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domingo, 19 de julho de 2026

Análise: As piores previsões do time de Trump sobre a guerra no Irã

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Equipe do presidente fez várias afirmações sobre o conflito que nunca se concretizaram
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Aaron Blake, da CNN
19/07/26 às 07:00 | Atualizado 19/07/26 às 08:01
Postado em 19 de Julho de 2.026 às 08h15m
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com JD Vance e Marco Rubio na Casa Branca
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com JD Vance e Marco Rubio na Casa Branca  • 23 de abril de 2026 REUTERS/Kylie Cooper

Um dos comentários mais infames feitos sobre a Guerra do Iraque foi a previsão do então vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, poucos dias antes do início do conflito, de que as tropas americanas seriam recebidas como libertadoras.

Ao longo dos anos, esse comentário passou a simbolizar não apenas as promessas não cumpridas do governo George W. Bush, mas também suas aparentes falhas em se preparar e compreender a guerra que iniciou. Como foi possível a audácia de prever algo que se revelou tão equivocado?

O histórico do governo Trump em relação à guerra com o Irã está repleto de exemplos semelhantes.

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Nos últimos quatro meses e meio, o presidente americano Donald Trump e seus assessores fizeram previsões confiantes que rapidamente se mostraram falsas. Muitas vezes, parece que Trump, em particular, tem pouca ou nenhuma compreensão do que está acontecendo com a guerra que ele iniciou.


Mas os comentários equivocados não se limitam a ele. Aqui estão alguns dos principais exemplos:

"Os EUA controlarão o Estreito de Ormuz"

Grandes embarcações comerciais e um pequeno barco navegam pelas águas da cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do Irã, no Estreito de Ormuz em 21 de junho de 2026 • Hassan Ghaedi/Anadolu via Getty Images
Grandes embarcações comerciais e um pequeno barco navegam pelas águas da cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do Irã, no Estreito de Ormuz em 21 de junho de 2026 • Hassan Ghaedi/Anadolu via Getty Images

Trump chocou o mundo nesta segunda-feira (13) ao anunciar com confiança que os Estados Unidos em breve assumiriam o controle do Estreito de Ormuz como seuguardião e cobrariam dos países uma taxa de 20% sobre a carga que passasse pelo estreito.

Mas isso contradizia o que o governo havia dito anteriormente sobre a cobrança de pedágio no estreito.

Sempre dissemos que um sistema de pedágio no estreito seria inaceitável. Mas não somos só nós que dizemos isso; o mundo inteiro já disse isso, afirmou o Secretário de Estado americano Marco Rubio em maio. Ele também disse que seria completamente ilegal, aliás.

Os comentários de Trump na segunda também levantaram a possibilidade de os Estados Unidos precisarem de uma presença militar permanente para controlar o estreito nos próximos anos.

Em outras palavras: parecia totalmente impraticável. E, de fato, apenas um dia depois, Trump voltou atrás.

O fato de o presidente sequer cogitar algo tão extremo e difícil sugere que ele não tem muita noção do que é viável. A CNN noticiou na terça-feira (14) que assessores se esforçaram para dissuadi-lo da ideia."A guerra será curta"

Forças norte-americanas na base aérea RAF Fairford • 17/03/2026 REUTERS/Toby Melville
Forças norte-americanas na base aérea RAF Fairford • 17/03/2026 REUTERS/Toby Melville

Trump previu desde o início que a guerra seria breve, projetando repetidamente que duraria de quatro a cinco semanas.

Mais de dois meses depois, no 1º de maio, ele disse que não deveria durar muito. Já se passaram quatro meses e meio e a guerra não tem fim à vista.

Muitas das previsões iniciais não eram definitivas, e o governo argumenta que a guerra não estava acontecendo durante o cessar-fogo, que Trump declarou encerrado posteriormente. Mas as projeções iniciais das autoridades sugeriam que o governo antecipava um tipo de guerra muito diferente.

"Os líderes do Irã estão repentinamente racionais"

Figura central nas tratativas de paz entre EUA e Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf • ICANA News Agency via Getty Imag
Figura central nas tratativas de paz entre EUA e Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf • ICANA News Agency via Getty Imag

Após os EUA e o Irã concordarem com um memorando de entendimento no mês passado, Trump e o vice-presidente americano, JD Vance, falaram como se os líderes iranianos tivessem repentinamente virado seres iluminados.

