Total de visualizações de página

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Desemprego sobe a 6,1% no trimestre até março, mas mantém mínima histórica para o período

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


A taxa avançou no trimestre, com aumento do número de desocupados, mas segue abaixo do nível de um ano antes; renda e ocupação mostram desempenho positivo na comparação anual.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Por Janize Colaço, g1 — São Paulo

Postado em 01 de Maio de 2.026 às 18h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
#.* --  Post. - Nº.\  12.248 --  *.#

Desemprego sobe para 6,1% no 1º trimestre
Desemprego sobe para 6,1% no 1º trimestre

A taxa de desocupação ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, segundo a PNAD Contínua divulgada nesta quinta-feira (30) pelo IBGE. O resultado veio em linha com as expectativas do mercado e é o menor nível já registrado para esse período do ano desde o início da série, em 2012.

Apesar disso, o número de pessoas sem trabalho aumentou no curto prazo. Ao todo, 6,6 milhões estavam desocupadas, alta de 19,6% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a mais 1,1 milhão de pessoas.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, porém, houve queda de 13%, com 987 mil pessoas a menos nessa condição.

Já o total de ocupados somou 102 milhões. Esse contingente recuou 1,0% no trimestre, mas avançou 1,5% em relação ao ano anterior, indicando uma recuperação ao longo de períodos mais longos.

Esse movimento também aparece no nível de ocupação, que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada. O indicador ficou em 58,2%, com queda de 0,7 ponto percentual frente ao trimestre anterior e alta de 0,4 ponto na comparação anual.

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, a variação está associada a fatores típicos do início do ano, quando alguns setores passam por ajustes no número de trabalhadores.

No comércio, por exemplo, a perda de pessoal se concentrou principalmente em ocupações como vendedores, balconistas e atendentes. Houve também um movimento na educação fundamental, especialmente na rede pública municipal, ligado ao ciclo de contratos temporários, explicou.

Para a pesquisadora, esse padrão costuma se repetir nesse período e ajuda a entender os resultados. Esse é um comportamento que, de modo geral, ocorre nos primeiros trimestres de cada ano, e este não foi diferente.

Já a taxa composta de subutilização ficou em 14,3% no trimestre encerrado em março. O indicador subiu 0,9 ponto percentual em relação ao período anterior, mas recuou 1,6 ponto na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

Ao todo, 16,3 milhões de pessoas estavam nessa condição. Esse contingente aumentou 6,6% no trimestre, com mais 1 milhão de pessoas, mas caiu 10,1% em um ano, o equivalente a 1,8 milhão a menos.

Veja os destaques da pesquisa

  • Taxa de desocupação: 6,1%
  • População desocupada: 6,6 milhões de pessoas
  • População ocupada: 102 milhões
  • População fora da força de trabalho: 66,5 milhões
  • População desalentada: 2,7 milhões
  • Empregados com carteira assinada: 39,2 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,3 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 26 milhões
  • Trabalhadores informais: 38,1 milhões
  • Taxa de informalidade: 37,3%

Entre os grupos que compõem esse indicador, o número de pessoas que trabalham menos horas do que gostariam ficou em 4,4 milhões, sem variações relevantes nas duas comparações.

Já a população fora da força de trabalho somou 66,5 milhões, estável no trimestre e com alta de 1,3% em um ano, o que representa mais 841 mil pessoas.

A população desalentada, que reúne aqueles que desistiram de procurar emprego, ficou em 2,7 milhões. Esse grupo não apresentou mudança significativa no trimestre, mas recuou 15,9% na comparação anual, com 509 mil pessoas a menos.

  • 🔎 Os desalentados são pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por acharem que não encontrariam, por falta de qualificação ou de oportunidades na região onde moram, por exemplo.
Vínculos, informalidade e renda

O número de trabalhadores no setor privado somou 52,4 milhões no trimestre encerrado em março. Esse total recuou 1,0% em relação ao período anterior, com menos 527 mil pessoas, mas avançou 1,1% na comparação anual, o equivalente a 583 mil a mais.

