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sábado, 25 de abril de 2026

Fim do Wayback Machine? Como a preservação da memória da internet está sobre pressão

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Guardiã da história da web, plataforma luta pela sobrevivência. Cada vez mais empresas de comunicação se recusam a permitir que a plataforma armazene seus conteúdos — acabando por prejudicar a memória da web.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 25 de Abril de 2.026 às 08h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
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Wayback Machine — Foto: Reprodução
Wayback Machine — Foto: Reprodução

Há 30 anos, o portal archive.org guarda a memória da internet. Sua plataforma Wayback Machine contém mais de um bilhão de sites arquivados e funciona como uma ferramenta imprescindível, que permite a jornalistas, pesquisadores, historiadores e juristas acessar conteúdos originais de páginas que foram alteradas ou até mesmo excluídas.

No entanto, esse projeto fundamental da entidade criada em São Francisco, nos EUA, enfrenta uma crise existencial. E a última ameaça vem justamente de quem mais precisa do arquivo — os veículos de imprensa.

Um número cada vez maior de empresas de comunicação vem negando o acesso do Internet Archive aos seus conteúdos.

Segundo uma pesquisa da Nieman Foundation for Journalism, da Universidade de Harvard, pelo menos 241 portais de notícias de nove países já bloquearam o acesso da Wayback Machine. Entre eles estão o britânico The Guardian, o americano New York Times, o francês Le Monde e o USA Today, maior conglomerado jornalístico dos Estados Unidos.

O próprio USA Today publicou recentemente uma reportagem mostrando como a polícia de imigração americana, o ICE, havia ocultado informações na web sobre sua política de detenção. Para a apuração, o jornal utilizou conteúdos da Wayback Machine do archive.org, contradizendo a própria política da empresa, que agora bloqueia o acesso da plataforma a seus artigos.

O motivo pelo qual os veículos de comunicação estão barrando o acesso à ferramenta que eles mesmos utilizam é simples. Os jornais temem que empresas de inteligência artificial, como OpenAI ou Google, acessem os conteúdos jornalísticos arquivados na plataforma para treinar seus modelos de linguagem — sem autorização e sem pagamento.

"O problema é que os conteúdos do New York Times no Internet Archive são utilizados pelas empresas de IA, que infringem direitos autorais para concorrer diretamente conosco", declarou o porta-voz do NYT, Graham James.
Milhares de consultas por segundo com robôs

De fato, dados mostram que, no site archive.org, inúmeros robôs são usados para buscar conteúdos jornalísticos e utilizá-los no treinamento de modelos de IA — obtendo, assim, exatamente as informações que lhes são negadas.

O diretor do Wayback Machine, Mark Graham, afirmou à revista Wired que algumas empresas chegaram a acessar os arquivos com dezenas de milhares de solicitações por segundo, a ponto de sobrecarregar temporariamente os servidores.

Era algo que o archive.org não esperava. A organização sem fins lucrativos se apresenta como uma entidade comprometida com a internet aberta.

"Exatamente como uma biblioteca clássica, oferecemos acesso gratuito a pesquisadores, historiadores, cientistas e pessoas com deficiência visual e ao público em geral. Nosso objetivo é possibilitar a todas as pessoas o acesso universal a todo o conhecimento", diz o lema da associação.

Isso também exclui a possibilidade de bloquear robôs e rastreadores — o que levou às sanções impostas por grandes editoras e empresas de mídia.

A Electronic Frontier Foundation (EFF), organização de direitos humanos especializada em questões digitais, compara a atitude dos veículos de imprensa a uma situação em que "um jornal proibisse bibliotecas de manter cópias de seu periódico".

A história da internet pode se perder para sempre

Desde então, mais de 100 jornalistas assinaram uma petição em apoio ao Internet Archive. Em carta aberta, eles afirmam:

"Em um cenário de mídia digital em que artigos desaparecem devido à perda de links, fusões de empresas ou cortes de custos, os jornalistas dependem frequentemente da Wayback Machine do Internet Archive para recuperar páginas que, de outra forma, estariam perdidas. Sem esse trabalho contínuo de preservação da Internet, grande parte da história jornalística recente já teria se perdido."

Mark Graham, do New York Times, afirmou também à Wired que está em conversas com as empresas de jornalismo para reaver o acesso. O desfecho ainda é incerto.

"Não há dúvida de que o bloqueio crescente de grande parte da internet pública prejudica a capacidade da sociedade de compreender o que está acontecendo em nosso mundo", confessou Graham.

Fragmentar a internet é inevitável? — Foto: Getty Images
Fragmentar a internet é inevitável? — Foto: Getty Images

Arquivo como infraestrutura pública

Repórter especializado em mídia e fundador do socialmedia watchblog.de, Martin Fehrensen vê no archive.org o único registro funcional da web aberta. Caso a plataforma não consiga mais cumprir essa função, isso teria consequências graves, diz ele à DW.

