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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

8 em cada 10 focos de fogo no Amazonas estão em imóveis rurais privados; queimadas disparam após o 1º turno

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Levantamento feito pelo Inpe a pedido do g1 analisou os 1.639 focos registrados no estado entre 1º e 15 de outubro e mostra maior parte em áreas privadas. Alta de incêndios começa em 4 de outubro, dia do primeiro turno das eleições, aponta Ipam.
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Por Poliana Casemiro, g1

Postado em 21 de Outubro de 2.026 às 06h00m
 
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8 em cada 10 focos de fogo no Amazonas estão em imóveis rurais, mostram dados do Inpe
8 em cada 10 focos de fogo no Amazonas estão em imóveis rurais, mostram dados do Inpe

De cada dez focos de fogo detectados em outubro no Amazonas, oito estão dentro de imóveis rurais privados com Cadastro Ambiental Rural (CAR). É o que mostra uma análise exclusiva do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) a pedido do g1.

Entre 1º e 15 de outubro, o satélite de referência do Inpe registrou 1.639 focos no estado. Desses, 79,1% ficaram em propriedades privadas cadastradas.

Dados do Inpe mostram que maior parte dos focos de incêndio estão em propriedades privadas — Foto: Infográfico/g1
Dados do Inpe mostram que maior parte dos focos de incêndio estão em propriedades privadas — Foto: Infográfico/g1

O Amazonas vive uma crise com o fogo, com incêndios que vêm sufocando cidades, incluindo a capital, Manaus. No acumulado geral do ano, apenas no entorno da capital, os focos estão 109% acima da média histórica para o período, segundo os dados do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

  • E quando foi que a explosão do fogo começou? A análise do instituto da Amazônia mostra que eles começam em setembro, param e voltam com uma explosão de focos a partir de 4 de outubro, dia do 1º turno das eleições. (Leia mais aqui)

A análise do Inpe que filtra o tipo de área afetada pelos incêndios reforça o que a polícia, o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente vêm dizendo: as chamas são causadas pela ação humana e são criminosas.

Para você entender melhor: para que uma propriedade possa usar o fogo para o manejo do solo, como limpeza de pastagem, por exemplo, é preciso autorização caso a caso do governo estadual – o que não há.

Além disso, desde 9 de setembro, quando as chamas começaram a sufocar a região, o governo estadual proibiu o fogo no estado. Ainda assim, os incêndios continuaram.

Queimadas no Amazonas — Foto: Divulgação/Ibama
Queimadas no Amazonas — Foto: Divulgação/Ibama

O Amazonas enfrenta as consequências da seca fortalecida pelo El Niño. Com isso, muitos focos se alastram pela vegetação ressecada e se transformam em incêndios de grandes proporções.

O presidente do Ibama, Jair Schmitt, explica que o fogo pode ocorrer com a seca, mas a ação no Amazonas é humana e é justamente dessa configuração que aqueles que cometem crimes vêm se aproveitando.

Como tem muito incêndio, as pessoas vão colocando fogo, ampliando o problema até pela dificuldade que se pode ter em um momento de crise como esse de identificar o crime. (...) e há uma hipótese considerada de que elas se valem do momento político para tensionar o caos.
— Jair Schmitt, presidente do Ibama

Maior parte dos incêndios no Amazonas vem de áreas com cadastro rural, aponta Inpe — Foto: Divulgação/Ibama
Maior parte dos incêndios no Amazonas vem de áreas com cadastro rural, aponta Inpe — Foto: Divulgação/Ibama

Em uma ação de combate a incêndios, o Ibama flagrou garrafas com combustíveis sendo jogadas ao longo das estradas. O órgão aplicou R$ 2 milhões em multas desde a última semana.

Além disso, as ações criminosas também vêm sendo investigadas pela Polícia Federal e pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência). De acordo com a Polícia Civil do Amazonas, já são mais de 120 procedimentos criminais para investigar o uso criminoso do fogo.

A análise mostra que a maior parte do fogo está em áreas privadas. Ou seja, pessoas que usam o fogo sem permissão para manejo do solo. É fogo usado fora do contexto da lei.
— Luiz Aragão, pesquisador e especialista no monitoramento de biomas por satélite.