Estamos lidando com pessoas que considero muito racionais, disse Trump em 16 de junho, acrescentando que os líderes iranianos eram “agradáveis e não radicalizados.

Vance disse em entrevista ao apresentador Jake Tapper, da CNN: O mais interessante sobre o progresso que fizemos nas últimas semanas é ver pessoas dentro do sistema iraniano, a alta liderança, até mesmo oficiais da Guarda Revolucionária Islâmica, dizendo: 'Sabe de uma coisa? Podemos ter alguma animosidade, podemos ter alguma desconfiança, mas reconhecemos que a maneira como temos feito negócios com os Estados Unidos por 47 anos foi um erro'.

Não demorou muito para o governo se arrepender dessas palavras. Após o cessar-fogo e o memorando desmoronado na semana passada, Trump chamou os líderes do Irã de malucos”, “malignos”, “doentes”, “jogadores sujoseescória.

Não está claro se Trump e Vance acreditavam no que estavam dizendo antes ou se estavam apenas sendo gentis. Mas, de qualquer forma, seus comentários rapidamente passaram a parecer ingênuos — como muitos previram na época.

"O povo iraniano pode se rebelar"

Uma jovem segura um retrato de Ali Khamenei e grita slogans durante o funeral de Majid Khademi, chefe de inteligência da Guarda Revolucionária, em Teerã, em 8 de abril de 2026. • NurPhoto via Getty Images
Uma jovem segura um retrato de Ali Khamenei e grita slogans durante o funeral de Majid Khademi, chefe de inteligência da Guarda Revolucionária, em Teerã, em 8 de abril de 2026. • NurPhoto via Getty Images

Quando lançou os primeiros ataques ao Irã no final de fevereiro, Trump estava focado na ideia de que o povo iraniano poderia se revoltar e mudar o regime. Ele até concluiu seu pronunciamento naquela noite enfatizando essa ideia.

Convoco todos os patriotas iranianos que anseiam por liberdade a aproveitarem este momento — a serem corajosos, ousados, heroicos e a retomarem o controle do seu país, disse Trump. A América está com vocês. Fiz uma promessa a vocês e a cumpri. O resto dependerá de vocês, mas estaremos lá para ajudar.

Mas, quando a revolta popular não aconteceu, Trump rapidamente abandonou o assunto — como se nunca tivesse sido seu objetivo. E hoje, ele fala como se fosse impensável.

A menos que eles pudessem ser completamente armados, eu nunca pensei que eles teriam esse tipo de levante, porque essas pessoas são violentas, disse Trump ao apresentador de rádio Hugh Hewitt na segunda. A chamada liderança deles é muito violenta.

Mas Trump claramente considerou isso uma possibilidade em determinado momento. Aliás, foi um ponto crucial em sua argumentação.

"O Estreito de Ormuz não era um problema"

O Comando Central dos EUA divulgou imagens que, segundo afirmam, mostram ataques a sites de radar de vigilância costeira do Irã, com uma legenda informando que interceptaram múltiplos mísseis balísticos iranianos e drones lançados em direção ao Estreito de Ormuz e ao Golfo • Comando Central dos EUA via X.
O Comando Central dos EUA divulgou imagens que, segundo afirmam, mostram ataques a sites de radar de vigilância costeira do Irã, com uma legenda informando que interceptaram múltiplos mísseis balísticos iranianos e drones lançados em direção ao Estreito de Ormuz e ao Golfo • Comando Central dos EUA via X.

Quando o Irã fez sua grande jogada para ganhar vantagem, fechando o Estreito de Ormuz, o governo inicialmente minimizou a situação e sugeriu que a medida não duraria.

É algo com que estamos lidando; temos lidado com isso, disse o Secretário de Defesa dos EUA Pete Hegseth em 13 de março. Ele acrescentou que as pessoas não precisam se preocupar com isso.

Alguns dias antes, em 9 de março, Trump disse que o estreitonão nos afeta de verdade porque temos muito petróleo.

O Estreito de Ormuz continuará seguro, acrescentou Trump.

O estreito não permaneceu — ou não tem sido consistentemente — seguro. E embora seja verdade que outros países tenham sido mais impactados pelo fechamento do estreito pelo Irã, o fechamento também causou danos significativos à economia dos EUA.

