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sábado, 7 de março de 2026

Guerra no Irã: petróleo sobe quase 30% na semana por conflito no Oriente Médio

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Escalada do conflito envolvendo o Irã interrompe tráfego em rota vital para o petróleo mundial e impulsiona cotações. Especialistas alertam para risco de inflação global e impactos nos combustíveis e na economia.
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Por Redação g1 — São Paulo
07/03/2026 00h00 
Postado em 07 de Março de 2.026 às 07h00
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Petróleo chega a US$ 90 com guerra no Irã
Petróleo chega a US$ 90 com guerra no Irã

A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma alta de quase 30% nos preços do petróleo nos mercados internacionais nesta semana.

A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — elevou as preocupações com o abastecimento global e pressionou as cotações.

  • O barril do Brent encerrou esta sexta-feira (6) cotado a US$ 92,69, alta superior a 8% em relação ao dia anterior e de 27,88% no acumulado da semana.
  • Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) fechou a US$ 90,90, avanço de mais de 12% no dia e de 35,63% na semana.

Em poucos dias, o preço do barril subiu mais de US$ 20, e desde o início do ano o aumento já supera US$ 30.

Especialistas avaliam que a valorização reflete a combinação entre risco geopolítico elevado e impactos concretos no fluxo de energia.

Escalada da guerra no Irã

A tensão aumentou ainda mais nesta semana, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passou a exigir a rendição incondicional" do Irã.

O país é um dos principais produtores globais de petróleo e o conflito acabou afetando diretamente a navegação no Golfo Pérsico.

Segundo empresas que monitoram rotas marítimas, o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra.

Cerca de 300 embarcações estão paradas na região aguardando condições de segurança para seguir viagem.

Ataques também atingiram navios que transportam petróleo.

Em terra, o conflito também se intensificou.

O Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. A ofensiva ocorreu após fracassarem tentativas diplomáticas em Washington para interromper os ataques americanos.

No mesmo período, um submarino dos EUA afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, em um episódio que deixou ao menos 80 mortos.

Sistemas de defesa aérea da Otan também interceptaram um míssil iraniano lançado em direção à Turquia.

Diante do risco de interrupções prolongadas no fornecimento de energia, alguns países produtores já começaram a reduzir suas atividades.

O Iraque diminuiu sua produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, em meio a dificuldades de armazenamento e exportação.

Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz — Foto: Reuters
Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz — Foto: Reuters

Rotas de petróleo entram em alerta

Especialistas alertam que, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz continue, cerca de 3,3 milhões de barris diários podem deixar de chegar ao mercado internacional em poucos dias.

Outros países também adotaram medidas emergenciais.

A China pediu que suas principais refinarias suspendam exportações de diesel e gasolina, enquanto os EUA autorizaram temporariamente o fornecimento de petróleo russo à Índia, apesar das sanções vigentes.

O Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações após ataques a instalações energéticas. Fontes do setor indicam que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal.

Para tentar reduzir os riscos à navegação, o governo americano afirmou que a Marinha dos EUA poderá escoltar navios mercantes que tentarem atravessar o Estreito de Ormuz, embora analistas avaliem que o fluxo dificilmente voltará ao nível anterior ao início da guerra no curto prazo.

Alta do petróleo pode pressionar combustíveis e inflação

A alta do petróleo já começa a gerar preocupações sobre seus efeitos na economia global.

Segundo o especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, a interrupção na principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio tende a pressionar os preços da energia e gerar impactos em diversos setores.

O conflito aumentou o risco de interrupção de petróleo no Oriente Médio, isso fez com que o preço do barril subisse de US$ 65 para US$ 90 nos últimos dias. Quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, isso acaba impactando diretamente o Brasil, explica.

De acordo com ele, o primeiro efeito costuma aparecer nos combustíveis, já que o país utiliza referências internacionais para definir preços, mesmo sendo produtor de petróleo.