Fogo também está em áreas que já foram desmatadas

Os incêndios acontecem ao mesmo tempo em que o governo anuncia uma queda recorde no desmatamento. Na última semana, os dados do Inpe apontaram o menor índice desde 1988. Como as duas coisas podem ser verdade?

Os dados da plataforma TerraBrasilis, do Inpe, analisados por Aragão, ajudam a responder. A maior parte do fogo não está na floresta em pé, e sim em terras onde as árvores já foram derrubadas.

É fato que o desmatamento caiu, mas ele ainda existe, e os dados foram divulgados: foram 3.335 km² de agosto de 2025 a julho de 2026 – período de análise para a inclusão da série anual. E isso ainda se soma ao que já foi derrubado em anos anteriores e que, agora, a floresta luta para reconstruir – o que chamamos de vegetação secundária.

Uma análise observando o uso do solo ajuda a entender o que está acontecendo. Segundo os dados, em outubro:

  • 52,8% dos focos estavam em áreas desmatadas nos últimos três anos
  • Outros 30,6% em áreas abertas há mais tempo
  • 15,9% atingiram vegetação nativa.
Imagens mostram área de vegetação após queimada — Foto: Divulgação/Ibama
Imagens mostram área de vegetação após queimada — Foto: Divulgação/Ibama

➡️ E o que isso significa? É preciso entender que desmatamento e fogo são fenômenos diferentes. O desmatamento mede quanta floresta foi derrubada. O fogo, na maior parte dos casos, é usado depois, para limpar a área que já foi destruída, computada em algum momento nos levantamentos ou para renovar o pasto.

Por isso, mesmo que haja menos floresta sendo derrubada, a terra aberta nos últimos anos continua sendo queimada.

“A pessoa desmata no passado e para manter a vegetação morta ali, para limpar a área já devastada que ela usa como pasto, ela usa o fogo. É o processo contínuo de quem desmata”, explica Aragão.

A menor parte está em áreas de vegetação nativa: 15,9% atingiram vegetação nativa. Porém, elas estão sendo afetadas pelos incêndios.

De acordo com Aragão, isso acontece porque, com a seca, reflexo do El Niño, o fogo fica incontrolável e invade áreas a quilômetros depois do foco inicial do fogo.

A chuva na região quase sumiu. De julho até hoje, Manaus acumulou 104 milímetros, cerca de um terço dos 316 milímetros esperados, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Agosto terminou sem chuva registrada, quando a média do mês é de 56 mm.

Com isso, a floresta, que também é afetada pela seca, acaba sendo atingida pela ação ilegal do uso do fogo.

De acordo com o presidente do Ibama, o órgão flagrou casos assim e tem feito fiscalizações na região, além de contar com reforços em ações de combate às chamas para evitar que novas áreas protegidas sejam atingidas.

“Nós já autuamos aqui nessa região próxima a Manaus 19 pessoas nessa última semana. R$ 2 milhões de multa e mais de 250 hectares embargados. São pessoas que iniciam fogo na sua propriedade sem autorização e, em alguns casos, esse fogo acaba avançando em territórios protegidos, inclusive em territórios indígenas”, explica.

As autuações foram feitas a partir do dia 12 de outubro nas cidades de Autazes e de Careiro da Várzea, na região metropolitana de Manaus.

De acordo com o Ibama, apesar disso, a fiscalização sobre o uso do fogo nas propriedades é de responsabilidade do governo estadual. O g1 acionou o governo estadual, mas aguardava o retorno até a publicação.

Dados do Ipam mostram que focos de fogo subiram no primeiro turno das eleições — Foto: Infográfico/g1
Dados do Ipam mostram que focos de fogo subiram no primeiro turno das eleições — Foto: Infográfico/g1

Aumento dos focos no 1° turno das eleições

O fogo se acelerou no entorno de Manaus a partir de 4 de outubro, dia do primeiro turno das eleições. É o que mostra um levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) que inclui 19 cidades das regiões metropolitana e central do Amazonas.

O comportamento foge do padrão da região. O fogo costuma começar em agosto, quando produtores passam a usá-lo no manejo do solo, como a limpeza de pasto, a maior parte de forma irregular. Geralmente, recua a partir do fim de setembro.

