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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Khamenei diz que Trump não conseguirá derrubá-lo e ameaça afundar porta-aviões dos EUA

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Líder supremo iraniano falou na TV estatal do país em meio a negociações com os EUA em Genebra nesta terça (17). Presidente dos EUA pressiona o Irã para fazer um acordo que limite o programa nuclear iraniano.
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Por Redação g1

Postado em 17 de Fevereiro de 2.026 às 08h00m
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Ali Khamenei e Donald Trump — Foto: Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP; AP Photo/Evan Vucci
Ali Khamenei e Donald Trump — Foto: Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP; AP Photo/Evan Vucci

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta terça-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não conseguirá acabar com a República Islâmica. Ele também ameaçou derrubar o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, que está na próximo ao Irã.

"O presidente dos EUA diz que o Exército deles é o mais forte do mundo, mas o Exército mais forte do mundo às vezes pode levar um golpe tão forte que não consegue se levantar. (...) Mais perigoso que o porta-aviões deles é a arma que pode enviá-lo ao fundo do mar", afirmou Khamenei em discurso em Teerã.

A fala ocorreu em meio à retomada das negociações entre EUA e Irã, mediadas pelo Omã, para limitar o programa nuclear iraniano. Trump exige que Teerã acabe com seu programa e protagoniza uma escalada de tensões e militar contra o regime Khamenei. O líder norte-americano ameaça atacar o país do Oriente Médio caso as negociações fracassem. (Leia mais abaixo)

Ao contrário de Khamenei, Trump fala constantemente sobre as negociações com o Irã e alterna entre ameaças e um tom mais otimista. Na segunda-feira, ele disse que estaria envolvido "indiretamente" nas tratativas e voltou a ameaçar o país do Oriente Médio caso não haja acordo.

"Estarei envolvido indiretamente nas negociações, vamos ver o que vai acontecer. Acho que eles são maus negociadores, porque poderíamos ter tido um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir o potencial nuclear deles. E tivemos que enviar os B-2", disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One. Não acho que eles queiram as consequências de não fechar um acordo, concluiu.

Desde que iniciou a pressão contra o Irã, em janeiro, Trump ordenou a ida de uma ampla presença militar para o Oriente Médio, que inclui dois porta-aviões e dezenas de outros navios de guerra, incluindo destróieres, além de dezenas de jatos de combate.

O grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln chegou no final de janeiro ao Mar Arábico, próximo à costa sul do Irã. Já o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, foi despachado para a região nos últimos dias.

Negociação nuclear e tensão militar

Manifestantes a favor do príncipe herdeiro do Irã, em Munique. — Foto: Ebrahim Noroozi/AP
Manifestantes a favor do príncipe herdeiro do Irã, em Munique. — Foto: Ebrahim Noroozi/AP

As negociações são tratadas com cautela porque EUA e Irã ainda têm grandes diferenças entre eles: enquanto Washington exige de Teerã extinguir os programas nuclear e de mísseis e parar de apoiar grupos armados da região, o regime Khamenei afirma que negociará apenas seu programa nuclear.

A principal autoridade nuclear iraniana afirmou nesta semana que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções impostas ao país. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear.

O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse na semana passada que o país está disposto a "inspeções" da AIEA para mostrar que seu programa nuclear é pacífico, mas afirmou que não cederá a "exigências excessivas" dos EUA.

O presidente dos EUA, Donald Trump, alterna entre indicar esperança por um acordo nuclear e ameaças diretas ao regime Khamenei. Na semana passada, Trump ameaçou tomar "medidas muito duras" contra o Irã caso as negociações fracassem e enviou o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, para reforçar o cerco militar ao país do Oriente Médio —que já tem o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln posicionado na região.

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou na segunda-feira que faria novos exercícios militares no Estreito de Ormuz, o que elevou as tensões com as tropas dos EUA que estão estacionadas na região.

Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, discursa em Teerã em 17 de fevereiro de 2026. — Foto: Gabinete do líder supremo do Irã/Wana Handout via REUTERS
Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, discursa em Teerã em 17 de fevereiro de 2026. — Foto: Gabinete do líder supremo do Irã/Wana Handout via REUTERS

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Ano Novo Chinês começa na terça; qual é o significado do cavalo, animal do ano

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Data marca o início do ano 4274 no calendário chinês e deve provocar recorde de viagens na China.
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Por Redação g1

Postado em 16 de Fevereiro de 2.026 às 06h00m
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São Paulo celebra o Ano Novo Chinês com festa em 31 de janeiro
São Paulo celebra o Ano Novo Chinês com festa em 31 de janeiro 

O Ano Novo Chinês, feriado mais importante da China, começa nesta terça-feira (17) e é marcado por celebrações pela chegada do ano do cavalo de fogo.

