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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Petróleo, inflação e bolsas: os estragos econômicos deixados pela guerra entre EUA e Irã

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Conflito provocou disparada da commodity e uma série de consequências relacionadas. Com o acordo de paz, economistas tentam estimar quando a normalização começará a aparecer.
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Por Isabela Bolzani, Micaela Santos, g1 — São Paulo

Postado em 19 de Junho de 2.026 às 08h00m
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Trump e presidente do Irã assinam acordo de paz, que já está em vigor
Trump e presidente do Irã assinam acordo de paz, que já está em vigor

O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã encerra um conflito de quase quatro meses no Oriente Médio. Independentemente das motivações questionáveis do presidente americano, Donald Trump, fato é que a guerra prejudicou a economia global.

A interrupção do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz provocou uma série de problemas. O preço da commodity disparou, os combustíveis e seus derivados pressionaram a inflação em vários países, e as perspectivas futuras para a economia se deterioraram.

Resultado é que os preços subiram para o consumidor, enquanto o mercado financeiro acumulou perdas com a revisão das estratégias de investimento. Nesse cenário, as bolsas de valores caíram e o dólar se fortaleceu.

Agora, com o fim do conflito, economistas tentam estimar quando a economia dará sinais de normalização. O g1 listou os principais efeitos da guerra sobre a economia e as possíveis saídas para a recuperação.

Veja nesta reportagem os principais impactos em:

  • Alta nos preços do petróleo e de combustíveis
  • Alta na inflação dos EUA e queda na popularidade de Trump
  • Os efeitos no Brasil
  • Impactos no mercado financeiro
  • Piora nas projeções de crescimento da economia global
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala durante cerimônia no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., em 10 de junho de 2026. — Foto: Ken Cedeno/AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala durante cerimônia no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., em 10 de junho de 2026. — Foto: Ken Cedeno/A
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Alta nos preços do petróleo e de combustíveis

O conflito foi marcado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo e 25% do gás natural comercializados no mundo. Após o início dos ataques, o preço do barril quase dobrou, passando de cerca de US$ 70 para quase US$ 120.

Analistas chegaram a classificar o episódio como o maior choque petrolífero já registrado, superando as crises de 1973, 1979 e 2022. Para ampliar a oferta da commodity e conter o disparo dos preços, a Agência Internacional de Energia (IEA) realizou a maior liberação emergencial de estoques de sua história.

Ainda assim, a alta do petróleo não foi amortecida o suficiente e pressionou a inflação em diversos países. O impacto atingiu primeiro os combustíveis e seus derivados e, em seguida, se espalhou pelos transportes, pela indústria e até pela produção agrícola:

🛢️ Com o anúncio do acordo de paz nesta semana, o mercado começou a se estabilizar. Nesta quinta-feira (18), o petróleo Brent recuou para US$ 78,33 por barril, aliviando parte das pressões sobre a inflação. No início da manhã de sexta-feira, o petróleo Brent estava cotado a US$ 79,68 por barril, após cancelamento do encontro na Suíça. Ainda assim, está quase US$ 10 mais caro que antes do início do conflito.

Alta na inflação dos EUA e queda na popularidade de Trump

O presidente americano iniciou o segundo mandato prometendo reduzir o custo de vida. Mas, também nos EUA, a alta do petróleo elevou o preço dos combustíveis — um dos itens mais sensíveis para o eleitorado de Trump.

O preço médio do galão de gasolina nos EUA saltou de cerca de US$ 2,98 para mais de US$ 4.

Em maio, a inflação ao consumidor chegou a 4,2% no acumulado em 12 meses, o maior patamar em três anos. O índice se afastou ainda mais da meta de 2% do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

Como o Fed utiliza os juros para controlar a inflação, a instituição manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na reunião de quarta-feira (17), adiando ainda mais a esperada redução nos EUA.

Esse baque econômico provocou uma queda ainda mais acentuada na aprovação de Trump.

  • Em 2025, a aprovação de Donald Trump havia recuado de 42% em abril para 40% em julho, em meio aos efeitos do tarifaço imposto aos parceiros comerciais dos EUA.
  • Com a guerra e uma nova aceleração da inflação, sua popularidade atingiu o pior nível do segundo mandato em abril deste ano, chegando a 34% de aprovação.

