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O ge compara a jornada histórica do caçula de 2025 com outras campanhas marcantes do período na Série A. Veja três motivos que credenciam a façanha do time paulista como a grande zebra<<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Arcílio Neto e Gabriel Castro — Mirassol, SP
Postado em 31 de Dezembro de 2.025 às 12h55m
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Assista o especial: "Mirassol: A Sensação do Brasileirão"
Não restam dúvidas que o Mirassol foi a grande história do futebol brasileiro em 2025. O caçula da Série A, e representante de uma cidade de apenas 65 mil habitantes, foi o 4° colocado do Brasileirão com sobras e se classificou direto para a fase de grupos da Libertadores do ano seguinte.
Muito além da posição e dos 67 pontos, o Leão caipira empolgou o país com um futebol autoral e muito ofensivo. Não à toa foi o terceiro melhor ataque da elite com 63 gols marcados.
Com tudo isso na mesa, abre-se a discussão: o Mirassol é a melhor história de um não campeão da era dos pontos corridos da Série A?
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Rafael Guanaes, técnico do Mirassol, comemora vitória sobre o Vasco, em São Januário — Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
O ge entra a fundo no debate e destrincha as comparações com outras campanhas de sucesso da primeira divisão nacional, de 2003 em diante.
Para não ficar em cima do muro, os autores desta reportagem já dão o spoiler do veredito: sim, o Mirassol é a maior surpresa da era dos pontos corridos do Brasileirão. Entenda o por que, a partir de agora.
Outras surpresas históricas do Brasileirão
Antes do Mirassol, outros times fora do eixo também brilharam na Série A.
O Coritiba aparece como um dos primeiros destaques relevantes. Em 2003, a equipe somou 73 pontos, mas o campeonato ainda era disputado com 24 clubes e 46 rodadas, formato diferente do atual com 20 times e 38 rodadas.
No mesmo ano, o São Caetano viveu o ponto alto de sua trajetória recente e protagonizou a campanha mais simbólica entre os times de menor expressão que surpreenderam o país.
Após dois vice-campeonatos seguidos no antigo formato de mata-mata em 2000, contra o Vasco, e em 2001, diante do Athletico Paranaense, além do vice na Libertadores de 2002 para o Olimpia do Paraguai, o Azulão manteve o nível em 2003.
O próprio Furacão, aliás, foi vice-campeão brasileiro em 2004, perdendo a taça para o Santos. O Athletico fez 86 pontos, com um aproveitamento de 62% em 46 rodadas. Dagoberto, Jadson e Washington (artilheiro com 34 gols) eram os destaques daquele time. Esta não chegou a ser uma surpresa, já que o clube havia conquistado o Brasil três anos antes, em 2001.
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Athletico Paranaense foi vice-campeão brasileiro em 2004 — Foto: Athletico
Na estreia dos pontos corridos, terminou o Brasileirão em 4º lugar com 74 pontos, enfrentando e superando grandes equipes ao longo da competição. Naquela altura, porém, não era nenhuma novidade, já que o clube estava consolidado no cenário nacional.
O Goiás também se coloca entre as maiores surpresas da era dos pontos corridos. Em 2005, o clube encerrou o Brasileirão em 3º lugar, com 74 pontos, em uma das campanhas mais expressivas de sua história.
Em 2006, o Paraná alcançou uma marca histórica ao terminar o Brasileirão no top 5, impulsionado pelo artilheiro Josiel, que se tornou símbolo daquela era.
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Josiel, artilheiro pelo Paraná no Brasileirão de 2005 — Foto: Agência Lance
Outra campanha inesquecível foi a da Chapecoense, em 2017. Um ano depois do trágico acidente aéreo, o clube bateu seu recorde na elite nacional: foi o 8° colocado com 54 pontos e garantiu a vaga na Libertadores do ano seguinte. A Chape recusou a proposta de imunidade da CBF e foi liderada por nomes como Jandrei, Apodi, Fabrício Bruno, Reinaldo, Rossi e Wellington Paulista.
