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sexta-feira, 27 de março de 2026

Aranhas brasileiras que parecem joias entram na mira do tráfico

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Espécies do gênero Typhochlaena vivem escondidas. A combinação de raridade, cores intensas e comércio internacional pode colocar essas espécies em risco.
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Por Rodrigo Peronti, Terra da Gente

Postado em 27 de Março de 2.026 às 18h00m
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Aranhas brasileiras que parecem joias entram na mira do tráfico
Aranhas brasileiras que parecem joias entram na mira do tráfico 

Entre folhas úmidas, cascas soltas de árvores e galhos altos da Mata Atlântica vivem algumas das aranhas mais incomuns já descritas pela ciência. Pequenas, arborícolas e com cores metálicas que lembram pedras preciosas, as tarântulas do gênero Typhochlaena passam boa parte da vida escondidas no alto das árvores — mas, nos últimos anos, também apareceram em um lugar bem distante dali: o mercado internacional de animais exóticos.

A raridade dessas espécies, somada à beleza incomum, transformou essas aranhas em alvo de colecionadores e traficantes de fauna. Pesquisas científicas e relatórios sobre o tráfico de animais mostram que o comércio internacional de pets exóticos se tornou um dos principais motores da captura ilegal de espécies raras da biodiversidade brasileira.

O problema preocupa pesquisadores porque muitas dessas aranhas ainda são pouco conhecidas pela ciência.

Aranhas que parecem "joias" são alvo de crimes — Foto: jungledweller / iNaturalist
Aranhas que parecem "joias" são alvo de crimes — Foto: jungledweller / iNaturalist

Segundo um estudo publicado na revista científica ZooKeys, o gênero Typhochlaena reúne apenas cinco espécies conhecidas, todas endêmicas do Brasil e com distribuição geográfica extremamente restrita. Essas aranhas são descritas como pequenas caranguejeiras arborícolas com padrões de cores muito marcantes no abdômen — característica que ajuda a explicar o interesse do mercado internacional.

Os pesquisadores observam que esses animais estão se tornando cada vez mais populares entre colecionadores.

“Typhochlaena são pequenas tarântulas arborícolas com padrões de cores notáveis no abdômen e estão se tornando populares e cada vez mais requisitadas no comércio de animais de estimação”, descreve o artigo científico.

Essa popularidade, no entanto, traz um risco direto para populações naturais que já são extremamente restritas.

Espécies raras e vulneráveis

Uma das espécies que chama atenção dos cientistas é a Typhochlaena curumim, encontrada em remanescentes da Mata Atlântica do Nordeste brasileiro.

Durante muito tempo, essa aranha era conhecida apenas a partir de três fêmeas coletadas sob cascas soltas de árvores em uma área de floresta na Paraíba. Expedições científicas posteriores encontraram novos indivíduos no Rio Grande do Norte e no Ceará, ampliando ligeiramente a área conhecida de ocorrência da espécie.

Mesmo assim, a distribuição continua extremamente limitada.

Por causa dessa raridade e da perda de habitat, a espécie foi classificada como criticamente ameaçada na lista brasileira de espécies ameaçadas.

Segundo os pesquisadores, espécies com distribuição geográfica muito restrita são particularmente vulneráveis à coleta ilegal.

“A presença de uma espécie no comércio pode afetar populações naturais, especialmente quando se trata de espécies com distribuição limitada que atraem demanda internacional”, alertam os cientistas.

Além disso, estudar e proteger invertebrados como aranhas ainda é um desafio para a ciência.

Os próprios autores ressaltam que muitas espécies são descritas a partir de poucos indivíduos coletados em apenas um local, o que dificulta estimar o tamanho real das populações.

“Existem diversas dificuldades em avaliar o risco de extinção de invertebrados, principalmente devido à escassez de dados sobre distribuição e tamanho populacional”, aponta o estudo.

