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terça-feira, 8 de novembro de 2022

Pessoas recebem sangue criado em laboratório em teste inédito

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A expectativa é de que possa revolucionar o atendimento a pacientes com grupos sanguíneos raros e que precisam de transfusões regulares.
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TOPO
Por James Gallagher, BBC

Postado em 08 de novembro de 2022 às 12h20m

 #.*Post. - N.\ 10.547*.#

O sangue criado em laboratório está sendo mantido em Bristol, no Reino Unido — Foto: BBC/NHSBT
O sangue criado em laboratório está sendo mantido em Bristol, no Reino Unido — Foto: BBC/NHSBT

Voluntários receberam transfusões de sangue criado em laboratório, no primeiro ensaio clínico do tipo no mundo, realizado por pesquisadores do Reino Unido.

Pequenas quantidades estão sendo testadas para ver como o sangue de laboratório se comporta dentro do corpo.

O objetivo desse teste não é substituir as doações de sangue por completo — a maior parte das transfusões de sangue vai sempre depender de doadores voluntários. A meta do experimento é fabricar sangue para grupos sanguíneos ultrarraros, difíceis de se obter com doadores.

É o caso de pacientes que dependem de transfusões de sangue regulares para condições como anemia falciforme.

Se o sangue não for exatamente compatível, o corpo começa a rejeitá-lo, e o tratamento não funciona. Este nível de compatibilidade de tecidos vai além dos conhecidos grupos sanguíneos A, B, AB e O.

A professora Ashley Toye, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, afirma que alguns grupos são "muito, muito raros" — e "pode ​​haver apenas 10 pessoas no país" capazes de doar.

No momento, existem apenas três unidades do grupo sanguíneo "Bombay" — identificado pela primeira vez na Índia — em estoque em todo o Reino Unido, por exemplo.

Um glóbulo vermelho cultivado em laboratório, que transporta oxigênio e dióxido de carbono ao redor do corpo — Foto: NHSBT/BBC
Um glóbulo vermelho cultivado em laboratório, que transporta oxigênio e dióxido de carbono ao redor do corpo — Foto: NHSBT/BBC

Como o sangue é criado?

O projeto de pesquisa é conduzido por equipes de Bristol, Cambridge, Londres e do NHS Blood and Transplant, órgão do sistema público de saúde do Reino Unido. Ele se concentra nos glóbulos vermelhos que transportam oxigênio dos pulmões para o resto do corpo.

É assim que funciona:

  • O teste começa com uma doação normal de cerca de 470 ml de sangue;
  • Esferas magnéticas são usadas para "pescar" células-tronco flexíveis que são capazes de se tornar um glóbulo vermelho;
  • Essas células-tronco são incentivadas a crescer em grande número nos laboratórios;
  • Depois, elas são direcionadas a se tornar glóbulos vermelhos.

O processo leva cerca de três semanas e uma reserva inicial de cerca de meio milhão de células-tronco resulta em 50 bilhões de glóbulos vermelhos.

Estes são então filtrados para se obter cerca de 15 bilhões de glóbulos vermelhos que estão no estágio certo de desenvolvimento para transplante.

"Queremos produzir o máximo de sangue possível no futuro, então vejo na minha cabeça uma sala cheia de máquinas produzindo continuamente a partir de uma doação de sangue normal", conta Toye.

— Foto: NHSBT/BBC
— Foto: NHSBT/BBC

Duas pessoas já participaram do ensaio, que visa testar o sangue em pelo menos 10 voluntários saudáveis. Eles vão receber duas transfusões de 5 a 10 ml com pelo menos quatro meses de intervalo — uma de sangue normal e outra de sangue criado em laboratório.

O sangue foi marcado com uma substância radioativa, frequentemente usada em procedimentos médicos, para que os cientistas possam ver quanto tempo dura no corpo.

Espera-se que o sangue cultivado em laboratório seja mais potente que o normal.

Os glóbulos vermelhos duram normalmente cerca de 120 dias antes de precisarem ser substituídos. Uma doação de sangue típica contém uma mistura de glóbulos vermelhos jovens e velhos, enquanto o sangue cultivado em laboratório é feito na hora, então deve durar os 120 dias completos.

