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quarta-feira, 5 de julho de 2023

Caros, elétricos e luxuosos: como são os carros da BYD, montadora chinesa que terá fábrica na Bahia

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Além de serem voltados para consumidores de poder aquisitivo elevado (o mais barato sai por quase R$ 150 mil), os veículos da montadora chinesa prometem sofisticação e inovação.
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Por g1 — São Paulo

Postado em 05 de julho de 2023 às 07h40m

 #.*Post. - N.\ 10.857*.#

ECarro da BYD exibido em vento no Farol da Barra, em Salvador, nesta terça (4)  — Foto: Itana Alencar/g1 BA
ECarro da BYD exibido em vento no Farol da Barra, em Salvador, nesta terça (4) — Foto: Itana Alencar/g1 BA

Fundada em 1995 pelo químico Wang Chuanfu, que em 2009 foi considerado o homem mais rico da China, segundo a revista "Hurun", a Build Your Dreams (BYD) é hoje a maior produtora de carros elétricos do mundo.

No Brasil desde 2015, quando desembarcou em Campinas, no interior de São Paulo, a BYD está, agora, prestes a se instalar também em Camaçari, na Bahia, cidade que foi importante polo produtor da Ford.

Nesta reportagem, você vai ler sobre:

A empresa começou focada em produzir baterias de íons-lítio para a Motorola e a Nokia, na cidade de Shenzhen. Foi no mercado de baterias que a empresa se consolidou antes da investida no setor automobilístico.

A virada de ramo aconteceu em 2003, quando a BYD adquiriu uma fábrica em Xi’An, cidade ao norte da China. Na época, quando pensar em carros híbridos e elétricos ainda era uma realidade distante, a BYD comprou a montadora Tsinchuan Automobile Company e investiu na ideia.

Hoje, a BYD está presente em 70 países e seu portifólio também inclui a produção de módulos fotovoltaicos (usados para a geração de energia solar) e máscaras descartáveis.

Interior do BYD Dolphin, carro elétrico de entrada da montadora chinesa. — Foto: Divulgação / BYD
Interior do BYD Dolphin, carro elétrico de entrada da montadora chinesa. — Foto: Divulgação / BYD

No Brasil, a BYD já comercializa cinco modelos:

  • Dolphin (recém-lançado), a partir de R$149.800;
  • Yuan Plus EV (um modelo SUV), a partir de R$ 269.990;
  • Song Plus OM-i (híbrido), a partir de R$ 269.990;
  • Han EV 9 (o sedan campeão de vendas da empresa), a partir de R$ 539.990;
  • Tan EV (um SUV 7 lugares), a partir de R$ 529.890

Além de serem voltados para consumidores de poder aquisitivo elevado (o mais barato sai por quase R$ 150 mil), os veículos da montadora chinesa prometem sofisticação e inovação. O Dolphin, por exemplo, vem com internet, controle por voz, videogame e até karaokê de fábrica. Em entrevista ao jornal O Globo, Stella Li, vice-presidente global da empresa, afirmou que a proposta é trazer ao Brasil carros elétricos "com uma sensação premium de inovação".

Veículos elétricos

Carros elétricos não são novidade — o Columbia, um dos primeiros a existir, por exemplo, é de 1902. Mas "floparam" com o surgimento dos primeiros veículos a combustão, mais baratos e que eram produzidos em menos tempo, como explicou reportagem do Fantástico.

Mas os elétricos voltaram a tomar força nas últimas décadas, impulsionados por leis ambientais mais rígidas e pela necessidade de investir em energia limpa — o que a BYD diz ser sua principal bandeira. No Brasil, ainda que estejam longe de ser uma unanimidade, elétricos já podem ser vistos com mais frequência.

Hoje, a maioria dos carros a eletricidade é do modelo híbrido. Rodam com dois motores, um a bateria e outro à combustão. Em junho de 2022, como mostrou reportagem do Jornal Nacional, eles eram vendidos, em média, por um preço 30% mais caro em relação aos carros convencionais. Já os 100% elétricos, que também circulam no Brasil, custavam três ou quatro vezes mais que os convencionais, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (reveja a reportagem aqui).