A análise foi feita usando dados do sensor VIIRS, a bordo do satélite Suomi NPP, divulgados pelo Inpe. O sensor tem resolução mais alta e detecta mais focos que o satélite de referência.

De acordo com os dados, no acumulado do ano, de 1º de janeiro a 14 de outubro, os 19 municípios somaram 15.674 focos, 109% acima da média histórica para o período. Entre os anos analisados, só 2023 teve mais, ano de uma seca histórica na região.

Os registros começaram a subir em agosto e chegaram ao pico em setembro, como é esperado, com 6.861 focos. Outubro já soma 6.183 até o dia 14.

Até o fim de setembro, 2026 seguiu o padrão. Segundo o pesquisador Newton Monteiro, responsável pelo levantamento, os focos chegaram ao auge por volta do dia 20, quando já haviam rompido o limite histórico, e depois arrefeceram.

No entanto, a partir de 4 de outubro, dia do primeiro turno das eleições, os incêndios voltaram a crescer e atingiram um pico ainda maior nos dias seguintes. (Veja o gráfico abaixo)

Entre 4 e 14 de outubro, foram 5.598 focos de calor, 37 vezes mais que os 149 do mesmo período de 2025. O número supera até os 4.385 registrados em 2023, quando a Amazônia enfrentou uma seca extrema.

“Quando analisamos os dados do fogo, não vemos um crescimento em outubro nesses patamares. Escalou muito rápido, em poucos dias. Só tivemos um outubro ruim assim em 2023, durante uma seca histórica no Amazonas, cenário que não se repete agora”, explica Monteiro.

Para o Ibama, a causa ainda é incerta e depende de investigação, mas as ações em campo mostram que há um sentimento de impunidade no período eleitoral.

“Isso sim é uma hipótese que deve ser considerada, de se valer do momento político para ampliar, tensionar mais ainda o caos e o cometimento desses incêndios. O que a gente tem de relato das nossas equipes em campo, brigadistas, é desse sentimento de impunidade. Independentemente do cenário político, de determinado candidato vitorioso, as pessoas têm uma expectativa de impunidade e de não sofrerem nenhum tipo de consequência”, explica Schmitt.

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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Irã se prepara para novas escaladas: "Mundo vai ficar impressionado"

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Comandantes militares iranianos fizeram declarações afirmando que Teerã acumulou grandes estoques de novas armas, prontas para serem lançadas caso Washington retome hostilidades
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Mostafa Salem, Aida Karimi e Leila Gharagozlou, da CNN
19/10/26 às 18:10 | Atualizado 19/10/26 às 18:10
Postado em 20 de Outubro de 2.026 às 11h00m
 
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O porta-voz do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, Hossein Mohebbi, durante uma coletiva de imprensa em Teerã, no Irã
O porta-voz do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, Hossein Mohebbi, durante uma coletiva de imprensa em Teerã, no Irã  • Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images

O Irã sinalizou que está se preparando para uma nova rodada de conflito com os Estados Unidos e emitiu ameaças públicas contra Washington e seus aliados, em uma tentativa aparente de dissuadir o presidente americano, Donald Trump, de retomar o conflito atual.

No último mês, comandantes militares iranianos intensificaram uma série de declarações públicas, afirmando que o Irã acumulou grandes estoques de novas armas, prontas para serem lançadas contra alvos fora da região, caso os EUA retomem as hostilidades iniciadas em fevereiro.

Autoridades iranianas ameaçaram ampliar o escopo de seus alvos caso o conflito seja retomado, mencionando opções que incluem o corte de cabos submarinos de internet, ataques a centros de dados de inteligência artificial e investidas contra instalações de petróleo e gás na região.

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“O mundo ficará impressionado”, disse Hossein Mohebbi, porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, no final do mês passado.

“Temos novos alvos que ainda não foram atacados”, acrescentou.

Quase nove meses após os EUA e Israel iniciarem sua guerra contra o Irã, o conflito estagnou em um impasse, deixando incertezas sobre qual seria o objetivo final de Trump, enquanto o mundo enfrenta instabilidade econômica. Ambos os lados reivindicaram vitória — Teerã aponta para sua própria sobrevivência, enquanto Washington destaca os danos causados ​​ao regime iraniano.