Os pesquisadores suspeitam que isso poderá permitir doações menores e menos frequentes no futuro.

Há, no entanto, desafios financeiros e tecnológicos consideráveis.

A doação de sangue comum custa ao NHS cerca de 130 libras (R$ 750). O cultivo de sangue custará muito mais, embora a equipe não diga quanto.

Outro desafio é que as células-tronco colhidas acabam se exaurindo, o que limita a quantidade de sangue a ser fabricado. Serão necessárias mais pesquisas para produzir os volumes que seriam necessários clinicamente.

"Esta pesquisa líder a nível mundial estabelece as bases para a fabricação de glóbulos vermelhos que podem ser usados ​​​​com segurança para fazer transfusão em pessoas com distúrbios como anemia falciforme", afirma Farrukh Shah, diretor médico de transfusão do NHS Blood and Transplant.

"O potencial deste estudo para beneficiar pacientes com dificuldade para fazer transfusão é muito significativo."

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O misterioso roubo de US$ 3 bi em bitcoins desvendado com achado em lata de pipoca

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Autoridades dos EUA dizem que a apreensão é a segunda maior da história.
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Por Joe Tidy, BBC

Postado em 08 de novembro de 2022 às 10h25m

 #.*Post. - N.\ 10.546*.#

O Bitcoin roubado foi encontrado em cartões de memória e em dispositivos físicos de Bitcoin — Foto: US DOJ via BBC
O Bitcoin roubado foi encontrado em cartões de memória e em dispositivos físicos de Bitcoin — Foto: US DOJ via BBC

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou que apreendeu US$ 3,36 bilhões (R$ 17 bilhões) em bitcoins no ano passado, que foi roubado de um site da darkweb.

O estoque de 50.676 bitcoins foi encontrado escondido em vários dispositivos na casa de um hacker em um cofre embaixo do piso e dentro de uma lata de pipoca. A darkweb é uma parte da internet que só pode ser acessada usando software especializado.

James Zhong se declarou culpado de hackear os bitcoins em 2012 do mercado ilegal Silk Road. A batida policial na casa de Zhong, na Geórgia, foi realizada há um ano, mas só foi revelada agora.

Autoridades dos EUA dizem que a apreensão é a segunda maior da história. Ela ocorreu quando o valor do bitcoin estava no seu auge — os fundos apreendidos agora valeriam cerca de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,7 bilhões).

Autoridades dizem que encontraram o bitcoin espalhado pela casa em discos rígidos e outros dispositivos de armazenamento em um cofre no piso e em um pequeno computador escondido dentro de uma lata de pipoca em um armário do banheiro.

A polícia diz que Zhong conseguiu roubar os fundos do Silk Road aproveitando uma falha no sistema de pagamento do site.

Em setembro de 2012, ele abriu várias contas no mercado da darkweb e depositou uma pequena quantia de bitcoin em suas carteiras digitais. Ele então encontrou uma maneira de sacar quantias muito maiores rapidamente para não levantar suspeitas.

O Silk Road foi o primeiro mercado da darknet, que operou aproximadamente de 2011 a 2013. Foi usado por traficantes e outros vendedores ilegais para distribuir grandes quantidades de drogas ilegais e outros bens e serviços ilícitos para muitos compradores.

Em 2015, o fundador do Silk Road, Ross Ulbricht, foi condenado por unanimidade por um júri e sentenciado à prisão perpétua.

Zhong se declarou culpado em 4 de novembro de hackear o site e teve confiscados pela polícia o valor em bitcoin e ativos enquanto aguarda a sentença.

Ele pode pegar até 20 anos de prisão.

O advogado Damian Williams disse que a polícia usou técnicas de rastreamento de criptomoedas para localizar o bitcoin.

"Por quase 10 anos, o paradeiro desse enorme pedaço de bitcoin desaparecido se transformou em um mistério de mais de US$ 3,3 bilhões", disse. "Este caso mostra que não vamos parar de seguir o dinheiro, não importa o quão habilmente escondido, mesmo para uma placa de circuito escondida no fundo de uma lata de pipoca."

