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sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Estudo contesta chegada de Cabral à Bahia em 1500 e defende desembarque no Rio Grande do Norte

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Pesquisa conduzida por físicos brasileiros faz análise numérica de dados da carta de Pero Vaz de Caminha e foi publicada no periódico Journal of Navigation, da Universidade de Cambridge.
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Por Gabriela Caputo, g1

Postado em 28 de Novembro de 2.025 às 10h35m
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Um novo estudo de físicos brasileiros propõe que a chegada dos portugueses à costa do Brasil em abril de 1500 teria ocorrido no Rio Grande do Norte, e não em Porto Seguro, na Bahia. A hipótese contesta a narrativa histórica tradicional e se baseia na análise numérica dos dados presentes na Carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral que registrou expedições.

O artigo, publicado em setembro no periódico Journal of Navigation, da Universidade de Cambridge, é resultado da pesquisa dos docentes Carlos Chesman, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e Cláudio Furtado, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

🚢 A dupla revisou dados registrados por Caminha, como datas, distâncias percorridas em léguas, referências topográficas e descrições de fauna e flora. Eles também consideraram ventos, correntes marítimas e profundidades costeiras.

A partir desses elementos, aplicaram cálculos físicos, simulações computacionais, mapas dinâmicos e outras ferramentas modernas para reconstruir a rota.

Calcularam, por exemplo, a média de velocidade dos navios entre Cabo Verde, de onde a frota partiu em 22 de março de 1500, e o avistamento de terra no litoral brasileiro, em 21 de abril – cerca de 5,6 quilômetros por hora, compatível com embarcações da época.

Força de Coriolis

Para os pesquisadores, a chave está na combinação entre ventos alísios, correntes do Atlântico e o efeito da chamada força de Coriolis – uma força aparente causada pela rotação da Terra, que desvia massas de água e ar e teria papel decisivo na rota percorrida pelas embarcações portuguesas.

É como tentar entrar em um carrossel em movimento: somos levados para o lado do giro, explica o pesquisador Carlos Chesman ao g1. A Terra faz o mesmo com massas de água e ar sobre sua superfície, criando rotas.

🌬️🌎 Como o planeta gira, qualquer coisa que se move por longas distâncias, inclusive navios, sofre uma espécie de desvio. No Hemisfério Norte, esse desvio tende para a direita; no Hemisfério Sul, para a esquerda.

Com base nesses fatores, o estudo argumenta que é improvável que a frota, saindo de Cabo Verde, tenha seguido em linha praticamente reta até Porto Seguro. Pelas correntes e ventos analisados, as embarcações seriam impulsionadas a passar pelo litoral norte do Rio Grande do Norte.

A análise considera a distância percorrida entre Cabo Verde e o avistamento de terra (cerca de 4.000 quilômetros) e sugere que a trajetória se assemelharia à curva de um S, terminando no litoral potiguar, explica o pesquisador.

O monte "muito alto e redondo”

Um dos pontos centrais do estudo é a identificação do monte grande, mui alto e redondo”, citado por Caminha. Pelos cálculos geométricos de Chesman e Furtado, para ser avistado a 30 ou 40 quilômetros da costa, o relevo deveria ter entre 70 e 125 metros de altitude.

🌄 O Monte Pascoal, na Bahia, tem 540 metros – o que significa que poderia ser visto de mais de 80 quilômetros de distância, incompatível com a informação registrada na carta.

Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500. Obra de Oscar Pereira da Silva. — Foto: Reprodução/Obra de Oscar Pereira da Silva, de 1904.
Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500. Obra de Oscar Pereira da Silva. — Foto: Reprodução/Obra de Oscar Pereira da Silva, de 1904.

🏞️ Já o Monte Serra Verde, em João Câmara (RN), tem 240 metros e, segundo os autores, é a elevação que melhor combina com a descrição.

Além disso, a sua forma e as duas cadeias mais baixas ao sul (com o Monte do Torreão) correspondem exatamente à descrição da carta. "Caminha fala de um 'monte' e de outras montanhas ao sul; o atual Monte Pascoal tem formato de 'pico' e tem montanhas ao norte e ao sul", nota Chesman.

Praia do Marco e "barreiras vermelhas"

O ancoradouro descrito por Caminha (tão grande e fino e seguro que nele poderiam caber mais de 200 navios e naus") corresponde a uma área aproximada de 200 mil metros quadrados.

De acordo com as medições realizadas via imagens de satélite pelos pesquisadores, a Praia do Marco, em Touros, no litoral norte do RN, tem dimensões mais compatíveis. Porto Seguro, nessa comparação, teria cerca da metade do tamanho.

Praia do Marco, em Touros, Rio Grande do Norte. — Foto: Canindé Soares
Praia do Marco, em Touros, Rio Grande do Norte. — Foto: Canindé Soares

🏝️ A carta menciona ainda um rio estreito nas proximidades do local de desembarque: o artigo dos físicos sugere que a primeira praia visitada pelos portugueses, 60 quilômetros ao sul da Praia do Marco, foi provavelmente a Praia de Zumbi, no município de Rio do Fogo (RN), na foz do Rio Punaú, onde riachos pequenos são típicos.

O Rio Buranhém, no Sul de Porto Seguro, com 300 a 500 metros de largura, não combina com o relato por ser muito largo.

