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sábado, 22 de agosto de 2026

Guerra no Irã faz países do Golfo acelerarem planos para driblar Estreito de Ormuz

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Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque ampliam oleodutos e armazenamento de petróleo para reduzir a dependência da principal rota de exportação da região, que teve fluxo diário cair de 20 milhões para 3,7 milhões de barris.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 22 de Agosto de 2.026 às 07h00m

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Irã diz que Estreito de Ormuz só será reaberto com saída dos EUA
Irã diz que Estreito de Ormuz só será reaberto com saída dos EUA

A guerra no Irã está obrigando os grandes produtores de petróleo do Golfo Pérsico a reformular a forma como exportam o produto e reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, principal rota de saída da região.

Segundo o jornal "The New York Times", países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque estão acelerando projetos de oleodutos, terminais e áreas de armazenamento que permitam transportar petróleo sem passar pelo estreito.

Os investimentos devem custar bilhões de dólares e levar anos para serem concluídos, mas governos e empresas consideram as novas estruturas necessárias diante do aumento dos riscos na região. Mesmo que um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã seja alcançado, os países produtores avaliam que depender de uma única rota de exportação se tornou um risco grande demais.

A mudança também pode, ao longo do tempo, reduzir a influência do Irã sobre o comércio de petróleo na região, já que os países vizinhos estarão menos dependentes de uma passagem marítima que pode ser afetada por conflitos.

Trump já afirmou que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos — Foto: REUTERS
Trump já afirmou que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos — Foto: REUTERS

"Não acho que nenhum país do mundo queira voltar a depender tanto desse ponto de passagem", disse Ben Cahill, analista de energia da Universidade do Texas em Austin, ao NYT.

Segundo ele, os produtores passaram a priorizar mais a segurança de suas estruturas, mesmo que isso implique custos maiores e operações menos eficientes.

Exportações pelo estreito despencam

Antes de Estados Unidos e Israel iniciarem ataques militares contra o Irã, em 28 de fevereiro, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto por dia passavam pelo Estreito de Ormuz. A passagem marítima liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais rotas utilizadas para levar o petróleo produzido na região aos mercados internacionais.

A guerra, porém, alterou esse fluxo. Bloqueios impostos por Estados Unidos e Irã, minas marítimas, ataques com mísseis e o forte aumento no preço dos seguros para navios praticamente interromperam o funcionamento normal da rota.

O NYT explica que na semana passada, as exportações de petróleo bruto pelo estreito haviam caído para cerca de 3,7 milhões de barris por dia, segundo a Kpler, empresa que monitora o transporte marítimo.

Ainda assim, isso não significa que apenas esse volume esteja deixando o Golfo. Parte do petróleo continua sendo transportada por navios que adotam medidas para dificultar seu rastreamento. Outra parcela sai por rotas alternativas que já existiam, principalmente oleodutos que não dependem do Estreito de Ormuz.

Grande parte dos navios que ainda atravessam a região enfrenta riscos adicionais. Alguns navegam em meio a ataques de drones iranianos; outros desligam seus sistemas de localização para dificultar que sejam identificados. Pelo menos 17 trabalhadores marítimos morreram na região.

Emirados ampliam rota alternativa

Em Fujairah, cidade portuária dos Emirados Árabes Unidos voltada para o Golfo de Omã, equipes trabalham 24 horas por dia na construção de um segundo oleoduto, paralelo a uma estrutura já existente.

O sistema transporta petróleo dos campos terrestres de Abu Dhabi até a costa, permitindo que o produto seja embarcado sem passar pelo Estreito de Ormuz.

O novo projeto pretende dobrar a capacidade dessa rota alternativa para 3,6 milhões de barris por dia. Com isso, quase todo o petróleo produzido em terra em Abu Dhabi poderá chegar aos navios que fazem o transporte internacional sem precisar atravessar o estreito.

A estatal de energia dos Emirados, Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), também anunciou nesta semana que pretende investir US$ 8,2 bilhões (R$ 42,5 bilhões) na expansão de seus negócios de gás natural.

A empresa avalia ainda construir uma instalação para exportar gás natural liquefeito, uma forma de gás natural resfriada a temperaturas muito baixas para facilitar seu transporte em navios, na costa leste dos Emirados.

A localização permitiria evitar o Estreito de Ormuz, segundo Peter van Driel, diretor financeiro da ADNOC.

