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terça-feira, 31 de março de 2026

Três navios chineses atravessam Estreito de Ormuz

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De acordo com porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, embarcações navegaram após alinhamento com autoridades; trata-se da primeira travessia pelo canal desde o início do conflito
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Jonathan Saul, da Reuters
31/03/26 às 08:22 | Atualizado 31/03/26 às 10:49
Postado em 31 de Março de 2.026 às 11h00m
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Navios no Estreito Ormuz  • Reuters

Três navios chineses cruzaram o Estreito de Ormuz após coordenação com as partes envolvidas, informou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China em coletiva de imprensa nesta terça-feira (31).

O estratégico canal marítimo está praticamente fechado desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro.

O Estreito de Ormuz e as águas ao redor são rotas importantes para o comércio global e o fornecimento de energia. A China pede um cessar-fogo imediato, o fim dos combates e a restauração da paz e da estabilidade na região do Golfo, afirmou a porta-voz Mao Ning, ao comentar a passagem das embarcações.






Dados de rastreamento marítimo mostraram que dois navios de contêineres chineses atravessaram o estreito na segunda-feira (30), em uma segunda tentativa de deixar o Golfo, após uma primeira tentativa sem sucesso.

As embarcações navegaram em formação próxima para fora do estreito e seguiram para águas abertas, segundo dados da plataforma MarineTraffic.

Ambos os navios conseguiram cruzar com sucesso na segunda tentativa, marcando os primeiros contêineres a deixar o Golfo Pérsico desde o início do conflito, excluindo embarcações com bandeira iraniana, disse Rebecca Gerdes, analista de dados da Kpler, empresa proprietária do MarineTraffic.

Os dois navios seguem em velocidade elevada rumo ao Golfo de Omã neste momento.

Autoridades da COSCO, grupo de navegação que opera as embarcações, não responderam a pedidos de comentário.

Tráfego de carga geral retoma parcialmente

Em comunicado de 25 de março, a COSCO informou que havia retomado reservas para contêineres de carga geral de Ásia para países do Golfo, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait e Iraque.

O Irã lançou ataques contra embarcações no Golfo e ameaçou novos ataques, deixando centenas de navios e cerca de 20 mil tripulantes presos na região.

Exportações de energia, incluindo petróleo bruto da Arábia Saudita e gás natural liquefeito do Catar, foram praticamente interrompidas.

Embora tenham ocorrido discussões com o Irã e países como Índia e Paquistão sobre a passagem de suas frotas pelo estreito, os mercados de petróleo e transporte marítimo têm monitorado qualquer sinal de retomada do tráfego.

A maioria das embarcações que passou pelo canal transportava petróleo iraniano, com poucos navios de outros países conseguindo atravessar diariamente.

Navio grego parte rumo à Índia

Um navio operado por empresa grega com destino à Índia, carregando petróleo saudita, também deixou o Golfo recentemente pelo estreito, mostraram dados de rastreamento da LSEG.

O navio Marathi começou a transmitir sua posição na costa da Índia em 26 de março, após ter registrado sua última posição dentro do Golfo em 2 de março.

O navio foi visto pela última vez na costa oeste da Índia na segunda-feira (30), segundo dados da LSEG.

Foi o terceiro petroleiro carregado de petróleo operado pela empresa grega Dynacom a deixar o Golfo desde o início da guerra.

A Dynacom não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.

A empresa é uma das poucas dispostas a arriscar a travessia pelo estreito, onde os riscos incluem minas flutuantes, mísseis e drones iranianos.

Empresas que fizeram a travessia usaram táticas como desligar os transponders de rastreamento AIS e navegar à noite para reduzir visibilidade, disseram fontes à Reuters.

Dois navios indianos de gás liquefeito de petróleo (GLP) atravessaram o estreito no sábado, após outros dois que transportaram suprimentos críticos de gás de cozinha destinados à Índia nos últimos dias.

'Subestimaram minha capacidade', diz cientista brasileira que criou caneta que detecta tumor para curar câncer

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Invenção desenvolvida por Lívia Eberlin permite identificar células cancerosas em segundos durante cirurgias e já foi testada em mais de 400 pacientes; tecnologia começa a ser avaliada no Brasil.
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Por Fantástico

Postado em 31 de Março de 2.026 às 08h00m
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Química brasileira inventa caneta que identifica células de câncer durante cirurgiasQuímica brasileira inventa caneta que identifica células de câncer durante cirurgia

O Fantástico conversou com a química brasileira Lívia Eberlin, responsável por desenvolver uma caneta capaz de identificar células cancerosas em poucos segundos.

