Total de visualizações de página

segunda-feira, 13 de julho de 2026

China recupera foguete com sistema inédito de rede em alto-mar

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Teste bem-sucedido tenta quebrar o domínio dos EUA em foguetes reutilizáveis
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
www.cnnbrasil.com.br/internacional
11/07/26 às 19:14 | Atualizado 11/07/26 às 19:14
Postado em 13 de Julho de 2.026 às 11h25m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
.#.* --  Post. - Nº.\  12.369 --  *.#.


China recupera foguete com sistema inédito de rede em alto-mar  • China News Service via Reuters

A China testou com sucesso na sexta-feira (10) um sistema experimental de recuperação de foguetes usando uma rede acoplada a uma plataforma marítima, informou a mídia estatal, na esperança de quebrar a dominação dos EUA em foguetes reutilizáveis.

O foguete Longa Marcha 10B decolou do local de lançamento espacial comercial de Hainan, no sul da China, às 12h15 no horário local e, cerca de seis minutos após a separação de seu propulsor e do estágio superior, o propulsor retornou verticalmente e foi recuperado em uma plataforma em alto-mar, informou a emissora estatal CCTV.

O teste marca a primeira recuperação bem-sucedida da China de um foguete de classe orbital, colocando o país mais perto de desenvolver foguetes reutilizáveis.

O foguete enviou um satélite para a órbita preestabelecida na sexta-feira, informou a mídia estatal.

As ações de empresas aeroespaciais chinesas dispararam com a notícia, com a China Spacesat (600118.SS) e a China Satellite Communications (601698.SS) atingindo os limites diários de alta.


O Longa Marcha 10B tem sido comparado ao Falcon 9, o foguete de capacidade média amplamente utilizado da SpaceX (SPCX.O). Ele foi desenvolvido para o setor aeroespacial comercial pelo principal desenvolvedor estatal de foguetes do país, a CALT (Academia de Tecnologia de Veículos de Lançamento da China), e é capaz de transportar uma carga útil de pelo menos 16 toneladas métricas para a órbita baixa da Terra.

Leia Mais

Mas ao contrário do Falcon 9, o Longa Marcha 10B não pousa autonomamente em pernas implantáveis em uma plataforma terrestre ou navio-drone, usando, em vez disso, quatro "ganchos de pouso" para pegar a rede acoplada a uma plataforma marítima.

"A recuperação baseada em rede ajuda a simplificar a estrutura a bordo do foguete, reduz a massa do veículo e aumenta a capacidade de carga útil. Ela também é altamente adaptável a desvios do ponto de pouso, pois sistemas de redes coordenados podem efetivamente expandir a janela de captura", disse o especialista da CALT, Chen Muye, à agência estatal Xinhua.

A SpaceX pousou um foguete Falcon 9 de um voo orbital pela primeira vez em dezembro de 2015, seguida pelo New Glenn da Blue Origin em novembro de 2025.

Até agora, o Falcon 9 da SpaceX lança cerca de 150 vezes por ano, ou aproximadamente três vezes por semana, com seu propulsor reutilizado dezenas de vezes conforme necessário. O propulsor cheio de motores é geralmente visto como a parte mais valiosa de um foguete.

A China passou quase uma década desenvolvendo tecnologias de foguetes reutilizáveis, desde testes iniciais de voo pairado em baixa altitude até tentativas de recuperação de propulsores de classe orbital nos últimos anos.

Um sistema de foguetes reutilizáveis reduzirá os custos de lançamento para as constelações de satélites comerciais da China, que estão em rápida expansão.

Empresas privadas chinesas também estão intensificando esforços para testar seus foguetes reutilizáveis em meio a uma intensa competição global para adquirir a tecnologia, e a China flexibilizou as regras de IPO (oferta pública inicial) para empresas que desenvolvem foguetes reutilizáveis para ajudá-las a levantar fundos.

Duas tentativas da empresa privada chinesa LandSpace e da estatal China Aerospace Science and Technology Corporation no ano passado falharam em completar o passo final crucial de pouso e recuperação do propulsor.

Como parte da família Longa Marcha 10, que está sendo desenvolvida para as missões lunares tripuladas da China antes de 2030, o Longa Marcha 10B também poderia fornecer dados e validar tecnologias relevantes para o programa lunar mais amplo.

A China planeja usar o estágio do propulsor do Longa Marcha 10B novamente para outro lançamento até o final deste ano, disse a CCTV.

