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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Irã diz que só reabrirá Estreito de Ormuz após fim definitivo da guerra, segundo mídia iraniana

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Segundo agência iraniana, vice-ministro da defesa defendeu garantias de segurança para abrir o canal.
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Por Redação g1

03h50m
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Movimentação de navios no Estreito de Ormuz, em Omã, no dia 27 de abril de 2026 — Foto: Reuters
Movimentação de navios no Estreito de Ormuz, em Omã, no dia 27 de abril de 2026 — Foto: Reuters

O Irã afirmou que só permitirá novamente a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz após o fim definitivo da guerra com Estados Unidos e Israel e desde que sejam respeitados os protocolos de segurança definidos por Teerã. As informações foram divulgadas pela agência iraniana Fars News Agency nesta quarta-feira (29).

Segundo a Fars, o vice-ministro da Defesa do Irã, brigadeiro-general Reza Talaei-Nik, declarou que a retomada do trânsito pelo canal dependerá de garantias de que a segurança iraniana não será comprometida.

A declaração foi feita durante uma reunião de ministros da Defesa da Organização para Cooperação de Xangai, em Bishkek, no Quirguistão.

Permitir o trânsito tranquilo de navios comerciais estará na pauta após o fim da guerra, desde que sejam observados protocolos que não comprometam a segurança do Irã, afirmou Talaei-Nik, segundo a Fars.

O Estreito de Ormuz é considerado uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte global de petróleo e gás. Atualmente, o fluxo de embarcações segue reduzido devido às restrições impostas pelo Irã, ao bloqueio naval dos Estados Unidos nos portos iranianos e aos recentes ataques e apreensões de navios na região.

De acordo com Talaei-Nik, as restrições são uma resposta direta aos ataques realizados por EUA e Israel contra o território iraniano, iniciados no fim de fevereiro.

Autoridades iranianas já haviam afirmado que garantir segurança e estabilidade para embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz não será gratuito. No mês passado, a Comissão de Segurança do Parlamento iraniano aprovou um plano para impor tarifas aos navios que utilizarem a passagem.

Também nesta terça, o porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou que Teerã não considera encerrada a guerra com os Estados Unidos e Israel.

Não consideramos que a guerra tenha acabado. Nossa situação atual ainda é considerada de guerra, declarou, segundo a Fars.

Ele afirmou ainda que, se houver novos ataques contra o Irã, a resposta será mais dura do que nas ofensivas anteriores. Akraminia também declarou que o Irã manteve a produção de drones durante o conflito e que parte dos equipamentos usados nas operações foi fabricada e utilizada em plena guerra.

Segundo ele, mais de 170 drones e 16 aeronaves militares foram abatidos pelas unidades de defesa do Exército iraniano e pela Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica.

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terça-feira, 28 de abril de 2026

Irã mantém iniciativa diplomática e "dominância de escalada" em Ormuz

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Apesar da inferioridade militar e econômica, o país explora a posição geográfica para negociar a paz nos seus termos
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Lourival Sant'Anna
Analista de Internacional. Fez reportagens em 80 países, incluindo 15 coberturas de conflitos armados, ao longo de mais de 30 anos de carreira. É mestre em jornalismo pela USP e autor de 4 livros
28/04/26 às 06:00 | Atualizado 28/04/26 às 06:00
Postado em 28 de Abril de 2.026 às 06h25m
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Imagem de satélite do Estreito de Ormuz  • Ilustração gerada por IA

O governo iraniano apresentou aos Estados Unidos, por intermédio dos mediadores paquistaneses, uma proposta de reabertura imediata do Estreito de Ormuz e deixar para um segundo momento as negociações sobre o programa nuclear. O presidente americano, Donald Trump, reuniu o Conselho de Segurança Nacional para discutir uma resposta.

Esses movimentos refletem uma realidade: o Irã está com a iniciativa diplomática. Isso ficou claro no fim de semana. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foi a Islamabad na sexta-feira (24). Trump preparou seus enviados especiais, Steve Witkoff e Jared Kushner, para também viajar para a capital paquistanesa no sábado (25).

A viagem teve de ser abortada na última hora quando chegou a informação de que o chanceler iraniano havia partido do Paquistão, que era apenas a primeira etapa de uma viagem que incluiu também Omã e Rússia, seu mais importante aliado.

Dessa forma, os iranianos procuraram demonstrar que não estão desesperados para conversar, como havia alegado Trump, e também que não estão isolados. Em Mascate, Abbas discutiu o status do Estreito de Ormuz, que também passa pela costa de Omã.


