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sábado, 11 de julho de 2026

O que aconteceu após a China plantar 66 bilhões de árvores

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Desde 1978, a China conduz uma ação massiva de plantio de árvores para combater a desertificação. Agora, um novo estudo revela um comportamento inesperado nessas florestas.
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TOPO
Por Felipe Espinosa Wang

Postado em 11 de Julho de 2.026 às 06h00m
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Área reflorestada às margens do deserto de Taclamacã, na China, com árvores de médio porte após décadas de plantio. — Foto: Le Yu/Universidade Tsinghua
Área reflorestada às margens do deserto de Taclamacã, na China, com árvores de médio porte após décadas de plantio. — Foto: Le Yu/Universidade Tsinghua

Se há algo em que a China raramente decepciona é em sua capacidade de pensar grande. Arranha-céus erguidos em tempo recorde, pontes aparentemente impossíveis, cidades inteiras surgidas quase da noite para o dia.

Há quase meio século, houve um projeto muito menos chamativo, mas ainda assim monumental: plantar árvores em uma escala difícil de encontrar em qualquer outro lugar do mundo.

A Grande Muralha Verde contra a desertificação

Desde 1978, o gigante asiático plantou cerca de 66 bilhões de árvores como parte da chamada Grande Muralha Verde, uma barreira vegetal concebida para conter o avanço dos desertos de Gobi e Taclamacã. O objetivo era impedir que a areia continuasse engolindo as pradarias do norte do país, uma região onde o deserto de Gobi chegava a avançar mais de 2.600 quilômetros quadrados por ano.

Florestas plantadas crescem mais rápido que as naturais

Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Geophysical Research Letters acrescenta uma faceta inesperada à história. As florestas plantadas parecem responder ao aumento do CO₂ de forma diferente das florestas naturais. Essa diferença se traduz em um crescimento muito mais rápido da cobertura de folhas, embora os pesquisadores ainda não saibam exatamente quais mecanismos explicam esse fenômeno.

Para chegar a essa conclusão, a equipe liderada pelo especialista em ecologia da paisagem Yuhang Luo, da Universidade de Pequim em Shenzhen, analisou observações de satélite do índice de área foliar, uma medida da densidade da folhagem relacionada à capacidade das florestas de capturar carbono.

Os resultados mostraram que esse indicador aumentou 66% mais rapidamente nas florestas plantadas do que nas naturais.

Deserto de Taklamacã, na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, noroeste da China — área-alvo do projeto de reflorestamento contra a desertificação. — Foto: Wikimedia/Domínio Público
Deserto de Taklamacã, na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, noroeste da China — área-alvo do projeto de reflorestamento contra a desertificação. — Foto: Wikimedia/Domínio Público

Um fator de manejo, não apenas de idade

Parte dessa vantagem se explica pelo fato de as plantações serem muito mais jovens e ainda estarem atravessando sua fase de crescimento mais acelerado.

No entanto, a idade por si só não basta para explicar o fenômeno. Mesmo quando comparadas a florestas naturais de idade e condições semelhantes, as áreas reflorestadas cresceram 4,6% mais rápido.

Outra parte da explicação está na forma como essas plantações são administradas. Além de serem compostas, em geral, por espécies de crescimento rápido, como eucaliptos e álamos, elas recebem um manejo florestal mais intensivo, que favorece a absorção de luz, água e nutrientes e amplia a resposta das árvores ao aumento do dióxido de carbono na atmosfera.

Uma vantagem com prazo de validade

Essa vantagem, porém, parece ter prazo de validade. Ela atinge seu pico quando as árvores têm entre 30 e 40 anos e depois começa a diminuir.

As florestas naturais, por sua vez, mantêm um desenvolvimento mais lento, porém constante, o que lhes proporciona vantagem no armazenamento de carbono e na resiliência de longo prazo, segundo as conclusões do estudo.

Luo afirma que esses resultados revelam uma limitação de muitos modelos climáticos atuais, que não diferenciam adequadamente florestas naturais e plantadas nem levam em conta a idade ou o histórico de manejo de cada área florestal, o que pode distorcer a avaliação de sua real capacidade de captura de carbono.