Pesquisas da Reuters/Ipsos mostraram que 63% dos americanos desaprovavam o governo, enquanto apenas 36% o aprovavam. Na área econômica, a aprovação era ainda menor, de 27%, o pior resultado da série histórica do instituto.

🛢️ O recuo dos preços da gasolina nas últimas semanas trouxe uma melhora modesta. A aprovação da atuação de Trump no combate ao custo de vida subiu de 22% para 24%, mas o presidente segue bem abaixo dos níveis registrados no início do mandato.

Veja mais na reportagem abaixo:

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que os preços do diesel e da gasolina no Brasil chegaram a acumular altas de 23,6% e 8%, respectivamente, nos últimos meses — e não demorou até que o consumidor sentisse o efeito disso no bolso.

O governo chegou a anunciar um pacote de medidas para conter os preços dos combustíveis nas bombas, mas não conseguiu evitar os impactos sobre o custo do frete, por exemplo — o que gerou um efeito em cadeia e pressionou os preços de diversos itens da cesta de consumo.

  • ➡️ O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, acumula alta de 3,20% no ano até maio. Em 12 meses, o índice avançou 4,72%, acima do teto da meta para 2026, de 4,5%.

Com a pressão sobre os preços e a incerteza provocada pela guerra nos últimos meses, as projeções do mercado financeiro para os juros também pioraram.

O Boletim Focus da última segunda-feira (15) mostra que os economistas do mercado esperam uma taxa Selic de 13,75% ao ano em 2026, um aumento de 0,25 ponto percentual (p.p.) em relação à semana anterior.

  • 🔎 Isso significa que o mercado espera juros elevados por mais tempo, o que deve continuar encarecendo o crédito e pode limitar o consumo das famílias brasileiras.

Entre os principais setores da economia, os efeitos foram variados. De um lado, exportadores de petróleo se beneficiaram com a alta das cotações. Por outro, segmentos dependentes da commodity sentiram o impacto nos preços de derivados.

O resultado é uma pressão generalizada sobre a economia brasileira, com efeitos que vão do bolso do consumidor ao desempenho dos setores produtivos.

Veja os impactos da guerra pelo mundo

As incertezas sobre a duração do conflito e seus impactos na economia global também se refletiram nos mercados de câmbio e de ações ao redor do mundo.

Como costuma ocorrer, o início da guerra trouxe uma valorização do dólar. Isso acontece porque a moeda americana é vista como um dos ativos mais seguros do mundo e costuma ser a preferência dos investidores em momentos de incerteza, como forma de proteger suas aplicações.

No Brasil, o dólar atingiu o maior nível do ano em 13 de março, mês seguinte ao início do conflito, ao ser cotado a R$ 5,3142, impulsionado pela alta do petróleo. Nos meses seguintes, o cenário começou a mudar, à medida que as incertezas iniciais se dissiparam e o mercado passou a ter mais clareza sobre quais países e setores seriam mais impactados pela guerra.

Com isso, investidores reduziram suas posições em dólar e passaram a buscar ativos mais arriscados — movimento que favoreceu o real. No acumulado do ano até quarta-feira (17), a moeda americana registrava desvalorização de 6,94%.

O movimento foi semelhante nos mercados de ações: em um primeiro momento, investidores retiraram recursos de ativos mais arriscados e, depois, passaram a apostar em papéis que poderiam se beneficiar do novo cenário.

  • 🔎 Vale destacar que outros fatores também influenciaram as cotações nos últimos meses, como o tarifaço imposto pelo governo Trump, a política fiscal brasileira, o noticiário corporativo e os dados econômicos do Brasil e dos Estados Unidos.

No acumulado do ano até a última quarta-feira, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, registrava alta de 4,38%.

Piora nas projeções de crescimento da economia global

Antes do conflito entre EUA e Irã, a previsão era de que o crescimento global desacelerasse apenas de forma moderada, com a inflação perdendo força e permitindo um ambiente econômico mais estável.

