Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Emissão de raios gama observada pelo telescópio Fermi coincide com o padrão previsto para partículas teóricas; resultado ainda precisa de confirmação independente. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Roberto Peixoto, g1 Postado em 26 de Novembro de 2.025 às 09h00m #.* -- Post. - Nº.\ 11.962 -- *.#
Animação simula o pouso da sonda Rosetta no cometa Churyumov
Um novo estudo indica que um sinal incomum vindo da região central da nossa Via Láctea pode ser o primeiro registro direto de matéria escura, o componente invisível que responde por cerca de 85% da massa do Universo.
A análise, assinada pelo astrônomo Tomonori Totani, da Universidade de
Tóquio, usou dados mais recentes do telescópio espacial Fermi, da Nasa,
para identificar um brilho de raios gama com características compatíveis
com o que modelos teóricos preveem para a destruição de partículas de matéria escura.
Segundo o trabalho, aceito para publicação no "Journal of Cosmology and
Astroparticle Physics", a emissão aparece como uma espécie de “halo” de
alta energia em torno do centro galáctico, uma região onde a concentração desse tipo de matéria é considerada maior.
Totani afirma que o espectro da radiação coincide com a faixa de
energia esperada quando duas partículas hipotéticas chamadas WIMPs
colidem e se anulam, liberando fótons extremamente energéticos.
🌌ENTENDA:
Um fóton é uma partícula de luz, só que sem massa e sem carga elétrica.
Ele é a menor unidade possível de energia luminosa, algo tão pequeno
que só percebemos quando muitos chegam juntos. Alguns fótons têm pouca
energia, como os da luz comum, e outros têm energia altíssima, como os
do estudo.
As WIMPs (sigla em inglês para“partículas massivas que interagem
fracamente”) são uma das principais candidatas para explicar a matéria
escura.
Elas seriam mais pesadas que um próton, se moveriam lentamente e quase
não interagiriam com a matéria comum, razão pela qual nunca foram
detectadas diretamente.
A única pista possível seria justamente esse tipo de radiação resultante da colisão entre duas delas.
O estudo analisou raios gama de cerca de 20 gigaelétron-volts, um nível de energia muito alto, que aparece distribuído de maneira simétrica ao redor do centro da galáxia.
Para reduzir interferências, a pesquisa excluiu o plano da Via Láctea,
região rica em poeira, gás e Fontes intensas de radiação, e considerou
apenas o halo superior e inferior ao núcleo (veja a IMAGEM abaixo).
Mapa de raios gama mostra apenas o halo da Via Láctea na direção do
centro galáctico. A faixa cinza indica o plano da galáxia, retirado da
análise por concentrar uma radiação intensa. — Foto: Tomonori Totani,
Universidade de Tóquio
Totani argumenta que a distribuição espacial do sinal é coerente com o formato previsto para o halo de matéria escura.
Ele afirma que outros fenômenos astrofísicos conhecidos, como pulsares ou nuvens de gás muito energizadas, não explicam facilmente esse padrão.
“Se
essa interpretação estiver correta, seria a primeira vez que
conseguimos ‘ver’ a matéria escura”, disse o pesquisador em um
comunicado.
“Isso também indicaria que estamos diante de uma nova partícula ainda não incluída no modelo padrão da física.”
Apesar do entusiasmo, Totani reconhece que os resultados precisam ser verificados por outros grupos de pesquisa.
Uma das formas de testar essa hipótese é procurar o mesmo tipo de sinal
em galáxias anãs próximas, que também são ricas em matéria escura, mas têm menos fontes de radiação que podem confundir os dados.
Colagem mostra seis colisões de aglomerados de galáxias acompanhadas
por mapas de matéria escura, usados para estudar como essa matéria se
comporta durante os impactos. — Foto: Wikimedia/Domínio Público
O telescópio Fermi, lançado em 2008, já observou dezenas dessas
galáxias, mas a quantidade de fótons ainda é pequena para análises
conclusivas.
Caso seja confirmado, o achado abriria caminho para uma nova fase da
cosmologia e da física de partículas, já que a natureza da matéria
escura permanece um dos maiores mistérios científicos do último século.
Até agora, ela só podia ser percebida indiretamente, a partir de efeitos gravitacionais em estrelas, galáxias e aglomerados.
