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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Astrônomos captam luz de explosão cósmica mais forte do que toda a energia que o Sol é capaz de emitir

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Equipe de cientistas usaram telescópios e encontraram explosão de raios gama, tipo que acredita-se ser um dos mais violentos desde o 'Big Bang'.
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 Por Carolina Dantas, G1  

 Postado em 21 de novembro de 2019 às 13h00m  

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Concepção artística de um telescópio Magic com detecção de luz de raios gama — Foto: Gabriel Pérez Díaz/IACConcepção artística de um telescópio Magic com detecção de luz de raios gama — Foto: Gabriel Pérez Díaz/IAC

Uma equipe internacional de astrônomos conseguiu registrar em janeiro deste ano os efeitos da mais poderosa explosão cósmica já flagrada em pesquisas sobre nosso universo. De acordo com o estudo publicado nesta terça (19) na "Nature", os raios gama registrados atingiram o equivalente a cerca de 100 bilhões de vezes a energia visível da luz.

O estudo contou com a observação de dois telescópios distintos - um deles em solo e outro no espaço. A publicação é resultado da cooperação entre a agência espacial americana (Nasa), a University College London (UCL), os institutos Max Planck e outros pesquisadores.
As explosões de raios gama são fenômenos tão luminosos que causam uma forte liberação de energia em milissegundos (0,001 seg.), comparável com a emitida na "vida inteira" do Sol.

“As explosões de raios gama são as explosões mais poderosas conhecidas no universo e normalmente liberam mais energia em apenas alguns segundos do que o nosso Sol durante toda a sua vida - elas podem brilhar em quase todo o universo visível”, explicou David Berge, chefe de astronomia de raios gama do DESY, instituto de física alemão.

Origem distante
A explosão detectada ocorreu em janeiro de 2019, por volta das 17h (horário de Brasília). Apelidada de "GRB 190114C", está a uma distância de 7 bilhões de anos-luz.

As explosões cósmicas não têm uma distância determinada da Terra, mas acontecem fora da nossa galáxia, de acordo com o astrofísico Rodrigo Picanco Negreiros, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

"A gente só consegue detectar os eventos fora da nossa galáxia porque eles têm uma grande quantidade de luz. Existem muitos eventos que detectamos dentro da Via Láctea, mas que não conseguiríamos encontrar fora dela", disse Negreiros.

O raio gama é uma radiação eletromagnética como a luz visível, mas com um comprimento de onda muito pequeno. Enquanto uma onda de rádio tem metros, um raio gama tem o tamanho de um núcleo atômico.

"Muito do que aprendemos sobre os raios gama nas últimas décadas vem da observação de seus rastros em energias mais baixas", disse Elizabeth Hays, da Nasa, em Maryland, nos Estados Unidos. Ela fala de uma fase pós-explosão, momento em que muitas vezes eles também são detectados.
Ilustração de uma erupção de raios gama — Foto: NASA/D.BerryIlustração de uma erupção de raios gama — Foto: NASA/D.Berry

Mais violentos desde o 'Big Bang'
A grande quantidade de energia liberada está associada à energia gravitacional dos objetos envolvidos, que são extremamente potentes. Por isso, acredita-se que esses fenômenos estejam entre os mais violentos desde o "Big Bang".

"O modelo mais aceito é que a explosão seja o final da vida de uma ou mais estrelas de massa muito grande. O mecanismo envolvido é que uma ou duas estrelas, que têm um massa absurda, dezenas de vezes maior que a do Sol, entram em colisão, uma com a outra, ou ocorre uma implosão da própria estrela. O final dessa explosão é o jato de luz de raios gama", explica Luiz Vitor de Souza Filho, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP).

O pesquisador da USP lembra que as atuais pesquisas só são possíveis porque nas décadas de 60 e 70 os Estados Unidos passaram a criar telescópios para fazer detecções de raios gama dentro da Terra. Eles foram pensados para buscar testes com armas nucleares feitos pela União Soviética e, depois de algum tempo, passaram a encontrar a luz de explosões cósmicas.

No caso do estudo publicado nesta quarta-feira, o cientista brasileiro chama a atenção para o fato de dois observatórios terem conseguido detectar a mesma explosão em questão de segundos. O Observatório Swift, da Nasa, que na verdade é um satélite ao redor da Terra encontrou primeiro. O Magic, colaboração que usa dois telescópios, mirou a "GRB B 190114C" 27 segundos depois do primeiro alerta.

"O que é extraordinário é que logo depois que o Swift viu que estava acontecendo esta explosão de raios gama, o outro observatório, que é o Magic, apontou na mesma direção segundos depois e continuou medindo este mesmo sinal", disse Souza Filho.

"É um fenômeno que conseguimos detectar com frequência, mas o Magic é um negócio enorme e tem 17 metros de diâmetro, e essa dupla detecção é muito rara. Foi bem energético e foi de uma sorte incrível."

Com esta medição mais rápida, os pesquisadores acreditam coletar mais detalhes e com mais precisão do momento exato da explosão cósmica.
"Esses são, de longe, os fótons de maior energia já descobertos em uma explosão de raios gama", disse Elisa Bernardini, do grupo Magic.

