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sábado, 20 de junho de 2026

Tarifaço de Trump: empresas dos EUA afirmam que Brasil é insubstituível e tentam barrar taxa de 25%

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Antes de audiência pública, companhias dos setores de mineração, madeira, construção e educação solicitaram isenções, argumentando que dependem de insumos vindos do mercado brasileiro.
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Por Micaela Santos, g1 — São Paulo

Postado em 20 de Junho de 2.026 às 07h00m
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Tarifa dos EUA contra Brasil é marcada por vaivém
Tarifa dos EUA contra Brasil é marcada por vaivém

Extraídas de minas brasileiras, pedras naturais como ametistas, ágatas e quartzos percorrem milhares de quilômetros até chegar aos Estados Unidos, onde são transformadas em itens de decoração, presentes e lembranças vendidos por atacadistas e varejistas.

Esse comércio, no entanto, pode ser afetado pela proposta do governo americano de novamente impor uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros.

Por isso, até mesmo empresas americanas que dependem dessas importações passaram a pressionar Washington para retirar os produtos brasileiros da lista de sobretaxas. Elas argumentam que não há fornecedores em outros países capazes de substituir o Brasil em termos de qualidade, escala de produção e preço.

Entre essas empresas está a GeoCentral, atacadista sediada em Mason, no estado de Ohio, especializada em pedras, cristais e fósseis.

A companhia, controlada desde 2008 pela holding familiar CM Paula, pediu formalmente ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que as pedras semipreciosas brasileiras sejam incluídas na lista de produtos isentos da medida.

Segundo a empresa, mais de 25% de todo o seu portfólio é importado do Brasil de estados como Minas Gerais e Rio Grande so Sul, incluindo a maior parte das pedras preciosas e semipreciosas comercializadas em diferentes formatos, de cristais soltos a produtos prontos para o varejo.

A GeoCentral não está sozinha. Ao menos outras 11 empresas e entidades setoriais enviaram manifestações ao USTR contestando a proposta de sobretaxa sobre mercadorias brasileiras.

Destas, pelo menos nove são companhias americanas. Em comum, elas afirmam que a medida aumentará custos, prejudicará suas operações e reduzirá a competitividade da indústria dos EUA.

‘Não existem alternativas equivalentes’

Minarais comercilizados pela GeoCentral: empresa pediu a inclusão de pedras naturais na lista de isenção do governo dos EUA — Foto: Divulgação
Minarais comercilizados pela GeoCentral: empresa pediu a inclusão de pedras naturais na lista de isenção do governo dos EUA — Foto: Divulgação

Em entrevista ao g1, o CEO da CM Paula, George White, afirmou que a empresa compra produtos brasileiros por necessidade, e não apenas por preferência.

Nós não compramos do Brasil simplesmente porque queremos. Compramos porque o país oferece a melhor combinação de qualidade e custo disponível no mundo.

Em 2025, as exportações brasileiras da categoria de pérolas e pedras preciosas ou semipreciosas, brutas ou trabalhadas, somaram cerca de US$ 45,6 milhões para os EUA. Quando se incluem joias e outros artigos de matérias preciosas ou semipreciosas, o valor supera US$ 71,8 milhões.

Segundo White, o Brasil possui uma infraestrutura mineradora difícil de ser replicada por outros países, com capacidade para extrair, cortar, polir e preparar pedras para comercialização em larga escala. Simplesmente não existem alternativas equivalentes em outros lugares, afirmou.

Em sua manifestação ao USTR, a CM Paula informou que cerca de 120 produtos comercializados pela GeoCentral seriam afetados pela tarifa e argumentou que eles não estão disponíveis em fontes alternativas com preços razoáveis, qualidade semelhante ou quantidade suficiente fora do Brasil.

Pedra ágata, importada do Brasil e vendida pela GeoCentral nos EUA — Foto: Divulgação
Pedra ágata, importada do Brasil e vendida pela GeoCentral nos EUA — Foto: Divulgação

Histórico de tarifas já afetou a empresa

White afirma que a empresa já sofreu impactos relevantes com o aumento das tarifas impostas anteriormente sobre importações brasileiras. Segundo o executivo, as sobretaxas obrigaram a companhia a reduzir despesas, demitir funcionários, diminuir investimentos em marketing e elevar preços praticados no atacado.