Na época, essa foi a maior apreensão de criptomoedas na história dos EUA, mas foi posteriormente superada em fevereiro, quando mais de US$ 4 bilhões em bitcoin roubado do hack da Bitfinex em 2016 foi confiscado.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-63554729

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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

'Estamos no caminho para o inferno climático', alerta Guterres na COP 27

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Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, falou no segundo dia da 27ª cúpula da ONU sobre as mudanças climáticas e fez um apelo para o financiamento à nações vulneráveis à crise do clima.
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Por g1

Postado em 07 de novembro de 2022 às 08h45m

 #.*Post. - N.\ 10.545*.#

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fala durante sessão da COP 27, em Sharm el-Sheikh, no Egito. — Foto: REUTERS/Mohammed Salem
O secretário-geral da ONU, António Guterres, fala durante sessão da COP 27, em Sharm el-Sheikh, no Egito. — Foto: REUTERS/Mohammed Salem

No início do segundo dia da cúpula do clima da ONU, a COP 27 do Egito, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu aos países que se reúnem em Sharm el-Sheikh que trabalhem juntos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao redor do mundo.

“Estamos na luta de nossas vidas. E estamos perdendo. As emissões de gases de efeito estufa continuam crescendo. As temperaturas globais continuam subindo. E nosso planeta está se aproximando rapidamente de pontos de inflexão que tornarão o caos climático irreversível”, afirmou o chefe da ONU.

“Estamos em uma estrada no caminho para o inferno climático com o pé no acelerador", alertou.

No último mês, um relatório global divulgado pela ONU mostrou que as promessas climáticas dos países ainda não são suficientes para conter os efeitos catastróficos das mudanças climáticas e podem até colocar o mundo para um aquecimento de até 2,5 graus Celsius até o final deste século (em relação aos níveis pré-industriais).

Em seu discurso, o secretário-geral da ONU também afirmou que é preciso que o planeta acelere a transição dos combustíveis fósseis e entregue um financiamento necessário para garantir que os países mais pobres possam reduzir suas emissões e lidar com os impactos inevitáveis das mudanças climáticas que já estão ocorrendo.

Esse tema é chamado de "perdas e danos" e será um dos principais debates da cúpula do clima deste ano.

“Perdas e danos não pode mais ser varrido para debaixo do tapete. É um imperativo moral. É uma questão fundamental de solidariedade internacional – e justiça climática", declarou.

“Aqueles que menos contribuíram para a crise climática estão colhendo a desordem semeada por outros.”

Guterres também chamou atenção para o fato de que as duas maiores economias do mundo, Estados Unidos e China, precisam se unir para que esse pacto financeiro se torne uma realidade.

As duas potências foram as principais responsáveis para a existência do Acordo de Paris, o tratado climático internacional que prevê o controle das emissões de gases de efeito estufa.

* Com informações das agências internacionais.

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domingo, 6 de novembro de 2022

Astrônomos descobrem buraco negro mais próximo da Terra, no nosso 'quintal cósmico'

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Dormente e silencioso, Gaia BH1 está localizado a 1.600 anos-luz de distância do nosso planeta, e foi encontrado na constelação de Ophiuchus.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 06 de novembro de 2022 às 15410m

 #.*Post. - N.\ 10.544*.#

Impressão artística do buraco negro (no topo, à direita) e sua estrela vizinha, a apenas 1600 anos-luz de distância da Terra. — Foto: International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva/Spaceengine/M. Zamani
Impressão artística do buraco negro (no topo, à direita) e sua estrela vizinha, a apenas 1600 anos-luz de distância da Terra. — Foto: International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva/Spaceengine/M. Zamani

Astrônomos que operam o telescópio Gemini North, no Havaí (EUA), e o satélite europeu Gaia afirmam ter descoberto o buraco negro mais próximo da Terra, a apenas 1.600 anos-luz de distância, sem oferecer risco algum ao nosso planeta.

Isso pode não parecer muito perto, já que para chegar aonde está esse novo candidato teríamos que viajar por aproximadamente 1.600 anos na velocidade da luz (algo impossível com nossa atual tecnologia), mas na escala gigantesca do Universo esse buraco negro está no nosso "quintal cósmico", na constelação de Ophiuchus, como descreveu o comunicado do observatório.

