificadas, cinco têm papel de destaque e nome popular conhecido:

  1. Embaúba (Cecropia palmata)
embaúba-prateada  — Foto: Giselda Person/ TG
embaúba-prateada — Foto: Giselda Person/ TG

2. Araticum-bravo (Annona exsucca)

3. Ingá-vermelho (Inga alba)

Ingá-vermelho — Foto: Divulgação
Ingá-vermelho — Foto: Divulgação

4. Tatapiririca (Tapirira guianensis)

5. Inajá (Attalea maripa)

Detalhe da árvore do inajá e os cruatás que envolvem o fruto — Foto: Paulo André Rodrigues da Silva/Embrapa/Divulgação
Detalhe da árvore do inajá e os cruatás que envolvem o fruto — Foto: Paulo André Rodrigues da Silva/Embrapa/Divulgação

A lista inclui ainda a conhecida castanheira-do-pará (Bertholletia excelsa) e outras 12 espécies: Attalea speciosa, Cassia fastuosa, Jacaranda copaia, Croton matourensis, Bellucia grossularioides, Inga edulis, Maprounea guianensis, Didymopanax morototoni, Sacoglottis guianensis, Himatanthus articulatus, Trattinnickia rhoifolia e Vismia guianensis.

Imagem de uma Castanheira-Do-Pará (Bertholletia excelsa) — Foto: eulucasramus / iNaturalist
Imagem de uma Castanheira-Do-Pará (Bertholletia excelsa) — Foto: eulucasramus / iNaturalist

Duas dessas espécies chamam atenção pelo papel que exercem na floresta. O ingá-vermelho tem função química: por ser uma leguminosa, capta nitrogênio do ar com a ajuda de bactérias associadas às suas raízes, o que enriquece o solo para as plantas que virão depois.

Já o inajá, uma palmeira do grupo, atua de outro jeito: atrai animais que se alimentam de seus frutos, e são esses animais que trazem sementes de outras áreas da floresta, ajudando a diversificar a vegetação que está nascendo ali.

Segundo Elias, essas espécies podem ser utilizadas para direcionar as ações de restauração, já que estão crescendo naturalmente, sob condições naturais — o que significa que poderiam orientar o plantio de mudas em áreas que o poder público ou proprietários rurais queiram restaurar de forma mais rápida. Mas o pesquisador faz questão de frisar um limite importante desse uso.

"O que eu quero mostrar é que essas espécies são as mais importantes em termos de funcionamento e importantes nessa etapa de regeneração. Mas é importante que tenhamos como norte um reflorestamento diverso, para termos de volta a biodiversidade da Amazônia que tínhamos antes da destruição", explica.

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Veja como o pacote de novas regras aprovadas para o Brasileirão foi aplicado na Copa do Mundo

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Lei Vini Jr, cartão por simulação, expulsão por cobrir a boca, reversão do lateral, cera na substituição, minuto fora de campo após atendimento médico: como foi a adoção das mudanças no Mundial
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Por Roberto Maleson — Rio de Janeiro

Postado em 14 de Agosto de 2.026 às 16h00m

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Quantas vezes as novas regras do futebol foram aplicadas na última Copa do Mundo?
Quantas vezes as novas regras do futebol foram aplicadas na última Copa do Mundo?

O Brasileirão vai aplicar o pacote de novas regras da Fifa a partir da rodada 23, nas Séries A e B. Com exceção da retirada temporária de um jogador de linha quando o goleiro pede atendimento médico, todas as medidas já foram testadas na Copa do Mundo de 2026. O ge mostra abaixo como elas funcionaram e quantas vezes cada uma foi aplicada.

O objetivo das medidas é aumentar o tempo de bola em jogo e reduzir a cera no futebol. Na Copa do Mundo, jogadores de linha foram obrigados a cumprir o minuto fora, quando receberam atendimento médico, em 36 oportunidades ao longo do torneio. O número baixo sugere um efeito prático da regra: os atletas passaram a pensar duas vezes antes de cair no chão para pedir atendimento médico.

Messi recebe atendimento depois de ter sangramento no olho direito em Suíça x Argentina — Foto: Agustin Marcarian
Messi recebe atendimento depois de ter sangramento no olho direito em Suíça x Argentina — Foto: Agustin Marcarian

Os goleiros, por sua vez, receberam 30 atendimentos em campo durante o Mundial, mas sem qualquer "punição" prevista para esses casos. É essa lacuna que o Brasileirão decidiu preencher. Pelas novas regras, um jogador de linha da mesma equipe sai de campo por um minuto sempre que o goleiro pedir atendimento médico.