Parte desses valores começou a ser devolvida após decisões da Justiça americana que questionaram a legalidade de tarifas impostas pelo governo dos EUA com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Com isso, várias cobranças foram suspensas ou passaram a ser questionadas judicialmente.

No Brasil, as sobretaxas impostas pelos EUA chegaram a 50% sobre parte dos produtos exportados em 2025.

Em 20 de novembro de 2025, porém, o presidente Donald Trump assinou um decreto que retirou a tarifa adicional de 40% aplicada a dezenas de produtos agrícolas e pecuários brasileiros, antes mesmo da decisão definitiva da Justiça americana sobre a legalidade das cobranças.

Posteriormente, após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegais parte dessas sobretaxas, o governo americano passou a utilizar outros instrumentos legais para sustentar algumas cobranças, incluindo uma tarifa global de 10% sobre as importações.

Essa medida também foi contestada judicialmente, mas um tribunal federal de apelações decidiu mantê-la temporariamente em vigor enquanto analisa o recurso do governo.

De acordo com White, a empresa já recuperou cerca de 10% dos valores devidos e espera receber o restante até o fim deste ano ou no início do próximo. Ao todo, a companhia já apresentou 117 pedidos de restituição relacionados a importações provenientes do Brasil e da China.

Mesmo que a tarifa adicional de 25% seja implementada, a GeoCentral afirma que continuará comprando produtos brasileiros.

Continuaremos importando do Brasil. A única diferença é que teremos de arcar com custos maiores por causa das tarifas, disse White. Segundo o executivo, a companhia ainda não encontrou em outros países fornecedores capazes de substituir as pedras brasileiras. 
Empresas americanas recorrem ao USTR

A mobilização das empresas americanas ocorre após o USTR concluir uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que oneram ou restringemo comércio com os EUA, citando temas como o PIX, o combate ao desmatamento ilegal, a pirataria e a aplicação das leis anticorrupção.

Com base no relatório, o órgão propôs uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros e abriu uma consulta pública para receber manifestações de empresas, associações e demais interessados.

O processo será concluído com uma audiência marcada para 6 de julho, quando representantes dos setores afetados poderão apresentar ao governo americano os impactos da medida.

  • 🔎 O número de empresas protestando só não é maior porque a proposta prevê uma longa lista de exceções. Devem ficar de fora da sobretaxa materiais informativos, doações e uma lista específica de produtos, que inclui itens como café, chá, determinadas carnes, frutas, minerais, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, além de palha e forragem. (veja a lista completa aqui)

Nas manifestações enviadas ao USTR, empresas dos setores de pisos, construção, mineração, educação e habitação sustentam que muitos produtos brasileiros não têm substitutos equivalentes no mercado americano e alertam que a tarifa aumentaria os custos para empresas e consumidores dos próprios EUA, sem fortalecer a produção doméstica.

O g1 localizou algumas delas nos pedidos de participação nas audiências públicas da investigação.

  • 🪵The Fantastic Floor: empresa do estado de Washington e especializada em pisos de madeira pediu a exclusão de espécies brasileiras como jatobá e cumaru da tarifa. Segundo a companhia, essas madeiras são nativas da América do Sul e não estão disponíveis comercialmente nos EUA.
  • 🪵Artivo Surfaces: importadora e distribuidora americana de revestimentos e pisos de madeira. Em manifestação ao USTR, afirmou que as madeiras brasileiras precisam ser processadas ainda na origem para preservar sua qualidade e que a sobretaxa não estimularia a produção doméstica. Aumentar a tarifa não beneficiará os fabricantes ou consumidores dos EUA, porque as matérias-primas são naturalmente indisponíveis e a qualidade do produto não pode ser replicada, disse.
  • 🪵Strong Flooring Solutions: empresa do setor de pisos que argumentou que não existem espécies americanas capazes de reproduzir a aparência das madeiras brasileiras. Para a companhia, consumidores interessados nesse tipo de produto não migrariam para alternativas nacionais simplesmente porque não há opção disponível.
  • 🪵Wood Timber Import: importadora de produtos de madeira que destacou a importância de molduras e componentes de construção fabricados no Brasil para o mercado imobiliário americano. Segundo a empresa, a produção doméstica não consegue atender à demanda em volume e qualidade suficientes, e novas tarifas apenas elevariam os custos dos projetos.
  • 💎JKG Inc. (Jessie Kan Granite): empresa americana distribuidora de placas de granito, mármore e quartzo, afirmou que os materiais brasileiros possuem características geológicas únicas. Em sua manifestação, alertou que a medida apenas encareceria obras e produtos finais: “Adicionar tarifas sobre pedras naturais do Brasil servirá apenas para elevar os custos de construção e aumentar os custos para os consumidores finais”.
  • 🏠Legacy Roots Housing Initiative (LRHI): organização voltada ao desenvolvimento de moradias modulares e projetos de infraestrutura habitacional nos EUA. A entidade afirmou que a tarifa sobre esses componentes criaria barreiras para pequenos incorporadores e atrasaria projetos de habitação.
  • 🦷 Lauria Dental Model: empresa americana que comercializa modelos odontológicos utilizados por universidades e cursos de formação profissional. A companhia pediu a exclusão desses produtos da medida, argumentando que eles são destinados exclusivamente ao ensino, não competem com dispositivos médicos fabricados nos EUA e que a sobretaxa apenas elevaria os custos da educação.

