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domingo, 6 de setembro de 2026

Governo federal projeta receita total de R$ 3,24 trilhões em 2026; número é recorde e equivale a 23,7% do PIB

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Crescimento foi puxado por aumento de impostos e petróleo em alta. Governo diz que 'recomposição de arrecadação' buscou 'corrigir distorções, reduzir gastos tributários ineficazes e aumentar progressividade tributária'.
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Por Alexandro Martello, Ana Paula Castro, g1 — Brasília

Postado em 06 de Setembro de 2.026 às 07h00m

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Notas de real — Foto: Reprodução/Pixabay
Notas de real — Foto: Reprodução/Pixabay

A equipe econômica estimou que as receitas totais do governo atingirão R$ 3,24 trilhões neste ano, o equivalente a 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para o próximo ano, a expectativa da área econômica, de acordo com a proposta de orçamento, é de pequena queda nas receitas totais para 23,4% do PIB (R$ 3,46 trilhões).

Se confirmado, o patamar de 23,7% do PIB será o novo recorde da série histórica da Secretaria do Tesouro Nacional, que tem início em 1997, ou seja, o maior patamar em 30 anos.

🔎A receita total considera a ou o valor da arrecadação corrigida pela inflação, são conceitos que, segundo analistas, permitem uma comparação histórica de longo prazo.

  • Até então, a maior receita total do governo, na proporção com o PIB, havia sido registrada em 2010, último ano do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (23,6% do PIB).
  • A média para a receita total do governo nos últimos 29 anos, entre 1997 e 2025, foi de 21,4% do PIB, segundo informações do Tesouro Nacional.

🔎 A receita total considera a arrecadação de tributos do governo federal, e outros ingressos de recursos, como "royalties", concessões e dividendos, sem contar estados e municípios.

🔎 Esse conceito difere da chamada carga tributária da economia brasileira, que somou 32,1% do PIB em 2024, segundo dados da Secretaria da Receita Federal - que engloba os tributos de estados e municípios. O resultado de 2025 ainda não saiu.

RECEITAS TOTAIS DO GOVERNO
% DO PRODUTO INTERNO BRUTO


Fonte: TESOURO NACIONAL E SOF

Carga tributária e petróleo

O terceiro mandato do presidente Lula foi caracterizado pela carga tributária batendo recordes históricos e pelo crescimento de despesas — autorizado pela PEC da transição, que aumentou em cerca de R$ 170 bilhões as despesas anuais nos orçamentos públicos de cada ano, com criação de novas despesas e recomposição de orçamentos.

Ao mesmo tempo, o governo tem registrado alta nas receitas de exploração do petróleo neste ano, impulsionadas pelo preço do produto no mercado externo, fruto da guerra no Oriente Médio.

A expectativa do governo é de arrecadar R$ 172,1 bilhões neste ano (1,3% do PIB) em 2026, contra R$ 139,3 bilhões em 2025 (1,1% do PIB).

Preço do petróleo dispara, após volta de ataques entre Irã e EUA
Preço do petróleo dispara, após volta de ataques entre Irã e EUA

Analistas têm manifestado reiteradamente preocupação com a trajetória das contas públicas, que seguem apresentando déficits seguidos apesar do bom comportamento das receitas.

Eles avaliam que isso pressiona a taxa de juros, e consequentemente, o endividamento público. Para baixar o juro e conter a dívida, defendem um corte de gastos por parte do governo (veja mais abaixo nesta reportagem).

Relembre alguns aumentos de impostos:

  • alta na tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior);
  • mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
  • aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 e mantido desde então;
  • reoneração gradual da folha de pagamentos;
  • fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);
  • taxação das bets;
  • aumento do IOF sobre crédito e câmbio;
  • alta na tributação dos juros sobre capital próprio;
  • aumento na tributação de "fintechs";
  • redução de benefícios fiscais;
  • elevação do imposto de importação de mais de mil produtos;
  • imposto de exportação sobre petróleo.

Em contrapartida, o governo ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês (R$ 60 mil ao ano), que será efetivada na declaração de 2027. Também foi criado um desconto progressivo menor para rendas de até R$ 7.350 mensais.