"As florestas plantadas podem ser uma ferramenta muito eficaz de curto prazo para a captura de carbono, mas essa vantagem é temporária. Para o armazenamento de carbono e a resiliência de longo prazo, as florestas naturais continuam sendo insubstituíveis", afirmou Luo à Live Science.

Imagens de satélite mostram o avanço da vegetação na borda do deserto de Taklamacã, no oásis de Hotan. — Foto: NASA Earth Observatory, imagens de Lauren Dauphin, dados MODIS/NASA EOSDIS
Imagens de satélite mostram o avanço da vegetação na borda do deserto de Taklamacã, no oásis de Hotan. — Foto: NASA Earth Observatory, imagens de Lauren Dauphin, dados MODIS/NASA EOSDIS

Vozes críticas ao estudo

Nem todos, porém, concordam com as conclusões da pesquisa.

Kevin Dsouza, pesquisador que trabalhou com modelos de reflorestamento na Universidade de Waterloo e que não participou do estudo, disse à Live Science que o índice de área foliar é um indicador útil, mas insuficiente para estimar quanto carbono uma floresta realmente armazena.

Uma parte significativa desse carbono também se acumula na madeira, na casca, nas raízes e no solo, e não apenas na copa das árvores.

Segundo Dsouza, outro estudo sobre as florestas chinesas apontou que as áreas naturais também podem acumular mais carbono acima do solo durante seus primeiros anos de desenvolvimento. Por isso, esses resultados devem ser interpretados com cautela.

Um sumidouro de carbono em larga escala

Ainda assim, a dimensão do projeto continua sendo excepcional.

Em 2020, as florestas plantadas do sul da China cobriam 90,3 milhões de hectares, o equivalente a 36,6% de toda a área florestal do país, de acordo com o site IFLScience.

Outra pesquisa estimou que a faixa arborizada ao longo do deserto de Taclamacã capturou cerca de 8,3 milhões de toneladas de CO₂ por ano entre 2004 e 2017, enquanto emitia aproximadamente 6,7 milhões de toneladas anuais, o que indica que funcionou como um sumidouro líquido de carbono nesse período.

Para Luo, a lição não é deixar de plantar árvores, mas fazê-lo de forma mais criteriosa: definir quando plantar, quais espécies utilizar e como administrá-las posteriormente.

Na avaliação do pesquisador, o objetivo é oferecer "uma orientação mais prática para a ação climática baseada em florestas" que ajude a aprimorar futuros projetos de reflorestamento em larga escala.

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

China testa com sucesso sistema de recuperação de propulsores de foguete a partir do mar; VÍDEO

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O teste marcou a primeira recuperação bem-sucedida de um foguete de classe orbital pela China, segundo a mídia estatal.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 10 de Julhop de 2.026 às 19h00m
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China testa com sucesso recuperação de propulsores de foguete a partir do mar
China testa com sucesso recuperação de propulsores de foguete a partir do mar

A China testou com sucesso nesta sexta-feira (10) um sistema experimental de recuperação de foguetes usando uma rede presa a uma plataforma marítima, informou a mídia estatal, na esperança de quebrar o domínio dos Estados Unidos em foguetes reutilizáveis.

O foguete Long March 10B decolou do centro de lançamento espacial comercial de Hainan, no sul da China, às 1h15 no horário de Brasília (12h15 no horário local) e, cerca de seis minutos após a separação do propulsor e do estágio superior, o propulsor retornou verticalmente e foi recuperado em uma plataforma marítima, informou a emissora estatal CCTV.

"Um dia histórico para o programa espacial da China", disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, sobre o teste com o foguete.

O teste marcou a primeira recuperação bem-sucedida por parte da China de um foguete de classe orbital, aproximando o país do desenvolvimento de foguetes reutilizáveis.

As ações de empresas aeroespaciais chinesas dispararam após a notícia, com a China Spacesat e a China Satellite Communications atingindo seus limites diários de alta.

