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terça-feira, 17 de março de 2026

Análise: Trump vencerá, no máximo, a guerra de narrativas contra o Irã

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Uma vitória declarada sem objetivos cumpridos não é vitória; é propaganda
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Fernanda Magnotta
PhD especializada em Estados Unidos. Professora da FAAP, pesquisadora do CEBRI e do Inter-American Dialogue. Referência brasileira na área de Relações Internacionais
17/03/26 às 06:00 | Atualizado 17/03/26 às 10:03
Postado em 17 de Março de 2.026 às 10h00m
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O presidente dos EUA, Donald Trump  • Nathan Howard/Getty Images

Quando Donald Trump afirmou, na semana passada, que a guerra com o Irã está "quase acabando" porque "praticamente não há mais nada para bombardear", ele não descrevia uma realidade militar. Descrevia um problema político que precisa de solução narrativa.

Trump disse à Axios que "a qualquer momento que eu quiser, a guerra termina", sinalizando que a operação cumpriu seus objetivos.

O problema é que, três semanas depois do início dos ataques, o Irã segue disparando drones e mísseis contra Israel e bases norte-americanas, e mantém o Estreito de Ormuz efetivamente bloqueado ao tráfego comercial.

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A questão não é tática. É semântica, e carrega consequências de longo prazo que a retórica do presidente deliberadamente obscurece.

Trump pode, de fato, encerrar a Operação Epic Fury formalmente e reivindicar vitória. Há material para isso. Os Estados Unidos destruíram mais de cinquenta navios de guerra iranianos, degradaram fortemente o arsenal de mísseis e atingiram instalações nucleares adicionais. Mas fazê-lo agora implicaria uma ressignificação silenciosa dos objetivos da operação, reduzindo-os ao que sempre foi minimamente realizável: dano militar de curto prazo, de caráter estritamente cinético.

Qualquer meta de natureza política (mudança de regime, neutralização permanente do programa nuclear, reconfiguração da ordem regional) permanece não apenas intacta, mas em aberto de forma mais explosiva do que antes.

O senador democrata Chris Murphy, após briefing classificado com a administração, formulou a pergunta que ninguém na Casa Branca soube responder.

"O que acontece quando os bombardeios cessam e o Irã retoma a produção de mísseis e drones? A resposta honesta é que haverá mais bombardeios. O que configura não uma estratégia, mas um ciclo de degradação sem arquitetura política.

As condições iranianas para o fim da guerra ajudam a dimensionar o abismo entre a retórica de Trump e qualquer desfecho sustentável. O presidente Pezeshkian declarou que a única forma de encerrar o conflito é o reconhecimento dos direitos legítimos do Irã, o pagamento de reparações e garantias internacionais firmes contra agressões futuras.

O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, tomou posse com um discurso radicalmente distinto. Afirmou que a alavanca do bloqueio do Estreito de Ormuz deve continuar a ser utilizada e convocou os países do Golfo a fechar as bases norte-americanas.

O regime não foi derrubado. Foi radicalizado. O Estado iraniano sobreviveu ao ataque que matou seu líder máximo e elegeu como sucessor o filho militar do aiatolá, formado nos quadros da Guarda Revolucionária. É difícil imaginar resultado mais contrário ao objetivo declarado de mudança de regime.

Enquanto isso, os custos já se acumulam, e não apenas para o Irã.

O preço do petróleo disparou com o bloqueio de Ormuz, que responde por cerca de 20% do comércio global de petróleo; o Programa Alimentar Mundial alertou para aumentos significativos e duradouros nos preços de alimentos; e quase metade das exportações globais de ureia e enxofre passa pelo estreito, ameaçando a segurança alimentar em escala planetária.

Cidadãos norte-americanos já encontram nas bombas de gasolina preços iniciando em "3", e especialistas alertam que podem chegar a "4", pressionando uma inflação doméstica que a própria base eleitoral de Trump elenca como prioridade número um.

Os aliados regionais dos Estados Unidos foram atacados pelo Irã em retaliação e, ao mesmo tempo, não receberam consulta prévia antes da operação.

Trump pediu à França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido que enviassem navios de guerra ao Estreito, mas mesmo os países aliados reagiram com cautela e várias rejeitaram o pedido.