Foram registrados raios gama com energias entre 200 e 100 bilhões de elétron-volts (0,2 a 1 teraeletrons-volt) - para comparar, a luz visível tem cerca de 1 a 3 elétron-volts, uma unidade de medida de energia.
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    quarta-feira, 20 de novembro de 2019

    Foto de 1898 em acervo de universidade tem 'sósia' de Greta Thunberg em mina no Canadá

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    Encontrada no acervo da Universidade de Washington, imagem mostra três crianças trabalhando em uma mina de ouro. Semelhança com ativista do clima sueca Greta Thunberg chamou atenção de usuários nas redes sociais. 
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     Por G1  

     Postado em 20 de novembro de 2019 às 13h00m  

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    Lado a lado, detalhe de duas fotos: crianças operam equipamento em mina de ouro na região de Yukon, no Canadá, em 1898 e, em cores, Greta Thunberg. — Foto: Eric A. Hegg/University of Washington Libraries, Special Collections e REUTERS/Mike BlakeLado a lado, detalhe de duas fotos: crianças operam equipamento em mina de ouro na região de Yukon, no Canadá, em 1898 e, em cores, Greta Thunberg. — Foto: Eric A. Hegg/University of Washington Libraries, Special Collections e REUTERS/Mike Blake

    Uma fotografia do final do século 19, disponível no acervo da Universidade de Washington, viralizou nesta terça-feira (19) pela semelhança entre uma das personagens retratadas e a ativista ambiental sueca Greta Thunberg.
    A foto de 1898 mostra três crianças trabalhando em uma mina de ouro na região de Yukon, no Canadá, no ano de 1898. A imagem esta disponível no acervo online da Biblioteca da Universidade de Washington, onde também foi consultada pelo G1.
    Crianças operam equipamento em mina de hora na região de Yukon, no Canadá, em 1898 — Foto:  Eric A. Hegg/University of Washington Library Crianças operam equipamento em mina de hora na região de Yukon, no Canadá, em 1898 — Foto: Eric A. Hegg/University of Washington Library

    Nas redes sociais, usuários comentam a semelhança física entre a jovem sueca e a garota retratada na imagem de 121 anos atrás.
    Alguns brincam que Greta é uma viajante no tempo que voltou para salvar a humanidade.
    Outros destacam que até mesmo as longas tranças no cabelo, usadas frequentemente por Greta em discursos e manifestações, também estão presentes na foto antiga.





    Greta Thunberg tem 16 anos e tornou-se símbolo do movimento contra as mudanças climáticas por comandar manifestações pacíficas em defesa do meio ambiente. A ativista sueca é considerada a inspiradora de um movimento de estudantes que, em setembro, realizou a terceira greve global pelo clima em 150 países. Os protestos também ocorreram em diversas cidades do Brasil.
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      terça-feira, 19 de novembro de 2019

      A estranha criatura mexicana que se regenera sozinha e pode desvendar chave de imunidade ao câncer

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      Os axolotes têm atraído o interesse dos cientistas, mas estão ameçados de extinção em seu habitat natural.
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       Por BBC  

       Postado em 19 de novembro de 2019 às 15h00m  
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      Aparência dos axolotes divide opiniões — para alguns, eles são adoráveis, para outros, criaturas bizarras — Foto: Mindem Pictures/Alamy/BBC
      Aparência dos axolotes divide opiniões — para alguns, eles são adoráveis, para outros, criaturas bizarras — Foto: Mindem Pictures/Alamy/BBC


      Frankie tinha perdido metade do rosto em decorrência de uma infecção fúngica. Mas, assim como outros axolotes, ele tinha um talento especial.

      A veterinária e pesquisadora de axolotes Erika Servín Zamora, que também era cuidadora de Frankie, disse que ficou impressionada ao ver a extraordinária capacidade de regeneração do animal que ela, até então, conhecia apenas dos livros.

      Em dois meses, Frankie ganhou um novo olho totalmente funcional, e a vida voltou ao normal em seu tanque no Zoológico de Chapultepec.
      Mas não teve tanta sorte em seu habitat natural, a apenas 30 quilômetros ao sul do zoológico.

      O axolote, anfíbio nativo dos lagos da Cidade do México, apesar de ter ganhado força como símbolo da capital mexicana, e especificamente no bairro de Xochimilco, declarado Patrimônio Mundial pela Unesco, está quase extinto na natureza — sobretudo por causa da proliferação de espécies invasoras de peixes e da poluição da água nos agitados canais da cidade.

      Para piorar a situação, Frankie é um axolote albino, o que significa que ele é rosa claro com brânquias plumosas rosadas saindo da sua cabeça — uma presa fácil para as tilápias invasoras nas águas escuras e turvas de Xochimilco.
      Muitas espécies de axolotes estão seriamente ameaçadas de extinção — Foto: Ullstein Bild/Getty Images/BBC
      Muitas espécies de axolotes estão seriamente ameaçadas de extinção — Foto: Ullstein Bild/Getty Images/BBC

      Conhecidos localmente como "monstros da água", os axolotes têm uma aparência que divide opiniões. Para alguns, essas criaturas de pele macia e 20 cm de comprimento são consideradas adoráveis, com um sorriso permanente no rosto. Para outros, esses anfíbios de quatro dedos são simplesmente estranhos.