Apesar de o feriado oficial durar 9 dias, as festividades acontecem durante 40 dias, período que pode registrar recorde de 9,5 bilhões de viagens, segundo estimativa do governo chinês.

Também conhecido como Ano Novo Lunar e Festival de Primavera, o feriado ainda é comemorado em outros países asiáticos, como Vietnã e Coreia do Sul.

Pelo calendário chinês, que tem a Lua como referência, o ano que começa agora é o 4274.

📅 O calendário chinês tem um ciclo de 12 anos em que cada um é representado por um animal, nesta ordem: Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Cobra, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cão e Porco.

A relação com os animais surgiu com o budismo. Segundo a tradição, Buda convocou animais para definir o calendário, mas só 12 compareceram – eles passaram a representar os anos na ordem em que chegaram.

Apresentação do dragão durante procissão do Ano Novo Chinês no Reino Unido, em foto de 14 de fevereiro de 2026 — Foto: Reuters/Temilade Adelaja
Apresentação do dragão durante procissão do Ano Novo Chinês no Reino Unido, em foto de 14 de fevereiro de 2026 — Foto: Reuters/Temilade Adelaja 

 🌜 Ao contrário do que acontece no calendário gregoriano, de 365 ou 366 dias, a virada de ano do calendário chinês não acontece sempre no mesmo dia.

O ano chinês costuma durar 354 ou 355 dias, tempo para a Lua completar 12 ciclos. E, para manter a sincronia com o ciclo solar e as estações do ano, há periodicamente um ano bissexto com 384 dias.

Este ano do cavalo, por exemplo, acontece de 17 de fevereiro de 2026 a 6 de fevereiro de 2027, quando será o início do ano da cabra.

O cavalo é visto como símbolo de liberdade, energia, independência e ambição. Por isso, este ano é visto por especialistas como especialmente propício à busca pelo desenvolvimento pessoal.

Este ano também é representado pelo fogo, um dos cinco elementos do calendário chinês (água, metal, terra, fogo e madeira). E cada combinação entre animal e elemento acontece a cada 60 anos.

O simbolismo do cavalo de fogo

Pelo horóscopo chinês, o cavalo representa a busca por liberdade e prazer. Já o fogo simboliza clareza nas relações e valorização da intuição, disse Adriana Di Lima, consultora em Feng Shui e astrologia chinesa.

Na tradição chinesa, o término de um ano serve de reflexão para a passagem para o próximo, disse Adriana. Segundo a consultora, o ano da serpente é visto como um período de preparação para este ciclo.

"Na energia do ano de 2025, o signo da serpente trouxe o ensinamento e o aprendizado de criar metas e usar estratégia. Esse ano do cavalo tem a forte tendência para que a gente concretize o que planejou", afirmou.

Lanternas preparadas para o Ano Novo Chinês em templo na Malásia, em 11 de fevereiro de 2026 — Foto: Reuters/Hasnoor Hussain
Lanternas preparadas para o Ano Novo Chinês em templo na Malásia, em 11 de fevereiro de 2026 — Foto: Reuters/Hasnoor Hussain

O horóscopo chinês indica que as características do ano de cavalo são expressas em cada pessoa de acordo com o seu próprio signo chinês, mas são mais intensas em quem já tem o signo de cavalo, disse Adriana.

"Pessoas nascidas no ano de cavalo terão experiências diferenciadas neste ano. A pessoa de cavalo vai estar mais sensível a todos os acontecimentos e vai sentir as suas reações de forma mais intensa".

A chegada do Ano Novo Chinês é acompanhada de tradições associadas à boa sorte, como a limpeza profunda no último dia do ano. Ela envolve desde uma faxina em casa até o pagamento de dívidas e é vista como uma forma de eliminar energias negativas.

Feriado gera bilhões de viagens

Com a virada do ano, grandes cidades da China ficam mais vazias. Milhões de pessoas viajam para rever familiares no interior, e aeroportos e estações de trem ficam lotados.

