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quinta-feira, 26 de março de 2026

Como bloqueio de Ormuz tem sido lucrativo para o Irã

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Segundo político iraniano, regime tem exigindo 2 milhões de dólares para embarcações passarem "seguras" pelo estreito. País também tem continuado a exportar petróleo e conseguiu até alívio de algumas sanções
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 26 de Março de 2.026 às 13h50m
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Irã diz que vai abrir o Estreito de Ormuz para embarcações “não hostis” — Foto: Benoit Tessier/Reuters
Irã diz que vai abrir o Estreito de Ormuz para embarcações “não hostis” — Foto: Benoit Tessier/Reuters

Ao longo da história, pessoas e grupos influentes sempre encontraram maneiras de lucrar com momentos de crise. Não seria diferente na guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito está prestes a completar um mês, justamente quando os EUA afirmam negociar uma trégua.

Nas últimas semanas, surgiram denúncias de que postos de combustíveis elevaram os preços poucas horas após os primeiros ataques; de que grandes petrolíferas estariam registrando lucros excepcionais com o barril acima de 100 dólares; e também de que seguradoras marítimas aumentaram drasticamente o valor dos prêmios após o bloqueio do Estreito de Ormuz por Teerã.

A acusação mais recente, porém, envolve diretamente um dos participantes do conflito. Segundo relatos, o Irã estaria cobrando até 2 milhões de dólares (R$ 10,45 milhões) de navios que transportam petróleo e gás para permitir uma passagem segura pelo Estreito de Ormuz.

O Lloyd’s List, uma das publicações marítimas mais tradicionais e respeitadas do mundo, informou na semana passada que ao menos uma embarcação já realizou esse pagamento.

Cobrança de "pedágio" em Ormuz?

Se confirmada, essa iniciativa pode transformar um dos gargalos estratégicos mais críticos do planeta — por onde transita um quinto do petróleo e do gás consumidos mundialmente — em um pedágio de alto risco.

Embora vários funcionários iranianos tenham negado a informação, o parlamentar Alaeddin Boroujerdi declarou à TV estatal que as taxas estariam sendo cobradas como parte de um novo regime soberano no estreito, justificadas como uma forma de cobrir custos de guerra.

Segundo Robert Huebert, especialista em relações internacionais da Universidade de Calgary, no Canadá, a cobrança de um pedágio no Estreito de Ormuz violaria o direito marítimo internacional.

"Liberdade de navegação é a base do comércio marítimo internacional, é a capacidade de transitar por essas áreas sem qualquer tipo de obstrução", disse Huebert ao podcast da Energi Media, na última terça-feira (24. "Se você fizer isso [cobrar uma taxa], enfrentará oposição direta de praticamente todos os Estados", complementou.

Com mais de 3,2 mil embarcações retidas, Peter Sand, analista-chefe da empresa de inteligência marítima Xeneta, com sede em Copenhague, minimizou a relevância da cobrança para a reabertura do estreito.

Por mais alta que pareça, [a taxa de 2 milhões de dólares] não é o fator essencial", disse Sand à DW. "O que importa é que ainda não é seguro atravessar [Ormuz]."

Ainda assim, a disposição de grandes importadores de petróleo e gás em negociar diretamente e pagar uma taxa tão alta por navio — somada a seguros já exorbitantes — mostra o grau de desespero de países altamente dependentes de energia para assegurar ao menos um fluxo mínimo pelo estreito.

"Alguns [países] podem querer pagar", acrescentou Sand. "É um último prêmio relativamente pequeno para assegurar algum nível de fornecimento energético contínuo."

Preço do combustível já tem sofrido os reflexos do fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: Rene Traut/Rene Traut Fotografie/picture alliance via DW
Preço do combustível já tem sofrido os reflexos do fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: Rene Traut/Rene Traut Fotografie/picture alliance via DW

Drible nas sanções contra o Irã

O Lloyd’s List afirmou que não está claro como a transação foi realizada, já que o Irã permanece sob sanções internacionais, o que dificulta ao país receber pagamentos em dólares por meio de canais financeiros ocidentais.

A publicação informou que Índia, Paquistão, Iraque, Malásia e China estão negociando diretamente com autoridades iranianas para organizar a passagem segura de seus navios.