Paralelamente, a administração Trump continua testando novas medidas econômicas e militares para forçar a capitulação do Irã — algo a que Teerã tem resistido obstinadamente.

“A guerra não acabou”, afirmou Mohebbi.

“O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica preparou-se para um conflito de longa duração”, disse.

Preparando-se para a guerra

Enquanto os comandantes iranianos demonstram força e prontidão, a população iraniana — há muito sobrecarregada pelo conflito e pela incerteza econômica — prepara-se, mais uma vez, para enfrentar a realidade da guerra no terreno.

“Todos os dias e todas as noites, ficamos à espera de que os bombardeios recomecem”, relatou à CNN, na semana passada, um morador de Teerã de 70 anos.

“Carreguei todas as minhas baterias portáteis, fiz um estoque de água e deixei tudo pronto, porque os ataques podem recomeçar a qualquer momento, em qualquer dia”, acrescentou,

Uma mãe de dois filhos descreveu à CNN o medo com o qual vive ao enviar seus filhos para a escola todas as manhãs, passando por ruas onde a Guarda Revolucionária está presente e bases militares permanecem ativas.

“Eu gostaria de saber exatamente o que mais os EUA planejam bombardear?”, disse ela.

“Eles nem sequer conseguiram eliminar (a liderança iraniana). Também não foi possível negociar. Então, qual é o sentido de começar mais uma guerra?”, afirmou.

Os iranianos estão “convencidos” de que a guerra vai recomeçar, disse à CNN outro morador de Teerã.

“É só disso que todo mundo fala... você fica o tempo todo com aquele pensamento na cabeça: será que é hoje à noite? Será amanhã? Acho que o fato de se falar tanto sobre isso torna tudo ainda pior; a gente não consegue nem ter um momento de trégua”, relatou o morador à CNN.

Os iranianos falaram com a CNN sob a condição de anonimato, para que pudessem expressar livremente seus receios quanto à possibilidade de uma nova guerra.

Alvos na Europa

Nas últimas semanas, assessores da Casa Branca realizaram reuniões para discutir diversas opções em relação ao Irã. Embora Trump tenha anunciado publicamente que não tomaria novas medidas antes das eleições de Meio de Mandato, vários assessores disseram à CNN, em caráter privado, que não sabiam se essa declaração era definitiva ou se poderia mudar antes do dia da eleição, em 3 de novembro.

Os militares dos EUA desenvolveram novos planos de ataque que incluem o uso potencial da chamada "mãe de todas as bombas" para atingir a infraestrutura energética e instalações nucleares iranianas, caso Trump ordene a retomada das operações de combate antes ou depois das eleições de meio de mandato, de acordo com vários oficiais americanos familiarizados com o assunto.

A GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast Bomb, ou MOAB, é a maior bomba não nuclear do arsenal dos EUA e representaria uma escalada significativa.

"Essas são ferramentas de propaganda destinadas a intimidar o povo iraniano", disse Alireza Sheikh, comandante do exército iraniano, no sábado (17).

"O povo iraniano é o pai de todas as bombas", acrescentou,

O Irã sinalizou uma nova doutrina militar mais ofensiva, sugerindo que não esperará ser atacado e poderá até mesmo lançar ataques preventivos. Na semana passada, contas de mídia social da Guarda Revolucionária relataram que o Irã realizou exercícios militares em todo o país, incluindo o lançamento de 30 mísseis balísticos de uma só vez.

Farzin Nadimi, pesquisador sênior do think tank The Washington Institute, especializado em política externa dos EUA na região, afirmou que, se um Teerã fortalecido decidisse testar seus novos mísseis de longo alcance contra a Europa em um ataque, os alvos poderiam incluir forças americanas baseadas em bases aéreas na Inglaterra ou o centro logístico em Ramstein, na Alemanha, a maior instalação militar americana fora dos EUA.

"No entanto, o Irã provavelmente reservaria essa possibilidade para um nível muito alto de escalada", disse Nadimi.

Os EUA transferiram todos os seus bombardeiros de longo alcance estacionados no Reino Unido de volta para suas bases americanas no início deste mês, após uma nova ameaça não especificada, disseram autoridades.