Isso também está dando ao Irã maior poder de barganha sobre Trump.

"Preços da gasolina cairão rapidamente para menos de US$ 3 por galão"

Gasolina entra no centro da discussão com instabilidade no tráfego em Ormuz • 05/03/2026REUTERS/Ken Cedeno
Gasolina entra no centro da discussão com instabilidade no tráfego em Ormuz • 05/03/2026REUTERS/Ken Cedeno

Ainda em relação ao estreito, o governo fez muitas promessas equivocadas sobre os preços da gasolina.

Em uma entrevista com Tapper em 8 de março, o Secretário de Energia americano, Chris Wright, disse que os preços da gasolina voltariam a ficar abaixo de US$ 3 por galãoem breve.

Questionado sobre quando exatamente, Wright disse que, mesmo nopior cenário, seriam semanas em vez de meses.

A situação tem sido ainda pior do que o pior cenário previsto por Wright. Mais de quatro meses depois, a gasolina ainda não está abaixo de US$ 3 por galão. Os preços não caíram abaixo de US$ 3,70 na média nacional, de acordo com o Gas Buddy, aplicativo utilizado para encontrar postos de gasolina, e agora estão subindo novamente após a retomada das hostilidades.

A previsão equivocada ressalta como o governo parece não ter previsto completamente o tamanho do estrago que o Irã poderia causar fechando o Estreito de Ormuz.

"O Irã está desesperado para fechar um acordo"

Trump afirmou dezenas de vezes que Teerã estava "implorando" por um acordo, que estava "desesperada" e "morrendo" de vontade de fechá-lo, e que queria um acordo "demais".

Ele também previu rotineiramente que um acordo estava prestes a ser fechado, mas os eventos dos últimos três meses mostraram o contrário. O Irã não só se recusou a fazer concessões muito significativas, como também descartou o que pareciam ser termos bastante favoráveis ​​no memorando de entendimento do mês passado.

Talvez seja apenas uma ilusão ou uma manobra do presidente americano, mas isso sugere que ele não entende as motivações de seu adversário.

"Os EUA tinham livre acesso ao espaço aéreo iraniano"

Caça F-15E da Força Aérea dos Estados Unidos • Josh Plueger/U.S. Air Force
Caça F-15E da Força Aérea dos Estados Unidos • Josh Plueger/U.S. Air Force

Desde os primeiros dias da guerra, Trump e Pete Hegseth, Secretário de Guerra dos Estados Unidos, afirmaram que a derrota militar do Irã era tão absoluta que os Estados Unidos poderiam basicamente voar para qualquer lugar que quisessem sem risco.

Em uma coletiva de imprensa em 4 de março, Hegseth afirmou que os EUA e Israel "teriam controle total do espaço aéreo iraniano" em uma semana. "E o Irã não poderia fazer nada a respeito", disse o Secretário de Guerra.

Trump repetiu a afirmação nas semanas seguintes. "Eles não têm equipamentos antiaéreos. Seus radares estão 100% destruídos", disse o presidente. "Somos imparáveis ​​como força militar."

Mas, no início de abril, o Irã conseguiu abater duas aeronaves americanas.

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sábado, 18 de julho de 2026

UA retomam ataques contra o Irã após mortes de militares americanos em base na Jordânia

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Desde o início da guerra, 16 militares dos EUA foram mortos e mais de 430 ficaram feridos.
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Por Redação g1

Postado em 18 de Julho de 2.026 às 21h00m
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Soldado da Marinha dos EUA treina tiro com fuzil de longo alcance (sniper) a bordo do navio anfíbio USS San Antonio, em imagem de arquivo — Foto: Nathan Mitchell/Marinha dos Estados Unidos
Soldado da Marinha dos EUA treina tiro com fuzil de longo alcance (sniper) a bordo do navio anfíbio USS San Antonio, em imagem de arquivo — Foto: Nathan Mitchell/Marinha dos Estados Unidos

Os Estados Unidos lançaram novos ataques contra o Irã neste sábado (18), informou o Comando Central do país, após dois militares americanos morrerem na Jordânia e outro ser dado como desaparecido após um ataque iraniano.

