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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Inscrição em persa antigo escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século

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Texto em escrita cuneiforme, localizado no Salão Assyrio desde a inauguração do prédio, em 1909, foi traduzido por pesquisadores da UFRJ e da Uerj e revela uma referência direta a um palácio do antigo Império Persa.
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Por Larissa Schmidt, RJ2

Postado em 15 de Julho de 2.026 às 15h15m
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Durante quase 117 anos, um dos ambientes mais impressionantes do Theatro Municipal do Rio de Janeiro guardou um mistério. Desde a inauguração do prédio, em 1909, uma inscrição em escrita cuneiforme, gravada na parede do Salão Assyrio, nunca havia sido traduzida. O texto revela uma referência direta a um palácio do Império Persa.

O enigma foi solucionado por dois professores universitários recém-chegados ao Rio: Alex Mazzanti, professor de Latim da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Matheus Treuk, professor de Arqueologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

A descoberta foi feita justamente no ano em que o Theatro Municipal celebra mais um aniversário e revela uma ligação inédita entre um dos principais patrimônios culturais brasileiros e a antiga Pérsia.

Construído durante a grande reforma urbana promovida pelo prefeito Pereira Passos, no início do século XX, o Theatro Municipal foi fortemente influenciado pela Belle Époque francesa.

Enquanto a fachada foi inspirada na Ópera de Paris, um dos espaços internos recebeu uma decoração completamente diferente.

Localizado no subsolo, o Salão Assyrio mistura referências de diferentes civilizações da Antiguidade, especialmente dos impérios Assírio e Persa.

"Uma das características da Belle Époque era esse fascínio pelas culturas orientais e pelas civilizações antigas. O Salão Assyrio reúne referências de vários povos para criar essa atmosfera monumental", explica Clara Paulino, presidente da Fundação Theatro Municipal.

Apesar do nome, especialistas afirmam que o ambiente possui muito mais elementos ligados ao antigo Império Persa do que à Assíria.

Entre eles estão colunas inspiradas na Apadana — o grande salão de audiências dos reis persas —, capitéis em forma de touro, relevos com leões, arqueiros e figuras que remetem às escavações arqueológicas realizadas no Oriente Médio no fim do século XIX.

"Na prática, o Rio de Janeiro ganhou uma pequena Apadana. É uma releitura de um palácio persa", afirma o arqueólogo Matheus Treuk.

Inscrição em persa antigo escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século — Foto: Reprodução/RJ2
Inscrição em persa antigo escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século — Foto: Reprodução/RJ2

Um mistério que resistiu por gerações

Pixinguinha se apresenta no Salão Assírio do Theatro Municipal — Foto: Reprodução/RJ2
Pixinguinha se apresenta no Salão Assírio do Theatro Municipal — Foto: Reprodução/RJ2

Durante décadas, milhares de pessoas passaram pelo Salão Assyrio sem saber o significado da inscrição esculpida na parede.

O espaço já funcionou como restaurante, recebeu apresentações de Pixinguinha e dos Oito Batutas, foi transformado em museu na década de 1940 e hoje abriga um café e espetáculos de música e dança.

A inscrição, porém, permaneceu sem tradução.

Foi durante uma visita guiada que Alex Mazzanti percebeu o texto.

"Eu vi a inscrição em cuneiforme e perguntei aos guias o que estava escrito. Eles disseram que ninguém sabia. Aquilo despertou minha curiosidade."

Segundo a equipe educativa do Theatro Municipal, a falta dessa informação sempre representou uma lacuna nas visitas.

A tradução

Alex havia estudado persa antigo anos antes. De volta para casa, decidiu tentar decifrar a inscrição.

Para confirmar a hipótese, procurou um antigo colega de estudos: Matheus Treuk, especialista em arqueologia do Oriente Antigo e escrita cuneiforme.

Para ele, ler o texto foi relativamente simples: "O cuneiforme persa é uma escrita bastante acessível para quem trabalha com ela."