Dias antes da medida, o governo britânico prendeu vários indivíduos em conexão com um suposto plano iraniano para atacar a base aérea do Reino Unido onde os bombardeiros americanos estavam estacionados.

Para aumentar suas chances de atingir alvos, Nadimi afirmou que o Irã pode lançar enxames mais sofisticados e coordenados de drones com inteligência artificial, equipados com câmeras e links de dados que podem se comunicar entre si, ajustar trajetórias de voo e velocidade para evitar interferências e defesas aéreas.

“Eles ainda não demonstraram essas capacidades, mas discutiram o desenvolvimento dessas tecnologias no passado”, disse Nadimi.

O Irã também pode buscar aprimorar suas capacidades de mísseis de cruzeiro, incluindo propulsão supersônica para melhor evitar interceptação, e tentar interferir em satélites militares de comunicação e vigilância, acrescentou.

Região em preparação

Comandantes iranianos estão se preparando para o que consideram uma inevitável retomada das hostilidades, enquanto também tentam dissuadir Washington, destacando os custos de um ataque, disse Ali Vaez, vice-diretor de programas para o Oriente Médio e Norte da África do International Crisis Group, à CNN.

“Teerã quer deixar claro que a próxima rodada será travada em um campo de batalha muito mais amplo, com menos restrições e consequências potencialmente mais letais”, disse Váz.

“Mas o perigo é que o que o Irã pretende como dissuasão possa ser interpretado em Washington como provocação, tornando a própria guerra que Teerã espera evitar mais provável”, afirmou.

Quando os EUA e Israel lançaram a guerra contra o Irã em fevereiro, mataram o Líder Supremo da República Islâmica, Ali Khamenei, juntamente com comandantes militares iranianos, altos funcionários e civis, incluindo crianças em idade escolar. A retaliação do Irã concentrou-se principalmente em seus vizinhos árabes, que acusa de conluio com Washington.

O Irã bloqueou efetivamente o Estreito de Ormuz, a única via marítima usada pelas nações vizinhas para exportar petróleo, antes de atacar infraestruturas civis em cidades árabes.

Dubai, um importante destino turístico, foi alvo de ataques, estações de tratamento de água no Kuwait foram atingidas e ataques a centros de dados interromperam os serviços bancários em vários países da região.

O Irã disparou mais de 2.500 mísseis e drones contra os Emirados Árabes Unidos, mais do que contra qualquer outro país, incluindo Israel. Abu Dhabi interceptou quase todos os projéteis, segundo dados do Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos.

Na semana passada, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, alertou que o Irã atacará alvos americanos na região, inclusive nos Emirados Árabes Unidos, em retaliação a quaisquer novos ataques.

“Se outra guerra eclodir, inúmeros cabos submarinos, centros de dados, instalações de inteligência artificial e outras infraestruturas em toda a região poderão ser destruídos”, disse Rezaei.

Um alto funcionário dos Emirados Árabes Unidos disse a jornalistas na quinta-feira que seu país está mais bem preparado caso os combates sejam retomados.

“Não queremos guerra”, afirmou Ali Al-Nuaimi, presidente do Comitê de Defesa, Assuntos Internos e Relações Exteriores do Conselho Nacional Federal dos Emirados Árabes Unidos.

“Mas, se uma guerra começar hoje, estamos preparados para lidar com qualquer ameaça que surja — de uma forma ainda melhor do que estávamos no dia 28 de fevereiro”, acrescentou Al-Nuaimi.

“Faremos tudo o que for necessário para proteger nossa segurança nacional, nossa soberania e nosso povo”, concluiu.

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Japão lança foguete para missão que pode ser a primeira a coletar amostras de lua de Marte

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Missão levará a sonda MMX ao sistema marciano para estudar suas duas luas e trazer material de uma delas à Terra, o que pode ajudar cientistas a investigar a origem desses corpos celestes e a história do Sistema Solar.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 20 de Outubro de 2.026 às 10h00m
 
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Ilustração mostra a sonda MMX e o trajeto previsto de ida a Marte e retorno à Terra. — Foto: JAXA
Ilustração mostra a sonda MMX e o trajeto previsto de ida a Marte e retorno à Terra. — Foto: JAXA

Cientistas japoneses lançaram um foguete que transporta uma sonda não tripulada com a missão de coletar amostras de uma das duas luas de Marte. Se for bem-sucedida, a operação poderá ser a primeira do mundo a trazer material de uma dessas luas para a Terra.