CNN Brasil Siga a CNN Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Tópicos


--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Petróleo sobe mais de 3% após escalada do conflito entre EUA e Irã e novo fechamento do Estreito de Ormuz

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Troca de ataques entre os dois países elevou o risco de interrupções na oferta global de petróleo e impulsionou os preços da commodity nesta segunda-feira (13).
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
TOPO
Por Reuters

Postado em 13 de Julho de 2.026 às 09h50m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
.#.* --  Post. - Nº.\  12.368 --  *.#.

EUA lançam novos ataques contra o Irã
EUA lançam novos ataques contra o Irã

Os preços do petróleo subiam mais de 3% nesta segunda-feira (13), refletindo a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã.

A alta foi impulsionada pela intensificação dos ataques entre os dois países no fim de semana e pela decisão de Teerã de voltar a fechar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. (confira a cobertura em tempo real)

  • Por volta das 7h47 (horário de Brasília), o petróleo Brent, referência internacional, avançava 3,1%, cotado a US$ 78,44 o barril. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, subia 3,2%, para US$ 73,71.

O Estreito de Ormuz concentra cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Qualquer interrupção na navegação pela região aumenta o risco de problemas no abastecimento global e costuma pressionar os preços da commodity.

A escalada das tensões também aumentou a aversão ao risco nos mercados financeiros. Investidores reduziram a exposição a ativos considerados mais arriscados e buscaram proteção em aplicações vistas como mais seguras, como o dólar.

Mercados globais

Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única. O índice de Xangai caiu 2,06%, aos 3.913 pontos, atingindo o menor nível em três meses.

O CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,79%, aos 4.695 pontos. Já o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,16%, aos 24.213 pontos.

Entre os demais mercados da região, o Nikkei, do Japão, caiu 1,92%, aos 67.242 pontos;

  • Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,95%, aos 6.806 pontos;
  • Straits Times, de Cingapura, perdeu 0,11%, aos 5.463 pontos;
  • Taiex, de Taiwan, subiu 0,06%, aos 45.380 pontos;
  • S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 0,03%, aos 8.808 pontos.
Dólar oscila com tensão no Oriente Médio

O dólar oscilou nesta segunda-feira após a retomada dos confrontos no Golfo. A moeda americana chegou a subir no início do pregão, acompanhando a alta do petróleo, mas perdeu força com os investidores avaliando os impactos do conflito.

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta de seis moedas, chegou a avançar 0,3%, mas encerrou o dia em queda de 0,2%, aos 100,83 pontos.

Entre as principais moedas:

  • Euro: alta de 0,15%, para US$ 1,1433;
  • Libra esterlina: estável, a US$ 1,339;
  • Dólar australiano: queda de 0,1%, para US$ 0,694;
  • Dólar contra o iene: alta de 0,2%, para 162,05 ienes.

A desvalorização do iene voltou a chamar atenção dos investidores, diante da possibilidade de uma intervenção das autoridades japonesas para conter a queda da moeda.

Entenda a escalada do conflito

A reação dos mercados ocorreu após uma nova troca de ataques entre EUA e Irã. Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, forças do país atingiram bases militares americanas no Barein e no Kuweit, além de alvos na Jordânia e em Omã.

Em resposta, as Forças Armadas dos EUA afirmaram ter atacado sistemas de defesa aérea, radares, mísseis, drones e embarcações iranianas.

A escalada militar colocou em dúvida um acordo provisório firmado entre Washington e Teerã no mês passado, que previa a reabertura do Estreito de Ormuz e uma redução das tensões após semanas de negociações.

Em entrevista à Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que considera o cessar-fogo encerrado, mas disse que ainda vê espaço para novas negociações.

Do lado iraniano, o presidente do Parlamento e principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, adotou um tom duro. Em publicação na rede social X, afirmou que "a era dos acordos unilaterais acabou" e cobrou que os EUA cumpram os compromissos assumidos.

A guerra entre EUA, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, ampliou a instabilidade no Oriente Médio e levou Teerã a atacar bases militares americanas em diferentes países da região. O conflito já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Guarda Revolucionária afirmou que o tráfego normal de navios pelo Estreito de Ormuz só será restabelecido quando os EUA encerrarem as operações militares na região. O grupo alertou que novos confrontos podem provocar impactos ainda maiores no mercado global de petróleo e gás.

O governo iraniano informou ainda que tenta negociar com Omã um mecanismo para administrar a passagem de embarcações pelo estreito, mas disse que as conversas têm sido dificultadas pela pressão americana.

A alta do petróleo aumenta a preocupação com uma possível elevação dos preços dos combustíveis e da inflação em diversos países, caso o conflito se prolongue e afete a oferta global da commodity.