Gaia BH1, como foi batizado o objeto, pesa 10 vezes a massa do nosso Sol e além de ser um dos nossos vizinhos mais próximos, possui uma característica curiosa: ele está bem perto de uma estrela também semelhante à nossa.

E isso é interessante porque um buraco negro é uma espécie de abismo cósmico que suga para si tudo o que se aproxima - a uma determinada distância - dele. Como a atração gravitacional desses corpos é extremamente forte, nem mesmo a luz escapa de ser atraída por esses objetos. Justamente por isso que os buracos negros têm esse nome.

Mas no caso de Gaia BH1 isso não está acontecendo. Sua estrela vizinha permanece intacta e esse buraco negro está completamente dormente e silencioso.

Por isso, identificar esse objeto não foi uma tarefa fácil. Embora existam provavelmente milhões de buracos negros vagando pela nossa Via Láctea, apenas alguns poucos foram detectados interagindo nesses sistemas estelares binários (um sistema composto por dois corpos celestes).

“Eu tenho procurado buracos negros adormecidos nos últimos quatro anos usando uma ampla variedade de conjuntos de dados e métodos”, disse astrofísico El-Badry, principal autor do artigo que descreveu a descoberta.

O grupo só conseguiu ter certeza que estava realmente observando um buraco negro depois de analisar dados da influência gravitacional do objeto sobre sua estrela vizinha, que orbita o Gaia BH1 a uma distância semelhante à da Terra em relação ao Sol.

Embora muitas detecções de sistemas como este já tinha sido feitas, quase todas essas descobertas já foram refutadas, como foi o caso de HR 6819, um candidato a apenas 1.000 anos-luz da Terra.

Como os astrônomos ainda não sabem porque a estrela companheira desse novo buraco negro sobreviveu a sua formação, eles agora querem entender como, de fato, esse sistema binário surgiu, e assim conseguir estimar quantos desses objetos adormecidos existem pelo Universo.

(VÍDEO: g1 explica o que são os buracos negros do nosso Universo.)

O que é um buraco negro?
O que é um buraco negro?

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Copa dos milionários: quanto custa acompanhar os jogos no Catar?

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Quem for assistir aos jogos diretamente no Catar deverá desembolsar mais de R$ 50 mil.
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Por Bruna Miato, g1

Postado em 06 de novembro de 2022 às 08h00m

 #.*Post. - N.\ 10.543*.#

Vista do Estádio Lusail, uma das sedes da Copa do Mundo do Catar, no dia 5 de novembro de 2022 — Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP
Vista do Estádio Lusail, uma das sedes da Copa do Mundo do Catar, no dia 5 de novembro de 2022 — Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP

Apaixonados por futebol ao redor do mundo juntam suas economias a fim de acompanhar os jogos dos seus times do coração. É uma indústria que movimenta muito dinheiro. E, de quatro em quatro anos, fãs do esporte também destinam uma quantia significativa para vivenciar a experiência de assistir a uma Copa do Mundo in loco – ao vivo e em cores.

Mas a Copa de 2022, que acontece no Catar entre 20 de novembro e 18 de dezembro, pode desafiar o sonho de qualquer um com seus altos preços. O torcedor que decidisse hoje fazer uma viagem para acompanhar todos os dias de competição diretamente do país do Oriente Médio desembolsaria, pelo menos, R$ 52.180.

Marcelo Davidovich é apaixonado pelo esporte e já acompanhou outras Copas, inclusive a última edição, realizada na Rússia em 2018. "Eu passei 35 dias na Rússia, vi 11 jogos e gastei cerca de R$ 35 mil", afirma.

O torcedor conta que, desta vez, não poderá assistir aos jogos no país-sede. O alto custo da viagem foi um dos motivos. "Só de avião daria uns R$ 15 mil", comenta. 
Passagens aéreas

O primeiro gasto é com o transporte. A forma mais simples e rápida de chegar ao Catar é por avião e, com uma busca em sites de venda de passagens aéreas realizada no fim de outubro, o voo mais em conta de ida e volta para Doha (capital do país), partindo de São Paulo, custava R$ 11.306, com escalas.

Vale ressaltar que os preços de passagens aéreas tendem a sempre ficar mais caros conforme a data da viagem se aproxima.

