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segunda-feira, 16 de março de 2026

Nova exposição mostra moldes de vítimas de Pompeia 'congeladas' no momento da morte

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Mais de 20 reproduções ficam em mostra permanente no parque arqueológico. Técnica criada no século 19 preserva posição e detalhes das vítimas.
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Por Redação g1

Postado em 16 de Março de 2.026 às 06h00m
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Pessoas visitam o sítio arqueológico de Pompeia, perto de Nápoles, no sul da Itália — Foto: AP Photo/Alessandra Tarantino
Pessoas visitam o sítio arqueológico de Pompeia, perto de Nápoles, no sul da Itália — Foto: AP Photo/Alessandra Tarantino

Mais de 20 moldes de gesso de vítimas que morreram na catastrófica erupção do vulcão em Pompeia entraram em exibição permanente nesta quinta-feira (12), na Itália.

Os moldes, que estudiosos chamam de impressões de dor, registram de forma impactante a posição em que cada morador estava quando morreu, no ano 79. As reproduções foram feitas com o despejo de gesso líquido nos espaços deixados pelos corpos decompostos na cinza endurecida.

A intenção foi dar dignidade a essas pessoas, que são como nós — mulheres, crianças, homens — que morreram durante a erupção, mas, ao mesmo tempo, tornar isso compreensível, disse Gabriel Zuchtriegel, diretor do Parque Arqueológico de Pompeia. Segundo ele, a ideia é fazer com que o público entenda o que realmente aconteceu em Pompeia.

Criada por Giuseppe Fiorelli em 1863, a técnica preserva com fidelidade a posição, a expressão de dor e detalhes das roupas das vítimas, tornando os moldes testemunhos únicos. O método ainda é usado pela equipe de pesquisadores que atua no parque arqueológico.

O que antes se imaginava ser a mãe e o seu filho foi reavaliado após estudo publicado na última semana — Foto: Imagem: Parque Arqueológico de Pompeia
O que antes se imaginava ser a mãe e o seu filho foi reavaliado após estudo publicado na última semana — Foto: Imagem: Parque Arqueológico de Pompeia

Pompeia é o único local conhecido que permite a recuperação desse tipo de evidência, possibilitando aos visitantes ver a reprodução de objetos destruídos e das pessoas que viveram e morreram naquele momento.

A erupção do Monte Vesúvio matou cerca de 2 mil moradores da cidade. Na região, o total de vítimas pode ter chegado a 16 mil. Pompeia foi coberta por cinzas, que depois se solidificaram com os fluxos piroclásticos.

Durante as escavações, foram encontrados os restos de mais de mil vítimas presas em casas ou abrigos, soterradas por uma chuva de pedras-pomes e rochas vulcânicas ou mortas pelo desabamento de telhados e paredes sob o peso dos detritos, que chegaram a cerca de três metros de altura.

Os 22 moldes expostos foram escolhidos entre os corpos mais bem preservados. As vítimas foram encontradas em diferentes pontos da cidade, de áreas centrais a portões e estradas que levavam para fora, por onde moradores tentaram fugir.

Eles têm um forte impacto emocional nos visitantes e podem ser muito comoventes, disse Silvia Martina Bertesago, arqueóloga do Parque Arqueológico de Pompeia.

Com as análises que hoje podemos realizar, com técnicas cada vez mais avançadas, é possível entender a idade e o sexo, além de identificar eventuais doenças ou o tipo de alimentação, afirmou.

A exposição ocupa os pórticos da Palestra Grande, em frente ao Anfiteatro. Além de uma área dedicada aos restos humanos, o espaço reúne achados como plantas e alimentos que permaneceram soterrados por séculos sob metros de cinza e lava.

Vista do Parque Arqueológico de Pompeia, perto de Nápoles, sul da Itália — Foto: AP Photo/Andrew Medichini
Vista do Parque Arqueológico de Pompeia, perto de Nápoles, sul da Itália — Foto: AP Photo/Andrew Medichini

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domingo, 15 de março de 2026

Análise: Trump pode não conseguir terminar a guerra mesmo se quisesse

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Retórica do presidente dos EUA se choca com a realidade de um conflito sem um fim claro para ambos os lados
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Nick Paton Walsh
15/03/26 às 06:00 | Atualizado 15/03/26 às 06:00
Postado em 15 de Março de 2.026 às 08h00m
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O presidente dos EUA, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Flórida na segunda-feira (9)  • Roberto Schmidt/Getty Images

Uma guerra que é "vencida" mas também "ainda não acabou". Uma "incursão" que exige a "rendição incondicional" do Irã. Os nós retóricos do presidente dos Estados Unidos Donald Trump se encaixam bem em seu estilo de ditar a dieta informativa da América, mas perdem força quando se chocam com a dura realidade do conflito.

