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domingo, 4 de janeiro de 2026

De roupa inflável a banho químico: conheça protocolos de segurança no 1º laboratório do Brasil para estudar vírus mais letais do mundo

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Novo laboratório de biossegurança máxima está em construção em Campinas (SP); g1 foi conferir procedimentos exigidos para evitar contaminação na entrada e saída do local.
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Por Bárbara Camilotti, g1 Campinas e região

Postado em 04 de Janeiro de 2.026 às 06h00m
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Como Orion vai garantir segurança para estudar vírus e bactérias altamente perigosos
Como Orion vai garantir segurança para estudar vírus e bactérias altamente perigosos

O Orion, primeiro laboratório do Brasil com nível máximo de biossegurança, precisará seguir protocolos rigorosos, com trajes especiais e até tratamento do ar, para que pesquisadores analisem com segurança vírus e bactérias considerados os mais perigosos pelo alto potencial infeccioso e letal.

A unidade está em construção em Campinas, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), e a previsão é que fique pronto em 2027. O g1 visitou o centro de treinamento que simula, sem nenhum risco real, o procedimento para acessar o espaço, evitando contaminação.

🔎 O Orion recebe a inscrição de laboratório NB4, que significa o nível de biossegurança máximo exigido para laboratórios que trabalham com agentes perigosos, ou seja, com alto risco de infecções que podem ser fatais e com potencial elevado de transmissão por aerossóis.

A instalação terá vários pontos de controle de acesso em áreas estratégicas, como a entrada principal, a sala onde ficam os trajes de proteção e a sala de descarte de materiais.

Traje especial

Para entrar no NB4, o pesquisador precisará vestir um macacão pressurizado com capacete, botas e luvas acoplados. — Foto: Bárbara Camilotti/g1
Para entrar no NB4, o pesquisador precisará vestir um macacão pressurizado com capacete, botas e luvas acoplados. — Foto: Bárbara Camilotti/g1

Para entrar no NB4, o pesquisador precisará vestir um macacão pressurizado com capacete, botas e luvas acoplados. Esse traje isola completamente o profissional, evitando contato até com o ar do laboratório.

O macacão, que se assemelha ao usado por astronautas no espaço, precisa estar conectado a uma mangueira que fornece ar filtrado e respirável. Ele fica inflado o tempo todo, mantendo pressão positiva - ou seja, a própria ventilação impede a entrada de ar externo ao traje, dificultando a penetração de microorganismos.

Assim, se houver algum rompimento no material, o usuário não será exposto ao patógeno e poderá chegar com segurança ao banho químico.

Saída do laboratório

Ao sair, o pesquisador terá que passar por um banho químico obrigatório, ainda com o macacão, por cerca de sete minutos. Depois, o traje descontaminado será guardado para novo uso.

Em seguida, o profissional vai retirar os equipamentos de proteção e tomar um banho pessoal com água e produtos de higiene.

A roupa hospitalar usada por baixo do macacão será esterilizada em autoclave (com altas temperaturas) antes de seguir para lavagem comum.

Ilustração mostra as etapas que um pesquisador deve cumprir para entrar e sair de um ambiente de máxima biossegurança. — Foto: Reprodução CNPEM
Ilustração mostra as etapas que um pesquisador deve cumprir para entrar e sair de um ambiente de máxima biossegurança. — Foto: Reprodução CNPEM

Tratamento do ar

O ar do laboratório passará por dupla filtragem antes de ser liberado para o meio ambiente. Sensores vão monitorar a pressão do ar continuamente, e dispositivos de exaustão vão manter pressão negativa nas cabines e áreas adjacentes.

Um corredor de segurança com pressão negativa vai funcionar como mais uma barreira - nesse caso, a ventilação impede a saída do ar de dentro do laboratório.

Manipulação segura e descarte

As amostras dos agentes biológicos de alto risco serão manipuladas apenas em cabines de segurança, que filtram o ar para proteger o pesquisador e o ambiente.

Todo o material de descarte será esterilizado em autoclaves de porta dupla. Os efluentes vão passar por dois tratamentos: químico, dentro do laboratório, e térmico, no subsolo.

Treinamento para reduzir riscos

Antes da inauguração, um centro de treinamento vai preparar os pesquisadores para atuar com segurança. O treinamento começa de forma lúdica, com brinquedos e tintas, para que os cientistas se aprendam as usar os equipamentos de proteção individual sem que haja risco biológico.

Esse é o primeiro laboratório de biossegurança para treinamento da América Latina. Aqui, durante esse tempo de treinamento, a gente tem a oportunidade de desenvolver essas seguranças, essas compreensões, afirma Tatiane Ometto, gerente de biossegurança do CNPEM. 
Como será o Orion?

🧪 O complexo laboratorial de máxima contenção biológica representa um avanço para o Brasil, que permitirá pesquisas com patógenos capazes de causar doenças graves e com alto grau de transmissibilidade (das chamadas classes 3 e 4) - estrutura essa que não existe até hoje em toda a América Latina.

💉Possuir um laboratório de biossegurança máxima (NB4) oferece condições ao país de monitorar, isolar e pesquisar os agentes biológicos para desenvolver métodos de diagnóstico, vacinas e tratamentos.

🧫No caso do Brasil, mais do que armazenar e manipular essas amostras biológicas, o laboratório de biossegurança máxima terá acesso exclusivo a três linhas de luz (estações de pesquisa) do Sirius, o que não existe em nenhum outro lugar do mundo.

🌟 É por conta dessa conexão com o Sirius que vem o nome do projeto, Orion, em homenagem à constelação que possui três estrelas apontadas para a estrela que batizou o acelerador de partículas brasileiro.

👩‍🔬 O projeto prevê a capacitação de cientistas brasileiros para lidar com agentes infecciosos desses tipos. Essa formação já integra o custo do projeto, atualizado para R$ 1,5 bilhão.

🏗 O complexo laboratorial terá cerca de 29 mil metros quadrados, e sua construção está prevista para ficar pronta ao final de 2027. Após essa etapa, o Orion passará pelo chamado comissionamento técnico e científico, e também por certificações internacionais de segurança, para que possa entrar em operação regular.

Imagem área mostra área onde está sendo construido o Orion ao lado do Sirius, acelerador de partículas que fica no CNPEM, em Campinas (SP) — Foto: CNPEM/Divulgação
Imagem área mostra área onde está sendo construido o Orion ao lado do Sirius, acelerador de partículas que fica no CNPEM, em Campinas (SP) — Foto: CNPEM/Divulgação

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