Segundo o Auto Esporte, o emplacamento de carros elétricos cresceu no ano passado quando comparado a 2021. Foram 8.458 unidades emplacadas, contra 2.851 no ano anterior. Em 2022, os carros elétricos mais vendidos no Brasil, de acordo com o Auto Esporte, foram:

  1. Volvo XC40 Recharge,
  2. Caoa Chery iCar,
  3. JAC E-JS1,
  4. Renault Kwid E-Tech,
  5. Volvo C40 Recharge.

O elétrico mais barato vendido no Brasil é JAC E-JS1 — custa R$ 139.900 e foi desenvolvido em parceria com a Volkswagen na China. Segundo a Jac Motors, o veículo possui baterias de fosfato de ferro-lítio, que oferecem capacidade máxima de 30,2 kWh.

Carro JAC E-JS1, o elétrico mais barato do Brasil  — Foto: Reprodução
Carro JAC E-JS1, o elétrico mais barato do Brasil — Foto: Reprodução

Investimento no Brasil

No Brasil, a BYD chegou em 2015, quando inaugurou em Campinas, no interior de São Paulo, sua primeira fábrica de montagem de ônibus 100% elétricos.

Dois anos depois, ainda em Campinas, a BYD abriu uma segunda fábrica, dessa vez para a produção de módulos fotovoltaicos. Em 2020, a chinesa abriu sua terceira fábrica no Brasil, dessa vez em no Polo Industrial de Manaus e voltada para a produção de baterias de fosfato de ferro-lítio.

Fábrica de Camaçari

Agora, as investidas da BYD no Brasil estão voltadas para Camaçari, maior Polo Industrial da Bahia, onde ficava uma fábrica da Ford, que encerrou sua produção no Brasil em janeiro 2021. Além da cidade baiana, a montadora mantinha fábricas para carros em Taubaté (SP) e em Horizonte (CE), para jipes da marca Troller.

Na época, ao lamentar a saída da Ford do Brasil, Rui Costa, então governador da Bahia, disse ter procurado a Embaixada da China para sondar investidores para assumir negócio no estado. Costa, que hoje é ministro da Casa Civil do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse na época que havia entrado em contato com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), assim que foi informado do fechamento das unidades, para avaliar possibilidades alternativas ao fechamento.

A possibilidade de a BYD se instalar em Camaçari voltou a ser pauta no início do ano, quando Lula e Jerônimo Rodrigues, atual governador da Bahia, se reuniram na China para discutir a implantação de uma fábrica de veículos elétricos no estado.

Governo da Bahia anuncia implantação de fábricas da montadora chinesa BYDGoverno da Bahia anuncia implantação de fábricas da montadora chinesa BYD

A confirmação veio nesta terça-feira (4), quando Jerônimo anunciou a implantação de três fábricas da BYD em Camaçari.

Segundo o governo, a empresa investirá R$ 3 bilhões para instalar as três fábricas e a produção deve começar no segundo semestre de 2024. Em Camaçari, a montadora produzirá chassis de ônibus, caminhões elétricos, processamento de lítio e ferro fosfato, além de veículos de passeio elétricos e híbridos.

A expectativa é que a produção nacional desses automóveis permita preços mais competitivos. O modelos que serão produzidos na Bahia foram expostos no Farol da Barra, nesta manhã. São eles:

  • um utilitário, modelo eT3;
  • outros seis carros: Dolphin, Han, D1, Song, Yuan e o Tan.
Carro da BYD que será produzido no Brasil é exposto em evento no Farol da Barra, em 4 de julho de 2023  — Foto: Itana Alencar/g1 BA
Carro da BYD que será produzido no Brasil é exposto em evento no Farol da Barra, em 4 de julho de 2023 — Foto: Itana Alencar/g1 BA

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Âmbar-gris: conheça a pedra rara encontrada dentro de baleia na Espanha que pode valer R$ 2,6 milhões

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Uma baleia cachalote morta apareceu em uma praia na Espanha. Os veterinários abriram o animal e descobriram uma pedra de cerca de 9 quilos formada por um material raro, produzido dentro do estômago das cachalotes que é usado em perfumes.
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Por Felipe Gutierrez, g1

Postado em 05 de julho de 2023 às 06h00m

 #.*Post. - N.\ 10.856*.#

Veterinários forenses encontram 9 kg de âmbar-gris em baleia morta em Nogales, na EspanhaVeterinários forenses encontram 9 kg de âmbar-gris em baleia morta em Nogales, na Espanha

Uma grande pedra de âmbar-gris, um material raro e valioso, produzido no sistema gastrointestinal das baleias cachalotes e usado na indústria de perfumes, foi encontrada na Espanha no fim de maio. A peça pode valer até US$ 500 mil (R$ 2,6 milhões), segundo a mídia espanhola.

