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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Ranking da Fifa: Espanha é campeã e assume liderança; veja sobe e desce durante a Copa do Mundo

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Noruega, Gana e Paraguai são as seleções que mais sobem no ranking durante o torneio. Tunísia lidera as quedas. Campeã, a Espanha ultrapassa a Argentina. Brasil sobe uma posição
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Por Roberto Maleson — Rio de Janeiro

Postado em 20 de Julho de 2.026 às 15h00m
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Seleções que mais subiram posições no ranking da Fifa depois da Copa 2026

Seleções que mais subiram posições no ranking da Fifa depois da Copa 2026

Campeã do Mundo, a Espanha tomou a primeira posição da Argentina no ranking da Fifa. Os europeus dominaram os hermanos e concluíram 20 vezes a gol. Já o time de Messi não finalizou uma vez sequer durante os 90 minutos. Foi a primeira vez que uma seleção não finalizou no tempo regulamentar em uma final de Copa na história. O primeiro arremate foi na prorrogação.

O empate sem gols no tempo regulamentar levou o jogo para a prorrogação. Ferran Torres foi o responsável por destravar o placar e fazer o gol da vitória do título da Espanha. A vitória por 1 a 0 rendeu 30,27 pontos.

Espanha levanta troféu da Copa do Mundo — Foto: REUTERS/Hannah Mckay
Espanha levanta troféu da Copa do Mundo — Foto: REUTERS/Hannah Mckay

Carrasca do Brasil no torneio, a Noruega foi quem mais ganhou posições na lista da Fifa. O time de Haaland subiu 12 posições, saiu do 31º para o 19º lugar. A vitória por 2 a 1 sobre o Brasil, que garantiu a classificação às quartas de final, foi o jogo que mais rendeu pontos aos noruegueses: 33,61.

Outro país que aproveitou bem a chance de disputar a Copa do Mundo e pegar o elevador foi Gana. Mesmo com a classificação em terceiro do grupo L, os africanos subiram oito posições e saíram do 73º para o 65º lugar. O time africano caiu na segunda fase para a Colômbia. A explicação para a escalada de Gana no ranking está na proximidade da pontuação das seleções. Eles acumularam 40,12 pontos durante a disputa. A vitória por 1 a 0 sobre o Panamá rendeu 33,83 pontos.

Haaland puxa a comemoração da Noruega após eliminar o Brasil — Foto: REUTERS/Dylan Martinez
Haaland puxa a comemoração da Noruega após eliminar o Brasil — Foto: REUTERS/Dylan Martinez

Uma das zebras da Copa do Mundo, o Paraguai eliminou a Alemanha nos pênaltis na segunda fase e foi grata surpresa no torneio. O time sul-americano caiu nas oitavas para a França, mas conseguiu subir sete posições no ranking da Fifa.

Veja abaixo quem mais subiu na lista:

Quem mais ganhou posições no ranking da Fifa durante a Copa do Mundo

ClassificaçãoSeleçãoPosições ganhasPontuação
19Noruega121651,29
65Gana81387,00
34Paraguai71542,48
54África do Sul61451,24
14Suíça51710,88
24Egito51597,04
41RD Congo51495,48
10México41754,30
58Arábia Saudita31425,52
61Bósnia31408,93
64Cabo Verde31402,97

Sensação da Copa do Mundo, Cabo Verde empatou três jogos, avançou como melhor terceiro e ganhou 31,87 durante o torneio. O time de Vozinha levou o duelo da segunda fase contra a Argentina para a prorrogação, mas acabou perdendo no tempo extra.

Quem mais caiu no Ranking

As maiores quedas no ranking da Fifa depois da Copa 2026
As maiores quedas no ranking da Fifa depois da Copa 2026

Uma das primeiras seleções eliminadas da Copa do Mundo, a Tunísia fechou a participação com três derrotas em três jogos. Os africanos perderam 49,82 pontos e caíram 12 posições no ranking da Fifa. Eles desceram do 45º para o 57º lugar.