A China, que absorve boa parte do petróleo do Golfo e sai fortalecida como mediadora confiável da região enquanto Washington aprofunda sua imagem de potência desestabilizadora, não tem qualquer incentivo em ajudar a desembaraçar a armadilha que os Estados Unidos criaram para si mesmos.

As condições que tipicamente produzem guerras curtas - vantagem militar decisiva, adversário disposto a negociar e um horizonte político claro - estão conspicuamente ausentes neste conflito.

Trump pode declarar vitória. Mas uma vitória que redefine retrospectivamente seus objetivos para acomodar seus resultados não é vitória estratégica. É gerenciamento de narrativa.

O caos instalado na região não desaparecerá com um comunicado da Casa Branca. Ele continuará se apresentando na conta da gasolina, no preço dos alimentos, na erosão das alianças e, sobretudo, no fortalecimento de um adversário sistêmico que observa tudo isso com a serenidade de quem não precisou disparar um único tiro.

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Tópicos


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segunda-feira, 16 de março de 2026

Dólar cai e fecha em R$ 5,22, com foco em guerra no Oriente Médio e 'prévia' do PIB;

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Ibovespa sobe A moeda americana teve queda de 1,60%, cotada a R$ 5,2294. Já o principal índice da bolsa brasileira teve um avanço de 1,25%, aos 179.875 pontos.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 16 de Março de 2.026 às 11h00m
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Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar fechou a sessão desta segunda-feira (16) em queda de 1,60%, cotado a R$ 5,2294. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou com um avanço de 1,25%, aos 179.875 pontos.

▶️Os preços do petróleo voltaram a cair nesta segunda-feira, após ter registrado uma forte alta nas últimas sessões. O movimento reflete um maior alívio do mercado depois que um navio não iraniano conseguiu atravessar o Estreito de Ormuz, elevando a expectativa de normalização do tráfego de petróleo na região — nos últimos dias, apenas embarcações do Irã estavam conseguindo fazer a travessia.

  • 🔎 Quando o petróleo cai, o custo da energia e produção de bens também diminui, ajudando a conter a inflação. Isso deixa investidores mais confiantes para apostar em ações e outros investimentos mais arriscados. Perto das 17h, o barril tipo Brent, referência internacional, caía 2,74%, a US$ 100,31, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, tinha queda de 4,94%, a US$ 93,78.

▶️Além disso, os mercados globais reagiram positivamente à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que países europeus e asiáticos ajudem a reabrir o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do fluxo mundial de petróleo. A expectativa é que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anuncie em breve os países que formarão uma coalizão para manter ocanal aberto à navegação.

▶️Na agenda econômica brasileira, o destaque ficou com a divulgação do IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, que indicou um crescimento de 0,8% da economia brasileira em janeiro, na maior expansão mensal em um ano. Já a atualização das projeções do mercado no Boletim Focus mostrou que o mercado prevê um corte menor de juros pelo Banco Central.

  • 🔎 A semana também é marcada por decisões importantes sobre juros no Brasil e nos EUA, com investidores atentos à reunião do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

▶️Além disso, a Receita Federal divulgou nesta segunda-feira as regras da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2026. Milhões de contribuintes terão de prestar contas ao Fisco sobre rendimentos e despesas referentes ao ano de 2025. O prazo começa em 23 de março e se estende até 29 de maio (Saiba mais abaixo).

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -1,60%;
  • Acumulado do mês: +1,86%;
  • Acumulado do ano: -4,72%.
📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +1,25%;
  • Acumulado do mês: -4,72%;
  • Acumulado do ano: +11,64%.
Petróleo na marca dos US$ 100

O preço do petróleo atingiu os US$ 106 por barril em meio à escalada da guerra entre EUA-Israel e Irã, que entra na terceira semana. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, elevou as incertezas sobre oferta e transporte global.

Desde o início do conflito, o Brent, padrão internacional já acumula alta superior a 40%, pressionando os mercados e aumentando os temores de inflação global.

Em discurso na Casa Branca nesta segunda-feira, Donald Trump reforçou seu apelo para que países europeus e asiáticos ajudem a reabrir o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Ele destacou que os EUA obtêm menos de 1% do seu petróleo pelo estreito, enquanto países como Japão, China, Coreia do Sul e algumas nações europeias dependem muito mais dessa passagem.