O foguete Long March 10B foi comparado ao Falcon 9, o foguete de porte médio amplamente utilizado da SpaceX. Ele foi desenvolvido para o setor aeroespacial comercial pela principal agência estatal de desenvolvimento de foguetes do país, a Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos de Lançamento, e é capaz de transportar uma carga útil de pelo menos 16 toneladas métricas para a órbita terrestre baixa.

[bbc] Um voo de teste do foguete Longa Marcha 10 da China, o veículo projetado para levar astronautas chineses à Lua — Foto: VCG / China Manned Space Agency
[bbc] Um voo de teste do foguete Longa Marcha 10 da China, o veículo projetado para levar astronautas chineses à Lua — Foto: VCG / China Manned Space Agency

Mas, diferentemente do Falcon 9, o Long March 10B não pousa autonomamente em pernas extensíveis em uma plataforma terrestre ou navio-drone, usando, em vez disso, "ganchos de pouso" para capturar a rede presa a uma plataforma marítima.

Em contrapartida, a SpaceX pousou um foguete Falcon 9 de um voo orbital pela primeira vez em dezembro de 2015, seguida pelo New Glenn da Blue Origin em novembro de 2025.

Atualmente, o Falcon 9 da SpaceX realiza cerca de 150 lançamentos por ano, ou aproximadamente três vezes por semana, com seu propulsor sendo reutilizado dezenas de vezes, se necessário. O propulsor, que contém o motor, é geralmente considerado a parte mais valiosa de um foguete.

A China passou quase uma década desenvolvendo tecnologias de foguetes reutilizáveis, desde os primeiros testes de voo estacionário em baixa altitude até as tentativas de recuperação de foguetes propulsores em órbita nos últimos anos. Um sistema de foguetes reutilizáveis ​​reduzirá os custos de lançamento para as constelações de satélites comerciais da China, que estão se expandindo rapidamente.

Empresas privadas chinesas também estão intensificando os esforços para testar seus foguetes reutilizáveis ​​em meio à intensa competição global para adquirir a tecnologia, e a China flexibilizou as regras de IPO para empresas que desenvolvem foguetes reutilizáveis ​​para ajudá-las a captar recursos.

Duas tentativas realizadas no ano passado pela empresa privada chinesa LandSpace e pela estatal China Aerospace Science and Technology Corporation falharam em concluir a etapa final crucial de pouso e recuperação do foguete propulsor.

Como parte da família Long March 10, que está sendo desenvolvida para as missões lunares tripuladas da China antes de 2030, o Long March 10B também poderá fornecer dados e validar tecnologias relevantes para o programa lunar em geral.

A CCTV informou que a China planeja usar novamente o estágio de propulsão do foguete Longa Marcha 10 para outro lançamento até o final deste ano.

China

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Irã pode estar reconstruindo instalações nucleares, mostra análise da CNN

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Imagens de satélite obtidas com exclusividade mostram atividade em várias partes do país
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Allegra Goodwin e Katie Polglase, da CNN
10/07/26 às 18:18 | Atualizado 10/07/26 às 18:18
Postado em 10 de Julho de 2.026 às 18h35m
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Símbolo nuclear e bandeira do Irã em foto de ilustração  • 21/07/2022 REUTERS/Dado Ruvic

Imagens de satélite exclusivas obtidas pela CNN junto à Vantor mostram sinais de que o Irã pode estar tentando reconstruir suas instalações nucleares.

Uma investigação visual da CNN detectou novas atividades em várias instalações nucleares e instalações de mísseis em todo o país no final de junho e início de julho. A atividade nas instalações nucleares, especialmente, levantam questionamentos sobre se Teerã violou o memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos em 17 de junho.

Durante semanas, fornecedores de imagens de satélite restringiram a divulgação de fotos da região após uma solicitação do governo dos EUA. A CNN conseguiu analisar as imagens depois que essas restrições foram brevemente flexibilizadas. Com a retomada da ação militar dos EUA, algumas restrições já foram retomadas.

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A CNN constatou atividades significativas em um local do complexo militar de Parchin, conhecido como Taleghan 2, onde especialistas acreditam que esteja armazenado material explosivo para armas nucleares.