A história começou em 21 de maio, quando uma baleia cachalote morta apareceu na praia de Nogales, na ilha de Las Palmas, na Espanha. No dia seguinte, veterinários forenses da Universidade de Las Palmas foram enviados até lá para fazer uma necrópsia da baleia –era preciso agir rapidamente, para aproveitar a maré baixa --e descobriram uma pedra de cerca de 9 quilos de âmbar-gris, o material raro, dentro da cachalote.

🐳 O que é o âmbar-gris? É uma espécie de cera que a cachalote produz para envolver materiais resistentes ao processo digestivo. O principal alimento desse tipo específico de baleia são as lulas de grande profundidade, que têm um bico parecido com o de papagaio, formado de quitina. É justamente para facilitar o transporte desse bico e evitar ferimentos que serve a "carapaça" de âmbar-gris.

🪨 Por que o material é raro? O âmbar-gris é produzido dentro do sistema digestivo de uma única espécie de baleia, a cachalote, que não pode ser caçada e é considerada vulnerável para extinção. A forma mais comum de se encontrar essa pedra é quando ela já foi expelida junto com as fezes da baleia, flutuando no mar, encalhada nas praias, ou em redes de pescadores.

🧴O que se faz com âmbar-gris? Perfume. Usa-se esse material para perfume há séculos, mas como é cada vez mais raro, o preço é alto.

👃 Por que o material é cobiçado pela indústria de perfume? Porque tem um cheiro considerado quente, intenso e complexo, com elementos do mar como algas, plâncton ou crustáceos.

Baleia estava magra

A baleia era um macho de 13 metros e mais de 15 toneladas. Os veterinários determinaram que uma baleia deste tamanho deveria ser mais pesada, e que, portanto havia algum problema no sistema digestivo da cachalote. Foi por isso que começaram a abrir o sistema digestivo do animal.

Durante a necropsia, ao investigar o tubo digestivo, eles encontraram uma pedra de cerca de 9 quilogramas e quase 60 centímetros. Trata-se de âmbar-gris, e segundo o jornal espanhol “El Mundo”, pode valer até 500 mil euros (R$ 2,6 milhões). 
A pedra formada no sistema digestivo da baleia

Âmbar-gris é um material que é produzido dentro do sistema gastrointestinal desse tipo específico de baleia, diz Marcos Cesar de Oliveira Santos, do Instituto de Oceanografia da USP.

O âmbar-gris é uma espécie de cera que a baleia produz para envolver materiais resistentes ao processo digestivo, afirma Santos em seu livro “Orca é Baleia ou Golfinho?”.

O professor Andre Silva Barreto, da Universidade do Vale do Itajaí, explica que as cachalotes se alimentam de um animal, as lulas de grande profundidades. “Essa lula não tem dente, mas tem um bico que é parecido com o de um papagaio, formado de quitina, e quitina é um material muito resistente à digestão”.

A baleia consegue digerir o corpo das lulas, mas não esse bico. “As cachalotes desenvolveram a produção dessa substância, o âmbar-gris, que parece uma cera que serve para envolver esses bicos de lula e facilitar o transporte no tubo digestivo, para ser eliminado sem haver ferimento”, afirma ele.

Geralmente, essas bolotas saem junto com as fezes da baleia e ficam boiando no mar. A gordura do material, ao entrar em contato com o mar, fica empedrada. Esse é o material que interessa aos especialistas em perfume.

O perfume do âmbar-gris

Olivier Fabre, um avaliador olfativo, diz que o âmbar-gris tem um cheiro quente, intenso e complexo -- é um odor que remete a animais, com elementos do mar como algas, plâncton ou crustáceos.

“É um cheiro muito único, e utilizado pelos perfumistas para o que se chama de notas de fundo das fragrâncias finas. Confere sensualidade, riqueza e tem uma remanência longa por isso que as vezes se denomina, erroneamente, como fixador. Não fixa odores, é remanente e fica na pele e na memória de quem usa um perfume com âmbar-gris”, diz ele.

O material é raro, diz Fabre, por ser de origem animal (e a caça de cachalote com fim de extração do âmbar-gris, claro, é proibida). Só o âmbar-gris encontrado flutuando no mar, nas praias ou nas redes de pescadores ainda é utilizado em perfumaria.

O preço da pedra rara

“Existe o âmbar-gris reproduzido sinteticamente, bem diferente olfativamente, em remanência e em preço”, afirma Fabre.