Em São Petersburgo, reuniu-se com o próprio presidente Vladimir Putin, num sinal de prestígio. Depois da reunião, a Rússia reiterou seu apoio ao Irã. A posição russa é a de que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã sem serem provocados.

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A capacidade do Irã de manter a iniciativa reflete a dominância de escalada que ele exerce no Estreito de Ormuz. Significa que, seja qual for a ação militar disponível para os EUA, o Irã tem a capacidade de responder de forma politicamente mais danosa para os americanos.

O Irã -- ao contrário da Rússia, que ganha com o prolongamento da guerra por causa da elevação dos preços da energia e dos fertilizantes – paga um alto preço econômico com o fechamento do estreito, e teve parte substancial de sua infraestrutura militar e civil destruída.

Mesmo assim, apesar da superioridade militar de EUA e Israel, o controle sobre o estreito confere aos iranianos uma posição de força desproporcional a suas condições no campo da defesa e da economia.

Bloquear o estreito é relativamente fácil: basta as companhias marítimas saberem que uma simples mina naval oferece risco a suas embarcações para manter seus navios nos portos. E não é necessário uma Marinha de guerra avançada para lançar minas: bastam lanchas ou jet skis.

Pelo estreito passam 50% dos insumos de fertilizantes, 30% do alumínio, 17% dos polímeros da indústria do plástico, 30% do hélio usado na fabricação de semicondutores e uma quantidade expressiva de produtos petroquímicos que servem de ingredientes para a indústria farmacêutica.

A solução desse impasse só é possível por meio da negociação. Os iranianos sabem disso. Os americanos estão aprendendo a duras penas. Enquanto isso, são “humilhados pelo Irã, como disse nesta segunda-feira Friederich Merz.

O chanceler alemão não pode ser acusado nem de esquerdista nem de antiamericano: ele é da conservadora União Democrata-Cristão e foi chairman do fundo de investimentos americano Black Rock na Alemanha, entre 2016 e 2020.

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segunda-feira, 27 de abril de 2026

‘Sharingan da natureza’? Olho de ave viraliza e intriga fãs de Naruto

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Íris vermelha com manchas escuras chama atenção, mas tem explicações ligadas à comunicação e ao comportamento da espécie.
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Por Giovanne Cury*, Terra da Gente

Postado em 27 de Abril de 2.026 às 15h15m
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Olho de ave intriga ao lembrar habilidade de Naruto — Foto: Reprodução / @sol.plumita
Olho de ave intriga ao lembrar habilidade de Naruto — Foto: Reprodução / @sol.plumita

Um carrossel de imagens do mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland), uma ave sul-americana, chamou a atenção no Instagram após viralizar no perfil @sol.plumita. O motivo foi além da estética: fãs do anime Naruto rapidamente apontaram a semelhança entre os olhos da espécie e o famoso Sharingan, habilidade marcada justamente pela íris vermelha com padrões de manchas escuras.

Na animação japonesa, o Sharingan é um poder que muda a coloração da íris para vermelho com detalhes pretos, formando diferentes padrões para cada usuário. É uma herança genética específica do clã (família) Uchiha, cuja função é aumentar a percepção visual. A técnica permite prever movimentos rápidos, copiar habilidades e lançar ilusões (chamadas de genjutsu) nos adversários.

No caso da ave, no entanto, a coloração tem uma função completamente diferente, segundo o ornitólogo Fernando Igor de Godoy. Ela está associada à comunicação e ao reconhecimento entre os indivíduos, especialmente em ambientes com reflexo de luz na superfície.

A espécie dispõe de ótima visão, utilizada para caçar presas ágeis e detectar ameaças distantes, além de enxergar debaixo d'água na procura de alimento — característica comum a outras espécies de mergulhões.

Olhos do personagem Itachi de Naruto, com o sharingan — Foto: Maki Maki/Flickr
Olhos do personagem Itachi de Naruto, com o sharingan — Foto: Maki Maki/Flickr

Assim como no anime, esses olhos da vida real são considerados habilidosos, mas o talento na caça não tem relação direta com a cor vermelha em si. As manchas escuras nos olhos da ave ainda não têm função comprovada pela ciência, mas especialistas apontam que podem ajudar a reduzir a entrada de luz lateral, algo muito útil em um ambiente com luminosidade extrema e reflexos na água.

Esses mergulhões vivem em áreas alagadas, geralmente de grande extensão, por isso são adaptados a ambientes com bastante luminosidade. Entre os mergulhões, eles são os que mais caçam na superfície, mergulhando eventualmente, afirma o ornitólogo.

 Mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland) com olhos similares ao anime — Foto: Reprodução / @sol.plumita
Mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland) com olhos similares ao anime — Foto: Reprodução / @sol.plumita

Essa característica ajuda a entender um detalhe curioso: entre as espécies brasileiras do grupo, apenas o mergulhão-de-orelha-branca e o mergulhão-de-orelha-amarela apresentam olhos vermelhos. São justamente aqueles que passam mais tempo caçando fora d’água, o que indica uma possível influência da coloração dos olhos na visibilidade sob alta incidência de luz.

No fim das contas, o Sharingan da natureza pode até não conceder poderes especiais, mas garante à ave um dos olhares mais marcantes entre as espécies aquáticas do continente.

Sobre a espécie

Ave ocorre exclusivamente na América do Sul, com registros do Peru ao Chile, Argentina e sul do Brasil. — Foto: Reprodução / @sol.plumita
Ave ocorre exclusivamente na América do Sul, com registros do Peru ao Chile, Argentina e sul do Brasil. — Foto: Reprodução / @sol.plumita

  • Distribuição: o mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland) ocorre exclusivamente na América do Sul, com registros do Peru ao Chile, Argentina e sul do Brasil.
  • Habitat: vive em ambientes aquáticos, como lagos, rios e poças temporárias, geralmente em áreas abertas e com boa incidência de luz.
  • Alimentação: diferente da maioria dos mergulhões, alimenta-se principalmente na superfície da água. Sua dieta inclui invertebrados, plantas aquáticas e peixes.
  • Comportamento: realiza mergulhos de forma ocasional, embora tenha capacidade de capturar presas ágeis.
  • Características visuais: plumagem escura com tufos brancos nas laterais da cabeça e olhos vermelhos.
  • Reprodução: o período reprodutivo ocorre na primavera e no verão. Geralmente é solitário, mas há registros de formação de colônias.
  • Ninho: constrói ninhos em formato de plataforma flutuante, feitos com plantas aquáticas e fixados na vegetação densa próxima à água.
Mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland) com olhos similares ao anime — Foto: Reprodução / @sol.plumita
Mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland) com olhos similares ao anime — Foto: Reprodução / @sol.plumita
Sobre Naruto

Lançado no início dos anos 2000 e baseado no mangá de Masashi Kishimoto, Naruto é um dos animes japoneses mais populares do mundo. A história acompanha Naruto Uzumaki, um jovem ninja que sonha em se tornar Hokage, o líder de sua vila, enquanto busca reconhecimento e enfrenta desafios ligados ao seu passado.

Anime Naruto foi febre mundial em sua época — Foto: Kotik75/GoodFon
Anime Naruto foi febre mundial em sua época — Foto: Kotik75/GoodFon

Ambientada em um universo onde ninjas utilizam habilidades especiais, a obra combina ação, drama e fantasia. Ao longo da narrativa, os personagens desenvolvem técnicas únicas, sendo algumas delas relacionadas aos olhos — como é o caso do Sharingan, uma habilidade que amplia a percepção e se tornou um dos símbolos mais marcantes da série.

Com o sucesso entre diferentes gerações, Naruto se consolidou como um fenômeno global da cultura pop. A obra influenciou não só outras produções do gênero, mas também gerações de discussões, memes e comparações curiosas – como a que envolve até mesmo o olhar de uma ave sul-americana.

* Sob supervisão de Rodrigo Peronti.

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domingo, 26 de abril de 2026

Salão de Pequim: marca de luxo da BYD mostra supercarro elétrico mais veloz que Ferrari; VÍDEO

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O modelo está previsto para chegar ao Brasil ainda em 2026 e é compatível com um sistema de recarga capaz de levar a bateria de 10% a 97% em apenas 9 minutos.
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Por André Fogaça, g1 — Pequim, China

Postado em 26 de Abril de 2.026 às 09h30m
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marca de luxo da BYD mostra supercarro elétrico mais veloz que Ferrari
Marca de luxo da BYD mostra supercarro elétrico mais veloz que Ferrari

A Denza, marca de luxo da BYD, apresentou o Denza Z no Salão do Automóvel de Pequim. O supercarro entrega mais de 1.000 cv de potência e acelera de 0 a 100 km/h em menos de dois segundos.

Embora seja um modelo chinês, o Denza Z carrega forte influência alemã. O projeto é assinado pelo designer Wolfgang Egger, ex-Audi, e essa herança europeia aparece em vários detalhes do carro.

Isso fica evidente no visual, que lembra uma mistura de modelos da Maserati e da Ferrari, e também no volante, que remete aos carros da Porsche.

