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Aumento de impostos e reformas nos gastos públicos elevam investimento em defesa a 2% do PIB, mas há disputa orçamentária
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Da Reuters
Postado em 08 de Agosto de 2.026 às 07h00m
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Primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi em Tóquio1º de abril de 2026 PHILIP FONG/Pool via REUTERS • via REUTERS
A avaliação anual das ameaças representadas pelos países vizinhos China, Rússia e Coreia do Norte, defende que o Japão, limitado por décadas de restrições impostas após a Segunda Guerra Mundial às suas atividades militares, aproveite melhor as novas tecnologias, financie startups e utilize mais componentes comerciais na fabricação de armas.
Segundo um documento de apresentação do Ministério da Defesa, o Livro Branco "destaca que os investimentos em defesa beneficiam a economia como um todo e a vida das pessoas". Essa mensagem está alinhada à estratégia mais ampla da primeira-ministra Sanae Takaichi, que aposta em gastos públicos estratégicos para estimular o crescimento econômico.
A proposta também é reforçada pela capa do documento, em estilo anime, que mostra uma família sorridente em meio a uma paisagem urbana futurista e reluzente, em vez de tropas, armamentos e insígnias militares, comuns em muitas edições anteriores.
Um representante do Ministério da Defesa afirmou que o objetivo do design era transmitir uma "imagem de futuro".
A associação entre defesa e prosperidade futura ocorre no momento em que o governo Takaichi prepara uma nova Estratégia Nacional de Segurança.
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Especialistas em assuntos militares esperam que o documento proponha novos aumentos nos gastos com defesa, principalmente para dissuadir a China de iniciar um conflito envolvendo Taiwan, que também poderia arrastar o Japão para uma guerra prolongada.
"As atividades militares da China e outras ações do país são motivo de séria preocupação para o Japão e para a comunidade internacional, além de representarem o maior desafio estratégico enfrentado pelo Japão", afirma o Livro Branco de Defesa.
Pequim reagiu com indignação, em novembro, quando a primeira-ministra Sanae Takaichi declarou que o Japão poderia mobilizar suas Forças de Autodefesa caso um ataque chinês a Taiwan também colocasse em risco a sobrevivência do país. O governo chinês exigiu que ela retirasse o que classificou como uma declaração "escandalosa".
Tóquio montou uma combinação de aumentos de impostos, reformas nos gastos públicos e receitas extraordinárias para financiar a maior expansão militar do Japão desde a Segunda Guerra Mundial, elevando os gastos com defesa para o equivalente a 2% do Produto Interno Bruto.
No entanto, Takaichi ainda não explicou de forma clara como pretende custear uma nova ampliação desses investimentos sem aumentar a pressão sobre as já sobrecarregadas contas públicas do país.
O governo aprovou um orçamento recorde de 122,3 trilhões de ienes (equivalente a quase R$ 4 trilhões) para o ano fiscal que termina em março de 2027 e, posteriormente, acrescentou um pacote suplementar de 3,1 trilhões de ienes (cerca de R$96 bilhões) para ajudar famílias e empresas a enfrentar o aumento dos custos de energia, evidenciando a disputa por recursos do orçamento público.
Até agora, boa parte dos novos investimentos em defesa foi destinada à aquisição de mísseis capazes de atingir alvos a mais de 1.000 quilômetros de distância.
Espera-se que uma parcela significativa de futuros aumentos nos gastos seja direcionada para drones e outras armas não tripuladas, semelhantes às utilizadas em larga escala pela Ucrânia na guerra contra a Rússia.