Uma análise da instalação, realizada em conjunto com o Instituto para Ciência e Segurança Internacional, identificou obras de reparo e reconstrução em várias crateras deixadas pelo bombardeio dos EUA e de Israel, observadas em imagens capturadas nos dias 22 de junho e 7 de julho.

Em Pickaxe Mountain, um local suspeito de abrigar instalações nucleares subterrâneas, imagens de 21 de junho mostram veículos entrando e saindo de túneis enquanto o memorando estava em vigor.

A CNN solicitou comentários aos governos do Irã e dos EUA sobre essas descobertas. Um representante do Pentágono informou à CNN que não discutiria condições de combate ou questões de inteligência, devido a protocolos de segurança operacional.

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Preço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou no 1º semestre

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Pepino, cenoura e tomate lideraram as altas de preços, enquanto abacate, laranja-baía e laranja-lima registraram as maiores quedas no ano.
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Por Redação g1, g1 — São Paulo
10/07/2026 09h01 
Postado em 10 de Julho de 2.026 às 10h00m
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A inflação de alimentos teve queda de 0,24% em junho, registrando a maior variação negativa e o maior impacto negativo no índice geral do mês. — Foto: Celso Tavares/g1
A inflação de alimentos teve queda de 0,24% em junho, registrando a maior variação negativa e o maior impacto negativo no índice geral do mês. — Foto: Celso Tavares/g1

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,16% em junho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os grupos pesquisados, a Habitação teve a maior alta de preços no mês e foi o que mais pressionou a inflação.

Por outro lado, a inflação dos alimentos caiu 0,24% em junho e teve o maior impacto negativo sobre o índice geral do mês.

Os preços dos alimentos consumidos em casa tiveram queda de 0,39%, depois de uma alta de 1,65% em maio, com influência das quedas do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%e das carnes (-0,64%)No lado das altas destacam-se o feijão-carioca (8,31%e a batata-inglesa (3,57%).

Já a alimentação fora de casa subiu 0,15% em junho, uma desaceleração em relação a maio (+0,49%).

Contas de luz sobem até o triplo da inflação
Contas de luz sobem até o triplo da inflação

Abaixo veja os 20 alimentos que mais encareceram e que mais baratearam no 1º semestre deste ano.

Alimentos que ficaram mais caros

  • Pepino: 155,47%
  • Cenoura: 103,14%
  • Tomate: 82,41%
  • Batata-inglesa: 82,11%
  • Morango: 60,97%
  • Cebola: 53,34%
  • Feijão-carioca (rajado): 52,82%
  • Repolho: 29,79%
  • Açaí (emulsão): 27,64%
  • Abobrinha: 23,46%
  • Feijão-preto: 22,62%
  • Leite longa vida: 22,08%
  • Couve-flor: 21,96%
  • Brócolis: 19,72%
  • Feijão-mulatinho: 19,22%
  • Manga: 19,17%
  • Couve: 17,73%
  • Batata-doce: 15,92%
  • Peito bovino: 13,02%
Alimentos que ficaram mais baratos

  • Abacate: -41,3%
  • Laranja-baía: -32,81%
  • Laranja-lima: -23,36%
  • Banana-maçã: -18,9%
  • Maracujá: -12,93%
  • Café moído: -11,49%
  • Maçã: -11,03%
  • Açúcar refinado: -10,78%
  • Limão: -9,45%
  • Óleo de soja: -9,25%
  • Banana-d'água: -8,31%
  • Açúcar demerara: -8,23%
  • Açúcar cristal: -7,77%
  • Laranja-pera: -7,03%
  • Azeite de oliva: -6,67%
  • Carne de porco: -5,64%
  • Farinha de trigo: -4,77%
  • Pimentão: -4,73%
  • Café solúvel: -4,34%
  • Frango em pedaços: -4%
Por que as hortaliças ficaram mais caras

Problemas climáticos e redução da produção em momentos importantes da safra são alguns dos fatores que explicam a alta de preços das hortaliças.

pepino, por exemplo, sofreu com o calor nas principais regiões produtoras, especialmente em São Paulo e em Minas Gerais, segundo o relatório do índice Ceagesp, publicado em maio. O calor excessivo afetou a produtividade das plantações – ou seja, a quantidade colhida por hectare –, o que diminuiu o volume colhido.

