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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Quanto os brasileiros deixam nas bets?

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Estudo estimou R$ 62,5 bilhões em 2025, mas o setor contesta Valor corresponde à diferença estimada entre o dinheiro colocado pelos apostadores nas plataformas e o recebido de volta em prêmios. Setor contesta metodologia e cita receita bruta de R$ 37 bilhões no período.
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Por Redação g1 — São Paulo


Entenda como vai funcionar o alerta em publicidade de bets
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (25), em São Paulo, que estão proibidas as plataformas de apostas e jogos virtuais online no país. O presidente deve enviar ainda ao Congresso um projeto de lei que estabelece penas para quem explorar, operar ou divulgar as bets.

Os últimos dados disponíveis, divulgados pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em agosto, estimaram que as bets retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025 — o equivalente a cerca de 0,68% da renda disponível.

Os dados são da terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros. O estudo foi elaborado pelo Comsefaz em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), com base em dados do Banco Central, das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (Epae) e em análises próprias.

"Esse montante representa uma transferência expressiva de renda das famílias para esse setor, com potencial impacto sobre sua capacidade de honrar compromissos financeiros", afirma o estudo.

O levantamento define como "saída líquida" a diferença entre tudo o que os apostadores colocaram nas plataformas de apostas e o dinheiro que receberam de volta em prêmios. Ou seja, o cálculo mostra quanto, no saldo final, saiu do bolso dos jogadores e ficou no setor de apostas.

De acordo com o levantamento, entre outubro de 2024 e março de 2026, a saída líquida média foi estimada em R$ 4,7 bilhões por mês.

O estudo também destaca que o avanço das bets representa mais um risco para o orçamento das famílias brasileiras, que já lidam com juros altos e dificuldade para pagar as contas. Segundo o levantamento, as apostas on-line também têm baixo efeito multiplicador na economia.

  • 💰 Na prática, isso significa que, diferentemente do dinheiro gasto com bens e serviços, os recursos destinados às plataformas de apostas geram menos renda, empregos e atividade econômica.

O levantamento também aponta o PIX como principal meio usado pelos brasileiros para transferir dinheiro às plataformas de apostas.

Segundo o estudo, a expansão das bets teria acrescentado, em média, R$ 24,1 bilhões por mês ao volume de transações entre outubro de 2024 e março de 2026. Em 2025, esse volume adicional foi estimado em R$ 350,97 bilhões.

O estudo também indica que as famílias de menor renda tiveram participação relevante no mercado de apostas.

Na época da divulgação do boletim do Comsefaz, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa o setor de bets, contestou os dados. A entidade afirmou que o levantamento cometeu "erros graves" e ignorou fatores macroeconômicos que contribuíram para o aumento do uso do PIX.

Também citou dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, segundo os quais a receita bruta do setor foi de cerca de R$ 37 bilhões em 2025. (veja a nota abaixo)

Lula e o fim das bets

O debate dentro do governo sobre um possível fim das bets já ocorria havia algumas semanas, com a equipe dividida entre uma proibição mais ampla e medidas mais restritas.

Na última quarta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretendia acabar com as apostas on-line. Na ocasião, demonstrou preocupação com a influência dos algoritmos sobre os jovens e relacionou a questão ao avanço das bets.

"A minha preocupação é que hoje tem uma parte da juventude atrelada aos algoritmos. E se a gente não fizer essa luta, os algoritmos vão ganhar. Eu não tenho nenhum problema em dizer. Eu terei o imenso prazer de acabar com as bets." 
O que diz o setor
 
Veja a nota da ANJL na íntegra:

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) vem a público repudiar a divulgação de dados falsos, pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), sobre um suposto volume de transações por pix no Brasil atribuído ao mercado de apostas on-line.

Além de cometer erros graves na linha temporal à qual as transações se referem, o levantamento ignora fatores macroeconômicos que contribuíram para o aumento, em diversos setores da economia, do uso do pix como meio de pagamento.

Não procede a informação de que “famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões” para as bets em 2025. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, a receita bruta do setor, no ano passado, foi de R$ 37 bilhões, quase a metade, portanto, do estimado pelo Comsefaz.

Importante destacar que as transações que constam do estudo se referem a transferências líquidas de pessoas físicas para pessoas jurídicas para quatro segmentos: artes, cultura, esportes e recreação, nos quais estão se inserem uma enorme variedade de prestadores de serviços de entretenimento, não apenas as bets.