O Fortaleza voltou à elite em 2019 e rapidamente chamou atenção ao encerrar o campeonato em 9º lugar com 53 pontos em seu retorno da Série B, indicando um crescimento que seria ainda maior nos anos seguintes.
Em 2020, o Bragantino retomou a Série A com força, finalizando sua campanha no 10º lugar. Em 2021, o Fortaleza registrou seu primeiro grande feito na era dos pontos corridos ao terminar o Brasileirão em 4º lugar com 58 pontos.
O Bragantino seguiu sua evolução e, em 2023, conquistou a 6ª colocação com 62 pontos, desempenho que levou o clube à disputa da pré-Libertadores. A equipe acabou eliminada na terceira fase pelo Botafogo por 3 a 2 no agregado.
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Marinho comemora gol em Fluminense x Fortaleza, pelo Brasileirão 2024 — Foto: Alexandre Durão
Em 2024, o Fortaleza viveu sua melhor campanha no novo formato ao somar 68 pontos, superando a marca que o Mirassol alcançaria no ano seguinte. Na Libertadores de 2025, o clube avançou até as oitavas de final, quando foi eliminado pelo Vélez Sarsfield.
Outro time que ganhou destaque nacional em campanhas fora do eixo foi o Vitória de 2013, com o atacante Dinei como principal nome do elenco.
Por fim, em 2025, o Mirassol entrou para esse grupo seleto ao terminar a Série A em 4º lugar em seu ano de estreia na elite.
A distância dos grandes para os menores se tornou ainda maior nos últimos anos. Com o boom dos valores de cotas de TV e de premiações de campeonatos, os gigantes do país passaram a ter ainda mais predominância financeira. A montanha a ser escalada pelos pequenos ficou ainda maior.
O universo das SAFs também ajudou muitos clubes a mudarem de prateleira com os milhões de reais investidos por mecenas. Ou seja, é muito mais difícil se enfiar entre os grandes em 2025 do que em 2003.

As missões do Mirassol para disputar a Libertadores de 2026
Para o Mirassol, o cenário é ainda mais delicado porque o clube não tem nenhum investidor. O time gasta apenas o que entra de cotas (de competições e de TV) e de vendas de jogadores. Diferentemente do que muitos pensam, o Leão não é uma SAF.
É administrado há anos pelo mentor e razão do sucesso do clube: o vice-presidente Juninho Antunes. Cabe a ele administrar o que entra de dinheiro. O gestor nunca colocou toda a verba no time, sempre prezando por investir em estrutura, tanto no CT (de R$ 15 milhões), quanto no estádio. Estratégia que clubes como o São Caetano, por exemplo, não adotaram no passado.
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Gestor do Mirassol, Juninho Antunes se emociona com classificação à
fase de grupos da Libertadores — Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
O Mirassol gastou apenas R$ 6,5 milhões de reais com contratações em 2025. Valor 100 vezes abaixo dos quase R$ 700 milhões investidos pelo Palmeiras. O Leão comprou os zagueiros Jemmes e João Victor. A maioria veio dos demais jogadores por empréstimo ou sem custo.
A folha salarial do time amarelo e verde foi de apenas R$ 4,1 milhões e era a segunda menor de toda a Série A, mais cara apenas que a do Juventude.
Outro abismo deste Mirassol é o arrecadado em patrocínio. Nenhum dos outros 19 times da Série A receberam tão pouco em 2025. O Leão faturou menos de R$ 1 milhão por mês, mantendo seu patrocinador máster há 18 anos por gratidão. É um dos dois únicos times que não têm uma casa de aposta no principal espaço de seu uniforme.
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Camisa do Mirassol no estádio Maracanã — Foto: Divulgação/Agência Mirassol
Todos esses obstáculos só foram superados com uma gestão inovadora e um projeto de futebol que soube aproveitar o empurrão inicial da venda de Luiz Araújo, em 2017.