Typhochlaena curumim — Foto: anabio_93 / iNaturalist
Typhochlaena curumim — Foto: anabio_93 / iNaturalist

Mercado internacional e tráfico

O comércio global de animais exóticos é considerado uma das principais ameaças à biodiversidade.

No caso das tarântulas brasileiras, a facilidade de transporte e a demanda crescente de colecionadores contribuem para alimentar esse mercado clandestino.

Pesquisadores apontam que aranhas podem ser enviadas ilegalmente para outros países por meio de pequenas encomendas postais, muitas vezes sem qualquer identificação.

Registro de uma Caranguejeira-Joia-Brasileira (Typhochlaena seladonia) — Foto: vsmjr / iNaturalist
Registro de uma Caranguejeira-Joia-Brasileira (Typhochlaena seladonia) — Foto: vsmjr / iNaturalist

Esse método, conhecido como brown-boxing, permite que espécimes capturados na natureza sejam enviados discretamente para criadores ou comerciantes no exterior.

Uma vez fora do Brasil, esses animais passam a circular no mercado internacional de pets exóticos.

De acordo com os especialistas, muitos exemplares de tarântulas brasileiras acabam sendo vendidos na Europa e na América do Norte.

“Uma vez fora do país, muitos espécimes brasileiros de tarântulas são vendidos no comércio de animais de estimação”, registra o estudo.

As diferenças nas legislações entre países também dificultam o combate ao tráfico.

Enquanto no Brasil a coleta e a comercialização dessas espécies são proibidas, alguns países permitem a compra de animais exóticos sem grandes restrições, o que cria brechas para o comércio ilegal.

Um problema maior que parece

O tráfico de animais silvestres é considerado uma das atividades ilegais mais lucrativas do planeta.

Relatórios da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS) apontam que esse comércio movimenta bilhões de dólares todos os anos e envolve redes criminosas internacionais.

Segundo a organização, o problema é agravado pela falta de informação e pela baixa prioridade dada à fiscalização ambiental em muitos países.

Cores e aparência despertam cobiça de colecionadores — Foto: ivis_lorran / iNaturalist
Cores e aparência despertam cobiça de colecionadores — Foto: ivis_lorran / iNaturalist

“A quantidade de animais traficados, os pontos de venda levantados e as ações desenvolvidas para o seu combate apontavam uma grande vantagem para os traficantes”, afirma o relatório da entidade.

Os pesquisadores também destacam que o tráfico de animais frequentemente está ligado a outras atividades criminosas.

Além disso, como se trata de um mercado ilegal, não existem números precisos sobre o volume de animais retirados da natureza.

“O tráfico de animais silvestres é uma atividade ilegal e, portanto, não conta com registros exatos”, observa o relatório da RENCTAS.

Ciência tenta proteger espécies pouco conhecidas

Enquanto o comércio clandestino cresce, pesquisadores tentam entender melhor a biologia dessas aranhas e identificar medidas de conservação.

Uma das propostas discutidas por cientistas é ampliar a proteção internacional dessas espécies.

Exemplar de Typhochlaena curumim — Foto: alvfr / iNaturalist
Exemplar de Typhochlaena curumim — Foto: alvfr / iNaturalist

A inclusão do gênero Typhochlaena em acordos internacionais de proteção, como a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES), poderia ajudar a monitorar e restringir o comércio global desses animais.

Outra medida sugerida é incluir essas espécies na Lista Vermelha global da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o que poderia chamar mais atenção das autoridades internacionais.

Para os pesquisadores, compreender e divulgar a existência dessas espécies é um passo fundamental para protegê-las.

Isso porque muitas dessas aranhas vivem em fragmentos isolados de floresta e podem desaparecer antes mesmo de serem completamente estudadas.

Pequenas, discretas e muitas vezes escondidas sob a casca de uma árvore, elas representam uma parte pouco conhecida — e extremamente vulnerável — da biodiversidade brasileira.

E, enquanto cientistas seguem tentando revelar os segredos dessas joias vivas da Mata Atlântica, a corrida entre a ciência e o tráfico internacional continua.