"Milhões de trechos da Wikipedia perderiam a referência; pesquisas sobre a responsabilidade das plataformas – ou seja, quais termos de uso vigoravam em cada momento, quais regras de moderação foram reformuladas e de que maneira – se tornariam significativamente mais difíceis; e as evidências digitais com valor probatório judicial seriam perdidas", explica, acrescentando que, especialmente para os veículos jornalístico, seria totalmente absurdo bloquear o arquivo.

Segundo Fehrensen, há duas maneiras de se resolver esse conflito. "Precisamos de um diálogo com os editores, com uma separação técnica clara entre o arquivamento e o treinamento de IA, pois esse é o verdadeiro conflito, não o arquivo em si", explica o jornalista.

A médio prazo, na opinião dele, deve ser criado um status jurídico especial para os arquivos da web. E, a longo prazo, o arquivamento da internet deve ser tratado como infraestrutura pública, não como um projeto isolado de uma ONG em São Francisco, acrescenta.

"O fato de que, em 2026, ele ainda dependa de uma única organização é a verdadeira falha estrutural", conclui.
Um conflito dramático – entre vários

Não é a primeira vez que o Internet Archive luta para continuar existindo. Em setembro de 2024, um ataque hacker ao site resultou no roubo de 31 milhões de contas de usuário. Foi um duro golpe, mas a organização conseguiu se recuperar.

No mesmo ano, o Archive perdeu um processo de direitos autorais em um tribunal de apelação dos EUA: as editoras Hachette, Penguin Random House, HarperCollins e Wiley entraram com uma ação contra o programa gratuito de empréstimo de e-books que o Archive havia lançado durante a pandemia de Covid-19, e obtiveram sucesso. Mais de 500 mil livros tiveram que ser retirados da plataforma. Mas o archive.org ainda enfrenta pedidos de indenização na casa dos milhões.

Em comparação com essas derrotas, a ameaça atual representada pelos bloqueios da mídia é estruturalmente mais grave, pois não pode ser sanada por uma decisão judicial ou uma atualização. Ela é o resultado de inúmeras decisões corporativas que, em conjunto, minam a essência do Wayback Machine: a documentação completa da internet pública.

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Trump já gastou mais de R$ 100 bilhões em menos de 2 meses só com mísseis contra o Irã; veja modelos e valores

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Valor considera apenas gastos com mísseis de ataque e defesa, sem contar o resto dos custos militares. Relatório mostra que parte do arsenal já foi consumida e reposição pode levar anos.
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Por Otávio Preto, G1 — São Paulo

Postado em 25 de Abril de 2.026 às 05h00m
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O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
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Míssil sendo disparado de sistema de defesa aéreo Patriot — Foto: Reprodução/Raytheon Technologies
Míssil sendo disparado de sistema de defesa aéreo Patriot — Foto: Reprodução/Raytheon Technologies

Na próxima terça-feira (28), a guerra entre Estados Unidos e Irã completará dois meses. Entre cessar-fogos e bombardeios, ambos os países têm gastado muito dinheiro no conflito, sobretudo com armamentos.

Nestes 55 dias desde o início do conflito (sendo 38 até o cessar-fogo, que não foi totalmente cumprido), estima-se que Donald Trump já gastou pouco mais de US$ 20 bilhões em armamentos (cerca de R$ 100 bilhões), segundo dados estimados pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

Para efeito de comparação, o valor supera o PIB de alguns países ao redor do mundo, como Guiana, Montenegro e outras nações de menor porte.

Na última terça-feira (21), o CSIS fez um levantamento do estoque bélico dos EUA, analisando sete tipos de armas consideradas essenciais e usadas na ofensiva contra os iranianos.

  • Entre elas, estão os mísseis Tomahawk, de longo alcance e alta precisão, além de sistemas de defesa antiaérea.
  • Segundo o levantamento, os EUA podem ter usado mais da metade do estoque pré-guerra em quatro dos sete modelos analisados.
  • O estudo também aponta que os níveis anteriores ao conflito já eram considerados baixos para um eventual confronto com uma potência militar equivalente, como a China.
Veja abaixo a estimativa do instituto:

Estoque de armas essenciais dos EUA

Arma Tipo Custo de uma unidade Estoque antes da guerra Unidades usadas contra o Irã % usado
Tomahawk Míssil de cruzeiro de longo alcance US$ 2,6 milhões 3.100 cerca de 850 cerca de 27%
JASSM Míssil de cruzeiro de longo alcance US$ 2,6 milhões 4.400 cerca de 1.000 cerca de 22%
PrSM Míssil balístico de curto alcance US$ 1,6 milhão 90 de 40 a 70 de 44,4% a 77,8%
SM-3 Míssil de defesa antimíssil US$ 28,7 milhões 410 de 130 a 250 de 31,7% a 61%
SM-6 Míssil de defesa antiaérea US$ 5,3 milhões 1.160 de 190 a 370 de 16,4% a 31,9%
THAAD Sistema de defesa antimíssil US$ 15,5 milhões 360 de 190 a 290 de 52,8% a 80,6%
Patriot Sistema de defesa antiaérea e antimíssil US$ 3,9 milhões 2.330 de 1.060 a 1.430 de 45,5% a 61,4%

Fontes do The New York Times, no entanto, projetam que o gasto total dos norte-americanos com o conflito já ultrapassou US$ 28 bilhões (R$ 140 bilhões).