Soma-se a isso a omissão de processos de mudanças na dinâmica do consumo no país, com o aumento da bancarização, fazendo com que mais pessoas passassem a usar o pix em vez de outras formas de pagamento.

Por fim, a ANJL destaca que, segundo dados oficiais da SPA-MF, de outubro de 2024 a dezembro de 2025, exatamente o período ao qual o levantamento se refere, 25 mil sites de apostas ilegais foram bloqueados e pelo menos 550 contas bancárias foram encerradas. Os dados mostram que avaliar meramente um enorme montante financeiro, que abrange não só vários setores, mas também contas ligadas a empresas ilegais, causa uma miopia sobre o mercado legalizado.

A indústria de apostas, mais uma vez, se manifesta contrária a divulgações irresponsáveis, tendenciosas e generalistas, de dados financeiros que não correspondem à realidade do setor, cujo retrato fiel é monitorado e divulgado apenas pelo poder regulador.

Bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, aponta estudo — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares
Bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, aponta estudo — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Como é o E2, avião da brasileira Embraer, e por que ele é considerado um sucesso comercial

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Instabilidade global no GPS afetou aeronaves da linha, que é formada por três modelos e tem ganhado espaço no mercado de aviação.
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Por Darlan Helder, g1

Postado em 23 de Setembro de 2.026 às 12h30m

.#.* -  Post. -- Nº.\  12.532--  *.#.

Como é o E2, avião da brasileira Embraer, e por que ele é considerado um sucesso comercial
Como é o E2, avião da brasileira Embraer, e por que ele é considerado um sucesso comercial

Segundo a Embraer, a instabilidade não compromete a segurança dos voos. A frota tem sistemas de navegação que permitem a operação mesmo quando há problemas no GPS.

A linha E2 é formada por três modelos: E175-E2, E190-E2 e E195-E2. Eles têm diferentes capacidades de passageiros, pesos e alcances. O E195-E2 é a maior aeronave comercial já fabricada pela Embraer, com capacidade para até 146 assentos. (Veja os detalhes na arte abaixo).

O modelo foi apresentado pela primeira vez em 2017 e é fabricado em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

Baixo consumo de combustível e motores de nova geração

Embraer faz voo inaugural do jato comercial E175-E2 em São José dos Campos — Foto: Embraer/Divulgação
Embraer faz voo inaugural do jato comercial E175-E2 em São José dos Campos — Foto: Embraer/Divulgação

A família de aviões tem virado a galinha dos ovos de ouro da empresa brasileira. Segundo a revista britânica The Economist, que publicou uma reportagem sobre a companhia em julho deste ano, os modelos têm ganhado destaque principalmente pela boa autonomia e pelo baixo consumo de combustível.

⛽ E por que isso é tão importante? Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o combustível está entre os principais custos operacionais de uma companhia aérea. Em 2025, as maiores aéreas destinaram entre 17% e 36% de seus custos operacionais ao querosene de aviação (QAV).

A The Economist também informou que, atualmente, as companhias aéreas precisam esperar até dez anos para receber um avião de fuselagem estreita (aqueles com apenas um corredor entre os assentos) de fabricantes como Airbus e Boeing.

A alta demanda por viagens aéreas e os problemas na cadeia de suprimentos, que persistem desde a pandemia de Covid-19, aumentaram a procura por aeronaves menores, como o E2. Nesse cenário, a Embraer ganha espaço porque consegue entregar o modelo em menos de dois anos.

Embraer E190-E2. — Foto: Divulgação/Embraer
Embraer E190-E2. — Foto: Divulgação/Embraer

"O E2 é uma aeronave do século XXI, que reúne muitas características que fazem esse avião ser diferenciado: projeto bem feito de massa, motores de nova geração, os mais modernos possíveis, e sistemas de navegação também muito modernos", explica ao g1 Bruno Chieregatti, engenheiro mecânico do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).

Segundo o especialista, a linha E2 tem uma capacidade de passageiros um pouco menor que os aviões da Boeing e da Airbus. "Mas nem todas as rotas precisam de capacidades tão elevadas, de 180 a 200 passageiros, que um Boeing e um Airbus precisam para ser viável economicamente".

"Ter uma aeronave com capacidade entre 140 e 150 passageiros, um pouco menor, faz com que as companhias tenham flexibilidade de fazer voos diferenciados", diz Chieregatti.

"Esse modelo ainda permite fazer rotas diretas de cidades médias e menores sem precisar passar pelos grandes hubs, como São Paulo e Rio de Janeiro", completa.

