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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Timidez do Dia D econômico pode ter o efeito oposto ao desejado pelos EUA

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Sanções contra 60 pessoas, organizações e navios associados ao Irã reforçam percepção de falta de opções
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Lourival Sant'Anna
Analista de Internacional. Fez reportagens em 80 países, incluindo 15 coberturas de conflitos armados, ao longo de mais de 30 anos de carreira. É mestre em jornalismo pela USP e autor de 4 livros

25/08/26 às 05:00 | Atualizado 25/08/26 às 05:00
Postado em 25 de Agosto de 2.026 às 09H30M


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Presidente dos EUA, Donald Trump  • 21 de maio de 2026 - Reuters/Kevin Lamarque

O contraste entre o barulho causado pelo Dia D econômicocontra o regime iraniano e o alcance real das sanções pode reduzir ainda mais a credibilidade dos Estados Unidos e incentivar o Irã e a China a chamar o blefe para demonstrar a fragilidade dos rivais americanos.
Depois de o presidente Donald Trump ameaçar na semana passada com medidas avassaladoras contra a economia americana, seu secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou na segunda-feira (24) novas sanções contra 60 indivíduos, organizações e navios, que soaram muito mais como mais do mesmo do que propriamente como mudança de curso na disputa entre Estados Unidos e Irã.

Bessent procurou justificar a aparente cautela: Estamos dando a todo mundo a oportunidade de remediar mau comportamento. Por que eu ia querer explodir o sistema financeiro global? A declaração trai a preocupação do governo americano de evitar ainda mais danos econômicos-- e consequentemente eleitorais -- causados pelo conflito

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As sanções não atingem a China, cujos bancos possibilitam ao Irã continuar tendo acesso a recursos financeiros para realizar suas importações. Os Estados Unidos já sancionam seis refinarias chinesas independentes (apelidadas bules de chá por suas operações modestas) que importam petróleo iraniano. Mas, por terem atuação regional, elas não são significativamente afetadas pela falta de acesso ao dólar.

Já os bancos chineses que realizam as operações financeiras e cambiais com os exportadores iranianos dependem das transações em dólares para continuar atuando. Entretanto, sanções contra esses bancos provocariam quase certamente represálias severas da China, por exemplo, suspendendo as licenças para exportações de minerais críticos, dos quais depende a indústria americana, tanto civil quanto militar.

A China importa 80% do petróleo iraniano. Índia e Rússia também poderiam ser atingidas, no primeiro caso por comprar petróleo iraniano e, no segundo, armas.

O próprio movimento na direção de medidas econômicas no lugar da campanha militar já representou um alívio para o Irã, ao indicar, de forma indireta, que uma intensificação dos ataques, incluindo o eventual desembarque de tropas, está suspensa por ora.

O Irã lida com sanções econômicas por causa de seu programa nuclear desde 2006, de maneira que elas não representam uma ameaça ao regime.

A reduzida agressividade nas sanções econômicas, ainda mais depois de promessas de Trump de uma catástrofe sobre o Irã, acaba reforçando a percepção de falta de opções do presidente americano.

Sua margem de manobra política só diminui com a aproximação das eleições de 3 de novembro, que renovarão toda a Câmara e um terço do Senado: segundo as pesquisas, ao menos dois terços dos eleitores não aprovam a guerra, exatamente por causa de seus efeitos econômicos.

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China diz que comércio com Irã 'não deve ser alvo de interferências' após ameaças dos EUA

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Porta-voz do governo chinês afirmou que o país adotará medidas de segurança para defender seus interesses, um dia após Washington anunciar novas sanções a Teerã.
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Por Redação g1

Postado em 225 de Agosto de 2.026 às 08h40m

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EUA anunciam sanções contra o Irã e ameaçam países que mantêm relações econômicas com o regime
EUA anunciam sanções contra o Irã e ameaçam países que mantêm relações econômicas com o regime

China afirmou, nesta terça-feira (25), que defenderá seus interesses e não deixará de negociar com o Irã após os Estados Unidos anunciarem uma nova leva de sanções contra o governo iraniano e ameaçarem países que não aderirem à asfixia econômica” que Washington tenta impor a Teerã.