A trajetória de Lívia, no entanto, vai além da inovação científica. Ao se mudar para os Estados Unidos, ela relata ter enfrentado dificuldades como imigrante:

Os profissionais meio que subestimavam a minha capacidade como mulher, como latino-americana.”

Lívia também relata a sensação de não pertencimento em ambientes majoritariamente masculinos:

Eu olhava para as paredes do departamento e só via homens. Isso faz você se perguntar se realmente pertence àquele lugar, diz.

Para lidar com esse cenário, ela apostou no desempenho acadêmico e profissional.

Meu mecanismo era fazer o melhor trabalho possível, tirar as melhores notas, afirma.

A tecnologia criada por Lívia funciona como uma espécie de caneta que lê o câncer. O dispositivo é utilizado durante cirurgias e, ao entrar em contato com o tecido humano, libera uma gota de água que extrai moléculas da região analisada.

Com o auxílio de inteligência artificial, o equipamento consegue indicar, em tempo real, se o tecido é canceroso ou saudável — o que pode tornar procedimentos mais precisos e rápidos.

A ideia surgiu a partir da observação de cirurgias e da percepção de que os métodos tradicionais de análise eram antigos, demorados e sujeitos a erros.

O ideal seria levar a tecnologia do laboratório para a sala cirúrgica, de forma simples, explica a cientista.

Apesar do potencial inovador, o projeto enfrentou resistência no início.

Muitas pessoas acharam que não iria funcionar, que era algo simples demais, relembra.

A mudança de percepção veio com os resultados: após diversos protótipos e testes, a eficácia da caneta começou a ser comprovada.

Atualmente, o dispositivo já foi utilizado em mais de 400 cirurgias nos Estados Unidos, em casos de câncer de mama, pulmão, cérebro, ovário e pâncreas. Um dos centros que testam a tecnologia é o MD Anderson Cancer Center, referência mundial no tratamento da doença. No Brasil, o equipamento também está em fase experimental, com testes em hospitais como o Albert Einstein e a Unicamp.

Hoje, o objetivo da equipe é ampliar o uso da caneta para hospitais ao redor do mundo, tornando o diagnóstico e o tratamento do câncer mais rápidos e precisos — e transformando uma ideia que muitos desacreditaram em uma ferramenta promissora na medicina.

Tenho uma equipe maravilhosa que trabalha comigo, os meus alunos, os meus pós-doutorandos e nós todos estamos trabalhando dia e noite para trazer a caneta para o máximo de hospitais do mundo, concluiu Lívia.

Química brasileira inventa caneta que identifica células de câncer durante cirurgias — Foto: Reprodução/TV Globo
Química brasileira inventa caneta que identifica células de câncer durante cirurgias — Foto: Reprodução/TV 

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Irã diz que bombardeou base secreta dos EUA nos Emirados Árabes e alojamento de soldados no Bahrein

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Ambas instalações militares abrigavam tropas norte-americanas no momento em que foram atingidas, segundo a Guarda Revolucionária iraniana. Nem EUA nem Emirados Árabes Unidos nem Bahrein confirmaram os ataques até o momento.
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Por Redação g1

Postado em 31 de Março de 2.026 às 06h50m
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Base aérea de Al Minhad, do Exército dos EUA, nos Emirados Árabes Unidos. Foto de 2018. — Foto: Doug Roles/Exército dos Estados Unidos
Base aérea de Al Minhad, do Exército dos EUA, nos Emirados Árabes Unidos. Foto de 2018. — Foto: Doug Roles/Exército dos Estados Unidos

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta terça-feira (31) que bombardeou duas instalações militares do Exército dos EUA com tropas dentro, uma base secreta nos Emirados Árabes Unidos e um alojamento improvisado de soldados no Bahrein.

Ainda não há confirmação por parte dos EUA, nem dos Emirados Árabes nem do Bahrein sobre os ataques até a última atualização desta reportagem.

A instalação militar secreta nos Emirados Árabes ficava do lado de fora da base aérea de Al Minhad e tinha cerca de 200 soldados norte-americanos dentro no momento em que foi atingida, segundo a força militar iraniana. O ataque teria ocorrido na segunda-feira e destruído a instalação, ainda de acordo com a Guarda iraniana.

