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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Vance diz que conflito com Irã não é guerra, mas se recusa a apontar prazo

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Vice-presidente americano não informou quando as tensões no Oriente Médio devem chegar ao fim e sugeriu que cabe a Teerã encerrar o confronto
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Kevin Liptak, da CNN
03/09/26 às 18:34 | Atualizado 03/09/26 às 18:35
Postado em 03 de Setembro de 2.026 às 19h00m

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Vice-presidente dos EUA, JD Vance  • 08/01/2026REUTERS/Kevin Lamarque

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, não conseguiu fornecer um prazo para o fim da guerra com o Irã nem uma data em que os preços da gasolina poderiam cair abaixo dos níveis anteriores ao conflito; em vez disso, sugeriu que cabia ao Irã encerrar o conflito, iniciado há seis meses com ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel.

Durante um discurso na Casa Branca nesta quinta-feira (3), Vance argumentou que as hostilidades atuais nem sequer deveriam ser chamadas de "guerra", uma vez que as "operações de combate ativo" terminaram meses atrás.

"Neste momento, não há troca de tiros ativa", insistiu Vance, apesar de três dias consecutivos nesta semana em que os EUA e o Irã trocaram disparos, inclusive nas imediações do Estreito de Ormuz.

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A descrição da situação no Oriente Médio como um combate ocasional e de baixa intensidade indicava que o governo tenta deixar a guerra para trás, a dois meses de eleições de meio de mandato, mesmo enquanto as forças armadas dos EUA continuam a atacar ativamente posições iranianas.

Dados atualizados do Pentágono nesta quinta-feira mostraram que 790 militares americanos ficaram feridos e 18 morreram desde o início do conflito, no final de fevereiro.

Na terça-feira (1°), os EUA realizaram uma operação multifacetada, atingindo quase 60 alvos militares ao redor do estreito — incluindo locais de defesa aérea, sistemas de radar, ativos marítimos, capacidades de lançamento de minas e instalações de comunicação — enquanto escoltavam simultaneamente navios pela via navegável.

As forças armadas dos EUA esperam continuar realizando ataques ofensivos perto do estreito, em parte porque o Irã demonstrou capacidade de reconstituir seus recursos. Realizar esses ataques equivale a "aparar a grama" ou a um jogo de "bater na toupeira", disseram autoridades.

Embora a operação de terça-feira tenha sido um sucesso, as autoridades não se iludem achando que uma solução rápida para o conflito esteja próxima. Além disso, as empresas de energia continuam receosas quanto aos enormes riscos envolvidos no envio de seus navios pelo estreito, mesmo com escolta militar.

A guerra impopular provocou uma alta nos preços da gasolina, gerando ansiedade entre os republicanos que buscam manter a maioria no Congresso.

Trump insistiu nesta semana que não sente pressão para reduzir as hostilidades antes da votação. No entanto, seus assessores e aliados admitem que, quanto mais a guerra sair de cena no período que antecede novembro, melhor.

Vance, que inicialmente se opunha a uma guerra com o Irã, desempenhou um papel de destaque no início deste verão ao tentar intermediar um acordo diplomático. No entanto, o cessar-fogo que ele negociou fracassou após duas semanas, e os dois lados retomaram um ciclo de ataques mútuos, enquanto o Irã buscava manter o controle do estreito.

A calma prevaleceu durante a maior parte de agosto. Contudo, os ataques recomeçaram nesta semana, quando os EUA atingiram posições iranianas perto do estreito que, segundo relatos, preparavam-se para lançar minas na via navegável.

Vance afirmou que o governo está investigando relatos de que os ataques americanos mais recentes mataram quatro pessoas que participavam de uma festa de casamento em um vilarejo próximo ao Estreito de Ormuz; ele evitou descartar a possibilidade de mortes de civis, embora tenha insistido que os militares "nunca têm civis como alvo em combate".

"Nunca faremos isso, nunca fizemos isso e, infelizmente, é claro, às vezes acontecem coisas; mas, neste caso específico, não creio que tenhamos qualquer informação definitiva em um sentido ou outro", disse Vance.