Se essa regra já estivesse em vigor no Brasileirão, ela teria sido aplicada 87 vezes. Ao todo, os atendimentos médicos aos goleiros pararam o jogo por 2 horas, 44 minutos e 48 segundos nas 22 primeiras rodadas do torneio. Tiago Volpi, Léo Vieira e Ronaldo lideram a lista dos goleiros com maior tempo de atendimento em campo na competição.

Veja abaixo quantas vezes cada regra foi aplicada na Copa do Mundo de 2026:

Lei Vini Jr: 2 vezes

Nova regra! Almirón, do Paraguai, é expulso por tapar a boca para falar com adversário
Nova regra! Almirón, do Paraguai, é expulso por tapar a boca para falar com adversário

Uma das regras mais polêmicas do novo protocolo prevê expulsão sempre que um jogador cobre a boca durante uma discussão em campo. O atacante paraguaio Miguel Almirón foi o primeiro expulso na Copa do Mundo pela nova regra da International Board, que determina cartão vermelho para o atleta que cobrir a boca em situação de confronto. Entenda como surgiu a regra aqui. Conmebol e Uefa não irão adotar a Lei Vini Jr em suas competições.

Almirón não foi o único expulso pela nova regra. O equatoriano Hincapié cobriu a boca durante uma discussão com Santi Giménez e foi flagrado pela equipe de vídeo, que orientou o árbitro a expulsar o defensor.

  • Almirón (Paraguai) cobriu a boca ao discutir com Müldür aos 44 minutos do primeiro tempo em Turquia 0 x 1 Paraguai;
  • Hincapié (Equador) cobriu a boca ao discutir com Santi Giménez aos 49 minutos do segundo tempo em México 2 x 0 Equador.
Cartão por simulação: 2 vezes

#Embolo desesperado.
#Embolo desesperado.

O paraguaio Almirón também foi alvo das novas regras de revisão por simulação. No protocolo de erro de identidade, o árbitro holandês Danny Makkelie foi ao vídeo, aplicou o amarelo a Almirón por simular a falta e cancelou o cartão que havia dado, por engano, ao zagueiro Ream.

O mesmo protocolo entrou em ação na eliminação da Suíça, derrotada por 3 a 1 pela Argentina nas quartas de final. Com o placar empatado em 1 a 1, Embolo simulou uma falta de Paredes. O árbitro português João Pinheiro havia amarelado o argentino, mas reviu o lance no vídeo e voltou atrás na decisão. Embolo recebeu o segundo amarelo, deixou a Suíça com um jogador a menos e a seleção foi eliminada.

  • Amarelo para Almirón por simulação e amarelo anulado de Ream por falta inexistente no camisa 10 paraguaio em Estados Unidos 4 x 1 Paraguai;
  • Vermelho para Embolo por segundo amarelo por simulação e amarelo anulado de Paredes por falta inexistente no camisa 7 suíço em Argentina 3 x 1 Suíça.
Repetição de cobrança de escanteio: 1 vez

Conheça as novas regras do futebol!
Conheça as novas regras do futebol!

Uma das novas regras prevê que o árbitro pode mandar repetir a cobrança de escanteio, falta ou pênalti quando um jogador comete infração antes de a bola entrar em jogo. O caso aconteceu na eliminação da Noruega para a Inglaterra na derrota por 2 a 1. O árbitro anulou o gol de Heggem, marcado aos nove minutos do segundo tempo, depois de flagrar falta de Haaland em Elliot Anderson momentos antes da cobrança de escanteio, e mandou repetir a jogada.

Segundo o ex-árbitro e comentarista de arbitragem do Grupo Globo, PC de Oliveira, a nova regra foi bem aplicada.

— Infração do ataque antes de a bola entrar em jogo e com impacto direto em lance de gol ou pênalti. O VAR recomenda a revisão e a cobrança de escanteio ou falta tem quer repetida. Essa regra foi implantada em virtude dos bloqueios que os atacantes fazem nos zagueiros e goleiros e os impedem de disputar a bola adequadamente. Vide os gols do Arsenal na Premier League — explicou o ex-árbitro.