Um trio vem logo abaixo com 10 posições a menos após a disputa do Mundial. Jordânia, Panamá e Uzbequistão perderam todos os jogos da fase de grupos e caíram cedo.

Quem mais perdeu posições no ranking da Fifa durante a Copa do Mundo

ClassificaçãoSeleçãoPosições ganhasPontuação
57Tunísia-121426,58
44Panamá-101478,41
60Uzbequistão-101409,73
73Jordânia-101350,41
48República Tcheca-81467,26
32Coreia do Sul-71558,72
63Iraque-61404,17
27Turquia-51582,54
88Haiti-51264,58
20Uruguai-41634,70

O Uruguai foi uma das decepções desta Copa do Mundo. A seleção caiu para o 20º lugar no ranking da Fifa, queda de quatro posições em relação ao início do torneio. Colocado em um grupo com Arábia Saudita, Cabo Verde e Espanha, o time de Marcelo Bielsa foi eliminado na fase de grupos e enfrentou uma série de problemas internos ao longo da competição.

Jogadores do Uruguai lamentam eliminação na Copa do Mundo de 2026 — Foto: REUTERS/Raquel Cunha
Jogadores do Uruguai lamentam eliminação na Copa do Mundo de 2026 — Foto: REUTERS/Raquel Cunha

Top-10 atualizado

Top 10 seleções no ranking da Fifa, após o fim da Copa 2026
Top 10 seleções no ranking da Fifa, após o fim da Copa 2026

A Espanha fechou o torneio como líder do ranking da Fifa. Dentro do top-10, o México foi quem mais subiu nesta Copa: a seleção estava em 14º antes do torneio. Anfitriões do Mundial, os mexicanos terminaram a fase de grupos com 100% de aproveitamento.

O Brasil caiu para a Noruega nas oitavas de final, mas subiu uma posição no ranking e fechou a Copa na quinta colocação. Veja como ficou a classificação atualizada:

  1. Espanha (+30,27 pontos): 1.995,88
  2. Argentina (+0,00 ponto): 1.970,37
  3. França (+0,00 ponto): 1.948,97
  4. Inglaterra (+33,41 pontos): 1.922,83
  5. Brasil (+0,00 ponto): 1.804,92
  6. Marrocos (+0,00 pontos): 1.803,99
  7. Portugal (+0,00 ponto): 1.787,85
  8. Bélgica (+0,00 ponto): 1.778,36
  9. Holanda (+0,00 ponto): 1.775,54
  10. México (+0,00 ponto): 1.754,30
Espanha 1 x 0 Argentina | Melhores momentos | Final | Copa do Mundo 2026
Espanha 1 x 0 Argentina | Melhores momentos | Final | Copa do Mundo 2026

* Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.

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Mísseis balísticos: o que são e por que se tornaram um pesadelo para a Europa; veja INFOGRÁFICO

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Continente europeu ainda é dependente do sistema Patriot, dos EUA, para lidar com a ameaça. Desde o início do ano, a Rússia tem usado seus poderosos mísseis hipersônicos Oreshnik nos ataques contra a Ucrânia.
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Por Daniel Médici, g1

Postado em 20 de Julho de 2.026 às 14h00m
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Entenda o que são mísseis balísticos, armamentos que assustam a Europa
Entenda o que são mísseis balísticos, armamentos que assustam a Europa

A Europa vive seu momento de maior reflexão sobre sua doutrina militar e de defesa desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

De um lado, o continente vê a Rússia promover uma guerra de agressão contra a Ucrânia. Do outro, o presidente de seu maior aliado, os EUA, age de maneira intempestiva, ameaçando anexar a Groenlândia, por exemplo, e minar a Otan — aliança militar formada na Guerra Fria entre americanos e europeus.

O capítulo mais recente é o anúncio de uma coalizão para proteger a Europa de mísseis balísticos, anunciada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, ao lado do ucraniano Volodymyr Zelensky.

