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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Efeito China: preços de carros usados caem até 20% com enxurrada de novos modelos chineses

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Preços efetivamente negociados por veículos de até três anos caíram 9,3% no primeiro semestre, quase quatro vezes mais que a Fipe. Promoções dos zero km 'tradicionais' muda a referência de preços no mercado.
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Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo

Postado em 04 de Setembro de 2.026 às 09h00m

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Carros chineses e descontos em carros novos derrubam preços de usados. — Foto: Divulgação / Toyota, Honda, Jeep e Geely
Carros chineses e descontos em carros novos derrubam preços de usados. — Foto: Divulgação / Toyota, Honda, Jeep e Geely

O g1 tem acompanhado a chegada de uma série de novos modelos de carros chineses ao Brasil, com diferentes tecnologias e preços competitivos. Esse movimento tem provocado dois efeitos: a redução dos preços dos carros zero km e a consequente pressão sobre os valores dos seminovos.

Em julho, um estudo da Bright Consulting mostrou que, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos subiu menos que a inflação em 2026. Descontada a inflação, os veículos zero km ficaram 1,5% mais baratos neste ano.

Agora, dados da Auto Avaliar mostram que os preços efetivamente negociados entre lojistas para veículos com até três anos de uso caíram 9,3% entre janeiro e junho de 2026. A queda foi quase quatro vezes maior que a indicada pela tabela Fipe, que recuou 2,4% no mesmo período.

Alguns modelos registram uma desvalorização que passa dos 20%.

'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos
'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos

Entre os casos mais marcantes estão:

  • Toyota Corolla 2025, que teve redução de 21,2%;
  • Volkswagen T-Cross 2025, com queda de 20,9%;
  • Honda HR-V 2025, que recuou 20%.

Volkswagen Nivus e os Toyota Corolla Cross, Yaris e SW4 também estão entre os modelos que mais perderam valor no primeiro semestre.

As marcas tradicionais também passaram a oferecer reduções de preços e condições comerciais mais agressivas para modelos como Hyundai Creta, Jeep Compass, Volkswagen T-Cross e Nivus.

  • 🔎 A Auto Avaliar é uma plataforma em que mais de 27 mil lojistas compram e vendem automóveis. Existem mais de 6 mil concessionárias cadastradas, o que corresponde a 85% do segmento.

A pressão sobre os seminovos ocorre enquanto as montadoras ampliam as promoções dos carros novos para encarar os chineses. Entre maio e agosto, foram anunciados descontos, bônus e mudanças de preços, como desconto de R$ 55 mil no Mitsubishi Outlander PHEV.

No Suzuki e-Vitara a redução chegou a R$ 50 mil. O Fiat Fastback Hybrid teve desconto de R$ 38,5 mil, enquanto o BYD Song Pro teve redução de R$ 28,5 mil. Este último também motivado pela chegada do sucessor, Song Pro Flex.

BYD Dolphin — Foto: Divulgação / BYD
BYD Dolphin — Foto: Divulgação / BYD

Busca por chineses

E os brasileiros estão cada vez mais procurando por carros da China. Segundo o Data OLX Autos, a busca por carros de marcas chinesas entre janeiro e julho de 2026 subiu 124% se comparada ao mesmo período de 2025.

O levantamento da plataforma de vendas mostra que 27% das buscas de carros chineses estão justamente na faixa de R$ 100 mil a R$ 130 mil.

  • 🔎 O segmento de veículos da OLX no Brasil recebe a visita de 565 mil usuários por dia. Mais de 22 mil veículos novos são ofertados na plataforma todos os dias. Os dados são a média de 2026.
O novo pressiona o usado

Segundo Geraldo Victorazzo, vice-presidente da Auto Avaliar, uma redução expressiva no preço de um carro novo altera imediatamente a referência usada pelo consumidor. Isso aumenta o risco financeiro de quem mantém um seminovo comprado com base nos preços anteriores.

“O carro não precisa sair da garagem para perder valor. Quando uma montadora reduz significativamente o preço do zero km ou lança uma condição agressiva de financiamento, ela cria imediatamente uma nova referência para o consumidor”, afirma Victorazzo. 
Seminovo mais caro que 0 km

O efeito das promoções fica evidente quando são comparados os valores efetivamente pagos por um carro novo e por um seminovo recente. A impressão que se tem no preço de tabela não se reflete na negociação. As condições de financiamento vantajosas para carros zero km e os descontos pressionam e distorcem o mercado.

