Total de visualizações de página

domingo, 1 de novembro de 2026

Cientistas afirmam que teoria sobre a origem da vida pode estar errada; nova simulações contradizem 'bombardeio' de cometas

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Estudo sugere que as frágeis moléculas orgânicas supostamente transportadas pelos objetos de gelo teriam sido destruídas com o impacto na Terra, derrubando uma teoria estabelecida sobre a origem da vida dos anos 60
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Jacopo Prisco, da CNN
31/10/26 às 21:38 | Atualizado 31/10/26 às 21:38
Postado em 01 de Novembro de 2.026 às 10h30m
 
.#.* -  Post. -- Nº.\  12.600 --  *.#.


Uma teoria que afirma que o impacto de um cometa teria originado vida na Terra primitiva pode ser refutada por novas pesquisas.  • Preston Dyches/NASA

A descoberta sugere que as frágeis moléculas orgânicas supostamente transportadas pelos objetos de gelo teriam sido destruídas com o impacto, derrubando uma teoria estabelecida sobre a origem da vida que remonta pelo menos a 1961. A ideia mais ampla de que os ingredientes para a vida vieram do espaço, conhecida como panspermia, é ainda mais antiga e foi postulada cientificamente em 1908.

A vida na Terra requer moléculas orgânicascomplexas, mas não está claro se o nosso planeta primitivo possuía matéria-prima suficiente para reações químicas que produzem os componentes básicos da vida. Os cometas são compostos de poeira e gelo, mas também contêm material orgânico. Essa composição, que rendeu a esses corpos celestes o apelido de "bolas de neve sujas", levou os cientistas a sugerirem que os cometas poderiam ter depositado água e moléculas orgânicas na superfície da Terra.

Leia Mais.

No início de sua história, há mais de 4 bilhões de anos, a Terra pode ter sofrido um período de intenso bombardeio por mais de 100.000 cometas com mais de 100 metros de diâmetro, de acordo com um novo estudo publicado na última  quarta-feira (28) no periódico Scientific Reports. Esses impactos, no entanto, foram em sua maioria muito fortes para que as moléculas necessárias para o surgimento da vida pudessem resistir.

A equipe utilizou os modelos mais recentes de formação e evolução de cometas para simular esse período planetário inicial 100.000 vezes. "Considerando o que sabemos sobre os ambientes da superfície da Terra primitiva, em média, nossas simulações constataram que não houve impactos bem-sucedidos", afirmou o autor principal do estudo, Richard Anslow, que conduziu a pesquisa enquanto concluía seu doutorado no Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Cometas como o 67P/Churyumov-Gerasimenko, visto em janeiro de 2015, emitem grandes quantidades de poeira e gás. • ESA/Rosetta/NAVCAM
Cometas como o 67P/Churyumov-Gerasimenko, visto em janeiro de 2015, emitem grandes quantidades de poeira e gás. • ESA/Rosetta/NAVCAM

Os cometas continham grandes concentrações de moléculasessenciaispara a vida, mas a simulação revelou que esses objetos se aproximavam da Terra em velocidade excessiva para depositá-las com sucesso. "As velocidades típicas desses cometas ao impactarem a Terra significavam que, na verdade, muito poucos, ou nenhum, seriam capazes de transportar moléculas orgânicas intactas. Portanto, os cometas não parecem ser tão úteis para a química pré-biótica quanto se pensava anteriormente", afirmou Anslow.

Mais precisamente, 54% das simulações não mostraram nenhum impacto, enquanto os 46% restantes apresentaram pelo menos um impacto e uma "pequena minoria" retornou até três colisões, disse Anslow. "Não podemos descartar com certeza que nunca houve um impacto bem-sucedido, pode ter havido um desses impactos fortuitos." No entanto, tais colisões fortuitas teriam que ocorrer em um "local perfeito" que já atendesse a diversas condições importantes, incluindo a presença de água líquida e outros elementos químicos necessários para sustentar a vida. Essa combinação torna o processo geral improvável, acrescentou ele.

Explicações alternativas

O estudo se concentra em uma substância química natural chamada cianeto de hidrogênio, um importante precursor na química pré-biótica que foi detectado em dezenas de cometas, incluindo os notáveis ​​cometas Halley e Hale-Bopp.Composto por hidrogênio, carbono e nitrogênio, o HCN pode levar à formação de aminoácidos, moléculas que compõem as proteínas quando combinado com água; outros estudos já identificaram o HCN como um possível ingrediente chave para a origem da vida na Terra.

"os cometas atingem a Terra, são submetidos a altas temperaturas e pressões, e estudos recentes descobriram que muitas dessas moléculas precursoras podem ser destruídas por essa alta pressão e temperatura, bem como pelos impactos subsequentes”, disse Anslow.

