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sábado, 10 de outubro de 2026

Campo de aviação que foi usado pela CIA se torna base da China

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Oito aeronaves, possivelmente jatos Hongdu JL-8, uma aeronave de treinamento e ataque leve de dois lugares, são visíveis em fotos de satélite do local no Laos
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Brad Lendon, da CNN
10/10/26 às 18:05 | Atualizado 10/10/26 às 18:05
Postado em 10 de Outubro de 2.026 às 18h20m

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Imagem de satélite da Vantor mostra aeronaves em uma nova instalação conjunta da China e do Laos em Ban Keun
Imagem de satélite da Vantor mostra aeronaves em uma nova instalação conjunta da China e do Laos em Ban Keun  • Vantor via CNN Newsource

As Forças Armadas da China inauguraram um novo posto avançado em um local no noroeste do Laos que, no passado, abrigou um aeródromo da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, durante a Guerra do Vietnã.

A base, situada em Vientiane, a cerca de 64 quilômetros ao norte da capital e a 40 quilômetros da fronteira mais próxima com a Tailândia, engloba o Centro Conjunto de Apoio e Treinamento China-Laos, no Aeroporto de Ban Keun, e a Academia de Aviação da Amizade China-Laos.

As operações tiveram início em 29 de setembro, segundo comunicado do Ministério da Defesa da China.

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Fotos obtidas pela CNN a partir de imagens de satélite e da plataforma de inteligência Vantor mostram que, desde dezembro, foram concluídas na base uma pista de 2.000 metros de extensão, uma pista de taxiamento e um pátio de estacionamento com capacidade para 22 aeronaves.

As instalações foram "projetadas para ajudar o Laos a fortalecer o treinamento e o desenvolvimento de seus pilotos da força aérea e serão mantidas conjuntamente por ambos os lados", afirmou o Ministério da Defesa chinês.

Oito aeronaves, possivelmente jatos Hongdu JL-8, uma aeronave de treinamento e ataque leve de dois lugares, são visíveis nas fotos de satélite.

A área "não é voltada contra terceiros e contribui para fortalecer ainda mais a cooperação prática entre as duas forças armadas e para manter a paz e a estabilidade regionais", adicionou a pasta.

Imagens de satélite da Vantor mostram o progresso de um novo aeródromo conjunto entre a China e o Laos, em Ban Keun, desde dezembro de 2025 • Vantor via CNN NewsourceImagens de satélite da Vantor mostram o progresso de um novo aeródromo conjunto entre a China e o Laos, em Ban Keun, desde dezembro de 2025 • Vantor via CNN Newsource

Até o momento, a China possui apenas uma base oficial no exterior: uma instalação no Djibuti, no nordeste da África, inaugurada em 2017.

O país também financiou uma grande expansão da Base Naval de Ream, no Camboja, situada no Golfo da Tailândia, a qual opera em conjunto com as forças armadas cambojanas.

Um novo píer no local, grande o suficiente para acomodar os porta-aviões da Marinha do Exército de Libertação Popular, despertou preocupações quanto às intenções de Pequim na região.

No entanto, o governo do Camboja sustenta que Ream está aberta a outras nações, incluindo a Marinha dos EUA, cujo navio de combate litorâneo fez uma escala no local em janeiro.

A base de Ban Keun, no Laos, foi utilizada pela Air America e operada pela CIA durante a Guerra do Vietnã como um centro de logística e apoio para operações secretas na região.

Imagens de satélite da Vantor mostram o progresso de um novo aeródromo conjunto entre a China e o Laos, em Ban Keun, desde dezembro de 2025 • Vantor via CNN Newsource
Imagens de satélite da Vantor mostram o progresso de um novo aeródromo conjunto entre a China e o Laos, em Ban Keun, desde dezembro de 2025 • Vantor via CNN Newsource

Nova base pode mudar equilíbrio de poder?

Contudo, a iniciativa da China no local, embora simbólica, não sinaliza qualquer mudança significativa no equilíbrio de poder entre os EUA e a China, segundo analistas.

Drew Thompson, pesquisador sênior da S. Rajaratnam School of International Studies, em Singapura, disse na quinta-feira (8) que é difícil vislumbrar qualquer ameaça às forças dos EUA na região decorrente da base.

"Esta pista não é um punhal apontado para o coração de nada", afirmou Thompson.

“Tenho dificuldade em pensar num cenário em que (a China) queira gerar missões de aeronaves a partir daí”, avaliou ele, observando a sua localização perto da Tailândia, um importante aliado dos EUA não pertencente à Otan, a aliança militar ocidental.

Rachel Vandenbrink, analista sênior do Australian Strategic Policy Institute, disse à Reuters que a escolha de Ban Keun pela China “provavelmente se deve mais a uma oportunidade estratégica do que ao atendimento de uma necessidade operacional evidente”.

“O Laos possui, de fato, certo valor geoestratégico como ponto de apoio acessível no Sudeste Asiático continental, dada a sua fronteira com a China e as conexões de infraestrutura, incluindo a ferrovia”, disse Vandenbrink à agência de notícias.

*Isaac Yee, da CNN, contribuiu para esta reportagem

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