Há casos em que um veículo seminovo, então, pode custar mais caro que um novo. Veja uma simulação feita pela Auto Avaliar em dois cenários em que o carro dado pelo cliente na troca custa R$ 88 mil:

Carro 0 km

Jeep Compass Sport — Foto: Divulgação / Stellantis
Jeep Compass Sport — Foto: Divulgação / Stellantis

  • Jeep Compass Sport
  • Preço de tabela: R$ 174 mil
  • Preço na loja (com desconto): R$ 147 mil
  • Valor a financiar: R$ 59 mil
  • Condição: 30 parcelas sem juros
  • Valor da parcela: R$ 1.966,67
  • Custo Total (sem considerar demais taxas): R$ 147 mil
Carro Usado
Volkswagen Taos — Foto: Divulgação
Volkswagen Taos — Foto: Divulgação

  • Volkswagen Taos Comfortline 2025
  • Preço do anúncio: R$ 164 mil
  • Preço na loja (com desconto): R$ 159 mil
  • Valor a financiar: R$ 71 mil
  • Condição: 30 parcelas com 1,6% de juros ao mês
  • Valor da parcela: R$ 2.997,80
  • Custo Total (sem considerar demais taxas): R$ 177,9 mil

Conclusão: O carro usado tem preço anunciado mais barato, porém, ao final, fica R$ 30 mil mais caro que zero km pelas condições e descontos.

Na análise da Auto Avaliar, quando o consumidor encontra condições melhores em um carro novo, o preço do seminovo precisa acompanhar a mudança.

Quando o consumidor percebe que consegue levar um zero quilômetro pagando menos ou com uma condição financeira muito melhor, o preço do seminovo precisa reagir. O problema é que a concessionária pode ter comprado aquele carro semanas antes, usando uma referência de mercado que já deixou de existir, explica Victorazzo.

Outro ponto destacado pela Auto Avaliar é a velocidade com que os preços efetivamente praticados mudam.

Entre junho de 2025 e junho de 2026, o preço médio nas transações dos carros zero-quilômetro caiu 3,5%. No mesmo período, o preço público recuou 1,5%. Ou seja, o preço praticado nas lojas caiu bem mais do que aparece para o público na tabela.

Os números indicam, segundo a empresa, que os descontos e as condições encontradas nas concessionárias podem antecipar movimentos que demoram mais para aparecer nas referências tradicionais de preços.

Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil — Foto: g1
Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil — Foto: g1

Enquanto os preços de zero km são pressionados, o mercado de usados mantém grande volume de negócios. Entre janeiro e julho de 2026, foram negociados 7,9 milhões de automóveis e comerciais leves usados no Brasil.

A relação foi de 4,88 veículos usados negociados para cada carro novo vendido no período.

Para os analistas da Auto Avaliar, o cenário não significa que concessionárias e lojistas devam deixar de comprar determinados modelos seminovos.

A avaliação é que a decisão de compra precisa considerar:

  • Velocidade de desvalorização;
  • Liquidez;
  • Prazo estimado para vender o veículo.

A estratégia das lojas gera consequência para o consumidor, que espera um valor na avaliação do seu carro usado, mas vai perceber na loja que o veículo vale bem menos do que os anúncios.

Mudança no mercado de usados

Para a consultora Tereza Fernandez, o movimento de queda dos preços dos seminovos está se consolidando em 2026. A chegada de marcas chinesas e a redução de preços promovida pelas fabricantes tradicionais aumentaram a pressão sobre os veículos usados.

Segundo ela, lojas que mantêm estoques elevados podem ter prejuízos com a desvalorização. O impacto, porém, dependerá da capacidade de cada vendedor de reduzir rapidamente os preços e diminuir as perdas.

Tereza não vê uma crise no segmento lojas de carros usados. Para ela, o impacto dependerá da velocidade da queda dos preços, do tamanho da desvalorização e da quantidade de veículos mantidos no estoque pelas lojas.

Lojas que têm estoques muito grandes podem enfrentar problemas mais sérios com a desvalorização.