Dentro desse grupo, o emprego com carteira assinada permaneceu estável no trimestre, em 39,2 milhões, e cresceu 1,3% em um ano. Já os sem carteira, de 13,3 milhões, caiu 2,1% no trimestre e não apresentou variação relevante na comparação anual.

No setor público, o número de ocupados ficou em 12,7 milhões, com queda de 2,5% no trimestre e alta de 3,7% em um ano. Entre os trabalhadores por conta própria, o total chegou a 26,0 milhões, estável no trimestre e com crescimento de 2,4% na comparação anual.

A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores. O índice recuou em relação ao trimestre anterior e também na comparação com o mesmo período do ano passado.

Os rendimentos seguiram em alta. O ganho médio habitual chegou a R$ 3.722, com avanço de 1,6% no trimestre e de 5,5% em um ano, atingindo o maior valor da série.

Esse movimento também se refletiu no total de rendimentos pagos à população. A massa de renda somou R$ 374,8 bilhões, estável no trimestre e 7,1% maior na comparação anual, também no maior nível já registrado.

Renda avança em alguns setores

O rendimento médio mensal apresentou aumento em poucos setores na comparação com o trimestre anterior. As altas ficaram concentradas em comércio e em atividades ligadas ao setor público, enquanto os demais segmentos não registraram mudanças relevantes.

Entre os destaques do trimestre:

  • 🛒 Comércio e reparação de veículos: alta de 3,0% (mais R$ 86)
  • 🏛️ Administração pública, educação e saúde: alta de 2,5% (mais R$ 127)

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço da renda foi mais disseminado e atingiu diferentes áreas da economia. Nesse caso, seis grupos apresentaram crescimento, enquanto os demais permaneceram sem variação significativa.

Os principais aumentos foram registrados em:

  • 🏗️ Construção: alta de 4,5% (mais R$ 124)
  • 🛒 Comércio e reparação de veículos: alta de 3,9% (mais R$ 113)
  • 💻 Informação, comunicação e atividades financeiras e profissionais: alta de 5,9% (mais R$ 291)
  • 🏛️ Administração pública, educação e saúde: alta de 4% (mais R$ 198)
  • 🧰 Outros serviços: alta de 11,4% (mais R$ 320)
  • 🏠 Serviços domésticos: alta de 4,9% (mais R$ 66)
Sinais de acomodação no mercado de trabalho

Apesar da alta do desemprego no trimestre, economistas avaliam que alguns indicadores sugerem uma leve perda de fôlego.

Para André Valério, economista sênior do Inter, a leitura exige cautela. Ele reforça que o resultado reflite a sazonalidade do período e, ao retirar esses efeitos, ele identifica uma desaceleração gradual.

Vemos a continuidade da tendência de moderação do mercado de trabalho, com a taxa alcançando 5,7% em março, o maior valor desde setembro de 2025 nessa métrica, afirmou.

Na avaliação do economista, o cenário segue positivo, mas com sinais mistos: a renda continua em alta, com avanço de 1,6% no trimestre e novo recorde, enquanto o número de desempregados cresce e a população ocupada recua.

Já Maykon Douglas ressalta que a alta do desemprego no início do ano é comum, sobretudo após o fim de contratos temporários. Ao mesmo tempo, destaca que a ocupação segue em expansão e a renda mantém ritmo consistente.

A massa salarial voltou a se acelerar, com crescimento real próximo de 6,4% em base anual, disse.

Para os próximos meses, a expectativa é de desaceleração gradual, sem uma reversão brusca. Segundo Douglas, mesmo com fatores que podem limitar o crescimento, como o cenário externo e a política de juros, o mercado de trabalho deve seguir resiliente, ainda que em ritmo mais moderado.

