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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Juiz manda retirar nome de Trump do Kennedy Center

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Decisão judicial afirma que o espaço cultural não pode ser renomeado sem a aprovação do Congresso americano
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Mike Scarcella, da Reuters, Washington
29/05/26 às 17:32 | Atualizado 29/05/26 às 17:32
Postado em 29 de Maio de 2.026 às 18h00m
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Juiz dos EUA determina a retirada do nome de Trump do Kennedy Center  • Reuters

Um juiz de Washington determinou a remoção do nome do presidente Donald Trump do Kennedy Center for the Performing Arts, nesta sexta (29), decidindo que o icônico espaço cultural da capital americana não pode ser renomeado sem um ato do Congresso.

Segundo a decisão do juiz distrital Christopher Cooper, a administração Trump deve remover todas as placas físicas com o nome de Trump e eliminar quaisquer referências a um “Trump Kennedy Center” de materiais oficiais em até 14 dias.

“O estatuto orgânico do Kennedy Center deixa absolutamente claro que o centro deve ser nomeado em homenagem ao presidente Kennedy, e não pode ter qualquer outro nome formal ou memorial público baseado na decisão unilateral da diretoria”, escreveu Cooper. “O Congresso deu ao Kennedy Center seu nome, e somente o Congresso pode alterá-lo.”

O juiz afirmou que sua decisão “não pretende ditar como o centro deve ser administrado, nem prescreve qualquer plano específico para a instituição — construção, fechamento ou outro — daqui para frente.”

Cooper tomou a decisão em uma ação movida pela deputada democrata de Ohio, Joyce Beatty, membro do conselho do Kennedy Center por sua posição no Congresso. Beatty declarou após a decisão que “o Kennedy Center é uma instituição que pertence ao povo americano, não a Donald Trump.”

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A Casa Branca não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.

O plano de Trump para reformar o centro faz parte de um esforço mais amplo do líder republicano para remodelar o núcleo monumental de Washington. Ele também pretende erguer um arco de 76 metros e construir um salão de festas de mais de 8.300 metros quadrados  no local da demolida Ala Leste da Casa Branca.

Esses esforços também enfrentam desafios judiciais. Um tribunal federal de apelações permitiu que a administração Trump prosseguisse com a construção do salão enquanto o caso é analisado.

A ordem de Cooper também suspende o fechamento planejado de dois anos do edifício pela administração Trump. O juiz afirmou que sua decisão não impede o Kennedy Center de prosseguir com obras de reparo de capital planejadas, que, segundo os registros do processo, “são urgentemente necessárias.”

A diretoria ainda poderia fechar o centro, escreveu Cooper, “caso chegue a essa decisão novamente após avaliar de forma independente suas múltiplas obrigações com o Centro de maneira prudente.”

Beatty processou a administração Trump em dezembro, chamando a mudança de nome do prédio de “uma flagrante violação do Estado de Direito” que “vai contra a nossa ordem constitucional.”

Seus advogados, em um comunicado, elogiaram a decisão de Cooper. “Este é um golpe poderoso contra a corrupção da administração Trump”, disseram os advogados Norm Eisen e Nathaniel Zelinsky.

O Kennedy Center foi inaugurado em 1971 como um memorial vivo ao falecido presidente John F. Kennedy.

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Lula defende soberania após decisão dos EUA sobre PCC e CV: 'Não aceitamos ser tratados como moleques'

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Presidente condenou decisão dos Estados Unidos e afirmou que está atuando no combate às facções internamente. Ele pediu que governo americano 'comece' o combate ao crime entregando os foragidos que moram lá.
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Por Kellen Barreto, Ana Flávia Castro, g1 — Brasília

Postado em 29 de Maio de 2.026 às 12h55m
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Lula condena decisão dos EUA sobre facções: 'Não aceitamos ser tratados como moleques'
Lula condena decisão dos EUA sobre facções: 'Não aceitamos ser tratados como moleques'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (29), que o governo brasileiro pretende combater internamente o crime organizado e que não vai aceitar intervenções internacionais, após o anúncio dos Estados Unidos de classificar facções criminosas como organizações terroristas estrangeiras.

Nessa quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos EUA, chefiado por Marco Rubio, anunciou que vai classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas.