Na negociação de um carro usado, a queda dos preços também pode afetar quem pretende trocar de veículo. Isso porque o consumidor que vende um seminovo também encontrará preços menores na compra de outro usado.

Por esse motivo, Teresa avalia que não haveria uma mudança significativa nesse tipo de negociação. O principal impacto estaria na compra de um zero km, que passa a depender dos descontos oferecidos pelas montadoras.

A consultora ressalta que não é possível generalizar o comportamento do mercado. Outro fator que dificulta as negociações, segundo ela, é a inadimplência, que levou os bancos a adotar critérios mais rígidos e dificultou o acesso ao crédito.

Para Cássio Pagliarini, da Bright Consulting, a confiança maior do consumidor também ajuda a explicar a queda dos preços dos seminovos. Com mais confiança, parte dos clientes que antes comprava veículos usados passa a considerar a aquisição de um carro novo.

Nesse movimento, segundo o especialista, os modelos chineses ganham espaço.

A maioria desses carros chineses já entrega eletrificação, tecnologia e um tempo de garantia que dá segurança ao cliente, diz o consultor.

Para Pagliarini, essa mudança já altera o cenário para os lojistas. Os problemas podem ser maiores para quem mantém grandes quantidades de seminovos, que antes eram comprados em volume justamente por apresentarem boa liquidez.

Segundo o consultor, o mercado também mudou em relação aos veículos eletrificados. Ele afirma que ficou para trás o período em que esses modelos tinham menor poder de revenda e permaneciam por mais tempo nos estoques.

Pagliarini estima que o mercado de veículos em 2026 possa chegar perto de 3 milhões de unidades. Na avaliação dele, o resultado poderia ser maior se houvesse condições melhores de financiamento.

O principal obstáculo, porém, está na aprovação do crédito. Segundo o consultor, embora exista demanda, a dificuldade de conseguir financiamento limita os negócios neste momento.

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Como será viajar no jato da Embraer que consegue pousar sozinho

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Novo jato leve da Embraer poderá levar até 10 passageiros, voar a mais de 800 km/h e realizar pouso de emergência de forma automática.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 04 de Setembro de 2.026 às 07h10m

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Como será viajar no jato da Embraer que consegue pousar sozinho
Como será viajar no jato da Embraer que consegue pousar sozinho

Mais conforto, mais segurança e voos diretos para todas as capitais do país: essas são as promessas do novo jato leve Phenom 300EV, modelo da Embraer capaz de realizar pousos por conta própria.

Previsto para começar a ser entregue em 2028, ele foi anunciado em julho. Em agosto, recebeu certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e de autoridades de aviação nos Estados Unidos e na União Europeia.

O Phenom 300EV terá espaço para até 10 passageiros, além de um piloto, e poderá ter a configuração dos assentos personalizada pelo proprietário.

O jato foi certificado para fazer voos com dois ou apenas um piloto. E, segundo a Embraer, este é o modelo de piloto único mais rápido e com mais alcance no mercado.

Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer 

As especificações apontam que o Phenom 300EV terá velocidade máxima de 0,8 Mach (ou 0,8 vez a velocidade do som), o que, na altitude de cruzeiro (45 mil pés ou 13,7 mil metros) representa cerca de 859 km/h.

A aeronave terá autonomia de até 3.805 km, que permite voos diretos para as capitais de todos os estados brasileiros, bem como a cidades como La Paz, Santiago e Buenos Aires a partir de São Paulo.

Phenom 300EV por dentro

A Embraer destaca três configurações de assentos que variam de 7 a 10 passageiros.

Com a capacidade máxima, os voos têm apenas um piloto, a poltrona do copiloto é ocupada por um passageiro e um cinto de segurança é colocado até mesmo no assento do lavatório.

A fabricante permitirá personalizar as poltronas, os pisos e as mesas embutidas para os passageiros. A cabine contará ainda com painéis para os próprios passageiros controlarem temperatura, iluminação e áudio.

Ainda segundo a Embraer, o Phenom 300EV tem as maiores janelas de sua categoria, conexão com internet de satélites de órbita baixa e um sistema de ionização de ar.

Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer
Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer

Pouso mais seguro

Segundo a Embraer, o Phenom 300EV será o primeiro jato leve com o sistema de pouso automático da empresa americana de tecnologia Garmin, que pode ser ativada manual ou automaticamente caso o piloto não consiga completar o voo.

Batizado de Emergency Autoland, o sistema encontra o aeroporto mais adequado para o pouso considerando fatores como distância e autonomia de combustível e sinaliza a rota para o controle de tráfego aéreo e os passageiros.

A aeronave conta ainda com um sistema de freio automático, que oferece pousos mais suaves, e um sistema de alerta para evitar saídas da pista.

No final de agosto, o Phenom 100, um modelo da Embraer classificado como um jato muito leve, saiu da pista no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro e afetou mais de 80 voos.

A fabricante afirma que os recursos de segurança do Phenom 300EV são possibilitados por um novo computador de bordo que controla funções da aeronave eletronicamente e reduz a carga de trabalho de pilotos.

Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer
Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer


Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer
Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer


Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer
Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer


Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer
Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer


Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer
Imagem de conceito do Phenom 300EV, jato leve da Embraer — Foto: Divulgação/Embraer

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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Vance diz que conflito com Irã não é guerra, mas se recusa a apontar prazo

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Vice-presidente americano não informou quando as tensões no Oriente Médio devem chegar ao fim e sugeriu que cabe a Teerã encerrar o confronto
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Kevin Liptak, da CNN
03/09/26 às 18:34 | Atualizado 03/09/26 às 18:35
Postado em 03 de Setembro de 2.026 às 19h00m

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Vice-presidente dos EUA, JD Vance  • 08/01/2026REUTERS/Kevin Lamarque

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, não conseguiu fornecer um prazo para o fim da guerra com o Irã nem uma data em que os preços da gasolina poderiam cair abaixo dos níveis anteriores ao conflito; em vez disso, sugeriu que cabia ao Irã encerrar o conflito, iniciado há seis meses com ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel.

Durante um discurso na Casa Branca nesta quinta-feira (3), Vance argumentou que as hostilidades atuais nem sequer deveriam ser chamadas de "guerra", uma vez que as "operações de combate ativo" terminaram meses atrás.

"Neste momento, não há troca de tiros ativa", insistiu Vance, apesar de três dias consecutivos nesta semana em que os EUA e o Irã trocaram disparos, inclusive nas imediações do Estreito de Ormuz.

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A descrição da situação no Oriente Médio como um combate ocasional e de baixa intensidade indicava que o governo tenta deixar a guerra para trás, a dois meses de eleições de meio de mandato, mesmo enquanto as forças armadas dos EUA continuam a atacar ativamente posições iranianas.

Dados atualizados do Pentágono nesta quinta-feira mostraram que 790 militares americanos ficaram feridos e 18 morreram desde o início do conflito, no final de fevereiro.

Na terça-feira (1°), os EUA realizaram uma operação multifacetada, atingindo quase 60 alvos militares ao redor do estreito — incluindo locais de defesa aérea, sistemas de radar, ativos marítimos, capacidades de lançamento de minas e instalações de comunicação — enquanto escoltavam simultaneamente navios pela via navegável.

As forças armadas dos EUA esperam continuar realizando ataques ofensivos perto do estreito, em parte porque o Irã demonstrou capacidade de reconstituir seus recursos. Realizar esses ataques equivale a "aparar a grama" ou a um jogo de "bater na toupeira", disseram autoridades.

Embora a operação de terça-feira tenha sido um sucesso, as autoridades não se iludem achando que uma solução rápida para o conflito esteja próxima. Além disso, as empresas de energia continuam receosas quanto aos enormes riscos envolvidos no envio de seus navios pelo estreito, mesmo com escolta militar.

A guerra impopular provocou uma alta nos preços da gasolina, gerando ansiedade entre os republicanos que buscam manter a maioria no Congresso.

Trump insistiu nesta semana que não sente pressão para reduzir as hostilidades antes da votação. No entanto, seus assessores e aliados admitem que, quanto mais a guerra sair de cena no período que antecede novembro, melhor.

Vance, que inicialmente se opunha a uma guerra com o Irã, desempenhou um papel de destaque no início deste verão ao tentar intermediar um acordo diplomático. No entanto, o cessar-fogo que ele negociou fracassou após duas semanas, e os dois lados retomaram um ciclo de ataques mútuos, enquanto o Irã buscava manter o controle do estreito.