O diesel ficando mais caro significa que o frete também vai encarecer, o que ocasiona o aumento do preço dos alimentos, produtos de supermercado e praticamente tudo que depende da logística para chegar ao consumidor final, afirma.

Tonegutti acrescenta que o encarecimento da energia tende a pressionar a inflação e pode chegar ao bolso dos consumidores em poucas semanas.

Não é um efeito imediato, mas costuma aparecer em algumas semanas, diz.

Segundo ele, a evolução do conflito será determinante para o comportamento das cotações. Caso a tensão diminua, os preços podem recuar.

Por outro lado, se a crise persistir na região, alguns analistas já projetam que o barril de petróleo pode se aproximar da marca de US$ 100.

Infográfico - Estreito de Ormuz — Foto: Arte/g1
Infográfico - Estreito de Ormuz — Foto: Arte/g1

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Como Irã criou drones 'suicidas' de baixo custo para provocar caos no Oriente Médio

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Difíceis de detectar, eles são lançados para sobrecarregar as defesas de adversários e, agora, tentam impor pressão aos Estados Unidos.
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TOPO
Por BBC

Postado em 07 de Março de 2.026 às 06h00m
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Ilustração de drone usado pelo Irã para atacar adversários no Oriente Médio — Foto: BBC
Ilustração de drone usado pelo Irã para atacar adversários no Oriente Médio — Foto: BBC

O presidente Donald Trump afirmou que os mísseis e a indústria de mísseis do Irã seriam "totalmente aniquilados" quando os Estados Unidos iniciaram os ataques aéreos contra o país no último sábado (28), mas não mencionou os drones iranianos.

Seis dias depois, o Irã lançou mais de 2.000 drones de baixo custo contra alvos em todo o Oriente Médio, em uma tentativa de sobrecarregar as defesas e semear o caos na região.

Esses drones "kamikaze", chamados de Shahed, carregam explosivos que detonam com o impacto e podem causar danos significativos. O ataque mais letal contra forças americanas até o momento se deu com um drone que atingiu uma base no Kuwait, matando seis soldados dos Estados Unidos.

A maioria dos ataques teve como alvo aliados dos EUA no Golfo Pérsico, países que abrigam, em maior ou menor grau, militares e equipamentos americanos. Mas também atingiram embaixadas, infraestrutura energética essencial, aeroportos comerciais e hotéis de luxo.

Alguns ataques ocorreram em cidades densamente povoadas, provocando medo nas ruas e nos governos dos países do Golfo Pérsico. Alguns especialistas dizem que isso pode fazer parte de uma estratégia iraniana para "impor o terror" e pressionar os EUA a encerrar o conflito.

Vídeo mostra momento em que míssil iraniano atinge base dos EUA no Bahrein 

Outro vídeo dos Emirados Árabes Unidos um drone se chocando contra um hotel em Palm Jumeirah, o luxuoso arquipélago artificial de Dubai, gerando uma enorme bola de fogo e um estrondo que reverberou pela cidade. 
Veja o momento em que hotel de luxo de Dubai é atingido por retaliação iraniana
Veja o momento em que hotel de luxo de Dubai é atingido por retaliação iraniana 

Os ataques com drones ao setor de energia na região têm sido particularmente impactantes. A maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita, em Ras Tanura, na costa do Golfo Pérsico, interrompeu a produção após um incêndio causado por destroços de um drone interceptado.

No Catar, o maior terminal de exportação de gás natural liquefeito do mundo também foi fechado após ser alvejado por drones iranianos.

Custo baixo, engenharia potente

Os drones estão causando danos consideráveis ​​em toda a região, considerando seu design simples e custo de produção relativamente baixo. O drone de longo alcance Shahed-136, fabricado no Irã, tem um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o equivalente a R$ 106,2 mil a R$ 266 mil.

Ao contrário de muitos drones comerciais, o Shahed não pode ser operado remotamente enquanto está no ar. Em vez disso, ele é pré-programado antes do lançamento para seguir uma rota definida até um alvo, utilizando um sistema de navegação por satélite. Com um alcance máximo de 2.500 km, ele poderia voar de Teerã a Atenas, por exemplo.