*Com informações da Reuters

Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio — Foto: Reuters
Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio — Foto: Reuters

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Irã lança ataques contra instalações militares dos EUA no Kuwait e Bahrain

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Guarda Revolucionária diz que ofensiva incluiu bases em dois países do Golfo e promete manter as ações de retaliação
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Laura Sharman e Lex Harvey, da CNN
13/07/26 às 01:42 | Atualizado 13/07/26 às 01:46
Postado em 13 de Julho de 2.026 às 05h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
.#.* --  Post. - Nº.\  12.367 --  *.#.


Arquivo do Campo acampamento militar dos EUA no Kuwait  • Reuters

Ataques iranianos tiveram como alvo infraestrutura dos Estados Unidos em bases militares no Kuwait e causaram danos, segundo a agência de notícias semioficial iraniana Fars, nesta segunda-feira (13).

De acordo com a publicação, a IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) afirmou ter "destruído completamente tanques de armazenamento de combustível e sistemas de defesa aérea Patriot na base americana de Ali Al Salem".

A base de Ali Al Salem abriga tropas dos Estados Unidos, segundo o CENTCOM (Comando Central dos EUA), responsável pelas operações militares americanas na região.

Leia Mais

A IRGC também afirmou ter atingido a Base Aérea zhmad Al Jaber, localizada a cerca de 48 quilômetros de distância, danificando um sistema de radar FPS.



Em um comunicado publicado no X na manhã desta segunda-feira, as Forças Armadas do Kuwait informaram que estão respondendo a "alvos aéreos hostis" no espaço aéreo do país.


"O Estado-Maior das Forças Armadas do Kuwait informa que quaisquer sons de explosões que possam ser ouvidos são resultado da interceptação de ataques hostis pelos sistemas de defesa aérea", disseram os militares no post.

As autoridades também orientaram os moradores a seguirem as instruções emitidas pelos órgãos oficiais.

Ataques no Bahrein e mísseis na Jordânia

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã também afirmou ter atacado instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein, informou a Fars.

Segundo a IRGC, em resposta aos ataques americanos, sua Força Aérea atingiu instalações de manutenção e reparo de helicópteros, um hangar que abrigava uma aeronave de patrulha marítima P-8 Poseidon e o centro de comando e controle de drones da base aérea americana de Sheikh Isa, no Bahrein.

"As operações de retaliação continuarão", afirmou a IRGC. O Ministério do Interior do Bahrein informou que sirenes de alerta foram acionadas e orientou os moradores a procurar abrigo.

Até o momento, não há relatos imediatos de danos.

Segundo a Agência de Notícias da Jordânia, as forças armadas jordanianas interceptaram quatro mísseis em seu espaço aéreo.

Quatro mísseis que entraram no espaço aéreo jordaniano vindos de território iraniano foram interceptados e afundados, informou a agência nesta segunda-feira, citando as forças armadas do país.

CNN Brasil Siga a CNN Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Tópicos

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

domingo, 12 de julho de 2026

Tráfego por Ormuz cai após Irã declarar fechamento da via, mostram dados

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Presidente dos EUA, Donald Trump, insiste que o Estreito de Ormuz está aberto
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Billy Stockwell, da CNN
12/07/26 às 13:05 | Atualizado 12/07/26 às 13:05
Postado em 12 de Julho de 2.024 às 13h35m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
.#.* --  Post. - Nº.\  12.366 --  *.#.

Imagem aérea da região próxima ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial diariamente, em condições normais
Imagem aérea da região próxima ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial diariamente, em condições normais  • REUTERS / GREEK GOVERNMENT HANDOUT

O tráfego pelo Estreito de Ormuz diminuiu — mais uma vez — depois que o Irã afirmou ter fechado a via navegável estratégica, conforme mostram dados de rastreamento.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou neste domingo (12) que o Estreito foi fechado após as forças iranianas dispararem um tiro de advertência contra uma embarcação que, segundo o órgão, tentava utilizar uma rota "não autorizada" para atravessar a via.

Desde então, poucas embarcações — além de um pequeno número de navios com bandeira iraniana — transitaram pela região, de acordo com dados da agência de rastreamento marítimo MarineTraffic.

Enquanto isso, um navio-tanque carregado de petróleo e produtos químicos, com bandeira das Bahamas, parece estar tentando atravessar o canal utilizando uma rota mais próxima do lado iraniano do Estreito, segundo dados da MarineTraffic.

Leia Mais



O destino da embarcação consta como a cidade portuária de Fujairah, na costa leste dos Emirados Árabes Unidos.