Hospedagem é o maior gasto

Outro gasto importante é com a hospedagem – e é neste ponto em que o torcedor deve pagar mais caro. O site oficial da Copa de 2022, organizada pela Fifa, oferece algumas opções de acomodação em diferentes faixas de preço.

As mais baratas são as Fan Villages, que funcionam como acampamentos para diversos torcedores. Para passar os 28 dias de jogos no Catar, a opção mais barata é uma cabine de US$ 207,36 a diária, o que totalizaria cerca de R$ 32 mil na cotação atual do dólar turismo.

Outra opção mais “em conta” são os apartamentos, que podem ser alugados com diárias a partir de US$ 363,16, chegando a um valor final de cerca de R$ 56 mil, já convertidos, para todos os dias de competição.

Há também os locais classificados como “Holiday Homes”, ou casa de férias. São diversas opções de tamanhos, comodidades e localização dentro do país – mas o mais barato a por US$ 900,07 por dia. Ao final dos jogos, o torcedor terá gastado pouco mais de R$ 139 mil com a acomodação, caso opte por essa categoria.

Por fim, a Fifa disponibiliza em seu site, ainda, uma opção mais inusitada. É possível se hospedar em um cruzeiro, o MSC World Europe, que permanecerá atracado no Catar durante a Copa. Para todo o período de jogos, é possível encontrar suítes no cruzeiro por diárias a partir de US$ 2.589,23 – as opções mais baratas já estão esgotadas. Na moeda nacional, o valor final para esse tipo de hospedagem é de mais de R$ 400 mil.

Os tradicionais hotéis, alternativa mais buscadas por turistas em diversos destinos ao redor do mundo, já estão com vagas bastante escassas para a Copa. Por ser um país pequeno, o Catar não tem tantos hotéis e, naqueles que são credenciados pela Fifa, já não é mais possível encontrar hospedagem para todos os dias de campeonato.

Para quem não pretende passar os 28 dias de jogos no país, porém, há alguns quartos disponíveis. O mais barato para um período mais curto, de duas semanas, possui diária no valor de US$ 104,80, ou R$ cerca de R$ 580. Para 14 dias, o valor final seria de cerca de R$ 8 mil.

Ingressos e outros custos

Está mais caro acompanhar a Copa do Mundo diretamente do país sede. — Foto: Tembela Bohle/Pexels
Está mais caro acompanhar a Copa do Mundo diretamente do país sede. — Foto: Tembela Bohle/Pexels

Em uma viagem para acompanhar a Copa, os gastos com ingressos podem ser considerados essenciais. Já não há mais muitas opções disponíveis pelo site da Fifa, mas as entradas mais baratas são para os jogos das fases de grupo, que saem por, pelo menos, R$ 360.

Confira, abaixo, os valores para cada tipo de jogo na categoria CAT3, que conta com os ingressos mais baratos.

Uma seleção campeã compete em sete jogos numa Copa: três na fase de grupos e um em cada etapa subsequente – oitavas, quartas, semifinal e final. Um torcedor que queira acompanhar todos esses jogos, então, desembolsaria um montante de, no mínimo, R$ 7,7 mil com os ingressos.

Outros custos com a viagem também devem estar na ponta do lápis, principalmente alimentação. Por ser um país rico, o Catar tem um custo de vida alto, com muitas opções de restaurantes de luxo.

No entanto, para quem busca por refeições mais em conta, há alternativas. De acordo com o índice Big Mac, desenvolvido pela The Economist para medir o preço do sanduíche mais famoso do mundo em diversos países, o preço do lanche no Catar em junho de 2022 era de, em média, US$ 3,57, ou cerca de R$ 19,70.

A nível de comparação, o índice aponta que no Brasil o custo médio do Big Mac é de US$ 4,25, ou R$ 23,46 na moeda local. Hipoteticamente, se o viajante comesse um lanche a cada refeição durante toda a viagem, o gasto seria de R$ 1,1 mil.

Talvez seja na alimentação que os apaixonados por futebol encontrem a principal forma de economizar dinheiro em uma Copa de milionários.