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Ilha Diego Garcia, última colônia britânica na África será devolvida

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Britânicos prometem devolver a ilha e manter a base militar

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Por João Lara Mesquita
7 de outubro de 2024
Postado em 27 de Março de 2.026 às 17h00m
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Diego Garcia, localizada a cerca de 1.600 km da massa terrestre mais próxima, sempre figura nas listas das ilhas mais remotas do mundo. Nos anos 70, as autoridades britânicas expulsaram os cerca de mil habitantes com a fleuma autoritária digna dos maiores impérios da Terra. Assim, Diego Garcia  torna-se uma base conjunta do Reino Unido e  dos EUA. Não existem voos comerciais, e chegar por mar também apresenta dificuldades; as licenças para barcos só se concedem para as ilhas exteriores do arquipélago de Chagos e para assegurar uma passagem segura pelo Oceano Índico. Embora integre o território britânico ultramarino, as Ilhas Maurício contestam sua posse.


Veja a importância geopolítica da posse de Diego Garcia, a ilha é porta de acesso para a África, Oriente Médio e Ásia.

Britânicos prometem devolver a ilha e manter a base militar

Desde a expulsão dos moradores a Inglaterra sofre pressões e enfrenta demandas jurídicas pelos desalojados. Segundo o New Straits Times, o governo britânico tem estado sob pressão há décadas para entregar as Ilhas Chagos à Maurícios, uma antiga colônia, mas tem resistido devido à base militar na ilha de Diego Garcia, que desempenha um papel fundamental nas operações dos EUA no Oceano Índico e no Golfo’.

‘O acordo surge após quase dois anos de negociações e marca uma reviravolta significativa após décadas de rejeições britânicas das reivindicações de soberania de Maurícios. Em 2019, o Tribunal Internacional de Justiça aconselhou o Reino Unido a entregar as ilhas. Durante as audiências, o Reino Unido pediu desculpas pela expulsão “vergonhosa” dos ilhéus, mas ignorou a decisão do TIJ.


Imagem, US Navy.

Agora a situação mudou

No início das negociações em 2023, as duas partes concordaram que a base militar de Diego Garcia continuaria a funcionar independentemente do resultado. Em 2016, o Reino Unido prorrogou o contrato de arrendamento da base militar pelos EUA até 2036.

"Pela primeira vez em mais de 50 anos, o estatuto da base será indiscutível e juridicamente seguro”, declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico. Uma declaração conjunta britânica e marroquina disse que a base permaneceria aberta com um contrato de arrendamento “inicial” de 99 anos.

Assim, mais de 50 anos depois a ‘última colônia britânica na África’ como Diego Garcia foi chamada, será finalmente entregue a seus legítimos donos.  A transferência legal de soberania depende da ratificação final pelos parlamentos de ambos os países. Contudo, o Reino Unido manterá os direitos administrativos e operacionais sobre a base militar de Diego Garcia por um período inicial de 99 anos.

Até o início de 2026, a implementação do tratado enfrentou atrasos legislativos e oposição política, particularmente após críticas do governo dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, o que levou a uma pausa temporária no processo de ratificação no Parlamento do Reino Unido.

A bbc conseguiu entrar rm Diego Garcia

É um feito para os civis conseguirem entrar na ilha supersecreta. Mas uma equipe da BBC entrou e relatou o que viu. Alice Cuddy, da BBC, ‘Queríamos cobrir um processo judicial histórico sobre o tratamento dos tâmeis do Sri Lanka, as primeiras pessoas a apresentarem pedidos de asilo na ilha, que estão presas há três anos. Houve algumas batalhas legais complexas sobre seu destino, e um julgamento em breve determinará se as detenções ocorreram ilegalmente.

Alice fala das dificuldades de acesso, ‘para entrar na ilha, você precisa de uma licença, apenas concedida a pessoas com conexões com a instalação militar ou a autoridade britânica que administra o território. Historicamente, os jornalistas foram barrados’.