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1
Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)

Exibido na cor verde-claro durante o salão, o modelo pode ser conversível ou cupê e também conta com uma configuração voltada para uso em pistas.

Sob a carroceria, o Denza Z reúne o que há de mais avançado na eletrificação da chinesa. São três motores elétricos, que garantem tração integral e somam mais de 1.000 cv de potência, permitindo acelerações extremamente rápidas — a BYD não divulgou a potência exata.

A BYD não informa o tempo exato, mas o fato de a aceleração ser inferior a 2 segundos já coloca o Denza Z à frente da Ferrari SF90 Stradale, que até então era considerada a mais rápida da marca italiana, com 0 a 100 km/h em 2,5 segundos.

O modelo tem quatro bancos e acabamento em fibra de carbono, material que também está presente no console central elevado.

A identidade chinesa também se revela na central multimídia, que tem aspecto flutuante e dimensões generosas, semelhantes às vistas em modelos da BYD.

O Denza Z é equipado com a suspensão magnética DiSus-M, a versão mais avançada do sistema de direção semi-autônoma da BYD e um conjunto de baterias compatível com o carregamento mais rápido oferecido pela marca.

Denza Z

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1
Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Denza Z — Foto: André Fogaça/g1

Com esse sistema, o Denza Z leva apenas 9 minutos para passar de 10% a 97% de carga da bateria.

Denza Z estreia primeiro fora da China

Apesar de ter sido apresentado no Salão do Automóvel de Pequim, o lançamento mundial do supercarro está marcado para julho, na Inglaterra, durante o Goodwood Festival of Speed.

Só depois o Denza Z será lançado na China. Segundo a BYD, o supercarro chegará ao Brasil no segundo semestre de 2026.

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Ataques de EUA e Israel não reduziram poder do Irã, diz especialista

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Professor da UFF e pesquisador de Harvard afirma que o país continua demonstrando força ao fechar o Estreito de Ormuz, apesar dos bombardeios de Israel e EUA
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Da CNN Brasil
26/04/26 às 07:38 | Atualizado 26/04/26 às 07:38
Postado em 26 de Abril de 2.026 às 07h55m
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Os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã não eliminaram a capacidade do país de projetar poder na região, afirmou o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin, durante entrevista a CNN.

Segundo o especialista, embora os bombardeios tenham destruído grande parte da marinha iraniana e a força aérea já estivesse comprometida por sanções antes do conflito, o Irã ainda mantém uma força terrestre significativa, com 610 mil militares ativos e 350 mil reservistas.

"Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não acabaram com a possibilidade do Irã de projetar poder, que, segundo o secretário de guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, seria o objetivo principal dessa guerra", explicou Brustolin.

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Estreito de Hormuz como instrumento de poder

O pesquisador destacou que o Irã continua demonstrando sua capacidade de projeção de poder através do controle do Estreito de Ormuz, utilizando armas relativamente baratas como minas navais, drones e mísseis. De acordo com Brustolin, o país possui entre 2 mil e 6 mil minas navais, equipamentos menos custosos que os empregados pelos Estados Unidos e Israel no conflito.

A presença militar americana na região foi reforçada significativamente nas últimas semanas. "Os Estados Unidos, por exemplo, agora tem três porta-aviões na região. Já tinha o Abraham Lincoln e o Gerald Ford, que voltou da Croácia depois de receber reparos, e agora chegou na região o George H.W. Bush", informou o especialista, ressaltando que tal concentração naval não era vista desde a Guerra do Iraque.

Impacto político nos EUA

Brustolin também analisou o cenário político americano, observando que o tempo corre a favor do regime iraniano neste momento. Segundo ele, Donald Trump enfrenta pressões internas devido às eleições de novembro, inclusive de apoiadores do movimento MAGA que o criticam por não cumprir promessas de campanha relacionadas à paz.

"O Trump prometeu que seria o presidente da paz. Ele fez campanha em 2024 dizendo que a Kamala Harris afundaria os Estados Unidos em uma guerra, que ela levaria os Estados Unidos a uma guerra mundial", lembrou o pesquisador, acrescentando que Trump corre o risco de perder apoio no Congresso se não conseguir administrar adequadamente o conflito.

Para o especialista, enquanto os EUA enfrentam pressões democráticas e eleitorais, o regime iraniano, descrito por ele como uma "ditadura militar com um representante teocrático", não enfrenta os mesmos constrangimentos internos, o que lhe confere maior capacidade de resistência no atual cenário de tensão internacional.

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