Para compensar as reduções no imposto, a medida também estabelece uma cobrança mínima para contribuintes de alta renda, com alíquota progressiva de até 10% para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano. Nada muda para aqueles que já têm desconto em folha (leia mais aqui).

Recomposição de receitas

Na proposta de orçamento do próximo ano, a equipe econômica tem um capítulo destinado às chamadas "medidas de recomposição das receitas e mudanças estruturais na tributação".

"A reversão do processo de deterioração da base arrecadatória federal tem sido um grande desafio, embora alguns avanços já possam ser detectados", diz a proposta de orçamento de 2027.

No documento, o governo lista várias medidas tomadas nos últimos anos, como a tributação de "offshores", a alta no imposto dos cigarros, fim do benefício ao setor de eventos, fim gradual da desoneração da folha de pagamentos, a alta do IOF e do imposto de mais de mil produtos importados.

"Muitas dessas medidas foram instituídas com o propósito de corrigir distorções de mercado, reduzir gastos tributários ineficazes ou aumentar a progressividade tributária, mas seus efeitos fiscais para o equilíbrio financeiro da União são significativos", acrescentou o governo. 
O que dizem especialistas

A economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, afirma que o aumento de tributos e a alta do preço do petróleo ajudam a sustentar o crescimento da arrecadação mesmo com a perda de ritmo da atividade econômica.

A economista pontua, porém, que, apesar do bom desempenho das receitas, as contas públicas ainda devem fechar o ano no vermelho.

"O governo tem uma forte alta na arrecadação esse ano e ainda vai gerar um déficit primário próximo de 0,5% do PIB, resultado que deve ser pior que o de 2025", avaliou.

Segundo Rafael Barros Barbosa, pesquisador do FGV IBRE, o fenômeno se explica pelo aumento dos gastos, que crescem em ritmo superior ao da arrecadação, contribuindo para a alta da dívida pública em relação ao tamanho da economia.

A dívida do setor público consolidado atingiu, em agosto, 82,5% do PIB — o maior nível desde abril de 2021, quando somava 82,6% do PIB, ou seja, é o maior patamar em mais de cinco anos.

"O que a gente observa nos últimos cinco anos, e essa é uma tendência deste último governo, é que a nossa receita até aumentou, mas os nossos gastos aumentaram mais ainda. Então, a principal explicação de por que a gente tem seguidamente aumentado a relação dívida/PIB é, basicamente, por causa de um aumento dos gastos", afirma Rafael Barbosa.

Para o economista, uma das consequências do crescimento da dívida em relação ao PIB é o aumento dos juros.

"Uma vez que o governo gasta mais do que arrecada, ele acaba estimulando a demanda, gera pressão de inflação, e o Banco Central precisa controlar um pouco essa pressão de inflação, aumentando os juros. Isso tem consequências para toda a economia", afirmou.
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sábado, 5 de setembro de 2026

Entenda o que muda no mapa-múndi após ONU aprovar correção de distorções nas dimensões dos continentes

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Projeção de Mercator, criada no século 16 para facilitar a navegação, faz regiões próximas aos polos parecerem maiores. Nova proposta incentiva o uso de mapas que representem melhor as proporções entre os continentes.
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Por Redação g1, São Paulo

Postado em 05 de Setembro de 2.026 às 05h00m

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Mapa aprovado pela ONU para representar com melhor proporção a diferença de área entre os países. — Foto: Reproduçãio/equal-earth.com
Mapa aprovado pela ONU para representar com melhor proporção a diferença de área entre os países. — Foto: Reproduçãio/equal-earth.com

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou na sexta-feira (4) uma resolução que incentiva a adoção de uma nova forma de representar o mapa-múndi. A proposta, aprovada por 164 votos, busca reduzir as distorções no tamanho dos continentes causadas por projeções cartográficas utilizadas há séculos.

A discussão envolve principalmente a projeção de Mercator, criada no século 16 pelo cartógrafo Gerardus Mercator para facilitar a navegação marítima. O modelo se tornou uma das representações mais conhecidas do planeta e ainda aparece em mapas, materiais educacionais e ferramentas digitais. (Entenda mais abaixo.)