No caso da cenoura, o excesso de chuvas em parte da safra comprometeu a qualidade das raízes, provocando deformações e doenças. Isso reduziu a quantidade de cenouras aptas para comercialização.

Em relação ao tomate, a queda das temperaturas e o aumento da umidade atrasaram a maturação dos frutos e favoreceram a proliferação de fungos e bactérias nas lavouras. Com menor produtividade e menos tomate chegando ao mercado, os preços subiram.

Preço do tomate sobe até 40% e pesa no bolso, em Belém
Preço do tomate sobe até 40% e pesa no bolso, em BelémInflação em junho

O grupo de Despesas Pessoais teve a segunda maior alta entre os grupos pesquisados, depois da habitação, com aumento de 0,25%. Os principais reajustes vieram dos serviços de empregado doméstico (0,53%e de cabeleireiro e barbeiro (0,65%).

Em Saúde e Cuidados Pessoais, que subiu 0,23%, o destaque ficou para os artigos de higiene pessoal, impulsionados pela alta de 1,12% dos perfumes.

Os planos de saúde também ficaram mais caros, refletindo o reajuste de até 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em vigor desde maio.

Veja o resultado dos grupos do IPCA

  • Alimentação e bebidas: -0,24%;
  • Habitação: 0,63%;
  • Artigos de residência: 0,23%;
  • Vestuário: 0,17%;
  • Transportes: 0,17%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,23%;
  • Despesas pessoais: 0,25%;
  • Educação: -0,02%;
  • Comunicação: 0,19%.
Energia elétrica desacelera, mas segue pressionando a inflação

Apesar de a alta dos preços de Habitação ter perdido força em relação a maio, quando o grupo subiu 1,11%, ele continuou sendo o que mais pressionou a inflação de junho.

Isso ocorreu principalmente por causa da energia elétrica residencial, que desacelerou de 3,67% para 1,53%, mas ainda foi o item que mais contribuiu para o resultado do mês.

Segundo o IBGE, a conta de luz continuou mais cara devido à manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Inflação — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Inflação — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

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quarta-feira, 8 de julho de 2026

'Filme de terror': a ameba 'comedora de cérebros' que tem se espalhado pelo mundo

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Ameba 'Naegleria fowleri' pode alcançar o cérebro pelas narinas quando as pessoas mergulham na água e, frequentemente, é fatal.
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TOPO
Por BBC

Postado em 08 de Julho de 2.026 às 16hoom
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Naegleria fowleri, mais conhecida como a 'ameba comedora de cérebros', ataca o tecido cerebral — Foto: Bruno da Rocha-Azevedo, Herbert B. Tanowitz e Francine Marciano-Cabral / Interdisciplinary Perspectives on Infectious Diseases
Naegleria fowleri, mais conhecida como a 'ameba comedora de cérebros', ataca o tecido cerebral — Foto: Bruno da Rocha-Azevedo, Herbert B. Tanowitz e Francine Marciano-Cabral / Interdisciplinary Perspectives on Infectious Diseases

Poucos dias depois do que deveria ter sido um divertido período de férias em família na Costa Rica, Steve Smelski estava na unidade de terapia intensiva, lamentando a morte do seu único filho. 

Jordan tinha 11 anos. Ele morreu de infecção cerebral causada pela Naegleria fowleri, mais conhecida como a "ameba comedora de cérebros".

Tipicamente encontrada em lagos e fontes de águas quentes, além de piscinas abandonadas, a ameba entra no corpo pelas narinas, quando as pessoas pulam na água. Ela começa, então, a atacar rapidamente o tecido cerebral.

"Jordan nadou um dia, uma vez, e, agora, ele se foi", conta Steve, hoje com 67 anos, ao Serviço Mundial da BBC.