Neste ano, até o universo de Harry Potter entrou nas comemorações: o rival Draco Malfoy virou símbolo informal do ano do cavalo porque a transliteração de seu sobrenome em chinês (Ma-er-fu) significa cavalo e fortuna. Muitos colaram cartazes do personagem em portas e vitrines.

Outra febre é o chamado cavalo triste, uma pelúcia vermelha que viralizou após um erro de fabricação deixar o brinquedo com a boca costurada ao contrário, criando uma expressão triste.

O item se tornou sucesso de vendas em mercados atacadistas. Nas redes sociais, muitos jovens dizem que o semblante abatido do cavalo representa o cansaço e a pressão da rotina profissional, em contraste com o clima festivo do feriado.

Pelúcia de cavalo triste se tornou uma febre nas festividades do Ano Novo Chinês — Foto: Reuters/Nicoco Chan
Pelúcia de cavalo triste se tornou uma febre nas festividades do Ano Novo Chinês — Foto: Reuters/Nicoco Chan


Artista posa para foto durante procissão do Ano Novo Chinês no Reino Unido, em foto de 14 de fevereiro de 2026 — Foto: Reuters/Temilade Adelaja
Artista posa para foto durante procissão do Ano Novo Chinês no Reino Unido, em foto de 14 de fevereiro de 2026 — Foto: Reuters/Temilade Adelaja

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domingo, 15 de fevereiro de 2026

A verdadeira história por trás dos misteriosos samurais japoneses

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A exposição 'Samurai', em cartaz no Museu Britânico de Londres, conta o que é verdade e o que é mito na longa história dos samurais, que transcendeu o Japão para se integrar à cultura popular do Ocidente.
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TOPO
Por Matthew Wilson

Postado em 15 de Fevereiro de 2.026 às 22h45m
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A verdadeira história dos samurais é mais complexa e surpreendente do que imaginamos — Foto: Divulgação/Museu Britânico via BBC
A verdadeira história dos samurais é mais complexa e surpreendente do que imaginamos — Foto: Divulgação/Museu Britânico via BBC

O sólido legado dos samurais é um fenômeno singular na história cultural da humanidade.

Nenhum outro grupo social da era medieval foi tão celebrado ou mitificado na cultura popular, de forma tão persistente, desde as impressões ukiyo-e (um estilo de xilogravura muito popular no Japão entre os séculos 17 e 19) até os videogames, filmes e programas de TV contemporâneos.

A fama sempre traz consigo a mitificação e isso também ocorreu com os samurais.

Será que esses fabulosos cavaleiros do passado eram realmente tão valentes, leais, altruístas, disciplinados e inequivocamente japoneses como pensamos?

A resposta é não, pelo menos segundo a nova exposição do Museu Britânico intitulada "Samurai". Sua proposta é desmistificar a fantasia em torno desses guerreiros misteriosos e, em grande parte, pouco conhecidos — e revelar sua verdadeira história, muito mais fascinante.

Quem eram os samurais e como eles surgiram?

"Eles não eram um grupo unitário de pessoas que permaneceu o mesmo ao longo da História", explica a curadora da exposição, Rosina Buckland.

"Acho que a percepção no Ocidente é que os samurais são guerreiros — o que certamente é verdade. Foi assim que eles surgiram e atingiram posições de poder na Idade Média."

"Mas esta é apenas parte da história", segundo ela.


 Armadura em exibição no Museu Britânico tem uma frente pontiaguda e lados em ângulo, para desviar as balas dos mosquetes — Foto: Divulgação/Museu Britânico via BBC

As origens dos samurais remontam ao século 10, quando eles foram inicialmente recrutados como mercenários para as cortes imperiais. Eles evoluíram gradualmente até se tornarem aristocratas rurais.

Mas os samurais não eram galantes soldados que seguiam códigos de honra da cavalaria, como as pessoas passaram a acreditar posteriormente.

Durante as batalhas, eles costumavam usar táticas oportunistas, como emboscadas e trapaças. Muitas vezes, eles eram mais motivados pela recompensa, em terras e status, do que pelo senso de honra ou dever altruísta.

Esta visão flexível fazia com que eles também adotassem influências multiculturais e tecnologia estrangeira, o que é outra faceta surpreendente da identidade dos samurais.