Esta é a oitava noite seguida de ataques dos EUA contra o Irã. Nos últimos bombardeios, os americanos atingiram infra-estrutura civil, como pontes e usinas de dessalinização.

Antes dos ataques de sábado, o líder supremo do Irã afirmou que Washington pagaria por "tentar escalar o conflito".

O Comando Central informou em comunicado que os ataques aéreos começaram às 19h (horário de Brasília), por ordem do presidente Donald Trump.

"Os ataques visam reduzir ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz e punir rapidamente as forças da Guarda Revolucionária Islâmica que lançaram ataques contra militares americanos na Jordânia na noite passada", afirmou o comando, sem fornecer mais detalhes.

A agência de notícias iraniana Mehr informou que os EUA realizaram um ataque perto de Sirik, no sul do Irã, acrescentando que não houve relatos de vítimas ou danos à infraestrutura.

Mais cedo, o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, fez um apelo à unidade nacional diante do retorno das agressões mútuas entre Washington e Teerã.

Na sexta-feira à noite, a Guarda Revolucionária afirmou ter destruído ao menos dois caças americanos e outras três aeronaves durante um ataque com mísseis e drones contra a base americana de Al Azraq, na Jordânia.

Segudo o jornal "The New York Times", o ataque à Jordânia danificou vários helicópteros das Forças Armadas dos EUA, incluindo modelos de combate como os Black Hawks.

Desde o início da guerra, 16 militares dos EUA foram mortos e mais de 430 ficaram feridos.

"Em 17 de julho, dois membros das forças armadas dos EUA na Jordânia foram mortos em ação enquanto o Comando Central dos EUA (CENTCOM) e forças parceiras se defendiam contra ataques com mísseis balísticos iranianos e drones. Além disso, um membro das forças armadas está atualmente desaparecido em ação", diz o comunicado do Comando Central (CentCom).

"Quatro membros das forças armadas americanas foram levados para hospitais jordanianos. Eles já foram liberados desde então. Outros militares que foram avaliados por ferimentos leves retornaram ao serviço", afirma a nota.

O CentCom não revelou os nomes dos militares mortos e feridos.

Vídeo mostra momento em que mísseis caem em base militar dos EUA na Jordânia, diz agência
Vídeo mostra momento em que mísseis caem em base militar dos EUA na Jordânia, diz agência

Escalada militar

Teerã e Washington vêm realizando uma escalada militar desde o naufrágio do acordo de cessar-fogo assinado entre os dois países em junho.

O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou neste sábado nas redes sociais que os Estados Unidos voltaram a descumprir compromissos assumidos no acordo de paz durante a guerra no Oriente Médio e disse que a assinatura de um presidente americano "não tem valor nem credibilidade".

"A repetida violação dos compromissos do Grande Satã em relação ao acordo, mais uma vez, revelou a verdade: a assinatura do presidente dos Estados Unidos tem tão pouco valor e credibilidade quanto as palavras e a conduta enganosas, traiçoeiras e brutais do regime americano", diz a publicação.

Teerã anunciou também neste sábado que estava suspendendo os compromissos assumidos pelos termos do cessar-fogo de junho.

Enquanto isso, os confrontos continuam. O Centcom informou que realizou, pela sétima noite consecutiva, ataques contra instalações de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e capacidades marítimas iranianas.

Segundo a mídia estatal iraniana, bombardeios americanos atingiram usinas elétricas e instalações de dessalinização na província de Hormozgan, no sul do país.

A agência IRNA afirmou que uma usina de dessalinização foi destruída, interrompendo o abastecimento de água para cerca de 10 mil pessoas, enquanto outra foi danificada na estratégica ilha de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz.

Mulheres sentam-se ao lado de uma faixa com os dizeres "Matem Trump" em inglês, durante um comício pró-governo na sexta-feira, 17 de julho de 2026, em Teerã, Irã — Foto: AP/Vahid Salemi
Mulheres sentam-se ao lado de uma faixa com os dizeres "Matem Trump" em inglês, durante um comício pró-governo na sexta-feira, 17 de julho de 2026, em Teerã, Irã — Foto: AP/Vahid Salemi

Em resposta, o Irã lançou novos ataques contra aliados de Washington no Golfo neste sábado.