Em uma reportagem da BBC de 2015, afirma-se que um homem encontrou um pedaço do material em uma praia e conseguiu US$ 17 mil pela peça.

A BBC também publicou um texto sobre a pedra encontrada dentro da cachalote em Las Palmas, e afirma que estima-se que possa valer até US$ 500 mil.

O material já é caro faz tempo. No livro “Moby Dick” (a baleia branca que o capitão Ahab persegue no livro é justamente uma cachalote), publicado em 1851, há diversas citações ao âmbar-gris. Em uma passagem, o material é descrito assim: “Parecia sabão de Windsor, ou um velho queijo forte e mosqueado; e, ademais, gorduroso; sua cor fica entre o amarelo e o cinza. E isso, caros amigos, é o âmbar-gris, do qual cada onça vale um guinéu de ouro em qualquer boticário”. 
Pedra que vale R$ 2,6 milhões é encontrada dentro de baleia cachalote
Imagem da pedra de âmbar-gris na ilha de Las Palmas — Foto: Instituto Universitario de Sanidad Animal da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria

Imagem de cachalote morta em Las Palmas, na Espanha, durante a necrópsia do animal — Foto: Instituto Universitario de Sanidad Animal da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria
Imagem de veterinários, com uma escada, durante necrópsia de cachalote na Espanha — Foto: Instituto Universitario de Sanidad Animal da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria
Âmbar-gris é um material produzido dentro do sistema digestivo das baleias dessa espécie

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terça-feira, 4 de julho de 2023

Segunda-feira, 3 de julho, foi o dia mais quente já registrado na Terra, diz agência dos EUA

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Dados dos Centros Nacionais de Previsão Ambiental dos Estados Unidos apontam que a temperatura média global atingiu a marca de 17,01°C na data.
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Por g1

Postado em 04 de julho de 2023 às 16h10m

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Mapa de calor do Climate Reanalyzer da Universidade do Maine mostra a temperatura média global no último dia 3 de julho de 2023 — Foto: Climate Reanalyzer
Mapa de calor do Climate Reanalyzer da Universidade do Maine mostra a temperatura média global no último dia 3 de julho de 2023 — Foto: Climate Reanalyzer

A segunda-feira, 3 de julho de 2023, foi o dia mais quente da história já registrado numa escala global, de acordo com dados dos Centros Nacionais de Previsão Ambiental dos Estados Unidos, que é ligado à administração Oceânica e Atmosférica Nacional do país (NOAA).

Na data, a temperatura média global atingiu a marca de 17,01°C, ultrapassando o recorde anterior de agosto de 2016, que era de 16,92°C, enquanto ondas de calor castigavam diversas partes do Hemisfério Norte.

As regiões sul dos Estados Unidos têm sofrido com uma intensa área de calor nas últimas semanas. Na China, uma onda persistente continua a afetar o país, com temperaturas acima dos 35°C. No norte da África, as temperaturas têm chegado próximo dos 50°C.

Mudanças, El Niño e recorde na Antártica

Surpreendentemente, mesmo a Antártica, que está atualmente em seu período de inverno, registrou temperaturas anormalmente altas nesse período. A Base de Pesquisa Vernadsky, da Ucrânia, localizada nas Ilhas Argentinas do continente gelado, recentemente quebrou seu recorde de temperatura para o mês de julho, alcançando impressionantes 8,7°C.

Calor recorde no mundo no dia 3 de julho de 2023

Moradores se refrescam em um canal urbano de Pequim, na segunda-feira, 3 de julho de 2023. Pequim relatou 9,8 dias consecutivos em que a temperatura ultrapassou 35 °C, informou o Centro Nacional do Clima do país na segunda. — Foto: AP Photo/Andy Wong


Cachorros se refrescam do calor em uma fonte no centro da cidade em Varsóvia, na Polônia, nesta terça-feira, 4 de julho de 2023. — Foto: AP Photo/Czarek Sokolowski

Agente de segurança usa um ventilador elétrico no pescoço e enxuga suor em dia quente em Pequim, na última segunda-feira, 3 de julho de 2023. — Foto: AP Photo/Andy Wong
Terra teve o dia mais quente já registrado na data, de acordo com agência dos EUA.

"Esse não é um marco para se comemorar", declarou a cientista climática Friederike Otto, do Instituto Grantham para Mudanças Climáticas e Meio Ambiente do Imperial College London, no Reino Unido. "É uma sentença de morte para as pessoas e ecossistemas."