Outro elemento é a referência de Caminha a grandes barreiras vermelhasao sul, a uma distância de 20 a 25 léguas (120 a 150 quilômetros) do ancoradouro. A essa distância da Praia do Marco ficam os penhascos avermelhados da Barreira do Inferno. Não há formações equivalentes ao sul de Porto Seguro, segundo os autores.

Implicações da pesquisa

A hipótese do desembarque português no Rio Grande do Norte não é inédita. O interesse em revisitar a Carta de Caminha sob perspectiva científica surgiu, segundo Chesman, da conexão pessoal e acadêmica com a história potiguar. Natural de Caicó (RN), ele conta que sempre ouviu falar da hipótese defendida pelo historiador Lenine Pinto, do Instituto Histórico e Geográfico do RN (IHGRN).

O estudo também dialoga com trabalhos do pesquisador Manoel Cavalcanti Neto e do historiador e folclorista Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), que já considerava possível a chegada em território potiguar.

Trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha, primeiro documento redigido no Brasil — Foto: Domínio público
Trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha, primeiro documento redigido no Brasil — Foto: Domínio público

Para o físico, o estudo mostra como as ciências exatas podem contribuir para revisitar documentos históricos para além do valor literário.

Em 1500 não havia sequer gramática da língua portuguesa; hoje sabemos que uma vírgula pode mudar todo o sentido da leitura. Os números não. 660 léguas ontem e hoje é a mesma distância, argumenta Chesman. Apesar de não ser uma medida padronizada, o valor da légua é estimado e reconstruído de acordo com cada período histórico.

Ele acredita que as universidades se beneficiariam ao investir em instituições interdisciplinares, expandindo para além do formato multidisciplinar. A dupla agora busca o diálogo com historiadores, que não tiveram participação na pesquisa, para amadurecer e validar a discussão proposta.

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Desemprego recua para 5,4% em outubro, o menor nível da série histórica do IBGE

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Desemprego cai para 5,4% no trimestre encerrado em outubro, o menor nível desde 2012, com recuos tanto em relação ao período anterior quanto ao mesmo trimestre de 2024.
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Por Janize Colaço, g1 — São Paulo

Postado em 28 de Novembro de 2.025 às 09h25m
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A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre móvel encerrado em outubro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi o menor nível da série histórica, iniciada em 2012. A taxa recuou nas duas bases de comparação: caiu 0,2 ponto percentual em relação ao trimestre móvel anterior (de 5,6% para 5,4%) e diminuiu 0,7 ponto percentual frente ao mesmo período de 2024, quando estava em 6,2%.

Além disso, a população desocupada (5,9 milhões) foi a menor registrada pela série histórica. Já o número de pessoas sem trabalho caiu 3,4% no trimestre (menos 207 mil) e recuou 11,8% em relação ao ano anterior (menos 788 mil).

Enquanto isso, a população ocupada (102,6 milhões) permaneceu estável no trimestre e aumentou em 926 mil pessoas na comparação anual.

O nível da ocupação — proporção de pessoas empregadas dentro da população em idade de trabalhar — ficou em 58,8%, mantendo estabilidade tanto frente ao trimestre anterior quanto em relação ao mesmo período de 2024.

Veja os destaques da pesquisa:

  • Taxa de desocupação: 5,4%
  • Taxa de subutilização: 13,9%
  • População desocupada: 5,9 milhões
  • População ocupada: 102,2 milhões
  • População fora da força de trabalho: 66,1 milhões
  • População desalentada: 2,6 milhões
  • Empregados com carteira assinada: 39,2 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,6 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 25,9 milhões
  • Trabalhadores informais: 38,8 milhões

Formalização estável no trimestre, mas ainda em patamar recordeFormalização segue estável, mas permanece em nível recorde

Ainda segundo os dados do IBGE, o setor privado registrou 52,7 milhões de empregados, o maior número da série histórica, ainda que sem mudanças relevantes no trimestre ou no ano.

Entre eles, os trabalhadores com carteira assinada somaram 39,2 milhões — novo recorde —, com estabilidade no trimestre e alta de 2,4% em relação ao ano anterior (mais 927 mil pessoas).

Já os empregados sem carteira chegaram a 13,6 milhões, número estável no trimestre e 3,9% menor no ano (menos 550 mil pessoas).

No setor público, o contingente foi de 12,9 milhões, estável no trimestre e 2,4% acima do registrado um ano antes (mais 298 mil pessoas).

O total de trabalhadores por conta própria atingiu 25,9 milhões, também estável no trimestre, mas 3,1% maior no ano (acréscimo de 771 mil pessoas).

A taxa de informalidade permaneceu em 37,8% da população ocupada — o equivalente a 38,8 milhões de pessoas —, repetindo o percentual do trimestre anterior e ficando abaixo dos 38,9% observados no mesmo período de 2024.

O rendimento real habitual chegou a R$ 3.528, novo recorde, mantendo estabilidade trimestral e avanço de 3,9% em um ano. Já a massa de rendimento real, de R$ 357,3 bilhões, também renovou o recorde, sem variação no trimestre e com alta anual de 5,0% (mais R$ 16,9 bilhões).

* Reportagem em atualização


Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) — Foto: Divulgação/Agência Brasil
Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) — Foto: Divulgação/Agência Brasil

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