Bellingham e Saka reclamam de gol de Heggem; árbitro anula gol da Noruega contra a Inglaterra baseado em nova regra — Foto: Paul Childs/Reuters
Bellingham e Saka reclamam de gol de Heggem; árbitro anula gol da Noruega contra a Inglaterra baseado em nova regra — Foto: Paul Childs/Reuters

  • Gol de Heggem anulado por falta de Haaland em Elliot Anderson antes da cobrança de escanteio em Noruega 1 x 2 Inglaterra aos 9 minutos do segundo tempo.
Reversão do lateral: 7 vezes

A reversão do lateral aconteceu sete vezes nesta Copa do Mundo após o árbitro perceber que uma cobrança de lateral estava sendo deliberadamente atrasada e o jogador demorou pelo menos cinco segundos para realizar a cobrança.

O primeiro caso foi do lateral Kolasinac em Canadá 1 x 1 Bósnia. O lance aconteceu aos 11 minutos do segundo tempo, quando a Bósnia vencia o Canadá por 1 a 0. O árbitro argentino Facundo Tello percebeu a demora na cobrança e deu a posse para o Canadá.

Reversão do lateral da Bósnia — Foto: Reprodução/Cazé TV
Reversão do lateral da Bósnia — Foto: Reprodução/Cazé TV

Veja todos os lances de reversão nesta Copa do Mundo:

  • Kolasinac (Bósnia) por demorar 8 segundos em Canadá 1 x 1 Bósnia, aos 11 minutos do segundo tempo;
  • Valery (Tunísia) por demorar 12 segundos em Suécia 5 x 1 Tunísia, aos 18 minutos do primeiro tempo;
  • Posch (Áustria) por demorar 10 segundos em Áustria 3 x 1 Jordânia, aos 2 minutos do segundo tempo;
  • Meunier (Bélgica) por demorar 19 segundos em Bélgica 0 x 0 Irã, aos 39 minutos do primeiro tempo;
  • Santi Arias (Colômbia) por demorar 9 segundos em Colômbia 0 x 0 Portugal, aos 6 minutos do primeiro tempo;
  • Alizhonov (Uzbequistão) por demorar 12 segundos em RD Congo 3 x 1 Uzbequistão, aos 36 minutos do primeiro tempo;
  • Molina (Argentina) por demorar 6 segundos em Argentina 3 x 1 Suíça, aos 37 minutos do primeiro tempo.
Cera no tiro de meta: 3 vezes

A demora para cobrança de um tiro de meta foi flagrada em apenas três oportunidades na Copa do Mundo. Os goleiros têm cinco segundos após o início da contagem visual do árbitro para realizar a cobrança. Caso o jogador não realize a cobrança dentro do tempo, o lance é revertido em escanteio para o time adversário. Isso aconteceu três vezes no Mundial:

  • Mpasi (RD Congo) por demorar 24 segundos em Portugal 1 x 1 RD Congo, aos 5 minutos do segundo tempo;
  • Placide (Haiti) por demorar 10 segundos em Brasil 3 x 0 Haiti, aos 4 minutos do primeiro tempo;
  • Gill (Paraguai) por demorar 18 segundos em Turquia 0 x 1 Paraguai, aos 13 minutos do primeiro tempo.
Cera na substituição: 1 vez

A nova regra prevê que um jogador a ser substituído terá 10 segundos para sair de campo após o quarto árbitro erguer a placa que indica a alteração. Em caso de atraso do substituído, o substituto deverá aguardar um minuto para entrar em campo, deixando o time infrator com um a menos durante esse tempo. Isso aconteceu uma única vez na Copa do Mundo.

  • Ezatolahi (Irã) demorou 16 segundos para sair de campo e Hosseinzadeh só foi autorizado a entrar em campo após 2 minutos e 9 segundos em Bélgica 0 x 0 Irã.
Arbitragem não permite entrada do atacante do Irã após demora na substituição — Foto: Reprodução/CazéTV
Arbitragem não permite entrada do atacante do Irã após demora na substituição — Foto: Reprodução/CazéTV

Minuto fora: 36 vezes

A regra mais aplicada na Copa do Mundo foi a do minuto fora de campo após atendimento médico a um jogador. A Ifab determinou que o atleta atendido em campo permaneça ao menos um minuto fora antes de voltar à partida.

A equipe do Gato Mestre* contabilizou 36 casos em que o árbitro orientou o jogador a se dirigir à beira do campo e cumprir o minuto fora. O número real de atendimentos pode ser um pouco maior, porque a transmissão da partida nem sempre deixa claro se a regra foi aplicada. Ainda assim, o efeito da mudança foi visível em campo.