A calma prevaleceu durante a maior parte de agosto. Contudo, os ataques recomeçaram nesta semana, quando os EUA atingiram posições iranianas perto do estreito que, segundo relatos, preparavam-se para lançar minas na via navegável.

Vance afirmou que o governo está investigando relatos de que os ataques americanos mais recentes mataram quatro pessoas que participavam de uma festa de casamento em um vilarejo próximo ao Estreito de Ormuz; ele evitou descartar a possibilidade de mortes de civis, embora tenha insistido que os militares "nunca têm civis como alvo em combate".

"Nunca faremos isso, nunca fizemos isso e, infelizmente, é claro, às vezes acontecem coisas; mas, neste caso específico, não creio que tenhamos qualquer informação definitiva em um sentido ou outro", disse Vance.

Teerã retaliou os ataques americanos mais recentes visando bases dos EUA na região.

Atualmente, não há negociações em andamento com os iranianos, disse Vance.

"O presidente tem sido muito claro", disse ele a repórteres na coletiva de imprensa de quinta-feira. "Não estamos conversando com eles e não conversaremos a menos que parem de atirar contra navios comerciais."

Isso deixa incerto o prazo para o fim do conflito. Vance não soube dizer se ele terminaria antes das eleições, marcadas para 3 de novembro.

"Quando você pergunta quando isso vai acabar, está me fazendo uma pergunta do tipo: 'quando os iranianos vão parar de atirar nos navios?'. A realidade é que não sei a resposta para essa pergunta", disse ele. "Você teria de perguntar aos iranianos."

O vice-presidente também não quis dizer quando a gasolina poderia ficar mais barata.

"Não vou fazer promessas sobre quando o preço voltará a 3 dólares", disse ele.

"O que direi é que precisamos lembrar: por que estamos fazendo isso? Em primeiro lugar, para garantir que o Irã nunca tenha uma arma nuclear", afirmou.

Vance falava da sala de imprensa da Casa Branca, que não era utilizada pelo governo há 42 dias. A secretária de imprensa Karoline Leavitt deixou o cargo na semana passada, e Trump ainda não nomeou um substituto.

Vance falou por quase uma hora, respondendo a perguntas sobre diversos assuntos, desde o conflito com o Irã até sua silhueta mais esbelta — resultado, segundo ele, de uma dieta prescrita pelo secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr.

Como muitos alimentos ricos em proteínas e muito chucrute, disse ele, descrevendo o regime alimentar como algo pouco apetitoso: Se você quiser sentir prazer ao comer, não ligue para o Bobby Kennedy.

Ele também manifestou forte apoio a outro membro do gabinete, o Secretário de Defesa Pete Hegseth, cuja gestão do Pentágono tem sido alvo de escrutínio em meio à turbulência provocada por demissões, promoções bloqueadas e pedidos de demissão de oficiais de alto escalão.

O Secretário do Exército, Dan Driscoll — amigo próximo de Vance desde os tempos em que estudaram juntos na Faculdade de Direito de Yale —, foi a mais recente baixa no Pentágono ao apresentar seu pedido de demissão nesta semana. Com isso, o Exército ficou sem seu principal líder civil.

Hegseth — que serviu na Guarda Nacional do Exército por quase 20 anos — tem demonstrado interesse especial pelo Exército e sua liderança, demitindo ou forçando a saída de vários líderes importantes da força.

Até mesmo alguns republicanos de destaque que estão deixando o cargo pediram a saída de Hegseth. O senador Thom Tillis, da Carolina del Norte — cujo voto foi decisivo para a confirmação do secretário de Defesa no ano passado —, afirmou que "jamais presenciou uma gestão mais inepta em relação aos homens e mulheres corajosos que servem ao nosso país". Ele também disse que Hegseth se sentia "intimidado pela competência".

Vance, no entanto, minimizou as saídas e afirmou que Hegseth estava trabalhando para reformar as Forças Armadas.

"Os Estados Unidos travaram muitas guerras ao longo da minha vida — 42 anos — e não vencemos praticamente nenhuma delas até que Donald J. Trump se tornou presidente dos Estados Unidos", disse ele.

(Com informações de Davis Winkie, da CNN)

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