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sábado, 5 de novembro de 2022

Fundo Amazônia: entenda o que é a iniciativa abandonada por Bolsonaro e que tem R$ 3,2 bilhões paralisados

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STF determinou nesta quinta-feira (3) a reativação do fundo. Avaliação da Controladoria Geral da União (CGU) é que governo Bolsonaro gerou ‘impactos negativos’ para as políticas de preservação.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 05 de novembro de 2022 às 10h25m

 #.*Post. - N.\ 10.542*.#

Fogo consome terras desmatadas e queimadas por pecuaristas perto de Novo Progresso, no Pará, em 23 de agosto de 2020. — Foto: Andre Penner/AP
Fogo consome terras desmatadas e queimadas por pecuaristas perto de Novo Progresso, no Pará, em 23 de agosto de 2020. — Foto: Andre Penner/AP

Criado há 14 anos para financiar ações de redução de emissões provenientes da degradação florestal e do desmatamento, o Fundo Amazônia é considerado uma inciativa pioneira na área, mas está paralisado desde abril de 2019, quando o governo federal fez um “revogaço” de centenas de conselhos federais e com isso extinguiu seus Comitê Orientador (COFA) e Comitê Técnico (CTFA).

Nesta quinta-feira (3), o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a reativação do fundo no prazo de 60 dias. Em dez anos (2009 a 2018), o fundo aplicou mais de R$ 1 bilhão em 103 projetos de órgãos públicos e organizações não-governamentais.

Além de apoiar comunidades tradicionais e ONGs que atuam na região (veja mais abaixo), o Fundo Amazônia também fornece recursos para estados e municípios para ações de combate ao desmatamento e a incêndios. Um dos exemplos foi a compra de um avião (R$ 12 milhões) usado em Rondônia para levar brigadas de emergência aos focos de incêndio e mapear as queimadas.

Avião custou R$ 12 milhões — Foto: Corpo de Bombeiros de Rondônia
Avião custou R$ 12 milhões — Foto: Corpo de Bombeiros de Rondônia

Além disso, o regulamento do Fundo ainda prevê o uso de até 20% dos seus recursos no apoio ao "desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento em outros biomas brasileiros e em outros países tropicais".

Extinção unilateral

Um relatório de auditoria elaborado pela Controladoria Geral da União (CGU) aponta que a gestão do Ministério do Meio Ambiente do governo Bolsonaro colocou em risco a continuidade do Fundo Amazônia e, por conseguinte, uma série de políticas ambientais, ao extinguir de forma unilateral, “sem planejamento e fundamentação técnica” colegiados que formavam a base dessa iniciativa de financiamento.

De acordo com a CGU, até o último mês de dezembro, o Fundo tinha cerca de R$ 3,2 bilhões parados para a destinação a novos projetos. O montante considera rendimentos gerados ao longo dos últimos anos.

Além disso, o relatório aponta ainda que o Fundo possui um crédito de valores a serem arrecadados que podem chegar à ordem dos US$ 20 bilhões.

O documento, obtido pelo g1 mostra que durante a gestão dos ministros Ricardo Salles e nos primeiros meses de Joaquim Leite, entre 2019 e 2021, o ministério deixou de apresentar a proposta de recriação dos dois conselhos, mesmo após o fim do prazo legal estabelecido para isso, em 28 de maio de 2019, criando esses ‘impactos negativos’ para as políticas de preservação da Amazônia Legal.

Apesar disso, os técnicos da CGU chamam atenção no texto para o fato de que o primeiro registro de reunião realizada com as embaixadas dos países europeus e o Ministério aconteceu somente após o fim do prazo de reestruturação estabelecido pelo decreto que extinguiu o COFA e o CTFA.

Somado a isso, a CGU também aponta que até a data limite não houve esforços por parte da gestão ministerial na busca de consenso com os doadores, ou, ao menos, a apresentação de propostas para a modificação da estrutura de governança do Fundo.

A Alemanha e a Noruega, que juntas foram responsáveis por mais de 99% dos depósitos ao Fundo, suspenderam os repasses em 2019.