Neste domingo (12), o Centro Conjunto de Informações Marítimas, supervisionado pela Marinha dos Estados Unidos, informou que a "rota sul" pelo Estreito de Ormuz permanece aberta para tráfego em ambos os sentidos.

No entanto, o movimento continua reduzido apesar do anúncio, e o alerta do Irã já está gerando repercussões em toda a região.

Mais cedo, o Catar recomendou aos proprietários de embarcações que "suspendessem temporariamente a navegação e todas as formas de atividades marítimas" em meio à recente escalada de confrontos nas proximidades da via navegável.






CNN Brasil Siga a CNN Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

inglês

Tópicos


--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Nova medição amplia tamanho estimado da Via Láctea em cerca de 10%

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Pesquisa baseada em ecos de raios X de três explosões extragalácticas indica que os braços espirais mais externos ficam mais distantes do centro galáctico do que apontavam estimativas anteriores.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
TOPO
Por Óscar del Barco Novillo

Postado em 12 de Julho de 2.026 às 07h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
.#.* --  Post. - Nº.\  12.365 --  *.#.

Uma imitação da Via Láctea — Foto: Kevin Morefield/Astronomy Photographer of the Year
Uma imitação da Via Láctea — Foto: Kevin Morefield/Astronomy Photographer of the Year

Nosso planeta está longe de ser o centro do Universo, como proclamavam na Antiguidade sábios como Aristóteles ou Ptolomeu. Estamos na zona exterior de uma galáxia espiral com quatro braços característicos chamada Via Láctea.

Por estarmos imersos no plano galáctico, não dispomos da perspectiva necessária — ou visão panorâmica — para conhecer sua aparência precisa, assim como também não é fácil determinar com exatidão seu tamanho. Felizmente, com os dados disponíveis da missão europeia Gaia e observando outras galáxias semelhantes à nossa, podemos inferir com bastante detalhe sua forma e estimar com eficácia seu tamanho.

Nesse sentido, uma equipe de astrônomos descobriu recentemente que os braços espirais externos da Via Láctea poderiam se estender 10% além do que se pensava.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores realizaram medições precisas das distâncias até nuvens de poeira nos braços espirais da nossa galáxia, utilizando dados dos observatórios de raios X Chandra, da NASA e XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA).

A estrutura da Via Láctea

Estima-se que a Via Láctea abrigue entre 100 bilhões e 400 bilhões de estrelas. Ela tem forma de espiral com três regiões principais bem diferenciadas: o núcleo central, o disco galáctico com braços espirais e o halo, uma esfera que envolve completamente o disco e o núcleo.

A Via Láctea observada a partir de duas perspectivas distintas.  Da parte superior, ou vista aérea (imagem à esquerda), podem-se apreciar em detalhes o bulbo central e o disco galáctico, que contém os braços característicos de uma galáxia espiral. Observe a localização do sistema solar em um braço secundário (braço de Órion) nos limites da nossa galáxia. Em uma perspectiva de perfil (imagem à direita), fica evidente a espessura reduzida do disco, em comparação com seu comprimento total — Foto: ESA., CC BY
A Via Láctea observada a partir de duas perspectivas distintas. Da parte superior, ou vista aérea (imagem à esquerda), podem-se apreciar em detalhes o bulbo central e o disco galáctico, que contém os braços característicos de uma galáxia espiral. Observe a localização do sistema solar em um braço secundário (braço de Órion) nos limites da nossa galáxia. Em uma perspectiva de perfil (imagem à direita), fica evidente a espessura reduzida do disco, em comparação com seu comprimento total — Foto: ESA., CC BY

O disco tem um diâmetro aproximado de cerca de 100 mil anos-luz e é muito fino, com apenas 1.000 anos-luz de espessura. Ele não é totalmente plano, mas tem uma forma levemente curvada. Nosso Sistema Solar está localizado em um dos braços externos do disco, a cerca de 26 mil anos-luz do buraco negro supermaciço Sagitário A* em seu centro.

Uma galáxia com quatro braços espirais

Possivelmente, a característica mais bela desse tipo de galáxia seja a existência de braços espirais em seu disco.

Essas estruturas são zonas de grande concentração de gás e matéria estelar, com tons mais azulados do que o restante do disco. Isso indica que as estrelas que as compõem são extremamente maciças e muito jovens, queimando sua grande reserva de combustível nuclear em um ritmo acelerado. Como consequência, os braços espirais estão associados a regiões ativas onde se formam estrelas continuamente.