Usado há milênios como material de construção em diversos lugares pelo mundo, o bambu é objeto de cada vez mais estudos e projetos para construir casas resistentes a tufões e terremotos. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC 25/11/2025 04h01 Atualizado há um dia Postado em 26 de Novembro de 2.025 às 07h40m #.* -- Post. - Nº.\ 11.961 -- *.#
Trabalhador posiciona um caule de bambu verde em um centro de
tratamento do material nas Filipinas — Foto: Base Bahay Foundation
Em abril de 2016, um terremoto de 7,8 graus de magnitude atingiu o Equador, causando graves danos à cidade litorânea de Manta.
O vibrante distrito comercial de Tarqui, no centro da cidade, foi
completamente destruído. As ruas foram marcadas por profundas fissuras
que engoliram os escombros das construções de concreto.
Manta, em grande parte, foi reconstruída. Mas uma parte inesperada do legado do terremoto permanece visível até hoje.
Na região da cidade mais afetada durante o terremoto, um mercado de
peixe se destaca sob um pavilhão de bambu na orla. Ali ficam também o
centro de informações turísticas, um restaurante e um posto dos
bombeiros, todos construídos com bambu.
Na verdade, centenas de casas tradicionais de bambu permanecem de pé por toda a cidade e na província de Manabí.
"Todas elas foram construídas antes do terremoto", conta Pablo Jácome
Estrella, diretor regional para a América Latina e o Caribe da
Organização Internacional de Bambu e Rattan (Inbar, na sigla em inglês).
"Elas permaneceram de pé."
O
bambu é utilizado como material de construção na América do Sul, África
e Ásia há milênios. Ele é encontrado em grande quantidade em muitos
países desses continentes.
Mas, apenas recentemente, sua resiliência sísmica começou a ser mais reconhecida.
Cada
vez mais pesquisas e testes de impacto em laboratório indicam que suas
notáveis propriedades naturais podem fazer do bambu um material ideal
para suportar terremotos.
Em todo o mundo, das Filipinas ao Equador, passando pelo Paquistão,
existem atualmente projetos de construção que buscam usar esse material
natural que engenheiros e arquitetos consideram melhor que o aço.
Construções que vergam
No litoral do Equador, as pessoas costumavam esperar o
quarto-crescente, ou o quarto-minguante, para colher bambu. Depois, elas
o levavam para o mar, para limpeza e preservação, explica Jácome
Estrella.
"Costumamos dizer que temos 10 mil anos de história de bambu", segundo
ele. E outras culturas também usam bambu há muito tempo para construir
tetos e outros elementos interiores.
Mesmo com este histórico, o potencial do bambu nem sempre foi tão conhecido em Manabí.
Jácome Estrella conta que, nos anos 2000, um professor de arquitetura
de Manta percebeu que o corpo de bombeiros da cidade evitava a
construção com bambu, acreditando que o material é inflamável.
O bambu, de fato, é naturalmente inflamável, mas existem tratamentos
retardantes de chamas que controlam essa propriedade. Por isso, ele
começou a trabalhar como bombeiro voluntário.
"Ele os convenceu a construir um posto de bombeiros de bambu", segundo Jácome Estrella.
Este primeiro posto tinha um teto enorme em abóbada, capaz de acomodar
diversos carros de bombeiros e caminhões-pipa. E ele resistiu ao
terremoto de 2016.
"Natureza projetada para vergar", afirma o professor Bhavna Sharma, da
Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Suas pesquisas se
concentram no uso do bambu nas construções.
O posto de bombeiros de Manabí, no Equador, foi uma das muitas
estruturas de bambu que resistiram ao forte terremoto ocorrido em 2016 —
Foto: Nick Aspinwall
Os caules de bambu, ocos e verticais, são leves, o que reduz a massa da estrutura.
Pesquisas indicam que a ductilidade que permite a eles suportar fortes
ventos também faz com que eles absorvam choques sísmicos.
"As construções precisam se mover em um terremoto", explica Sharma. "Nós queremos apenas controlar o quanto elas se movem."
Uma pesquisa realizada após o terremoto, com mais de 1,2 mil construções em Manabí, concluiu que, de forma geral, os edifícios de concreto reforçado sofreram danos maiores que as construções de bambu e madeira,
segundo o engenheiro estrutural Sebastian Kaminski, da consultoria
britânica especializada em engenharia Arup, que fez parte da missão.
Mas esta tendência foi revertida em algumas cidades. Segundo ele, os
dados pós-terremoto também precisam ser considerados com certa cautela.
Neste caso, por exemplo, eles foram coletados várias semanas após o
evento, quando muitas construções já haviam sido demolidas.
Atualmente, um projeto lançado em 2021 pela Inbar e pela Agência
Espanhola de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional construiu
centenas de novas casas de bambu na província de Manabí, onde fica a
cidade de Manta.