Fundo tem cerca de R$ 3,2 bilhões paralisados para a destinação a novos projetos, de acordo com a CGU. — Foto: Fundo Amazônia/Divulgação
Fundo tem cerca de R$ 3,2 bilhões paralisados para a destinação a novos projetos, de acordo com a CGU. — Foto: Fundo Amazônia/Divulgação

Para a CGU, a opção do Ministério do Meio Ambiente pela extinção dos comitês foi adotada sem justificativa técnica ou planejamento que incorporasse uma gestão adequada dos riscos associados à decisão.

“O que provocou a suspensão de autorização de novos projetos no âmbito do Fundo e colocou em risco os resultados das políticas públicas por ele apoiadas”, afirma o texto.

No relatório, os auditores também avaliam que não reestruturar os conselhos contribuiu para que o Ministério do Meio Ambiente apresentasse através do fundo propostas “não condizentes com a realidade da região amazônica”, visto que houve um afastamento da participação da sociedade civil e dos estados.

Antes da revogação do governo, o Comitê Orientador (COFA) tinha representantes do governo federal, dos governos estaduais e da sociedade civil. Já o Comitê Técnico era formado por representantes do governo e da sociedade civil, como especialistas independentes que avaliavam o impacto de emissões de gases do efeito estufa resultante do desmatamento.

“A participação da sociedade civil e dos estados no Comitê possibilitava o alcance de mais legitimidade e eficácia nos resultados do Fundo Amazônia, pois tais atores contribuíam com sua experiência acumulada na região amazônica, ajudando na definição de prioridades e legitimando a seleção dos projetos”, afirma o documento da CGU.

Para Angela Kuczach, diretora-executiva da Rede Nacional Pró Unidades de Conservação, o relatório apresenta uma síntese do histórico de desmonte do governo federal das políticas ambientais na Amazônia e revela um "plano concreto" para impedir que os projetos financiados pelo fundo avançassem e tivessem uma boa gestão.

"E o resultado disso, na prática, é o que a gente está vendo hoje com o aumento do desmatamento nas alturas", avalia.

Falta de acordo sobre Fundo Amazônia pode extinguir projetos ambientaisFalta de acordo sobre Fundo Amazônia pode extinguir projetos ambientais

Em dez anos (2009 a 2018), o fundo aplicou mais de R$ 1 bilhão em 103 projetos de órgãos públicos e organizações não-governamentais.

Um deles, o Sentinelas da Floresta, fortalece a produção da castanha no Mato Grosso. Beneficiou 300 famílias na primeira etapa, mas em 2019 não recebeu nenhuma verba do BNDES, que administra os recursos e aprovou o projeto em 2018.

Outro projeto apoiado é o Origens Brasil. O projeto apoia ribeirinhos da Reserva Extrativista Rio Iriri, no Pará, que conseguem renda com a extração do látex do seringal, do óleo de babaçu ou de copaíba, da castanha do Pará e do artesanato. Da região, os produtos são encaminhados para várias partes do Brasil, como Rio de Janeiro e São Paulo.

Uma das maiores fábricas de pães do país utiliza as castanhas retiradas da reserva. No fim de junho, o programa Origens Brasil, responsável por estas ações, foi premiado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação e pela embaixada da Suíça.

Outro projeto financiado pelo fundo mudou a realidade de dez mil famílias no estado do Amazonas. Em seis anos, a renda dessas famílias aumentou 124%, e o desmatamento das áreas ocupadas por elas caiu 63%.

O Fundo Amazônia também ajudou proprietários rurais da região a estarem em dia com o Código Florestal, que estabelece a área verde que deve ser preservada. Graças aos recursos do fundo, foi possível inscrever no Cadastro Ambiental Rural 746 mil propriedades. Todas essas propriedades somadas ocupam uma área equivalente a quase uma Venezuela.

O dinheiro é repassado para os estados fazerem o cadastramento. O governo do Amazonas, por exemplo, deveria receber agora R$ 30 milhões para investimentos nos próximos três anos, mas o dinheiro não chegou.

CGU: Ministério do Meio Ambiente colocou em risco R$3,2 bilhões do Fundo Amazônia e Marcelo Lins avalia riscosCGU: Ministério do Meio Ambiente colocou em risco R$3,2 bilhões do Fundo Amazônia e Marcelo Lins avalia riscos
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