🌱 Entidades setoriais também entraram no debate. A American Seed Trade Association (ASTA), que representa a indústria de sementes dos EUA, pediu participação na audiência pública do USTR e defendeu que sementes para plantio sejam excluídas da tarifa proposta sobre produtos brasileiros.

Segundo a associação, a implementação da nova taxa prejudicaria a competitividade do setor americano e afetaria cadeias globais de suprimento essenciais para a inovação agrícola.

Brasil aposta em negociação antes da decisão final

Após o prazo para envio de manifestações por escrito, que se encerra em 1º de julho, e da audiência pública marcada para 6 de julho, o governo dos EUA deverá analisar as contribuições recebidas antes de tomar a decisão final.

A expectativa é que o processo seja concluído até 15 de julho, data prevista para eventual implementação das novas tarifas.

Segundo o Itamaraty, o Brasil tem atuado em duas frentes para tentar reverter a proposta: a contestação técnica da investigação conduzida pelo USTR e a negociação diplomática com Washington.

O governo brasileiro afirma já ter enviado manifestações formais ao órgão americano e estuda apresentar uma nova contribuição durante o período de consultas.

Em paralelo, o tema pode ganhar espaço na agenda política internacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da cúpula do G7, na França, e o governo brasileiro trabalha com a possibilidade de um encontro com o presidente Donald Trump, embora não haja reunião bilateral oficialmente marcada.

Nos bastidores, a avaliação é que a proposta de sobretaxa de 25% ainda pode ser negociada antes da conclusão do processo conduzido pelo USTR.

Câmara Americana de Comércio intensifica articulação

Ao g1, a Amcham Brasil, entidade que representa empresas e as relações comerciais entre Brasil e EUA, afirmou que acompanha de perto a investigação conduzida pelo governo americano e defende uma saída negociada para o impasse.

A entidade informou que vem mantendo conversas com autoridades brasileiras e americanas sobre o tema. Segundo a Amcham, foi realizada uma reunião em 15 de junho, em São Paulo, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e representantes de cerca de 15 empresas.

No encontro, foram discutidos os possíveis impactos da imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.

A Amcham também disse que participou da consulta pública e da audiência promovidas pelo governo dos EUA e prepara uma nova manifestação à USTR.

O documento deve destacar os efeitos das sobretaxas sobre as cadeias de suprimentos, a produção e o consumo no mercado americano, além do papel do Brasil como fornecedor estratégico e do risco de que esses produtos sejam substituídos por concorrentes de outras regiões, especialmente da Ásia.

"Brasil e Estados Unidos possuem uma relação econômica altamente complementar e estratégica", afirmou a entidade, em nota. Por isso, acrescentou, "segue trabalhando para que eventuais divergências sejam tratadas por meio do diálogo e da cooperação, preservando o comércio, os investimentos e a competitividade das empresas dos dois países".

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Petróleo, inflação e bolsas: os estragos econômicos deixados pela guerra entre EUA e Irã

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Conflito provocou disparada da commodity e uma série de consequências relacionadas. Com o acordo de paz, economistas tentam estimar quando a normalização começará a aparecer.
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Por Isabela Bolzani, Micaela Santos, g1 — São Paulo

Postado em 19 de Junho de 2.026 às 08h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
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Trump e presidente do Irã assinam acordo de paz, que já está em vigor
Trump e presidente do Irã assinam acordo de paz, que já está em vigor

O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã encerra um conflito de quase quatro meses no Oriente Médio. Independentemente das motivações questionáveis do presidente americano, Donald Trump, fato é que a guerra prejudicou a economia global.

