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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Cientista brasileiro mostra como pode ser a 1ª estação espacial comercial da história; VÍDEO

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Primeira estação espacial comercial do mundo, módulo da empresa Vast tem lançamento previsto para 2027. Neurocientista brasileiro Alysson Muotri quer estudar o Alzheimer em minicérebros a bordo.
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Por Poliana Casemiro, g1

Postado em 16 de Outubro de 2.026 às 13h00m
 
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Como vai ser a Haven-1, a primeira estação espacial comercial
Como vai ser a Haven-1, a primeira estação espacial comercial

Em 2027, pela primeira vez, astronautas devem dormir, trabalhar e fazer pesquisa numa estação espacial que não pertence e não é operada por nenhum governo, batizada de Haven-1. Uma das pesquisas que deve ir à bordo é a do neurocientista brasileiro Alysson Muotri, que pretende levar minicérebros humanos à órbita para estudar o Alzheimer.

Alysson Muotri é professor da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) e um dos mais respeitados cientistas do mundo em transtornos do desenvolvimento neurológico, principalmente o autismo. Ele vai levar ao espaço seu projeto de minicérebros, estruturas criadas em laboratório a partir de células-tronco que imitam o cérebro de um bebê em formação.

A Haven-1, da empresa Vast, será a primeira estação comercial do mundo, um projeto sem precedentes que transforma a órbita em espaço para alugar. Como num hotel, laboratórios vão poder contratar sua “estadia” para desenvolver pesquisas.

Por dentro, ela também rompe com o que se conhece: camas infláveis, paredes brancas e lisas e compartimentos reservados aos experimentos de diferentes clientes.

O pesquisador brasileiro Alysson Muotri — Foto: Arquivo pessoal/Alysson Muotri
O pesquisador brasileiro Alysson Muotri — Foto: Arquivo pessoal/Alysson Muotri

O pesquisador chegou a ser cotado para uma viagem ao espaço em 2023, à bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), que ainda está em órbita, mas teve a ida suspensa, segundo ele por cortes de orçamento na agência espacial americana, Nasa.

No vídeo, ele mostra um protótipo da estação, que está em San Diego, na Califórnia.

“Esse daqui é o futuro laboratório espacial para crescimento dos minicérebros. A gente vai usar essa estrutura para acomodar os nossos minicérebros, envelhecê-los e trazê-los de volta para a Terra para fazer uma série de análises”, explica. 
Como vai funcionar a estação

A Haven-1 vai subir no foguete Falcon 9, da SpaceX. Cerca de um mês depois de entrar em órbita, deve receber os primeiros astronautas, que chegarão na cápsula Dragon, também da SpaceX, acoplada ao módulo.

Diferentemente da ISS, construída e operada por um consórcio de países, a nova estação é um empreendimento privado e será montada por etapas. A Haven-1 é o primeiro de uma série de módulos planejados pela Vast.

Desde o início, a ideia é que a estação funcione como plataforma de pesquisa aberta a empresas. As chamadas operadoras de carga científica levam a bordo experimentos próprios ou de clientes, que ocupam compartimentos lado a lado. Depois das análises, eles voltam para a Terra.

Com isso, o módulo inicial já deve abrigar ciência e inaugurar a transição da ISS para estações operadas pela iniciativa privada.

Um interior pensado para quem mora nele

A Haven-1 também rompe com o padrão visual das estações em operação hoje. A ISS acumula estruturas tubulares metálicas, cabos e equipamentos expostos, resultado de um projeto guiado pela necessidade.

Já o módulo da Vast tem paredes lisas, linhas limpas e um layout pensado para o conforto de quem passa semanas sem gravidade.

Heaven-1 vai ter camas infláveis — Foto: Vast
Heaven-1 vai ter camas infláveis — Foto: Vast

A entrada é feita pela porta de acoplamento da cápsula Dragon, ao lado da área de comunicação com a equipe em terra.

