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terça-feira, 24 de março de 2026

Análise: Democracia em erosão: o caso dos EUA e o novo normal no mundo

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Relatórios apontam para declínio de sistema político que sempre foi considerado exemplo a ser seguido
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Fernanda Magnotta
PhD especializada em Estados Unidos. Professora da FAAP, pesquisadora do CEBRI e do Inter-American Dialogue. Referência brasileira na área de Relações Internacionais
24/03/26 às 14:41 | Atualizado 24/03/26 às 15:42
Postado em 24 de Março de 2.026 às 16h00m
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Washington, capital dos EUA.  • J. David Ake/Getty Images

Durante décadas, os Estados Unidos foram tratados como a referência normativa da democracia liberal, não apenas pela solidez institucional, mas pela capacidade de projetar esse modelo internacionalmente. Hoje, no entanto, essa narrativa enfrenta um deslocamento profundo.

Relatórios recentes de monitoramento democrático apontam não apenas para uma deterioração, mas para algo mais estrutural: a consolidação de um novo patamar inferior de qualidade democrática.

Um levantamento recente do projeto Bright Line Watch indica que a democracia norte-americana deixou de operar dentro dos parâmetros históricos que a caracterizavam, estabilizando-se em um nível mais baixo de desempenho institucional. A ideia de estabilização, neste caso, não é tranquilizadora: ela sugere que o declínio não é episódico, mas sim incorporado ao funcionamento cotidiano do sistema político.

Esse diagnóstico converge com o mais recente relatório do instituto V-Dem, que trouxe um dado ainda mais contundente: os Estados Unidos deixaram de ser classificados como uma democracia liberal e passaram à categoria de democracia eleitoral.

Em termos práticos, essa reclassificação é significativa. Ela indica que, embora eleições continuem ocorrendo, há déficits relevantes em dimensões como separação de poderes, Estado de direito e garantias civis, pilares que definem a qualidade substantiva de uma democracia.

Mais do que uma queda de posição em rankings, trata-se de uma mudança de natureza. A literatura contemporânea sobre backsliding democrático já alertava que democracias não colapsam necessariamente por rupturas abruptas, mas por erosões graduais, frequentemente conduzidas a partir de dentro das próprias instituições. Nesse sentido, o caso norte-americano reforça uma tendência global mais ampla: a chamada terceira onda de autocratização, marcada por processos incrementalistas e institucionalmente ambíguos.

O elemento mais perturbador, contudo, não reside apenas na deterioração dos indicadores, mas na sua normalização política. Pesquisas indicam que a percepção sobre a qualidade democrática nos Estados Unidos tornou-se profundamente polarizada, com avaliações divergentes conforme alinhamentos partidários.

Esse desalinhamento entre diagnóstico técnico e percepção social reduz a capacidade de reação institucional, criando um ambiente no qual práticas antes consideradas excepcionais passam a ser absorvidas como parte do jogo político.

A interseção entre política doméstica e projeção internacional amplifica esse problema. Historicamente, os Estados Unidos atuaram como um dos principais promotores globais de padrões democráticos. No entanto, a erosão interna fragiliza a legitimidade desse papel, abrindo espaço para alternativas normativas, inclusive de caráter autoritário, no sistema internacional.

Nesse contexto, o debate sobre democracia deixa de ser exclusivamente normativo e passa a ser também estratégico. A reconfiguração da ordem internacional não depende apenas da ascensão de novas potências, mas também da transformação interna das democracias estabelecidas. O que está em jogo não é apenas a posição dos Estados Unidos em rankings, mas a própria capacidade do modelo liberal de se sustentar como referência global.

Em última instância, o caso norte-americano revela um paradoxo central do nosso tempo: a democracia não está desaparecendo, mas está sendo redefinida, muitas vezes para baixo. E, como todo novo padrão que se estabiliza, tende a ser mais difícil de reverter do que de instaurar.

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Análise: Trump não tem mais condições de continuar guerra contra o Irã

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Segundo análise de Lourival Sant'Anna ao CNN Prime Time, os EUA têm dominância militar, mas o Irã possui domínio estratégico do conflito, o que força Trump a negociar em posição desfavorável
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Da CNN Brasil
24/03/26 às 14:57 | Atualizado 24/03/26 às 15:13
Postado em 24 de Março de 2.026 às 15h30m
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O presidente Donald Trump foi forçado a recuar na guerra contra o Irã após não conseguir avanços significativos contra o arsenal iraniano, segundo análise de Lourival Sant'Anna ao CNN Prime Time. O conflito, que parecia intenso nas últimas semanas, agora mostra sinais de desaceleração, com os Estados Unidos buscando uma saída negociada.

De acordo com Sant'Anna, Trump teve que abrir mão de todos os objetivos inicialmente estabelecidos para a guerra. "Ele não conseguiu acabar com o arsenal de mísseis e de drones do Irã, que continua ativo, continua operativo. Não conseguiu assegurar que o Irã não terá nunca mais um programa nuclear", explicou o analista.

"E muito menos a mudança de regime que Trump havia desejado no início", acrescentou.