Advogados do governo tentaram barrar a entrada da BBC

Advogados do governo do Reino Unido apresentaram um desafio legal para tentar impedir a BBC de participar da audiência.  Mais tarde, os Estados Unidos também se opuseram alegando que não forneceriam comida, transporte ou acomodação para todos aqueles que tentam chegar à ilha para o caso – incluindo o juiz e os advogados.

‘Como discutido anteriormente, os Estados Unidos concordam com a posição do Governo de Sua Majestade que seria preferível que os membros da imprensa observassem a audiência virtualmente de Londres, para minimizar os riscos de segurança da instalação;, disse uma nota enviada do governo dos EUA a autoridades britânicas.

Mas, afinal, o que será que os militares escondem com tanto zelo? Por que proibirem até mesmo outro braço do governo, a icônica rede BBC, de entrar no território?

Vejamos o que diz  Cuddy: ‘Quando a permissão foi finalmente concedida para eu passar cinco dias na ilha, ela veio com restrições rigorosas. E não cobriram apenas a reportagem do tribunal. Elas também estenderam-se aos meus movimentos na ilha e até mesmo uma proibição de relatar quais eram as reais restrições’.

Brit 'Um dos locais mais restritos do mundo'

Alice Cuddy diz que apesar das dificuldades,  ainda era capaz de observar detalhes esclarecedores, o que ajudou a pintar um quadro de um dos locais mais restritos do mundo.

‘Diego Garcia é uma das cerca de 60 ilhas que compõem o arquipélago de Chagos ou o território britânico do Oceano Índico (Biot) – a última colônia estabelecida pelo Reino Unido, separando-a das Ilhas Maurício em 1965. Ela está localizado a meio caminho entre a África Oriental e a Indonésia’.

Os acordos assinados em 1966 alugaram a ilha para os EUA por 50 anos inicialmente, com uma possível extensão por mais 20 anos. Acabaram por ampliar o acordo que vai até 2036.

‘A ilha tem uma beleza natural surpreendente, desde a vegetação exuberante até suas praias brancas intocadas, e também abriga o maior artrópode terrestre do mundo – o caranguejo de coco. Militares alertam para os perigos dos tubarões nas águas circundantes.

Detalhes da imensa base militar

As agruras pelas quais a jornalista da BBC passou decorrem da ilha ser uma imensa base militar. Matthew Savill, diretor de ciências militares do principal think tank de defesa do Reino Unido, Rusi, diz que Diego Garcia é uma base “enormemente importante”, “por causa de sua posição no Oceano Indico e das instalações que tem: porto, armazenamento e aeródromo”.

Ela já foi usada durante a guerra entre os Estados Unidos e o Afeganistão, como revela a repórter. ‘Os petroleiros que operavam a partir de Diego Garcia reabasteceram bombardeiros B-2 dos EUA, que haviam voado dos EUA para realizar os primeiros ataques aéreos no Afeganistão após os ataques de 11 de setembro. E, durante a subsequente “guerra ao terror”, aeronaves também foram enviadas diretamente da própria ilha para o Afeganistão e o Iraque’.

A base também é um dos “números extremamente limitados de lugares em todo o mundo disponíveis para recarregar submarinos” com armas como mísseis Tomahawk, diz Savill, e os EUA têm uma grande quantidade de equipamentos e lojas lá para contingências.

Alice Cuddy revela que a monitoraram de perto em todos os momentos. “Minha acomodação recebe vigilância 24 horas por dia, e os homens do lado de fora anotam quando eu saio e volto – sempre sob escolta.”

Uma Guantánamo no índico?

Esse excesso de zelo levanta suspeitas. E a jornalista confirma: “Há muito tempo circulam rumores sobre os usos de Diego Garcia, incluindo que ela tem sido um local negro da CIA – uma instalação usada para abrigar e interrogar suspeitos de terrorismo.”

‘O governo do Reino Unido confirmou em 2008 que os voos de rendição que transportavam suspeitos de terrorismo haviam desembarcado na ilha em 2002, após anos de garantias de que não tinham’.