As camas da tripulação ficam nas laterais, junto aos compartimentos de armazenamento. Elas podem ser infladas para manter o corpo preso durante o sono, já que, sem gravidade, nada fica parado no lugar. Para Muotri, é uma forma de dormir no espaço muito melhor do que a disponível hoje na ISS.

Barras distribuídas pelas paredes servem de apoio para os astronautas se deslocarem flutuando pelo módulo.

Estação tem design diferente de estações já lançadas — Foto: Vast
Estação tem design diferente de estações já lançadas — Foto: Vast

Um trecho ainda em definição vai receber equipamentos de análise para os cientistas trabalharem a bordo. Os espaços de trabalho são compactos, com pontos de apoio para o pesquisador se fixar e, como brinca Muotri, “até olhar para cima quando tiver saudades da Terra”.

Um brasileiro cotado para a missão

Muotri dirige o programa de células-tronco da UCSD e colabora em pesquisas com a Nasa. A missão que pode levá-lo à Haven-1 como cientista-astronauta ainda está sendo desenhada e não tem data.

Segundo ele, o embarque depende de quando ficarão prontos os equipamentos de análise necessários a bordo.

  • Muotri será considerado o 1º cientista no espaço já que Marcos Pontes, o primeiro brasileiro, é engenheiro de formação e militar.

A Haven-1 é um projeto sem precedentes. Até hoje, todas as estações espaciais tripuladas foram construídas e operadas por governos. Nenhuma empresa privada jamais lançou e operou uma estação espacial própria, independente, que receba tripulação.

O cientista afirma acompanhar de perto o desenvolvimento da estação, inclusive os testes pré-voo, e diz não ter receio de participar de uma iniciativa sem precedentes.

“Estou confiante de que a Haven-1 será um sucesso”, afirmou.

Se o cronograma se cumprir, a órbita baixa terá em 2027 seu primeiro endereço privado. Antes mesmo de ganhar novos módulos, a Haven-1 vai testar se uma estação menor, mais confortável e compartilhada por empresas consegue sustentar a ciência que hoje depende da ISS.

Minicérebros para estudar o Alzheimer

O laboratório de Muotri vai abrigar minicérebros, nome popular dos organoides cerebrais. São estruturas cultivadas em laboratório que reproduzem o desenvolvimento e parte das funções do cérebro de um bebê.

Elas são produzidas a partir de células-tronco pluripotentes induzidas, as iPS: células adultas reprogramadas para voltar a um estágio semelhante ao embrionário, a partir do qual podem originar neurônios. Com elas, os cientistas estudam doenças neurológicas, o envelhecimento cerebral e o efeito de medicamentos.

O que são minicérebros? — Foto: Luisa Rivas e Ana Moscatelli | Arte g1
O que são minicérebros? — Foto: Luisa Rivas e Ana Moscatelli | Arte g1

O plano é fazer os organoides crescerem, amadurecerem e envelhecerem a bordo e depois trazê-los de volta para análise. Segundo o pesquisador, o ambiente espacial acelera o envelhecimento dos minicérebros, processo que deve ser descrito num estudo a ser publicado nas próximas semanas.

Organoides cerebrais já foram ao espaço uma vez, mas sem um cientista por perto. Agora, a proposta é conduzir os experimentos dentro da estação.

A primeira leva deve mirar doenças neurodegenerativas, sobretudo o Alzheimer. Também vão para a órbita moléculas da biodiversidade amazônica selecionadas por povos originários. A hipótese é que algumas delas ajudem a tratar essas doenças ou protejam os neurônios contra danos.