Carteira de trabalho vaga de emprego Sine Maceió — Foto: Jonathan Lins
Carteira de trabalho vaga de emprego Sine Maceió — Foto: Jonathan Lins

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Irã danificou maioria das instalações militares dos EUA no Oriente Médio

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Levantamento se baseou em dados de satélite e entrevistas com fontes nos EUA e no Golfo
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Thomas Bordeaux, Haley Britzky, Tamara Qiblawi e Allegra Goodwin, da CNN
01/05/26 às 15:14 | Atualizado 01/05/26 às 15:14
Postado em 01 de Maio de 2.026 às 15h40m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
#.* --  Post. - Nº.\  12.247 --  *.#


Imagem de satélite mostra a base americana "Tower 22", na Jordânia, que foi alvo de ataque de drone que matou 3 militares dos EUA.  • Planet Labs PBC

Uma investigação da CNN revelou que o Irã e seus aliados danificaram pelo menos 16 instalações militares americanas em oito países do Oriente Médio, tornando algumas dessas posições praticamente inutilizáveis.

O relatório baseou-se em dezenas de imagens de satélite e entrevistas com fontes nos Estados Unidos e em países árabes do Golfo. As instalações danificadas representam a maioria das posições militares americanas na região, segundo um assessor do Congresso familiarizado com as avaliações de danos.

Houve uma gama de avaliações, disse a fonte. Desde uma visão bastante dramática, de que toda a instalação foi destruída e precisa ser fechada, até líderes que afirmam que vale a pena reparar essas estruturas devido ao benefício estratégico que elas proporcionam aos EUA.

"Nunca vi nada parecido", disse outra fonte americana familiarizada com a situação.
Imagens de satélite mostraram que os principais alvos de Teerã incluíam sistemas de radar avançados, sistemas de comunicação e aeronaves. Muitos desses recursos são caros e difíceis de substituir.



É notável que eles tenham identificado essas instalações como os alvos mais econômicos para atingir, disse o assessor do Congresso. Nossos sistemas de radar são nossos recursos mais caros e mais limitados na região.

Na quarta-feira (29), o controlador do Pentágono, Jules Jay Hurst III, disse aos legisladores que a guerra com o Irã custou aos EUA até o momento US$ 25 bilhões. Uma fonte familiarizada com o assunto disse posteriormente à CNN que a estimativa real do custo está mais próxima de US$ 40 a 50 bilhões .

Os aliados dos EUA no Golfo que abrigam instalações militares americanas têm suportado o peso dos ataques do Irã e criticaram Washington em privado por iniciar a guerra sem consultá-los.

A guerra mostrou que a aliança com os EUA não pode ser exclusiva nem inabalável, disse uma fonte saudita à CNN.

CNN Brasil Siga a CNN Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Tópicos


--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Análise: Sul senta-se à mesa do Norte sem pedir licença pela 1ª vez

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Acordo provisório de comércio entre Mercosul e União Europeia começa a produzir efeitos nesta sexta-feira (1°); data pode até parecer técnica, mas raras vezes uma decisão aduaneira carregou tanta história dentro de si
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
José Manuel Diogo
O homem de lá e de cá. Presidente da APBRA, diretor da Câmara Luso Brasileira em Lisboa. Professor universitário no IDP em Brasília. Escritor. Especialista em relações luso-brasileiras
01/05/26 às 11:20 | Atualizado 01/05/26 às 11:22
Postado em 01 de Maio de 2.026 às 11h45m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
#.* --  Post. - Nº.\  12.247 --  *.#

Acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia
Acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União EuropeiaMercosul-UEMercosul UE  • Ilustração ge

O acordo interino de comércio entre Mercosul e União Europeia entrou em aplicação provisória. O detalhe jurídico importa: trata-se, por enquanto, do pilar comercial, não ainda da plenitude política do acordo. Mas a força simbólica e estratégica do gesto já ultrapassa a linguagem dos regulamentos.