No ano passado, foram identificados mais de 200 casos de infecções por Naegleria fowleri na Índia, o maior surto já registrado em todo o mundo. E novos casos continuam a surgir no país nos últimos meses.

Até então, menos de 500 casos haviam sido identificados em todo o mundo.

O surto gerou novos receios entre os pesquisadores. Eles afirmam que o organismo microscópico está sendo detectado em locais onde raramente era observado.

Em abril, uma criança de nove anos morreu em Rondônia com infecção por Naegleria fowleri, segundo a Agência de Vigilância em Saúde do Estado.

"Acho que haverá mais casos no futuro. Nós iremos observá-los em todo o mundo", afirma o parasitologista molecular Anastasios Tsaousis, da Universidade de Kent, no Reino Unido.

'Ela leva seu cérebro embora'

Jordan Smelski contraiu a infecção durante uma viagem, em 2014 — Foto: Steve Smelski
Jordan Smelski contraiu a infecção durante uma viagem, em 2014 — Foto: Steve Smelski

Steve Smelski é natural da Flórida, nos Estados Unidos.

Ele havia passado horas com seu filho em uma fonte natural de águas quentes, perto do seu hotel na Costa Rica, quando Jordan começou a sentir dores de cabeça.

Eles voltaram para casa, a dor se agravou e Jordan começou a vomitar.

Seus pais decidiram levá-lo para um hospital local. Lá, ele começou a sofrer alucinações e disse que estava vendo insetos rastejando pelo teto.

"Ele olhava para nós, mas não sabia quem nós éramos", relembra Smelski. "Acho que ele não sabia quem ele próprio era."

Os médicos lutavam para descobrir o que havia de errado com Jordan, até que ele sofreu uma convulsão e foi levado para a UTI, onde morreria mais tarde.

"Sete dias e meio depois de nadar, ele se foi", lamenta o pai. "Ele não tinha problemas até então. Sua saúde era perfeita."

Jordan morreu de meningoencefalite amebiana primária, a infecção cerebral causada por Naegleria fowleri.

Como muitas outras vítimas da doença, acreditava-se inicialmente que Jordan tivesse meningite, já que os sintomas das duas condições podem ser similares no estágio inicial.

Quando os médicos ligaram os pontos, era tarde demais. A infecção havia gerado grave inchaço no seu cérebro, causando danos irreversíveis.

"Ela leva seu cérebro embora, retira seus pensamentos, você deixa de ser quem é", conta Smelski.

Uma das últimas fotos de Steve Smelski com seu filho Jordan, no tobogã onde o menino contraiu a infecção mortal, na Costa Rica — Foto: Steve Smelski via BBC
Uma das últimas fotos de Steve Smelski com seu filho Jordan, no tobogã onde o menino contraiu a infecção mortal, na Costa Rica — Foto: Steve Smelski via BBC

Por que a ameba aparece em novos lugares?

Entre 1962 e 2023, foram relatados em todo o mundo 488 casos, segundo uma análise de 2025, publicada pelo Journal of Infection and Public Health.

A maioria dos casos ocorreu no sul dos Estados Unidos, no Paquistão e na Austrália. Cerca de 97% das vítimas morreram.

Mas, nos últimos 20 anos, foi detectada uma proporção maior de casos em países do hemisfério norte, incluindo a Itália e a Bélgica.

Novas infecções também foram encontradas nos últimos 15 anos no norte dos Estados Unidos, que é mais frio, incluindo no Estado de Minnesota. E, no ano passado, a Eslováquia registrou seu primeiro caso confirmado de infecção por Naegleria fowleri.

Os casos também foram relacionados a ambientes fora dos lagos e rios tradicionalmente associados à ameba.

Em Taiwan, um homem morreu em 2023 após exposição à Naegleria fowleri em um local fechado de surfe. No mesmo ano, nos Estados Unidos, uma criança contraiu a infecção fatal após utilizar um "tapete de água" contaminado.

Com as mudanças climáticas aquecendo lagos e tanques, a ameba começa a se expandir para regiões onde, antes, era muito frio para que ela pudesse se desenvolver.

