<<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Novo laboratório de biossegurança máxima está em construção em Campinas (SP); g1 foi conferir procedimentos exigidos para evitar contaminação na entrada e saída do local.<<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Bárbara Camilotti, g1 Campinas e região
Postado em 04 de Janeiro de 2.026 às 06h00m
#.* -- Post. - Nº.\ 12.027 -- *.#

Como Orion vai garantir segurança para estudar vírus e bactérias altamente perigosos
O Orion, primeiro laboratório do Brasil com nível máximo de biossegurança, precisará seguir protocolos rigorosos, com trajes especiais e até tratamento do ar, para que pesquisadores analisem com segurança vírus e bactérias considerados os mais perigosos pelo alto potencial infeccioso e letal.
A unidade está em construção em Campinas, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), e a previsão é que fique pronto em 2027. O g1 visitou o centro de treinamento que simula, sem nenhum risco real, o procedimento para acessar o espaço, evitando contaminação.
🔎 O Orion recebe a inscrição de laboratório NB4, que significa o nível de biossegurança máximo exigido para laboratórios que trabalham com agentes perigosos, ou seja, com alto risco de infecções que podem ser fatais e com potencial elevado de transmissão por aerossóis.
O laboratório será conectado ao Sirius, o superlaboratório acelerador de partículas considerado a maior estrutura científica do país.
Controle de acesso
A instalação terá vários pontos de controle de acesso em áreas estratégicas, como a entrada principal, a sala onde ficam os trajes de proteção e a sala de descarte de materiais.
Traje especial
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/N/e/uuPQOYRyG5BgnVLryttg/nb4.png)
Para entrar no NB4, o pesquisador precisará vestir um macacão pressurizado com capacete, botas e luvas acoplados. — Foto: Bárbara Camilotti/g1
Para entrar no NB4, o pesquisador precisará vestir um macacão pressurizado com capacete, botas e luvas acoplados. Esse traje isola completamente o profissional, evitando contato até com o ar do laboratório.
O macacão, que se assemelha ao usado por astronautas no espaço, precisa estar conectado a uma mangueira que fornece ar filtrado e respirável. Ele fica inflado o tempo todo, mantendo pressão positiva - ou seja, a própria ventilação impede a entrada de ar externo ao traje, dificultando a penetração de microorganismos.
Assim, se houver algum rompimento no material, o usuário não será exposto ao patógeno e poderá chegar com segurança ao banho químico.
Saída do laboratório
Ao sair, o pesquisador terá que passar por um banho químico obrigatório, ainda com o macacão, por cerca de sete minutos. Depois, o traje descontaminado será guardado para novo uso.
Em seguida, o profissional vai retirar os equipamentos de proteção e tomar um banho pessoal com água e produtos de higiene.
A roupa hospitalar usada por baixo do macacão será esterilizada em autoclave (com altas temperaturas) antes de seguir para lavagem comum.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/L/A/F8G05FRO6t3iSU9DiSkw/etapas-pesquisador-orion.jpg)
Ilustração mostra as etapas que um pesquisador deve cumprir para entrar
e sair de um ambiente de máxima biossegurança. — Foto: Reprodução CNPEM
Tratamento do ar
O ar do laboratório passará por dupla filtragem antes de ser liberado para o meio ambiente. Sensores vão monitorar a pressão do ar continuamente, e dispositivos de exaustão vão manter pressão negativa nas cabines e áreas adjacentes.
Um corredor de segurança com pressão negativa vai funcionar como mais uma barreira - nesse caso, a ventilação impede a saída do ar de dentro do laboratório.
Manipulação segura e descarte
As amostras dos agentes biológicos de alto risco serão manipuladas apenas em cabines de segurança, que filtram o ar para proteger o pesquisador e o ambiente.
Todo o material de descarte será esterilizado em autoclaves de porta dupla. Os efluentes vão passar por dois tratamentos: químico, dentro do laboratório, e térmico, no subsolo.
Treinamento para reduzir riscos
Antes da inauguração, um centro de treinamento vai preparar os pesquisadores para atuar com segurança. O treinamento começa de forma lúdica, com brinquedos e tintas, para que os cientistas se aprendam as usar os equipamentos de proteção individual sem que haja risco biológico.
“Esse é o primeiro laboratório de biossegurança para treinamento da América Latina. Aqui, durante esse tempo de treinamento, a gente tem a oportunidade de desenvolver essas seguranças, essas compreensões”, afirma Tatiane Ometto, gerente de biossegurança do CNPEM.Como será o Orion?
🧪 O complexo laboratorial de máxima contenção biológica representa um avanço para o Brasil, que permitirá pesquisas com patógenos capazes de causar doenças graves e com alto grau de transmissibilidade (das chamadas classes 3 e 4) - estrutura essa que não existe até hoje em toda a América Latina.
💉Possuir um laboratório de biossegurança máxima (NB4) oferece condições ao país de monitorar, isolar e pesquisar os agentes biológicos para desenvolver métodos de diagnóstico, vacinas e tratamentos.
🧫No caso do Brasil, mais do que armazenar e manipular essas amostras biológicas, o laboratório de biossegurança máxima terá acesso exclusivo a três linhas de luz (estações de pesquisa) do Sirius, o que não existe em nenhum outro lugar do mundo.
🌟 É por conta dessa conexão com o Sirius que vem o nome do projeto, Orion, em homenagem à constelação que possui três estrelas apontadas para a estrela que batizou o acelerador de partículas brasileiro.
👩🔬 O projeto prevê a capacitação de cientistas brasileiros para lidar com agentes infecciosos desses tipos. Essa formação já integra o custo do projeto, atualizado para R$ 1,5 bilhão.
🏗 O complexo laboratorial terá cerca de 29 mil metros quadrados, e sua construção está prevista para ficar pronta ao final de 2027. Após essa etapa, o Orion passará pelo chamado comissionamento técnico e científico, e também por certificações internacionais de segurança, para que possa entrar em operação regular.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/g/4/HrfEPOQhu8p4oA2J4O4w/dji-0028.jpg)
Imagem área mostra área onde está sendo construido o Orion ao lado do
Sirius, acelerador de partículas que fica no CNPEM, em Campinas (SP) —
Foto: CNPEM/Divulgação