A Bloomberg, que também divulgou a cobrança, citou fontes sob anonimato afirmando que várias embarcações já pagaram para atravessar o estreito, embora o pedágio não pareça ocorrer de forma sistemática.

Uma das fontes ouvidas pela Bloomberg acrescentou que Teerã avalia formalizar a taxa como parte de um eventual acordo de paz com Estados Unidos e Israel.

Trânsito facilitado para navios "não hostis"

Em um novo desdobramento, o Irã enviou, na terça-feira (24/03), uma carta aos membros da Organização Marítima Internacional (OMI) informando que passará a permitir que embarcações não hostis atravessem Ormuz, desde que haja coordenação prévia com Teerã.

"Até agora, [o Irã] havia autorizado entre três e cinco travessias por dia", disse Sand. "[Agora Teerã está dizendo:] se você não é inimigo do Irã, o estreito está aberto para você."

Enquanto isso, um porta-voz da OMI disse à DW que a organização trabalha para estabelecer "uma medida provisória e urgente para facilitar a evacuação segura dos navios mercantes atualmente retidos na região do Golfo".

Antes que a crise se agrave ainda mais, a entidade destacou que é crucial proteger a vida e o bem-estar dos marinheiros retidos, ao mesmo tempo em que pressiona para que navios dispostos a transitar por Ormuz possam fazê-lo sem risco de ataques.

Paralelamente, a produção e as exportações de petróleo do Irã seguem sem interrupção. Na semana passada, o governo do presidente dos EUA anunciou uma isenção de sanções de 30 dias para a compra de petróleo iraniano já armazenado em petroleiros, com o objetivo de aliviar a pressão sobre o fornecimento de energia desde o início da guerra entre EUA, Israel e o Irã.

A alta dos preços provocada pelo conflito também tem permitido que Teerã cobre mais por esse petróleo.

Escoltas navais não são uma "solução de longo prazo"

O presidente dos EUA, Donald Trump, vem pressionando os aliados europeus da Otan a participarem de uma missão multinacional de patrulha ou escolta naval no Golfo para proteger a navegação comercial.

Os países europeus, porém, têm resistido a um envolvimento imediato. Ainda assim, muitos deles — incluindo Alemanha, França e Itália — já sinalizaram disposição para contribuir com uma missão de escolta ou patrulha naval assim que os combates ativos cessarem.

A OMI afirmou que, embora escoltas navais já tenham sido usadas anteriormente — inclusive durante os recentes ataques dos houthis, apoiados pelo Irã, contra navios no Mar Vermelho — elas não representam uma solução sustentável ou de longo prazo.

"É necessário encontrar uma solução multilateral para diminuir as tensões e permitir que marinheiros civis e navios sejam evacuados com segurança", disse o porta-voz da entidade.

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IPCA-15: preços sobem 0,44% em março, puxados por alimentação e despesas pessoais

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No acumulado dos últimos 12 meses, o índice registra alta de 3,90%, abaixo dos 4,10% observados no período anterior. Em março de 2025, o IPCA-15 havia sido de 0,64%.
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Por Janize Colaço, g1 — São Paulo

Postado em 26 de Março de 2.026 às 10h00m
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IPCA-15: preços sobem 0,44% em março
IPCA-15: preços sobem 0,44% em março

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador considerado uma prévia da inflação oficial do país, subiu 0,44% em março, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado dos últimos 12 meses, o índice registra alta de 3,90%, abaixo dos 4,10% observados no período anterior. Em março de 2025, o IPCA-15 havia sido de 0,64%.

Mesmo assim, o resultado de março ficou acima do esperado por economistas. As projeções indicavam uma alta mensal de 0,29% e um avanço de 3,74% no acumulado de 12 meses.

O levantamento do IBGE mostra que todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram aumento de preços em março.

A maior alta foi registrada no grupo Alimentação e bebidas, com avanço de 0,88%, o que exerceu o maior peso sobre o resultado do mês. Em seguida aparecem as Despesas pessoais, que incluem gastos como serviços e cuidados pessoais, com aumento de 0,82%.

