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domingo, 2 de agosto de 2026

À CNN, embaixador do Japão chama Brasil de potência mundial de terras raras

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Yasushi Noguchi também falou sobre o envelhecimento da população japonesa, imigração de brasileiros ao país e investimentos em tecnologia e segurança de Tóquio
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Da CNN Brasil, São Paulo
02/08/26 às 13:00 | Atualizado 02/08/26 às 13:10
Postado em 02 de Agosto de 2.026 às 13h40m

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O embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi, disse à CNN Brasil em uma entrevista exclusiva com o âncora Márcio Gomes que o país é uma potência mundial em terras raras e minerais críticos e destacou o interesse japonês em parcerias comerciais.

O verme-do-diabo é o animal que vive no lugar mais profundo da Terra — e ele está redefinindo os limites da vida

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A descoberta de um verme nas profundezas da crosta da Terra deu início a uma série de eventos extraordinários que transformaram nosso conhecimento da vida nas profundezas do planeta.
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TOPO
Por BBC

Postado em 02 de Agosto de 2.026 às 11h30m

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Esta imagem microscópica mostra a ponta afilada de um verme-do-diabo. — Foto: Gaetan Borgonie et al, Nature, 2011 via BBC
Esta imagem microscópica mostra a ponta afilada de um verme-do-diabo. — Foto: Gaetan Borgonie et al, Nature, 2011 via BBC

Se pudéssemos perfurar o solo abaixo de nós e descer pela crosta da Terra, ficaríamos rapidamente desconfortáveis.

À medida que a luz do Sol desaparece e nos aproximamos um pouco mais do núcleo fundido do planeta, a temperatura e a pressão aumentam, e as águas subterrâneas mais profundas preenchem buracos e rachaduras nas rochas.

Ao atingir profundidades tórridas como 1,3 km abaixo da superfície, é fácil acreditar que nada pode viver ali embaixo. Mas, com um pouco de sorte, é possível ver bilhões e bilhões de bactérias, às vezes formando camadas brilhantes, brancas ou alaranjadas.

E, se pudermos levar um microscópio, talvez encontremos até mesmo um minúsculo verme que usa pequenos apêndices na sua boca para se erguer ao longo das rochas.

Estamos falando do Halicephalobus mephisto, conhecido como verme-do-diabo, rondando em busca de micróbios.

➡️ O animal é minúsculo. Seu comprimento tem apenas a largura de alguns fios de cabelo humanos. Mas ele parece uma baleia neste ecossistema liliputiano.

Os cientistas imaginam que, quando o verme-do-diabo morre naquele filme microbiano gosmento que cresce sobre a rocha, seu corpo provavelmente seja consumido por bactérias e outras formas de vida, ajudando a alimentar este estranho ciclo de vida ancestral.

Até a década de 1980, a maioria dos biólogos não acreditava que existisse vida a mais de 30 cm abaixo da superfície. Mas a descoberta do verme-do-diabo, em 2011, mudou radicalmente nosso conhecimento das profundezas da Terra.

A história deste verme demonstra como a vida, mesmo a vida animal, encontra um caminho, sem a energia solar ou uma atmosfera rica em oxigênio, para expandir radicalmente os ambientes que possibilitam o desenvolvimento dos seres vivos, despertando novas ideias sobre as origens e o futuro da vida.

"Se você consegue encontrar um verme lá embaixo, o que ainda falta descobrir?", questiona a geomicrobióloga Karen Lloyd, da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. "As possibilidades são imensas".

Graças a uma série extraordinária de felizes acontecimentos, os cientistas conseguiram gerar filhotes daquele único verme-do-diabo e vêm estudando avidamente seus descendentes para compreender como aquela espécie sobrevive nas quentes e escuras profundezas da Terra.

Entrando na biosfera profunda

Muitos cientistas duvidavam que pudesse haver vermes nas profundezas da crosta terrestre. — Foto: Gaetan Borgonie/ Extreme Life Isyensya via BBC
Muitos cientistas duvidavam que pudesse haver vermes nas profundezas da crosta terrestre. — Foto: Gaetan Borgonie/ Extreme Life Isyensya via BBC

Os primeiros relatos convincentes de vida nas profundezas da crosta terrestre surgiram nos anos 1990. Em 1997, por exemplo, foram encontradas bactérias a 2,8 km de profundidade, dentro de um poço de extração de gás.

No início dos anos 2000, o biólogo especializado em vermes Gaetan Borgonie, fundador do instituto de pesquisa sem fins lucrativos Extreme Life Isyensya, na Bélgica, relembra que cientistas mais velhos ridicularizavam a ideia de que algo mais complexo pudesse existir nas profundezas da Terra.