Derretimento de 'Geleira do Juízo Final' pode ter impacto duas vezes maior do que se imaginava no nível do mar, aponta estudo

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Pesquisa publicada na revista científica "Nature Communications" estima que a geleira localizada na Antártida Ocidental pode contribuir em até três centímetros para a elevação média global do nível do mar até 2100.
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Por Júlia Carvalho, g1

Postado em 16 de Outubro de 2.026 às 09h10m
 
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Geleira Thwaites, conhecida como 'Geleira do Juízo Final'. — Foto: NASA/James Yungel
Geleira Thwaites, conhecida como 'Geleira do Juízo Final'. — Foto: NASA/James Yungel

O derretimento da geleira Thwaites, conhecida como a "Geleira do Juízo Final", pode ter um impacto bem maior do que se imaginava na elevação do nível do mar.

Segundo uma pesquisa publicada na revista científica "Nature Communications" a geleira, localizada na Antártida Ocidental, pode contribuir em até três centímetros para a elevação média global do nível do mar até 2100.

⚠️O valor é aproximadamente o dobro da média de projeções anteriores consideradas pelos pesquisadores, mesmo em um cenário sem aquecimento climático adicional.

"Há décadas documentamos e quantificamos os impactos das mudanças climáticas sobre os mantos de gelo sensíveis do nosso planeta, mas a percepção crescente, nos últimos anos, do que está acontecendo na parte inferior de geleiras como a Thwaites está provocando uma sensação ainda maior de preocupação", afirmou Eric Rignot, coautor do estudo e professor de Ciências do Sistema Terrestre na Universidade da Califórnia, em Irvine.

De acordo com Rignot, o novo modelo desenvolvido pelo grupo traz uma representação física mais completa da região e foi capaz de mostrar que a entrada de água do oceano sob o gelo tem um papel importante no recuo da geleira.

Ao incorporar esse processo a um modelo computacional e compará-lo com observações de quase três décadas, os cientistas conseguiram reproduzir melhor as mudanças registradas na velocidade, na espessura e na posição da geleira.

Timelapse mostra geleira da Antártida recuando em ritmo recorde
Timelapse mostra geleira da Antártida recuando em ritmo recorde

Como a água do mar acelera o derretimento

A geleira Thwaites é conhecida como "Geleira do Juízo Final" pelo risco que seu derretimento representa ao planeta. Mas o tamanho da contribuição desse processo à elevação do nível do mar ainda é muito incerta.

Desde meados da década de 1990, a parte ocidental do bloco, por onde o gelo escoa mais rapidamente, recuou cerca de 25 quilômetros.

Esse recuo é impulsionado, em parte, pela água relativamente quente do oceano, que derrete a parte inferior do gelo. O processo ocorre especialmente na chamada "zona de aterramento", região de transição em que a geleira deixa de estar apoiada no fundo do mar e passa a flutuar.

Segundo os pesquisadores, muitos modelos computacionais tratam essa transição como uma fronteira estreita entre o gelo apoiado no leito marinho e o gelo flutuante, quase como uma linha.

Com isso, deixam de representar adequadamente a entrada de água do mar por quilômetros sob a geleira e o derretimento provocado por essa infiltração.

Mattia Poinelli, autor principal do estudo e também pesquisador da Universidade da Califórnia explica que, para corrigir essa limitação, a equipe desenvolveu um modelo que considera zonas de aterramento com entre dois e cinco quilômetros de largura.

"Observações por satélite demonstram a existência de uma 'zona de aterramento', que às vezes tem vários quilômetros de largura, onde a água quente do oceano alcança regiões profundas sob os mantos de gelo e provoca um derretimento intenso", detalha, em comunicado.

Os resultados indicaram que essa abordagem foi fundamental para reproduzir as mudanças observadas na Thwaites entre 1996 e 2023.

Geleira pode se desprender de elevação submarina

O estudo também aponta que a Thwaites permanece parcialmente estabilizada pela Crista Mouginot, uma elevação do fundo do mar que funciona como um ponto de apoio para o gelo.

Com o avanço do derretimento, a geleira pode perder esse apoio e recuar em direção a outra elevação submarina, chamada Crista Sul.