Um dos pontos a ser considerado é que não existe uma maneira de transformar perfeitamente uma superfície esférica, como a Terra, em uma superfície plana, como uma folha de papel ou uma tela. Toda projeção cartográfica precisa fazer algum tipo de distorção, que pode afetar o tamanho, a forma ou a localização das regiões.

Na projeção de Mercator, a distorção aumenta à medida que uma região se afasta da linha do Equador. Assim, áreas próximas aos polos aparecem maiores do que realmente são, enquanto regiões próximas ao Equador parecem proporcionalmente menores. É por isso que a África, por exemplo, pode parecer ter dimensões semelhantes às da Groenlândia, embora o continente africano seja cerca de 14 vezes maior.
Comparação entre o mapa Mercator e a nova proporção aprovada pela ONU — Foto: Reprodução / Ministério do Interior da França
Comparação entre o mapa Mercator e a nova proporção aprovada pela ONU — Foto: Reprodução / Ministério do Interior da França

Por que os mapas mostram tamanhos diferentes?

Até a aprovação do novo modelo pela ONU, haviam duas versões mais disseminadas de mapa-múndi: a projeção de Mercator (a mais comum e mais conhecida) e a projeção de Gall-Peters. Cada uma tinha escalas próprias.

Projeção de Mercator

Criada em 1569, a projeção de Mercator foi desenvolvida para resolver um problema prático da navegação. Ela permite que os navegadores mantenham determinadas direções no mapa de acordo com a bússola, o que ajudou a explicar sua ampla utilização ao longo dos séculos.

Para conseguir isso, porém, o modelo distorce progressivamente o tamanho das regiões conforme elas se afastam do Equador. Os meridianos, que na realidade se encontram nos polos, aparecem como linhas paralelas e igualmente espaçadas no mapa.

O resultado pode ser percebido em comparações conhecidas:

  • África e Groenlândia: a Groenlândia pode parecer próxima do tamanho da África, embora a África seja cerca de 14 vezes maior;
  • Brasil e Alasca: os dois aparecem com dimensões semelhantes em algumas representações, embora o Brasil seja cerca de cinco vezes maior que o Alasca;
  • África e América do Norte: a África aparece proporcionalmente menor, apesar de ter aproximadamente o triplo da extensão da América do Norte.
À esquerda, a África no mapa Mercator e à direita, o continente no novo mapa aprovado pela ONU — Foto: Reprodução
À esquerda, a África no mapa Mercator e à direita, o continente no novo mapa aprovado pela ONU — Foto: Reprodução

Projeção de Gall-Peters

A projeção de Gall-Peters surgiu como uma alternativa que prioriza a representação proporcional do tamanho das áreas. Ela foi desenhada originalmente pelo escocês James Gall, em 1855, e difundida décadas depois pelo historiador alemão Arno Peters.

Nesse modelo, os continentes aparecem com proporções de área mais próximas das reais. A principal diferença visual em relação à Mercator é que regiões que pareciam relativamente grandes no mapa tradicional, como a Europa, passam a ocupar uma área menor, enquanto a África aparece significativamente maior.

Isso não significa, porém, que Gall-Peters seja uma representação perfeita do planeta. Assim como qualquer projeção, ela é uma tentativa de representar uma superfície curva em uma superfície plana e, portanto, envolve outras distorções.

Para além disso, a diferença entre os mapas não significa que haja um "certo" e o outro "errado". As projeções são maneiras diferentes de representar a superfície curva da Terra em um plano, e cada uma prioriza determinadas características.

Mapa mundi segundo projeção Gall-Peters — Foto: Wikimedia Commons
Mapa mundi segundo projeção Gall-Peters — Foto: Wikimedia Commons

Novo modelo aprovado pela ONU: o que muda?

A resolução aprovada pela ONU incentiva governos, organizações internacionais e outras instituições a considerar modelos que representem de maneira mais próxima as dimensões reais das massas de terra. A iniciativa é conhecida como "Corrija o mapa" e tem apoio da União Africana.

O modelo apoiado pela campanha é o Equal Earth, chamado de "Terra Igual" no material da ONU. A projeção procura preservar melhor as proporções entre os continentes e oferecer uma representação mais próxima das áreas reais das diferentes regiões do planeta.