Com a escalada da guerra, porém, o cenário piorou. O aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas elevou os custos de produção, transporte e energia em diversos países, alimentando a inflação e reduzindo ainda mais as perspectivas de crescimento.

  • O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento da economia mundial em 2026 de cerca de 3,3% para 3,1%, citando os impactos da guerra sobre os preços das commodities, as condições financeiras e a confiança dos investidores;
  • A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) passou a estimar uma desaceleração do crescimento global, de 3,4% em 2025 para 2,8% em 2026. A organização alertou que, caso a crise energética se prolongasse, a expansão global poderia cair para apenas 2,1%, nível associado a períodos de forte desaceleração econômica;
  • Países como Alemanha e França tiveram suas projeções reduzidas devido ao encarecimento da energia, que diminuiu o poder de compra das famílias e aumentou os custos das empresas.

Mesmo com a melhora recente, FMI e OCDE avaliam que a recuperação dependerá da manutenção da estabilidade no Oriente Médio e da normalização do abastecimento global de energia.

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A Copa do Mundo dos ultrarricos: pacote de R$ 20 milhões para a final, jatinho entre os estádios e encontro com jogadores

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Celebridades, bilionários e executivos de tecnologia, de vários países, inclusive o Brasil, buscam exclusividade, privacidade e luxo para ver os jogos do Mundial, e o que menos importa é o preço.
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TOPO
Por BBC

Postado em 19 de Junho de 2.026 às 06h45m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

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Granit Xhaka chega ao Aeroporto de Newcastle em um jato particular para assinar com o Sunderland AFC em 28 de julho de 2025, em Newcastle upon Tyne, Inglaterra. — Foto: Ian Horrocks/Sunderland AFC via Getty Images
Granit Xhaka chega ao Aeroporto de Newcastle em um jato particular para assinar com o Sunderland AFC em 28 de julho de 2025, em Newcastle upon Tyne, Inglaterra. — Foto: Ian Horrocks/Sunderland AFC via Getty Images

Alguns dias atrás, a Knightsbridge Circle, que oferece serviços exclusivos de concierge para o público de altíssima renda, anunciou um pacote para a final da Copa do Mundo, em 19 de julho em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

A oportunidade, descrita como "a primeira do tipo na história do torneio", foi oferecida exclusivamente aos seus clientes convidados, que passam por uma avaliação antes de serem aceitos.

Ela incluía seis ingressos na primeira fileira, bem na linha de meio de campo, e acesso ao gramado durante a premiação, no momento em que a seleção campeã erguer a taça.

O preço total para seis pessoas: US$ 4 milhões (cerca de R$ 20 milhões).

"(O pacote) foi vendido para um de nossos membros menos de 24 horas depois de anunciado", diz à BBC News Brasil o presidente da Knightsbridge Circle, Stuart McNeill.

A Knightsbridge Circle é uma entre várias empresas que estão oferecendo pacotes de luxo para os ultrarricos que desejam participar da Copa.

A atual edição é considerada inédita por, dentre outros motivos, ser disputada em três países — Estados Unidos, México e Canadá — e ter um número recorde de 48 seleções participantes. Serão ao todo 104 partidas em 16 cidades.

Para muitos torcedores ao redor do mundo que desejam acompanhar o Mundial de perto, o planejamento começou há meses e foi marcado por dificuldades, desde os altos preços dos ingressos e do transporte para alguns dos estádios até obstáculos para conseguir o visto americano.

Mas, para uma ínfima parcela dos visitantes, a experiência será bem diferente: eles devem chegar às cidades-sede de jatinho particular, deslocar-se aos estádios de helicóptero ou limusine e ter lugar garantido na área VIP, mesmo que tenham decidido fazer tudo isso de última hora.

"Trabalho com esse mercado (de luxo) há 22 anos, e a maior surpresa, para mim, é que nesta Copa, o dinheiro pode comprar praticamente qualquer coisa, o que é uma novidade (em comparação com as anteriores)", diz McNeill.