Inscrição em persa antigo escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século — Foto: Reprodução/RJ2
Inscrição em persa antigo escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século — Foto: Reprodução/RJ2

A tradução revelou a seguinte frase:

"Do Apadana de Artaxerxes, grande rei, rei dos reis, filho do rei Dario."

A descoberta solucionou apenas parte do mistério: uma assinatura inspirada em um sítio arqueológico

Após traduzir o texto, os pesquisadores passaram a investigar por que aquela frase estava justamente ali. A resposta levou à Europa do século XIX.

Na época, arqueólogos franceses e britânicos realizavam escavações em antigos centros das civilizações assíria e persa. Em 1886, escavações na cidade persa de Susa revelaram relevos, esculturas e inscrições que rapidamente despertaram fascínio na Europa.

As peças foram levadas ao Museu do Louvre e inspiraram reproduções apresentadas na Exposição Universal de Paris de 1889 — a mesma que marcou a inauguração da Torre Eiffel.

Segundo Treuk, a empresa francesa responsável pela decoração do Salão Assyrio participou dessas exposições e dominava a técnica de reprodução das cerâmicas e relevos persas.

Foi nesse contexto que surgiu a inscrição do Theatro Municipal.

"Quem criou esse painel adaptou uma inscrição antiga e acrescentou a expressão 'do Apadana', indicando claramente a origem da inspiração. Essa frase não existe exatamente dessa forma em nenhum monumento persa conhecido."

Uma peça única no mundo

Para os pesquisadores, a descoberta também revelou algo inesperado: o Salão Assyrio é um patrimônio sem paralelo.

Enquanto as construções inspiradas na Pérsia feitas para as exposições universais europeias eram temporárias, o espaço do Theatro Municipal permanece preservado há mais de um século.

"É uma joia do patrimônio nacional. Não existe nada igual. As instalações europeias desapareceram, e aqui temos um conjunto permanente", afirma Treuk.

Para a direção do teatro, a tradução ajuda a compreender melhor a própria história da construção.

"Essa parceria entre patrimônio, universidade e pesquisa é fundamental. Recuperamos não apenas o significado da inscrição, mas também o contexto histórico que motivou a criação desse espaço", diz Clara Paulino.

Já para Alex Mazzanti, a descoberta foi uma surpresa desde o primeiro momento.

"Recém-chegado ao Rio, encontrei uma inscrição em persa antigo na parede de um teatro. Poder contribuir para compreender melhor a história da cidade e as relações entre o Rio, a França e a antiga Pérsia é extremamente gratificante."

A partir de agora, o texto que permaneceu indecifrado por mais de um século passa a integrar oficialmente a história do Theatro Municipal e das visitas guiadas ao Salão Assyrio.

Inscrição em persa antigo escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século — Foto: Reprodução/TV Globo
Inscrição em persa antigo escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século — Foto: Reprodução/TV Globo

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Novo planeta é descoberto ao redor de estrela jovem após ficar escondido por mais de uma década

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Cientistas identificaram um gigante gasoso frio que permaneceu 'camuflado' nos dados por 11 anos; planeta é o mais tênue já registrado por imagem direta a partir da Terra.
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https://g1.globo.com/ciencia/noticia/

Postado em 15 de Julho de 2.026 às 12h00m
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Esta imagem, fornecida pelo Observatório Europeu do Sul, mostra a região de Beta Pictoris. — Foto: ESO/Digitized Sky Survey 2 via AP
Esta imagem, fornecida pelo Observatório Europeu do Sul, mostra a região de Beta Pictoris. — Foto: ESO/Digitized Sky Survey 2 via AP 

Astrônomos descobriram um planeta de difícil detecção que orbita uma estrela jovem após mais de uma década "escondido" nos dados de observação. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (15).

Em uma coincidência incomum, duas equipes independentes encontraram o mesmo planeta com poucos dias de diferença no fim do ano passado, usando telescópios diferentes. Segundo os pesquisadores, trata-se do planeta mais fraco já registrado por imagem direta a partir da Terra.