No último dia 6, um sinal de alerta acendeu em todo o continente, quando a Rússia lançou 23 mísseis balísticos, e as defesas ucranianas não conseguiram derrubar nenhum deles.

China testa lançamento de míssil balístico de submarino no Pacífico Sul em 6 de julho de 2026 — Foto: Li Xiangchao/Xinhua via AP
China testa lançamento de míssil balístico de submarino no Pacífico Sul em 6 de julho de 2026 — Foto: Li Xiangchao/Xinhua via AP

Zelensky reagiu pedindo mais sistemas antimísseis Patriot, fabricados pelos EUA, um dos poucos capazes de abater os mísseis hipersônicos russos Oreshnik.

De forma geral, porém, toda a Europa ainda é dependente do sistema Patriot americano para dissuadir ataques com mísseis balísticos.

Entenda, a seguir, o que são mísseis balísticos e por que eles preocupam o continente europeu. O texto continua após o infográfico.

O que são mísseis balísticos — Foto: Bruna Azevedo e Gui Sousa/Editoria de Arte g1
O que são mísseis balísticos — Foto: Bruna Azevedo e Gui Sousa/Editoria de Arte g1

➡️ Mísseis balísticos funcionam de modo semelhante a uma bala ou um foguete: eles são lançados a grandes altitudes — centenas de quilômetros do nível do mar, a depender da distância do alvo. Sem a resistência do ar, os projéteis podem atingir velocidades altíssimas, dez ou vinte vezes mais rápidas que a velocidade do som (12 mil km/h a 24 mil km/h). Alguns projéteis chegam a 30 mil km/h. Os mísseis desaceleram em sua descida, que às vezes dura menos de um minuto, mas podem atingir o alvo a uma velocidade de 3.200 km/h.

Outros mísseis, de cruzeiro, usam uma estratégia diferente: muitas vezes eles voam baixo, a metros do chão, fora do alcance dos radares aéreos, e podem ser guiados de forma remota para o alvo.

Embora ambos apresentem dificuldades para serem abatidos por sistemas de defesa, os mísseis balísticos são mais difíceis, em geral, de serem interceptados, pela altíssima velocidade na fase final do voo.

Como os mísseis balísticos voam muito alto, eles deixam uma assinatura no radar facilmente identificável na maior parte dos lançamentos. Isso não significa uma facilidade maior para que eles sejam abatidos.

"Para evitar danos colaterais ou prejuízos decorrentes de uma interceptação malsucedida, o míssil deve ser interceptado a grande distância de seu alvo", diz um artigo do Instituto para Estudos de Segurança Nacional de Israel.

"Isso exige sistemas de detecção de alta sensibilidade, capazes de identificar a chama e a pluma de fumaça do míssil durante o lançamento; sistemas de rastreamento de trajetória de alta precisão; sistemas integrados de comando e controle com capacidade de processamento de dados e cálculos em alta velocidade; e, naturalmente, um míssil interceptador veloz. Para evitar surpresas, o rastreamento deve ser contínuo", conclui o texto.

Ultimamente, novas tecnologias têm sido incorporadas aos mísseis balísticos para driblar os sistemas de interceptação, como o Patriot. As estratégias mais comuns são:

  • Mísseis "cluster": ogivas que, na fase terminal de voo, se subdividem em várias ogivas menores, fazendo com que os sistemas de defesa precisem lidar com vários projéteis ao mesmo tempo.
  • Realização de manobras pré-programadas, percorrendo trajetórias imprevisíveis antes de se dirigir ao alvo.
  • Realização da fase final de voo em velocidades maiores, deixando menos tempo de reação para a interceptação.
  • Uso de tecnologias "stealth", ou furtivas, semelhantes às usadas nos aviões de combate, que dificultam a detecção dos artefatos pelos radares.
Mísseis Oreshnik

Em janeiro, a Rússia começou a usar com frequência seus mísseis balísticos hipersônicos Oreshnik.

