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Cenários elaborados por oficiais do Pentágono podem acarretar em muitas baixas, com pouca garantia de êxito
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Adam Cancryn, Zachary Cohen e Alayna Treene, da CNN
Postado em 27 de Março de 2.026 às 05h30m
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O presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, nesta quinta-feira (26) • Chip Somodevilla/Getty Images
Embora a campanha militar tenha se concentrado fortemente em bombardear o país até o momento, oficiais do Pentágono, preparando-se para uma próxima fase da guerra, elaboraram cenários para o envio de tropas com o objetivo de tomar diversos alvos dentro do Irã, de acordo com mais de meia dúzia de pessoas familiarizadas com as discussões.
No entanto, esses cenários não só acarretariam o risco de muitas baixas, como também há pouca garantia de que eles encerrariam o conflito com sucesso.
O planejamento interno tem assumido crescente importância à medida que Trump traça a próxima etapa de sua campanha no Oriente Médio — e à medida que a pressão econômica e política aumenta sobre ele para encontrar uma maneira decisiva de encerrar a guerra.
Mesmo ordenando o envio de milhares de soldados adicionais para a região, Trump tem demonstrado hesitação em intensificar ainda mais o conflito, receoso de que um passo em falso agora transforme a guerra em um conflito cada vez mais violento e prolongado.
“Eles estão derrotados, não podem se recuperar”, disse Trump sobre o Irã durante uma reunião de gabinete nesta quinta-feira (26). “Agora eles têm a chance de fazer um acordo. Mas isso depende deles.”

O
presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma reunião de gabinete na
Casa Branca, nesta quinta-feira (26) • Chip Somodevilla/Getty Images
Esforços diplomáticos continuam
Trump deixou claro nos últimos dias que deseja um fim rápido para a guerra, mesmo que ainda não saiba exatamente como garanti-lo. Depois de ameaçar, na semana passada, bombardear as usinas de energia do Irã, Trump recuou, dizendo ter recebido indicações de que autoridades iranianas agora estariam dispostas a negociar.
Na quinta-feira, ele estendeu ainda mais o prazo, declarando que adiaria até 6 de abril os ataques à infraestrutura energética iraniana, na esperança de avançar nas negociações.
Ainda assim, não está claro o quão frutíferos esses esforços serão. Uma proposta de paz de 15 pontos elaborada por funcionários do governo Trump foi prontamente rejeitada pelo Irã. As próprias exigências do regime — que incluíam o pagamento de indenizações e reparações de guerra — também foram consideradas inaceitáveis.
E embora Trump continue insistindo que as negociações estão "indo muito bem", ele alternadamente ameaça intensificar os ataques numa tentativa de forçar o Irã a capitular caso não coopere.
"É função do Pentágono fazer os preparativos necessários para dar ao Comandante-em-Chefe a máxima flexibilidade", disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em um comunicado.
"Isso não significa que o Presidente tenha tomado uma decisão e, como o Presidente disse recentemente no Salão Oval, ele não planeja enviar tropas terrestres para lugar nenhum neste momento", acrescentou Leavitt.
Os EUA e Israel já submeteram o Irã a semanas de bombardeios, matando diversos líderes importantes e eliminando grande parte da capacidade ofensiva do país.
Ainda assim, o regime iraniano apenas consolidou ainda mais seu controle sobre o país. O governo também reforçou seu controle sobre o Estreito de Ormuz, praticamente interrompendo o fluxo de petróleo do Golfo Pérsico e mergulhando os mercados globais de energia em uma crise que se agrava a cada dia.

Imagem de satélite do Estreito de Ormuz • Gallo Images via Getty Images
Autoridades do governo têm buscado maneiras de eliminar esse ponto crucial de influência econômica, seja assumindo o controle do estreito ou dizimando a capacidade do Irã de continuar suas lucrativas exportações de petróleo.
"Eles não têm incentivo para aliviar a pressão sobre o estreito agora", disse Landon Derentz, ex-funcionário de segurança nacional e energia durante os governos Obama, Biden e o primeiro governo Trump.
"E não vejo nenhuma ferramenta política que tenha um impacto significativo em nossa capacidade de compensar a magnitude do déficit", afirmou Derentz.
Opções restantes provavelmente exigem tropas terrestres
Há poucas opções restantes para garantir o controle do estreito e promover os interesses dos EUA no Irã o suficiente para que Trump declare vitória de forma convincente. E as autoridades estão cada vez mais convencidas de que quase todas elas provavelmente exigiriam tropas, de acordo com várias pessoas familiarizadas com as discussões.
Autoridades do governo debateram ideias distintas para extrair o urânio enriquecido que permanece enterrado nas instalações nucleares do Irã, uma missão que alguns acreditam que poderia dar a Trump a vitória decisiva de que ele precisa para encerrar a guerra, disseram fontes familiarizadas com as discussões.
As autoridades também desenvolveram opções para capturar a Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, ou autorizar um ataque aéreo com o objetivo de destruir sua infraestrutura petrolífera.