O foguete H3 decolou do Centro Espacial de Tanegashima às 16h41 desta segunda-feira (19), pelo horário de Brasília — 4h41 da terça-feira (20) no Japão. A bordo estava a sonda Martian Moons eXploration (MMX). O lançamento foi transmitido ao vivo pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA).

A missão tem como alvo Fobos, a maior das duas luas de Marte, e deve durar cerca de cinco anos. Segundo o planejamento da JAXA, a sonda chegará às proximidades do planeta aproximadamente um ano após o lançamento.

Em seguida, entrará em uma órbita próxima a Fobos para observar o satélite natural em detalhes e realizar a tentativa de coleta de amostras (entenda mais abaixo).

Depois das observações e da coleta, a nave deverá iniciar a viagem de volta à Terra, que levará cerca de um ano.

O material recolhido poderá ajudar cientistas a investigar como as luas marcianas se formaram e o que elas revelam sobre a história do planeta e do Sistema Solar.

Por que estudar as luas de Marte?

Marte tem algumas características em comum com a Terra, mas hoje apresenta uma atmosfera muito fina e um ambiente frio.

Segundo a JAXA, pousar no planeta e trazer amostras de volta à Terra são desafios técnicos, em parte por causa de sua gravidade.

Por isso, a missão MMX tem como alvo Fobos, um corpo celeste menor que, segundo os cientistas japoneses, pode ter sofrido poucas mudanças ao longo do tempo e conservar informações importantes sobre a evolução da região de Marte.

  • 🪐 A origem das duas luas marcianas ainda é tema de debate. Uma das hipóteses é que elas tenham se formado a partir de destroços lançados ao espaço depois de uma grande colisão entre Marte e outro corpo celeste. Esses fragmentos teriam se juntado até formar as luas.

Outra possibilidade é que Fobos e Deimos, a segunda lua de Marte, sejam asteroides originários de regiões mais distantes do Sistema Solar que foram capturados pela gravidade do planeta.

De acordo com a agência japonesa, as observações feitas pela MMX e a análise das amostras trazidas à Terra poderão ajudar a esclarecer qual cenário explica melhor a origem desses corpos.

* Com informações da Agence France-Presse

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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Executiva que comanda o Signal contesta previsões de 'apocalipse de IA' e diz que risco é o uso descuidado da inteligência artificial

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Em entrevista à BBC, Meredith Whittaker, chefe de fundação que criou aplicativo de mensagens criptografadas, afirma que riscos da inteligência artificial têm sido mal compreendidos.
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TOPO
Por Katie Roberts

Postado em 19 de Outubro de 2.026 às 06h00m
 
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Meredith Whittaker acredita que não há evidências científicas de que a inteligência artificial possa se voltar contra os seres humanos. — Foto: Alvaro Alvarez/ BBC
Meredith Whittaker acredita que não há evidências científicas de que a inteligência artificial possa se voltar contra os seres humanos. — Foto: Alvaro Alvarez/ BBC

Aviso: Este artigo contém linguagem forte que pode ofender leitores

Meredith Whittaker rejeita as previsões catastróficas sobre a inteligência artificial (IA) que ganham destaque no noticiário. Para ela, os alertas de que a tecnologia poderia se voltar contra a humanidade se baseiam em um temor "sem fundamento científico".

"O risco é muito real", afirma Whittaker, presidente da Signal Foundation, organização responsável pelo aplicativo de mensagens criptografadas Signal. "Mas não tem nada a ver com essas histórias fantasiosas contadas por garotos alarmistas."

Whittaker considera que o perigo mais imediato está no uso irresponsável da tecnologia.

Ela menciona um suposto caso noticiado pela emissora americana CNN, no qual um chatbot utilizado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos teria inventado informações sobre um navio chinês que supostamente transportava material nuclear.

Segundo a reportagem, o episódio levou os EUA a preparar uma resposta militar.