Os autores do estudo argumentam que, mesmo que o impacto fosse bem-sucedido, é improvável que a substância química fosse liberada em uma concentração útil e, no caso de um impacto no oceano, ela se dissolveria rapidamente.

O cianeto de hidrogênio ou HCN, um importante precursor na química pré-biótica, foi detectado em dezenas de cometas, incluindo o cometa Halley, mostrado em sua viagem de retorno ao sistema solar interno. • Laboratório de Propulsão a Jato da NASA/Instituto de Tecnologia da Califórnia
O cianeto de hidrogênio ou HCN, um importante precursor na química pré-biótica, foi detectado em dezenas de cometas, incluindo o cometa Halley, mostrado em sua viagem de retorno ao sistema solar interno. • Laboratório de Propulsão a Jato da NASA/Instituto de Tecnologia da Califórnia

Para que a química prebiótica se forme, muitas outras moléculas precursoras também são necessárias, como compostos que contêm fósforo e enxofre, mas estes não são encontrados rotineiramente em cometas, disse Anslow. "Os cometas são ótimos para fornecer cianeto de hidrogênio, mas, como o local de impacto de um cometa na Terra é aleatório, não temos garantia de que encontraremos tudo o mais necessário para essa química exatamente naquele ponto."

Se os cometas não trouxeram os componentes básicos da vida para a Terra, Anslow afirmou que existem diversas outras vias promissoras a serem exploradas. Outra teoria antiga e concorrente é a possibilidade de que a sopa primordial da Terra possa ter sintetizado as moléculas necessárias para a vida por conta própria. Uma fonte cósmica alternativa de material orgânico poderia ter sido os asteroides, que normalmente colidiam com a Terra mais lentamente e em maior número.

Anslow citou descobertas recentes em amostras dos asteroides Bennu e Ryugu, que contêm a maioria dos aminoácidos essenciais para a formação de proteínas.O estudo recente também levanta outra possibilidade intrigante: embora a Terra possa não ter tido as condições ideais para a formação de HCN a partir de impactos de cometas, o antigo Marte pode ter sido mais propício . "Como Marte é muito menor que a Terra e está mais distante do Sol, a velocidade típica de impacto dos cometas é muito menor, então, enquanto esses impactos na Terra destruíam a maior parte do HCN, o mesmo não acontecia em Marte", disse Anslow.

Essa ideia poderia adicionar uma nova dimensão à antiga questão de se o planeta vermelho já abrigou vida.

“É apenas mais uma perspectiva para termos em mente quando tentamos entender a evolução inicial de Marte com mais detalhes”, disse Anslow.

A teoria do cometa ainda pode se sustentar.

Embora os autores tenham analisado minuciosamente como o HCN poderia ter sobrevivido ao impacto do cometa, a substância química pode ter sofrido reações antes que os corpos gelados entrassem na atmosfera da Terra, afirmou Queenie Chan, professora associada de ciências da Terra na Royal Holloway University of London, que não participou do estudo. Esse processo poderia ter criado compostos biologicamente importantes, como os blocos de construção de proteínas, que são menos voláteis e têm maior probabilidade de sobreviver.

“Portanto, a ineficiência no fornecimento de HCN intacto não descarta completamente um papel potencial dos cometas no fornecimento de outros compostos orgânicos importantes que podem ter contribuído para o estoque orgânico pré-biótico da Terra antes do surgimento da vida”, escreveu Chan em um e-mail.

Nicolle Zellner, professora de física no Albion College, em Michigan, disse em um e-mail que não ficou surpresa com as descobertas. Embora também relute em descartar os cometas como um possível fator que contribuiu para o surgimento da vida, ela reconheceu que "os autores definitivamente estabeleceram parâmetros sólidos em torno dessa probabilidade".

CNN Brasil Siga a CNN Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

inglês 
Tópicos


------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 

Robô da Nasa descobre poeira ultrafina em Marte que pode afetar futuros astronautas

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Material encontrado pelo Perseverance é cerca de 500 vezes mais fino que um fio de cabelo humano. Descoberta deve ajudar no desenvolvimento de trajes espaciais e equipamentos para missões tripuladas ao planeta vermelho.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
TOPO
Por Will Dunham

Postado em 01 de Novembro de 2.026 às 09h00m

 
.#.* -  Post. -- Nº.\  12.599 --  *.#.