Depois de mais de 25 anos de negociações, Europa e América do Sul começam a operar dentro de uma zona econômica de cerca de 700 milhões de pessoas, com reduções tarifárias graduais, novas regras de acesso a mercados e impacto direto sobre indústria, agricultura, serviços, compras públicas, investimentos e cadeias produtivas.

A principal questão que emerge desta data é simples e ao mesmo tempo brutal: será que o Sul entra nesta mesa como fornecedor barato de commodities ou como sujeito estratégico de uma nova ordem atlântica?

Durante séculos, o Atlântico foi uma via de extração. Por ele passaram impérios, escravidão, açúcar, ouro, café, ideias, exílios, línguas e capitais.

A Europa acostumou-se a olhar para a América do Sul como prolongamento, promessa, mercado ou problema. A América do Sul, por sua vez, habituou-se a negociar com o que era visto como "centro", carregando a memória de ter sido periferia.

Leia Mais:

O acordo Mercosul-União Europeia só será transformador se romper essa coreografia antiga. A mesa agora existe. A igualdade, porém, não nasce da assinatura: nasce da capacidade de transformar um novo acesso em um novo futuro.

Para o Brasil, a questão é maior do que vender mais. O país pode ampliar exportações, diversificar parceiros, reduzir custos para produtores e consumidores e criar novas oportunidades para empresas e trabalhadores, como reconhece o próprio governo brasileiro.

Mas a grande oportunidade está além da estatística comercial. Está em decidir se o Brasil vai entrar no acordo apenas com soja, carne, minério e escala territorial, ou se entrará também com indústria verde, bioeconomia, tecnologia agrícola, energia limpa, cultura, design, serviços, universidades, marcas e inteligência diplomática.

Para a Europa, o acordo também revela uma urgência. Num mundo pressionado pela rivalidade entre Estados Unidos e China, por guerras comerciais, cadeias de abastecimento instáveis e disputa por minerais críticos, alimentos, energia e influência, aproximar-se do Mercosul deixou de ser gesto romântico de multilateralismo. Passou a ser necessidade estratégica.

A agência Reuters interpretou a aceleração do pacto também como resposta europeia às tarifas norte-americanas e à dependência excessiva da China. O que antes parecia integração distante tornou-se política de sobrevivência econômica.



É aqui que Portugal, por exemplo, deveria prestar atenção com menos cerimônia e mais ambição. Portugal não pode olhar para este acordo apenas como país europeu com memória brasileira. Pode ser plataforma, tradutor, corredor, advogado, investidor, curador e operador atlântico.

Lisboa, Porto, São Paulo, Brasília, Buenos Aires, Montevidéu e Bruxelas deixam de ser pontos separados num mapa diplomático e passam a formar uma malha possível de negócios, cultura, inovação, turismo, língua e circulação de talento.

O Tratado de Tordesilhas dividiu o mundo no papel; este acordo pode, se houver inteligência, começar a reuni-lo na prática.

Mas haverá resistências. Agricultores europeus temem concorrência; países como França e Polônia levantam objeções; há disputas ambientais, sanitárias e jurídicas ainda em curso.

Esses conflitos não diminuem o acordo. Pelo contrário: provam que ele mexe em interesses reais. Acordos irrelevantes não incomodam ninguém. Só os acordos que redistribuem poder geram medo, lobby e tribunais.

A grande ingenuidade seria celebrar este primeiro dia de maio como se a história estivesse resolvida. A grande miopia seria tratá-lo como assunto de despachantes, ministérios e tabelas tarifárias.

O que começa agora é uma disputa pela qualidade da inserção. Quem chegar apenas com produtos venderá produtos. Quem chegar com estratégia construirá dependências virtuosas. Quem chegar com cultura criará reputação. Quem chegar com tecnologia criará futuro. Quem chegar distraído será absorvido.

Pela primeira vez nesta escala, o Norte e o Sul sentam-se à mesma mesa atlântica com instrumentos jurídicos capazes de produzir interdependência concreta. Mas uma mesa não garante respeito. Uma cadeira não garante voz. Um acordo não garante grandeza. O Mercosul terá de provar que é mais do que território e abundância.