Teerã retaliou os ataques americanos mais recentes visando bases dos EUA na região.

Atualmente, não há negociações em andamento com os iranianos, disse Vance.

"O presidente tem sido muito claro", disse ele a repórteres na coletiva de imprensa de quinta-feira. "Não estamos conversando com eles e não conversaremos a menos que parem de atirar contra navios comerciais."

Isso deixa incerto o prazo para o fim do conflito. Vance não soube dizer se ele terminaria antes das eleições, marcadas para 3 de novembro.

"Quando você pergunta quando isso vai acabar, está me fazendo uma pergunta do tipo: 'quando os iranianos vão parar de atirar nos navios?'. A realidade é que não sei a resposta para essa pergunta", disse ele. "Você teria de perguntar aos iranianos."

O vice-presidente também não quis dizer quando a gasolina poderia ficar mais barata.

"Não vou fazer promessas sobre quando o preço voltará a 3 dólares", disse ele.

"O que direi é que precisamos lembrar: por que estamos fazendo isso? Em primeiro lugar, para garantir que o Irã nunca tenha uma arma nuclear", afirmou.

Vance falava da sala de imprensa da Casa Branca, que não era utilizada pelo governo há 42 dias. A secretária de imprensa Karoline Leavitt deixou o cargo na semana passada, e Trump ainda não nomeou um substituto.

Vance falou por quase uma hora, respondendo a perguntas sobre diversos assuntos, desde o conflito com o Irã até sua silhueta mais esbelta — resultado, segundo ele, de uma dieta prescrita pelo secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr.

“Como muitos alimentos ricos em proteínas e muito chucrute”, disse ele, descrevendo o regime alimentar como algo pouco apetitoso: “Se você quiser sentir prazer ao comer, não ligue para o Bobby Kennedy”.

Ele também manifestou forte apoio a outro membro do gabinete, o Secretário de Defesa Pete Hegseth, cuja gestão do Pentágono tem sido alvo de escrutínio em meio à turbulência provocada por demissões, promoções bloqueadas e pedidos de demissão de oficiais de alto escalão.

O Secretário do Exército, Dan Driscoll — amigo próximo de Vance desde os tempos em que estudaram juntos na Faculdade de Direito de Yale —, foi a mais recente baixa no Pentágono ao apresentar seu pedido de demissão nesta semana. Com isso, o Exército ficou sem seu principal líder civil.

Hegseth — que serviu na Guarda Nacional do Exército por quase 20 anos — tem demonstrado interesse especial pelo Exército e sua liderança, demitindo ou forçando a saída de vários líderes importantes da força.

Até mesmo alguns republicanos de destaque que estão deixando o cargo pediram a saída de Hegseth. O senador Thom Tillis, da Carolina del Norte — cujo voto foi decisivo para a confirmação do secretário de Defesa no ano passado —, afirmou que "jamais presenciou uma gestão mais inepta em relação aos homens e mulheres corajosos que servem ao nosso país". Ele também disse que Hegseth se sentia "intimidado pela competência".

Vance, no entanto, minimizou as saídas e afirmou que Hegseth estava trabalhando para reformar as Forças Armadas.

"Os Estados Unidos travaram muitas guerras ao longo da minha vida — 42 anos — e não vencemos praticamente nenhuma delas até que Donald J. Trump se tornou presidente dos Estados Unidos", disse ele.

(Com informações de Davis Winkie, da CNN)

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Câmeras e agulhas: cientistas australianos desenvolvem baratas-robô para salvar vidas; VÍDEO

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Insetos foram equipados com pequenos dispositivos de injeção e câmeras e poderão, no futuro, auxiliar no atendimento de pessoas presas em escombros.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 03 de Setembro de 2.026 às 06h00m

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Pesquisadores querem usar baratas para resgates em desastres
Pesquisadores querem usar baratas para resgates em desastres

Um enxame de baratas gigantes pode parecer coisa de pesadelo, mas pesquisadores australianos afirmam que os insetos poderão, no futuro, ser usados por equipes de busca e resgate para levar medicamentos que podem salvar vidas a pessoas presas após desastres.

