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Irã usa ataques assimétricos contra navios para provocar choque no preço do petróleo e forçar os Estados Unidos a recuar militarmente
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Américo Martins
Especialista
em jornalismo internacional e fascinado pelo mundo desde sempre, foi
diretor da BBC de Londres e VP de Conteúdo da CNN; já visitou mais de 70
países
Postado em 13 de Março de 2.026 às 09h50m
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Imagens divulgadas pela Marinha Real Tailandesa mostram o navio cargueiro 'Mayuree Naree' envolto em uma densa fumaça preta • ROYAL THAI NAVY/ VIA REUTERS
A estratégia iraniana é muito clara. Ao atingir petroleiros e outras embarcações comerciais, Teerã criou um bloqueio de fato do estreito.
Com isso, provocou instabilidade no mercado internacional de energia, elevou drasticamente o preço do petróleo e está gerando pressões inflacionárias em várias economias, especialmente nos Estados Unidos.
A aposta é que o impacto econômico acabe forçando o presidente Donald Trump, pressionado pela insatisfação dos eleitores americanos, a acabar com os ataques militares contra o país.
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Mas surge então uma pergunta aparentemente óbvia: por que os Estados Unidos, com todo o seu poder militar, têm tanta dificuldade para impedir esses ataques? Especialmente depois de sucessivas ofensivas contra alvos iranianos e das declarações de Trump de que a Marinha do Irã teria sido praticamente eliminada pelos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel.
A resposta envolve uma combinação de fatores geográficos e militares.
Em primeiro lugar, as rotas navegáveis do Estreito de Ormuz são extremamente estreitas. Em alguns pontos, os navios precisam seguir canais de apenas alguns quilômetros de largura.
Isso significa que o tráfego marítimo é altamente previsível. Petroleiros e cargueiros são obrigados a seguir caminhos praticamente fixos, o que os torna alvos relativamente fáceis.
O segundo fator é a estratégia adotada pelo Irã.
Em vez de tentar enfrentar diretamente a poderosa Marinha americana, o país aposta no que os analistas militares chamam de guerra assimétrica.
Isso significa utilizar armas simples, baratas e difíceis de neutralizar. Entre elas estão drones, mísseis antinavio lançados da costa, minas navais e pequenas lanchas rápidas armadas.
Em alguns casos, até embarcações carregadas de explosivos podem ser usadas.
Grande parte dessas operações é conduzida pela Guarda Revolucionária do Irã, que há anos desenvolve táticas específicas para operar em águas estreitas como as do golfo e do estreito.
As minas marítimas, em particular, são uma das maiores preocupações.
Elas podem ser lançadas rapidamente por pequenas embarcações e permanecer submersas por dias ou semanas. O Irã, sabendo disso, já está minando o estreito, usando uma forma física de bloquear o canal.
Localizar e remover as minas exige operações lentas, complexas e caras, com navios especializados.
Enquanto isso, o tráfego comercial vai continuar sob risco, potencialmente por muitas semanas.
Diante desse cenário, uma solução aparentemente simples seria escoltar petroleiros e cargueiros pelo estreito. O próprio presidente Trump chegou a sugerir essa possibilidade.
Mas, na prática, essa alternativa também enfrenta obstáculos importantes.
Primeiro, levaria dias ou até semanas para redistribuir navios de guerra capazes de realizar esse tipo de escolta permanente.
Além disso, comboios escoltados se tornariam alvos ainda mais visíveis e atrativos para os iranianos.
Os próprios navios militares americanos passariam a operar em condições de maior vulnerabilidade, expostos a mísseis, drones, minas ou ataques de pequenas embarcações.
Em águas tão estreitas, um único ataque bem-sucedido poderia causar danos significativos, gerando imagens de propaganda que o Irã poderia explorar para afirmar que derrotou uma força naval muito mais poderosa.
Táticas desse tipo não são inéditas.
A Ucrânia utilizou métodos semelhantes para enfraquecer e afastar navios da poderosa Marinha da Rússia no Mar Negro, demonstrando como forças menores podem desafiar Marinhas muito superiores.
Por todas
essas razões, mesmo com enorme vantagem militar, os Estados Unidos
simplesmente não conseguem garantir estabilidade total no Golfo Pérsico.
Teerã passou anos se preparando para esse tipo de confronto.
E, ao explorar as vulnerabilidades da navegação no Estreito de Ormuz, encontrou um dos pontos mais sensíveis da estratégia americana.
O verdadeiro calcanhar de Aquiles de Washington neste conflito.



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