O presidente americano também afirmou que alguns desses países informaram que estão a caminho para ajudar, enquanto outros não se mostraram muito dispostos.

Para Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, a queda do petróleo trouxe alívio aos investidores, com a expectativa de que mais petroleiros atravessem o Estreito de Ormuz.

Ele destacou ainda que a liberação de reservas estratégicas por nações desenvolvidas ajudou a reduzir a pressão sobre os preços da commodity, que podem cair para abaixo de US$ 80 nos próximos meses, embora a volatilidade de curto prazo permaneça acima de US$ 100.

"Contudo, é importante destacar que, mesmo com algum alívio nos mercados caso o conflito não se agrave, qualquer recuperação nos investimentos de renda fixa e variável pode ser revertida devido à volatilidade e ao sentimento dos investidores diante dos impactos econômicos", afirma o analista.

Guerra no Oriente Médio

Israel anunciou o início de uma operação terrestre limitada no sul do Líbano contra alvos do Hezbollah, com o objetivo de destruir infraestrutura do grupo e reforçar a defesa na fronteira. A ação, na prática, é uma invasão de território.

O termo "operação limitada" também foi utilizado por Israel da última vez que tropas do país invadiram o território do Líbano, em outubro de 2024.

À época, o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin explicou ao g1 que o termo significa uma incursão pontual, que não inclui uma ocupação completa do território que está sendo invadido.

A ofensiva ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, após a retomada do conflito entre Israel e Hezbollah no início de março, ligada à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Desde então, Israel intensificou bombardeios e ataques no território libanês, enquanto o Hezbollah também tem lançado ofensivas contra Israel. O confronto já deixou centenas de mortos no Líbano e provocou o deslocamento de centenas de milhares de pessoas.

Agenda econômica

  • Boletim Focus

O mercado financeiro passou a prever um corte menor da taxa Selic na reunião do Copom desta semana, segundo o Boletim Focus do Banco Central.

A expectativa é de redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 15% para 14,75% ao ano, após a guerra no Oriente Médio elevar os preços do petróleo e aumentar os riscos de pressão inflacionária.

Previsões do mercado:

  • Selic (2026): corte para 14,75% nesta reunião
  • Selic no fim de 2026: 12,25% ao ano
  • Inflação (IPCA) 2026: 4,10%
  • PIB 2026: 1,83% de crescimento
  • Dólar no fim de 2026: R$ 5,40
Prévia do PIB

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,80% em janeiro na comparação com dezembro.

O resultado ficou ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,85%, de acordo com pesquisa da Reuters.

Na comparação com janeiro do ano passado, o indicador registrou crescimento de 1,0%. Já no acumulado em 12 meses, o avanço chegou a 2,3%, conforme dados sem ajuste sazonal.

Imposto de Renda

A Receita Federal informou que o prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda 2026 (ano-base 2025) começa em 23 de março e vai até 29 de maio. Quem enviar fora do prazo estará sujeito a multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido.

Devem declarar, entre outros casos:

  • contribuintes que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025;
  • tiveram rendimentos isentos acima de R$ 200 mil;
  • realizaram operações em bolsa acima de R$ 40 mil;
  • ou possuíam bens superiores a R$ 800 mil no fim do ano.

As mudanças na faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, conforme aprovado no ano passado, só terão efeito nas declarações a partir de 2027. (Veja quem mais é obrigado a declarar).

Mercados globais

A queda no preço do petróleo em meio à perspectiva de que o Estreito de Hormuz possa ser reaberto trouxe algum alívio aos mercados globais nesta segunda-feira.

Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em alta, com investidores se posicionando para uma semana potencialmente decisiva para os mercados globais.

O Dow Jones avançou 0,83%, o S&P 500 subiu 1,01% e o Nasdaq teve ganhos de 1,22%.

Na Europa, os mercados fecharam em alta após a queda no preço do petroleo.

O DAX, da Alemanha, subiu 0,50%, enquanto o CAC 40, da França, avançou 0,31%. Na Itália, o FTSE MIB teve alta de 0,07%, e o FTSE 100, de Londres, também operou no campo positivo, subindo 0,55%.

Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única nesta segunda. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,45%, e o CSI300 avançou 0,05%. Já o índice de Xangai recuou 0,26% e o Nikkei, de Tóquio, caiu 0,1%.