A proposta também parte da ideia de que os mapas não servem apenas para localizar países e continentes. Eles são usados em escolas, materiais didáticos, meios de comunicação, documentos oficiais e ferramentas digitais e, por isso, ajudam a formar a imagem que as pessoas têm das dimensões e da posição das diferentes regiões do mundo.

Segundo a resolução, as distorções podem ter efeitos cognitivos, educacionais, culturais e até geopolíticos. A mudança defendida pela ONU busca, portanto, incentivar uma representação mais próxima das dimensões reais dos territórios.

O que muda na prática?

Novo mapa aprovado pela ONU. — Foto: Reprodução
Novo mapa aprovado pela ONU. — Foto: Reprodução

A aprovação da ONU não significa que o mapa de Mercator deixará de ser usado imediatamente. A resolução funciona como um incentivo para que governos, organizações internacionais e outras instituições considerem projeções diferentes e mais adequadas para representar o tamanho das massas de terra.

Na prática, a principal mudança está na forma como os continentes serão visualmente comparados.

Em um mapa baseado em Mercator, países e regiões próximas aos polos são ampliados. Com uma projeção que preserve melhor as áreas, como o Equal Earth, a África, a América do Sul e outras regiões próximas ao Equador passam a ocupar no mapa uma proporção mais próxima daquela que têm na realidade.

Isso significa que uma pessoa que aprenda geografia por meio desse tipo de representação poderá visualizar de maneira mais fiel a diferença de tamanho entre continentes e países. A África, por exemplo, deixa de parecer próxima em tamanho à Groenlândia e passa a ser apresentada com uma dimensão proporcionalmente muito maior.

Ou seja, a mudança nada tem a ver com uma mudança no tamanho real dos continentes — eles continuam exatamente como são. O que muda é a forma como suas dimensões são representadas em um mapa plano.

É justamente essa diferença que está no centro da discussão: não há um único mapa capaz de reproduzir perfeitamente uma Terra esférica em uma folha ou tela. A escolha de uma projeção determina quais características serão preservadas e quais serão distorcidas.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Efeito China: preços de carros usados caem até 20% com enxurrada de novos modelos chineses

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Preços efetivamente negociados por veículos de até três anos caíram 9,3% no primeiro semestre, quase quatro vezes mais que a Fipe. Promoções dos zero km 'tradicionais' muda a referência de preços no mercado.
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Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo

Postado em 04 de Setembro de 2.026 às 09h00m

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Carros chineses e descontos em carros novos derrubam preços de usados. — Foto: Divulgação / Toyota, Honda, Jeep e Geely
Carros chineses e descontos em carros novos derrubam preços de usados. — Foto: Divulgação / Toyota, Honda, Jeep e Geely

O g1 tem acompanhado a chegada de uma série de novos modelos de carros chineses ao Brasil, com diferentes tecnologias e preços competitivos. Esse movimento tem provocado dois efeitos: a redução dos preços dos carros zero km e a consequente pressão sobre os valores dos seminovos.

Em julho, um estudo da Bright Consulting mostrou que, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos subiu menos que a inflação em 2026. Descontada a inflação, os veículos zero km ficaram 1,5% mais baratos neste ano.

Agora, dados da Auto Avaliar mostram que os preços efetivamente negociados entre lojistas para veículos com até três anos de uso caíram 9,3% entre janeiro e junho de 2026. A queda foi quase quatro vezes maior que a indicada pela tabela Fipe, que recuou 2,4% no mesmo período.

Alguns modelos registram uma desvalorização que passa dos 20%.

'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos
'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos

Entre os casos mais marcantes estão:

  • Toyota Corolla 2025, que teve redução de 21,2%;
  • Volkswagen T-Cross 2025, com queda de 20,9%;
  • Honda HR-V 2025, que recuou 20%.

Volkswagen Nivus e os Toyota Corolla Cross, Yaris e SW4 também estão entre os modelos que mais perderam valor no primeiro semestre.

As marcas tradicionais também passaram a oferecer reduções de preços e condições comerciais mais agressivas para modelos como Hyundai Creta, Jeep Compass, Volkswagen T-Cross e Nivus.