Borgonie acreditava que um grupo de pequenos vermes chamados nematoides poderia viver nas profundezas da crosta terrestre. Não era uma ideia atraente. Mas, conhecendo a resistência daqueles pequenos animais, Borgonie achou que valia a pena examinar a questão.

Em 2008, ele se reuniu com outros especialistas na vida em ambientes extremos para visitar a mina de ouro Beatrix, na África do Sul. A 1,3 km de profundidade, eles tiveram acesso a buracos perfurados nas paredes da mina para canalizar a água de dentro da rocha, a cerca de 37 °C, em direção a filtros projetados para capturar pequenas formas de vida, relembra Borgonie.

E, após filtrar mais de 6 mil litros de água, eles capturaram um verme minúsculo.

Em duas outras minas sul-africanas, eles filtraram quantidades ainda maiores de água. Em uma delas, foram mais de 12 milhões de litros. Os cientistas encontraram diversas espécies de nematoides, além de outros invertebrados, fungos e várias formas de vida microscópicas.

"Nunca esperei encontrar um zoológico inteiro", relembra Borgonie.

A maior parte das espécies também é encontrada na superfície. Mas o verme da mina Beatrix era novo para a ciência e recebeu, em 2011, o nome de Halicephalobus mephisto. O animal teve a cauda quebrada no processo de filtragem, o que é uma sentença de morte para o nematoide.

Mas, felizmente, o indivíduo era uma fêmea partenogênica, ou seja, ela podia se reproduzir sozinha, sem necessidade de acasalar. E depositou oito ovos viáveis antes de morrer. "Tivemos muita, muita sorte", afirma Borgonie. Ele nunca mais encontrou outro verme-do-diabo.

Alguns dos descendentes dos vermes acabaram no laboratório do pesquisador genômico John Bracht, da Universidade Americana, em Washington DC (Estados Unidos).

Ele os criou em placas de Petri sob condições similares a um dos primos do verme-do-diabo, Caenorhabditis elegans, uma espécie de nematoide que vive em frutas em decomposição e já foi intensamente estudado.

Existem algumas diferenças entre as duas espécies. O verme-do-diabo não nada na água; ele se agarra aos lados de um tubo de plástico, uma capacidade que provavelmente o ajuda a se fixar às rochas subterrâneas.

Evidentemente, o verme-do-diabo também não aprecia o alimento do Caenorhabditis elegans, que é a bactéria E. coli. Ele prefere outras espécies que formam colônias nas placas. E é importante observar que o verme-do-diabo não se dá bem à temperatura ambiente. A 20 °C, seu crescimento diminui e ele leva oito dias para completar seu ciclo de vida.

O animal prefere temperaturas de 37 °C, que normalmente são fatais para o C. elegans, mas permitem que o verme-do-diabo se reproduza alegremente a cada dois dias.

Adaptações para maior resiliência

Estudar uma espécie examinando apenas os descendentes de um único indivíduo é um desafio, especialmente quando eles ficam longe do seu habitat natural por tanto tempo.

Mas Bracht encontrou indicações de como o verme sobrevive nas profundezas da crosta terrestre. Ele e seus colegas sequenciaram o DNA do verme-do-diabo em 2019.

Os cientistas encontraram números incomumente altos de genes produtores de proteínas de choque térmico — moléculas que protegem outras proteínas contra lesões causadas por temperaturas extremas.

Mais recentemente, em 2024, a equipe de Bracht examinou outra molécula chamada citocromo c oxidase, que é importante para o consumo de oxigênio para a manutenção da vida.

Com uma série de experimentos, Bracht descobriu que a citocromo c oxidase do verme-do-diabo só funciona sob altas temperaturas.

À temperatura ambiente, a molécula se desliga, reduzindo a geração de energia. Isso explica por que os vermes são tão letárgicos nessas condições.

Bracht acredita que o desligamento possa ser uma tática de sobrevivência.

"Eles estão garantindo que irão se reproduzir mais no ambiente melhor, mais quente", explica ele.

O pesquisador estuda atualmente se a reprodução partenogênica do verme-do-diabo também é um instrumento de sobrevivência.

Bracht especula que talvez existam vermes-do-diabo machos que ainda não foram encontrados. Eles permitiriam a reprodução sexuada quando os indivíduos se encontram.

Mas, como os animais podem não encontrar com frequência outros da sua espécie na vastidão do mundo subterrâneo, este tipo de reprodução assexuada, às vezes, pode ser sua única forma de gerar descendentes.

De qualquer forma, os vermes demonstram sua capacidade de adaptação.