Ilha de Kharg, no Irã • Cortesia Planet Labs PBC
Além disso, o governo examinou a possibilidade de tomar outras ilhas estrategicamente localizadas perto do estreito, o que poderia enfraquecer a capacidade do Irã de ameaçar os petroleiros que tentam atravessar a hidrovia.
Autoridades da Casa Branca acreditam que a tomada da Ilha de Kharg, em particular, "levaria à falência total" a Guarda Revolucionária do Irã, disse uma autoridade, potencialmente abrindo caminho para um fim definitivo da guerra.
E, caso os recentes esforços diplomáticos de Trump fracassem, alguns de seus assessores e oficiais de inteligência argumentaram em privado que tropas poderiam ser enviadas para o exterior.
No entanto, existe outra preocupação igualmente presente no círculo de Trump: qualquer escalada — especialmente se incluir tropas terrestres — poderia ser desastrosa. Nenhuma das opções disponíveis para Trump garante o fim do conflito, mesmo que executadas com sucesso do ponto de vista tático, afirmou uma fonte familiarizada com os planos.
Talvez ainda mais alarmante seja o fato de que isso introduziria novas incertezas que poderiam rapidamente sair do controle de Trump, arrastando-o ainda mais para uma guerra que ele está cada vez mais ansioso para encerrar rapidamente.
Uma escalada militar por parte dos EUA quase certamente levaria o Irã a retaliar na mesma moeda, potencialmente atacando alvos relacionados à energia na região. Os ataques com mísseis do regime contra a instalação de gás natural de Ras Laffan, no Catar, no início deste mês, já danificaram significativamente partes do importante complexo industrial, alimentando temores nos mercados de energia de uma guerra regional cada vez maior.

Vista
da instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) na Cidade
Industrial de Ras Laffan, no Catar • Stringer/picture alliance via Getty
Images
O Irã também poderia convocar os rebeldes Houthis, alinhados ao regime, para atacar petroleiros que foram desviados do Estreito de Ormuz para o Mar Vermelho, que tem servido como a única rota relativamente segura para os armadores transportarem pelo menos parte de sua carga pela região desde o início da guerra, disse um corretor sênior do setor de transporte marítimo de petróleo.
“O Mar Vermelho tem sido um problema há cerca de três anos. Mas já existem armadores suficientes que se sentem confortáveis em navegar por lá”, disse o corretor.
“Se houvesse um problema grave no Mar Vermelho, isso poderia bloquear o fluxo de petróleo proveniente do Golfo Pérsico”, acrescentou.
Temores de escalada
Para alguns assessores e aliados de Trump, esses riscos econômicos são insignificantes em comparação com o perigo que os soldados americanos poderiam enfrentar em solo iraniano em praticamente qualquer cenário.
Os EUA têm limitado, até agora, as baixas em suas forças armadas, uma prioridade considerada crucial para manter o limitado apoio público que ainda existe à guerra.
Mas a tomada e o controle de ilhas próximas ao Estreito de Ormuz ou o envio de forças especiais para o interior do Irã em busca de urânio enriquecido exporiam imediatamente os EUA ao potencial de um número significativo de baixas, eliminando qualquer dúvida na mente dos eleitores de que o que Trump chamou de uma pequena “excursão” ou “desvio” é, na verdade, uma guerra em grande escala.
Vários senadores republicanos já sinalizaram que se oporiam a qualquer envio de tropas para o Irã, prenunciando o potencial para uma grande divisão dentro de um partido que, até agora, tem apoiado amplamente os objetivos de guerra de Trump.
E apesar da pressão que tal missão poderia exercer sobre o Irã, caso fosse bem-sucedida, permanecem sérias preocupações sobre como as forças americanas a executariam. O Irã passou as últimas semanas armando emboscadas e movimentando armas para a Ilha de Kharg, conforme relatado anteriormente pela CNN.

Vista
geral do Terminal Petrolífero da Ilha de Kharg, a 25 km da costa
iraniana no Golfo Pérsico e a 483 km a noroeste do Estreito de Ormuz, no
Irã, em 12 de março de 2017. O Terminal Petrolífero da Ilha de Kharg
leva o petróleo iraniano para o mercado mundial. • Fatemeh
Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images
Mesmo antes disso, analistas afirmaram que qualquer invasão da ilha seria traiçoeira, exigindo que as tropas suportassem ataques constantes de mísseis e drones — e então torcessem para que conseguissem manter a ilha por tempo suficiente para forçar o Irã a se render.
“Isso daria a Trump a oportunidade de dizer: ‘Agora eu controlo o petróleo do Irã’”, disse Gregory Brew, analista sênior sobre o Irã e o setor de energia da empresa de avaliação de risco político Eurasia Group.
“O problema é que os iranianos não vão se render imediatamente. Em vez disso, vão reagir de forma extremamente negativa”, afirmou Brew.