Arábia Saudita amplia oleoduto até o Mar Vermelho

Na Arábia Saudita, a estatal Saudi Aramco está acelerando uma expansão de bilhões de dólares do Oleoduto Leste-Oeste, uma estrutura criada justamente para oferecer ao país uma alternativa ao transporte marítimo pelo Golfo, registrou o NYT.

Construído durante a guerra entre Irã e Iraque, na década de 1980, o oleoduto percorre 1.201 quilômetros pela Península Arábica até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

O presidente da Aramco, Yasir O. Al-Rumayyan, chamou a estrutura neste ano de "linha de vida" econômica do país. Desde que os ataques militares de Estados Unidos e Israel fizeram o Irã interromper, na prática, o funcionamento do Estreito de Ormuz, o oleoduto conseguiu redirecionar cerca de 7 milhões de barris de petróleo por dia.

Agora, autoridades sauditas trabalham para acrescentar mais 1 milhão a 2 milhões de barris por dia à capacidade da estrutura. O país também avalia construir um segundo oleoduto, menor e paralelo ao atual, para transportar produtos derivados de petróleo, como combustíveis.

"Em relação à exportação do nosso petróleo bruto, estamos trabalhando ativamente para aumentar nossas opções neste momento", disse Amin Nasser, presidente-executivo da Saudi Aramco, na semana passada. 
Outros países também buscam alternativas

A incerteza em torno do Estreito de Ormuz levou outros produtores do Golfo a acelerar projetos semelhantes.

O Kuwait negocia com a Arábia Saudita e outros países árabes a construção de um oleoduto que ligaria seus campos de petróleo a portos no Mar Vermelho ou em Omã.

Iraque e Jordânia retomaram planos que estavam parados havia anos para construir um oleoduto com capacidade de transportar até 1 milhão de barris por dia até o porto de Aqaba, no Mar Vermelho, segundo informações da televisão estatal jordaniana.

O Iraque também está acelerando os planos para reconstruir um oleoduto danificado que permitiria transportar petróleo dos campos de Kirkuk até a costa mediterrânea da Síria.

Mas as novas rotas também criam novos riscos.

Ao redirecionar parte do transporte de petróleo para o Mar Vermelho, por exemplo, a Arábia Saudita passa a depender mais de uma região onde o grupo rebelde houthi, do Iêmen, tem atacado embarcações. Na terça-feira (11), 6 pessoas morreram quando os houthis atingiram um navio no Mar Vermelho.

Petróleo armazenado longe do Golfo

Os países produtores também estão adotando outra estratégia: aumentar seus estoques de petróleo em outros países.

Além dos novos oleodutos, nações do Golfo estão ampliando a capacidade de armazenamento em locais como Coreia do Sul, Japão e Índia, a milhares de quilômetros da região.

A estratégia funciona como uma espécie de seguro: se o Estreito de Ormuz for fechado, parte do petróleo já estará armazenada do outro lado da passagem e poderá ser vendida aos compradores sem depender imediatamente de uma nova travessia pelo estreito.

"Todo mundo está tentando aumentar sua capacidade de armazenamento", disse Nasser, da Aramco, ao NYT. "A segurança energética está se tornando uma prioridade agora."

Apesar dos investimentos, analistas afirmam que os países do Golfo não conseguirão abandonar completamente o Estreito de Ormuz.

"Eles definitivamente precisam do Estreito de Ormuz porque ele oferece muitas vantagens e a infraestrutura já está instalada", disse Carole Nakhle, presidente-executiva da consultoria Crystol Energy.

Para ela, porém, a crise mostrou que depender exclusivamente da passagem foi um erro. "Foi tolice colocar toda a confiança em Ormuz", afirmou.

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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

"Deserto feito de água": Nasa divulga foto espacial dos Lençóis Maranhenses

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Agência publicou imagem de satélite do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses; a área, segundo a Nasa, recebe o dobro de chuva da cidade de Londres
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Larissa Soave, da CNN Brasil*, em São Paulo
21/08/26 às 09:44 | Atualizado 21/08/26 às 09:44
Postado em 21 de Agosto de 2.026 às 18h30m

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Visão dos Lençóis Maranhenses do espaço. Imagem foi tirada pelo staélite Landsat 9 em junho de 2026.  • NASA Earth Observatory/Michala Garrison

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi descrito pela Nasa como um "deserto feito de água" em uma publicação da agência nas redes sociais, nesta quinta-feira (20), com uma imagem do local visto do espaço.

Localizado no noroeste do Maranhão, a cerca de 250 km da capital São Luís, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses tem a maior duna da América do Sul. Com 155 mil hectares, o Cerrado é o bioma dominante, mas há fortes influências da Caatinga e da Amazônia que conquistam turistas.