Depois disso, várias partes do governo desmentiram as informações, até que anos mais tarde, Lawrence Wilkerson, chefe de gabinete do ex-secretário de Estado dos EUA Colin Powell, contou ao Vice News que fontes de inteligência lhe disseram que Diego Garcia servia como local “onde as pessoas estavam temporariamente alojadas e interrogadas de tempos em tempos.”

A BBC encerra com a promessa de que, ‘o processo judicial sobre o tratamento dos temeis, julgamento que ocorrerá em breve, iremos reportá-lo’.

Na verdade, o valor de Diego Garcia está na sua localização. Para o Foreign Policy o oceano Índico é um teatro crítico para o comércio global e competição geopolítica. É o lar de 33 países, representando 2,9 bilhões de pessoas, mais de um terço do tráfego de carga a granel do mundo e dois terços dos embarques de petróleo do mundo. Sem surpresa, tornou-se um foco crescente da estratégia do oceano Indico de Washington, no centro da qual está a disputada ilha de Diego Garcia.

Acidificação do oceano está à beira da transgressão

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Opções de Trump no Irã correm riscos e têm poucas chances de sucesso

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Cenários elaborados por oficiais do Pentágono podem acarretar em muitas baixas, com pouca garantia de êxito
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Adam Cancryn, Zachary Cohen e Alayna Treene, da CNN
27/03/26 às 05:00 | Atualizado 27/03/26 às 05:00
Postado em 27 de Março de 2.026 às 05h30m
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O presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, nesta quinta-feira (26)  • Chip Somodevilla/Getty Images

O presidente Donald Trump está avaliando diversas opções para intensificar drasticamente a guerra contra o Irã, caso sua mais recente tentativa de diplomacia fracasse, mas nenhuma delas é ideal.

Embora a campanha militar tenha se concentrado fortemente em bombardear o país até o momento, oficiais do Pentágono, preparando-se para uma próxima fase da guerra, elaboraram cenários para o envio de tropas com o objetivo de tomar diversos alvos dentro do Irã, de acordo com mais de meia dúzia de pessoas familiarizadas com as discussões.

No entanto, esses cenários não só acarretariam o risco de muitas baixas, como também há pouca garantia de que eles encerrariam o conflito com sucesso.

O planejamento interno tem assumido crescente importância à medida que Trump traça a próxima etapa de sua campanha no Oriente Médio — e à medida que a pressão econômica e política aumenta sobre ele para encontrar uma maneira decisiva de encerrar a guerra.

Mesmo ordenando o envio de milhares de soldados adicionais para a região, Trump tem demonstrado hesitação em intensificar ainda mais o conflito, receoso de que um passo em falso agora transforme a guerra em um conflito cada vez mais violento e prolongado.

“Eles estão derrotados, não podem se recuperar”, disse Trump sobre o Irã durante uma reunião de gabinete nesta quinta-feira (26). “Agora eles têm a chance de fazer um acordo. Mas isso depende deles.”

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, nesta quinta-feira (26) • Chip Somodevilla/Getty Images
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, nesta quinta-feira (26) • Chip Somodevilla/Getty Images

Esforços diplomáticos continuam

Trump deixou claro nos últimos dias que deseja um fim rápido para a guerra, mesmo que ainda não saiba exatamente como garanti-lo. Depois de ameaçar, na semana passada, bombardear as usinas de energia do Irã, Trump recuou, dizendo ter recebido indicações de que autoridades iranianas agora estariam dispostas a negociar.

Na quinta-feira, ele estendeu ainda mais o prazo, declarando que adiaria até 6 de abril os ataques à infraestrutura energética iraniana, na esperança de avançar nas negociações.



Ainda assim, não está claro o quão frutíferos esses esforços serão. Uma proposta de paz de 15 pontos elaborada por funcionários do governo Trump foi prontamente rejeitada pelo Irã. As próprias exigências do regime — que incluíam o pagamento de indenizações e reparações de guerra — também foram consideradas inaceitáveis.