Como a ameba entra no cérebro — Foto: BBC
Como a ameba entra no cérebro — Foto: BBC

"Quando a água se aquece, a ameba fica mais ativa", explica Tsaousis. "Com isso, aumenta a possibilidade de infecção das pessoas durante atividades recreativas."

Ele alerta que não há motivo para pânico, mas as pessoas devem estar "atentas" ao aumento do risco.

Tsaousis também acredita que os cientistas estão começando a detectar melhor a ameba, o que pode estar colaborando para o aumento dos casos registrados.

"Minha hipótese é que os números podem ter sido sempre altos e, agora, estamos simplesmente percebendo o aumento destes casos porque sabemos como fazer o teste", explica ele.

Por que o risco é maior entre as crianças?

Por que o risco é maior entre as crianças? — Foto: BBC
Por que o risco é maior entre as crianças? — Foto: BBC

Especialistas indicam que as crianças têm maior probabilidade de serem infectadas por Naegleria fowleri do que os adultos.

"A idade em que mais pessoas sofrem da doença ao contraírem a infecção é aos 12 anos, pois as crianças adoram esguichar água quente", segundo o professor Ian Wright, especialista em ciências da água da Universidade do Oeste de Sydney, na Austrália. "É muito cruel."

Alguns cientistas também acreditam que as crianças podem estar em maior risco de contrair a infecção porque a ameba conseguiria atravessar a barreira entre o nariz e o cérebro das pessoas mais jovens com maior facilidade.

"É como um pesadelo, um filme de terror ou um romance de Stephen King", descreve Wright. "É muito improvável contrair a infecção, mas, se ela ocorrer, você provavelmente irá morrer."

No caso de infecções em estágio inicial, os médicos tentam tratar os pacientes com uma combinação de medicações, além de medidas para reduzir o inchaço do cérebro. Ainda assim, o índice de sobrevivência permanece extremamente baixo.

Mas o recente surto em Kerala, um dos Estados localizados mais ao sul da Índia e popular destino turístico, desafiou nossos conhecimentos sobre a real mortalidade da doença.

Ali, mais da metade das 200 pessoas contaminadas sobreviveram, o que está muito acima do índice histórico de sobrevivência de cerca de 3%, segundo uma nova pesquisa publicada na revista Communications Medicine.

As conclusões indicam que as infecções causadas pela ameba comedora de cérebros podem não ser tão fatais quanto se pensava anteriormente.

O diagnóstico precoce, maior conhecimento dos médicos e protocolos de tratamento mais consistentes provavelmente contribuíram para os melhores resultados, segundo a equipe internacional de pesquisadores responsável pelo estudo.

Como se manter em segurança

Além das brincadeiras na água, a ameba Naegleria fowleri também pode entrar no corpo através de sistemas de irrigação nasal, os frascos de bico longo tipicamente utilizados para combater os sintomas de resfriados, infecções dos seios nasais e alergias.

No ano passado, uma mulher até então saudável de 71 anos morreu no Estado americano do Texas, após duas semanas de uso de um desses sistemas, abastecido com água da torneira de um trailer.

A higienização do nariz também pode fazer parte de práticas religiosas, como no islamismo, e de outras práticas como o ayurveda, um sistema de medicina holística originário da Índia.

Os sistemas de irrigação nasal podem ser um caminho fácil para que a Naegleria fowleri chegue ao cérebro — Foto: Getty Images via BBC
Os sistemas de irrigação nasal podem ser um caminho fácil para que a Naegleria fowleri chegue ao cérebro — Foto: Getty Images via BBC

Medidas simples podem reduzir ainda mais o risco de infecção, que já é naturalmente muito pequeno.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) aconselham o uso de água destilada, esterilizada ou previamente fervida e resfriada para a higienização nasal.

A água da torneira contaminada já foi relacionada a casos raros de infecção.

Ao nadar em água doce quente, a agência recomenda reduzir o risco de que a água entre pelo nariz. Para isso, você pode segurar o nariz ou usar um clipe nasal, ao mergulhar ou pular na água.

"Na dúvida, simplesmente não coloque sua cabeça dentro da água", aconselha Ian Wright.

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