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A situação evidencia um paradoxo estratégico: enquanto os Estados Unidos possuem dominância militar no conflito, o Irã detém a dominância política e estratégica. Isso ocorre porque o Irã tem maior tolerância à dor e mais capacidade de causar danos insuportáveis aos Estados Unidos, principalmente através do impacto no preço da energia e seu efeito dominó sobre outros produtos.

Negociações em posição de força

O Irã tem negociado em posição de vantagem, exigindo a continuidade da cobrança de pedágio no Estreito de Hormuz - aproximadamente 2 milhões de dólares por cargueiro ou petroleiro - além de garantias de que Israel e Estados Unidos não realizarão novos ataques. Há também indícios de que o país persa estaria buscando reparações de guerra.

"O Irã está com a posição de força nessa negociação e, ao piscar o presidente Trump, porque foi ele que piscou o primeiro, ele demonstra, incentiva o Irã a ter essa atitude", afirmou Sant'Anna. Segundo ele, a negociação estaria sendo conduzida através de Mohammed Kalibaf, presidente do parlamento iraniano, embora este tenha negado publicamente a existência de tratativas.

"A guerra está se desenhando para um fim, com o presidente Trump tendo que criar uma narrativa para evitar a imagem de que ele perder, mas o Trump não tem condições de continuar essa guerra", finalizou Sant'Anna, indicando que a potência americana se vê forçada a aceitar termos menos favoráveis do que esperava inicialmente.

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Irã lança mísseis contra Israel após declarações de Trump sobre negociações

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Explosões abalaram cidades israelenses enquanto forças de defesa reagiram, um dia após o presidente dos EUA comentar possibilidade de acordo
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www.cnnbrasil.com.br
24/03/26 às 08:31 | Atualizado 24/03/26 às 08:31
Postado em 24 de Março de 2.026 às 09h00m
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Carros incendiados em Tel Aviv após mísseis iranianos 24/3/2026 REUTERS/Tomer Appelbaum  • REUTERS

Irã lançou ondas de mísseis contra Israel nesta terça-feira (24), segundo as Forças Armadas israelenses, um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que houve conversações muito boas e produtivascom o objetivo de encerrar o conflito no Oriente Médio.

Três autoridades israelenses de alto escalão, falando sob condição de anonimato, disseram que Trump parecia determinado a fechar um acordo, mas consideravam altamente improvável que o Irã aceitasse as exigências dos EUA em qualquer nova rodada de negociações.

Após o comentário de Trump no Truth Social na segunda-feira (23), o Irã declarou que nenhuma negociação havia sido realizada até então.

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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que conversou com Trump menos de 48 horas antes do início da guerra entre os dois países, deve convocar uma reunião de autoridades de segurança para analisar a proposta de acordo com o Irã, segundo duas autoridades israelenses de alto escalão.

Uma autoridade paquistanesa afirmou que conversações diretas podem ocorrer em Islamabad ainda nesta semana.

Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, após afirmarem que não conseguiram avançar nas negociações para encerrar o programa nuclear iraniano, embora Omã, mediador do processo, tenha relatado progresso significativo.

A crise se intensificou em toda a região. O Irã atacou países que abrigam bases norte-americanas, atingiu importantes instalações de energia e praticamente bloqueou o Estreito de Ormuz, passagem por onde circula cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.

Sirenes de ataque aéreo soam em Tel Aviv

Nesta terça-feira (24), mísseis iranianos dispararam sirenes de alerta aéreo na maior cidade de Israel, Tel Aviv, onde um prédio de apartamentos de vários andares sofreu aberturas no teto e nas fachadas. Não ficou claro de imediato se os danos foram causados por impactos diretos ou por destroços de interceptações.

O Serviço de Bombeiros e Resgate de Israel afirmou que buscava civis presos em um prédio e encontrou pessoas abrigadas em outro edifício danificado.

As Forças Armadas de Israel informaram que seus caças realizaram uma grande ofensiva no centro de Teerã na segunda-feira (23), atingindo centros de comando, incluindo instalações ligadas à inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica e ao Ministério da Inteligência.

Também afirmaram que mais de 50 outros alvos foram atingidos durante a noite, incluindo locais de armazenamento e lançamento de mísseis balísticos.

Os sistemas de defesa aérea foram ativados em Teerã quando explosões foram ouvidas em várias áreas da capital, de acordo com a agência de notícias iraniana Nournews.

Trump anunciou que adiaria por cinco dias um plano para atacar as usinas de energia do Irã, caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz.

O Irã havia prometido responder aos ataques atingindo a infraestrutura dos aliados dos EUA na região.

Irã nega negociações com os EUA

O recuo de Trump fez com que os preços das ações subissem e o petróleo caísse para menos de US$100 por barril.

No entanto, esses ganhos foram ameaçados nesta terça-feira (24), depois que o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf — interlocutor do lado iraniano, segundo autoridades israelenses e outras fontes — afirmou que não houve negociações.

Nenhuma negociação foi realizada com os EUA, e as fakenews são usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro em que os EUA e Israel se encontram, escreveu ele no X.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã, porém, mencionou iniciativas para reduzir as tensões na região.

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