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quinta-feira, 30 de julho de 2026

'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos

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Estudo aponta que a maior concorrência reduziu os reajustes e aumentou os descontos nas concessionárias. Juros altos e renda estagnada, porém, ainda dificultam a compra do zero km.
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Por Ismael Jales, g1 — São Paulo

Postado em 30 de Julho de 2.026 às 10h25m

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JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos
JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos

Um estudo da Bright Consulting mostra que, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos no Brasil subiu menos do que a inflação em 2026. O valor dos veículos zero km teve uma queda real — descontada a inflação — de 1,5% neste ano.

Nominalmente, o preço médio sugerido pelas montadoras subiu 1,4% e chegou a R$ 166,9 mil. Mas o reajuste ficou abaixo da inflação oficial acumulada no período, de 3,18%. Houve uma forte desaceleração em relação aos 5,5% registrados no ano anterior.

De acordo com os analistas, a expansão das montadoras chinesas no país foi o principal fator por trás da queda dos preços, já que aumentou a competição no mercado brasileiro e forçou as fabricantes tradicionais a reduzirem suas margens.

💰 Por outro lado, a renda estagnada e os juros elevados do crédito veicular ainda mantêm a compra do automóvel zero km distante do bolso da maioria da população. (entenda os detalhes abaixo)

Margem para negociação

Segundo Cássio Pagliarini, sócio da Bright Consulting, a queda dos preços fica ainda mais evidente após a negociação na concessionária. O valor efetivamente pago no balcão — conhecido como preço de transação — caiu 3,5% em 2026, passando de R$ 157,6 mil para R$ 152,1 mil.

A diferença de quase R$ 15 mil entre a tabela oficial de fábrica e o preço final registrado na nota fiscal mostra o esforço do comércio para reduzir os estoques acumulados.

Essa diferença é viabilizada por bônus de fábrica, maior valorização do carro usado dado na troca e cortes pontuais nas taxas de financiamento.

Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil — Foto: g1
Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil — Foto: g1
Efeito China

Como previsto, a entrada agressiva de marcas chinesas no país começou a provocar impactos no mercado.

Segundo Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da área automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), as fabricantes chinesas se beneficiam principalmente da grande escala de produção em seu país de origem.

"Estamos falando de um mercado de cerca de 34 milhões de veículos por ano, 10 vezes maior do que o brasileiro. A BYD, por exemplo, fabricou cerca de 4 milhões de carros só em 2025. Essa escala fabulosa reduz drasticamente o custo médio por veículo", explica Martins.

Com mais de 140 marcas disputando espaço no mercado chinês — que já apresenta demanda enfraquecida e oferta ainda elevada —, a busca por rentabilidade em outros países virou prioridade para as fabricantes chinesas. Para ganhar espaço rapidamente no Brasil, a estratégia foi entrar com preços mais baixos.

  • 🔍 O movimento já coloca o Brasil no topo: o país tornou-se o maior importador de carros chineses no primeiro semestre de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras. Do total, US$ 4,5 bilhões foram destinados a veículos elétricos e híbridos. Além da forte demanda por veículos mais tecnológicos, as montadoras anteciparam estoques antes do aumento das alíquotas do imposto de importação por aqui.

O professor da FGV aponta ainda que as fabricantes chinesas mudaram o jogo ao verticalizar a produção e fabricar internamente parte dos componentes mais importantes dos veículos, como as baterias. Isso elimina margens de intermediários e garante mais qualidade a um custo menor.

"Nos anos 90, os carros chineses sofriam com rejeição por falta de qualidade. Hoje, eles unem alto volume, controle da cadeia e muita tecnologia embarcada", destaca o professor da FGV. 
Carro mais barato não é fácil de comprar

Apesar da queda no valor médio dos carros, a dificuldade de acesso ao financiamento ainda limita um avanço maior dos emplacamentos.

As taxas cobradas pelos bancos para o financiamento veicular ainda variam entre 18% e 22% ao ano. A expectativa do setor é de que o crédito só ganhe fôlego à medida que caia a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,25%.

"Em momentos normais do mercado, cerca de 60% das vendas de carros no Brasil dependem de financiamento bancário. Quando o crédito fica caro, os bancos reduzem a concessão por receio da inadimplência", avalia Martins, da FGV.

BYD Atto 2 DM-i Flex é lançado oficialmente no Brasil — Foto: Divulgação / BYD
BYD Atto 2 DM-i Flex é lançado oficialmente no Brasil — Foto: Divulgação / BYD

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Desemprego fica em 5,4% no trimestre até junho, diz IBGE

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Número de desempregados cai para 5,9 milhões, enquanto total de pessoas ocupadas atinge 103,1 milhões.
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Por Micaela Santos, g1 — São Paulo

Postado em 30 de Julho de 2.026 às 09h25m

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Desemprego fica em 5,4% no trimestre até junho
Desemprego fica em 5,4% no trimestre até junho

A taxa de desocupação ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho de 2026, segundo a PNAD Contínua divulgada nesta quinta-feira (30) pelo IBGE.

Com o resultado, a taxa caiu 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre de janeiro a março de 2026, quando estava em 6,1%. Na comparação com o mesmo período do ano passado (abril a junho de 2025), a queda foi de 0,4 ponto percentual, já que a taxa era de 5,8%.

No trimestre encerrado em junho, o Brasil tinha 5,9 milhões de pessoas desempregadas. O número representa uma queda de 10,9% em relação ao trimestre anterior, encerrado em março (6,6 milhões).

Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 6,3%, o equivalente a 392 mil pessoas a menos em busca de trabalho.

Já o total de pessoas ocupadas somou 103,1 milhões. Esse contingente cresceu 1,1% em relação ao trimestre anterior e 0,7% na comparação com o mesmo período do ano passado, o que representa um acréscimo de 742 mil pessoas.

Como consequência, o nível de ocupação — indicador que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada — ficou em 58,8%, com alta de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e estabilidade na comparação anual.

Já a taxa composta de subutilização ficou em 12,9% no trimestre encerrado em junho. O indicador caiu 1,4 ponto percentual em relação ao período anterior e recuou 1,5 ponto na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

Ao todo, 14,7 milhões de pessoas estavam nessa condição. Esse contingente caiu 10,1% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a 1,642 milhão de pessoas a menos, e recuou 11,0% na comparação com o mesmo período do ano passado, o que representa 1,809 milhão de pessoas a menos.

Veja os destaques da pesquisa

  • Taxa de desocupação: 5,4%
  • População desocupada: 5,9 milhões de pessoas
  • População ocupada: 103,1 milhões
  • População fora da força de trabalho: 66,5 milhões
  • População desalentada: 2,3 milhões
  • Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,6 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões

*Reportagem em atualização

Carteira de trabalho vaga de emprego Sine Maceió — Foto: Jonathan Lins
Carteira de trabalho vaga de emprego Sine Maceió — Foto: Jonathan Lins

IBGE

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