Um Rolls Royce Phantom branco, limusine de quatro portas, vira na Collins Avenue, em South Beach, Miami, EUA. — Foto: Getty Images
Um Rolls Royce Phantom branco, limusine de quatro portas, vira na Collins Avenue, em South Beach, Miami, EUA. — Foto: Getty Images

Ele e outros especialistas do segmento de alto luxo não revelam os nomes dos clientes interessados na Copa do Mundo. São celebridades, bilionários, fundadores de empresas, executivos do setor de tecnologia e atletas, entre outros, vindos de várias partes do mundo, inclusive do Brasil.

"Temos alguns clientes brasileiros", diz McNeill, lembrando que a empresa tem uma equipe em Miami que fala português.

Quanto custa uma experiência de luxo?

Nem todos os pacotes de luxo para a Copa têm um preço milionário. Os valores dependem de vários fatores, como tipo de acesso, transporte, acomodação e número de noites.

Mas muitos dos roteiros sob medida oferecidos pela Knightsbridge Circle, por exemplo, "passam facilmente dos seis dígitos".

Incluem desde os já citados jatinhos e helicópteros até atendimento VIP nos aeroportos, equipes de segurança e hospedagem em redes de hotéis de luxo, como Four Seasons, Aman e Rosewood.

Nicole Wallach, vice-presidente da divisão de lazer da Magma Global, empresa especializada em serviços de concierge de viagens de luxo, calcula que as opções mais em conta fiquem entre US$ 25 mil e US$ 75 mil (R$ 125 mil e R$ 375 mil) para um casal, incluindo hospedagem cinco estrelas, ingressos para uma partida, voo em classe executiva e transfer privativo.

Alguns clientes pagam bem mais do que isso, em itinerários de luxo que incluem vários dias e diversas cidades-sede. Há também quem decida emendar a Copa com viagens para outros locais.

"Tenho clientes que vão assistir a jogos em Los Angeles e depois pegar um voo para passar algumas noites no Havaí", diz Wallach à BBC News Brasil.

Vista para o campo de jogo a partir de uma das suítes do Dallas Stadium em Arlington. — Foto: Tom Fox/The Dallas Morning News
Vista para o campo de jogo a partir de uma das suítes do Dallas Stadium em Arlington. — Foto: Tom Fox/The Dallas Morning News

Para o fim de semana da final, com hospedagem de luxo em Nova York, ela estima que os gastos podem ficar facilmente na casa dos seis dígitos.

Gina Gabbard, diretora de Estratégia da First in Service Travel, agência de Nova York que faz parte da rede global de turismo de luxo Virtuoso, diz à BBC News Brasil que as opções para os torcedores ultrarricos vão desde ingressos VIP e refeições preparadas por chefs durante o jogo até pacotes mais completos.

"Podem incluir hospedagem em hotéis de luxo, transporte privativo na cidade-sede, reservas em restaurantes sofisticados, passeios e outras atividades e, para alguns clientes, encontros exclusivos com os jogadores", afirma Gabbard.

"Os ingressos VIP, dependendo da partida, podem custar a partir de US$ 5 mil [R$ 25 mil] por pessoa", diz Gabbard.

"Pacotes começam em torno de US$ 50 mil dólares [R$ 250 mil] e podem chegar a várias centenas de milhares de dólares quando envolvem múltiplos jogos e cidades."

Privacidade e acesso são o que importa

Segundo Wallach, para os clientes desse segmento, conveniência, privacidade e acesso são mais importantes do que o preço.

"São viajantes que costumam voar em jatos particulares e se hospedar nas suítes mais luxuosas", diz.

"Eles viajam acompanhados de sua própria equipe e realmente esperam uma experiência altamente personalizada quando se trata de um evento dessa magnitude."

Ela ressalta, porém, que nem todos os interessados em pacotes de luxo para a Copa viajam em jatinhos, e alguns vão de primeira classe ou executiva em voos comerciais.

Além disso, em determinadas partidas, é possível que haja mais procura do que disponibilidade de helicópteros para chegar aos estádios.

"Há um limite para o número de aeronaves e locais de desembarque disponíveis", diz Wallach. Nesse caso, a solução é um carro de luxo com motorista particular.