🗻Nas simulações, a probabilidade de a geleira se desprender da Crista Mouginot até 2100 chegou a aproximadamente 60% quando o modelo considerou zonas de aterramento de quatro a seis quilômetros, dimensão compatível com observações recentes por satélite. Nesse conjunto de simulações, o desprendimento poderia ocorrer já em 2038.

O momento em que isso acontecer influencia a quantidade de gelo perdida e, consequentemente, a contribuição da geleira para a elevação do nível do mar.

Os pesquisadores estimaram diferentes contribuições da geleira para a elevação média global do nível do mar até o fim do século, conforme a largura considerada para a zona de aterramento.

➡️As principais conclusões foram:

  • Sem representar a zona de aterramento: contribuição estimada de 8,3 milímetros
  • Com uma zona de aterramento de aproximadamente um quilômetro: 1,43 centímetros
  • Com uma zona de aproximadamente três quilômetros: 1,94 centímetros
  • Com uma zona de aproximadamente cinco quilômetros: 3,01 centímetros, com incerteza de 5,7 milímetros.

A última projeção é aproximadamente o dobro da contribuição média de 1,52 centímetros estimada pelo conjunto de modelos internacionais usados como referência no estudo.

Os cálculos foram feitos considerando condições climáticas médias do período de 1996 a 2023 mantidas ao longo das simulações.

Portanto, o cenário funciona como uma estimativa de limite inferior, que permite isolar o efeito do derretimento na zona de aterramento sem incorporar um aquecimento futuro adicional do clima.

Limitações do estudo

Os autores ressaltam que o modelo não representa todos os processos que podem influenciar a evolução da geleira.

Entre as limitações estão a ausência de mudanças na posição da frente de gelo provocadas pelo desprendimento de blocos e o uso de uma representação simplificada do derretimento causado pelo oceano, em vez de uma simulação completa da circulação da água sob a plataforma de gelo.

Além disso, a extensão da zona de aterramento foi mantida fixa nas simulações, embora possa variar conforme as características do fundo marinho, a inclinação do gelo, as marés e a pressão da água sob a geleira.

Os pesquisadores defendem que novas medições diretas de temperatura, salinidade e circulação da água sob o gelo são necessárias para reduzir essas incertezas e aperfeiçoar as projeções.

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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Por que os Estados Unidos vão afundar o navio de passageiros mais seguro da história que já transportou presidentes e celebridades

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Transatlântico SS United States, ápice da engenharia marítima durante a Guerra Fria, deve ser transformado em recife artificial em novembro
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https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/
15/10/26 às 13:02 | Atualizado 15/10/26 às 13:02
Postado em 15 de Outubro de 2.026 às 15h35m

 
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O maior navio transatlântico de passageiros já construído nos Estados Unidos será afundado após uma última viagem. A partir de novembro, o SS United States deverá descer ao fundo do mar para se tornar mais um recife artificial na costa americana.

O projeto do condado de Okaloosa, na Flórida, deve salvar a que já foi a embarcação mais rápida e segura do país de virar sucata. Afundado no Golfo do México, próximo à praia de Destin-Fort Walton, o barco deverá oferecer enriquecimento ao habitat marinho e virar nova atração turística para pescadores e mergulhadores.

A história do SS United States

O navio fez sua primeira viagem em 1952, indo de Nova York até a Europa em 10 horas e 40 minutos e atingindo velocidade recorde para um trajeto transatlântico. Ele foi desenhado por William Francis Gibbs e construído em alumínio para redução de peso.

O SS United States foi parcialmente financiado pelo governo americano, com planos de transformá-lo em veículo militar durante a Guerra Fria. A construção virou símbolo da evolução da engenharia no país, com suas dimensões surpreendentes (mais de 300 metros de comprimento) e sistema de propulsão inovador.

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Com atributos de segurança muito superiores às exigências legais, já transportou nomes
ilustres como os presidentes Harry Truman, Dwight Eisenhower, John F. Kennedy e Bill Clinton (antes de sua carreira política). Seus 24 botes salva-vidas, com capacidade de transportar mais pessoas do que a própria operadora permitia a bordo, fizeram o SS US ser chamado de "navio mais seguro da história".