"Quase entramos em guerra com a China", afirma Whittaker ao BBC Global Women, do Serviço Mundial da BBC. "Um sistema que fornece informações de inteligência falsas e quase provoca uma guerra com a China não pode ser considerado superinteligente, seja qual for o critério adotado."

O Signal tem entre 40 milhões e 70 milhões de usuários, segundo estimativas — um número muito inferior ao do concorrente WhatsApp, que conta com cerca de 3 bilhões de usuários, também segundo estimativas.

No entanto, o aplicativo Signal é conhecido por sua postura rigorosa na proteção da privacidade dos usuários. Seus servidores não têm acesso à identidade de quem envia as mensagens, o que reduz a quantidade de informações que podem ser obtidas por terceiros ou invasores.

Whittaker foi apontada pela revista americana Time como uma das pessoas mais influentes na área de IA.

Ela participa de discussões sobre o futuro da tecnologia em alguns dos principais centros de poder do mundo, de empresas do Vale do Silício à sede do governo britânico, em Downing Street, passando pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), e pelo Vaticano.

Ela estudou literatura na graduação e começou a trabalhar no Google em 2006, como funcionária temporária em um cargo inicial, sem formação em ciência da computação.

Whittaker ganhou notoriedade no fim de 2017, quando soube por um colega da existência do Projeto Maven, um contrato secreto entre o Google e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para desenvolver sistemas de IA capazes de identificar alvos para ataques com drones.

Ela compreendeu o que significava "encurtar a cadeia de ataque": reduzir o intervalo entre a identificação de um alvo por uma máquina e a decisão humana de disparar, deixando menos tempo para avaliar as consequências.

"Isso vai fazer com que informações de inteligência e dados de má qualidade pareçam confiáveis", lembra ter dito publicamente.

No ano seguinte, Whittaker ajudou a organizar uma paralisação que mobilizou cerca de 20 mil funcionários.

Eles protestavam contra a atuação do Google em diversas questões, incluindo o que consideravam uma implementação apressada de novas tecnologias. O Google desistiu do contrato, que foi assumido pela Palantir.

Whittaker critica a falta de apoio de investidores de capital de risco a startups comandadas por mulheres — Foto: Alvaro Alvarez/ BBC
Whittaker critica a falta de apoio de investidores de capital de risco a startups comandadas por mulheres — Foto: Alvaro Alvarez/ BBC

Whittaker relaciona diretamente o Projeto Maven ao ataque com mísseis dos EUA contra uma escola no Irã neste ano. Segundo ela, a operação utilizou o sistema e se baseou em informações de inteligência desatualizadas, que identificavam a escola como um alvo militar.

"Era exatamente isso que estávamos alertando em 2017", afirma.

A Palantir foi procurada pelo programa Global Women e declarou que "não há evidências de que o software da empresa tenha sido responsável por essa terrível tragédia".

A empresa acrescentou que "a Palantir não é responsável pelos dados utilizados pelo sistema nem pela identificação de falhas nas informações de inteligência".

No início deste ano, Louis Mosley, diretor da Palantir no Reino Unido e na Europa, disse à BBC que "sempre há uma pessoa envolvida no processo, portanto a decisão final é sempre tomada por um ser humano".

As Forças Armadas dos EUA ainda não divulgaram os resultados da investigação sobre o ataque à escola em Minab, no Irã, mas o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que os militares "jamais atacariam alvos civis".

'Tenho princípios'

Governos, incluindo o do Reino Unido, defendem ter mais acesso às conversas em aplicativos de mensagens como o Signal e o WhatsApp. Uma das principais justificativas é a de proteger mulheres e crianças.

Durante a semana de tecnologia London Tech Week 2026, o então primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que as empresas de tecnologia teriam de identificar e bloquear imagens de nudez nos dispositivos usados por crianças, sob pena de enfrentar novas leis.

Whittaker argumenta que as crianças conseguiriam contornar qualquer medida desse tipo e classifica a proposta do governo como "um sistema sem precedentes de controle das comunicações e das informações".

O Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia do Reino Unido informou à BBC que está preparando propostas de mudanças na lei sobre o assunto.

O Signal deixaria de operar em algum país, incluindo o Reino Unido, caso fosse obrigado a enfraquecer a criptografia de suas mensagens?