A interrupção do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz provocou uma série de problemas. O preço da commodity disparou, os combustíveis e seus derivados pressionaram a inflação em vários países, e as perspectivas futuras para a economia se deterioraram.

Resultado é que os preços subiram para o consumidor, enquanto o mercado financeiro acumulou perdas com a revisão das estratégias de investimento. Nesse cenário, as bolsas de valores caíram e o dólar se fortaleceu.

Agora, com o fim do conflito, economistas tentam estimar quando a economia dará sinais de normalização. O g1 listou os principais efeitos da guerra sobre a economia e as possíveis saídas para a recuperação.

Veja nesta reportagem os principais impactos em:

  • Alta nos preços do petróleo e de combustíveis
  • Alta na inflação dos EUA e queda na popularidade de Trump
  • Os efeitos no Brasil
  • Impactos no mercado financeiro
  • Piora nas projeções de crescimento da economia global
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala durante cerimônia no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., em 10 de junho de 2026. — Foto: Ken Cedeno/AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala durante cerimônia no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., em 10 de junho de 2026. — Foto: Ken Cedeno/A
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Alta nos preços do petróleo e de combustíveis

O conflito foi marcado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo e 25% do gás natural comercializados no mundo. Após o início dos ataques, o preço do barril quase dobrou, passando de cerca de US$ 70 para quase US$ 120.

Analistas chegaram a classificar o episódio como o maior choque petrolífero já registrado, superando as crises de 1973, 1979 e 2022. Para ampliar a oferta da commodity e conter o disparo dos preços, a Agência Internacional de Energia (IEA) realizou a maior liberação emergencial de estoques de sua história.

Ainda assim, a alta do petróleo não foi amortecida o suficiente e pressionou a inflação em diversos países. O impacto atingiu primeiro os combustíveis e seus derivados e, em seguida, se espalhou pelos transportes, pela indústria e até pela produção agrícola:

🛢️ Com o anúncio do acordo de paz nesta semana, o mercado começou a se estabilizar. Nesta quinta-feira (18), o petróleo Brent recuou para US$ 78,33 por barril, aliviando parte das pressões sobre a inflação. No início da manhã de sexta-feira, o petróleo Brent estava cotado a US$ 79,68 por barril, após cancelamento do encontro na Suíça. Ainda assim, está quase US$ 10 mais caro que antes do início do conflito.

Alta na inflação dos EUA e queda na popularidade de Trump

O presidente americano iniciou o segundo mandato prometendo reduzir o custo de vida. Mas, também nos EUA, a alta do petróleo elevou o preço dos combustíveis — um dos itens mais sensíveis para o eleitorado de Trump.

O preço médio do galão de gasolina nos EUA saltou de cerca de US$ 2,98 para mais de US$ 4.

Em maio, a inflação ao consumidor chegou a 4,2% no acumulado em 12 meses, o maior patamar em três anos. O índice se afastou ainda mais da meta de 2% do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

Como o Fed utiliza os juros para controlar a inflação, a instituição manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na reunião de quarta-feira (17), adiando ainda mais a esperada redução nos EUA.

Esse baque econômico provocou uma queda ainda mais acentuada na aprovação de Trump.

  • Em 2025, a aprovação de Donald Trump havia recuado de 42% em abril para 40% em julho, em meio aos efeitos do tarifaço imposto aos parceiros comerciais dos EUA.
  • Com a guerra e uma nova aceleração da inflação, sua popularidade atingiu o pior nível do segundo mandato em abril deste ano, chegando a 34% de aprovação.

Pesquisas da Reuters/Ipsos mostraram que 63% dos americanos desaprovavam o governo, enquanto apenas 36% o aprovavam. Na área econômica, a aprovação era ainda menor, de 27%, o pior resultado da série histórica do instituto.

🛢️ O recuo dos preços da gasolina nas últimas semanas trouxe uma melhora modesta. A aprovação da atuação de Trump no combate ao custo de vida subiu de 22% para 24%, mas o presidente segue bem abaixo dos níveis registrados no início do mandato.