O mercado foi parcialmente apoiado por notícias de avanços da China na produção de chips, mas a guerra no Irã continua mantendo os investidores cautelosos.

Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters
Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters

* Com informações da agência de notícias Reuters.

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Nova exposição mostra moldes de vítimas de Pompeia 'congeladas' no momento da morte

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Mais de 20 reproduções ficam em mostra permanente no parque arqueológico. Técnica criada no século 19 preserva posição e detalhes das vítimas.
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Por Redação g1

Postado em 16 de Março de 2.026 às 06h00m
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Pessoas visitam o sítio arqueológico de Pompeia, perto de Nápoles, no sul da Itália — Foto: AP Photo/Alessandra Tarantino
Pessoas visitam o sítio arqueológico de Pompeia, perto de Nápoles, no sul da Itália — Foto: AP Photo/Alessandra Tarantino

Mais de 20 moldes de gesso de vítimas que morreram na catastrófica erupção do vulcão em Pompeia entraram em exibição permanente nesta quinta-feira (12), na Itália.

Os moldes, que estudiosos chamam de impressões de dor, registram de forma impactante a posição em que cada morador estava quando morreu, no ano 79. As reproduções foram feitas com o despejo de gesso líquido nos espaços deixados pelos corpos decompostos na cinza endurecida.

A intenção foi dar dignidade a essas pessoas, que são como nós — mulheres, crianças, homens — que morreram durante a erupção, mas, ao mesmo tempo, tornar isso compreensível, disse Gabriel Zuchtriegel, diretor do Parque Arqueológico de Pompeia. Segundo ele, a ideia é fazer com que o público entenda o que realmente aconteceu em Pompeia.

Criada por Giuseppe Fiorelli em 1863, a técnica preserva com fidelidade a posição, a expressão de dor e detalhes das roupas das vítimas, tornando os moldes testemunhos únicos. O método ainda é usado pela equipe de pesquisadores que atua no parque arqueológico.

O que antes se imaginava ser a mãe e o seu filho foi reavaliado após estudo publicado na última semana — Foto: Imagem: Parque Arqueológico de Pompeia
O que antes se imaginava ser a mãe e o seu filho foi reavaliado após estudo publicado na última semana — Foto: Imagem: Parque Arqueológico de Pompeia

Pompeia é o único local conhecido que permite a recuperação desse tipo de evidência, possibilitando aos visitantes ver a reprodução de objetos destruídos e das pessoas que viveram e morreram naquele momento.

A erupção do Monte Vesúvio matou cerca de 2 mil moradores da cidade. Na região, o total de vítimas pode ter chegado a 16 mil. Pompeia foi coberta por cinzas, que depois se solidificaram com os fluxos piroclásticos.

Durante as escavações, foram encontrados os restos de mais de mil vítimas presas em casas ou abrigos, soterradas por uma chuva de pedras-pomes e rochas vulcânicas ou mortas pelo desabamento de telhados e paredes sob o peso dos detritos, que chegaram a cerca de três metros de altura.

Os 22 moldes expostos foram escolhidos entre os corpos mais bem preservados. As vítimas foram encontradas em diferentes pontos da cidade, de áreas centrais a portões e estradas que levavam para fora, por onde moradores tentaram fugir.

Eles têm um forte impacto emocional nos visitantes e podem ser muito comoventes, disse Silvia Martina Bertesago, arqueóloga do Parque Arqueológico de Pompeia.

Com as análises que hoje podemos realizar, com técnicas cada vez mais avançadas, é possível entender a idade e o sexo, além de identificar eventuais doenças ou o tipo de alimentação, afirmou.

A exposição ocupa os pórticos da Palestra Grande, em frente ao Anfiteatro. Além de uma área dedicada aos restos humanos, o espaço reúne achados como plantas e alimentos que permaneceram soterrados por séculos sob metros de cinza e lava.