O projeto também ensinou técnicas de construção com bambu a cerca de
200 alunos da Universidade de Manabí, como o tratamento dos caules de
bambu e a montagem de painéis.
O custo de construção de uma casa de dois quartos é de menos de US$ 20
mil (cerca de R$ 107 mil), segundo Jácome Estrella, o que é praticamente
o mesmo custo de uma casa construída com materiais convencionais.
"Temos
uma expressão que diz: é a madeira dos inteligentes", afirma ele, sobre
o bambu. "É renovável, sustentável e causa baixo impacto ao mercado."
Essas casas novas são inspiradas em um método de construção tradicional
chamado bahareque, ou pau a pique, em português. Nele, uma rede de
bambu é coberta por uma camada de argila úmida.
Revolucionário
Os pesquisadores começaram a olhar mais seriamente para o bambu por volta da virada do século.
Em 1999, um terremoto de 6,2 graus de magnitude atingiu a região produtora de café do centro-oeste da Colômbia.
Naquela ocasião, observadores notaram que as estruturas de pau a pique
aparentemente resistiram em percentual maior do que as de material de
alvenaria, como tijolos e blocos de cimento.
"Aquele terremoto revolucionou o sistema", segundo Luis Felipe López,
gerente-geral da Fundação Base Bahay. Com sede em Manila, nas Filipinas,
a organização desenvolve e constrói casas de bambu no país asiático.
"Ficou muito evidente para o governo que essas casas de bahareque salvaram muitas vidas", relembra ele.
López nasceu na região colombiana atingida pelo terremoto. Naquela
época, ele trabalhava na sua tese sobre engenharia estrutural e observou
que havia escassez de pesquisas sobre as propriedades estruturais do
bambu.
Os códigos de construção globais foram desenvolvidos utilizando séculos
de pesquisas realizadas por engenheiros dos Estados Unidos e da Europa,
que "nunca viram bambu na vida", segundo ele. E o Sul Global "copiou e
colou do norte os seus códigos de construção".
Escritório construído com bambu em Kanya Kawayan, na província de Batangas (Filipinas) — Foto: Base Bahay Foundation
O terremoto inspirou o governo colombiano a convidar especialistas como
López para pesquisar as propriedades do bambu Guadua, a espécie
doméstica usada no país para construções de pau a pique.
Em 2002, suas descobertas fizeram da Colômbia o primeiro país do mundo a
ter um código de construção específico para o uso de bambu.
López acabou levando seu trabalho para a Fundação Base Bahay, fundada
em 2014 para criar um laboratório de estudo do desempenho do bambu.
As Filipinas sofrem frequentes tufões e terremotos e serviram de local
perfeito para o projeto. Pesquisadores dos Estados Unidos e da Europa
ficaram fascinados com os estudos sobre o bambu, concentrados
principalmente na América Latina.
"As universidades do norte global disseram: 'Espere aí, este material
parece super interessante'", destaca López. "Porque foi o momento em que
as mudanças climáticas começaram a ganhar importância."
As florestas de bambu crescem com incrível rapidez e agem como sifões
de carbono. Ou seja, elas absorvem mais carbono do que liberam.
Por isso, construir com bambu no lugar de materiais como aço e concreto
pode reduzir drasticamente o carbono liberado nas construções.
Além disso, o bambu também é barato e disponível em muitos países.
"Tudo isso faz parte das vantagens do bambu, seus benefícios em termos
de florestamento regenerativo", explica Sharma, "mas há também as ideias
de sustentabilidade em relação à igualdade socioeconômica."
'Dádiva de Deus'
Desde 2014, a Fundação Base Bahay construiu mais de 800 casas em 10
comunidades espalhadas pelas Filipinas. A entidade começou na região de
Bicol, que sofre com tufões anualmente.
As casas são construídas com painéis de parede compostos de bambu, um
sistema diretamente inspirado no pau a pique. Nele, painéis de bambu são
amarrados com fios e tela e recebem acabamento de cal ou cimento.
As casas ainda precisam ser testadas em terremotos maiores, mas já suportaram diversos tufões, segundo López.
O
formato triangular dos painéis de bambu fornece estabilidade durante os
terremotos. Eles se movem horizontalmente e as conexões dos painéis de
parede podem absorver os ventos de um tufão, da mesma forma que absorvem
energia sísmica.
"É suficientemente leve para um terremoto e pesado o suficiente para um
ciclone", explica a engenheira da Inbar Liu Kewei, que trabalhou no
desenvolvimento da técnica.