Veja mais na reportagem abaixo:

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que os preços do diesel e da gasolina no Brasil chegaram a acumular altas de 23,6% e 8%, respectivamente, nos últimos meses — e não demorou até que o consumidor sentisse o efeito disso no bolso.

O governo chegou a anunciar um pacote de medidas para conter os preços dos combustíveis nas bombas, mas não conseguiu evitar os impactos sobre o custo do frete, por exemplo — o que gerou um efeito em cadeia e pressionou os preços de diversos itens da cesta de consumo.

  • ➡️ O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, acumula alta de 3,20% no ano até maio. Em 12 meses, o índice avançou 4,72%, acima do teto da meta para 2026, de 4,5%.

Com a pressão sobre os preços e a incerteza provocada pela guerra nos últimos meses, as projeções do mercado financeiro para os juros também pioraram.

O Boletim Focus da última segunda-feira (15) mostra que os economistas do mercado esperam uma taxa Selic de 13,75% ao ano em 2026, um aumento de 0,25 ponto percentual (p.p.) em relação à semana anterior.

  • 🔎 Isso significa que o mercado espera juros elevados por mais tempo, o que deve continuar encarecendo o crédito e pode limitar o consumo das famílias brasileiras.

Entre os principais setores da economia, os efeitos foram variados. De um lado, exportadores de petróleo se beneficiaram com a alta das cotações. Por outro, segmentos dependentes da commodity sentiram o impacto nos preços de derivados.

O resultado é uma pressão generalizada sobre a economia brasileira, com efeitos que vão do bolso do consumidor ao desempenho dos setores produtivos.

Veja os impactos da guerra pelo mundo

As incertezas sobre a duração do conflito e seus impactos na economia global também se refletiram nos mercados de câmbio e de ações ao redor do mundo.

Como costuma ocorrer, o início da guerra trouxe uma valorização do dólar. Isso acontece porque a moeda americana é vista como um dos ativos mais seguros do mundo e costuma ser a preferência dos investidores em momentos de incerteza, como forma de proteger suas aplicações.

No Brasil, o dólar atingiu o maior nível do ano em 13 de março, mês seguinte ao início do conflito, ao ser cotado a R$ 5,3142, impulsionado pela alta do petróleo. Nos meses seguintes, o cenário começou a mudar, à medida que as incertezas iniciais se dissiparam e o mercado passou a ter mais clareza sobre quais países e setores seriam mais impactados pela guerra.

Com isso, investidores reduziram suas posições em dólar e passaram a buscar ativos mais arriscados — movimento que favoreceu o real. No acumulado do ano até quarta-feira (17), a moeda americana registrava desvalorização de 6,94%.

O movimento foi semelhante nos mercados de ações: em um primeiro momento, investidores retiraram recursos de ativos mais arriscados e, depois, passaram a apostar em papéis que poderiam se beneficiar do novo cenário.

  • 🔎 Vale destacar que outros fatores também influenciaram as cotações nos últimos meses, como o tarifaço imposto pelo governo Trump, a política fiscal brasileira, o noticiário corporativo e os dados econômicos do Brasil e dos Estados Unidos.

No acumulado do ano até a última quarta-feira, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, registrava alta de 4,38%.

Piora nas projeções de crescimento da economia global

Antes do conflito entre EUA e Irã, a previsão era de que o crescimento global desacelerasse apenas de forma moderada, com a inflação perdendo força e permitindo um ambiente econômico mais estável.

Com a escalada da guerra, porém, o cenário piorou. O aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas elevou os custos de produção, transporte e energia em diversos países, alimentando a inflação e reduzindo ainda mais as perspectivas de crescimento.

  • O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento da economia mundial em 2026 de cerca de 3,3% para 3,1%, citando os impactos da guerra sobre os preços das commodities, as condições financeiras e a confiança dos investidores;
  • A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) passou a estimar uma desaceleração do crescimento global, de 3,4% em 2025 para 2,8% em 2026. A organização alertou que, caso a crise energética se prolongasse, a expansão global poderia cair para apenas 2,1%, nível associado a períodos de forte desaceleração econômica;
  • Países como Alemanha e França tiveram suas projeções reduzidas devido ao encarecimento da energia, que diminuiu o poder de compra das famílias e aumentou os custos das empresas.

Mesmo com a melhora recente, FMI e OCDE avaliam que a recuperação dependerá da manutenção da estabilidade no Oriente Médio e da normalização do abastecimento global de energia.

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