Vista do Parque Arqueológico de Pompeia, perto de Nápoles, sul da Itália — Foto: AP Photo/Andrew Medichini
Vista do Parque Arqueológico de Pompeia, perto de Nápoles, sul da Itália — Foto: AP Photo/Andrew Medichini

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domingo, 15 de março de 2026

Análise: Trump pode não conseguir terminar a guerra mesmo se quisesse

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Retórica do presidente dos EUA se choca com a realidade de um conflito sem um fim claro para ambos os lados
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Nick Paton Walsh
15/03/26 às 06:00 | Atualizado 15/03/26 às 06:00
Postado em 15 de Março de 2.026 às 08h00m
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O presidente dos EUA, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Flórida na segunda-feira (9)  • Roberto Schmidt/Getty Images

Uma guerra que é "vencida" mas também "ainda não acabou". Uma "incursão" que exige a "rendição incondicional" do Irã. Os nós retóricos do presidente dos Estados Unidos Donald Trump se encaixam bem em seu estilo de ditar a dieta informativa da América, mas perdem força quando se chocam com a dura realidade do conflito.

A "vitória" na guerra não é como no esporte: um placar não declara o vencedor após uma duração previamente acordada. A bravata e os vídeos estilo game do governo dos EUA enquanto prossegue seu ataque ao Irã contradizem a extraordinária seriedade de um momento intratável.

Até onde os americanos precisam ir, não apenas para declarar "nós vencemos", como Trump fez na quarta-feira (11) em Kentucky, mas para fazer o Irã se comportar como se tivesse sofrido uma derrota?

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Trump agora está preso na armadilha mais antiga da guerra moderna – acreditar que uma operação militar rápida e cirúrgica produzirá resultados políticos rápidos e duradouros.

Os soviéticos fizeram isso no Afeganistão; os EUA no Iraque em 2003; Putin fez isso na Ucrânia, e ainda está lutando. Independentemente da força que um exército falha ou consegue aplicar no início, as pessoas que estão sendo atacadas têm maior compromisso em defender suas terras e lares.

A Casa Branca pode ter se precipitado nisso, aproveitando a oportunidade de um ataque de decapitação, fornecida pela inteligência israelense.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu tem objetivos regionais muito diferentes, e um longo envolvimento dos EUA contra Teerã serve ao seu desejo de um Irã em colapso contínuo que não seja mais uma ameaça.

Mas a morte do Líder Supremo Ali Khamenei no dia 28 de fevereiro causou tantos problemas quanto resolveu.

Não há uma Delcy Rodriguez esperando nos bastidores para Trump ungir, como foi o caso quando as forças dos EUA capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro

Na verdade, os linha-dura iranianos preencheram o vácuo com o filho de Khamenei, Mojtaba – exatamente o homem que Trump disse publicamente que não queria.

Mojtaba Khamenei em Teerã, no Irã • 13/10/2024 Hamed Jafarnejad/ISNA/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Mojtaba Khamenei em Teerã, no Irã • 13/10/2024 Hamed Jafarnejad/ISNA/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

Não está claro se Mojtaba está com saúde suficientemente boa para gravar um vídeo anunciando sua liderança, embora o que a mídia estatal iraniana disse ser sua primeira mensagem desde que se tornou líder supremo tenha sido lida no ar na quinta-feira (12).

É muito claro que o IRGC (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica) está buscando uma vingança sangrenta pelo assassinato implacável de seus comandantes, assim como seria de se esperar que as tropas americanas fizessem se Trump, o Estado-Maior Conjunto e grande parte da comunidade de inteligência dos EUA fossem mortos.

Esta raiva prejudica as perspectivas imediatas de Trump para um fim. O Irã – em 13 dias – transformou isso em um teste de resistência que parece estar sobrevivendo.

Os EUA podem bombardear por meses, mas não sem esgotar seus estoques vitais de munições, e enfrentando tanto maiores danos políticos antes das eleições de meio de mandato de novembro quanto o risco de mais baixas americanas.

O Irã continuará a perder lançadores, bases de drones, pessoal e infraestrutura, mas provavelmente sobreviverá o suficiente para que suas forças nunca tenham que parar e cair de joelhos. Os líderes do IRGC se prepararam para este momento por anos.

Esta é sua vocação. Eles podem ficar sem bombas, drones ou até pessoas, mas não sem motivação. Esta, também, foi a lição do Iraque e do Afeganistão.

O Irã está dividido em seu apoio ao regime. Mas o bombardeio aéreo cria estranhas alianças entre os bombardeados. A noção míope de que ataques de precisão suficientes potencialmente garantiriam um amplo levante popular iraniano foi lentamente exposta como uma farsa.

