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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Dívidas dos clubes brasileiros: 11 times superam R$ 1 bilhão; veja ranking

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Corinthians, Atlético-MG, São Paulo e Botafogo lideram lista de maiores passivos, com dívidas a curto e longo prazo que superam os R$ 2 bilhões
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Por João de Andrade Neto — Recife

Postado em 03 de Junho de 2.026 às 13h10m
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Augusto Melo expulso do Corinthians e Memphis com a 10 na Copa
Augusto Melo expulso do Corinthians e Memphis com a 10 na Copa

Onze dos principais clubes do País possuem dívidas acumuladas que superam a cifra de R$ 1 bilhão. Corinthians, Atlético-MG, São Paulo e Botafogo já possuem um passivo total que ultrapassam os R$ 2 bilhões.

Essa é a constatação após o ge analisar e comparar os demonstrativos contábeis dos 20 clubes que disputaram a Série A do ano passado, além dos quatro que conseguiram o acesso na Série B. O Remo foi o último a apresentar, fora do prazo previsto em Lei Geral do Esporte.

Para calcular o valor total de cada clube, foi considerada a soma das dívidas a curto prazo, a serem pagas em até 12 meses (circulante) e as de longo prazo, após 12 meses (não circulante).

+ Veja a tabela completa do Campeonato Brasileiro

Dívida total dos clubes de acordo com balanços de 2025 — Foto: Arte IA
Dívida total dos clubes de acordo com balanços de 2025 — Foto: Arte IA

A maior dívida acumulada é a do Corinthians, que tem um passivo de R$ 2,75 bilhões. Desse valor, porém, a maior parte está alocada nas dívidas de longo prazo, sendo que R$ 730,2 milhões estão relacionadas a parcelamentos tributários.

Assim, menos da metade da dívida total corintiana é de pagamento a curto prazo (R$ 979,7 milhões). Valor inferior ao registrado no passado, quando o passivo circulante do clube era de R$ 1,27 bilhão.

Situação inversa vive o Atlético-MG, que tem mais da metade do seu passivo total de R$ 2,66 milhões, com dívidas a curto prazo (R$ 1,35 bilhão). O Galo também foi o clube, em 2025, que teve o maior déficit no ano, com um saldo negativo de R$ 882,1 milhões.

Das dívidas a serem pagas em 12 meses, R$ 685,2 milhões são referentes a "empréstimos e financiamentos".

Bárbara Mendonça explica processo que afastou Textor do Botafogo
Bárbara Mendonça explica processo que afastou Textor do Botafogo

Outro clube em situação financeira complicada, quando se trata de dívidas a curto prazo, é o Botafogo, que tem 67% do seu passivo total de R$ 2,01 bilhões desta forma (R$ 1,34 bilhão). Apenas com contas a pagar de transferência de jogadores são R$ 1,1 bilhão em aberto, sendo que boa parte desse valor entra justamente no que se refere ao passivo circulante.

O Botafogo também fechou 2025 com o segundo maior déficit do ano, com um negativo nas contas de R$ R$ 290,8 milhões, atrás apenas do Galo.

Déficit financeiro dos clubes em 2025 — Foto: Arte IA
Déficit financeiro dos clubes em 2025 — Foto: Arte IA

O São Paulo é o outro clube com uma dívida total acima dos R$ 2 bilhões (R$ 2,45 bilhões). Porém, assim como o Corinthians, a maior parte dela é de contas a longo e médio prazo (não circulante).

Apesar disso, um dado que liga o alerta é o aumento do passivo circulante que saltou de R$ 844,7 milhões em 2024 para R$ 1,03 bilhão em 2025. Vale lembrar, porém, que o balanço financeiro apresentado pelo São Paulo não foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube.

Patrimônio líquido

Uma outra forma de se analisar a realidade financeira de um clube é pelo seu patrimônio líquido, que é o valor do ativo disponível após se descontar todas as suas dívidas.

Sendo assim, apesar de também apresentarem uma dívida total superior a R$ 1 bilhão, a situação de Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro e Internacional são bem menos complexas. Isso porque todos possuem um patrimônio líquido positivo (ou seja, possuem mais bens do que dívidas).

Patrimônio líquido dos clubes em 2025 — Foto: Arte IA
Patrimônio líquido dos clubes em 2025 — Foto: Arte IA

O Flamengo, por exemplo, mesmo com uma dívida total de R$ 1,26 bilhão, possui o segundo maior patrimônio líquido do Brasil, com R$ 954 milhões em ativos.