E embora Trump continue insistindo que as negociações estão "indo muito bem", ele alternadamente ameaça intensificar os ataques numa tentativa de forçar o Irã a capitular caso não coopere.

"É função do Pentágono fazer os preparativos necessários para dar ao Comandante-em-Chefe a máxima flexibilidade", disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em um comunicado.

"Isso não significa que o Presidente tenha tomado uma decisão e, como o Presidente disse recentemente no Salão Oval, ele não planeja enviar tropas terrestres para lugar nenhum neste momento", acrescentou Leavitt.

Os EUA e Israel já submeteram o Irã a semanas de bombardeios, matando diversos líderes importantes e eliminando grande parte da capacidade ofensiva do país.

Ainda assim, o regime iraniano apenas consolidou ainda mais seu controle sobre o país. O governo também reforçou seu controle sobre o Estreito de Ormuz, praticamente interrompendo o fluxo de petróleo do Golfo Pérsico e mergulhando os mercados globais de energia em uma crise que se agrava a cada dia.

Imagem de satélite do Estreito de Ormuz • Gallo Images via Getty Images
Imagem de satélite do Estreito de Ormuz • Gallo Images via Getty Images

Autoridades do governo têm buscado maneiras de eliminar esse ponto crucial de influência econômica, seja assumindo o controle do estreito ou dizimando a capacidade do Irã de continuar suas lucrativas exportações de petróleo.

"Eles não têm incentivo para aliviar a pressão sobre o estreito agora", disse Landon Derentz, ex-funcionário de segurança nacional e energia durante os governos Obama, Biden e o primeiro governo Trump.

"E não vejo nenhuma ferramenta política que tenha um impacto significativo em nossa capacidade de compensar a magnitude do déficit", afirmou Derentz.

Opções restantes provavelmente exigem tropas terrestres

Há poucas opções restantes para garantir o controle do estreito e promover os interesses dos EUA no Irã o suficiente para que Trump declare vitória de forma convincente. E as autoridades estão cada vez mais convencidas de que quase todas elas provavelmente exigiriam tropas, de acordo com várias pessoas familiarizadas com as discussões.

Autoridades do governo debateram ideias distintas para extrair o urânio enriquecido que permanece enterrado nas instalações nucleares do Irã, uma missão que alguns acreditam que poderia dar a Trump a vitória decisiva de que ele precisa para encerrar a guerra, disseram fontes familiarizadas com as discussões.

As autoridades também desenvolveram opções para capturar a Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, ou autorizar um ataque aéreo com o objetivo de destruir sua infraestrutura petrolífera.

Ilha de Kharg, no Irã • Cortesia Planet Labs PBC
Ilha de Kharg, no Irã • Cortesia Planet Labs PBC

Além disso, o governo examinou a possibilidade de tomar outras ilhas estrategicamente localizadas perto do estreito, o que poderia enfraquecer a capacidade do Irã de ameaçar os petroleiros que tentam atravessar a hidrovia.

Autoridades da Casa Branca acreditam que a tomada da Ilha de Kharg, em particular, "levaria à falência total" a Guarda Revolucionária do Irã, disse uma autoridade, potencialmente abrindo caminho para um fim definitivo da guerra.

E, caso os recentes esforços diplomáticos de Trump fracassem, alguns de seus assessores e oficiais de inteligência argumentaram em privado que tropas poderiam ser enviadas para o exterior.

No entanto, existe outra preocupação igualmente presente no círculo de Trump: qualquer escalada — especialmente se incluir tropas terrestres — poderia ser desastrosa. Nenhuma das opções disponíveis para Trump garante o fim do conflito, mesmo que executadas com sucesso do ponto de vista tático, afirmou uma fonte familiarizada com os planos.

Talvez ainda mais alarmante seja o fato de que isso introduziria novas incertezas que poderiam rapidamente sair do controle de Trump, arrastando-o ainda mais para uma guerra que ele está cada vez mais ansioso para encerrar rapidamente.

