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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Porta-voz do Irã rebate fala de Trump e nega negociações com os EUA

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Presidente americano declarou na noite de domingo (2) que Washington e Teerã tratariam de possível acordo nesta segunda-feira (3)
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Da CNN Brasil*
03/08/26 às 05:42 | Atualizado 03/08/26 às 09:18
Postado em 03 de Agosto de 2.026 às 10h30m

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O Irã não está atualmente em negociações com os Estados Unidos e está em discussões com Omã sobre uma rota segura temporária através do Estreito de Ormuz, disse nesta segunda-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, nesta segunda-feira (3).

A declaração do porta-voz de Teerã acontece após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que as negociações com o Irã seriam retomadas hoje. O anúncio de Trump aconteceu após o próprio líder americano dizer que cancelou um "ataque maciço" contra o Irã.

Em coletiva de imprensa televisionada, Baghaei acrescentou que chegar a um acordo com Omã não é suficiente para reabrir o estreito, pois a situação permanecerá inalterada enquanto a "agressão" dos EUA continuar.

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Baghaei declarou que o Irã está atualmente em negociações com Omã para estabelecer uma rota segura e "temporária" para embarcações pelo Estreito de Ormuz.


"O esforço é determinar, o mais rápido possível e em consulta com Omã, uma rota que seja naturalmente temporária e com base na qual a segurança da navegação pelo Estreito de Ormuz possa ser garantida", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Como a CNN mostrou, Baghaei havia afirmado no domingo que o entendimento entre Irã e Omã sobre uma nova rota marítima não significa que o Estreito de Ormuz será reaberto. O porta-voz já havia classificado o acordo como "uma condição necessária, mas não suficiente".

Segundo dados da Kpler, no Estreito de Ormuz, rota que movimentava um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo antes das hostilidades, um navio-tanque carregado com gás liquefeito de petróleo, abastecido no Irã, fez a travessia no domingo

A agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido relatou mais três ataques a petroleiros desde sábado. A empresa de navegação grega Gaslog relatou um incidente em seu navio-tanque de GNL, Gaslog Shanghai, em 31 de julho.

O número de navios mercantes que passaram por Ormuz caiu para 10 no sábado, após o número de 19 registrados na sexta-feira, o maior desde meados de julho, segundo os dados.

Além dos navios VLCC Spain B e Noble , outros dois VLCCs saíram do Estreito de Ormuz , enquanto um entrou na sexta-feira.

Dois petroleiros carregados com petróleo saudita cruzaram o estreito de Bab el-Mandeb no fim de semana. O número de navios mercantes que atravessaram o estreito de Bab el-Mandeb caiu para 18 no domingo, contra 27 no sábado e 28 na sexta-feira, segundo a Kpler.

*Com informações da Reuters e da CNN Internacional

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Militares dos EUA pedem às tropas ideias "criativas" para punir o Irã

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Conteúdo exclusivo da CNN: Oficial de alta patente enviou e-mail para analistas pedindo soluções não convencionais contra Teerã
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Katie Bo Lillis e Zachary Cohen, da CNN
03/08/26 às 09:44 | Atualizado 03/08/26 às 09:44
Postado em 03 de Agosto de 2.026 às 10h00m

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Vista do Pentágono em Washington3 de março de 2022 REUTERS/Joshua Roberts  • REUTERS

A solicitação de um oficial de alta patente do comando militar dos Estados Unidos, responsável por conduzir a guerra do presidente Donald Trump contra o Irã, chegou por e-mail: precisamos de ideias.

"Estamos buscando novas formas criativas e não convencionais de pressionar e punir o Irã", escreveu um oficial do setor de inteligência do CENTCOM (Comando Central dos EUA) em uma mensagem enviada na quarta-feira (29) a um grupo amplo de analistas militares, segundo uma fonte a par da mensagem.

Uma segunda fonte também informou que um oficial militar de alta patente do país enviou a mensagem na semana passada, solicitando novas ideias sobre como lidar com o Irã.

A consulta no estilo "crowdsourcing", uma prática para obter contribuições por meio da colaboração de uma grande comunidade, que autoridades militares descreveram como incomum para ser feita por e-mail, é um sinal das opções limitadas (e potencialmente desagradáveis) à disposição de Trump para forçar o Irã a aceitar um acordo nos termos dele.

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Na esperança de encontrar uma alternativa, a autoridade do CENTCOM iniciou uma sessão por e-mail para verificar se alguém tinha uma ideia melhor.

A segunda fonte afirmou que o Comando Central dos EUA está analisando todas as possibilidades, reconhecendo a necessidade de reavaliar a estratégia.

"O Comando Central dos EUA tem um longo histórico de pensar e trabalhar de maneiras inovadoras", disse o Capitão Timothy Hawkins, porta-voz do CENTCOM, em um comunicado.

"O Almirante Cooper, em particular, busca a colaboração dos integrantes de nossa excelente equipe, independentemente da patente, para alcançar os mais altos níveis possíveis de desempenho operacional", completou ele.

Ameaças americanas

O e-mail antecedeu a ameaça de Trump de lançar novos ataques contra o Irã, os quais ele acabou cancelando no fim de semana, depois que autoridades da região, notadamente o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, interviram ligando para o presidente e pedindo para ele reduzir a tensão.