Acredita-se que a reprodução assexuada tenha um custo, pois ela não cria a diversidade genética saudável que resulta da mistura de material genético quando machos e fêmeas se acasalam. É por isso que muitos cientistas consideram que as espécies que se reproduzem assexuadamente estão condenadas à extinção.

"Em qualquer lugar onde você encontrar uma fonte de alimento e houver a possibilidade de animais chegarem até lá, os nematoides irão evoluir para ocupar aquele nicho."

Como o verme-do-diabo chegou tão fundo

Como estas formas de vida chegaram até ali é um mistério.

As pesquisas de Borgonie e da geobióloga Cara Magnabosco, do Instituto Federal de Tecnologia (ETH, na sigla em alemão) de Zurique, na Suíça, indicam que pelo menos alguns nematoides se movem da superfície para regiões mais profundas pela água, talvez com o auxílio dos tremores da atividade sismológica.Ao todo, Magnabosco e outros estimam que os micróbios da biosfera profunda representam uma parcela considerável da vida no planeta, respondendo por 12% a 20% da biomassa total dos micróbios da Terra.

Já em relação às bactérias, muitas delas podem estar nas profundezas há muito mais tempo.

Um estudo de 2021 da geomicrobióloga Maggie Lau e seus colegas do Instituto de Engenharia e Ciências do Mar Profundo, na China, descobriram que a bactéria Desulforudis audaxviator encontrada nas profundezas da Terra em três continentes é geneticamente quase idêntica, mesmo sem nunca ter sido identificada na superfície.

Ela e seus colegas calculam que a bactéria pode estar na crosta da Terra desde a fragmentação do supercontinente Pangeia, que começou cerca de 165 milhões de anos atrás, quando os dinossauros dominavam o mundo.

O estudo da biosfera das profundezas poderá nos ajudar a compreender melhor em que condições surgiram os primeiros seres vivos, segundo os especialistas.

E, se um asteroide mortal atingir a Terra e esterilizar sua superfície, a vida poderá surgir novamente das criaturas que habitam as profundezas do planeta.

"Como seres humanos, achamos que governamos o mundo, mas não é verdade", destaca a cientista ambiental Esta van Heerden, da empresa sul-africana de biorremediação iWater. Ela fez parte da equipe que descobriu o verme-do-diabo.

"Para mim, foi uma extrema lição de humildade compreender que eles estão aqui há milhões, talvez bilhões de anos e permanecerão por muito mais tempo que nós."

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Imprensa do Irã nega fala de Trump de que regime pediu suspensão de ataques

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Presidente americano afirmou em suas redes que Teerã pediu uma pausa no conflito e que acordo por abertura completa do Estreito de Ormuz teria sido realizado
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Tim Lister, da CNN
02/08/26 às 09:57 | Atualizado 02/08/26 às 09:58
Postado em 02 de Agosto de 2.026 às 10h20m

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Veículos de imprensa iranianos reagiram com euforia e escárnio após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, no final do sábado (1°), de que suspenderia novos ataques contra o Irã.

"Acabamos de receber um pedido do Irã e de outros países do Oriente Médio para suspender qualquer ataque, visto que os parâmetros de um acordo foram acertados", disse Trump em uma publicação nas redes sociais. "Isso incluiria a ABERTURA imediata, completa e total do ESTREITO DE ORMUZ."

A mídia estatal iraniana não deu qualquer indicação de que o país tivesse solicitado o cancelamento dos ataques ou de que a posição de Teerã sobre o Estreito de Ormuz tivesse mudado. O Irã tem insistido em desempenhar um papel na gestão do tráfego através do estreito.

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Em vez disso, a mídia iraniana alegou que foi Trump quem recuou dos ataques.

"Trump, o tolo, ficou sem fôlego!", publicou a agência de notícias semioficial Fars.

"A montanha dos americanos pariu um rato mais uma vez", disse Morteza Semiari, comentarista político em Teerã, citando um provérbio persa.

Trump "recuou de suas posições mais uma vez, após cerca de uma semana de bravatas e ameaças contra o Irã, alegando que um acordo estava próximo", afirmou o KayhanOnline, veículo dirigido pelo Líder Supremo do Irã.

A agência semioficial Mehr, também vista como representante das opiniões do Líder Supremo, negou que Teerã tenha pedido a suspensão dos ataques, declarando: "Trump recuou mais uma vez de suas ameaças vazias e apresentou seu recuo ao mundo como um favor."

"Quer ele continue sua agressão ou recue, nossas forças permanecem no mais alto nível de prontidão e preparadas para qualquer possibilidade", acrescentou a Mehr em outra publicação.

