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sexta-feira, 6 de março de 2026

Como os líderes do Irã planejam sobreviver diante da superioridade militar americana

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Com suas capacidades militares consideradas fortemente reduzidas para lutar contra o poderio superior dos Estados Unidos e Israel, especialistas acreditam que o Irã busca estabelecer uma estratégia para ampliar e prolongar o conflito, aumentando seus custos para os adversários.
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TOPO
Por BBC

Postado em 06 de Março de 2.026 às 06h00m
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A Guarda Revolucionária é um setor dominante das Forças Armadas iranianas — Foto: Getty Images via BBC
A Guarda Revolucionária é um setor dominante das Forças Armadas iranianas — Foto: Getty Images via BBC

Os Estados Unidos e Israel afirmam que seus ataques aéreos conjuntos já causaram danos significativos às instalações militares do Irã.

"Suas defesas aéreas, sua força aérea, marinha e liderança se foram", postou o presidente americano, Donald Trump, na sua plataforma Truth Social na terça-feira (3). "Eles querem conversar. Eu disse: 'Tarde demais!'"

Mas, com Israel e os Estados Unidos considerados militarmente superiores, quais opções teria o Irã nesta guerra? E qual estratégia o país está buscando seguir

Drenagem de recursos

O especialista em segurança do Oriente Médio, H. A. Hellyer, do centro de estudos britânico Instituto Real de Serviços Unidos de Estudos de Defesa e Segurança (Rusi, na sigla em inglês), afirma que o atual objetivo militar do Irã não é vencer os Estados Unidos ou Israel "em uma guerra convencional", mas sim transformar o conflito em um evento "prolongado, regionalmente disperso e economicamente caro".

"O Irã não pode vencer convencionalmente", explica ele, "mas sua estratégia é garantir que a vitória dos demais permaneça cara e incerta."

A professora Nicole Grajewski, do Centro de Estudos Internacionais (Ceri, na sigla em francês) da Universidade Sciences Po, na França, é da mesma opinião.

Ela descreve a estratégia do Irã como "uma guerra de atrito", projetada para desgastar o oponente, drenando seus recursos e infligindo perdas sustentadas, até enfraquecer sua capacidade de luta.

Existe também uma dimensão psicológica.

"Durante a Guerra dos 12 Dias [contra Israel, no ano passado], o Irã se dirigiu muito mais a áreas civis", explica Grajewski.

"A precisão não foi grande preocupação. Isso instila temor psicológico e trauma entre a população."

O inventário de mísseis balísticos do Irã teria sido seriamente afetado durante a Guerra dos 12 Dias, mas "os números exatos permanecem incertos, devido ao armazenamento subterrâneo e aos esforços contínuos de reposição", segundo Grajewski.

Israel calcula que o Irã tivesse cerca de 2,5 mil mísseis em fevereiro de 2026, de curto (até 1 mil km) e médio alcance (1 mil a 3 mil km).

Autoridades iranianas afirmam terem usado sistemas como os mísseis Sejjil, descrito como tendo alcance de cerca de 2 mil km, e Fattah, caracterizado por Teerã como hipersônico, ou seja, muito mais rápido que a velocidade do som.

Casa Branca posta montagem de ataques ao Irã inspirada em videogame com música hypada
Casa Branca posta montagem de ataques ao Irã inspirada em videogame com música hypada

'Cidades de mísseis'

As autoridades e a imprensa iraniana fazem frequentes referências a instalações de mísseis subterrâneas, conhecidas como "cidades de mísseis". Mas os detalhes da sua escala e inventário permanecem sem verificação.

O principal comandante americano, o general Dan Caine, afirma que os lançamentos de mísseis balísticos pelo Irã caíram em 86% desde o primeiro dia de combate, o sábado (28). E o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informa uma queda de mais 23% na terça (3).

Ainda assim, Hellyer afirma que o Irã detém capacidade de ataque significativa para atingir "infraestrutura israelense, bases regionais americanas e aliados do Golfo, além de ameaçar os fluxos globais de energia através do Estreito de Ormuz".

"Mesmo uma paralisação limitada do Estreito pode trazer graves consequências para a economia global", destaca ele.

Cerca de 20% do petróleo do mundo passa através do Estreito. Agora, ele está efetivamente fechado pelo Irã, que prometeu atacar qualquer navio que tente transitar por ali.