Rover Perseverance faz selfie em Marte em setembro de 2021, 198º dia da missão. — Foto: NASA/JPL-Caltech
Rover Perseverance faz selfie em Marte em setembro de 2021, 198º dia da missão. — Foto: NASA/JPL-Caltech

Marte é um lugar empoeirado. A poeira é espalhada pelos ventos cotidianos, por redemoinhos chamados “demônios de poeira” e por grandes tempestades de poeira em escalas local, regional e global.

A poeira é um fator que precisa ser levado em conta em qualquer missão tripulada a Marte, e novos dados de um rover da Nasa revelam o tamanho do desafio que ela pode representar.

O rover Perseverance da Nasa, que opera dentro e ao redor de uma área chamada Cratera Jezero, no hemisfério norte marciano, desde seu pouso em 2021, detectou as partículas mais finas de poeira já registradas no vizinho planetário da Terra.

Ele registrou partículas ultrafinas com largura de cerca de 100 nanômetros, aproximadamente 500 vezes mais finas que um fio de cabelo humano.

“Um tamanho menor de partícula não torna necessariamente a poeira mais perigosa, mas partículas menores têm maior potencial de penetrar mais profundamente no corpo humano e são mais difíceis de serem eliminadas pelo organismo”, disse o cientista planetário Scott VanBommel, da Universidade de Washington em St. Louis, membro da equipe científica do Perseverance e autor principal de um estudo que descreve as descobertas na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Como qualquer substância, a toxicidade depende da dose e da duração. A poeira marciana contém sílica, compostos de ferro e compostos de cloro, como o perclorato, que são conhecidos por serem prejudiciais em doses suficientemente altas na Terra”, afirmou VanBommel.

O Perseverance mediu partículas de poeira que aderiram ao equipamento do rover, incluindo materiais de trajes espaciais transportados a bordo do veículo robótico de seis rodas, com o objetivo de observar como elas se comportam no ambiente hostil do planeta.

Medições anteriores identificaram partículas de poeira marciana com diâmetro de até cerca de 3 micrômetros.

Mas o Instrumento Planetário para Litoquímica de Raios X (PIXL) do Perseverance registrou duas categorias de partículas ainda menores.

Robô Perseverance da NASA coleta amostras de rocha do solo de Marte
Robô Perseverance da NASA coleta amostras de rocha do solo de Marte

Além das partículas ultrafinas, havia uma categoria de partículas finas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro, ou 30 vezes mais finas que um fio de cabelo.

Partículas tão minúsculas poderiam ser pequenas o suficiente para penetrar nos pulmões de um astronauta, entrar na corrente sanguínea e, potencialmente, causar danos a órgãos vitais.

Outra preocupação é que o ambiente marciano e as propriedades físicas da poeira possam degradar, com o tempo, os materiais dos trajes espaciais e dos habitats.

Com isso em mente, o Perseverance transporta amostras de possíveis materiais para trajes espaciais, como a fibra sintética Vectran e o revestimento protetor Teflon, cada uma com cerca de três quartos de polegada (20 mm) de lado.

“Não temos evidências de que a poeira tenha danificado os materiais dos trajes espaciais, apenas de que os materiais tendiam a interagir com a poeira de maneiras diferentes”, disse VanBommel.

“O Vectran parecia reter partículas maiores de poeira, com maior prevalência na parte inferior de sua trama. A amostra de Teflon reteve menos poeira, mas a poeira retida era mais fina, refletindo diferenças na forma como as propriedades eletrostáticas podem fazer com que partículas de diferentes tamanhos adiram preferencialmente a cada material.”

A Nasa pretende enviar astronautas a Marte já na década de 2030.

“Essas descobertas ajudarão a orientar o projeto de futuros sistemas de suporte humano para missões tripuladas a Marte, incluindo a escolha de materiais para trajes espaciais e habitats, bem como métodos de limpeza eficazes para partículas com tamanhos submicrométricos.

Elas também contribuem para as diretrizes e protocolos que a Nasa estabeleceu para riscos toxicológicos”, disse VanBommel.

A Nasa tem experiência com os efeitos da poeira desde os pousos lunares dos astronautas da missão Apollo, de 1969 a 1972.

A poeira lunar degradou as camadas externas dos trajes espaciais, danificou vedações e arranhou viseiras. Ela também pode ter sido associada a sintomas semelhantes à febre do feno em alguns astronautas.

Mas a poeira marciana difere da poeira lunar.

“Na Lua, a poeira é gerada principalmente por impactos na superfície, inclusive por micrometeoritos. Sem atmosfera ou vento para desgastá-las, as partículas lunares permanecem afiadas e angulares. A maior parte da preocupação com a poeira lunar vem de sua forma, enquanto que, no caso da poeira marciana, sua composição química e o tamanho das partículas são as principais preocupações”, declarou VanBommel.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------