Várias agências de notícias iranianas repercutiram reportagens recentes da mídia ocidental, incluindo a CNN, sobre a crescente escassez de mísseis de defesa aérea dos EUA — fator que teria sido "um dos principais motivos da decisão de Donald Trump de suspender o ataque ao Irã", segundo a agência de notícias semioficial Tasnim.

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sábado, 1 de agosto de 2026

Embraer vive 'oportunidade rara' para desafiar Airbus e Boeing, diz The Economist

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Artigo publicado pela revista britânica destaca que fabricante brasileira de aviões tem vivido "anos extraordinários", o que gera especulação que pode disputar no me aviões maiores.
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TOPO
Por BBC
01/08/2026 04h00 
Postado em 01 de Agosto de 2.026 às 06h00m

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Embraer é a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo — Foto: Divulgação/Embraer via BBC
Embraer é a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo — Foto: Divulgação/Embraer via BBC

Embraer — fabricante brasileira de aviões — vive um momento que pode representar sua melhor oportunidade em décadas para desafiar o domínio de Airbus e Boeing no mercado global de aviação comercial, avalia a revista britânica The Economist.

Em artigo publicado na quinta-feira (30/7), a revista afirma que, embora tenha apenas uma fração do tamanho das duas gigantes da aviação, a empresa brasileira "tem vivido alguns anos extraordinários" — o que tem levado analistas a especular que a fabricante possa disputar o mercado de aviões maiores.

"A demanda cresce não apenas por seus aviões comerciais de menor porte, mas também pelos jatos executivos e militares que fabrica", escreve a The Economist.

Números citados pela publicação mostram que Embraer entregou 141 aeronaves em 2021 e pode chegar a 255 neste ano. Em julho, a empresa anunciou uma carteira recorde de pedidos de US$ 34,5 bilhões.

Além disso, desde o início de 2021, as ações da companhia se valorizaram cerca de dez vezes, desempenho muito superior ao de Airbus e Boeing. E, segundo Francisco Gomes Neto, presidente da empresa, ainda há espaço para "um crescimento substancial" nos próximos anos.

Embraer é beneficiada por diversos "ventos favoráveis", afirma a revista. Entre eles estão os atrasos nas entregas de Airbus e Boeing — que acumulam cerca de 16 mil encomendas e prazos de espera de até dez anos para alguns modelos —, o aumento da procura por voos diretos entre aeroportos menores e a expansão do mercado de jatos executivos e militares.

Segundo a publicação, esse contexto abre caminho para um passo mais ambicioso: desenvolver um jato executivo de grande porte.

"Um passo ainda mais ousado — e arriscado — seria lançar um avião comercial maior para competir diretamente com Airbus e Boeing, que devem apresentar substitutos para seus principais modelos de corredor único apenas no fim da década de 2030", acrescenta.

A revista observa que, como as aeronaves atuais continuam vendendo bem, as duas gigantes têm poucos incentivos para fazer grandes investimentos no curto prazo, o que poderia abrir uma oportunidade rara para a Embraer.

Nova versão do jato Phenom 300, da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer
Nova versão do jato Phenom 300, da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer

Ao mesmo tempo, pondera que "romper esse duopólio seria um desafio enorme".

O texto lembra a tentativa fracassada da canadense Bombardier e o fato de que o presidente da Airbus, Guillaume Faury, já alertou a Embraer para "pensar duas vezes" antes de seguir esse caminho.

Em contrapartida, avalia que uma iniciativa desse tipo levaria a fabricante brasileira "a outro patamar".

"Talvez a empresa nunca mais tenha uma oportunidade tão favorável para aproveitar sua experiência no desenvolvimento e comercialização de aviões comerciais."

Apesar disso, a The Economist destaca que a decisão divide opiniões dentro da própria Embraer e exigiria parceiros para financiar um projeto estimado em cerca de US$ 10 bilhões.

Enquanto isso, Gomes Neto afirma que a companhia está "muito confortável com a situação que temos hoje".

A origem da Embraer

Embraer é hoje a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo, atrás da Boeing e da Airbus, e líder mundial no segmento de aeronaves até 150 assentos.

Com sede em São José dos Campos (SP), fabrica aviões militares, comerciais, executivos e agrícolas. De acordo com a empresa, em toda a sua história já produziu e entregou mais de 9 mil aeronaves para mais de 100 países.

A empresa foi fundada em 1969, com o apoio do governo brasileiro, após décadas de esforços privados e governamentais para desenvolver uma indústria aeronáutica competitiva no Brasil.

Além de criar um setor industrial de alta tecnologia, havia o objetivo de facilitar a conexão de diferentes partes do país.