O Kuwait foi alvo de ataques contínuos. Uma usina de dessalinização foi atingida, e as operações no Aeroporto Internacional do Kuwait foram suspensas devido a sucessivas ameaças de mísseis e drones.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atacado um centro de apoio militar dos EUA no Campo Arifjan e destruído uma instalação de radar na Base Aérea de Ali Al Salem, ambas no Kuwait.

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'Mudamos a rota': produtores do agro já buscam novos mercados após tarifaço de Trump

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Com a perda de competitividade nos Estados Unidos, produtores reorganizam as exportações e apostam em mercados como Europa, Argentina e Ásia para compensar as perdas.
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Por Ismael Jales, g1 — São Paulo

Postado em 18 de Julho de 2.026 às 06h00m
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Novo tarifaço de Trump deve provocar impacto de 36,5% no agronegócio brasileiro
Novo tarifaço de Trump deve provocar impacto de 36,5% no agronegócio brasileiro

O produtor Rodrigo Pamponet, que cultiva uvas no Vale do São Francisco, já colocou o mercado norte-americano em segundo plano.

A fazenda passou a concentrar as vendas em outros mercados, como Europa e Argentina, diante da perda de competitividade provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos vindos do Brasil.

A gente costumava exportar bastante para os EUA. Em 2024, a fazenda embarcou cerca de 50 paletes. No ano passado, esse volume caiu para apenas seis, apenas para completar um pedido. Neste ano, a expectativa é de que minhas exportações para lá praticamente zerem, a menos que os importadores americanos aceitem absorver parte do custo adicional das tarifas, relata o produtor.

O movimento da fazenda no Vale do São Francisco reflete a reação de parte do agronegócio brasileiro ao novo cenário comercial. A partir da próxima terça-feira (22), entra em vigor a sobretaxa de 25% aplicada pelos EUA aos produtos brasileiros que ficaram fora da lista de exceções anunciada por Washington.

Uvas da fazenda de Rodrigo Pamponet — Foto: Crédito: Rodrigo Pamponet
Uvas da fazenda de Rodrigo Pamponet — Foto: Crédito: Rodrigo Pamponet

Além da tarifa já confirmada, o setor acompanha a possibilidade de uma cobrança adicional de 12,5%, em outra investigação comercial em andamento. Se a medida for implementada, a sobretaxa total poderá chegar a 37,5% sobre os produtos brasileiros afetados.

Entre os segmentos do agronegócio atingidos estão as cadeias de uva, ovos, madeira, arroz e açúcar. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a medida coloca sob pressão US$ 4,6 bilhões em exportações do agronegócio brasileiro.

Também de acordo com a confederação, cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os EUA ficarão sujeitas à tarifa adicional de 25%, enquanto 63,5% foram preservadas com a ampliação da lista de exceções.

Redirecionar as exportações é uma das principais alternativas para os setores afetados pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Com a abertura de novos mercados, as exportações brasileiras não apenas mantiveram força, como encerraram o ano passado com o recorde histórico de US$ 348,7 bilhões.

Segundo análise da XP Macro Research, esse resultado foi possível porque os produtores conseguiram redirecionar parte das exportações para a China e outros mercados, compensando a redução das vendas aos EUA.

A estratégia dos produtores

Entre as frutas, a uva é a cadeia mais relevante entre as que ficaram fora da lista de isenções dos EUA, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

As exportações brasileiras de uva para os EUA já vinham perdendo espaço após a rodada anterior de tarifas, enquanto a Europa seguia como principal destino da fruta brasileira. Na prática, produtores como Rodrigo Pamponet já haviam iniciado esse redirecionamento.

nclusive, o produtor relatou ao g1 que atualmente, cerca de 70% da produção exportada pela fazenda segue para a União Europeia e 28% para a Argentina.

O mercado argentino ganhou espaço entre os produtores devido à proximidade geográfica e ao menor custo de transporte.

O reflexo aparece nos dados de comércio exterior: o volume de uvas brasileiras enviado ao país passou de 3,6 mil toneladas em 2024 para mais de 8 mil toneladas em 2025.

Enquanto isso, as compras dos EUA recuaram. O país, que adquiriu 13,8 mil toneladas de uva brasileira em 2024, com faturamento de US$ 41,5 milhões, reduziu as importações para 4,1 mil toneladas em 2025, o equivalente a US$ 12,8 milhões.