  • 🔎 A Auto Avaliar é uma plataforma em que mais de 27 mil lojistas compram e vendem automóveis. Existem mais de 6 mil concessionárias cadastradas, o que corresponde a 85% do segmento.

A pressão sobre os seminovos ocorre enquanto as montadoras ampliam as promoções dos carros novos para encarar os chineses. Entre maio e agosto, foram anunciados descontos, bônus e mudanças de preços, como desconto de R$ 55 mil no Mitsubishi Outlander PHEV.

No Suzuki e-Vitara a redução chegou a R$ 50 mil. O Fiat Fastback Hybrid teve desconto de R$ 38,5 mil, enquanto o BYD Song Pro teve redução de R$ 28,5 mil. Este último também motivado pela chegada do sucessor, Song Pro Flex.

BYD Dolphin — Foto: Divulgação / BYD
BYD Dolphin — Foto: Divulgação / BYD

Busca por chineses

E os brasileiros estão cada vez mais procurando por carros da China. Segundo o Data OLX Autos, a busca por carros de marcas chinesas entre janeiro e julho de 2026 subiu 124% se comparada ao mesmo período de 2025.

O levantamento da plataforma de vendas mostra que 27% das buscas de carros chineses estão justamente na faixa de R$ 100 mil a R$ 130 mil.

  • 🔎 O segmento de veículos da OLX no Brasil recebe a visita de 565 mil usuários por dia. Mais de 22 mil veículos novos são ofertados na plataforma todos os dias. Os dados são a média de 2026.
O novo pressiona o usado

Segundo Geraldo Victorazzo, vice-presidente da Auto Avaliar, uma redução expressiva no preço de um carro novo altera imediatamente a referência usada pelo consumidor. Isso aumenta o risco financeiro de quem mantém um seminovo comprado com base nos preços anteriores.

“O carro não precisa sair da garagem para perder valor. Quando uma montadora reduz significativamente o preço do zero km ou lança uma condição agressiva de financiamento, ela cria imediatamente uma nova referência para o consumidor”, afirma Victorazzo. 
Seminovo mais caro que 0 km

O efeito das promoções fica evidente quando são comparados os valores efetivamente pagos por um carro novo e por um seminovo recente. A impressão que se tem no preço de tabela não se reflete na negociação. As condições de financiamento vantajosas para carros zero km e os descontos pressionam e distorcem o mercado.

Há casos em que um veículo seminovo, então, pode custar mais caro que um novo. Veja uma simulação feita pela Auto Avaliar em dois cenários em que o carro dado pelo cliente na troca custa R$ 88 mil:

Carro 0 km

Jeep Compass Sport — Foto: Divulgação / Stellantis
Jeep Compass Sport — Foto: Divulgação / Stellantis

  • Jeep Compass Sport
  • Preço de tabela: R$ 174 mil
  • Preço na loja (com desconto): R$ 147 mil
  • Valor a financiar: R$ 59 mil
  • Condição: 30 parcelas sem juros
  • Valor da parcela: R$ 1.966,67
  • Custo Total (sem considerar demais taxas): R$ 147 mil
Carro Usado
Volkswagen Taos — Foto: Divulgação
Volkswagen Taos — Foto: Divulgação

  • Volkswagen Taos Comfortline 2025
  • Preço do anúncio: R$ 164 mil
  • Preço na loja (com desconto): R$ 159 mil
  • Valor a financiar: R$ 71 mil
  • Condição: 30 parcelas com 1,6% de juros ao mês
  • Valor da parcela: R$ 2.997,80
  • Custo Total (sem considerar demais taxas): R$ 177,9 mil

Conclusão: O carro usado tem preço anunciado mais barato, porém, ao final, fica R$ 30 mil mais caro que zero km pelas condições e descontos.

Na análise da Auto Avaliar, quando o consumidor encontra condições melhores em um carro novo, o preço do seminovo precisa acompanhar a mudança.

Quando o consumidor percebe que consegue levar um zero quilômetro pagando menos ou com uma condição financeira muito melhor, o preço do seminovo precisa reagir. O problema é que a concessionária pode ter comprado aquele carro semanas antes, usando uma referência de mercado que já deixou de existir, explica Victorazzo.