  • Kubo em Holanda 2 x 2 Japão: 2 minutos e 54 segundos até ser substituído;
  • Moisés Caicedo em Costa do Marfim 1 x 0 Equador: 1 minuto e 6 segundos até voltar ao campo;
  • Ordóñez em Costa do Marfim 1 x 0 Equador: 1 minuto e 15 segundos até voltar ao campo;
  • Ismaïla Sarr em França 3 x 1 Senegal: 1 minuto e 6 segundos até voltar ao campo;
  • Mbappé em França 3 x 1 Senegal: 46 segundos até voltar ao campo;
  • Casimir em Brasil 3 x 0 Haiti: 1 minuto e 6 segundos até voltar ao campo;
  • Aktürkoglu em Turquia 0 x 1 Paraguai: 47 segundos até voltar ao campo;
  • Diego Gómez em Turquia 0 x 1 Paraguai: 1 minuto e 11 segundos até voltar ao campo;
  • Schlotterbeck em Alemanha 2 x 1 Costa do Marfim: 1 minuto e 15 segundos até voltar ao campo;
  • Juninho Bacuna em Equador 0 x 0 Curaçao: 1 minuto e 10 segundos até voltar ao campo;
  • Rekik em Tunísia 0 x 4 Japão: 47 segundos até voltar ao campo;
  • Telmo Arcanjo em Uruguai 2 x 2 Cabo Verde: 1 minuto e 8 segundos até voltar ao campo;
  • Kevin Pina em Uruguai 2 x 2 Cabo Verde: 1 minuto e 8 segundos até voltar ao campo;
  • Pedersen em Noruega 3 x 2 Senegal: 1 minuto e 39 segundos até voltar ao campo;
  • Salah-Eddine em Marrocos 4 x 2 Haiti: 1 minuto e 13 segundos até voltar ao campo;
  • Amrabat em Marrocos 4 x 2 Haiti: 1 minuto e 10 segundos até voltar ao campo;
  • Sithole em África do Sul 1 x 0 Coreia do Sul: 1 minuto e 39 segundos até voltar ao campo;
  • Oyarzabal em Uruguai 0 x 1 Espanha: 1 minuto e 3 segundos até voltar ao campo;
  • Yéremy Pino em Uruguai 0 x 1 Espanha: 1 minuto e 7 segundos até voltar ao campo;
  • Abdelmonem em Egito 1 x 1 Irã: 1 minuto e 24 segundos até ser substituído;
  • Fatouh em Egito 1 x 1 Irã: 1 minuto e 15 segundos até voltar ao campo;
  • Cristian Martínez em Panamá 0 x 2 Inglaterra: 31 segundos até voltar ao campo;
  • Fayzullaev em RD Congo 3 x 1 Uzbequistão: 1 minuto e 21 segundos até voltar ao campo;
  • Mozgovoy em RD Congo 3 x 1 Uzbequistão: 1 minuto e 23 segundos até voltar ao campo;
  • Eustáquio em África do Sul 0 x 1 Canadá: 1 minuto e 18 segundos até voltar ao campo;
  • Diallo em Costa do Marfim 1 x 2 Noruega: 1 minuto e 52 segundos até voltar ao campo;
  • Manzambi em Suíça 2 x 0 Argélia: 1 minuto e 21 segundos até voltar ao campo;
  • Maza em Suíça 2 x 0 Argélia: 1 minuto até voltar ao campo;
  • Heggem em Noruega 1 x 2 Inglaterra: 1 minuto e 29 segundos até voltar ao campo;
  • Paredes em Argentina 3 x 1 Suíça: 1 minuto e 12 segundos até voltar ao campo;
  • Trusty em Turquia 3 x 2 Estados Unidos: 1 minuto e 10 segundos até voltar ao campo;
  • Gustavo Gómez em Alemanha 1 (3 x 4) 1 Paraguai: 1 minuto e 5 segundos até voltar ao campo;
  • Cáceres em Alemanha 1 (3 x 4) 1 Paraguai: 1 minuto e 33 segundos até voltar ao campo;
  • Hany em Austrália 1 (2 x 4) 1 Egito: 1 minuto e 7 segundos até voltar ao campo;
  • Hany em Austrália 1 (2 x 4) 1 Egito: 52 segundos até voltar ao campo;
  • Spence em França 4 x 6 Inglaterra: 1 minuto e 17 segundos até voltar ao campo.
Novas regras de atendimento médico na Copa deixam jogadores mais de 1min fora de campo
Novas regras de atendimento médico na Copa deixam jogadores mais de 1min fora de campo

Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, José Victor Meirinho, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.

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