O atual campeão da Libertadores e do Brasileirão fica atrás apenas do Athletico-PR, único clube do Brasil com um patrimônio ativo superior a R$ 1 bilhão. A dívida total do Furacão é de "apenas" R$ 404,8 milhões.

Seleção Sportv: bancada analisa o momento do Flamengo
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O Corinthians vai na contramão. Isso porque, além de ter o maior passivo acumulado, também possui o patrimônio líquido mais negativo, com um déficit total de R$ 774,1 milhões. O que significa dizer que, em tese, mesmo que o clube venda tudo o que possui em seu nome (jogadores, estrutura, cotas e demais ativos), ainda assim ficaria devendo algo próximo a R$ 1 bilhão.

Patrimônio líquido negativo obviamente é um sinal de alerta, porque mostra que o clube acumulou, ao longo do tempo, um nível de passivo maior que seus ativos. Isso reduz capacidade de investimento, aumenta pressão financeira e deixa o clube mais vulnerável esportivamente. Mas no futebol brasileiro precisamos analisar caso a caso, porque muitos clubes convivem há anos com estruturas patrimoniais desequilibradas — analisa Pedro Weber, sócio da Chenus, empresa especializada em investimentos no esporte.

Andrés Sanchez é expulso do Corinthians por uso irregular do cartão corporativo
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O Atlético-MG, apesar das dívidas bilionárias, segue com um patrimônio líquido positivo. Mas com um sinal de alerta. Isso porque esse valor, em 2024, era de R$ 859,6, milhões. Porém, no demonstrativo financeiro de 2025 teve uma queda para 82,5 milhões. Uma redução de 90,4% em apenas um ano.

— Sobre o Atlético-MG, o déficit de 2025 teve um impacto muito relevante e acelerou bastante a deterioração patrimonial do clube. Isso reforça como é importante equilibrar crescimento esportivo com sustentabilidade financeira no longo prazo — finalizou Pedro Weber.

Avião que fará rota mais longa do mundo faz primeiro voo de teste; veja como foi a viagem

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Modelo da Airbus foi projetado para voar até 22 horas sem escalas e permitirá ligações diretas entre Sydney e cidades como Londres e Nova York.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 03 de Junho de 2.026 às 05h00m
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Como foi o primeiro voo do avião com a rota mais longa do mundo
Como foi o primeiro voo do avião com a rota mais longa do mundo

A fabricante aeronáutica europeia Airbus concluiu na terça-feira (2) o primeiro voo de teste do avião A350-1000ULR. O avião foi projetado para voar até 22 horas seguidas e superar o recorde de voo comercial direto mais longo do mundo.

O modelo MSN 707 voou por 3 horas e 43 minutos em um trajeto com origem e destino em Toulouse, na França, e alcançou altitude levemente superior a 41.000 pés ou 12.500 metros, informou a Airbus.

A aeronave foi pilotada por uma equipe dedicada aos testes da empresa e estava equipada com instrumentos específicos para o experimento.

Pela primeira vez, será possível voar sem paradas entre Sidney, na Austrália, e destinos como Londres, no Reino Unido, e Nova York, nos Estados Unidos. Na prática, essa mudança pode reduzir em até quatro horas o tempo total das viagens.

Primeiro voo de teste do A350-1000ULR, da Airbus — Foto: Divulgação/Airbus
Primeiro voo de teste do A350-1000ULR, da Airbus — Foto: Divulgação/Airbus

O voo comercial mais longo em operação neste momento é o da Singapore Airlines, entre Singapura e Nova York, com aproximadamente 15.350 km e duração de mais de 18 horas. O voo entre Sidney e Londres, por exemplo, alcançaria 18.500 km.

O A350-1000ULR (ULR é a sigla em inglês para "alcance ultralongo") é uma variação do A350-1000. Uma das diferenças para a versão padrão é um tanque adicional com capacidade para mais 20 mil litros de combustível, o que aumenta a autonomia em mais de 1.800 km, segundo a Airbus.

"Durante o primeiro voo, a tripulação realizou verificações gerais de desempenho da aeronave e testou a nova arquitetura do sistema de combustível. Isso marca o início de uma campanha de testes de voo por dois meses para certificar a modificações", disse a Airbus.

A fabricante disse ainda que fará certificações sobre a ventilação e o controle de temperatura dentro da cabine, além de um novo sistema de refrigeração na cozinha de bordo, criada para ser mais leve e eficiente para voos de longa duração.

O modelo teve suas 12 primeiras unidades encomendadas pela companhia aérea australiana Qantas.