Na publicação, a Nasa diz que é fácil confundir o parque com um deserto, mas as semelhanças terminam na aparência, já que a área recebe cerca de 125 centímetros de chuva por ano.

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"Isso é um pouco mais do que Seattle e o dobro do que cai em Londres", afirma a publicação da agência.

A publicação destaca as fileiras de dunas de quartzo branco, explicando que o campo existe devido a um encontro raro entre geologia e clima.

As imagens foram capturadas pelo satélite Landsat 9 em junho de 2026, por volta da época em que os níveis de água das lagoas costumam atingir o pico. De acordo com registros do satélite, o campo de dunas avançou cerca de 0,5 quilômetro para o oeste entre 1986 e 2026 em algumas áreas, devido à esteira rolante de dunas que se move do litoral em direção ao interior.

Patrimônio Natural da Humanidade

Há cerca de dois anos, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) reconheceu o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses como Patrimônio Natural da Humanidade.

O anúncio foi feito no dia 26 de julho de 2024 pelo comitê da instituição. Para dar a declaração, a Unesco avaliou a beleza natural, limites, plano de manejo do parque e a proteção da área.

O Brasil é um país rico em belezas naturais e este reconhecimento do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, como Patrimônio Mundial, aumentará significativamente a sua visibilidade global, atraindo turistas de todas as partes do mundo", disse Celso Sabino, ministro do Turismo.

Os Lençóis Maranhenses têm ganhado cada vez mais destaque. Foi possível constatar isso, por exemplo, quando um estudo da empresa Bounce, que analisou os principais parques ao redor do mundo por meio das redes sociais e pesquisa, considerou o local como o segundo mais bonito do mundo

No Brasil, outros sete locais fazem parte da lista de Patrimônio Natural da Humanidade, sendo eles: o Pantanal, a Amazônia Central, a Costa do Descobrimento, o completo Ilhas Atlânticas, o Parque Nacional do Iguaçu, Vale do Ribeira e o complexo Chapada dos Veadeiros.

"Este título não apenas eleva o status do local em termos de prestígio internacional, mas também traz diversos benefícios tangíveis, especialmente no que diz respeito à sua preservação, finalizou o Sabino sobre a declaração.

Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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El Niño pode ser o mais forte já registrado e agravar extremos climáticos

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Meteorologia britânica prevê aquecimento do oceano Pacífico 3ºC acima da média, com consequências devastadoras para o planeja. No Brasil, previsão é de menos chuva no Norte e Nordeste e mais chuva no Sul.
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Por Redação g1

Postado em 21 de Agosto de 2.026 às 13h00m

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El Niño deve ser o mais forte desde o século XIX
El Niño deve ser o mais forte desde o século XIX

O El Niño que deve atingir o planeta pode ser o mais intenso já registrado desde o século 19, segundo o serviço meteorológico britânico. O órgão classificou o fenômeno como sem precedentes e alertou para o risco de agravamento de eventos climáticos extremos.

O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico. Atualmente, a temperatura do oceano está cerca de 2°C acima do normal, condição considerada forte. As previsões, no entanto, indicam que o aquecimento pode ultrapassar 3°C ainda este ano.

Segundo o serviço meteorológico britânico, os registros disponíveis desde 1950 não apontam para um aquecimento dessa intensidade. A expectativa é de que o episódio possa ser o mais forte desde o século 19.

O fenômeno pode intensificar eventos extremos em diferentes partes do mundo. Entre os impactos previstos estão maior risco de seca e incêndios florestais na Austrália e no sudeste da Ásia, além de possibilidade de inundações no Peru, no Equador e no sul dos Estados Unidos.

No Brasil, a tendência indicada pela previsão é de redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste e aumento das precipitações no Sul.

Os efeitos do El Niño devem se somar às consequências das mudanças climáticas, aumentando a possibilidade de extremos de temperatura e de chuva em diferentes regiões.

O serviço meteorológico britânico também alertou que é muito provável que 2027 seja o ano mais quente já registrado no planeta.

