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terça-feira, 21 de abril de 2026

Após trégua prorrogada por Trump, mídia do Irã diz que bloqueio naval equivale à continuidade da guerra

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Declaração foi divulgada pela agência Tasnim News, ligada à Guarda Revolucionária. Segundo o veículo, os EUA 'devem considerar o Estreito de Ormuz efetivamente fechado' se quiserem 'manter a sombra da guerra'.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 21 de Abril de 2.026 às 20h20m
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Trump: vamos prorrogar cessar-fogo até que Irã apresente proposta
Trump: vamos prorrogar cessar-fogo até que Irã apresente proposta

A mídia do Irã afirmou nesta terça-feira (21) que a continuidade do bloqueio naval pelos Estados Unidos equivale à manutenção das hostilidades e que não reabrirá o Estreito de Ormuz enquanto a medida persistir.

A declaração foi divulgada pela agência Tasnim News Agency, ligada à Guarda Revolucionária, após Donald Trump anunciar a prorrogação do cessar-fogo no conflito.

Em publicação na Truth Social, o presidente dos EUA afirmou que as Forças Armadas vão prorrogar a trégua contra o Irã "até que os representantes iranianos cheguem a uma proposta unificada para negociar a paz".

Trump determinou, porém, que as forças americanas mantenham o bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo global —, anunciado em 12 de abril.

  • 🔎 O estreito teve a navegação restringida pelo Irã após o início da guerra, em 28 de fevereiro. Desde então, apenas navios de países aliados eram autorizados a atravessar. Na semana passada, porém, Trump anunciou medidas para bloquear petroleiros ligados ao país.

Segundo a agência do Irã, a continuação do bloqueio naval pelas forças americanas equivale à continuidade das hostilidades e, enquanto o bloqueio persistir, o Irã ao não reabrirá o Estreito de Ormuz e, se necessário, romperá o bloqueio pela força.

A agência iraniana também afirmou que,se os EUA quiserem manter a sombra da guerra, devem considerar o Estreito de Ormuz efetivamente fechado. Integrantes do governo iraniano ainda não se pronunciaram.

Um assessor do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o anúncio de Donald Trump tem pouca relevância.

A prorrogação do cessar-fogo por Trump é certamente uma manobra para ganhar tempo para um ataque surpresa, disse Mahdi Mohammadi, em publicação nas redes sociais.

Ele classificou o bloqueio dos EUA como uma agressão militar contínua.Chegou a hora de o Irã tomar a iniciativa", concluiu.

Bloqueio ao Estreito de Ormuz — Foto: Editoria de Arte/g1
Bloqueio ao Estreito de Ormuz — Foto: Editoria de Arte/g1

Cessar-fogo foi prorrogado a poucas horas do fim

A decisão de Trump de estender o cessar-fogo ocorreu a poucas horas do fim da trégua de duas semanas anunciada em 8 de abril. Segundo Trump, a decisão atende ao pedido do primeiro-ministro do Paquistão, que tenta mediar o fim da guerra.

"Com base no fato de que o governo do Irã está seriamente fragmentado — o que não é inesperado — e a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao país até que seus líderes e representantes consigam apresentar uma proposta unificada", escreveu o presidente dos EUA na Truth Social.

"Diante disso, determinei que nossas Forças Armadas continuem o bloqueio e, em todos os demais aspectos, permaneçam prontas e capazes, e, portanto, estenderei o cessar-fogo até que tal proposta seja apresentada e as negociações sejam concluídas, de uma forma ou de outra", acrescentou.

Era esperado que o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, partisse rumo ao Paquistão para participar da segunda rodada de conversa em Islamabad, marcada para esta quarta-feira (22).

No entanto, segundo fontes anônimas ouvidas pelo The New York Times, a falta de resposta das autoridades iranianas às propostas de negociação dos EUA levou Vance a suspender temporariamente a viagem.