Esta foi a primeira vez que Lula comentou o tema. Em discurso durante um evento em Sergipe, o petista defendeu a soberania do país. Ele disse: "Não aceitamos ser tratados como moleques", ou como uma "republiqueta".

Afirma que é "deplorável" que "mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil", como já fizeram com o tarifaço (leia mais abaixo).

Lula durante evento em Manaus — Foto: Ricardo Stuckert / PR
Lula durante evento em Manaus — Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente está em Sergipe nesta sexta para anúncios de investimentos na Petrobras e visitas a hospitais. Durante seu discurso, ele tocou no assunto afirmando que estava muito "decepcionado" por conta do anúncio norte-americano.

"Estou muito triste hoje, com a notícia de que o Secretário dos Estados Unidos, da América do Norte, um tal de Marco Rubio disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção", afirmou o petista.

Segundo Lula, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) são, de fato, terroristas para cidadãos que moram em regiões de periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. Por isso, serão combatidos internamente.

"Nós aprovamos uma Lei Antifacção, e aprovamos a lei para combater o crime organizado, e vamos combater. Eles não são os terroristas que o Trump quer, o Trump quer o Osama Bin Laden...e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá", prosseguiu.

"Porque as armas importadas que estão sendo contrabandeadas pro Brasil vêm dos Estados Unidos". A Polícia Federal entregou um documento para o Trump. O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado, e vamos começar pelo seu estado de Delaware que tem lavagem de dinheiro de brasileiros.

🔎A fala de Delaware tem a ver com um monitoramento feito pelo governo sobre lavagem de dinnheiro e fraudes tributárias. Segundo a PF, a Receita e o Ministério da Fazenda, criminosos usam o estado nos EUA como paraíso fiscal para tirar ilegalmente dinheiro do país, sem a devida declaração, e depois trazê-lo de volta “lavado”.

Em seguida, Lula citou o caso do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, foragido após ser condenado, junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tramar um golpe de Estado no país. Ele mora em território americano enquanto aguarda um pedido de asilo.

Foto de arquivo de 17/07/2024. Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da ABIN, chega para prestar depoimento na sede da Polí­cia Federal, no Rio de Janeiro. — Foto: PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO
Foto de arquivo de 17/07/2024. Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da ABIN, chega para prestar depoimento na sede da Polí­cia Federal, no Rio de Janeiro. — Foto: PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO

Ramagem chegou a ser preso em abril, e liberado dois dias depois. O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos EUA disse à PF que ele poderá aguardar em liberdade nos EUA a conclusão de um processo de pedido de asilo.

"Vamos começar entregando o Ramagem que está escondido lá. Começar entregando o maior contrabandista de combustíveis do país, o Ricardo Magro [dono da Refit], a PF e a Receita apreenderam R$ 250 milhões de combustível que eles estão contrabandeando e ele está morando em Miami. Eu entreguei para o Trump o nome dele e a fotografia da casa dele. Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos".

O advogado e empresário Ricardo Magro, que comanda o Grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, foi alvo de operação da PF e está foragido. O grupo é considerado um dos maiores devedores de impostos do país.

Lula então afirmou: "Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta", destacou. 
Viagem de Flávio aos EUA

Trump e Flávio se encontraram nesta terça-feira (26) em Washington. Os dois posaram para foto após a reunião na Casa Branca. No dia seguinte, ele foi recebido por Marco Rubio.

Na quinta, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que classificou as duas facções como organizações terroristas.

"Eu tive três horas com o presidente Trump, entreguei quatro documentos a ele. O sr. Marco Rubio não estava lá, possivelmente porque ele estava preparado a ajudar um filho de bolsonarista que é candidato a eleição no país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil", afirmou.

EUA classificam CV e PCC como organizações terroristas
EUA classificam CV e PCC como organizações terroristas

Legalmente, a decisão final cabe ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que responde diretamente ao presidente dos EUA, Donald Trump. Presume-se que haja um aval da Casa Branca e que as designações sejam um consenso na alta cúpula do governo dos EUA.

O anúncio foi feito um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com Marco Rubio.

Nota do Planalto

No texto, o governo afirma que "medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime".

Além disso, "podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros".

"Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país", prossegue o texto.

"A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança", conclui.

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