Outro ponto destacado pela Auto Avaliar é a velocidade com que os preços efetivamente praticados mudam.

Entre junho de 2025 e junho de 2026, o preço médio nas transações dos carros zero-quilômetro caiu 3,5%. No mesmo período, o preço público recuou 1,5%. Ou seja, o preço praticado nas lojas caiu bem mais do que aparece para o público na tabela.

Os números indicam, segundo a empresa, que os descontos e as condições encontradas nas concessionárias podem antecipar movimentos que demoram mais para aparecer nas referências tradicionais de preços.

Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil — Foto: g1
Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil — Foto: g1

Enquanto os preços de zero km são pressionados, o mercado de usados mantém grande volume de negócios. Entre janeiro e julho de 2026, foram negociados 7,9 milhões de automóveis e comerciais leves usados no Brasil.

A relação foi de 4,88 veículos usados negociados para cada carro novo vendido no período.

Para os analistas da Auto Avaliar, o cenário não significa que concessionárias e lojistas devam deixar de comprar determinados modelos seminovos.

A avaliação é que a decisão de compra precisa considerar:

  • Velocidade de desvalorização;
  • Liquidez;
  • Prazo estimado para vender o veículo.

A estratégia das lojas gera consequência para o consumidor, que espera um valor na avaliação do seu carro usado, mas vai perceber na loja que o veículo vale bem menos do que os anúncios.

Mudança no mercado de usados

Para a consultora Tereza Fernandez, o movimento de queda dos preços dos seminovos está se consolidando em 2026. A chegada de marcas chinesas e a redução de preços promovida pelas fabricantes tradicionais aumentaram a pressão sobre os veículos usados.

Segundo ela, lojas que mantêm estoques elevados podem ter prejuízos com a desvalorização. O impacto, porém, dependerá da capacidade de cada vendedor de reduzir rapidamente os preços e diminuir as perdas.

Tereza não vê uma crise no segmento lojas de carros usados. Para ela, o impacto dependerá da velocidade da queda dos preços, do tamanho da desvalorização e da quantidade de veículos mantidos no estoque pelas lojas.

Lojas que têm estoques muito grandes podem enfrentar problemas mais sérios com a desvalorização.

Na negociação de um carro usado, a queda dos preços também pode afetar quem pretende trocar de veículo. Isso porque o consumidor que vende um seminovo também encontrará preços menores na compra de outro usado.

Por esse motivo, Teresa avalia que não haveria uma mudança significativa nesse tipo de negociação. O principal impacto estaria na compra de um zero km, que passa a depender dos descontos oferecidos pelas montadoras.

A consultora ressalta que não é possível generalizar o comportamento do mercado. Outro fator que dificulta as negociações, segundo ela, é a inadimplência, que levou os bancos a adotar critérios mais rígidos e dificultou o acesso ao crédito.

Para Cássio Pagliarini, da Bright Consulting, a confiança maior do consumidor também ajuda a explicar a queda dos preços dos seminovos. Com mais confiança, parte dos clientes que antes comprava veículos usados passa a considerar a aquisição de um carro novo.

Nesse movimento, segundo o especialista, os modelos chineses ganham espaço.

A maioria desses carros chineses já entrega eletrificação, tecnologia e um tempo de garantia que dá segurança ao cliente, diz o consultor.

Para Pagliarini, essa mudança já altera o cenário para os lojistas. Os problemas podem ser maiores para quem mantém grandes quantidades de seminovos, que antes eram comprados em volume justamente por apresentarem boa liquidez.

Segundo o consultor, o mercado também mudou em relação aos veículos eletrificados. Ele afirma que ficou para trás o período em que esses modelos tinham menor poder de revenda e permaneciam por mais tempo nos estoques.

Pagliarini estima que o mercado de veículos em 2026 possa chegar perto de 3 milhões de unidades. Na avaliação dele, o resultado poderia ser maior se houvesse condições melhores de financiamento.

O principal obstáculo, porém, está na aprovação do crédito. Segundo o consultor, embora exista demanda, a dificuldade de conseguir financiamento limita os negócios neste momento.

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