A Europa terá de provar que aprendeu a negociar sem nostalgia imperial. Portugal terá de provar que a sua vocação atlântica é projeto, não discurso.

O 1º de maio de 2026 não inaugura apenas uma zona de comércio. Inaugura um teste de maturidade histórica. O Sul chegou à mesa. Agora precisa falar como quem sabe o valor do que traz.

CNN Brasil Siga a CNN Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Tópicos

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Para depender menos do petróleo, China aposta em energias renováveis e nos carros elétricos

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


O plano chinês prevê trocar os postos de gasolina pelas tomadas. São mais de 30 milhões de carros elétricos rodando pelo país hoje - a maior frota do mundo. O JN foi até Cantão, a cidade que está no centro dessa transformação.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Por Jornal Nacional

Postado em 01 de Maio de 2.026 às 06h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
#.* --  Post. - Nº.\  12.246 --  *.#

JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos
JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos

Para depender menos do petróleo, a China aposta cada vez mais em energias renováveis e nos carros elétricos. Cantão é a cidade que está no centro dessa transformação.

Estamos no quarto dia da nossa viagem, que começou por Xangai, a gente foi até Hangzhou, depois Pequim e ontem, depois de entrar ao vivo aqui no Jornal Nacional do alto da Muralha da China, pegamos um avião e viemos até o sul. Quando os portugueses saíram de barco pelo mundo na época das navegações, foram tanto para o Brasil, quanto deram a volta lá embaixo da África, entraram aqui no mar da Ásia e foram parar em uma ilha que fica na foz desse rio. A Ilha de Macau. Até hoje, o português é lá um dos idiomas oficiais. Quando os chineses viram os portugueses chegando ali, disseram: 'Não. Se vocês quiseram fazer comércio com a gente, vão ter que subir aqui o Rio das Pérolas e ir até a cidade de Guangzhou'. Os portugueses ouviram essa palavra e falaram: 'Ah, tá. Cantão'. Por isso, ficou até hoje o nome dessa cidade aportuguesada para a gente", conta o correspondente Felipe Santana.

O Porto de Cantão é um porto mítico para os europeus porque foi a única porta de entrada na China por séculos. Para os chineses era conveniente porque o rio vai para o interior da China e descia por lá chá, porcelana, seda. Com o passar do tempo, os ocidentais obrigaram os chineses a abrirem outros porto de comércio - depois de guerras.

Os chineses entraram na pobreza por séculos. Mas, agora, Cantão está de volta. Mantém a vocação portuária, mas agora exportando um outro tipo de produto: placas solares, turbinas eólicas, baterias mais eficientes. Cantão exporta hoje para o mundo uma ideia: que a gente pode depender menos do petróleo. O que pode estar, nesse momento, decidindo o futuro.

Cantão

Cantão, na China — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Cantão, na China — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

É impressionante ouvir as cidades chinesas. E o som vem da cor das placas dos carros.

Vamos aproveitar aqui que o sinal fechou. Olha só. Placa verde. Atrás, outra placa verde. Ali, mais uma placa verde. Cada vez mais, a gente vê placas verdes na China. Sabe qual é a diferença? Se você quiser uma placa verde, é grátis. Agora, se quiser uma azul, como a desse carro aqui, tem que pagar R$ 60 mil. Qual você quer?, diz o correspondente Felipe Santana.

O porém é que placa verde é só para carros elétricos, e a placa azul é para os carros a combustão. Muita gente que ganhou dinheiro na China nos últimos anos ainda sonha com um carro a gasolina importado. Mas cada vez mais gente troca o roncar do motor pela suavidade da energia limpa. É parte de um grande plano ambicioso chinês: de trocar os postos de gasolina pelas tomadas. São mais de 30 milhões de carros elétricos rodando pelo país hoje - a maior frota do mundo.