A "vitória" na guerra não é como no esporte: um placar não declara o vencedor após uma duração previamente acordada. A bravata e os vídeos estilo game do governo dos EUA enquanto prossegue seu ataque ao Irã contradizem a extraordinária seriedade de um momento intratável.

Até onde os americanos precisam ir, não apenas para declarar "nós vencemos", como Trump fez na quarta-feira (11) em Kentucky, mas para fazer o Irã se comportar como se tivesse sofrido uma derrota?

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Trump agora está preso na armadilha mais antiga da guerra moderna – acreditar que uma operação militar rápida e cirúrgica produzirá resultados políticos rápidos e duradouros.

Os soviéticos fizeram isso no Afeganistão; os EUA no Iraque em 2003; Putin fez isso na Ucrânia, e ainda está lutando. Independentemente da força que um exército falha ou consegue aplicar no início, as pessoas que estão sendo atacadas têm maior compromisso em defender suas terras e lares.

A Casa Branca pode ter se precipitado nisso, aproveitando a oportunidade de um ataque de decapitação, fornecida pela inteligência israelense.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu tem objetivos regionais muito diferentes, e um longo envolvimento dos EUA contra Teerã serve ao seu desejo de um Irã em colapso contínuo que não seja mais uma ameaça.

Mas a morte do Líder Supremo Ali Khamenei no dia 28 de fevereiro causou tantos problemas quanto resolveu.

Não há uma Delcy Rodriguez esperando nos bastidores para Trump ungir, como foi o caso quando as forças dos EUA capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro

Na verdade, os linha-dura iranianos preencheram o vácuo com o filho de Khamenei, Mojtaba – exatamente o homem que Trump disse publicamente que não queria.

Mojtaba Khamenei em Teerã, no Irã • 13/10/2024 Hamed Jafarnejad/ISNA/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Mojtaba Khamenei em Teerã, no Irã • 13/10/2024 Hamed Jafarnejad/ISNA/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

Não está claro se Mojtaba está com saúde suficientemente boa para gravar um vídeo anunciando sua liderança, embora o que a mídia estatal iraniana disse ser sua primeira mensagem desde que se tornou líder supremo tenha sido lida no ar na quinta-feira (12).

É muito claro que o IRGC (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica) está buscando uma vingança sangrenta pelo assassinato implacável de seus comandantes, assim como seria de se esperar que as tropas americanas fizessem se Trump, o Estado-Maior Conjunto e grande parte da comunidade de inteligência dos EUA fossem mortos.

Esta raiva prejudica as perspectivas imediatas de Trump para um fim. O Irã – em 13 dias – transformou isso em um teste de resistência que parece estar sobrevivendo.

Os EUA podem bombardear por meses, mas não sem esgotar seus estoques vitais de munições, e enfrentando tanto maiores danos políticos antes das eleições de meio de mandato de novembro quanto o risco de mais baixas americanas.

O Irã continuará a perder lançadores, bases de drones, pessoal e infraestrutura, mas provavelmente sobreviverá o suficiente para que suas forças nunca tenham que parar e cair de joelhos. Os líderes do IRGC se prepararam para este momento por anos.

Esta é sua vocação. Eles podem ficar sem bombas, drones ou até pessoas, mas não sem motivação. Esta, também, foi a lição do Iraque e do Afeganistão.

O Irã está dividido em seu apoio ao regime. Mas o bombardeio aéreo cria estranhas alianças entre os bombardeados. A noção míope de que ataques de precisão suficientes potencialmente garantiriam um amplo levante popular iraniano foi lentamente exposta como uma farsa.

Democracia e mudança de regime são agora uma aspiração no retrovisor de Trump enquanto ele busca um fim para a guerra.

Em vez disso, as limitações do poder aéreo dos EUA são expostas. Ele pode alterar regimes – em termos de suas capacidades ou figuras de liderança – mas ainda não conseguiu, com o Irã, forçar um regime a mudar seus métodos ou forçar uma mudança de regime

Com o passar do tempo, o bombardeio provavelmente se tornará menos eficaz e mais letal para civis – conforme a lista de alvos diminui e os itens que os americanos e israelenses precisam atingir se tornam mais entrelaçados com a vida civil.