Cientistas da Universidade de Queensland e da Universidade de Nova Gales do Sul desenvolveram baratas-ciborgues paramédicas, apelidadas de “paraborgs”, equipadas com pequenos dispositivos de injeção e câmeras.

A expectativa é que os insetos possam ajudar a manter vivas vítimas de terremotos e desabamentos ao fornecer assistência médica básica em espaços estreitos e cheios de escombros antes da chegada das equipes de resgate.

“Muitas pessoas podem não gostar de ver uma barata gigante correndo em direção a elas, mas, se você estiver preso sob escombros ou em uma caverna e precisar de ajuda, isso pode fazer uma diferença real entre a vida e a morte”, afirmou o doutorando Hai Nhan Le, coautor do estudo publicado na revista “Advanced Science”.

As equipes de pesquisa equiparam baratas-gigantes-escavadoras do norte de Queensland — a espécie de barata mais pesada do mundo, que pode medir até 8,5 centímetros — com pequenas mochilas contendo cilindros de seringa e câmeras.

Segundo o estudo, a pesquisa foi além de trabalhos anteriores com insetos ciborgues, que se concentravam apenas em usá-los para localizar vítimas, e não para tratá-las.

Operadores guiam insetos com implantes

Um pesquisador segura uma barata gigante ciborgue escavadora equipada com um mecanismo de autoinjeção supervisionado por humanos (AIM) em Brisbane, Austrália — Foto: Universidade de Queensland/Divulgação via REUTERS
Um pesquisador segura uma barata gigante ciborgue escavadora equipada com um mecanismo de autoinjeção supervisionado por humanos (AIM) em Brisbane, Austrália — Foto: Universidade de Queensland/Divulgação via REUTERS

Baratas de verdade foram utilizadas porque, segundo os pesquisadores, nenhum robô consegue igualar sua agilidade, resistência e baixo consumo de energia.

Eletrodos implantados permitiram que operadores estimulassem o sistema nervoso dos insetos e controlassem sua direção.

“Começamos anestesiando o inseto e imobilizando-o para garantir que ele não sinta nada durante o processo de implantação”, afirmou o engenheiro de biorrobótica e coautor do estudo Thang Vo-Doan.

“Depois que implantamos um eletrodo no inseto, podemos aplicar um pequeno sinal elétrico para ativar ou estimular o sistema nervoso, de forma que ele responda aos nossos comandos.”

O estudo utilizou uma barata “observadora”, equipada com uma câmera para localizar alvos para os operadores, e uma segunda barata, que carregava os medicamentos e podia ter o mecanismo de liberação acionado remotamente.

Durante os testes, o estudo registrou uma taxa de sucesso de 100% para que os insetos chegassem aos pontos de controle designados e uma taxa geral de sucesso de 72% na administração dos medicamentos.

Quando a injeção era disparada a uma distância de até 15 centímetros do alvo, a taxa de sucesso chegava a 95%.

Segundo o estudo, um sistema desse tipo poderia, no futuro, ser usado para estabilizar vítimas em situações em que cada minuto é importante, incluindo casos de picadas de cobra e reações alérgicas graves.

“No futuro, queremos talvez ter um enxame de baratas entrando profundamente em estruturas desabadas [...] precisamos de uma rede com muitas delas, para que possamos encontrar a vítima o mais rápido possível”, afirmou Vo-Doan.

Os experimentos foram realizados com alvos de silicone e pele de porco, sob condições controladas de laboratório.

O estudo afirmou que serão necessários novos testes para enfrentar desafios que os operadores encontrariam em aplicações no mundo real, como terrenos complexos, perda de sinal em estruturas desabadas e segurança das injeções.

As diretrizes éticas para pesquisas com insetos ainda não são padronizadas, mas, segundo o estudo, as baratas foram mantidas em um “ambiente adequado” e alimentadas com folhas secas de eucalipto e maçãs.

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