De acordo com Wallach, esses torcedores querem mais do que apenas um ingresso VIP. "Nem todos querem sentar na primeira fila. Para muitos, a prioridade é a privacidade e o acesso a serviços exclusivos. Eles estão em busca de uma experiência VIP completa", ressalta.

"Enquanto o torcedor comum perde tempo em filas, pagando por comida e bebida ao longo do dia, esses clientes costumam contar com entrada exclusiva e acesso a lounges privativos com alta gastronomia".

Cofundador da Microsoft, o bilionário Bill Gates assistiu à estreia dos EUA na Copa do Mundo — Foto: Reuters
Cofundador da Microsoft, o bilionário Bill Gates assistiu à estreia dos EUA na Copa do Mundo — Foto: Reuters

Wallach afirma que é equivocado pensar que esses viajantes estão simplesmente buscando a experiência mais cara. "O que eles querem é uma experiência sem atrito."

Isso envolve, entre outros aspectos, não ter de enfrentar multidões nem se preocupar com nenhum detalhe da programação.

"Eles querem exclusividade, não querem ficar esperando pelos outros. É um verdadeiro tratamento de tapete vermelho, e eles estão dispostos a pagar por isso", diz McNeill.

As equipes de apoio que costumam viajar com esses clientes podem incluir diversos profissionais, desde seguranças até chefs particulares.

"Em muitos casos, o consultor de viagens colabora diretamente com o assistente pessoal e outros membros da equipe do cliente para coordenar os arranjos", destaca Gabbard.

Decisões de última hora

Outro aspecto que diferencia esses viajantes dos torcedores comuns é a (pouca) antecedência no planejamento.

"Muitos vão assistir aos jogos acompanhados de suas famílias, outros vão aproveitar para recepcionar clientes", diz Wallach.

"Eles valorizam seu tempo muito mais do que o dinheiro, e várias vezes tomam decisões de última hora."

Segundo McNeill, o interesse de seus clientes na Copa foi tímido no início. "Para viajantes de fora dos Estados Unidos, havia uma real relutância em razão do cenário político", afirma.

No entanto, a procura ganhou força nas últimas semanas, e a expectativa é de que aumente ainda mais à medida que as oitavas de final se aproximem e fique mais claro quais países vão avançar.

"Na verdade, está apenas começando para nós, porque os membros que atendemos costumam fechar os planos de última hora", diz McNeill.

"Gostam de ver como está o desempenho de sua seleção [antes de decidir]. Por exemplo, se o Brasil chegar à semifinal ou à final, vão entrar em um avião e ir para onde quer que o jogo seja realizado."

Entre os membros da Knightsbridge Circle, são comuns viagens bate-volta com duração de um ou dois dias, chegando na manhã do jogo ou na noite anterior e partindo no dia seguinte. Na semana seguinte, podem retornar para a próxima partida de sua seleção.

"Como muitos voam em jatinhos particulares, é conveniente e fácil para eles assistir a todos os jogos", observa McNeill.

Wallach diz ter visto aumento na procura desde que o torneio começou. "Sinceramente, acho que é maior do que esperávamos."

Segundo McNeill, além das partidas, há procura também por outras experiências exclusivas, como uma série de almoços organizados por sua empresa com ex-jogadores da Copa, que oferecem a oportunidade de conversar de perto com nomes consagrados do futebol mundial.

Em outras ocasiões, clientes que querem ver os craques de perto se comprometem com doações para instituições de caridade apoiadas pelo atleta. "Muitos dos jogadores são altamente engajados em causas beneficentes", ressalta McNeill.

"Em seu dia de folga, podem concordar em receber alguns clientes no centro de treinamento. Nossos clientes fazem uma doação [a uma instituição], e talvez possam tirar fotos [com o atleta], bater uma bola ou algo do tipo."

Para os interessados em acesso "superexclusivo" na final da Copa que perderam o pacote de US$ 4 milhões, McNeill lembra que há uma nova oportunidade, com dois assentos exclusivos na beira do gramado. Cada um vai custar "apenas" US$ 1,5 milhão de dólares (R$ 7,5 milhões).

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