Democracia e mudança de regime são agora uma aspiração no retrovisor de Trump enquanto ele busca um fim para a guerra.

Em vez disso, as limitações do poder aéreo dos EUA são expostas. Ele pode alterar regimes – em termos de suas capacidades ou figuras de liderança – mas ainda não conseguiu, com o Irã, forçar um regime a mudar seus métodos ou forçar uma mudança de regime

Com o passar do tempo, o bombardeio provavelmente se tornará menos eficaz e mais letal para civis – conforme a lista de alvos diminui e os itens que os americanos e israelenses precisam atingir se tornam mais entrelaçados com a vida civil.

Fumaça se eleva no horizonte após uma explosão em Teerã, Irã, no sábado (28) • Reprodução/AP/CNN Internacional
Fumaça se eleva no horizonte após uma explosão em Teerã, Irã, no sábado (28) • Reprodução/AP/CNN Internacional

Para os iranianos, o cálculo de risco versus recompensa está seguindo o caminho oposto: eles podem assediar e destruir navios no Estreito de Hormuz, mantendo o preço do petróleo acima de $100, e forçando a economia global a protestar que Trump deveria ter previsto isso.

Os bombardeios de mísseis do Irã podem se tornar menos frequentes, mas sua mera persistência é uma vitória.

Agora que Trump começou a falar diariamente sobre o fim e sobre a vitória, ele tornou muito palpável que quer parar. Disciplina nas mensagens é útil na guerra, e ele deixou seu inimigo saber que quer sair agora.

E assim, para o regime do Irã, o caminho para a vitória – ou pelo menos para evitar a derrota – está repentinamente muito claro, embora longo. Só precisa sobreviver. Trump ou Israel poderiam matar um segundo Khamenei, mas a determinação iraniana resultante seria ainda mais difícil de derrotar.

(Os americanos aprenderam no Afeganistão que suas incursões noturnas contra a liderança do Talibã na verdade tornaram mais difícil encerrar a guerra – eles ficaram apenas com filhos impetuosos e enlutados de líderes mortos para tentar conversar).

No entanto, esta não é uma "Guerra Eterna", por enquanto. Tem 13 dias de idade. É mais provável que a diplomacia silenciosa, ou puro esgotamento, faça a violência diminuir nas próximas semanas, de uma forma que ambos os lados possam reivindicar uma vitória.

Então, o regime do Irã se reconstruirá, mais linha-dura, mais violento, mais brutal – seus membros conscientes de que todo o poderio militar dos EUA pode matar seu líder supremo, devastar seu exército, mas ainda assim não desalojar sua impopular cabala. Isso é um grande triunfo psicológico.

Rússia e China sem dúvida ajudarão eles a se recuperarem – não a se tornarem gigantes, mas estáveis o suficiente para dar um soco.

Os EUA provavelmente terão que considerar uma nova investida, em algum momento no futuro, para diminuir um Teerã reconstruído. Também podem enfrentar o mesmo dilema que a Europa enfrenta agora com a Ucrânia

A Rússia está provocando os aliados europeus da Ucrânia com guerra assimétrica – sabotagem e ataques cibernéticos – possivelmente para provocar um conflito mais amplo enquanto impõe custos.

O Irã provavelmente seguirá o mesmo padrão: irritar os EUA com frequência suficiente para que fique clara a incapacidade americana de suprimir o Irã, mas não a ponto de arriscar um conflito aberto novamente.

A decisão mais séria que qualquer presidente dos EUA pode tomar é enviar suas tropas para a guerra. Trump não está sozinho em ter falhado nessa questão: George W. Bush fez isso (duas vezes).

Barack Obama pensou que poderia vencer no Afeganistão, se tentasse um pouco mais, e o caos da retirada de Joe Biden definiu o quão mal os EUA compreenderam seus fracassos lá.

Trump declarou uma vitória após 12 dias que ele ainda não conquistou ou viu aceita por seu adversário. Ele agora enfrenta a tarefa impossível de conciliar sua insuperável necessidade de parecer vitorioso com o obstinado desejo do Irã de nunca parecer parar.

Esperar pelo esgotamento não é um plano de jogo, mas parece ser o único disponível agora.


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