Os cientistas afirmam que as principais causas do fenômeno preocupante são as mudanças climáticas e os efeitos do El Niño, que já se estabeleceu e impacta o padrão do clima global.

"Infelizmente, isso é apenas o primeiro de uma série de novos recordes que serão estabelecidos neste ano, à medida que as emissões crescentes de dióxido de carbono e gases de efeito estufa, juntamente com um evento de El Niño em desenvolvimento, empurram as temperaturas para níveis cada vez mais altos", alertou Zeke Hausfather, cientista de pesquisa do Berkeley Earth.

Efeitos da temporada de calor pelo mundo

  • No Vietnã, produtores de arroz passaram a trabalhar à noite durante os verões, cada vez mais quentes. Com temperaturas superiores a 37°C em julho, o Vietnã é um dos muitos países do sul e sudeste da Ásia que enfrentam temperaturas recordes, sobretudo, na região de Hanói e no norte.
  • Nos EUA, a onda de calor que atinge o sul do país já dura duas semanas, com sensações térmicas acima dos 40ºC. Ao menos 13 pessoas morreram nos últimos dias devido às altas temperaturas.
  • No México, mais de 100 pessoas morreram entre 12 e 25 de junho devido ao calor extremo que atinge regiões do norte do país, informou o governo nesta quinta-feira (29).
  • Também no fim de junho, a Espanha viveu sua primeira onda de calor do verão e os termômetros ultrapassaram os 44 °C na Andaluzia (sul), segundo a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet).
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Após 40 anos, descoberta de fóssil de feto de preguiça gigante encontrado em Minas Gerais é divulgada

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Segundo o pesquisador responsável pela descoberta, é a primeira vez que um registro como este é feito no Brasil. O fóssil da mãe, que estava prenha do filhote, também foi encontrado em bom estado.
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Por Jô Andrade, g1 Minas — Belo Horizonte

Postado em 04 de julho de 2023 às 07h10m

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Imagem do fóssil foi retratada digitalmente — Foto: Arquivo pessoal
Imagem do fóssil foi retratada digitalmente — Foto: Arquivo pessoal

Há 40 anos, um fóssil de um feto de uma preguiça gigante foi encontrado na Gruta de Maquiné, em Cordisburgo, na Região central de Minas Gerais. Mas só agora essa descoberta foi divulgada. A ossada da mãe, prenha do filhote, também foi encontrada em bom estado.

"Há anos descobri um esqueleto de preguiça extinta. Durante a escavação, a grande surpresa: era uma fêmea e com o feto. Isso é um achado mais do que raro, é raríssimo", disse o professor Cástor Cartelle Guerra, pesquisador do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas e doutor em Morfologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A pesquisa começou a ser feita há 40 anos, mas só agora o pesquisador conseguiu concluir todo o material. A descoberta será divulgada oficialmente em publicações científicas. Segundo Cástor, esta é a primeira vez que um registro como este é feito no Brasil.

"A preservação do feto é extraordinária, melhor que o da mãe", conta o professor. A mãe media cerca de seis metros, já o feto tinha cerca de 25 centímetros", completou.

Professor e pesquisador Càstor Castelli é o responsável pela descoberta  — Foto: Guilherme Simões
Professor e pesquisador Càstor Castelli é o responsável pela descoberta — Foto: Guilherme Simões

O fóssil do feto é da espécie Nothrotherium Maquinense, mesmo animal descoberto pelo paleontólogo Peter Lund e que teria vivido no Brasil há mais de 20 mil anos.

O achado, que demoramos anos para dar conhecimento publicamente, é espetacular e único, no ponto de vista da ciência. Isso é valorizar nosso passado", reforçou o pesquisador.

Uma "toca" com 340 metros de comprimento visitada por preguiças gigantes há mais de dez mil anos, ganhou proteção da Justiça mineira na semana passada.

Chamada de paleotoca, a estrutura fica nos limites do Distrito Espeleológico Serra do Gandarela, em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Apesar do nome complicado, as paleotocas são nada menos que cavidades pré-históricas, escavadas em rochas por animais já extintos. Em agosto de 2010, durante estudos espeleológicos, 69 cavidades foram classificadas como possíveis paleotocas na Serra do Gandarela.

Porém, esta de 340 metros foi a única a apresentar sinais de megafauna, como a preguiça gigante de dois dedos que chegava a medir seis metros de cumprimento.