Uma escalada militar por parte dos EUA quase certamente levaria o Irã a retaliar na mesma moeda, potencialmente atacando alvos relacionados à energia na região. Os ataques com mísseis do regime contra a instalação de gás natural de Ras Laffan, no Catar, no início deste mês, já danificaram significativamente partes do importante complexo industrial, alimentando temores nos mercados de energia de uma guerra regional cada vez maior.

Vista da instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) na Cidade Industrial de Ras Laffan, no Catar • Stringer/picture alliance via Getty Images
Vista da instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) na Cidade Industrial de Ras Laffan, no Catar • Stringer/picture alliance via Getty Images

O Irã também poderia convocar os rebeldes Houthis, alinhados ao regime, para atacar petroleiros que foram desviados do Estreito de Ormuz para o Mar Vermelho, que tem servido como a única rota relativamente segura para os armadores transportarem pelo menos parte de sua carga pela região desde o início da guerra, disse um corretor sênior do setor de transporte marítimo de petróleo.

“O Mar Vermelho tem sido um problema há cerca de três anos. Mas já existem armadores suficientes que se sentem confortáveis ​​em navegar por lá”, disse o corretor.

“Se houvesse um problema grave no Mar Vermelho, isso poderia bloquear o fluxo de petróleo proveniente do Golfo Pérsico”, acrescentou.

Temores de escalada

Para alguns assessores e aliados de Trump, esses riscos econômicos são insignificantes em comparação com o perigo que os soldados americanos poderiam enfrentar em solo iraniano em praticamente qualquer cenário.

Os EUA têm limitado, até agora, as baixas em suas forças armadas, uma prioridade considerada crucial para manter o limitado apoio público que ainda existe à guerra.

Mas a tomada e o controle de ilhas próximas ao Estreito de Ormuz ou o envio de forças especiais para o interior do Irã em busca de urânio enriquecido exporiam imediatamente os EUA ao potencial de um número significativo de baixas, eliminando qualquer dúvida na mente dos eleitores de que o que Trump chamou de uma pequena “excursão” ou “desvio” é, na verdade, uma guerra em grande escala.

Vários senadores republicanos já sinalizaram que se oporiam a qualquer envio de tropas para o Irã, prenunciando o potencial para uma grande divisão dentro de um partido que, até agora, tem apoiado amplamente os objetivos de guerra de Trump.

E apesar da pressão que tal missão poderia exercer sobre o Irã, caso fosse bem-sucedida, permanecem sérias preocupações sobre como as forças americanas a executariam. O Irã passou as últimas semanas armando emboscadas e movimentando armas para a Ilha de Kharg, conforme relatado anteriormente pela CNN.

Vista geral do Terminal Petrolífero da Ilha de Kharg, a 25 km da costa iraniana no Golfo Pérsico e a 483 km a noroeste do Estreito de Ormuz, no Irã, em 12 de março de 2017. O Terminal Petrolífero da Ilha de Kharg leva o petróleo iraniano para o mercado mundial. • Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images
Vista geral do Terminal Petrolífero da Ilha de Kharg, a 25 km da costa iraniana no Golfo Pérsico e a 483 km a noroeste do Estreito de Ormuz, no Irã, em 12 de março de 2017. O Terminal Petrolífero da Ilha de Kharg leva o petróleo iraniano para o mercado mundial. • Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images

Mesmo antes disso, analistas afirmaram que qualquer invasão da ilha seria traiçoeira, exigindo que as tropas suportassem ataques constantes de mísseis e drones — e então torcessem para que conseguissem manter a ilha por tempo suficiente para forçar o Irã a se render.

“Isso daria a Trump a oportunidade de dizer: ‘Agora eu controlo o petróleo do Irã’”, disse Gregory Brew, analista sênior sobre o Irã e o setor de energia da empresa de avaliação de risco político Eurasia Group.

“O problema é que os iranianos não vão se render imediatamente. Em vez disso, vão reagir de forma extremamente negativa”, afirmou Brew.

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