Aeronave comercial E95-E2 é o maior jato comercial já produzido pela Embraer — Foto: Imprensa Embraer/Divulgação
Aeronave comercial E95-E2 é o maior jato comercial já produzido pela Embraer — Foto: Imprensa Embraer/Divulgação

No Brasil, os aviões da família E2 são operados por Azul e Latam. A Gol também fechou a compra de 20 aeronaves E195-E2.

Em outros países, os modelos estão presentes na frota ou têm intenção de compra de companhias como Avelo Airlines, dos Estados Unidos; Finnair, da Finlândia; Star Air, da Índia; Luxair, de Luxemburgo; e Airlink, da África do Sul.

A The Economist lembra que, em 24 de julho, a companhia anunciou ter arrecadado US$ 34,5 bilhões (R$ 177,7 bilhões) em encomendas, considerando todo o seu portfólio, incluindo jatos particulares e aviões militares.

Em 2021, foram entregues 141 aeronaves. Para 2026, a previsão é que esse número chegue a 255.

Apesar do crescimento em ritmo acelerado, a Embraer ainda tem porte menor que Airbus e Boeing, suas principais rivais, segundo a revista.

Como é o E2, avião da brasileira Embraer, e por que ele é considerado um sucesso comercial — Foto: Arte g1
Como é o E2, avião da brasileira Embraer, e por que ele é considerado um sucesso comercial — Foto: Arte g1

Veja fotos das aeronaves E2 da Embraer

Latam tem um pedido de até 74 aeronaves do modelo Embraer E195-E2 — Foto: Embraer
Latam tem um pedido de até 74 aeronaves do modelo Embraer E195-E2 — Foto: Embraer

Jato da linha E195-E2 fabricado pela Embraer. — Foto: Divulgação
Jato da linha E195-E2 fabricado pela Embraer. — Foto: Divulgação

E195-E2 Embraer com pintura estilizada de leão — Foto: Imprensa Embraer/Divulgação
E195-E2 Embraer com pintura estilizada de leão — Foto: Imprensa Embraer/Divulgação

Interior da aeronave entregue em evento em São José nesta quinta (12) — Foto: Luíza Veneziani/G1
Interior da aeronave entregue em evento em São José nesta quinta (12) — Foto: Luíza Veneziani/G1

Imagem mostra cabine de pilotagem do E195-E2 — Foto: Luíza Veneziani/G1
Imagem mostra cabine de pilotagem do E195-E2 — Foto: Luíza Veneziani/G1

'Parece lixo de IA': por que plataformas agora estão 'dedurando' conteúdos feitos com IA
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Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes
Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes
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Formalização bate recorde, mas 65% dos empregadores e autônomos ainda não têm CNPJ, diz IBGE 

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Pesquisa mostra diferenças por sexo, região, escolaridade e atividade econômica; Sul tem maior proporção de trabalhadores com CNPJ.
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Por Rayane Moura, g1 — São Paulo

Postado em 23 de Setembro de 2.026 às 10h25m

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O autônomo pode exercer atividade por conta própria, sem relação de trabalho com empresas. — Foto: Reprodução/Unsplash
O autônomo pode exercer atividade por conta própria, sem relação de trabalho com empresas. — Foto: Reprodução/Unsplash

A formalização entre empregadores e trabalhadores por conta própria atingiu recorde em 2025: 35% tinham empreendimento registrado no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), ante 24% em 2012, primeiro ano da série histórica.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (23).

O avanço foi puxado principalmente pelos trabalhadores por conta própria. Nesse grupo, a cobertura de CNPJ passou de 15% em 2012 para 27,1% em 2025, o maior percentual da série histórica.

O levantamento mostra ainda que, pela primeira vez, mais da metade (50,8%) dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo possuía CNPJ.

Entre os empregadores, a taxa de formalização também cresceu, passando de 75,6% para 81,1% no mesmo período. Os dados revelam diferenças importantes por sexo, região, atividade econômica e nível de instrução. (veja os comparativos abaixo)

  • ➡️ Os comparativos históricos desconsideram 2020 e 2021, já que a pandemia de Covid-19 comprometeu a coleta e a divulgação dos dados nesses anos.
Trabalhadores por conta própria e empregadores com CNPJ — Foto: Arte g1
Trabalhadores por conta própria e empregadores com CNPJ — Foto: Arte g1

Mulheres têm maior cobertura de CNPJ que homens

Em 2025, 36,7% das mulheres ocupadas como empregadoras ou trabalhadoras por conta própria tinham CNPJ, contra 34,2% dos homens.