Embaixador diz que Brasil rejeita abrir setores estratégicos para evitar tarifas dos EUA
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Setor da uva teme freio nos investimentos

Principal polo da fruticultura irrigada do país, o Vale do São Francisco concentra cerca de 75% da produção nacional de uvas e responde por aproximadamente 95% das exportações brasileiras da fruta.

A cultura tem papel estratégico na economia regional e é uma das principais fontes de receita com exportações.

Embora a Europa continue como principal destino da uva brasileira, o mercado dos EUA é considerado estratégico pelos produtores devido à remuneração. Segundo o pesquisador João Ricardo Lima, da Embrapa Semiárido, os compradores americanos pagam mais por frutas de maior qualidade.

O mercado americano é importante em termos de preço. Essas uvas pagam muito bem nos Estados Unidos, mais do que na Europa. Então, quando se perde esse mercado, o efeito para o produtor é maior, afirma.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), Jailson Lira, afirma que a abertura de novos mercados reduziu parte do impacto, mas não eliminou a preocupação do setor. Segundo ele, o momento ainda é de "muita tensão" entre os produtores.

Uma das principais preocupações envolve emprego e renda na região. Segundo o sindicato, a cadeia da uva gera cerca de 70 mil empregos diretos e indiretos no Vale do São Francisco, e aproximadamente metade da mão de obra é formada por mulheres.

Apesar das incertezas, o setor mantém a expectativa de uma solução negociada antes de setembro, quando começa a principal janela de embarque de frutas do Vale do São Francisco para os EUA.

Outros setores também sentem os efeitos

Embora a fruticultura esteja entre as cadeias afetadas, a lista de produtos atingidos pela sobretaxa dos EUA inclui outros segmentos do agronegócio, como arroz, madeira e açúcar.

Em nota enviada ao g1, a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) informou que participou de audiências públicas em Washington para defender que o arroz brasileiro tem papel complementar no abastecimento dos EUA, já que a produção local não seria suficiente para atender toda a demanda.

Mas a exposição ao mercado americano é menor do que em outras cadeias. Os EUA não estão entre os principais destinos do cereal brasileiro, que tem como mercados mais relevantes países da América Latina e da África, como Venezuela, México e Senegal.

A entidade avalia que a medida pode aumentar o custo do alimento para os consumidores americanos, caso a tarifa seja repassada aos preços finais.

O g1 também conversou com Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que afirmou que a tarifa sobre ovos e carne suína preocupa o setor, mas destacou que o impacto prático varia entre os produtos.

No caso dos ovos, a nova tarifa tem efeito limitado porque o Brasil já havia reduzido significativamente as exportações para os EUA após a normalização da crise sanitária provocada pela gripe aviária.

No ano passado, o Brasil bateu recorde de vendas aos americanos justamente porque o país enfrentava uma redução da oferta interna. No caso dos ovos, cerca de 1% da produção nacional é exportada, em média.

Na carne suína, o mercado americano também tem participação reduzida. Os embarques, que chegaram a cerca de 60 mil toneladas em um período anterior, caíram para uma média anual próxima de 3 mil toneladas devido a barreiras comerciais.

Hoje, os EUA sequer estão entre os 10 principais destinos das exportações brasileiras do produto.

Por outro lado, a ABPA considerou positiva a decisão de manter a tilápia fora da lista de produtos sobretaxados.

A decisão de manter a tilápia fora da medida demonstra que há espaço para o diálogo técnico e para a construção de soluções equilibradas no âmbito das relações comerciais entre os dois países, afirmou a entidade.

O plano do governo

Para apoiar as empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA, o governo federal anunciou a retomada de medidas voltadas aos setores prejudicados pelas novas barreiras comerciais, mas ainda não detalhou como elas funcionarão.

A iniciativa prevê linhas de crédito para capital de giro, financiamento de investimentos e ações para ajudar exportadores a redirecionar produtos para outros mercados.

A ApexBrasil prepara um plano de contingência para agosto, com investimento de R$ 130 milhões em ações de diversificação comercial. A estratégia prevê ampliar a presença de produtos brasileiros em mercados da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, além de fortalecer as vendas para o Oriente Médio.

O governo também pretende aproveitar as oportunidades abertas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia para ampliar os destinos das exportações brasileiras e reduzir a dependência do mercado americano.

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