Fumaça se eleva no horizonte após uma explosão em Teerã, Irã, no sábado (28) • Reprodução/AP/CNN Internacional
Fumaça se eleva no horizonte após uma explosão em Teerã, Irã, no sábado (28) • Reprodução/AP/CNN Internacional

Para os iranianos, o cálculo de risco versus recompensa está seguindo o caminho oposto: eles podem assediar e destruir navios no Estreito de Hormuz, mantendo o preço do petróleo acima de $100, e forçando a economia global a protestar que Trump deveria ter previsto isso.

Os bombardeios de mísseis do Irã podem se tornar menos frequentes, mas sua mera persistência é uma vitória.

Agora que Trump começou a falar diariamente sobre o fim e sobre a vitória, ele tornou muito palpável que quer parar. Disciplina nas mensagens é útil na guerra, e ele deixou seu inimigo saber que quer sair agora.

E assim, para o regime do Irã, o caminho para a vitória – ou pelo menos para evitar a derrota – está repentinamente muito claro, embora longo. Só precisa sobreviver. Trump ou Israel poderiam matar um segundo Khamenei, mas a determinação iraniana resultante seria ainda mais difícil de derrotar.

(Os americanos aprenderam no Afeganistão que suas incursões noturnas contra a liderança do Talibã na verdade tornaram mais difícil encerrar a guerra – eles ficaram apenas com filhos impetuosos e enlutados de líderes mortos para tentar conversar).

No entanto, esta não é uma "Guerra Eterna", por enquanto. Tem 13 dias de idade. É mais provável que a diplomacia silenciosa, ou puro esgotamento, faça a violência diminuir nas próximas semanas, de uma forma que ambos os lados possam reivindicar uma vitória.

Então, o regime do Irã se reconstruirá, mais linha-dura, mais violento, mais brutal – seus membros conscientes de que todo o poderio militar dos EUA pode matar seu líder supremo, devastar seu exército, mas ainda assim não desalojar sua impopular cabala. Isso é um grande triunfo psicológico.

Rússia e China sem dúvida ajudarão eles a se recuperarem – não a se tornarem gigantes, mas estáveis o suficiente para dar um soco.

Os EUA provavelmente terão que considerar uma nova investida, em algum momento no futuro, para diminuir um Teerã reconstruído. Também podem enfrentar o mesmo dilema que a Europa enfrenta agora com a Ucrânia

A Rússia está provocando os aliados europeus da Ucrânia com guerra assimétrica – sabotagem e ataques cibernéticos – possivelmente para provocar um conflito mais amplo enquanto impõe custos.

O Irã provavelmente seguirá o mesmo padrão: irritar os EUA com frequência suficiente para que fique clara a incapacidade americana de suprimir o Irã, mas não a ponto de arriscar um conflito aberto novamente.

A decisão mais séria que qualquer presidente dos EUA pode tomar é enviar suas tropas para a guerra. Trump não está sozinho em ter falhado nessa questão: George W. Bush fez isso (duas vezes).

Barack Obama pensou que poderia vencer no Afeganistão, se tentasse um pouco mais, e o caos da retirada de Joe Biden definiu o quão mal os EUA compreenderam seus fracassos lá.

Trump declarou uma vitória após 12 dias que ele ainda não conquistou ou viu aceita por seu adversário. Ele agora enfrenta a tarefa impossível de conciliar sua insuperável necessidade de parecer vitorioso com o obstinado desejo do Irã de nunca parecer parar.

Esperar pelo esgotamento não é um plano de jogo, mas parece ser o único disponível agora.


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'Corte uma cabeça e outras crescerão': por que regime iraniano segue difícil de derrubar

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Especialistas afirmam que a “estrutura em forma de hidra” do Irã lhe permitiu resistir a crises recorrentes — e torna improvável que o regime seja derrubado com facilidade.
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TOPO
Por Luís Barrucho — São Paulo
14/03/2026 20h09 
Postado em 15 de Março de 2.026 às 06h00m
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Especialistas afirmam que estrutura de poder do Irã garante longevidade do regime. — Foto: Getty Images via BBC
Especialistas afirmam que estrutura de poder do Irã garante longevidade do regime. — Foto: Getty Images via BBC

Mais de quarenta anos após a Revolução de 1979, a República Islâmica do Irã enfrenta a crise mais grave de sua história.

Ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e de Israel mataram o Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, e outros altos comandantes militares, além de danificar infraestrutura essencial.

Washington e Tel Aviv deixaram claro que desejam uma mudança de regime,incentivando os iranianos a derrubar seu governo.

Ainda assim, especialistas afirmam que o Irã construiu deliberadamente uma estrutura de poder robusta e duradoura, difícil de ser desmantelada.

O que explica essa resiliência — e por que ela difere da de outros países do Oriente Médio?

'Hidra iraniana'

Quem detém o poder no Irã — Foto: BBC
Quem detém o poder no Irã — Foto: BBC

Desde a derrubada da monarquia iraniana, a República Islâmica construiu gradualmente um sistema político projetado para resistir a crises, dizem especialistas.

Esse sistema combina instituições rigidamente controladas, doutrinação ideológica, coesão das elites e uma oposição fragmentada.

"É uma estrutura semelhante à Hidra (monstro mitólogico com corpo de dragão e várias cabeças de serpente, que renasciam quando cortadas): você corta uma cabeça e outras crescem", diz Sébastien Boussois, pesquisador de Oriente Médio no Instituto Geopolítico Europeu, na Bélgica.

No domingo, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, foi escolhido como seu sucessor, menos de duas semanas após a morte do pai.

Espera‑se que ele continue a linha dura do pai.

Novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, tende a manter linha dura adotada por seu pai. — Foto: Getty Images via BBC
Novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, tende a manter linha dura adotada por seu pai. — Foto: Getty Images via BBC

'Poliditadura'

Especialistas afirmam que, ao contrário de países do Oriente Médio ou do Norte da África, como Tunísia, Egito e Síria — onde líderes foram derrubados — o Irã conseguiu resistir mais eficazmente a pressões externas graças a um aparato de segurança fortemente motivado por ideologia.

Segundo Bernard Hourcade, ex‑diretor do Instituto Francês de Pesquisa no Irã, sediado em Teerã, o país não funciona como uma ditadura tradicional centrada em um único líder, mas como uma "poliditadura": uma aliança entre defensores do islamismo político e um intenso nacionalismo iraniano.

O poder é distribuído entre diversas esferas — instituições clericais, forças armadas e setores estratégicos da economia — o que torna o sistema muito mais difícil de derrubar do que regimes baseados em um líder único.

Entre os órgãos mais influentes está o Conselho dos Guardiões, responsável por vetar leis e filtrar candidatos para as eleições, reduzindo ainda mais as chances de qualquer facção desafiar seriamente o Estado.

Embora o Irã seja amplamente classificado como uma autocracia, oferece aos cidadãos a possibilidade simbólica de votar em algumas eleições, incluindo a escolha do presidente.

No entanto, o processo é rigidamente controlado, com candidatos avaliados pelo Conselho dos Guardiões segundo critérios como lealdade à República Islâmica.

O papel central da Guarda Revolucionária

Se as instituições formam o esqueleto do regime, as forças de segurança são amplamente vistas como o seu músculo.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI), que atua paralelamente ao exército regular, é frequentemente descrito como a "espinha dorsal do regime", afirma Hourcade.

Além de sua função militar, a Guarda tornou‑se uma potência política e econômica, com vastos interesses empresariais e influência exercida por meio da milícia Basij, uma organização paramilitar voluntária.

Um ponto crucial é que as forças de segurança permaneceram unificadas diante de sucessivas ondas de protestos.

Para Boussois, essa coesão está profundamente ligada à ideologia:

"Essa cultura de martírio presente entre os xiitas e em grupos como Hamas e Hezbollah é quase considerada parte do trabalho", afirma.

O vice‑ministro da Defesa, Reza Talaeinik, declarou recentemente à TV que cada comandante da Guarda tem sucessores designados até três níveis abaixo, garantindo continuidade operacional.

Kasra Aarabi, chefe de pesquisa sobre a Guarda na organização americana United Against Nuclear Iran, argumenta que a estrutura descentralizada do Irã foi moldada pelas lições do colapso das forças iraquianas em 2003, durante a invasão liderada pelos EUA.

Se o regime continuar de pé, ele acredita que "a Guarda terá um papel ainda mais importante".

Redes de patronagem e coesão das elites

Grande parte da economia iraniana é controlada por organizações ligadas ao Estado, como as bonyads — fundações de caridade que, ao longo do tempo, passaram a comandar milhares de empresas em diversos setores. Essas redes distribuem empregos e contratos a grupos leais ao regime.