Embora não seja particularmente rápido, especialmente quando comparado a mísseis balísticos, o perfil fino do drone e sua capacidade de voar em baixa altitude dificultam sua detecção por radares e sistemas de alerta centrados na ameaça de mísseis.

Ficha técnica do Shahed-136, drone 'kamikaze' — Foto: BBC
Ficha técnica do Shahed-136, drone 'kamikaze' — Foto: BBC

Modelo copiado pela Rússia e pelos Estados Unidos

Esse drone foi amplamente utilizado pela Rússia na guerra da Ucrânia para atingir cidades densamente povoadas e usinas de energia, com efeitos devastadores. O Irã exportou drones Shahed para seu aliado nos últimos anos, e os russos agora também estão produzindo suas próprias variantes baseadas no projeto iraniano.

Mick Mulroy, ex-fuzileiro naval americano, oficial paramilitar da CIA e subsecretário-adjunto de Defesa para o Oriente Médio, disse à BBC News que os drones "provaram ser altamente eficazes" em conflitos anteriores, tanto que os EUA desenvolveram sua própria versão.

Os EUA não divulgaram quantos drones foram produzidos, mas dados sobre a quantidade que o Irã está lançando sobre seus inimigos estão sendo divulgados.

Os Emirados Árabes Unidos afirmam que mais de mil drones iranianos foram disparados contra o país até o momento, e 71 conseguiram ultrapassar as defesas estatais.

Mas cada interceptação tem um preço. Os drones podem ser abatidos de diversas maneiras, incluindo o uso de dispositivos especializados de interferência GPS e sistemas de armas a laser, mas muitos estão sendo abatidos por mísseis disparados de caças ou sistemas de mísseis lançados da terra, com alto custo.

Quando o Irã atacou Israel com centenas de drones em 2024, o Reino Unido teria usado caças da RAF para abater alguns drones com mísseis que custam cerca de £ 200 mil cada (cerca de R$ 1,4 milhões na cotação atual).

Drone Shahed-136, criado pelo Irã e aperfeiçoado pela Rússia, é exibido em frente à catedral de São Miguel em Kiev, na Ucrânia — Foto: Valentyn Ogirenko/Reuters
Drone Shahed-136, criado pelo Irã e aperfeiçoado pela Rússia, é exibido em frente à catedral de São Miguel em Kiev, na Ucrânia — Foto: Valentyn Ogirenko/Reuters

Forçar os EUA e seus aliados a utilizarem seus estoques de interceptores faz parte da estratégia iraniana de implantação de drones e mísseis, de acordo com Nicholas Carl, especialista em Irã do centro de pesquisa American Enterprise Institute.

Mas Carl afirmou que o regime também está tentando "impor terror e pressão psicológica" aos EUA e seus parceiros regionais para pressionar Donald Trump por um acordo de cessar-fogo.

Não se sabe por quanto tempo o Irã conseguirá manter essa pressão. Acredita-se que o país tenha produzido em massa dezenas de milhares de drones Shahed antes da guerra, mas não se sabe o quanto desse estoque permanece intacto após dias de ataques dos EUA e de Israel.

Imagens divulgadas na segunda-feira pela agência de notícias Fars, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, mostram fileiras de drones no que parece ser um bunker subterrâneo. Mas não se sabe quando o vídeo foi gravado.

Vídeo de agência iraniana mostra suposto arsenal de drones
Vídeo de agência iraniana mostra suposto arsenal de drones

Na quinta-feira, o almirante Cooper disse que o número de drones lançados pelo Irã caiu 83% desde o primeiro dia de combates, enquanto o uso de mísseis balísticos diminuiu 90%.

"O Irã está com dificuldades para manter seus ataques com mísseis e drones, e isso pode se tornar ainda mais difícil nos próximos dias, à medida que a pressão militar dos EUA e de Israel persistir", acrescentou Carl.
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