China conquista um feito histórico e se coloca em destaque na corrida espacial.
Por G1
Postado em 02 de janeiro de 2019 às 23h55m

Imagem mostra pouso da sonda lunar Chang'e-4 — Foto: Reprodução/Twitter
A nave, que tem um módulo e um 'rover' — veículo de exploração espacial — deve estudar a composição mineral, o terreno, relevo e a manta da superfície lunar, a camada abaixo da superfície. Também deve realizar observações astronômicas por meio de baixas frequências de rádio, a chamada radioastronomia.
Primeira imagem do lado oculto da Lua feita pela sonda. — Foto: Administração Nacional Espacial da China/Xinhua News Agency via AP
Simulação do pouso da Chang'e 4, visto pelo monitor do Centro de Controle do Espaço em Pequim. — Foto: Jin Liwang/Xinhua News via AP
Imagem feita pela Chang'e 4 durante a chegada à Lua. — Foto: China National Space Administration/Xinhua News Agency via AP
Foguete Long March-3B, que carrega a sonda lunar Chang'e 4, decola do Centro de Lançamento de Satélites Xichang em dezembro de 2018 — Foto: Reuters
Uma sonda espacial chinesa pousou, nesta quinta-feira (3), no lado oculto da Lua, de acordo com a Agência Estatal de Notícias Chinesa. É a primeira vez na história que este pouso é realizado, segundo a Administração Espacial Nacional da China (ANEC).
O objetivo final do programa Chang'e, que começou com o lançamento de uma primeira sonda orbital em 2007, é uma missão tripulada à Lua a longo prazo, mas sem uma data ainda definida de término.
Postado em 02 de janeiro de 2019 às 23h55m
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"O lado oculto da Lua é um raro lugar calmo, que está livre da interferência de sinais de rádio vindos da Terra", afirmou o porta-voz da missão, Yu Gobin, segundo a agência de notícias estatal Xinhua News. "Essa sonda pode preencher o vazio de observação de baixa frequência na radioastronomia, e irá fornecer informações importantes para estudar a origem das estrelas e da evolução da nébula [solar]".
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A alunagem [aterrissagem na superfície lunar], realizada às 0h26 (horário de Brasília), "abriu um novo capítulo na exploração humana da Lua", afirmou a agência espacial chinesa. O local exato do pouso foi a cratera Von Karman, no polo sul lunar, que tem 186 quilômetros de diâmetro e 13 quilômetros de profundidade.
Segundo a AP, cientistas chineses acreditam que pousar nessa cratera possibilitaria coletar novas informações sobre a manta da Lua.
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O lado oculto da Lua é relativamente pouco explorado e tem uma composição diferente daquela do lado "próximo", que pode ser visto da Terra, e onde outras naves já pousaram.
Países como a antiga União Soviética, os Estados Unidos e até mesmo a própria China já haviam realizado missões desse tipo.
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De acordo com a Nasa, a agência espacial americana, essa parte do satélite foi observada pela primeira vez em 1959, quando a nave soviética Luna 3 enviou as primeiras imagens. Em 1962, os Estados Unidos tentaram enviar uma missão não tripulada ao lado oculto da Lua, que não deu certo, segundo a EFE.
China no espaço
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A ANEC, citada pela agência oficial de notícias Xinhua, detalhou que o pouso da Chang’e 4 na lua aconteceu às 10h26 (horário da China, 0h26 de Brasília) na área planejada: a bacia de Aitken, no polo sul do satélite da Terra.
Objetivo
Objetivo
A missão realizará tarefas de observação astronômica de rádio de baixa frequência, análise de terreno e relevo, detecção de composição mineral e estrutura da superfície lunar pouca profunda e medição da radiação de nêutrons e átomos neutros para estudar o meio ambiente no lado oculto da Lua, segundo a EFE.
O objetivo final do programa Chang'e, que começou com o lançamento de uma primeira sonda orbital em 2007, é uma missão tripulada à Lua a longo prazo, mas sem uma data ainda definida de término.
A sonda, que inclui um módulo e um rover, foi lançada no dia 8 de dezembro do ano passado pelo foguete Longa Marcha 3B, a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, na província de Sichuan.
Quatro dias mais tarde, a Chang'e 4 entrou na órbita lunar. As comunicações entre a sonda e a Terra são possíveis graças a um satélite, Queqiao, posto em órbita em maio do ano passado e que funciona como um transmissor "espelho" de informações entre os centros de controle na Terra e Chang'e 4.

Sonda chinesa pousa com sucesso no lado oculto da lua
Marco na história
Marco na história
O jornal estatal Global Times chamou a chegada da Chang'e 4 ao lado oculto da Lua de "grande marco na exploração espacial".
Programas espaciais pioneiros como o soviético ou o americano já conseguiram fotografar o lado oculto da Lua há mais de meio século, mas nunca chegaram até lá, embora em 1962, uma missão não tripulada dos Estados Unidos tentou, mas sem sucesso, informou a EFE.
Foguete Long March-3B, que carrega a sonda lunar Chang'e 4, decola do Centro de Lançamento de Satélites Xichang em dezembro de 2018 — Foto: Reuters
Foguete Long March-3B, que carrega a sonda lunar Chang'e 4, decola do Centro de Lançamento de Satélites Xichang em dezembro de 2018 — Foto: Reuters
A Chang'e 4 foi lançada no dia 8 de dezembro do ano passado pelo foguete Long March 3B, do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, na província de Sichuan. Quatro dias mais tarde, a sonda entrou na órbita lunar. As comunicações entre a sonda e a Terra são possíveis graças a um satélite, Queqiao, posto em órbita em maio de 2017 e que funciona como um transmissor "espelho" de informações entre os centros de controle na Terra e Chang'e 4.
O objetivo do programa Chang'e, que começou com o lançamento de uma primeira sonda orbital em 2007, é uma missão tripulada à Lua a longo prazo, ainda sem data definida. A primeira missão espacial tripulada da China foi em 2003 — o terceiro país a realizar uma depois de Rússia e Estados Unidos. O país também colocou duas estações espaciais em órbita e planeja lançar um 'rover' em Marte no meio da década de 2020.
Em 2013, a Chang'e 3, a nave predecessora da missão atual, fez o primeiro pouso na Lua desde a Luna 24, lançada pela União Soviética em 1976. Os Estados Unidos são o único país que conseguiu mandar uma pessoa à Lua.
O programa espacial chinês sofreu um revés no ano passado, quando o lançamento do foguete Long March 5 falhou. Por enquanto, a China planeja enviar a sonda Chang'e 5 à Lua no ano que vem e trazê-la de volta à Terra com amostras — algo que não foi feito desde a missão soviética de 1976.
A chegada da Chang'e 4 marca as ambições chinesas de rivalizar com os EUA, a Rússia e a Europa no espaço — e, mais amplamente, de solidifcar a posição da China como um poder regional e global.
"O sonho do espaço é parte do sonho de tornar a China mais forte", afirmou o presidente Xi Jinping já em 2013, pouco depois de chegar ao poder.
Nasa
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