Um grupo liderado por cientistas da Escócia e da Alemanha identificou o planeta ao redor da estrela Beta Pictoris usando o Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul, no Chile. Depois, os pesquisadores revisaram arquivos antigos e confirmaram a órbita do astro.

O planeta permaneceu oculto nos dados por 11 anos porque era ofuscado pelo brilho intenso da estrela e de outros dois planetas que a orbitam.

"Foi realmente uma brincadeira de esconde-esconde durante 11 anos", disse Markus Bonse, do Observatório Europeu do Sul e um dos líderes da pesquisa.

A segunda equipe, liderada por pesquisadores da Califórnia, fez a descoberta com o telescópio espacial James Webb, da Nasa. Apenas duas observações foram suficientes para detectar o planeta.

Os resultados dos dois estudos foram publicados na revista científica Astrophysical Journal Letters.

Descoberta por acaso

As duas equipes estudavam planetas que já eram conhecidos no sistema quando encontraram outro, menor e cerca de 100 vezes menos brilhante, em uma órbita mais distante.

Para evitar que uma pesquisa influenciasse a outra, os grupos decidiram manter as descobertas em sigilo até concluírem as análises.

O novo planeta é um pouco maior que Júpiter e leva 91 anos para completar uma volta ao redor da estrela — período ligeiramente superior ao de Urano em torno do Sol.

Segundo Aidan Gibbs, da Universidade da Califórnia em San Diego, o planeta provavelmente se parece com um Júpiter muito jovem. O sistema onde ele se formou tem cerca de 20 milhões de anos, enquanto o Sistema Solar possui aproximadamente 4,5 bilhões de anos.

Para o pesquisador, planetas gigantes já se formaram nesse sistema, mas planetas rochosos menores ainda podem estar em processo de formação.

Sistema planetário em formação

A estrela Beta Pictoris fica a 63 anos-luz da Terra, na constelação austral de Pictor.

De acordo com a Nasa, menos de 100 dos mais de 6 mil exoplanetas já confirmados foram detectados por imagem direta. A maioria foi descoberta pelo método de trânsito, quando o planeta passa em frente à estrela e provoca uma pequena redução em seu brilho.

"Agora construímos um retrato desse planeta e estamos muito animados para descobrir ainda mais sobre ele", afirmou Ben Sutlieff, da Universidade de Edimburgo.

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Análise: Irã tenta fazer Trump ceder pelo relógio eleitoral

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Analistas avaliam que conflito tende a se arrastar e que Trump enfrenta "cilada" diante da posição estratégica do Irã no Estreito de Ormuz Da CNN Brasil
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William Waack

cnnBrasil.com.br/blog.williamwaack
15/07/26 às 10:27 | Atualizado 15/07/26 às 10:27
Postado em 15 de Julho de 2.026 às 11h00m
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Estados Unidos e Irã intensificaram os confrontos, na terça-feira (14), marcada pelo retorno oficial do bloqueio americano a portos iranianos no Golfo Pérsico.

A última rodada de ataques americanos teve início cerca de uma hora antes da retomada do bloqueio, concentrando-se na região do Estreito de Ormuz, em sequência que já soma quatro noites consecutivas de operações militares.

O bloqueio voltou a vigorar sem a proposta do presidente americano, Donald Trump, de cobrar taxas de navios escoltados pela Marinha americana. A ideia foi descartada pelo próprio republicano nesta terça-feira (14), que afirmou não gostar da ideia de pedágios para a navegação na região.

Em seu lugar, sinalizou que países árabes compensarão Washington pelos gastos no conflito por meio de investimentos nos Estados Unidos, sem oferecer maiores detalhes.

Ataques se expandem para além do Kuwait

O Kuwait relatou, horas antes do reinício do bloqueio, que ataques iranianos atingiram um navio da marinha do país, deixando quatro feridos. Ao todo, o Kuwait afirmou ter interceptado um míssil balístico, cinco mísseis de cruzeiro e 33 drones.