A cidade de Cantão já foi para a China o que Detroit foi para os Estados Unidos: o grande polo automobilístico. A cidade que abriu a China para o mundo foi a mesma que abraçou o carro como símbolo de modernidade, quando os chineses começaram a fazer parcerias com montadoras internacionais para fabricar lá modelos estrangeiros. Com o tempo, eles passaram a copiar os modelos desses carros que fabricavam. Mas quando o país entrou na Organização Mundial do Comércio, precisava obedecer a regras internacionais de propriedade intelectual.

Mas não é só isso. A China importa 70% de todo o petróleo que consome. Percebeu que ficaria muito dependente do exterior se todos os seus habitantes tivessem que colocar gasolina no carro. Desde os anos 2000, o governo chinês considera o petróleo um risco geopolítico e depois, em 2015, virou plano econômico: depender menos do petróleo e eletrificar ao máximo a economia chinesa.

Para depender menos do petróleo, China aposta em energias renováveis e nos carros elétricos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Para depender menos do petróleo, China aposta em energias renováveis e nos carros elétricos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

É como se eles estivessem prevendo o futuro. Em janeiro de 2026, os Estados Unidos atacaram a Venezuela e prenderam Nicolás Maduro, que exportava petróleo para a China. Menos de dois meses depois, com Israel, bombardearam o Irã, que também exporta petróleo para a China. Com o Estreito de Ormuz fechado, países como Sri Lanka e Mianmar têm que fazer racionamento de combustível. As Filipinas instituíram semanas de trabalho de quatro dias no serviço público para economizar gasolina. Bangladesh fechou as universidades para conservar energia para as casas das pessoas. O preço das passagens aéreas no mundo inteiro disparou.

A China continua exposta ao impacto da alta do barril de petróleo. Mas agora menos do que antes. Por causa dos carros elétricos, mas também pelo desenvolvimento de placas solares e turbinas eólicas, e na produção de baterias que duram mais e são mais eficientes. A avaliação das três maiores empresas de baterias elétricas do país subiu 20% com a guerra. E com as tecnologias mais baratas, o mundo corre atrás de comprá-las para se proteger da dominância histórica do petróleo. Por exemplo, o Paquistão gerava apenas 3% de sua energia de placas solares em 2020. Agora já são 30%.

Além de ser um guarda-chuva geopolítico, o plano chinês de eletrificação pega bem para o resto do mundo. Imagina que um dia você poderia acordar e ver o céu de Cantão sem poluição. Agora, eles resolveram o problema da poluição. Ou quase, porque mandaram as usinas de carvão para longe das cidades. A queima do carvão ainda é a principal fonte de toda essa energia elétrica - e continua aumentando.

Para depender menos do petróleo, China aposta em energias renováveis e nos carros elétricos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Para depender menos do petróleo, China aposta em energias renováveis e nos carros elétricos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Mas a China quer, hoje, se apresentar como o eletroestado, em comparação aos Estados Unidos, que se firmam como o grande petroestado. Mas o verde que queremos ver não é só por fora. A China ainda é a maior emissora de gases do efeito estufa no mundo todo. São esses gases que fazem o planeta ficar mais quente e causam as mudanças climáticas. Mais de 60% da energia gerada no país vêm de combustíveis fósseis, que impulsionam esse processo, como o carvão e o petróleo.

Ainda há um longo caminho a ser seguido se a proposta for não só estar mais protegido das ações de Donald Trump, mas também garantir um futuro melhor para a humanidade. Para isso, o trabalho continua em Cantão, como motor da transição energética e polo de exportação na foz do Rio das Pérolas. De ancestral porta histórica para o mundo, à porta de saída de um novo modelo econômico, com cada vez mais placas verdes.

Nesta sexta-feira (1º), o Jornal Nacional chega a Shenzhen, cidade é considerada o Vale do Silício da China e está na dianteira da fabricação de robôs.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------