A entidade SS United States Conservancy, que preserva a memória da embarcação, descreve-a como "um embaixador global e o ápice do design marítimo no último século", um exemplo do "glamour da Velha Hollywood" e "uma história do triunfo de uma nação sobre o trauma da Segunda Guerra Mundial".

A decadência e o novo plano ambiental

A era de ouro do transatlântico veio ao fim com a popularização da aviação comercial, que afetou toda a indústria de turismo marítimo. Ele foi transformado em navio de cruzeiro, passou a receber subsídios governamentais para continuar em serviço, mas finalmente foi "aposentado" em 1969.

Seu comando mudou de mãos diversas vezes desde então, com empresas propondo transformá-lo em diferentes fontes de renda, mas sempre barradas por empecilhos financeiros.

O SS United States estava destinado a ser demolido e ter seus componentes vendidos por sucata. No entanto, o governo do condado de Okaloosa, na Flórida, decidiu comprá-lo para investir na criação de um abrigo para fauna e flora marinhas.

Nos últimos meses, o navio passou por uma série de preparações para tornar seu "naufrágio" intencional mais seguro. O projeto ainda deve passar por aprovação da EPA (Agência de Proteção Ambiental) e do Corpo de Engenharia Militar dos Estados Unidos e está sujeito a mudanças de calendário.

Outro navio já foi afundado na mesma costa que deve receber, em breve, o transatlântico. Em 2006, o cargueiro de aeronaves militares USS Oriskany tornou-se um ponto de mergulho popular e um gigantesco recife de coral artificial; seu tamanho deve ser superado pelo eventual afundamento do SS US.

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Dois navios de carga afundam perto de Ormuz e evidenciam riscos à navegação

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Ataques do Irã intensificaram-se significativamente desde final de setembro, reduzindo, mais uma vez, o volume de petróleo que sai do Oriente Médio e elevando os preços da commodity ao redor do mundo
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Jessie Yeung, Isaac Yee e Teele Rebane, da CNN
15/10/26 às 14:01 | Atualizado 15/10/26 às 14:01
Postado em 15 de Outubro de 2.026 às 14h25m

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Captura de tela de vídeos verificados pela CNN que mostram o navio porta-contêineres GFS Pride, de bandeira de Singapura, afundando após ser atingido por projéteis desconhecidos no dia 13 de outubro, perto do Estreito de Ormuz
Captura de tela de vídeos verificados pela CNN que mostram o navio porta-contêineres GFS Pride, de bandeira de Singapura, afundando após ser atingido por projéteis desconhecidos no dia 13 de outubro, perto do Estreito de Ormuz  • Redes sociais via CNN

Dois navios de carga afundaram perto do Estreito de Ormuz nos últimos dias, após serem atingidos por projéteis de origem desconhecida em casos separados.

Isso evidencia o aumento do perigo para a navegação, em um momento em que o Irã intensifica ataques na tentativa de retomar o controle sobre essa via navegável estratégica.

O navio porta-contêineres GFS Pride, registrado em Singapura, foi atingido na terça-feira (13) enquanto atravessava o estreito. Um incêndio teve início na embarcação, que afundou posteriormente, segundo a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura. Toda a tripulação foi resgatada em segurança.

Vídeos verificados pela CNN mostram fumaça saindo da embarcação enquanto ela começa a ser inundada. Imagens posteriores e registros de satélite mostram carga espalhada pela água e uma pequena mancha de óleo.

A emissora estatal iraniana Press TV informou que o navio teria “atingido uma mina naval em uma rota não autorizada” — uma versão contestada por especialistas, que consideram mais provável a ocorrência de um ataque por drone.

O navio mercante Cape Dao, registrado em Antígua e Barbuda, também afundou, segundo dados da Organização Marítima Internacional divulgados na quarta-feira (14), após ter sido atingido por um projétil no dia 23 de setembro. Um tripulante indiano morreu.