A negociação que rendeu cerca de R$ 6 milhões à época foi o primeiro passo de uma escalada que chegou à Série A do Brasileiro, cinco anos depois do time sequer ter uma divisão nacional.
2) Cidade pacata, torcida pequena
O Mirassol chegou à Série A em 2025 como o time da menor cidade do Brasileirão dos últimos 40 anos. A última vez que a elite nacional teve um clube de um município menor foi em 1985, com a Catuense, de Catu, na Bahia.
Mirassol, que fica na Região Metropolitana de São José do Rio Preto, tem apenas 65 mil habitantes. A população não seria capaz de lotar três estádios brasileiros (Maracanã, Mané Garrincha e Morumbis)
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Estádio José Maria de Campos Maia, o Maião, em Mirassol — Foto: Felipe Novoa - Nopontovoa
Com isso, tem mais dificuldade de reunir grandes públicos. Na maioria das partidas, mesmo no Brasileirão, eram cerca de 4 mil torcedores nas arquibancadas.
Em outros jogos, o público superava os 11 mil, que significavam 17% do total da população da cidade.
Com menos gente no estádio, o caldeirão fica um pouco menos hostil que outros palcos por aí. Mas, isso não foi problema: ao lado do Flamengo, o Mirassol foi um dos dois únicos invictos da Série A, com campanha de 12 vitórias e sete empates nos seus domínios.
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Mosaico da torcida do Fortaleza — Foto: Baggio Rodrigues/AGIF
Com públicos menores, consequentemente, o time arrecadava menos renda, sendo mais um fator de desequilíbrio financeiro com seus pares. As outras surpresas do passado, como Coritiba, Paraná, Fortaleza e Goiás estão em capitais e contam com torcidas grandes e apaixonadas.
São Caetano e Bragantino são de cidades menores, mas que tinham, respectivamente, o dobro e o triplo de população que Mirassol. Outra diferença é que estes dois paulistas dispunham (ou dispõem) de investimentos generosos de mecenas ou de empresas como a Red Bull.
3) Jogando por uma bola? Que nada!
Por fim, outro fator que torna a campanha do Mirassol ainda mais especial é o estilo de jogo ofensivo e prazeroso de se assistir. Neste ponto, o mérito é totalmente do técnico Rafael Guanaes que, assim como o clube, era um estreante na Série A.
O Leão já tinha uma cultura de ataques potentes, mas poucos imaginavam que seria capaz de mantê-lo no meio de gigantes na elite nacional. Guanaes foi corajoso, e o Mirassol topou essa loucura.
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Danielzinho e Reinaldo comemoram gol do Mirassol — Foto: JP Pinheiro/Agência Mirassol
O time amarelo e verde marcou 63 gols em 38 jogos e só balançou as redes menos do que Palmeiras e Flamengo.
O Mirassol encarou os grandes da mesma forma, dentro e fora de casa. Foi o primeiro time no ano de 2025 a ter mais posse de bola que o Flamengo, no duelo do fim do primeiro turno, em pleno Maracanã.
A regularidade da campanha foi tamanha que a equipe ficou dentro do G-5 da 16ª rodada em diante. Foram incríveis 15 rodadas na 4ª posição, incluindo as 11 últimas.
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Gabriel comemora gol do Mirassol sobre o Palmeiras — Foto: Pedro Zacchi/Agência Mirassol
Outra marca registrada foi a regularidade de um time que nunca ficou mais de três jogos sem vencer uma partida. O desempenho quase não oscilou em nenhum momento e foram pouquíssimos as apresentações ruins.
As metas foram sendo batidas, rodada após rodada, e os comandados de Rafael Guanaes nunca relaxaram. Sedentos, resilientes, inovadores e jogando muito futebol. Os apaixonados pelo esporte não vão esquecer tão cedo desse danado do Mirassol 2025.
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