A entrega sofreu atrasos, mas a companhia aérea deve receber a primeira unidade em abril de 2027 – o prazo inicial para inaugurar a rota era 2025 e já tinha sido adiado para o final de 2026.

Avião pode superar recorde de voo mais longo do mundo
Avião pode superar recorde de voo mais longo do mundo

O investimento faz parte do que a empresa chamou de Projeto Sunrise ("nascer do Sol"). Ele ganhou esse nome porque, devido à diferença do fuso horário entre a Austrália e o restante do mundo, os passageiros poderão ver o nascer do sol duas vezes nos voos mais longos.

A companhia aérea também encomendou outras 12 unidades do A350-1000, destinados a voos de longa distância, mas com percursos um pouco mais curtos.

Avião A350-1000ULR, fabricado pela Airbus, foi encomendado pela companhia aérea australiana Qantas — Foto: Divulgação/Qantas
Avião A350-1000ULR, fabricado pela Airbus, foi encomendado pela companhia aérea australiana Qantas — Foto: Divulgação/Qantas

Como será o voo mais longo do mundo

A Qantas informou em 2025 que, para oferecer mais conforto, levará até 238 passageiros por voo, abaixo dos cerca de 300 lugares da versão padrão da aeronave.

O projeto da Qantas inclui uma zona de bem-estar com opções para passageiros alongarem as pernas, se alimentarem e se hidratarem. Além disso, todos terão acesso a Wi-Fi durante o voo.

O avião terá 6 assentos na primeira classe, 52 na classe executiva, 40 na classe econômica premium e 140 na classe econômica. Saiba mais sobre cada uma delas:

  • Primeira classe com quarto privativo com poltrona reclinável, cama, TV de 32", seis áreas para armazenar objetos, guarda-roupa e espaço para trabalhar e comer;
  • Classe executiva com poltrona larga de 2 metros de comprimento (que pode virar cama), TV de 18", mesa de apoio, carregador sem fio, área de armazenamento e opção para fechar a cabine;
  • Classe econômica premium com apoios para pernas e cabeça, tela de 13,3" e porta-luvas pessoal;
  • Classe econômica com apoio para cabeça, espaço extra para pernas, tela de 13,3".

A empresa também disse ter trabalhado com especialistas em sono para reduzir os efeitos do jet lag com a adoção de iluminação e horários de refeição mais adequados.

Primeira classe do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Primeira classe do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas

Zona de bem-estar do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Zona de bem-estar do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas

Classe executiva do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Classe executiva do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas

Classe econômica premium do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Classe econômica premium do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas

Classe econômica do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Classe econômica do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas

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terça-feira, 2 de junho de 2026

Subida ao Monte Everest: alpinista mostra lixo acumulado na chegada ao topo

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Até maio deste ano o Nepal emitiu 494 permissões para escalar a montanha; medida pode causar superlotação e poluição
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Da CNN Brasil
02/06/26 às 09:34 | Atualizado 02/06/26 às 09:36
Postado em 02 de Junho de 2.026 às 10h00m
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Alpinista mostra lixo em acampamento no topo do Monte Everest  • @angelova__angelina via Instagram

"Acampamento 4 do Everest. 7900 metros. Ao redor das tendas, vestígios de tentativas anteriores", escreveu Angelova na publicação.



Milhares de comentários foram feitos na publicação reacendendo o debate sobre o impacto humano na montanha mais alta do mundo.

"O Nepal deveria suspender a emissão de licenças até que as empresas de escalada resolvam essa situação", comentou um usuário. Outra pessoa escreveu: "Isso deveria ser ilegal."

Leia Mais


Alpinistas batem recorde no Monte Everest com fila de 274 pessoas escalando



Alpinistas são resgatados após ficarem presos em nevasca no Everest



Nevasca no Monte Everest deixa cerca de mil pessoas presas em encosta

Em maio, um número recorde de 274 alpinistas escalou o Monte Everest, sendo o maior número de pessoas a alcançar o pico mais alto do mundo no mesmo dia pelo lado nepalês. A montanha fica na fronteira entre o Nepal e a região do Tibete, na China, e pode ser escalada pelos dois lados.

Nepal emitiu 494 permissões para escalar o Everest este ano, cada uma custando US$ 15 mil (cerca de R$ 75 mil). Como resultado, a superlotação e o lixo têm sido dois dos maiores problemas que assolam o Everest nos últimos anos.