Fundada em 1969 e com sede em São José dos Campos (SP), a Embraer fabrica aviões militares, comerciais, executivos e agrícolas — Foto: Getty images
Fundada em 1969 e com sede em São José dos Campos (SP), a Embraer fabrica aviões militares, comerciais, executivos e agrícolas — Foto: Getty images

As origens da então chamada Empresa Brasileira de Aeronáutica estão ligadas ao Centro Técnico Aeroespacial (CTAe ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Foram técnicos formados pelo instituto que, em 1965, começaram a trabalhar em um projeto liderado pelo engenheiro aeronáutico e então major da Força Aérea Brasileira (FAB) Ozires Silva.

O projeto envolvia um avião bimotor turboélice com capacidade para cerca de 20 passageiros. Um protótipo da aeronave, batizada de Bandeirante, fez seu primeiro voo em 1968.

O Bandeirante tinha entre suas vantagens a capacidade de operar em pistas curtas e não pavimentadas, chegando a aeroportos menores, que não tinham estrutura para receber jatos de grande porte. Assim, poderia conectar regiões mais isoladas, impulsionando a aviação regional e a integração do país.

Foi nesse contexto que, em 19 de agosto de 1969, nasceu a Embraer, criada para a produção em série do Bandeirante — inicialmente desenvolvido pelo CTA — e tendo Ozires Silva como presidente.

A partir de 1970 e ao longo daquela década, outras aeronaves desenvolvidas pela empresa ganharam destaque, entre elas o monomotor EMB-200 Ipanema, para pulverização agrícola.

Bandeirante é um avião bimotor turboélice com capacidade para cerca de 20 passageiros — Foto: André Luís Rosa/TV Vanguarda
Bandeirante é um avião bimotor turboélice com capacidade para cerca de 20 passageiros — Foto: André Luís Rosa/TV Vanguarda

Altos e baixos

Ao longo de sua trajetória, a Embraer enfrentou altos e baixos. A empresa quase chegou à falência em meio à crise financeira do final da década de 1980.

"Um período mais intenso de turbulência financeira marcou o início da década de 1990 e levou à privatização da Embraer em dezembro de 1994", lembrou a empresa no ano passado, ao comemorar seus 55 anos.

Embraer foi privatizada no fim do governo do presidente Itamar Franco, depois de um longo processo, por R$ 154,1 milhões (em valores da época).

O acordo de privatização garantiu ao governo brasileiro a chamada golden share, ação preferencial que dá direito a veto a decisões estratégicas, como a transferência de controle acionário — e que permanece em vigor.

Entre os projetos que impulsionaram a recuperação após a reestruturação está o do ERJ-145, jato comercial para até 50 passageiros, além de outros modelos da mesma família.

Também teve papel importante o programa de E-jets de aviões comerciais, focado no segmento de 70 a 120 assentos.

No início dos anos 2000, a Embraer estava entre os maiores exportadores do Brasil.

Modelo da Embraer será incorporado à frota da companhia Latam a partir do último trimestre de 2026 — Foto: Embraer
Modelo da Embraer será incorporado à frota da companhia Latam a partir do último trimestre de 2026 — Foto: Embraer

A empresa diz que a expansão global "acompanhou uma estratégia de diversificação" e destaca a criação da divisão de aviação executiva — com o lançamento dos jatos da família Legacy 600/650, Phenom 100, Phenom 300, Lineage 1000, e Legacy 450/500, além do EMB-314 Super Tucano na área de defesa.

O processo de internacionalização ganhou força a partir de 2010, incluindo atividades industriais nos EUA, em Portugal e no México. Também nessa década, foram lançados produtos como os E-Jets de segunda geração, os jatos executivos Praetor 500 e Praetor 600 e o C-390.

Em 2018, foi anunciada a aprovação dos termos de uma parceria entre a Embraer e a gigante americana Boeing. Pelo acordo, seria criada uma nova empresa de aviação comercial, com participação de 80% da Boeing e 20% da Embraer.

A americana pagaria US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 16,4 bilhões na épocapela compra. Com a parceria, a Boeing ganharia vantagens no segmento de aeronaves de médio e pequeno porte, para voos regionais, no qual a Embraer é líder.

A empresa brasileira considerou a rescisão indevida e disse que a americana havia fabricado "falsas alegações como pretexto para tentar evitar seus compromissos".

O fracasso da parceria com a Boeing ocorreu em meio à pandemia de covid-19 e ao subsequente encolhimento no mercado de aviões civis, com restrições e proibições de viagens.

*Com informações de Alessandra Corrêa.

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