A couraça da magnífica armadura dos samurais em exibição no Museu Britânico foi baseada em um desenho português. Ele tem a parte da frente pontiaguda e lados em ângulo, para desviar as balas de mosquetes.

Estas características só passaram a ser necessárias no Japão depois que o país começou a importar armas de fogo da Europa, em 1543. 

'Cultura é poder'

Os samurais conquistaram o poder político explorando o caos gerado pelas disputas sobre a sucessão imperial.

Em 1185, um clã controlador (os Minamoto) assumiu e estabeleceu um novo governo, paralelo à corte imperial. E, ao longo dos anos, houve ascensão e queda das dinastias dos senhores da guerra, envolvendo diversas batalhas entre os líderes dos clãs.

Mas, como indica Buckland, "mesmo naqueles estágios antigos, a cultura é extremamente importante. A cultura é poder."

Os líderes militares eram chamados de Xóguns. Eles perceberam que não poderiam exercer a autoridade com sucesso usando a perspectiva e a mentalidade dos senhores da guerra tribais.

Por isso, eles encontraram formas de suplementar seu poderio militar com os modos de influência política mais sutis e sofisticados da sociedade cortesã.

Sua estratégia diplomática era baseada na filosofia chinesa, principalmente nas ideias de Confúcio (c.551 a.C.-479 a.C.).

"No pensamento neoconfuciano, você precisa ter equilíbrio entre o poderio militar e as habilidades culturais", explica Buckland.

Esta ramificação aumentou o investimento em soft power (poder de influência) nas câmaras da corte.

Os samurais têm origem no século 10 e suas lendas e mitologia permanecem vivas há séculos — Foto: Divulgação/Museu Britânico via BBC
Os samurais têm origem no século 10 e suas lendas e mitologia permanecem vivas há séculos — Foto: Divulgação/Museu Britânico via BBC

Além de serem adeptos da arte da guerra, os samurais se familiarizaram com as artes refinadas da pintura, poesia, música, teatro e da cerimônia do chá.

Um dos objetos mais belos e inesperados da exposição é um leque com ilustrações de orquídeas, pintado por um artista samurai do século 19.

"Xógum: A gloriosa saga do Japão", a série da Disney/FX cuja segunda temporada se encontra atualmente em fase de produção, fornece um relato ficcional de um dos pontos mais importantes da história dos samurais.

No século 16, o líder de um dos clãs, Tokugawa Ieyasu (representado na série pelo personagem Yoshii Toranaga), formou um governo tão bem sucedido que durou 250 anos. Com isso, deixou de haver grandes batalhas no Japão e os samurais passaram a assumir novas funções.

Em vez de comandarem no campo de batalha, eles agora administravam o Estado.

"Eles são os ministros, legisladores e coletores de impostos", segundo Buckland. Eles assumiram empregos que atravessavam toda a corte, "chegando a ser guardas dos portões dos castelos".

Mulheres samurais

Durante o novo regime, conhecido como Xogunato de Tokugawa, as famílias dos Daimyos (os lordes regionais japoneses) foram levadas a viver na sua base de poder, a cidade de Edo (atual Tóquio).

"Eles são mantidos meio que reféns, próximos do Xógum, de forma que ele conseguisse manter a vigilância sobre eles", explica Buckland. Ou seja, era uma forma de exigir obediência e lealdade dos samurais.

"Você não pode conspirar nas diferentes regiões se a sua esposa e seu herdeiro estiverem em Edo, pois você poderia perder o acesso a eles ou eles poderiam ser executados."

O resultado foi o aumento da importância do papel das mulheres nos círculos samurais, segundo Buckland.

"As mulheres administram a casa enquanto seus maridos ficam ausentes com frequência", segundo ela. "E, se você for um samurai de alta patente, poderá ter 40 ou 50 pessoas na sua casa. É como administrar um pequeno negócio."

Além de supervisionar os funcionários e os comerciantes, elas também gerenciavam a educação das crianças e recebiam convidados com os rituais e procedimentos necessários.

Diversos objetos da exposição do Museu Britânico contam a história de vida dessas mulheres samurais, como vestidos, manuais de etiqueta e acessórios.