Especialistas em montanhismo frequentemente criticam o Nepal por permitir um grande número de alpinistas na montanha, o que às vezes leva a congestionamentos perigosos ou longas filas na chamada "zona da morte", abaixo do cume, onde o nível de oxigênio natural está perigosamente abaixo do necessário para a sobrevivência humana.

Região onde fica o acampamento IV, registrado pela alpinista.

Segundo o Exército nepalês, a Campanha de Limpeza da Montanha coletou 110 toneladas de resíduos entre 2019, ano de início do programa, e 2023.

Um dos maiores problemas ambientais tem sido o dejeto humano. Em 2024 as autoridades começaram a exigir que todos os alpinistas usassem sacos para fezes distribuídos pelo governo e levassem os próprios dejetos de volta dos acampamentos na montanha.

Cada pessoa produz 250 gramas de excrementos por dia e passará duas semanas nos acampamentos mais altos durante a subida ao cume, explicou Diwas Pokhrel, primeiro vice-presidente da Associação de Escaladores do Everest, à CNN em 2024.

*Com informações da agência de notícias Reuters e da CNN

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Tópicos


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Irã danificou 20 instalações militares americanas desde o início da guerra, revelam imagens de satélite

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Desde o fim de fevereiro, o Irã atingiu instalações estratégicas em oito países do Oriente Médio, causando prejuízos de Bilhões de dólares.
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TOPO
Por BBC

Postado em 02 de Junho de 2.026 às 05h00m
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Hangares danificados na base aérea Ali Al Salem, no Kuwait — Foto: BBC
Hangares danificados na base aérea Ali Al Salem, no Kuwait — Foto: BBC

Imagens de satélite e vídeos analisados pelo serviço de verificação da BBC, o BBC Verify, apontam que o Irã danificou 20 instalações militares americanas desde o início da guerra, o que sugere que os ataques foram mais extensos do que o governo americano admitia publicamente.

Desde o fim de fevereiro, o Irã atingiu instalações estratégicas em oito países do Oriente Médio, causando prejuízos de Bilhões de dólares a sistemas avançados de defesa aérea, aviões de reabastecimento e radares.

O Irã atacou tanto bases americanas quanto instalações militares compartilhadas em resposta aos bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e o Líbano nos últimos três meses. O Pentágono afirma ter atingido mais de 13 mil alvos iranianos desde o início da Operação Epic Fury ("Fúria Épica", em tradução livre).

Mojtaba Khamenei, atual líder supremo do Irã, destacou o sucesso dos ataques iranianos contra as instalações americanas. Em comunicado divulgado na semana passada, Khamenei afirmou que o Oriente Médio já não é um "lugar seguro" para as bases dos EUA.

Embora a Casa Branca tenha declarado repetidas vezes que as forças militares iranianas foram praticamente destruídas, analistas afirmam que os danos observados nas instalações americanas sugerem que os contra-ataques do Irã foram mais precisos e abrangentes do que as autoridades americanas admitiam até agora.

Um funcionário do Departamento de Defesa dos EUA se recusou a comentar as conclusões do BBC Verify, citando "razões de segurança operacional".

Ataques contra instalações dos EUA no Oriente Médio. — Foto: Elaboração BBC
Ataques contra instalações dos EUA no Oriente Médio. — Foto: Elaboração BB

Os EUA também tentaram restringir análises por satélite do conflito ao pedir à Planet, uma das principais empresas do setor, que suspendesse por "tempo indeterminado" a divulgação de novas imagens do Irã e de grande parte do Oriente Médio. A empresa justificou a decisão afirmando que queria impedir que o material fosse usado "por atores adversários para atacar militares e civis de países aliados e parceiros da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]".

O BBC Verify usou imagens de satélite de outros provedores internacionais, combinadas com registros mais antigos da Planet, para mapear os danos provocados pelos ataques iranianos. As instalações atingidas ficam na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU), Catar, Kuwait, Iraque, Jordânia, Bahrain e Omã. O número pode ser ainda maior: alguns analistas estimam que até 28 bases tenham sido alvo dos ataques iranianos.

Entre os equipamentos atingidos estavam três modernos sistemas antimísseis Thaad (Terminal High Altitude Area Defense, sistema de defesa aérea para grandes altitudes), instalados nas bases aéreas de Al Ruwais e Al Sader, nos Emirados Árabes Unidos, e na base aérea Muwaffaq Salti, na Jordânia.

Os EUA possuem apenas oito baterias Thaad conhecidas em operação, distribuídas em bases ao redor do mundo. Cada unidade custa cerca de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,4 bilhões) para ser produzida.