"Sim! Meu Deus, eu tenho princípios", responde Whittaker. "Eles não mudam conforme meu humor. Nem por orientação de consultores."

Whittaker aconselha mulheres que trabalham com tecnologia a não se deixar intimidar — Foto: Alvaro Alvarez/ BBC
Whittaker aconselha mulheres que trabalham com tecnologia a não se deixar intimidar — Foto: Alvaro Alvarez/ BBC

Segundo Whittaker, se fosse necessário submeter à vigilância pessoas "que confiam em nós, às vezes em situações de vida ou morte, e que poderiam ter essas informações usadas contra elas", a empresa "deixaria de atuar naquele mercado".

O aplicativo está total ou parcialmente bloqueado na Rússia, na China e no Irã.

Rani Govender, responsável pela área de segurança infantil na internet da Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças (NSPCC, na sigla em inglês), disse à BBC que a organização recebe relatos de crianças que foram aliciadas e levadas a usar plataformas com criptografia de ponta a ponta, nas quais são coagidas a produzir material de abuso sexual infantil.

"As empresas de tecnologia são responsáveis pelas decisões que tomam ao desenvolver seus produtos e não podem ignorar os riscos que essas escolhas podem representar para as crianças."

Mas o Signal conta com o apoio de algumas organizações de defesa dos direitos das mulheres, especialmente de países do Sul Global, cujas integrantes também utilizam o aplicativo.

"Em tempos de vigilância estatal e ataques cibernéticos, o Signal é uma ferramenta de sobrevivência", afirma Hera Hussain, fundadora da Chayn, organização de combate à violência de gênero que atua em todo o sul da Ásia.

"Como qualquer plataforma, ele também pode ser usado por pessoas mal intencionadas, e precisamos reconhecer essa realidade."

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'O que vamos fazer com as cozinhas?'

Cito a Whittaker um caso ocorrido no Canadá, em que policiais trocaram mensagens racistas e misóginas em um grupo do Signal. O conteúdo só veio a público depois que um dos participantes o repassou à imprensa.

O advogado de um dos policiais afirmou que os homens acreditavam que suas conversas no Signal eram tão privadas e seguras quanto as que tinham dentro de casa.

"Se eles tivessem conversado na cozinha e um dos amigos os tivesse dedurado, a pergunta seria: 'O que vamos fazer com as cozinhas?'", questiona Whittaker.

"O aplicativo precisa funcionar para todos, caso contrário não funciona para ninguém. Esse é o princípio dos direitos fundamentais. Eles valem até para os idiotas."

Ela menciona o caso de uma mulher nos EUA que foi presa depois que a Meta (dona de Instagram, WhatsApp e Facebook) entregou a autoridades mensagens que mostravam que ela havia ajudado a filha a ter acesso a um aborto em um Estado onde o procedimento havia sido criminalizado.

Segundo Whittaker, a privacidade das comunicações protege as pessoas de diferentes ameaças, como "um marido abusivo, um policial misógino com acesso a um banco de dados ou um governo autoritário que acredita que as mulheres não devem estudar".

Pergunto o que ela diria a uma mulher que deseja trabalhar na área de tecnologia, mas se sente intimidada pelo machismo no setor.

"Você gosta mesmo disso?", questiona. "Quando se senta diante de um computador, sente aquela empolgação? Gosta de experimentar e desenvolver sistemas de inteligência artificial?"

Ela faz uma pausa antes de continuar: "Você consegue lidar com ambientes interessantes, mas complicados, onde nem todo mundo vai ser simpático? Porque não há nada mais perigoso do que demonstrar covardia diante de alguém que pratica intimidação".

Pergunto se esses ambientes estão cheios de pessoas assim.

Uma colega de Whittaker intervém: "Acho que já são 14h", horário combinado para o fim da entrevista.

Whittaker sorri. "Eu diria para não ser puxa-saco", afirma, usando uma expressão para se referir a quem bajula excessivamente pessoas em posição de autoridade.

"Isso não vai ajudar em nada. Não ria de uma piada se você não a achar engraçada."

Essa reportagem é parte do Global Women, do Serviço Mundial da BBC, que compartilha histórias importantes e inéditas sobre mulheres ao redor do mundo.

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