"Ontem, com a superioridade de inteligência do Irã, um centro secreto de comando do Exército dos EUA fora da base de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, foi identificado e destruído. Segundo nossas informações, antes do impacto, cerca de 200 oficiais e comandantes americanos estavam vivos no local. (...) Tanto as bases dos Estados Unidos na região se tornaram inseguras para os comandantes inimigos quanto sua presença em pontos de apoio", afirmou a Guarda em comunicado.

Já o alojamento de tropas no Bahrein foi atingido por um ataque de precisão, segundo a Guarda Revolucionária. A força militar iraniana adotou um tom irônico ao dizer que o Comando Central do Exército dos EUA minimizará o ataque, indicando que causou mais danos do que será reportado pelos norte-americanos.

As bases militares dos EUA no Oriente Médio têm sido alvos de bombardeios retaliatórios feitos pelo Irã desde o início da guerra, há mais de um mês. Para prevenir mortes de suas tropas, Washington evacuou essas instalações entre janeiro e fevereiro, antes do início do conflito.

As tropas atacadas no Bahrein são da 5ª Frota naval norte-americana, segundo o Irã. Essa frota tem como alojamento principal a "Naval Support Activity (NSA) Bahrain", que é a principal base naval dos EUA no Golfo Pérsico.

Embarcações dos EUA conduzem exercício de treinamento próximos à base NSA Bahrain, em Bahrein. Foto de 2025. — Foto: Bryan Blair/Exército dos EUA
Embarcações dos EUA conduzem exercício de treinamento próximos à base NSA Bahrain, em Bahrein. Foto de 2025. — Foto: Bryan Blair/Exército dos EUA

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segunda-feira, 30 de março de 2026

Uma formiga por mais de R$ 1 mil: a nova fronteira do tráfico de vida selvagem

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A febre de colecionar formigas pega o Quênia de surpresa enquanto contrabandistas miram lucros milionários
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TOPO
Por BBC

Postado em 30 de Março de 2.026 às 09h00m
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Um grande carregamento de formigas vivas foi encontrado na bagagem no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, com destino à China, no início deste mês — Foto: KWS
Um grande carregamento de formigas vivas foi encontrado na bagagem no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, com destino à China, no início deste mês — Foto: KWS

As formigas estão voando no Quênia neste momento.

Durante esta estação chuvosa, enxames podem ser vistos deixando os milhares de formigueiros em Gilgil e nos arredores, uma tranquila cidade agrícola no Vale do Rift, no Quênia, que se tornou o centro de um comércio ilegal em rápida expansão.

O ritual de acasalamento faz com que machos alados deixem o ninho para fecundar as rainhas, que também voam nesse período. Isso torna este o momento perfeito para perseguir formigas-rainhas e vendê-las a contrabandistas que estão no centro de um crescente mercado negro global, que se aproveita da moda de ter formigas como animais de estimação em recintos transparentes projetados para observar os insetos enquanto constroem uma colônia.

São as rainhas das formigas gigantes africanas coletoras, grandes e vermelhas, que são mais valorizadas pelos colecionadores internacionais — uma única rainha pode alcançar até £170 (cerca de R$ 1.185) no mercado clandestino, que costuma operar online.

Uma única rainha fecundada é capaz de criar toda uma colônia e pode viver por décadas — e pode ser facilmente enviada pelo correio, já que scanners tendem a não detectar material orgânico.

"No começo, eu nem sabia que era ilegal", disse à BBC um homem que pediu para não ser identificado sobre como certa vez atuou como intermediário, conectando compradores estrangeiros a redes locais de coleta.

Também conhecidas como Messor cephalotes, essas formigas são nativas da África Oriental e conhecidas por seu comportamento característico de coleta de sementes, o que as torna populares entre colecionadores de formigas.

"Um amigo me disse que um estrangeiro estava pagando bem pelas rainhas — aquelas grandes e vermelhas que são facilmente vistas por aqui", disse o ex‑intermediário.

"Você procura os montes perto de campos abertos, geralmente de manhã cedo antes do calor. Os estrangeiros nunca iam aos campos — esperavam na cidade, em uma pousada ou dentro de um carro, e nós levávamos as formigas para eles, embaladas em pequenos tubos ou seringas que eles nos forneciam."