Há semanas, os Estados Unidos vêm atingindo o Irã com ataques aéreos destinados a reduzir sua capacidade de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz e a trazer Teerã de volta à mesa de negociações, mas ainda não há sinal de um acordo.

Trump tem avaliado intensificar a campanha militar, possivelmente retomando ataques pesados contra as instalações nucleares remanescentes do Irã, as quais, segundo ele, haviam sido "aniquiladas" em ataques realizados no verão passado.

Duas fontes a par do planejamento afirmam que os militares vêm se preparando ativamente para lançar ataques contra Pickaxe Mountain e outros locais iranianos que, acredita-se, abriguem material ou equipamentos nucleares.

No entanto, segundo essas fontes, mesmo com o uso das armas convencionais mais poderosas dos Estados Unidos, é pouco provável que apenas mísseis e bombas sejam eficazes, uma vez que as instalações estão profundamente enterradas no subsolo.

Para destruí-las, o país norte-americano precisaria empregar tropas terrestres, um risco enorme que Trump tem relutado em assumir, em meio a questionamentos sobre a transparência de sua administração em relação às baixas entre militares.

Até o momento, dezoito militares americanos morreram nos combates.

Alvos da guerra

Trump tem cogitado ataques semelhantes a uma queima de "fogos de artifício", disse outra fonte; tais ações poderiam atingir os mesmos locais ou instalações similares que foram alvo há um ano, na esperança de obter uma vitória simbólica que lhe permitisse sair do conflito sem, de fato, alcançar um de seus objetivos iniciais: acabar com o programa nuclear do Irã.

E é pouco provável que isso resolvesse o que se tornou a questão central da guerra, as reivindicações iranianas sobre o Estreito de Ormuz.

Navios ancorados no Estreito de Ormuz • 25 de maio de 2026 REUTERS/Stringer
Navios ancorados no Estreito de Ormuz • 25 de maio de 2026 REUTERS/Stringer

"No fim das contas, o presidente vai querer um acordo; por isso, buscará continuamente maneiras de endurecer a posição e sair dessa situação", disse uma das fontes a par das discussões recentes de planejamento. "Às vezes, você precisa de mentes criativas, especialmente se estiverem acabando as opções convencionais."

Tanto a CIA (Agência Central de Inteligência) quanto a DIA (Agência de Inteligência de Defesa) avaliaram recentemente que é pouco provável que o tipo de bombardeio realizado pelos EUA altere a posição do Irã nas negociações, segundo informações da CNN.

O principal conselheiro militar do presidente, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, reconheceu publicamente que é pouco provável que apenas os bombardeios alcancem todos os objetivos da guerra anteriormente declarados por Trump.

"O poder aéreo tem seus limites", disse Caine aos legisladores no mês passado.

Opções para escalar o conflito vêm sendo apresentadas ao presidente norte-americano e extensamente debatidas há meses, e mais recursos militares têm sido enviados à região à espera do sinal verde do presidente.

Um plano elaborado pelo CENTCOM envolveria um bombardeio pesado, ao longo de uma ou duas semanas, para neutralizar as capacidades de mísseis do Irã, segundo autoridades dos Estados Unidos.

Nesta imagem de divulgação da Marinha dos Estados Unidos, o destróier lança-mísseis guiados da classe Arleigh Burke USS Thomas Hudner (DDG 116) dispara um míssil de ataque terrestre Tomahawk em apoio à Operação Epic Fury, em 1º de março de 2026, no mar • Foto de U.S. Navy via Getty Images
Nesta imagem de divulgação da Marinha dos Estados Unidos, o destróier lança-mísseis guiados da classe Arleigh Burke USS Thomas Hudner (DDG 116) dispara um míssil de ataque terrestre Tomahawk em apoio à Operação Epic Fury, em 1º de março de 2026, no mar • Foto de U.S. Navy via Getty Images

Até o momento, Trump tem se abstido de agir, em parte após ouvir as preocupações de Caine sobre a escassez de interceptadores de defesa aérea.

Outras autoridades também manifestaram receio quanto ao risco de um elevado número de vítimas civis caso Trump concretizasse as ameaças de atacar infraestruturas como pontes e usinas de dessalinização de água.

O presidente poderia escalar o conflito enviando tropas americanas para o terreno, uma ameaça que ele fez repetidamente ao falar sobre ocupar a estratégica Ilha de Kharg ou remover o urânio altamente enriquecido do Irã.

No entanto, isso violaria ainda mais uma promessa fundamental feita à sua base MAGA:" Não vou enviá-los para lutar e morrer em guerras estrangeiras estúpidas que nunca terminam", disse ele durante um comício de campanha de 2024 na Pensilvânia.

Ou ele poderia aceitar uma situação perigosa: ciclos intermináveis de ataques e contra-ataques envolvendo o Irã, que provavelmente custariam mais vidas americanas e deixariam o Estreito de Ormuz em um estado de perigo constante, assemelhando-se às "guerras sem fim" que ele criticou.

"Acho que só queremos vencer", disse Trump durante uma reunião de gabinete na sexta-feira (31), ao ser questionado sobre o encerramento da guerra.

"Vamos atacá-los com muita força e, sabe, em algum momento eles vão dizer: Simplesmente não aguentamos mais", completou ele.

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