O Irã pode enfrentar escassez de mísseis avançados e propelentes sólidos, mas Grajewski afirma que sua capacidade de lançar drones ainda é significativa.

Acredita-se que o país tenha produzido dezenas de milhares de drones de ataque Shahed kamikazes antes da guerra. Seu projeto foi exportado para a Rússia e até os Estados Unidos reproduziram alguns aspectos da sua tecnologia.

Eles também atendem a um objetivo estratégico além dos danos diretos. Eles "desgastam os sistemas de defesa aérea ao longo do tempo", forçando os adversários a gastar mísseis interceptadores de alto custo.

"Parte disso pretende exaurir as capacidades de interceptação", explica Grajewski.

"O Irã vem fazendo isso com UAVs [veículos aéreos não tripulados, na sigla em inglês] e drones. É algo que os russos também têm feito na Ucrânia."

Mas os Estados Unidos afirmam que os lançamentos de drones pelo Irã caíram em 73% desde o primeiro dia do conflito.

O Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS, na sigla em inglês), sediado em Tel Aviv (Israel), declarou que os Estados Unidos e Israel já realizaram mais de 2 mil ataques com múltiplas munições, enquanto o Irã lançou 571 mísseis e 1.391 drones, muitos dos quais foram interceptados.

Manter este nível de combate se tornará cada vez mais difícil para os dois lados, à medida que a guerra continua, defendem os especialistas.

Destaques do 6º dia da guerra no Oriente Médio entre Irã e Israel e Estados Unidos. — Foto: arte/ g1
Destaques do 6º dia da guerra no Oriente Médio entre Irã e Israel e Estados Unidos. — Foto: arte/ g1

Conflito prolongado

O Irã também mantém uma das maiores forças armadas do Oriente Médio.

São cerca de 610 mil militares na ativa, segundo estimativa do relatório Balanço Militar de 2025, publicado pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês). Eles incluem:

  • 350 mil no exército regular; e
  • 190 mil no Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI), que supervisiona os programas de mísseis e drones, além de muitas operações regionais.

O Irã também conta com uma rede de aliados regionais. Eles incluem os rebeldes houthis, no Iêmen, grupos armados do Iraque, o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, nos territórios ocupados.

Apesar das restrições atuais, o Irã tem experiência em suportar conflitos prolongados, segundo Grajewski. Sua resiliência data da Guerra Irã-Iraque (1980-1988), quando as cidades iranianas foram repetidamente atacadas, apesar da inferioridade convencional.

Mas a continuidade da estratégia iraniana pode depender da sua coesão interna.

"Realmente depende de como a elite política e de segurança permanece unida e se existem cismas", explica Grajewski. "Isso pode causar maior desarticulação, em termos de estratégia militar."

"Parece que os operadores de mísseis estão sob muita tensão e exaustão, o que causa imprecisões ou disparos acidentais contra alvos errados. Muitas operações são mais desorganizadas e existe um nível de exaustão."

E isso, combinado com os contínuos ataques às forças e estoques de mísseis do Irã, "poderá gerar uma escalada inadvertida".

'Escaladas maiores'

Vizinha do Irã, a Turquia buscou mediar as negociações entre o Irã e os Estados Unidos antes do início da guerra aérea no final de semana (28/2-1/3). O país alertou para que "todas as partes evitem tomar ações que gerem escaladas maiores".

Mas o objetivo principal do Irã é tornar as condições "tão intoleráveis" para os países vizinhos, que "possam potencialmente pressionar os Estados Unidos ou, pelo menos, tentar levar os EUA para um acordo mais negociado ou para o fim das hostilidades", explica Grajewski.

"Até aqui, não acho que isso terá sucesso, mas parece ser a aposta que o Irã tem no momento", destaca ela.

Mas esta aposta pode simplesmente sair pela culatra.

H. A. Hellyer afirma que os países do Golfo "podem decidir que, embora se oponham em princípio à guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, sua própria segurança, agora, está em risco, devido às represálias iranianas contra eles. E que, por isso, faz mais sentido apoiar a campanha americana, para pôr fim à ameaça imediata do Irã."