Em particular, a Via Láctea é composta por dois braços principais (Escudo-Centaurum e Perseus) e dois braços secundários proeminentes (Norma e Sagitário). Além disso, encontramos o braço de Órion, um ramal secundário localizado entre os braços de Sagitário e Perseu, onde está situado nosso Sistema Solar, e mais um braço externo.

Representação artística da Via Láctea, incluindo os nomes dos quatro braços característicos da nossa galáxia. — Foto: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC/Caltech)., CC BY
Representação artística da Via Láctea, incluindo os nomes dos quatro braços característicos da nossa galáxia. — Foto: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC/Caltech)., CC BY

Agora, com os resultados dessa pesquisa inovadora, as distâncias entre os braços mais externos e o centro galáctico mudaram significativamente. Como isso é possível?

Ecos de três explosões extragalácticas

A chave está no estudo das ondas de raios X que ricochetearam nas nuvens de poeira localizadas nos braços espirais mais externos. Essa radiação intensa proveio de fora da Via Láctea e teve origem em fenômenos extremamente violentos, como o colapso de estrelas maciças ou a fusão de estrelas de nêutrons (as chamados explosões de raios gama ou GRB, na sigla em inglês).

Os ecos de raios X têm estrutura anular e seus diâmetros, observados pelo telescópio espacial Chandra, permitem determinar a distância em relação à Terra. Assim, os anéis de maior tamanho correspondem a nuvens de poeira mais próximas de nós.

Anéis de raios X gerados por uma explosão de raios gama (e refletidos nas nuvens de poeira dos braços externos da Via Láctea) registrados pelo telescópio espacial Chandra. Raios X: NASA/CXC/INAF/B. Vaia et al.; Ótica: Pan-STARRS; Processamento de imagem: — Foto: NASA/CXC/SAO/N. Wolk & P. Edmonds., CC BY
Anéis de raios X gerados por uma explosão de raios gama (e refletidos nas nuvens de poeira dos braços externos da Via Láctea) registrados pelo telescópio espacial Chandra. Raios X: NASA/CXC/INAF/B. Vaia et al.; Ótica: Pan-STARRS; Processamento de imagem: — Foto: NASA/CXC/SAO/N. Wolk & P. Edmonds., CC BY

Especificamente, os pesquisadores analisaram três fontes dessa potente radiação, denominadas GRB 031203, GRB 160623A e a mais recente, GRB 221009A (o nome de cada explosão indica o ano, mês e dia da observação, nessa ordem).

Um tamanho maior do que já conhecíamos

Ao analisar essas três explosões de raios gama, os pesquisadores calcularam as distâncias até três braços espirais da Via Láctea — em ordem crescente de distância a partir do centro galáctico: o braço de Perseu, o braço externo e o braço de Escudo-Centaurum.

Na direção de um dos GRBs, os astrônomos descobriram que tanto o braço externo quanto o braço de Escudo-Centaurum estão aproximadamente 10% mais distantes do que se pensava até agora.

Representação artística da Via Láctea detalhando as mudanças nas distâncias entre os braços mais externos de nossa galáxia (imagem à esquerda, as dimensões da Via Láctea com os dados utilizados até o momento; imagem à direita, as novas dimensões com base no novo estudo). — Foto: NASA/CXC/A. Hobart., CC BY
Representação artística da Via Láctea detalhando as mudanças nas distâncias entre os braços mais externos de nossa galáxia (imagem à esquerda, as dimensões da Via Láctea com os dados utilizados até o momento; imagem à direita, as novas dimensões com base no novo estudo). — Foto: NASA/CXC/A. Hobart., CC BY

Essa forma de calcular distâncias baseia-se na geometria, enquanto a maioria dos outros métodos depende de suposições sobre como a Via Láctea gira, com alto grau de incerteza sobre as regiões externas.

Desvantagens e um futuro promissor

Mas embora essa técnica original tenha melhorado significativamente a precisão na medição do tamanho da nossa galáxia, ela não poderá ser utilizada de forma sistemática para obter medições futuras. O problema reside no fato de que as intensas explosões de raios gama visíveis através do plano galáctico são muito raras. E, sem elas, não é possível estudar os ecos de raios X.

Mesmo assim, o conhecimento sobre a Via Láctea continuará a crescer nos próximos anos.

Não serão fundamentais apenas os dados cada vez mais detalhados do observatório Gaia, mas também a futura contribuição do NewAthena, o observatório de raios X de nova geração da ESA, que permitirá aos cientistas explorar ecos de raios X muito mais fracos nas regiões periféricas da nossa galáxia.

Óscar del Barco Novillo é Professor Ayudante Doutor do Departamento de Física (área de Astronomia e Astrofísica), da Universidade de Múrcia. Ele não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------