Veja a variação mensal dos preços por grupos:

  • Alimentação e bebidas: 0,88%
  • Habitação: 0,24%
  • Artigos de residência: 0,37%
  • Vestuário: 0,47%
  • Transportes: 0,21%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,36%
  • Despesas pessoais: 0,82%
  • Educação: 0,05%
  • Comunicação: 0,03%
Alimentação puxa alta dos preços em março

No grupo Alimentação e bebidas, que registrou alta de 0,88%, os preços dos alimentos consumidos em casa subiram com mais força em março. A chamada alimentação no domicílio passou de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março.

Entre os itens que mais contribuíram para essa alta, estão:

  • 🫐 Açaí (29,95%)
  • 🫘 Feijão-carioca (19,69%)
  • 🥚 Ovo de galinha (7,54%)
  • 🥛 Leite longa vida (4,46%)
  • 🥩 Carnes (1,45%)

Por outro lado, alguns produtos ficaram mais baratos no período, como:

  • ☕ Café moído (-1,76%)
  • 🍎 Frutas (-1,31%)

Já a alimentação fora de casa, que inclui gastos em restaurantes, bares e lanchonetes, apresentou uma leve desaceleração: passou de 0,46% em fevereiro para 0,35% em março.

Dentro desse grupo, o preço das refeições subiu 0,31%, abaixo do aumento de 0,62% registrado no mês anterior. Já os lanches tiveram alta maior, passando de 0,28% para 0,50% no mesmo período.

No grupo Despesas pessoais, que avançou 0,82%, o resultado foi influenciado principalmente pelo aumento em serviços bancários (2,12%) e no custo do empregado doméstico (0,59%).

Já no grupo Saúde e cuidados pessoais, que registrou alta de 0,36%, os principais aumentos vieram dos planos de saúde (0,49%) e dos artigos de higiene pessoal, como produtos de cuidado diário, que subiram 0,38%.

Habitação e transportes também pressionam inflação

No grupo Habitação, os preços passaram de 0,06% em fevereiro para 0,24% em março. Parte desse resultado foi influenciada pela energia elétrica residencial, que registrou alta de 0,29%.

O avanço reflete reajustes nas tarifas cobradas por concessionárias no Rio de Janeiro, com aumentos médios de 15,1% e 14,66%, em vigor desde 15 de março.

No grupo Transportes, que subiu 0,21%, o principal destaque foi o aumento das passagens aéreas, que avançaram 5,94% e tiveram o maior impacto individual no resultado do índice no mês.

Também houve aumento no preço do ônibus intermunicipal, que registrou alta de 1,29%. Esse resultado inclui reajustes nas tarifas no Rio de Janeiro, entre 11,69% e 12,61%, em vigor desde 15 de fevereiro, e em Curitiba, com aumento de 7,27%, aplicado a partir de 16 de fevereiro.

Já os combustíveis, de forma geral, tiveram leve queda de 0,03% no período. Os preços do gás veicular (-2,27%), do etanol (-0,61%) e da gasolina (-0,08%) recuaram. Por outro lado, o óleo diesel registrou alta de 3,77%.

Inflação do trimestre

Já o IPCA-E, indicador que corresponde à soma dos resultados do IPCA-15 ao longo de três meses, registrou alta de 1,49% no trimestre. O resultado ficou abaixo dos 1,99% observados no mesmo período de 2025.

Entre os grupos de produtos e serviços pesquisados, as maiores altas no trimestre foram registradas em Educação (5,3%), Saúde e cuidados pessoais (1,85%) e Transportes (1,81%).

Na outra ponta, as menores variações foram observadas em Habitação (0,04%), praticamente estável no trimestre, além de Vestuário (0,33%) e Artigos de residência (1,01%).

Veja a variação trimestral dos preços por grupos:

  • Alimentação e bebidas: 1,40%
  • Habitação: 0,04%
  • Artigos de residência: 1,01%
  • Vestuário: 0,33%
  • Transportes: 1,81%
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,85%
  • Despesas pessoais: 1,30%
  • Educação: 5,30%
  • Comunicação: 1,15%
inflação, consumo, mercado, preços, economia, alimentos, supermercado — Foto: Adriana Toffetti/Ato Press/Estadão Conteúdo
inflação, consumo, mercado, preços, economia, alimentos, supermercado — Foto: Adriana Toffetti/Ato Press/Estadão Conteúdo
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Irã controla entra e sai do Golfo Pérsico por ilhas no Estreito de Ormuz

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Dados da Lloyd's List apontam tráfego de embarcações autorizadas próximo à costa iraniana; Teerã reinvidica controle mesmo após a guerra
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Henrique Sales Barros, da CNN Brasil*, em São Paulo
26/03/26 às 03:00 | Atualizado 26/03/26 às 03:00
Postado em 26 de Março de 2.026 às 05h00m
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Larak e Qeshm: é por meio destas duas ilhas que o Irã vem controlando quem pode cruzar o Estreito de Ormuz, seja em direção aos portos petrolíferos do Golfo Pérsico, seja rumo às rotas marítimas globais.