"Os arquitetos sempre dizem que o bambu natural é uma dádiva de Deus",
segundo ela, "porque a natureza criou este tipo de planta com caule
oco."
Impulso global
Em fevereiro de 2025, visitei o laboratório da Fundação Base Bahay no
centro da capital filipina, Manila. López e eu caminhamos sem pressa
pelo local.
Encontramos pesquisadores de universidades filipinas e britânicas. Eles
realizavam testes com plantas de bambu colhidas e com bambu
industrializado — produtos elaborados em formatos e tamanhos
padronizados para uso como madeira de construção.
Casa feita de bambu em Manabí, no Equador — Foto: Nick Aspinwall
López e seus colegas publicaram muitos estudos sobre o desempenho sísmico do bambu ao longo dos anos.
Além do seu trabalho na Colômbia e nas Filipinas, ele passou a
colaborar com os esforços em andamento para padronizar os códigos de
construção globais com bambu.
Mas a inclusão do bambu em códigos de construção padronizados ainda é difícil.
Ao contrário dos produtos de madeira industrializados, é difícil
padronizar os caules de bambu naturais, com seus tamanhos e formatos
diferentes, apesar das características estruturais similares.
"Você simplesmente o trata e usa", explica López. "Você usa o que a natureza der a você."
Ainda assim, desde o terremoto de 1999 na Colômbia, a Organização
Internacional para a Padronização (ISO, na sigla em inglês) adotou
códigos de construção com bambu. O último deles, publicado em 2021,
"ainda é a última geração" sobre o tema, segundo Kaminski. Ele atuou
como colaborador para o seu desenvolvimento.
Os governos do Peru, Equador, Bangladesh, Índia e México também
desenvolveram códigos de bambu nacionais. Já as Filipinas e o Nepal
estão atualmente elaborando esses códigos, destaca ele.
Como qualquer material, o comportamento das construções de bambu em um
terremoto depende da qualidade do seu projeto, construção e manutenção,
segundo Kaminski.
"Se qualquer um desses pontos não for bem feito, as construções de
bambu podem ser tão vulneráveis aos terremotos quanto outros materiais",
explica ele.
Para Kaminski, o maior benefício das construções com bambu tradicionais
é que elas tendem a ser leves. Por isso, elas atraem menos forças
sísmicas, podem absorver parte dessa energia e existe uma certa
amarração dos postes.
"Basicamente, como elas costumam ser leves, seu colapso representa
menos riscos à segurança e à vida dos seus ocupantes", destaca o
engenheiro.
Kaminski relembra que, na sua experiência, as comunidades costumam
acreditar que o bambu pode resistir aos terremotos, mas não que o
material seja durável. Isso ocorre porque as pessoas conhecem estruturas
tradicionais que não são tratadas para proteção completa contra insetos
e infiltração de água.
"É sempre essencial tratá-lo e mantê-lo seco", orienta ele. "A analogia
frequente, aqui, é que a construção precisa de um bom chapéu e botas."
É possível tratar o bambu com o inseticida boro e, da mesma forma que
as casas de madeira, estruturas com bom desempenho incluem telhados na
parte superior e paredes à prova d'água para garantir que o bambu fique
seco.
Centro de tecelagem construído com postes de bambu curvados em Batangas, nas Filipinas — Foto: Base Bahay Foundation
É claro que a resiliência aos terremotos não é a única característica que atrai as pessoas ao bambu.
Arquitetos
de todo o mundo começaram a construir estruturas grandiosas e
sustentáveis com bambu. Elas variam desde desajeitados pavilhões no
Vietnã até os jardins de bambu do Aeroporto Internacional Kempegowda, em
Bengaluru (antiga Bangalore), na Índia.
Na Europa e nos Estados Unidos, a única espécie nativa de bambu é uma
gramínea lenhosa encontrada no sul dos Estados Unidos. Lá, seu uso é
incomum.
Mas o clima agradável do sudeste americano pode suportar plantas de
bambu para uso comercial e em construções, o que chamou a atenção dos
pesquisadores de materiais.
Bambu para uso em emergências
O bambu também pode ser um material extremamente útil para a recuperação após a ocorrência de desastres, segundo Kaminski.
Em 2018, ele escreveu um guia para o uso de bambu em estruturas de
assistência nos campos de refugiados rohingya, em Bangladesh.
A arquiteta paquistanesa Yasmeen Lari também foi pioneira no uso de
bambu para construir casas de assistência após desastres, como ocorreu
depois do terremoto que atingiu o norte do Afeganistão em 2015.