As formigas gigantes africanas coletoras, vistas no Quênia, são populares entre colecionadores amadores ao redor do mundo — Foto: Dino Martins
As formigas gigantes africanas coletoras, vistas no Quênia, são populares entre colecionadores amadores ao redor do mundo — Foto: Dino Martins

A dimensão do comércio ilícito no Quênia ficou evidente no ano passado, quando 5 mil rainhas de formigas gigantes colhedoras — coletadas principalmente nos arredores de Gilgil — foram encontradas vivas em uma pousada em Naivasha, uma cidade próxima à beira de um lago popular entre turistas.

Os suspeitos — da Bélgica, do Vietnã e do Quênia — tinham embalado os tubos de ensaio e seringas com algodão úmido, o que permitiria que cada formiga sobrevivesse por dois meses, segundo o Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS).

O plano era levá‑las à Europa e à Ásia e colocá‑las à venda.

Esse comércio de formigas surpreendeu cientistas e autoridades.

O país da África Oriental está mais acostumado a crimes de grande repercussão envolvendo marfim de elefantes e chifres de rinoceronte.

A varejista britânica Ants R Us descreve a formiga gigante africana coletora como "a espécie dos sonhos de muita gente" — embora as rainhas estejam atualmente fora de estoque, com o site explicando que é muito difícil para os vendedores consegui‑las.

"Até eu, como entomólogo, fiquei surpreso com a extensão do aparente comércio", disse à BBC Dino Martins, biólogo radicado no Quênia, onde há cerca de 600 espécies de formigas.

No entanto, ele entende o fascínio pela colhedora da África Oriental, com colônias criadas por uma "rainha fundadora", que pode crescer até 25 mm (0,98 polegada) e que produz ovos ao longo de toda a vida.

"Elas são uma das espécies de formigas mais enigmáticas — formam colônias grandes, apresentam comportamentos interessantes e são fáceis de manter. Não são agressivas."

Durante o enxameamento, ele diz que as rainhas acasalam com vários machos.

"Depois disso, acabou para os machos — o trabalho deles está feito… a maioria é comida por predadores ou morre", diz o entomólogo, passando a explicar como a rainha então se afasta rapidamente para cavar uma pequena toca e começar a pôr ovos para iniciar seu império.

Suas operárias e soldados — aquelas que protegem o ninho — são todas fêmeas e podem chegar a centenas de milhares.

As formigas podem ser encontradas com frequência em montes como este — Foto: Getty Images/BBC
As formigas podem ser encontradas com frequência em montes como este — Foto: Getty Images/BBC

"Os ninhos podem viver por mais de 50 anos, talvez até 70 anos. Eu pessoalmente conheço ninhos perto de Nairóbi que têm pelo menos 40 anos, pois os visito há esse tempo", disse Martins.

Isso significa que as rainhas também vivem todo esse período — porque assim que ela morre, a colônia colapsa e as operárias sobreviventes procuram outro ninho.

Os quenianos que já lidaram com formigas invadindo suas plantações ou casas sabem disso muito bem — e, para eliminar uma colônia, alguém é enviado para localizar a rainha, muitas vezes escondida profundamente em um dos túneis ou câmaras de um monte.

O ex‑intermediário disse que as formigas também podiam ser coletadas perturbando suavemente o monte e recolhendo‑as enquanto tentavam escapar.

"Só quando vi as prisões no noticiário percebi do que eu tinha feito parte — e saí imediatamente", afirmou.

Os detidos foram condenados por biopirataria e obrigados a pagar multas ou cumprir 12 meses de prisão — eles optaram por pagar a taxa de US$ 7,7 mil (mais de R$ 40,4 mil), e os estrangeiros deixaram o país.

Duas semanas atrás, um cidadão chinês — apontado como o suposto mentor do esquema do ano passado e que teria fugido usando outro passaporte — foi detido no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta (JKIA), em Nairóbi, com outras 2 mil rainhas embaladas em tubos de ensaio e rolos de papel.

Para Zhengyang Wang, parte de uma equipe de pesquisadores que publicou em 2023 um relatório sobre o comércio de formigas com foco na China, isso é preocupante e pode "causar estragos" nos ecossistemas locais.

"No início, ficamos muito entusiasmados quando soubemos que muitas pessoas tinham começado a criar formigas", disse Wang, professor assistente da Universidade de Sichuan, à BBC.

"Uma colônia de formigas de estimação costuma ser mantida em um formicário, basicamente uma caixa de plástico transparente para que os criadores possam observar as colônias trabalhando, cavando túneis, coletando comida e protegendo sua rainha. Eu diria que é bastante encantador e… pode ser uma boa forma de educar as pessoas sobre insetos e seu comportamento.