Segundo a plataforma de dados e informações marítimas Lloyd's List, de 13 a 25 de março, 26 embarcações atravessaram o estreito entre as duas ilhas, sob autorização da Guarda Revolucionária do Irã.

A Guarda é o braço militar do regime iraniano que vem ameaçando e atacando - com drones e mísseis - embarcações que tentam cruzar o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da oferta habitual de petróleo e gás natural do mercado global.

Ainda de acordo com a Lloyd's List, algumas embarcações pagaram uma espécie de pedágio em moeda chinesa (yuan) para cruzar o estreito, mas a maioria estaria conseguindo atravessar a região apenas com base em uma avaliação política e diplomática das forças iranianas.

A autorização de passagem por uma rota específica, junto a uma escolta por lanchas da Guarda Revolucionária, é o que garantiria que um navio passe pelo estreito sem sofrer ataques.

Antes da guerra em curso no Oriente Médio, o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz costumava ocorrer ao sul destas ilhas, próximo à península de Musandan, no Omã.

Ilustração via Infogram
Ilustração via Infogram

"O Estreito de Ormuz não está completamente fechado. Está fechado apenas para os nossos inimigos", afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em entrevista a uma TV estatal iraniana nesta quarta-feira (25).

Segundo o ministro, embarcações ligadas a países como China, Rússia, Paquistão, Iraque, Índia e Bangladesh teriam conseguido passar pelo estreito.

"São países que conversaram e coordenaram ações conosco, e isso continuará no futuro também - mesmo depois da guerra", acrescentou Araghchi.

O Irã tem reivindicado a soberania do país sobre o estreito como uma condição para chegar a um acordo com os Estados Unidos e pôr fim à guerra em curso no Oriente Médio.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já sugeriu que toleraria um controle conjunto com o Irã sobre Ormuz caso ambas as partes alcancem um acordo de cessar-fogo, via uma "negociação" que vem sendo alardeada por Washington.

O Irã têm negado qualquer negociação em curso e dito que há apenas "trocas de mensagens" por meio de países intermediadores com trânsito nos dois lados - como o Paquistão.

Também via Paquistão, Washington apresentou 15 pontos para um eventual acordo com pontos inaceitáveis para o Irã, como o reconhecimento do Estado de Israel e restrições ao programa de mísseis balísticos da República Islâmica.

Em resposta, o Irã também apresentou questões inaceitáveis para Washington, como o ressarcimento por danos causados pela guerra e garantias de que não será novamente atacado nem pelos EUA, nem por Israel.

Apesar de a Casa Branca falar em "negociações" em curso, na semana passada, dois grupos de embarcações de guerra americanos capitaneados por navios de assalto anfíbio estavam em direção às águas do Oriente Médio.

Os navios de assalto anfíbio USS Boxer e USS Trípoli, com 5 mil fuzileiros navais ao todo, podem operar como "mini porta-aviões" e também servir de base para lançar militares em uma incursão terrestre a partir do mar, por meio de veículos anfíbios.

Além destas embarcações, cerca de mil militares da 82ª Aerotransportada do Exército, com paraquedistas capazes de fazer assaltos aéreos, devem ser enviados para o Oriente Médio nos próximos dias.

Em meio a estes envios, o Irã tem reforçado militarmente a Ilha de Kharg, que fica Golfo Pérsico à dentro e de onde sai cerca de 90% das exportações petrolíferas iranianas.

Ilustração via Infogram
Ilustração via Infogram

O Irã tem investido em mais militares, sistemas de defesa antiaérea e minas antipessoais e antitanque em Kharg. Uma ocupação da ilha poderia ser um contraponto americano ao controle iraniano sobre Ormuz.

* Com informações da CNN e da Reuters

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