Embora muitas embarcações tenham sido atingidas no Estreito de Ormuz este ano, estes são apenas o segundo e o terceiro casos de naufrágio no Oriente Médio desde o início do conflito envolvendo o Irã, em fevereiro, segundo dados da OMI (Organização Marítima Internacional).

Os ataques intensificaram-se significativamente desde o final de setembro, reduzindo, mais uma vez, o volume de petróleo que sai do Oriente Médio e elevando os preços da commodity ao redor do mundo.

Essa situação tem sido uma dor de cabeça constante para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato.

Neste período, questões como o preço dos combustíveis, tarifas e outros fatores que elevam o custo de vida tornam-se preocupações centrais para muitos eleitores.

Dados da United Kingdom Maritime Trade Operations, que monitora casos envolvendo embarcações, revelam a dimensão do risco.

Desde segunda-feira (12), foram registrados nove ataques no Estreito de Ormuz ou em suas proximidades, incluindo uma investida de drone contra um navio-tanque.

Naufrágios são escalada perigosa, alerta especialista

Apenas 4 milhões de barris de petróleo transitaram com sucesso pelo Estreito de Ormuz na segunda-feira – menos de um quarto dos níveis registrados antes da guerra, segundo a Kpler, serviço de monitoramento de dados marítimos.

Além disso, a média de sete dias do fluxo de petróleo por Ormuz caiu drasticamente desde o início de outubro, mostram os dados da Kpler.

“O naufrágio do GFS PRIDE, embarcação que ostenta a bandeira de Singapura, marca uma escalada perigosa após semanas de ataques quase diários ao transporte marítimo comercial. O Irã alega o uso de uma mina naval, mas um ataque por meio de drone é mais provável”, afirmou Charlie Brown, ex-oficial da Marinha dos EUA e consultor sênior da United Against Nuclear Iran, uma organização sem fins lucrativos que monitora e denuncia violações de sanções por parte do Irã.

“Muitos se perguntam qual será a resposta da Marinha dos EUA diante da escalada de ataques do Irã ao transporte marítimo global”, acrescentou ele.

“Mas a verdadeira questão é: que resposta outras nações darão? Por quanto tempo o mundo tolerará essa ameaça ao transporte marítimo, aos marítimos e à liberdade de navegação?”, adicionou.

As Forças Armadas dos EUA continuam impondo um bloqueio aos portos iranianos, a fim de manter a pressão econômica sobre o Irã.

Até certo ponto, a estratégia tem funcionado: a economia iraniana encontra-se em sérias dificuldades e, nos últimos meses, o país perdeu claramente seu poder de influência sobre o estreito, uma vez que o volume de petróleo proveniente de outras nações do Golfo que atravessa essa via marítima aumentou, aproximando-se de níveis normais.

Isso se deve, em parte, a uma operação complexa que envolve a passagem noturna de embarcações pelo estreito — os chamados trânsitos "às escuras" — sob escolta militar dos EUA, durante os quais os navios-tanque mantêm seus transponders desligados para evitar a detecção.

Esse aumento no fluxo de petróleo é o motivo pelo qual o Irã está intensificando seus ataques e ameaças, na esperança de recuperar a influência que outrora exercia sobre o estreito — especialmente neste momento em que os eleitores americanos se dirigem às urnas.

A administração Trump tentou reduzir os preços por outros meios, incluindo um acordo controverso — anunciado na semana passada — para suspender certas sanções contra a Rússia, permitindo a importação de uma quantidade relativamente pequena de diesel desse país.

A medida, no entanto, foi alvo de críticas tanto do Partido Democrata quanto do Partido Republicano; além disso, não há garantia de que ela trará um alívio significativo, com analistas alertando que o preço do diesel pode se aproximar de patamares recordes até novembro.

* Mohammed Tawfeeq, da CNN, contribuiu para esta reportagem

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