Além de Vance, os enviados de Trump para o Oriente Médio, Jared Kushner e Steve Witkoff, foram vistos na Casa Branca pouco antes da publicação do presidente americano.

Na segunda-feira (20), o Ministério das Relações Exteriores do Irã não havia deixado claro se o país participaria da rodada de negociações com os Estados Unidos, acusando Washington de não levar o diálogo a sério.

Petroleiros e navios de carga alinhados no Estreito de Ormuz em 11 de março de 2026, vistos de Khor Fakkan, Emirados Árabes Unidos. — Foto: AP/Altaf Qadri, Arquivo
Petroleiros e navios de carga alinhados no Estreito de Ormuz em 11 de março de 2026, vistos de Khor Fakkan, Emirados Árabes Unidos. — Foto: AP/Altaf Qadri, Arquivo

Pesquisa aponta queda na aprovação de Trump

A taxa de aprovação de Donald Trump se manteve, nos últimos dias, no nível mais baixo de seu mandato, revelou um levantamento da Reuters/Ipsos realizado em meio à guerra com o Irã e a uma disputa com o Papa Leão.

A pesquisa de opinião pública de seis dias mostrou que 36% dos americanos aprovam o desempenho de Trump no cargo, valor inalterado em relação ao mês anterior.

Trump havia registrado sua maior taxa de aprovação no atual mandato — 47% — logo após tomar posse, em 20 de janeiro de 2025.

O presidente americano tem estado sob pressão desde que seu governo e Israel lançaram uma guerra contra o Irã em fevereiro, o que elevou drasticamente os preços da gasolina.

Cerca de 36% dos americanos aprovam os ataques militares dos EUA contra o Irã, comparado a 35% em uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 10 e 12 de abril.

A pesquisa mais recente, com 4.557 adultos em todo o país, foi realizada online e possui margem de erro de 2 pontos percentuais.

O levantamento mostrou que muitos americanos, incluindo alguns membros do Partido Republicano de Trump, têm preocupações sobre o temperamento e a lucidez mental do presidente, após uma série de explosões agressivas.

* Com informações da agência de notícias Reuters

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Em Portugal, Lula diz que Trump tem que 'ganhar logo' Nobel da Paz para acabar com as guerras

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Presidente brasileiro também fez críticas ao unilateralismo e protecionismo. Declaração foi feita nesta terça-feira (21) durante agenda ao lado do primeiro-ministro português Luís Montenegro.
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Por Isabella Calzolari, Mariana Laboissière, g1 — Brasília

Postado em 21 de Abril de 2.026 às 11h50m
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Lula e primeiro-ministro de Portugal. — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Lula e primeiro-ministro de Portugal. — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (21) que o presidente norte-americano Donald Trump tem que "ganhar logo" o Prêmio Nobel da Paz para acabar com as guerras no mundo.

"O que a gente vê todo santo dia são declarações — que eu não sei se são brincadeira ou não—, o presidente [Donald] Trump dizendo que já acabou com oito guerras e que ainda não ganhou o prêmio Nobel da Paz", afirmou Lula.

"Então, é importante que a gente dê logo o Prêmio Nobel para o presidente Trump para não ter mais guerra. Aí, o mundo vai ver em paz, tranquilamente", prosseguiu.

Lula comentava sua posição na defesa do multilateralismo, no combate do unilateralismo e protecionismo, além da importância de mudanças na Organização das Nações Unidas (ONU).

O presidente brasileiro lamentou a perda de força da entidade, principalmente no que diz respeito à mediação de guerras

"Historicamente, nós temos mostrado que a harmonia entre os Estados é a forma mais eficaz de você construir parcerias mais produtivas. Todo mundo sabe que eu sou defensor do multilateralismo, todo mundo sabe que eu sou inimigo do unilateralismo e do protecionismo", justificou.

A declaração foi feita durante agenda em Portugal, ao lado do primeiro-ministro português Luís Montenegro.