"Mas então percebemos: espere, manter espécies invasoras não é extremamente perigoso?"

Ao monitorar as vendas on-line — mais de 58 mil colônias — na China ao longo de seis meses, os pesquisadores descobriram que mais de um quarto das espécies comercializadas não eram nativas do país — apesar de ser ilegal importá‑las.

"Se o volume de comércio de formigas invasoras continuar crescendo, é apenas uma questão de tempo até que algumas escapem de seus formicários e se estabeleçam na natureza", declarou Wang.

O estudo do qual participou, publicado na revista Biological Conservation, explicou o que poderia acontecer no caso da gigante africana coletora — uma das espécies mais comercializadas na China: "Por exemplo, Messor cephalotes, nativa da África Oriental, está entre as maiores coletoras de sementes do mundo e poderia potencialmente impactar a agricultura predominantemente baseada em grãos no sudeste da China."

As consequências ambientais também preocupam no Quênia.

"As formigas coletoras são tanto espécies-chave quanto engenheiras de ecossistemas. Elas coletam sementes de gramíneas e outras plantas e, ao fazer isso, também ajudam na dispersão das sementes", disse Martins, acrescentando que os insetos "criam um ambiente campestre mais saudável e dinâmico".

Mukonyi Watai, cientista sênior do Instituto de Pesquisa e Treinamento de Vida Selvagem do Quênia, compartilha desses receios.

"A coleta insustentável — especialmente a remoção das rainhas — pode levar ao colapso das colônias, perturbando ecossistemas e ameaçando a biodiversidade", afirmou à BBC.

É possível coletar formigas legalmente no Quênia — em conformidade com vários tratados internacionais — com uma permissão especial, que exige que o comprador assine um acordo de repartição de benefícios com a comunidade local envolvida para dividir eventuais lucros.

Mas, segundo o KWS, até agora nenhuma permissão foi solicitada — e a papelada exige ainda detalhes sobre quantas formigas estão sendo coletadas e qual será seu destino.

Alguns conservacionistas agora pedem mais proteções comerciais para todas as espécies de formigas no âmbito da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas de Extinção (Cites), o tratado global sobre comércio de vida selvagem.

"A realidade é que nenhuma espécie de formiga está atualmente listada na Cites", disse à BBC Sérgio Henriques, pesquisador do comércio global de formigas.

"Sem tratados internacionais monitorando esses movimentos, a escala do comércio permanece amplamente invisível para formuladores de políticas e para a comunidade global", afirmou.

Um formicário permite que colecionadores vejam o funcionamento de uma colônia — Foto: Getty Images/BBC
Um formicário permite que colecionadores vejam o funcionamento de uma colônia — Foto: Getty Images/BBC

Mas, para o KWS, o problema real é mais imediato — como monitorar e reprimir o tráfico de insetos, considerado "subnotificado", com a agência sugerindo equipamentos de vigilância melhores em aeroportos e outros pontos de fronteira como um bom começo.

Martins concorda: "É provável que apenas uma fração das formigas realmente comercializadas esteja sendo detectada, então só podemos imaginar a escala real por enquanto."

O jornalista Charles Onyango‑Obbo argumenta que o Quênia está ignorando uma oportunidade significativa de receita global.

"As formigas não são itens finitos, como ouro ou diamantes. São ativos biológicos que podem ser criados e cultivados, e sua produção pode ser ampliada para milhares por dia. Ainda assim, as tratamos como artefatos roubados", escreveu ele recentemente no jornal Daily Nation.

Na verdade, o gabinete do Quênia aprovou no ano passado diretrizes de política voltadas à comercialização da economia da vida selvagem, incluindo o comércio de formigas.

"As diretrizes buscam promover o uso sustentável de espécies selvagens, como as formigas, para gerar empregos, riqueza e meios de subsistência comunitários em todos os condados", afirmou Watai.

Com monitoramento cuidadoso, é possível que futuros agricultores na região de Gilgil tenham formicários especiais em suas terras, ampliando a produção de seus campos e pomares — cheios de vegetais e frutas — para incluir também lucrativas rainhas.

Mas o debate sobre os riscos de exportar formigas para colecionadores amadores em diferentes partes do mundo ainda não foi resolvido.

Reportagem adicional de Osmond Chia em Cingapura

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