"O que fizemos foi fortalecê-las, inserindo barras de aço nas
fundações", ela conta. "Tudo realmente foi unido muito bem, para que
pudesse balançar."
Lari começou, então, a projetar casas de bambu de ultrabaixo custo no
Paquistão: estruturas de tijolos de barro com telhados de bambu e o
interior das paredes com bambu inserido. Elas utilizavam apenas
materiais disponíveis localmente, eliminando a necessidade de aço.
As estruturas foram usadas como abrigos para desastres resistentes a
enchentes, após as cheias de 2022, que deixaram um terço do Paquistão
debaixo d'água.
Em 2023, Lari ganhou uma medalha de ouro real do Instituto Real de
Arquitetos Britânicos, em reconhecimento ao seu trabalho humanitário no
setor da arquitetura.
Lari conta que, em 2021, ela e os pesquisadores da Universidade NED de
Engenharia e Tecnologia, no Paquistão, submeteram um modelo em meia
escala dessas estruturas a um teste em uma mesa vibratória, simulando a
força do terremoto de 7,2 graus de magnitude ocorrido em Kobe, no Japão,
em 1995.
O modelo resistiu a 100% da força daquele terremoto, depois a 200% e chegou a 250%. "Nada aconteceu", relembra Lari.
Ela conta que a estrutura só começou a ceder com 670% da potência do terremoto de Kobe.
Inspiradas pelo método tradicional Dhajji de construção com pedaços de
madeira, as casas de Lari podem ser construídas por até US$ 88 (cerca de
R$ 472). Este valor, segundo ela, representa menos de 10% do necessário
para cada casa de assistência construída pelo Banco Mundial.
O organismo informou à BBC que o custo de reconstrução de uma casa de
um único quarto no Paquistão é de cerca de US$ 1,4 mil a US$ 1,6 mil
(cerca de R$ 7,5 mil a R$ 8,6 mil).
Com sua tecnologia de construção com bambu, a Fundação Base Bahay
construiu cerca de 20 casas em Palanog, na cidade de Tacloban, nas
Filipinas — Foto: Base Bahay Foundation
Depois das cheias do Paquistão, em 2022, Lari conta que o Banco Mundial insistiu na reconstrução com tijolos e concreto.
"As tradições locais nunca tiveram a chance de sobreviver ou ser perpetuadas", lamenta ela.
Um porta-voz do Banco Mundial declarou à BBC que a capacidade de uso
mais amplo de tecnologias como o bambu em esforços de reconstrução,
muitas vezes, é limitada pela falta de testes de laboratório e pelos
códigos de construção locais.
"Muitos códigos locais não incluem normas de resiliência para práticas
de construção tradicionais, o que restringe a adoção de materiais como o
bambu", segundo o organismo.
O Banco Mundial destaca que, no Paquistão, o uso do bambu foi limitado
por muitos fatores, como o nível de aceitação pela comunidade, a falta
de conhecimento local e de treinamento dos trabalhadores locais para a
construção baseada no bambu e a falta de instalações de testes ou
tratamento estabelecidas naquela província.
Conexão com a natureza
Mas a instituição afirma que "reconhece o valor das tecnologias de
construção adaptadas localmente, como o bambu, que podem oferecer
soluções de baixo custo, sustentáveis e resistentes em muitos
contextos".
Um exemplo, segundo o Banco Mundial, foi a reconstrução da região
produtora de café da Colômbia, após o terremoto de 1999. Uma nota de
orientação oficial adotada por uma associação de engenharia do país
determinou como o bambu poderia ser usado nas construções com segurança e
eficiência.
Mas, no Paquistão, como nas Filipinas e no Equador, existe uma noção
que é prejudicial: de que o bambu é "o material dos pobres", segundo
Lari.
Mas, hoje, esta percepção é mais questionada do que nunca.
Embora as estruturas de bambu sejam limitadas a um ou dois pisos, os
arquitetos, agora, estão testando construções de bambu mais altas, com
múltiplos andares — uma possível comprovação da viabilidade do bambu em
estruturas de alta densidade em larga escala.
Para Liu, as pessoas que experimentam o bambu pela primeira vez, muitas
vezes, são tomadas pela sensação de que uma estrutura estável e
resistente a desastres também pode trazer maior conexão com a natureza.
"Quando você está em uma casa de bambu, acho que poderá se comover com a
atmosfera. Ao entrar em um ambiente natural, você se sentirá mais
confortável."