Essa classe de mísseis tem alcance intermediário (pode atingir alvos a até 5.500 km de distância) e é capaz de atingir velocidades de até 13 mil km/h. Isso permitiria alcançar grande parte da Europa a partir do território russo ou de Belarus, onde unidades do sistema já foram instaladas.

Sistema Patriot

Míssil sendo disparado de sistema de defesa aéreo Patriot. — Foto: Reprodução/Raytheon Technologies
Míssil sendo disparado de sistema de defesa aéreo Patriot. — Foto: Reprodução/Raytheon Technologies

A Europa já forneceu para a Ucrânia diversos sistemas de defesa antiaérea contra mísseis de cruzeiro. Contra mísseis balísticos, porém, Kiev tem contado principalmente com o sistema americano Patriot, o mais avançado do mundo atualmente.

🔍 O Patriot (que vem da sigla em inglês "Phased Array Tracking Radar for Intercept on Target""Radar de Rastreamento com Matriz de Fase para Interceptação no Alvo" em português) é um sistema móvel de mísseis terra-ar desenvolvido e fabricado pela gigante americana de equipamentos bélicos Raytheon Technologies. É considerado um dos sistemas de defesa aérea mais avançados do arsenal dos EUA e está em operação desde a década de 1980, com diversas atualizações ao longo dos anos.

Os Patriot são enviados pelos EUA ao país desde julho de 2025, mas a Força Aérea Ucrânia sofre atualmente uma grave escassez desses interceptadores — falha que Moscou tem explorado com frequência na guerra.

Na semana passada, durante a cúpula da Otan, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretende conceder à Ucrânia uma licença para produzir de forma independente mísseis para o sistema de defesa aérea Patriot.

Embora o equipamento seja fundamental, especialistas e autoridades ucranianas alertam que transformar a ideia em realidade provavelmente levaria anos, já que seria necessário instalar a tecnologia e adaptar o parque industrial do país antes que o primeiro sistema Patriot saísse da fábrica.

A Europa tem desenvolvido seus próprios sistemas de defesa antimísseis balísticos, como os projetos concorrentes HYDIS e EU HYDEF, mas o continente segue dependente dos mísseis Patriot de maneira geral.

Essas iniciativas já vêm sendo desenvolvidas há cerca de três anos e não têm relação direta com o afastamento gradual do continente em relação aos EUA, que tem se desenhado após a volta de Donald Trump à Casa Branca e às repetidas investidas do republicano contra a Otan, como suas ameaças de anexar a Groenlândia.

Coalizão europeia

A coalizão europeia lançada na última semana afirmou que seu objetivo é "construir uma capacidade de defesa compartilhada contra mísseis balísticos".

Acreditamos que proteger a Europa exige uma solução abrangente, sob a forma de uma arquitetura integrada de defesa antimísseis, para dissuadir e neutralizar futuras ameaças, afirmou o comunicado.

Num primeiro momento, a coalizão é formada por Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Reino Unido e Ucrânia.

Ainda não há um cronograma para a criação do sistema de defesa, e o plano continua aberto a outros países.

O presidente russo, Vladimir Putin, tem se mostrado inflexível, prometendo na segunda uma retaliação enfática aos recentes ataques de longo alcance de Kiev contra refinarias, petroleiros e terminais, que causaram uma escassez generalizada de combustível no país.

Sistema Patriot é o único sistema usado contra mísseis balísticos — Foto: Reuters

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'Trump tentará punir Brasil por esse sucesso', diz Nobel de economia sobre ação do governo americano contra Pix

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Paul Krugman escreveu em sua newsletter que a iniciativa do governo Donald Trump não se sustenta do ponto de vista econômico e que ele 'declarou guerra ao futuro'.
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Por Redação

Postado em 20 de Julho de 2.026 às 10h50m
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Por que o PIX virou pretexto dos EUA no tarifaço
Por que o PIX virou pretexto dos EUA no tarifaço

O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, criticou a investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos contra o Pix e afirmou que a ofensiva representa uma tentativa de punir o Brasil pelo sucesso do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Em artigo publicado nesta segunda-feira (20), Krugman afirma que o Pix se tornou uma referência mundial em pagamentos digitais e que a iniciativa do governo de Donald Trump não se sustenta do ponto de vista econômico.