O vasto império empresarial da Guarda Revolucionária, que inclui o conglomerado Khatam al‑Anbia, reforça esse sistema de patronagem.

Embora as sanções ocidentais tenham causado danos profundos à economia iraniana, essas estruturas ajudam a proteger as elites e a preservar seu interesse na continuidade do sistema, afirmam especialistas.

Segundo Boussois, o arranjo é "tão sólido que quase não vemos deserções".

Ideologia e o legado da revolução

A religião também desempenha um papel central na preservação do poder no Irã.

A revolução estabeleceu uma rede duradoura de instituições religiosas, políticas e educacionais que continuam moldando a visão de mundo do Estado.

"Essa estrutura muito antiga e muito poderosa — ideológica, burocrática, administrativa — torna o sistema forte", afirma Boussois.

Para ele, a ideologia "funciona como uma verdadeira fonte de unidade, vocação e recrutamento".

Uma oposição dividida

Historicamente, a oposição iraniana tem sido marcada pela fragmentação. Ela reúne reformistas, monarquistas, grupos de esquerda, movimentos da diáspora — como o Conselho Nacional de Resistência do Irã — e diversas organizações étnicas.

Essa divisão não é recente, observa Ellie Geranmayeh, pesquisadora sênior do Conselho Europeu de Relações Exteriores.

Após a revolução, o debate sobre a criação de partidos políticos foi deixado de lado, em grande parte porque o país entrou em guerra com o Iraque em 1980, conflito que durou quase oito anos.

Segundo Geranmayeh, ao longo do tempo, facções moderadas foram "marginalizadas, desacreditadas ou presas" tanto pelo regime quanto por grupos linha‑dura.

Houve grandes ondas de protestos contra o governo — como o Movimento Verde de 2009 e as manifestações desencadeadas pela morte de Mahsa Amini em 2022 —, mas esses movimentos careciam de liderança centralizada e foram duramente reprimidos.

A onda mais recente de protestos, neste e no último ano, foi impulsionada por apelos do filho exilado do último xá (rei).

O Irã também mantém um dos sistemas de vigilância mais sofisticados da região, recorrendo a desligamentos frequentes da internet, monitoramento por Inteligência Artificial e unidades cibernéticas que visam ativistas no exterior.

Cautela pública — e por que ela começa a se desgastar

Por muitos anos, grande parte da população iraniana hesitou em pressionar por uma mudança de regime, influenciada pelo que viu nas intervenções lideradas pelos EUA no Afeganistão e no Iraque, afirma Geranmayeh. A Primavera Árabe reforçou ainda mais essa cautela.

Segundo ela, porém, esse cálculo mudou. Muitos iranianos passaram a sentir que o Estado já não consegue garantir necessidades básicas — de empregos a água potável — ao mesmo tempo em que intensifica a repressão violenta.

A brutal repressão de janeiro contra uma nova onda de protestos — na qual milhares foram mortos após algumas das maiores manifestações já vistas no país — acelerou essa mudança, acrescenta.

Hourcade observa ainda a existência de um "fosso geracional" na forma como os iranianos enxergam o regime.

Os mais jovens, muitos deles altamente educados, conectados ao mundo e influenciados pelas redes sociais, rejeitam o sistema, que consideram "corrupto, opressivo e irrelevante para suas aspirações", argumenta.

'Todo regime acaba um dia'

Analistas afirmam que regimes autoritários tendem a cair quando três condições se alinham:

  • Mobilização em massa
  • Divisões entre as elites governantes
  • Deserções das forças de segurança

No passado, o Irã frequentemente experimentou a primeira, mas não as outras duas, dizem especialistas.

Hourcade acredita que o fim da República Islâmica é inevitável, mas não iminente. "Todo regime acaba um dia. A verdadeira questão é o tempo — a cronologia."

Ele argumenta que a morte de Khamenei foi um grande golpe para o regime. "Não haverá outro como ele. Seu substituto nunca terá a autoridade que Khamenei teve."

Mas Boussois diz que a queda da República Islâmica está longe de ser certa.

Se acontecer e for desencadeada por intervenção militar estrangeira, o que vier depois pode ser pior, afirma.

Trump disse anteriormente ao jornal americano New York Times que a captura do ex‑presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA seria o "cenário perfeito" para o Irã.