"Não acho que os países do Golfo já tenham chegado a este ponto, mas o tempo, neste particular, está acabando", conclui ele.
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quinta-feira, 5 de março de 2026

Bahrein prende mais pessoas por postarem vídeos de ataques iranianos

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Informação é do Ministério do Interior do país, que alega que conteúdo contribui para a manipulação da opinião pública
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Michael Rios, da CNN
04/03/26 às 20:13 | Atualizado 04/03/26 às 20:13
Postado em 05 de Março de 2.025 às 11h00m
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Vista de incêndio em edifício alvo de ataques de drones iranianos em Manama, capital do Bahrein, em 28 de fevereiro de 2026
Vista de incêndio em edifício alvo de ataques de drones iranianos em Manama, capital do Bahrein, em 28 de fevereiro de 2026  • Foto de Stringer/Anadolu via Getty Images

As autoridades do Bahrein prenderam mais quatro pessoas por publicarem vídeos relacionados aos ataques do Irã, incluindo conteúdo que "expressa simpatia" por eles, informou o Ministério do Interior do país nesta quarta-feira (4).

"O Ministério explicou que a publicação desse conteúdo contribui para a manipulação da opinião pública e para a disseminação do medo entre cidadãos e residentes, o que pode prejudicar a segurança e a ordem pública", destacou.

As prisões representam a mais recente repressão à publicação de conteúdo que o Bahrein considera "favorável" à agressão iraniana, um ato que o país descreveu como "uma traição à nação".

Leia Mais

O Bahrein é governado por um governo muçulmano sunita, mas tem uma população majoritariamente xiita que frequentemente expressa apoio ao Irã, um país de maioria xiita.



O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.

O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No domingo (1º), a mídia estatal iraniana anunciou que o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.

Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a "ofensiva mais pesada" da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um "direito e dever legítimo".

Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo "é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista".

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Esse conteúdo foi publicado originalmente em
inglês  Ver original 

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Número de mortos passa de 1.160 na guerra no Oriente Médio; saiba o total

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Dezenas de pessoas foram mortas no Oriente Médio desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro
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Jonathan Allen, Jana Choukeir, Menna Alaa El Din, Maayan Lubell e Pesha Magrid, Ahmed Rasheed, da Reuters
05/03/26 às 06:41 | Atualizado 05/03/26 às 06:41
Postado em 05 de Março de 2.026 às 07h15m
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Fumaça é vista no Teerã, capital do Irã, nesta quinta-feira (6)  • REUTERS

Dezenas de pessoas foram mortas no Oriente Médio desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, com países do Golfo que abrigam bases e militares americanos e o Líbano sendo rapidamente envolvidos no conflito.

A seguir estão os números de mortos na guerra até agora, conforme relatado pelos países envolvidos até 5 de março, com quase uma semana desde o início do conflito. A Reuters não verificou de forma independente essas mortes.

Leia Mais

Irã

1.045 pessoas mortas, incluindo 175 estudantes e funcionários de uma escola mortos em um ataque com míssil contra uma escola primária em Minab, no sul do país, no primeiro dia da guerra, segundo o grupo humanitário sem fins lucrativos Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano. Não está claro se o total de mortos inclui baixas militares do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.

Israel

10 civis mortos, incluindo nove pessoas em um ataque com míssil iraniano contra Beit Shemesh, perto de Jerusalém, em 1º de março, segundo o serviço de ambulâncias israelense Magen David Adom. As Forças de Defesa de Israel não relataram baixas militares.

Líbano

77 pessoas mortas em ataques israelenses, segundo o Ministério da Saúde do país.

Bahrein

Uma pessoa morreu após um incêndio começar na Cidade Industrial Salman, no Bahrein, após a interceptação de um míssil, segundo o Ministério do Interior.

Kuwait

Três pessoas, incluindo dois soldados kuwaitianos, morreram em ataques iranianos contra o país, segundo os ministérios da Saúde e das Relações Exteriores do Kuwait.

Omã

Uma pessoa morreu após um projétil atingir o navio petroleiro de produtos MKD VYOM, com bandeira das Ilhas Marshall, na costa de Mascate.

Emirados Árabes Unidos

Três pessoas morreram, segundo o Ministério da Defesa dos Emirados.

Militares dos EUA

Seis militares americanos morreram em um ataque contra uma instalação no Kuwait, segundo o Comando Central dos Estados Unidos.

Síria 

Quatro pessoas morreram quando um míssil iraniano atingiu um prédio na cidade síria de Sweida, no sul do país, no sábado, informou a agência estatal de notícias SANA.

Iraque

Pelo menos 13 pessoas morreram, segundo autoridades de saúde do Iraque, incluindo 11 milicianos, um soldado do Exército e um civil, com base em registros hospitalares.

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