Giro pela Europa

O presidente Lula faz um giro pela Europa desde a última sexta (17), com agendas na Espanha, na Alemanha e, agora, em Portugal. O país é a última parada do presidente antes do retorno para o Brasil.

Em Barcelona, na Espanha, Lula participou da 1ª Cúpula Brasil-Espanha, teve reuniões com o primeiro‑ministro Pedro Sánchez, assinou atos em áreas como igualdade de gênero, cooperação econômica e inovação e participou do Fórum Democracia Sempre, com outros líderes internacionais.

Já na Alemanha, o presidente se reuniu com o chanceler Friedrich Merz, participou da Feira Industrial de Hannover — a maior do mundo no setor — e destacou a agenda de transição energética e biocombustíveis.

Na ocasião, o brasileiro também menciono o interesse mútuo no fortalecimento das relações bilaterais e no acordo Mercosul-União Europeia.

Lula em agenda na Alemanha. — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Lula em agenda na Alemanha. — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

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Rover em Marte detecta compostos orgânicos nunca vistos antes no planeta vermelho

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Estudo rastreou moléculas preservadas há 3,5 bilhões de anos na superfície marciana; resultado abre caminho para busca de sinais de vida antiga.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 21 de Abril de 2.026 às 07h00m
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Região onde o rover Curiosity coletou três amostras de rochas perfuradas, que revelaram a presença de diferentes compostos orgânicos em Marte. — Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS
Região onde o rover Curiosity coletou três amostras de rochas perfuradas, que revelaram a presença de diferentes compostos orgânicos em Marte. — Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Um rover da NASA, a agência espacial norte-americana, encontrou em Marte uma mistura diversa de moléculas orgânicas que inclue compostos considerados blocos fundamentais para a origem da vida na Terra.

O achado, publicado nesta terça-feira (21) na revista "Nature Communications", é resultado de um experimento químico realizado pela primeira vez em outro planeta diferente da Terra.

A descoberta NÃO prova que houve vida em Marte, mas mostra que a superfície do planeta é capaz de preservar exatamente o tipo de molécula que poderia servir como evidência de vida antiga — o que, por si só, já representa um avanço significativo na astrobiologia.

O responsável pelo feito foi o rover Curiosity, que está em Marte desde 2012. Em 2020, ele realizou o experimento na região de Glen Torridon, dentro da cratera Gale, uma antiga bacia rica em argilas, minerais conhecidos por reter e preservar compostos orgânicos melhor do que outros materiais.

O experimento usou uma substância química chamada TMAH para fragmentar moléculas orgânicas maiores, permitindo que os instrumentos do rover as analisassem.

O Curiosity carregava apenas dois recipientes com esse reagente, o que exigiu um planejamento cuidadoso para escolher o local mais promissor para a coleta.

O primeiro é uma molécula que contém nitrogênio e tem estrutura parecida com a de substâncias que deram origem ao DNA — nunca antes encontrada em Marte.

O segundo é um composto químico que costuma chegar aos planetas carregado por meteoritos, o mesmo tipo de material que, acredita-se, ajudou a criar as condições para a vida na Terra.

"Achamos que estamos olhando para matéria orgânica preservada em Marte há 3,5 bilhões de anos", disse Amy Williams, professora de ciências geológicas da Universidade da Flórida e líder do estudo.
"É muito útil ter evidências de que matéria orgânica antiga está preservada, porque isso é uma forma de avaliar se um ambiente poderia sustentar vida."

Selfie do rover Curiosity em Marte, onde análises revelaram compostos orgânicos. — Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS
Selfie do rover Curiosity em Marte, onde análises revelaram compostos orgânicos. — Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS

A presença desses compostos também reforça uma conexão entre os dois planetas. Isso porque o mesmo material que chegou a Marte por meio de meteoritos também atingiu a Terra e provavelmente forneceu os blocos de construção para a vida como a conhecemos no nosso planeta.