A diferença de 2,5 pontos percentuais aumentou em relação ao início da série. Em 2012, 24,4% das mulheres e 23,8% dos homens tinham empreendimento registrado, diferença de 0,6 ponto percentual.

A maior distância entre os sexos foi registrada em 2022, quando a cobertura chegou a 36,1% entre as mulheres e 33,1% entre os homens, diferença de 3 pontos percentuais.

Trabalhadores por conta própria e empregadores com CNPJ por sexo — Foto: Arte g1
Trabalhadores por conta própria e empregadores com CNPJ por sexo — Foto: Arte g1

Sul tem maior proporção de trabalhadores com CNPJ

A cobertura de CNPJ também varia entre as regiões do país. Em 2025, o Sul apresentou a maior taxa, de 46,7%, seguido por Sudeste e Centro-Oeste, ambos com 41,6%. No Brasil, o percentual foi de 35%. As menores taxas foram registradas no Nordeste (20,1%) e no Norte (15,6%).

O Centro-Oeste teve o maior crescimento desde 2012: a proporção passou de 27,3% para 41,6%, alta de 14,3 pontos percentuais. No Sudeste e no Sul, o avanço foi de 11,2 pontos; no Nordeste, de 8,3 pontos; e no Norte, de 3,6 pontos.

  • ➡️Brasil: de 24,0% para 35,0% (+11,0 p.p.)
  • ➡️Centro-Oeste: de 27,3% para 41,6% (+14,3 p.p.), maior crescimento do período
  • ➡️Sul: de 35,5% para 46,7% (+11,2 p.p.), maior proporção do país em 2025
  • ➡️Sudeste: de 30,4% para 41,6% (+11,2 p.p.)
  • ➡️Nordeste: de 11,8% para 20,1% (+8,3 p.p.)
  • ➡️Norte: de 12,0% para 15,6% (+3,6 p.p.)

Comércio e serviços têm maiores taxas

Entre os trabalhadores por conta própria, a maior cobertura de CNPJ em 2025 foi registrada no comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, com 36,7%.

Na sequência aparecem os serviços (33,5%), a indústria geral (22,8%) e a construção (14,8%). A menor taxa foi registrada na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 6,5%.

A construção apresentou um dos maiores avanços no período. A proporção de trabalhadores por conta própria com CNPJ passou de 3,9% em 2012 para 14,8% em 2025, alta de 10,9 pontos percentuais.

Trabalhadores por conta própria com CNPJ, por atividade (%)

Atividade2012 (%)2016 (%)2019 (%)2024 (%)2025 (%)
Total1518,820,225,727,1
Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura4,34,17,17,26,5
Indústria geral13,817,118,123,422,8
Construção3,97,41015,214,8
Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas25,828,328,733,236,7
Serviços21,426,825,131,533,5

Entre os empregadores, o comércio também apresentou a maior cobertura, de 88,2%, seguido por serviços (86,4%) e indústria (84,3%). Na construção, a taxa foi de 58,2%.

A agricultura teve novamente a menor proporção, com 32,7% dos empregadores registrados no CNPJ.

A construção foi o segmento que mais avançou entre os empregadores: passou de 36,4% em 2012 para 58,2% em 2025, alta de 21,8 pontos percentuais.

Empregadores com CNPJ, por atividade (%)

Atividade2012 (%)2016 (%)2019 (%)2024 (%)2025 (%)
Total75,682,180,58081,1
Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura28,135,53532,132,7
Indústria geral80,788,983,183,484,3
Construção36,457,85455,758,2
Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas88,989,589,788,988,2
Serviços80,985,884,784,586,4

A cobertura também aumenta conforme o nível de instrução. Em 2025, 50,8% dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo tinham CNPJ, o maior percentual da série histórica e a primeira vez em que a taxa ultrapassou 50%.

Entre aqueles com ensino médio completo e superior incompleto, a proporção foi de 29,7%. Já entre os que tinham ensino fundamental completo e médio incompleto, ficou em 18,6%.

A menor taxa foi registrada entre trabalhadores sem instrução ou com ensino fundamental incompleto: 11,1%. A diferença entre os grupos de maior e menor escolaridade chegou a 39,7 pontos percentuais.

O crescimento também foi maior entre os trabalhadores com ensino superior. Em 2012, 42,5% desse grupo tinha CNPJ. Em 2025, eram 50,8%, avanço de 8,3 pontos percentuais.