Objetos como este opulento traje de bombeiro feminino contam a história de vida das mulheres samurais — Foto: John Bigelow Taylor/Coleção John C. Weber via BBC
Objetos como este opulento traje de bombeiro feminino contam a história de vida das mulheres samurais — Foto: John Bigelow Taylor/Coleção John C. Weber via BBC

Durante o Xogunato de Tokugawa, peças, poemas e obras de arte representavam cada vez mais os lendários samurais do passado, destacando seu heroísmo, valor e lealdade. As virtudes mais divulgadas eram as dos homens, mas alguns também falavam das mulheres guerreiras samurais.

Uma impressão ukiyo-e de 1852 mostra uma dessas mulheres: Tomoe Gozen, esposa de um general do clã Minamoto.

Ela mostra Gozen na batalha de Awazu, em 1184. Conta-se que ela encontrou o temido guerreiro Hachirō Morishige, o derrubou do seu cavalo e arrancou sua cabeça com as próprias mãos.

Queda e renascimento

Durante a era Meiji (1868-1912), o Japão abriu suas fronteiras para o comércio internacional e começou a modernizar sua indústria e suas instituições sociais e militares.

Uma das mudanças foi a abolição oficial da classe dos samurais, em 1869. Foi outro ponto fundamental da sua história.

"Naquele momento, a imagem do samurai se transforma em pura ficção", segundo Buckland. "Ele é rejeitado por cerca de 25 anos, mas a nostalgia toma forma e sua imagem é revisitada."

Fora do Japão, uma nova fascinação pelos samurais levou à popularidade de livros como "Bushido: Alma de samurai" (Ed. Tahyu, 2005), escrito pela quaker japonesa Nitobe Inazō, moradora da Califórnia, nos Estados Unidos.

"O livro foi muito lido", conta Buckland. "O presidente americano Theodore Roosevelt [1858-1919] comprou diversas cópias para presentear os seus amigos."

"Ele foi usado para explicar o sucesso do Japão, que havia vencido recentemente a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-1895) e, em seguida, derrotou a Rússia."

No Japão, ao longo do século 20, uma imagem distorcida dos samurais foi manipulada com diferentes propósitos, como propaganda militar e símbolo nacional.

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os contos dos samurais renasceram novamente — desta vez, como tema de filmes.

O mais famoso dos diretores responsáveis por estas obras foi Akira Kurosawa (1910-1998). Seu talento para contar histórias de forma visual e lidar com sequências de ação influenciou decisivamente o cinema americano.

Seu filme "Os sete samurais" (1954) foi reinventado como "Sete homens e um destino" (1960 e 2016), enquanto "Yojimbo: O guarda-costas" (1961) inspirou "Por um punhado de dólares" (1964).

Em 2018, uma enquete realizada pela BBC elegeu "Os sete samurais" como o melhor filme em língua não inglesa de todos os tempos.

Posteriormente, Hollywood chegou a produzir seus próprios filmes sobre o tema, como "O último samurai" (2003) e "47 ronins" (2013).

E a popularidade de tudo o que se refere aos samurais foi reafirmada mais recentemente pelo sucesso da série "Xógum: A gloriosa saga do Japão, baseada em um romance de 1975 do escritor inglês James Clavell (1921-1994)".

Muitos dos figurinos do filme original de 'Star wars/Guerra nas estrelas', incluindo o de Darth Vader, foram inspirados nas armaduras dos samurais. — Foto: Divulgação/Lucasfilm via BBC
Muitos dos figurinos do filme original de 'Star wars/Guerra nas estrelas', incluindo o de Darth Vader, foram inspirados nas armaduras dos samurais. — Foto: Divulgação/Lucasfilm via BBC

A exposição mostra que o filme original de "Star Wars, uma nova esperança" (1977), foi inspirado em "A fortaleza escondida" (1958), de Kurosawa.

E muitos dos figurinos do filme sofreram influência das armaduras dos samurais. O mais simbólico é o de Darth Vader, em exibição na sala final da exposição.

A verdadeira história dos samurais é de evolução e adaptação, desde suas origens como mercenários medievais até sua posição posterior de burocratas gentrificados e patronos das artes.

Mas sua lenda comprovou ser uma fonte permanente de intrigas e fascínio, mantida viva ao longo das décadas nas artes, no cinema, nos videogames e na literatura.

E, em relação à exposição no Museu Britânico, Buckland espera "que as pessoas se inspirem para criar novas representações dos samurais".

A exposição Samurai está em cartaz no Museu Britânico, em Londres, até o dia 4 de maio.

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