El Niño deve ser o mais forte desde o século XIX — Foto: Reprodução/TV Globo
El Niño deve ser o mais forte desde o século XIX — Foto: Reprodução/TV GloboLEIA TAMBÉM:

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Análise: China é desafio para Trump em meio à pressão econômica sobre o Irã

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Ameaça de "Dia D econômico" contra Teerã dificilmente terá sucesso sem a adesão de Pequim, que compra a maior parte do petróleo iraniano
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John Liu, da CNN
21/08/26 às 10:22 | Atualizado 21/08/26 às 10:22
Postado em 21 de Agosto de 2.026 às 10h40m

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O presidente dos EUA, Trump, visita a China  • O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com o presidente chinês, Xi Jinping, ao sair após uma visita ao Jardim Zhongnanhai em Pequim, China, em 15 de maio de 2026. REUTERS/Evan Vucci/Pool/File Photo

É  pouco provável que a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um "Dia D econômico" contra o Irã force o país a ceder à sua vontade sem a adesão da China.

No entanto, Trump dispõe de pouca influência sobre Pequim para concretizar isso.

Na quarta-feira (19), o presidente americano prometeu "enormes consequências econômicas" para os países que continuassem a fazer negócios com Teerã.

Desde então, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, reforçou os avisos de Trump, instando a China a "alinhar-se" à estratégia americana em uma entrevista à CNBC na quinta-feira (20).

Leia Mais.

Pequim tem sido a tábua de salvação de Teerã, comprando 90% das exportações de petróleo bruto iraniano, segundo dados da Vortexa Analytics citados em uma reportagem da agência de notícias Reuters.

A China não registra a importação de petróleo bruto iraniano em seus dados alfandegários.

É improvável que isso mude agora, especialmente ao observar-se a impopularidade do conflito em curso tanto nos EUA quanto no exterior, e considerando que o líder chinês, Xi Jinping, deve visitar o país no próximo mês.

Após um ano turbulento nas relações entre EUA e China, desencadeado por sua nova ofensiva tarifária, Trump tem todos os motivos para evitar que as tensões entre as duas maiores economias do mundo voltem a escalar.

Sua visita a Pequim, em maio, ajudou a acalmar os ânimos até o momento.

Em resposta à campanha de pressão econômica de Washington contra o Irã, Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, afirmou que "sanções e táticas de pressão não são a solução".

"A China conclama as partes a agirem com responsabilidade e a manterem a abordagem política e diplomática", disse ele na quinta-feira.

Trump também dispõe de opções econômicas cada vez mais limitadas para exercer pressão sobre o país asiático.

Embora o Departamento do Tesouro americano tenha imposto sanções a refinarias chinesas independentes que importavam petróleo bruto iraniano, Pequim ordenou que suas empresas ignorassem tais restrições.

Qualquer medida significativa dos EUA contra a China também corre o risco de provocar contramedidas por parte de Pequim.

A China detém um trunfo importante: as terras raras — minerais críticos necessários para a fabricação de diversos produtos, desde smartphones até veículos elétricos e caças.

Como o país processa cerca de 90% da oferta mundial, Trump precisa agir com cautela enquanto as nações ocidentais tentam criar cadeias de suprimentos alternativas.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Enquanto Trump promete cortar gastos, dívida dos EUA bate recorde de US$ 40 trilhões e preocupa investidores

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Endividamento americano cresceu US$ 2 trilhões em menos de um ano, enquanto alta dos juros aumenta o custo para o governo financiar a dívida e pressiona as contas públicas.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 20 de Agosto de 2.026 às 12h15m

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A dívida nacional dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões pela primeira vez
A dívida nacional dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões pela primeira vez

dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez US$ 40 trilhões nesta quarta-feira (19), um marco histórico em meio ao aumento dos gastos com defesa, programas sociais e ao custo crescente dos juros no país.

O valor foi alcançado apenas cinco meses depois de a dívida americana superar US$ 39 trilhões, em março.

Outros US$ 1 trilhão haviam sido acrescentados cerca de cinco meses antes, em outubro, quando a dívida chegou a US$ 38 trilhões, segundo dados do Departamento do Tesouro americano.

O avanço da dívida ocorre enquanto o governo dos Estados Unidos mantém gastos superiores à arrecadação.

⚔️ Os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 954 bilhões em defesa em 2025, segundo o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI), o equivalente a aproximadamente 37% de todo o gasto militar do mundo. Para 2026, a expectativa é que os gastos americanos ultrapassem US$ 1 trilhão.

Além disso, a guerra contra o Irã já havia custado US$ 37,5 bilhões aos Estados Unidos até 21 de julho de 2026, segundo o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth. O Pentágono também pediu ao Congresso mais US$ 67,1 bilhões para financiar a guerra e outras despesas militares.