O que torna o achado ainda mais relevante é o fato de que essas moléculas sobreviveram por bilhões de anos em um ambiente extremamente hostil.

Marte é bombardeado por radiação cósmica, tem uma atmosfera muito mais fina que a da Terra e passa por variações de temperatura drásticas.

Ainda assim, as argilas da cratera Gale funcionaram como uma espécie de cápsula protetora, mantendo os compostos intactos ao longo de eras geológicas.

Isso abre uma perspectiva importante: se moléculas tão delicadas conseguiram sobreviver em Marte por tanto tempo, outras substâncias potencialmente mais reveladoras sobre a história do planeta também podem estar preservadas em algum lugar da superfície ou da subsuperfície marciana, esperando para ser encontradas por futuros experimentos ou missões.

O experimento, porém, tem um limite importante. Ele não consegue distinguir se os compostos encontrados vieram de uma possível vida passada em Marte, de processos geológicos naturais ou de meteoritos que colidiram com o planeta ao longo de sua história.

As três origens são possíveis, e nenhuma pode ser descartada com os dados disponíveis até agora.

Para responder a essa questão com certeza, seria necessário trazer amostras de rocha marciana de volta à Terra, onde laboratórios muito mais sofisticados do que qualquer instrumento que caiba dentro de um rover poderiam analisá-las em detalhes.

Esse é justamente o objetivo de missões que estão sendo planejadas por agências espaciais dos Estados Unidos e da Europa para as próximas décadas.

"Agora sabemos que existem moléculas grandes e complexas preservadas na superfície de Marte, e isso é muito promissor para a busca de compostos que possam ser um sinal de vida", disse Williams.

Imagem feita pela câmera principal do rover Curiosity mostra área rica em argila onde amostras revelaram compostos orgânicos em Marte. — Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS
Imagem feita pela câmera principal do rover Curiosity mostra área rica em argila onde amostras revelaram compostos orgânicos em Marte. — Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS

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Por que é tão difícil abandonar o petróleo?

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Dependência persistente de combustíveis fósseis, tensões geopolíticas e desafios tecnológicos mantêm o petróleo no centro da economia global, mesmo com o avanço das energias renováveis.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 21 de Abril de 2.026 às 05h00m
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O navio indiano 'Nanda Devi', carregado com gás liquefeito de petróleo (GLP), chegou ao porto de Vadinar, no distrito de Jamnagar, estado de Gujarat, em 17 de março de 2026, após o Irã permitir sua passagem pelo Estreito de Ormuz, um importante corredor energético que permanece interrompido devido à guerra no Oriente Médio. Os petroleiros de bandeira indiana 'Shivalik' e 'Nanda Devi', transportando cerca de 92.700 toneladas métricas de GLP, chegaram aos portos do estado de Gujarat, representando uma rara exceção na passagem comercial por esse ponto estratégico. — Foto: AFP
O navio indiano 'Nanda Devi', carregado com gás liquefeito de petróleo (GLP), chegou ao porto de Vadinar, no distrito de Jamnagar, estado de Gujarat, em 17 de março de 2026, após o Irã permitir sua passagem pelo Estreito de Ormuz, um importante corredor energético que permanece interrompido devido à guerra no Oriente Médio. Os petroleiros de bandeira indiana 'Shivalik' e 'Nanda Devi', transportando cerca de 92.700 toneladas métricas de GLP, chegaram aos portos do estado de Gujarat, representando uma rara exceção na passagem comercial por esse ponto estratégico. — Foto: AFP

Quando, em 2023, a comunidade internacional se comprometeu a iniciar uma transição para abandonar os combustíveis fósseis no intuito de frear as mudanças climáticas, alguns celebraram isso como o começo do fim do petróleo.

Três anos depois, a guerra no Oriente Médio evidencia que a dependência mundial do "ouro negro" não mudou, apesar de suas consequências irem muito além do impacto ambiental.

A economia e a segurança energética globais estão em risco.