Questionado em uma entrevista coletiva sobre as medidas anunciadas pelo governo americano nesta segunda-feira (24), Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Chinês, afirmou:

"A cooperação entre China e Irã sempre aconteceu dentro do marco do direito internacional e não deve ser alvo de interferências ou perturbações. A China já afirmou em diversas graças que se opõe de modo veemente às avaliações unilaterais prejudiciais (...) A China tomará todas as medidas de segurança para salvaguardar com firmeza seus direitos e interesses".

A China é um dos principais compradores do petróleo iraniano e foi afetada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. Pequim defende um cessar-fogo no conflito e insiste que as avaliações americanas não resolverão a guerra.

Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China — Foto: Reuters
Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China — Foto: Reuters

As medidas dos EUA

Em uma nova ofensiva contra o Irã, desta vez focando a economia, os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (24) uma leva de sanções a Teerã, ameaçaram países que realizem transações econômicas com o regime iraniano e lançaram uma campanha para que líderes mundiais rompam com o país persa.

O Departamento do Tesouro norte-americano afirmou ter sancionado cerca de 60 pessoas, entidades e embarcações ligadas governo iraniano e que atuam em áreas de energia nuclear, de produção de mísseis, cibernéticas e de petróleo.

➡️ As sanções fazem parte de uma "guerra econômica" que Trump anunciou na semana passada para tentar sufocar a economia iraniana. Trump já havia dito que esta segunda-feira seria o "Dia D da guerra econômica".

Como parte da estratégia, o governo norte-americano também ameaçou países que fizerem qualquer transação econômica com o Irã. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que anunciou as sanções, afirmou que Trump está pedindo para que líderes mundiais cessem relações com o Irã.

"O presidente Donald Trump está ligando para líderes mundiais com pedidos específicos para que cessem suas interações com o Irã", disse Bessent.

O secretário afirmou ainda que Washington definiu um cronograma para que cada país vá interrompendo suas "atividades" com o regime iraniano. "Se eles não interromperem essas atividades, nos faremos isso de forma unilateral através de autoridades do Tesouro", ameaçou Bessent.

Ele disse ainda que uma "grande instituição financeiratambém será sancionada nesta semana por vínculos financeiros com o Irã, mas não deu mais detalhes da ameaça.

O secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, durante anúncio de novo pacote de snações ao Irã, em 24 de agosto de 2026. — Foto: Evelyn Hockstein/ Reuters
O secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, durante anúncio de novo pacote de snações ao Irã, em 24 de agosto de 2026. — Foto: Evelyn Hockstein/ Reuters

Mais cedo, Trump havia afirmado, em uma publicação em sua rede social Truth Social, que o Irã está "colapsando completamente".

Países vizinhos

O presidente Donald Trump durante o hino nacional na largada da corrida Freedom 250 Grand Prix nas ruas de Washington, DC, domingo, 23 de agosto de 2026. — Foto: Doug Mills/Pool via REUTERS
O presidente Donald Trump durante o hino nacional na largada da corrida Freedom 250 Grand Prix nas ruas de Washington, DC, domingo, 23 de agosto de 2026. — Foto: Doug Mills/Pool via REUTERS

O secretário Scott Bessent não especificou quais países seriam alvo das ações dos EUA. Mas parte da "guerra econômica" de Trump será tentar costurar acordos com nações do Oriente Médio. Washington também ameaçou os vizinhos do Irã com sanções caso sigam negociando com o Irã, para isolar Teerã.

No sábado (22), o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, também o principal negociador do país com os EUA, disse que o governo iraniano recebeu mensagens de vizinhos citando a criação de "novos acordos de segurança e cooperação econômica".

Nesta segunda, o regime dos aiatolás retrucou. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que os países vizinhos que optarem por aderir à campanha de pressão econômica dos Estados Unidos contra o país poderão enfrentar "consequências".

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