Cada bateria exige uma equipe de cerca de 100 militares para operá-la, enquanto cada míssil interceptor disparado pelo sistema custa em torno de US$ 12,7 milhões (cerca de R$ 68,5 milhões).

Bateria Thaad danificada na base aérea de Al Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos

O vice-almirante Mark Mellett, ex-chefe das Forças de Defesa da Irlanda, afirmou ao BBC Verify que essas baterias fazem parte do núcleo de uma rede regional de defesa "altamente complexa" e que não podem ser "substituídas de forma rápida nem simples".

Segundo análises de especialistas acerca dessas imagens de satélite, ataques iranianos também atingiram aviões americanos de reabastecimento e vigilância na base aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita. Nas imagens, é possível ver aeronaves danificadas e crateras ainda com sinais de fumaça.

Um dos aviões foi identificado por um analista da empresa de inteligência Maiar como um E-3 Sentry, aeronave de vigilância. A imprensa americana informou que a substituição do equipamento poderia custar até US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,8 bilhões).

Em outros pontos da região, ataques iranianos também atingiram a base aérea Ali Al Salem e o Campo Arifjan, no Kuwait. Analistas da Maiar identificaram depósitos de combustível destruídos, hangares de aeronaves danificados e alojamentos militares atingidos em imagens de satélite da base, alvo de vários ataques ao longo do conflito.

Já no Campo Arifjan, a empresa de inteligência militar Janes identificou danos extensos em equipamentos de comunicação via satélite.

A dimensão dos danos causados às instalações americanas ainda é difícil de medir. Mas uma estimativa divulgada pelo Pentágono em maio calculou o custo total da Operação Epic Fury em US$ 29 bilhões (cerca de R$ 156 bilhões), valor que, em grande parte, deve ser destinado à "reparação ou substituição de equipamentos" destruídos no conflito. Parlamentares democratas afirmam que o cálculo provavelmente está subestimado.

O relatório também concluiu que ao menos 42 aeronaves, entre elas caças F-15 e F-35, 24 drones MQ-9 Reaper e um avião de ataque A-10, foram destruídas ou danificadas desde fevereiro.

Em comparação com os equipamentos sofisticados e caros usados pelos militares americanos, o Irã teria recorrido a drones baratos e facilmente substituíveis nos ataques contra alvos no Oriente Médio.

Especialistas ouvidos pelo BBC Verify afirmaram que a estratégia iraniana evoluiu ao longo da guerra. O país deixou de lançar grandes ondas de mísseis contra cidades e bases militares da região e passou a realizar ataques mais precisos e direcionados.

"As primeiras ofensivas [do Irã] foram pensadas para ganhar volume, grandes ondas criadas para sobrecarregar os sistemas de defesa aérea e antimísseis pela quantidade", afirmou Kelly Grieco, analista do centro de estudos Stimson Center, nos EUA.

"Poucos dias depois, porém, o Irã passou a usar ataques menores e mais precisos, preservando os mísseis e drones restantes para alvos estratégicos específicos e concentrando ataques em pontos onde até impactos próximos já provocaram danos significativos."

Um analista da Maiar afirmou ao BBC Verify que os militares americanos "parecem ter demonstrado excesso de confiança no início da guerra" ao não retirarem aeronaves do alcance de drones e mísseis iranianos à medida que a estratégia do Irã evoluía.

Segundo ele, a base aérea Prince Sultan já havia sido alvo de ataques antes da destruição das aeronaves.

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou que "os povos e os países da região não servirão mais de escudo para bases americanas" e acrescentou: "Os EUA não terão mais um lugar seguro na região para promover a desestabilização e instalar bases militares, e se afastarão cada vez mais da posição que ocupavam no passado."

As declarações ocorreram poucos dias antes de o cessar-fogo entre EUA e Irã voltar a dar sinais de desgaste. Na quinta-feira (28/5), a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atacado uma base americana na região após novos bombardeios americanos contra o sul do Irã.

Grieco, do Stimson Center, alertou que, caso o frágil cessar-fogo entre os EUA e o Irã colapse e os confrontos sejam retomados, os danos já provocados às bases americanas indicam que instalações em toda a região do Golfo podem continuar vulneráveis.

"O conflito atual consumiu os estoques de defesa aérea dos EUA e de seus aliados em um ritmo significativo", afirmou Grieco.

"Não existe uma forma rápida de repor esses equipamentos. Isso significa que, em caso de uma nova ofensiva iraniana, haverá apenas uma fração dos mísseis interceptadores disponíveis no início da guerra."

Estados Unidos
Irã
Israel

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