Veja abaixo a evolução da formalização entre trabalhadores por conta própria, por escolaridade (2012-2025):

  • 🎓 Superior completo: de 42,5% para 50,8% (+8,3 p.p.), maior crescimento entre os níveis de instrução.
  • 📚 Ensino médio completo e superior incompleto: de 23,3% para 29,7% (+6,4 p.p.).
  • 🎒 Ensino fundamental completo e médio incompleto: de 13,2% para 18,6% (+5,4 p.p.).
  • ➡️ Sem instrução e fundamental incompleto: de 7,2% para 11,1% (+3,9 p.p.).

Trabalhadores por conta própria com CNPJ, por escolaridade (%)

Nível de instrução2012 (%)2019 (%)2022 (%)2024 (%)2025 (%)
Total1520,226,225,727,1
Sem instrução e fundamental incompleto7,29,912,91111,1
Ensino fundamental completo e médio incompleto13,215,819,518,918,6
Ensino médio completo e superior incompleto23,324,830,82929,7
Superior completo42,542,349,348,450,8

A taxa foi de 70,7% entre empregadores com ensino fundamental completo e médio incompleto e de 52,7% entre aqueles sem instrução ou com ensino fundamental incompleto.

Empregadores com CNPJ, por escolaridade (%)

Nível de instrução2012 (%)2019 (%)2022 (%)2024 (%)2025 (%)
Total75,680,580,88081,1
Sem instrução e fundamental incompleto49,45656,851,952,7
Ensino fundamental completo e médio incompleto69,175,773,369,270,7
Ensino médio completo e superior incompleto80,583,182,481,981,8
Superior completo90,590,490,890,291,8

Segundo William Kratochwill, analista de pesquisas do IBGE, a relação entre escolaridade e registro no CNPJ está ligada ao próprio processo de estruturação dos negócios.

“Quanto maior o nível de instrução, mais preparada a pessoa está para o mercado e mais ela entende as vantagens e as dificuldades de ter ou não ter um registro. Isso pode facilitar as operações, a compreensão dos custos, a precificação e o funcionamento do negócio.”

Para ele, a baixa cobertura entre trabalhadores por conta própria também reflete o perfil de parte desse grupo, formado por pessoas que estão começando um empreendimento ou que passaram a trabalhar por conta própria após perder uma ocupação.

“À medida que essas pessoas adquirem conhecimento e o negócio se estrutura, elas podem passar da condição de conta própria para a de empregador, contratando outras pessoas e mudando de patamar”, afirma.

Kratochwill ressalta que, apesar do avanço, a proporção de trabalhadores por conta própria com CNPJ ainda é baixa.

“É óbvio que 27,1% é um valor baixo. O que se espera são valores bastante elevados, porque há uma série de benefícios e contribuições para a economia que o registro pode trazer.”

O pesquisador também afirma que a PNAD Contínua não permite identificar se o avanço dos registros está relacionado ao fenômeno da pejotização.

Na PNAD ainda não temos informações sobre pejotização que possam dar subsídio para uma afirmação desse tipo. É possível que o registro seja uma forma utilizada pelas empresas para reduzir custos, mas não temos elementos, nesta pesquisa, para afirmar que isso está acontecendo.
— William Kratochwill, analista de pesquisas do IBGE

Os dados do IBGE mostram que o crescimento da cobertura de CNPJ foi mais expressivo entre os trabalhadores por conta própria.

Nesse grupo, a taxa aumentou 12,1 pontos percentuais, de 15% em 2012 para 27,1% em 2025. Ainda assim, 72,9% dos trabalhadores por conta própria não tinham CNPJ no ano passado.

Entre os empregadores, a cobertura já era elevada no início da série e avançou 5,5 pontos percentuais, passando de 75,6% para 81,1%.

Empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ (%) — Foto: Arte g1
Empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ (%) — Foto: Arte g1

Os números mostram que o registro no CNPJ se tornou mais comum entre diferentes grupos de trabalhadores ao longo dos últimos 13 anos, mas permanece desigual conforme a região, a atividade econômica, o sexo e o nível de escolaridade.

A pesquisa mostra, portanto, um avanço do registro no CNPJ entre trabalhadores por conta própria e empregadores, mas também revela que a cobertura ainda é bastante desigual entre os diferentes perfis de trabalhadores.

Sair durante atestado ou gravar trend no trabalho pode dar justa causa? Entenda
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