Até então desconhecidas como sendo tão altas, as árvores foram
identificadas na região a partir de um estudo sobre impactos no solo.
Usando tecnologia de ponta foram identificados os aglomerados de árvores
gigantes.
“O projeto começou quando eu estava em um grupo de pesquisa do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em São José dos Campos.
Nosso objetivo era fazer um mapa de biomassa da Amazônia e, dentro
desse objetivo, fizemos uma coleta intensa de dados utilizando um avião e
um equipamento inovador que funciona como um laser”, explicou Eric
Gorgens, professor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e
Mucuri (UFVJM) e coordenador das expedições.
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Pesquisadores catalogando as espécies de árvores gigantes — Foto: Rafael Aleixo/Governo do Amapá
A tecnologia de captação de dados utilizada é conhecida como LiDAR
(Light Detection and Ranging), um laser capaz de detectar uma superfície
e fazer uma modelação tridimensional, o que possibilita detalhar a
altura precisa da vegetação.
Os
cientistas conseguiram constatar que apenas uma árvore gigante é
responsável por mais de 60% de toda a biomassa das outras árvores ao
redor dela.
A biomassa compreende a quantidade de carbono, matéria e elemento
madeira existente na natureza. O mapa de biomassa ajuda a entender a
quantidade de carbono emitida por um desmatamento ou o volume captado
pela regeneração dessas vegetações.
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Expedições contaram com pesquisadores nacionais e internacionais — Foto: Rafael Aleixo/Governo do Amapá
Desde o início, o projeto das expedições teve a participação de
representantes de instituições nacionais e internacionais. A última
visita contou com a colaboração da pesquisadora da Universidade de
Swansea, no Reino Unido, Jacqueline Rosette.
Localmente, atuaram o Instituto Federal do Amapá (Ifap) e a
Universidade do Estado do Amapá (Ueap). O projeto é financiado pelo
Fundo Natura para Desenvolvimento Sustentável das Comunidades (Fundo
Iratapuru).
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Árvores gigantes estão localizadas em áreas de reserva e preservação ambiental no Pará e Amapá — Foto: Reprodução
Empoderamento comunitário
Os moradores das comunidades próximas às árvores também são parte
importante na construção da pesquisa. A população é responsável por
ajudar os cientistas a levantar orçamentos de custos, já que conhecem
melhor a região.
Além da iniciativa estatal, as pesquisas podem ser financiadas pela
iniciativa privada, o que pode agilizar e viabilizar novas visitas à
campo, já que as despesas costumam ser muito altas e demandam uma equipe
e maquinários específicos.
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Quarta expedição encontrou novo exemplar de árvore gigante em Mazagão — Foto: Rafael Aleixo/Governo do Amapá
“É um ganho mútuo. Existem várias instituições do estado que começaram a
perceber potenciais e isso para a gente é muito importante, porque
expedições como essas são muito caras. Na primeira mobilizamos 30
pessoas, na última apenas 14, pois é uma logística que demanda um
preparo muito intenso”, afirmou Gorgens.
As capacitações com moradores visam o "empoderamento" e a autonomia da
comunidade, para que posteriormente eles possam identificar essas
espécimes por conta própria.
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Árvores gigantes são responsáveis por grande parte da biomassa do bioma local no Amapá — Foto: Rafael Aleixo/Acervo Pessoal
Base de ecologia tropical
Em expedições futuras, os pesquisadores visam implementar uma base de
ecologia tropical em São Francisco do Iratapuru, comunidade no município
de Laranjal do Jari, ao sul do Amapá.
Para isso, é necessário o investimento financeiro para custear toda a
infraestrutura necessária, além de outros itens como combustível e
alimentação da equipe.
"Até as comunidades têm dificuldade em mapear esses recursos. Sentamos
com eles para tentar entender onde vamos colocar cada coisa, porque lá
eles só possuem energia de 18h às 22h. O investimento vai desde
maquinário até o tipo de barco. A ciência tem muito disso, da conversa
(...) e pode ser uma aliada forte no desenvolvimento comunitário",
completou o coordenador.
Expedições anteriores

Expedição localiza a maior árvore do Amapá e a segunda maior da Amazônia, de 85,4 metros
A terceira expedição do projeto que mapeia as gigantes na Amazônia encontrou a árvore mais alta do Amapá, que é a segunda maior da região a ser registrada cientificamente. A notável é da espécie angelim-vermelho, tendo 85,44 metros de altura, 9,45 metros de circunferência 3 metros de diâmetro. O achado é um marco e empolgou pesquisadores que a localizaram (assista no vídeo acima).
Em 2019 foi descoberta a árvore mais alta da Amazônia, de 88 metros, na divisa entre o Amapá e o Pará.
Com a ajuda dela, os pesquisadores deram início a uma saga para
descobrir outras "gigantes" na região a partir de um projeto do
Instituto Federal do Amapá (Ifap). Em janeiro, foi descoberto um novo santuário no sul do estado.
Antes dessa, as maiores árvores registradas no Amapá eram uma
castanheira de 66 metros e um angelim-vermelho de 79,19 metros, mapeados
no início do ano. Só para ter uma comparação, a média de altura das
árvores da Amazônia fica entre 40 e 50 metros.
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Árvore mais alta já mapeada no Amapá tem 85,44 metros de altura — Foto: Ifap/Divulgação
O grupo saiu da sede de Porto Grande, município a 102 quilômetros de Macapá,
no dia 24 de setembro. Com ajuda de satélites e outros equipamentos, os
pesquisadores chegaram à gigante após 3 dias de caminhada, na região do
Rio Cupixi, nos limites da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS)
do Rio Iratapuru.
“Após 3 dias de expedição, a equipe encontrou a maior árvore gigante do
Amapá. Trata-se do Angelim Vermelho, o que consolida a espécie como a
maior em altura da Amazônia”, explica o coordenador do projeto Árvores
Gigantes e professor do Ifap, Diego Armando.
Foi durante a quarta expedição e mais recente expedição da saga em
busca das árvores gigantes, que os pesquisadores encontraram mais uma
árvore despontando no meio da floresta, um angelim de 83 metros de
altura fincado no meio da mata da região do Camaipi, município de
Mazagão, mais de 40 quilômetros da capital Macapá.