O presidente americano Donald Trump tem prometido reduzir despesas e vem concentrando os cortes na máquina pública, com redução de funcionários, de programas de agências federais e da ajuda externa.

Ao mesmo tempo, o governo também busca cortar gastos em algumas áreas e eliminar despesas que considera desnecessárias.

O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo enquanto responde a perguntas da imprensa após assinar uma ordem executiva que estabelece a Comissão Presidencial para Cônjuges de Militares, que será presidida por Jennifer Rauchet, esposa do secretário de Defesa Pete Hegseth, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 3 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein
O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo enquanto responde a perguntas da imprensa após assinar uma ordem executiva que estabelece a Comissão Presidencial para Cônjuges de Militares, que será presidida por Jennifer Rauchet, esposa do secretário de Defesa Pete Hegseth, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 3 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

➡️ Para cobrir a diferença, o Tesouro emite títulos públicos e toma dinheiro emprestado de investidores, com a promessa de devolver o valor acrescido de juros. Quanto maior a dívida e os juros cobrados, maior o custo para o governo.

Essa pressão aumentou nos últimos dias. Na terça-feira (18), o rendimento do título do Tesouro americano de 30 anos chegou a 5,34%, o maior nível desde 2007. O indicador representa o retorno exigido pelos investidores para emprestar dinheiro ao governo por um período de 30 anos.

  • 🔎 O que são títulos públicos? São papéis emitidos pelo governo para "pegar dinheiro emprestado com investidores". Quem compra um título recebe o dinheiro de volta no futuro, com juros. É uma das formas usadas pelo governo para financiar seus gastos.
Como o Tesouro tenta conter pressão no mercado

Foi nesse cenário que o Departamento do Tesouro anunciou na quarta-feira (19) que vai mais que dobrar o tamanho de algumas operações de recompra de títulos de longo prazo, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação.

recompra é uma ferramenta de gestão da dívida. O Tesouro compra de volta títulos que estão nas mãos dos investidores, em uma tentativa de melhorar o funcionamento e a liquidez do mercado, ou seja, facilitar a compra e a venda desses papéis.

A medida foi anunciada após a alta dos juros dos títulos de longo prazo, em meio às preocupações dos investidores com a situação fiscal americana e os efeitos da guerra com o Irã sobre a inflação e os gastos do governo. Após o anúncio, o rendimento do Treasury de 30 anos recuou para cerca de 5,18%.

O objetivo é reduzir a pressão sobre o mercado de títulos públicos e facilitar a negociação desses papéis.

Por que a dívida está crescendo?

A dívida americana resulta de décadas de déficits. Quando o governo gasta mais do que arrecada, precisa buscar recursos no mercado para cobrir o rombo.

O endividamento aumentou fortemente durante a pandemia de Covid-19, quando o governo ampliou os gastos para sustentar a economia. Nos últimos anos, também houve aumento de despesas e cortes de impostos aprovados durante o governo Trump.

Desde 2017, a dívida americana mais que dobrou. Desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025, o estoque aumentou cerca de US$ 3,8 trilhões, segundo a Reuters.

Juros da dívida já são uma das maiores despesas

O crescimento do endividamento aumenta também o valor que o governo precisa desembolsar para pagar os juros dos títulos emitidos anteriormente.

➡️ Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, os gastos com juros da dívida já superaram as despesas com o Medicare, programa de saúde voltado principalmente para idosos. Os juros se tornaram a segunda maior despesa federal, atrás apenas da Previdência Social, segundo a Reuters.

Juros mais altos também podem afetar consumidores e empresas. Os títulos do Tesouro americano servem de referência para outras taxas de juros da economia. Quando seus rendimentos sobem, financiamentos imobiliários, empréstimos para compra de carros e crédito empresarial podem ficar mais caros.

Dívida pode se aproximar do limite legal

Os Estados Unidos têm um limite para o total que o governo federal pode tomar emprestado. O teto é definido pelo Congresso e pode ser elevado, suspenso ou abolido pelos parlamentares.

O limite atual é de US$ 41,1 trilhões. Segundo estimativa do Bipartisan Policy Center, o governo americano pode atingir esse valor entre o fim do inverno e meados do verão de 2027.

A marca de US$ 40 trilhões, portanto, deixa o país mais próximo de um novo debate sobre o limite da dívida no Congresso.

O número, por si só, não significa que os Estados Unidos estejam próximos de uma crise. Economistas acompanham principalmente a trajetória do endividamento, a capacidade do governo de pagar os juros e a disposição dos investidores de continuar financiando o país.

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