"Trump tentará punir o Brasil por esse sucesso", escreveu o economista ao comentar a investigação comercial aberta pela administração americana com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O governo americano incluiu o Pix entre os temas da investigação sobre supostas práticas comerciais brasileiras consideradas desleais. Criado pelo Banco Central, o sistema permite transferências e pagamentos instantâneos entre pessoas e empresas.

Novas tarifas: EUA dizem que o PIX prejudica empresas americanas; setor financeiro, no Brasil, discorda — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Novas tarifas: EUA dizem que o PIX prejudica empresas americanas; setor financeiro, no Brasil, discorda — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Para Krugman, oferecer um sistema público de pagamentos mais barato e eficiente não configura uma prática comercial desleal.

"Por que seria desleal um país oferecer aos seus próprios cidadãos uma forma melhor de fazer compras e pagar contas?", questiona. 
Pix ampliou concorrência

Ao longo do artigo, o economista defende que o Pix aumentou a concorrência no mercado de pagamentos ao oferecer uma alternativa de baixo custo para consumidores e empresas.

Na avaliação dele, a popularização do sistema reduziu a dependência de meios tradicionais de pagamento e afetou empresas como Visa e Mastercard. Isso, porém, seria resultado da concorrência entre tecnologias, e não de uma vantagem indevida.

"Desde quando é uma prática comercial desleal que empresas percam mercado para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?", escreveu.

Krugman argumenta que a reação do governo americano reflete, em parte, a perda de espaço de empresas privadas diante de um sistema público considerado mais eficiente.

Paul Krugman já havia defendido o Pix em um artigo escrito há um ano. — Foto: Adam Schultz/Official White House Photo
Paul Krugman já havia defendido o Pix em um artigo escrito há um ano. — Foto: Adam Schultz/Official White House Photo

Debate vai além do Pix

O Nobel usa o caso brasileiro para defender sistemas públicos de pagamentos e moedas digitais emitidas por bancos centrais.

Segundo ele, o sucesso do Pix demonstra que esse tipo de ferramenta pode tornar pagamentos eletrônicos mais baratos e eficientes. Já os Estados Unidos, afirma, ficaram para trás nesse debate devido à resistência política e à pressão de grupos ligados ao mercado de criptomoedas.

"A verdadeira preocupação deles é que ela funcione bem demais", escreveu ao comentar a oposição à criação de um dólar digital.

Krugman também compara o caso brasileiro à experiência de El Salvador com o Bitcoin. Para ele, enquanto o Pix se tornou amplamente utilizado pela população, a tentativa do governo salvadorenho de transformar a criptomoeda em um meio de pagamento de massa fracassou.

Tarifas terão alcance limitado, afirma

Na parte final do artigo, Krugman avalia que as tarifas propostas pelo governo Trump dificilmente alcançarão os resultados pretendidos.

Segundo ele, as medidas podem elevar os preços de produtos brasileiros consumidos pelos próprios americanos, como café, carne bovina e suco de laranja. Ao mesmo tempo, afirma que o Brasil tende a ampliar sua presença em outros mercados.

Krugman cita a economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, para sustentar que, no balanço geral, as tarifas americanas fortaleceram a posição do Brasil no comércio internacional.

"O desvio do comércio global em reação às tarifas dos Estados Unidos transformou o Brasil em uma potência exportadora", escreveu De Bolle, citada por Krugman. Como exemplo, ela menciona o aumento da participação brasileira nas exportações de soja para a China.

Ao concluir o artigo, Krugman faz uma crítica mais ampla à política econômica do governo Trump.

"O governo Trump declarou guerra ao futuro", escreveu. "E uma coisa que sabemos sobre Trump é que ele nunca admite quando suas guerras escolhidas fracassam."
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