Isso faz com que o conflito seja usado como mais uma razão para substituir definitivamente o principal responsável pelas emissões de CO? por energias renováveis, 167 anos depois da extração do primeiro barril comercial na Pensilvânia, nos Estados Unidos.

 No entanto, apesar de alguns apelos, a tendência global indica que a promessa da COP28 está longe de ser cumprida.

A política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um exemplo disso: depois de cunhar o slogan "drill, baby, drill" (perfura, querido, perfura), ele interveio em dois países ricos em reservas de petróleo: Venezuela e Irã.

Por que é tão difícil deixar para trás o petróleo? A seguir, algumas pistas.

É a economia

Se os mercados financeiros respiram conforme as oscilações do preço do barril, é porque seus agentes estão profundamente ligados aos ativos associados aos hidrocarbonetos.

"A gente não pode fazer a transição quebrando de um dia para o outro as empresas de combustíveis fósseis, porque isso seria um desastre econômico planetário sem precedentes. Gigantes bancários como o HSBC quebrariam", disse à AFP Claudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima do Brasil.

A dependência econômica é total em países como Arábia Saudita, Kuwait e Iraque, mas não apenas neles.

No caso do Brasil, por exemplo, retirar a Petrobras da balança comercial desmontaria a economia, já que o petróleo é um dos principais produtos de exportação, acrescenta Angelo.

Outros países, como a Colômbia, são tão dependentes dessas receitas que seu presidente, Gustavo Petro, pede alívio da dívida soberana para tornar viável sua promessa de não conceder novos contratos de exploração de petróleo.

Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio — Foto: Reuters
Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio — Foto: Reuters

Vontade política

Potências exportadoras de petróleo como os Estados Unidos, Canadá e Austrália têm, por outro lado, meios para assumir a transição energética, afirma Bill Hare, diretor do instituto Climate Analytics.

"É uma questão de vontade política", acrescenta à AFP.

Mas com o retorno de Trump ao poder, junto ao avanço global da extrema direita, os interesses econômicos voltam a ser priorizados em detrimento da luta contra o aquecimento global - quando o fenômeno não é diretamente negado.

"Há toda uma visão no Ocidente, liderada pelos Estados Unidos, de voltar a um modelo que já existiu", de curto prazo, sustenta Leonardo Stanley, pesquisador associado do Centro de Estudos de Estado e Sociedade de Buenos Aires.

O lobby mais poderoso

Presentes nas conferências anuais da ONU sobre o clima, as petroleiras - da americana ExxonMobil à saudita Aramco - defendem seus interesses nos bastidores, às vezes por meio de grandes consultorias como a McKinsey, como mostrou uma investigação da AFP na COP28.

"O setor de óleo e gás é o lobby mais poderoso da Terra", afirma Angelo.

Há 30 anos ele "joga para adiar mudanças", acrescenta.

Quem paga a conta?

Para abandonar o petróleo, é necessário apoio financeiro aos países produtores dependentes dessas receitas e também aos mais pobres, para acompanhar a transição.

"Tem que haver alguma disposição das grandes e médias potências econômicas de criar um sistema internacional que facilite isso", o que até agora não ocorreu, afirma Bill Hare. 
Sinais positivos

Apesar de tudo, há avanços.

As energias renováveis representaram um recorde de quase 50% da capacidade elétrica mundial em 2025, segundo a Irena, entidade intergovernamental que promove a transição energética.

A China, maior emissora mundial de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, líder na produção de energias renováveis, ampliou de forma excepcional suas capacidades eólicas e solares no ano passado.

No Paquistão, a energia solar, que era marginal em 2020, tornou-se uma das principais fontes de eletricidade.

Em várias regiões da Austrália e dos Estados Unidos, o avanço das energias renováveis reduziu a conta de luz, segundo Hare.

Setor produtivo alerta perda com royalties de petróleo
Setor produtivo alerta perda com royalties de petróleo

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