Mas Boussois afirma: "O oposto pode ocorrer — como na Coreia do Norte ou em Cuba — um fortalecimento do núcleo duro do regime."

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    sábado, 14 de março de 2026

    Guerra no Oriente Médio já deixou mais de 3 mil mortos; veja lista por país

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    Mais de 1.300 pessoas foram mortas no Irã desde o início do conflito, afirmou o embaixador iraniano na ONU na terça-feir       
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    Catherine Nicholls e Sophie Tanno, da CNN
    14/03/26 às 10:40 | Atualizado 14/03/26 às 12:00
    Postado em 14 de Março de 2.025 às 12h25m
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    Coluna de fumaça após um ataque à capital iraniana, Teerã, em 3 de março de 2026  • Atta Kenare/AFP

    Mais de 3 mil pessoas – incluindo civis e militares – foram mortas no Oriente Médio desde o início da guerra com o Irã, há duas semanas, segundo estimativas da CNN.

    Mais recentemente, pelo menos 12 profissionais de saúde foram mortos após um ataque israelense atingir um centro de saúde na cidade de Borj Qalaouiye, no sul do Líbano, informou o Ministério da Saúde Pública do país neste sábado.

    Veja abaixo a distribuição das mortes em cada país.

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    Mais de 1.300 pessoas foram mortas no Irã desde o início do conflito, afirmou o embaixador iraniano na ONU na terça-feira.

    A agência de notícias HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos EUA, informou na sexta-feira (13) que 1.298 civis – incluindo 205 crianças – e 1.122 militares foram mortos desde o início da guerra, um aumento de quase 1.000 mortes militares em relação ao relatório divulgado na quinta-feira.

    A HRANA informou à CNN que esse aumento se deve à inclusão de mortes que estão sob revisão, bem como à incorporação de relatórios de fatalidades com atraso.

    As autoridades iranianas não atualizam seus números oficiais há mais de uma semana.

    Líbano

    Pelo menos 773 pessoas morreram no Líbano desde que Israel iniciou os ataques contra o país, informou o Ministério da Saúde Pública em um comunicado divulgado na sexta-feira.

    Entre os mortos, estão 103 crianças.

    Israel

    Pelo menos 15 israelenses foram mortos desde o início do conflito.

    Entre eles, nove que morreram em um ataque direto de míssil a um prédio residencial na cidade de Beit Shemesh e dois soldados israelenses que foram mortos no sul do Líbano na manhã do último domingo.

    EUA

    Um total de 13 militares americanos foram mortos desde o início do conflito, incluindo seis que perderam a vida quando sua aeronave de reabastecimento caiu no Iraque na quinta-feira.

    Outros seis militares americanos foram mortos em um ataque iraniano que atingiu um centro de operações improvisado no Kuwait no último domingo.

    Iraque

    Pelo menos 32 pessoas foram mortas no Iraque, a maioria soldados das PMF (Forças de Mobilização Popular).

    As PMF afirmaram em comunicado que pelo menos 27 de seus membros foram mortos até quinta-feira.

    Um soldado francês também foi morto em um ataque a uma base militar no Curdistão iraquiano na quinta-feira.

    Kuwait

    Pelo menos seis pessoas morreram no Kuwait.

    Entre elas, uma menina de 11 anos que faleceu em decorrência dos ferimentos sofridos quando estilhaços caíram em uma área residencial no dia 4 de março.

    Emirados Árabes Unidos

    O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou na terça-feira que um total de seis pessoas de nacionalidades emiradense, paquistanesa, nepalesa e bengali foram mortas em consequência de "ataques".

    Bahrein

    Uma pessoa morreu após destroços de um míssil interceptado provocarem um incêndio em uma embarcação estrangeira na Cidade Industrial de Salman, no Bahrein, informou a mídia estatal do país na semana passada.

    Em outro incidente, uma mulher bahreinita de 29 anos morreu após um ataque iraniano à capital Manama, segundo o Ministério do Interior do Bahrein.

    Omã

    Um cidadão indiano morreu após um barco não tripulado atacar o petroleiro em que trabalhava a 52 milhas náuticas da costa omanita, informou a Agência de Notícias de Omã.

    Além disso, dois estrangeiros morreram na queda de um drone no distrito de Sohar, em Omã, informou o Ministério da Defesa do país nesta sexta-feira.

    Arábia Saudita

    Duas pessoas morreram após um projétil militar atingir um prédio residencial na cidade de Al-Kharj, em 8 de março, informou a Defesa Civil saudita.

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