O Departamento de Defesa não divulgou oficialmente quantas munições foram utilizadas.

Apesar de já terem gasto boa parte de seu poderio bélico, segundo o CSIS, os EUA ainda têm mísseis suficientes para sustentar a guerra, mas podem ficar em posição vulnerável em caso de novos conflitos. Aliados como a Ucrânia também podem ser afetados, já que dependem do fornecimento de armamento norte-americano.

  • O estudo aponta ainda que, mesmo com o esgotamento desses armamentos de ponta, o país poderia seguir operando com outros tipos de armas.
  • Essas alternativas, porém, têm menor alcance, o que aumentaria o risco das operações, já que exigiriam lançamentos em posições mais próximas do alvo.

Antes mesmo do início da ofensiva, o nível dos estoques já preocupava autoridades de defesa norte-americanos. Poucos dias antes da guerra, o Washington Post revelou que o arsenal dos EUA estava em baixa por causa do apoio aos conflitos na Ucrânia e em Israel.

No início de março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu a escassez de armamentos de ponta, mas afirmou que o país tem estoques "praticamente ilimitados" de armas de médio e médio-alto alcance.

"Guerras podem ser travadas 'para sempre' e com muito sucesso, usando apenas esses suprimentos", disse.

O governo também fechou acordos recentes com a indústria de defesa para ampliar a produção. Ainda assim, segundo o CSIS, a reposição é lenta. Algumas armas levam meses para ficar prontas, e poucas unidades devem ser entregues no curto prazo.

"Historicamente, esse prazo era de cerca de 24 meses, mas, como os pedidos de munição passaram a superar a capacidade de produção nos últimos anos, os prazos de entrega se estenderam para 36 meses ou mais. A produção de todo o lote leva mais 12 meses. No total, são cerca de 52 meses — mais de quatro anos", diz.

A situação do Irã


Míssil iraniano cruza o espaço aéreo israelense em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, visto de Ashkelon, Israel, em 7 de abril de 2026 — Foto: Amir Cohen/Reuters

Uma reportagem da rede americana CBS News publicada na quarta-feira (22) apontou que o Irã pode ter mais capacidade militar do que os Estados Unidos admitem publicamente. As informações foram obtidas com fontes do governo americano com conhecimento no assunto.

  • Oficialmente, Trump afirma que os EUA "aniquilaram" a Marinha e a Força Aérea do Irã.
  • O secretário de Guerra, Pete Hegseth, disse no início de abril que os EUA tinham "dizimado" as Forças Armadas iranianas, deixando-as "ineficazes em combate por muitos anos".
  • Os EUA afirmaram ter reduzido em 90% a capacidade de mísseis balísticos e drones do Irã, enquanto Israel diz ter atingido mais de 70% dos lançadores iranianos.

Autoridades ouvidas pela CBS News afirmaram, no entanto, que o Irã ainda mantém metade do arsenal de mísseis balísticos e sistemas de lançamento intacta. Não está claro o tamanho do estoque, mas há indícios de que parte das armas esteja escondida em cavernas ou bunkers.

Na terça-feira, por exemplo, o Irã realizou um desfile militar em Teerã e exibiu mísseis balísticos nas ruas (assista abaixo). Entre os modelos apresentados estava o Khorramshahr-4, um dos mais avançados do arsenal do país, com alcance estimado em cerca de 2.000 quilômetros.

Irã exibe mísseis balísticos em desfile militar em Teerã
Irã exibe mísseis balísticos em desfile militar em Teerã

Ainda assim, as forças iranianas têm demonstrado sinais de enfraquecimento.

  • Dados obtidos pela emissora NBC News apontam que o número de lançamentos de mísseis e drones iranianos caiu drasticamente em relação aos primeiros dias da guerra.
  • No fim de março, os EUA sobrevoaram o Irã com bombardeiros B-52, o que indica limitações na defesa aérea do país.

Ainda assim, um relatório feito pelo chefe da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, o tenente-general da Marinha James Adams, aponta que o Irã ainda tem capacidade de causar danos e continua representando um risco. O documento foi entregue a um comitê da Câmara dos EUA.

"O Irã mantém milhares de mísseis e drones de ataque de uso único capazes de ameaçar forças dos Estados Unidos e de parceiros em toda a região, apesar das perdas sofridas tanto por desgaste quanto pelo uso em combate", diz.

Por outro lado, Adams afirmou que as forças terrestres e aéreas iranianas têm equipamentos ultrapassados e treinamento limitado. Isso, somado aos danos causados pelos ataques dos EUA e de Israel, as torna "quase certamente incapazes de derrotar um adversário tecnologicamente superior".


Donald Trump — Foto: AP/Julia Demaree Nikhinson 

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