Dois oficiais americanos confirmaram à CNN que os Estados Unidos utilizaram mísseis Patriot para interceptar os ataques contra o Kuwait, fragilizando ainda mais um estoque que estimativas apontam ter sido reduzido em quase metade durante o período mais intenso do conflito. Além do Kuwait, o Bahrein também passou a ser alvo de forças iranianas.

O professor da Escola de Guerra Naval Leonardo Mattos avaliou que a Guarda Revolucionária iraniana "esticou demais a corda" ao atacar navios mercantes que trafegavam fora da rota determinada pelo Irã no Estreito de Ormuz.

"Os ataques que a Guarda Revolucionária efetuou contra navios mercantes foram a gota d'água para o Trump tomar uma iniciativa", afirmou Mattos.

Ele destacou ainda que Trump comunicou ao Congresso americano o encerramento do cessar-fogo e a retomada dos ataques, e que, em entrevista à Fox News, sinalizou que as operações prosseguirão nos próximos dias, incluindo alvos de infraestrutura de energia e pontes iranianas.

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O analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna destacou que a Guarda Revolucionária tem cumprido seu objetivo estratégico de manter o controle sobre o Estreito de Ormuz, atacando navios que trafegavam fora da rota reconhecida pelo Irã.

Segundo ele, o Irã ainda possui uma carta importante que não utilizou: a possibilidade de acionar os Houthis para retomar ataques a navios no Mar Vermelho, no Estreito de Bab el-Mandeb.

O analista explicou que um avião iraniano que retornava a Sanaa com comandantes dos Houthis, que haviam participado de funerais do ex-líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, foi alvo de disparos das forças armadas do Iêmen apoiadas pela Arábia Saudita, sendo obrigado a pousar em área controlada pelos Houthis. Esse episódio estaria motivando o grupo a acenar com a possibilidade de voltar a atacar navios no Mar Vermelho.

Lourival lembrou que os ataques anteriores dos Houthis na região forçaram cargueiros a dar a volta pelo Cabo da Boa Esperança — percurso cerca de 6 mil quilômetros mais longo, que adiciona de 10 a 15 dias ao trajeto, encarece o frete e reduz a disponibilidade de contêineres e navios no mundo.

"Essa possibilidade é real e muito perigosa", alertou Leonardo Mattos, lembrando que em 2023 os Houthis afundaram quatro navios mercantes e atingiram mais de 100 embarcações naquela região.

O professor acrescentou que, caso os Houthis retomem os ataques no Mar Vermelho, também seria prejudicada a alternativa que a Arábia Saudita utiliza para escoar seu petróleo por meio de um oleoduto leste-oeste com saída para aquela região.

Analistas veem Trump em "cilada" estratégica

Lourival Sant'Anna avaliou que Trump se encontra numa posição de grande dificuldade. "Trump terá de ceder. É o Trump que tem de ceder, não é o Irã. O Irã está numa posição de força", afirmou o analista.

O analista argumentou que, por mais que os Estados Unidos bombardeiem alvos iranianos, a estratégia já se mostrou ineficaz, e que a situação tende a se arrastar até as eleições de meio de mandato, em novembro, com alternâncias entre narrativas de pacificação e de escalada.

O preço do petróleo chegou a bater US$ 87 durante o dia, recuando levemente para US$ 85 ao final da sessão — reflexo direto das tensões na região.

Leonardo Mattos apontou ainda uma divisão interna no Irã, com uma ala mais moderada, representada por figuras como presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o presidente do parlamento, Mohamed Bagher Ghalibaf, tentando negociar com os Estados Unidos, enquanto setores mais radicais buscam tirar o máximo proveito da vantagem geográfica iraniana no Estreito de Ormuz.

O professor destacou também uma novidade registrada na véspera: o primeiro ataque de drone naval americano contra alvos iranianos, com imagens que circularam nas redes sociais mostrando drones dos EUA atingindo a base naval de Bandar Abbas.

Outro ponto de atenção levantado pelos analistas é o fato de Israel ainda não ter ingressado nessa nova fase de ataques, embora o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tenha declarado que o país está pronto para voltar a atacar o Irã caso seja atacado.

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