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segunda-feira, 3 de julho de 2023

Pesquisadores da Unicamp criam filme biodegradável a partir de casca de laranja e exoesqueleto de crustáceos

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Material é capaz de preservar as características dos alimentos, como cheiro, cor e sabor, por mais tempo. Grupo agora estuda outras possibilidades relacionadas ao poli(limoneno), substância usada para criar a embalagem.
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Por Gabriella Ramos, g1 Campinas e Região

Postado em 03 de julho de 2023 às 08h35m

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Pesquisadores da Unicamp desenvolvem filme biodegradável a partir de casca de laranja e exoesqueleto de crustáceos — Foto: FEQ-Unicamp/Agência FAPESP
Pesquisadores da Unicamp desenvolvem filme biodegradável a partir de casca de laranja e exoesqueleto de crustáceos — Foto: FEQ-Unicamp/Agência FAPESP

Em busca de alternativas sustentáveis às embalagens de plástico, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveu um filme biodegradável a partir do limoneno e da quitosana, substâncias presentes na casca da laranja e no exoesqueleto de crustáceos, respectivamente.

A criação também é capaz de preservar as características dos alimentos, como cheiro, cor e sabor, por mais tempo. Segundo o professor Roniérik Pioli Vieira, coordenador da pesquisa, ambos os componentes já são explorados em pesquisas, mas encontram entraves para a produção industrial.

"O grande diferencial no nosso caso que a gente utilizou o poli(limoneno), que é um derivado do limoneno mais estável, não volátil e a ideia é que ele atue como esse aditivo antioxidante, antimicrobiano, e com um potencial maior de eventualmente ser utilizado em larga escala", afirma.

Para criar o "novo" limoneno, mais estável e adequado à indústria, os pesquisadores utilizaram um processo de polimerização, que consiste em unir várias moléculas da substância para criar uma molécula maior, chamada de oligômero.

"A nossa ideia é que o poli(limoneno) seja considerado um aditivo multifuncional, que a gente possa aplicar desde a fabricação de embalagens. Pensamos em utilizar ele como um aditivo bloqueador de luz ultravioleta, antioxidante e antimicrobiano", explica Vieira.
Estágio inicial

O professor ressalta que a pesquisa está em um estágio inicial, mas a ideia é que, futuramente, o poli(limoneno) seja utilizado como aditivo de origem renovável em escala comercial. Para que isso seja possível, os pesquisadores têm testado a compatibilização do componente com materiais diferentes da quitosana.

"A ideia é que a gente prepare os filmes também em uma escala um pouco maior e em processos que simulem o industrial, ou seja, aqueles que envolvem altas temperaturas e taxas de deformação. [...] Com base nos dados preliminares, em termos de não volatilidade e estabilidade, a gente acredita que esse comportamento possa ser favorável no processo industrial", diz.

Em relação à quitosana, Vieira afirma que o uso em larga escala não deve ocorrer tão cedo, já que ela tem um custo mais elevado em relação aos plásticos tradicionais. "A quitosana é muito utilizada na área biomédica, então em materiais que tem um valor agregado um pouco maior, obviamente seria mais fácil, mais rápido desse material ir para a sociedade", ressalta.

Frasco com poli(limoneno); componente é estável e pode ser usado em larga escala — Foto: Roniérik Pioli Vieira/Arquivo pessoal
Frasco com poli(limoneno); componente é estável e pode ser usado em larga escala — Foto: Roniérik Pioli Vieira/Arquivo pessoal

Possibilidades

Além do uso em embalagens biodegradáveis, as equipes do Departamento de Engenharia de Materiais e Bioprocessos da Faculdade de Engenharia Química e do Centro de Tecnologia de Embalagem do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) também estudam outras possibilidades relacionadas ao poli(limoneno).

Há, por exemplo, uma linha de pesquisa que investiga as interações do aditivo com outros materiais biodegradáveis e compostáveis que já são industrialmente competitivos, e outra que explora estratégias para aumentar o rendimento do processo produtivo. Já uma terceira linha de pesquisa analisa aplicações do material na área biomédica.

"Como ele tem características antioxidantes e antimicrobianas, a ideia é incorporar esse aditivo na formulação de, por exemplo, polímeros para curativos, para que a gente possa ter curativos avançados, com características antioxidantes e antimicrobianas, que possam auxiliar no processo de cicatrização de lesões, evitando a proliferação de micro-organismos", afirma Vieira.
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