      Apesar da aparência um tanto polêmica, eles despertam um interesse particular nos cientistas, que acreditam que axolotes como Frankie possam ensinar um dia aos seres humanos o segredo da regeneração.

      "Os cientistas estão tentando tirar proveito das propriedades regenerativas dos axolotes e aplicá-las em pessoas feridas em acidentes, guerras ou vítimas de doenças — pessoas que perderam membros", explica Servín Zamora.
      "Outros estão procurando maneiras de como a regeneração do axolote pode ajudar a cicatrizar órgãos humanos, como coração ou fígado".
      Os axolotes também estão ajudando Servín Zamora e outros cientistas a entender a aparente resistência ao câncer que todos os anfíbios parecem ter.

      "Em 15 anos, não vi nenhum caso de tumor maligno em axolotes, o que é interessante", diz ela. "Suspeitamos que sua capacidade de regenerar células e partes do corpo ajude nesse aspecto."
      Os cientistas querem desvendar e aplicar em seres humanos as propriedades regenerativas dos axolotes — Foto: Robert Michael/Getty Images/G1
      Os cientistas querem desvendar e aplicar em seres humanos as propriedades regenerativas dos axolotes — Foto: Robert Michael/Getty Images/G1

      E não para por aí. Os axolotes têm sido usados ​​tradicionalmente em todo o México como remédio para algumas condições associadas à gravidez, fraqueza e doenças respiratórias.

      Um grupo de freiras em Patzcuaro, no México, cria legalmente uma espécie de axolote, Ambystoma dumerilii, e usa os animais como ingrediente de um xarope para tosse, embora tradicionalmente eles fossem consumidos como parte de um caldo.

      Eternos adolescentes — e representação do divino
      Frankie é um Ambystoma mexicanum, uma das 17 espécies de axolote no México. Encontradas principalmente nos estados do México, Puebla e Michoacán, várias estão seriamente ameaçadas. Algumas espécies se transformam em salamandras que vivem na terra, perdendo as caudas semelhantes a girinos e as brânquias da cabeça.

      No entanto, isso também depende do ambiente. Frankie, por exemplo, vivendo em cativeiro e, portanto, a salvo de predadores, permanecerá um "eterno adolescente". Ou seja, axolotes como ele nunca vão se transformar em salamandras — vão manter a cauda que desenvolveram como larva e viverão sempre debaixo d'água.

      "Basicamente, eles decidem se vão completar a metamorfose, com base em fatores de pressão ambiental", diz Zamora.

      "Se eles decidirem que é melhor viver fora d'água, vão passar pela mutação em salamandras, mas pode ser uma empreitada estressante, pois eles param de comer completamente durante esse período."

      "A teoria atual é que, por razões evolutivas, o Ambystoma mexicanum permanecerá jovem (em algum estágio entre um girino e uma salamandra), uma vez que há muita comida na água (como pequenos peixes de água doce) e poucos predadores, ou seja, poucas razões para emergir."
      Algumas espécies de axolotes se transformam em salamandras que vivem na terra — Foto: Patrick Guenette/Alamy/BBC
      Algumas espécies de axolotes se transformam em salamandras que vivem na terra — Foto: Patrick Guenette/Alamy/BBC

      Devido a essa tendência de mudar de forma, os axolotes têm uma presença forte na mitologia asteca. Eles costumam ser reconhecidos como uma representação de Xolotl, deus do submundo que é o irmão gêmeo do mal de Quetzalcoatl, frequentemente representado pelo Sol.

      Quando vários deuses foram convidados a fazer um sacrifício para criar o mundo, Xolotl fugiu para a água. Por sua covardia e relutância em ajudar, ele foi condenado a viver para sempre na água e a sofrer da eterna juventude. Para os astecas, a morte era transcendente — e não concluir esse ciclo significava ser impedido de alcançar uma esfera superior.

      Uma atração turística
      Apesar de o axolote estar ameaçado de extinção, imagens de Frankie e seus amigos estão espalhadas por toda a Cidade do México — seja na forma de grafite nos muros da capital ou de bichos de pelúcia em loja de souvenir.
      O novo ônibus de turismo oficial da Cidade do México exibe a imagem de um axolote albino — Foto: Megan Frye/BBC
      O novo ônibus de turismo oficial da Cidade do México exibe a imagem de um axolote albino — Foto: Megan Frye/BBC

      Além disso, o Ambystoma mexicanum vai estampar a nota de 50 pesos que será lançada em 2022. E os novos ônibus de turismo da cidade apresentam a imagem de um axolote albino pintado na lateral.

      Anos atrás, se você quisesse encontrar um axolote, tudo o que você precisava fazer era procurar um canal. A Cidade do México foi construída sobre o leito do que outrora era um lago enorme, onde os astecas costumavam criar canais — além de chinampas, ilhas flutuantes feitas de árvores e lama que eram usadas para cultivar alimentos — para fins de navegação e transporte.

      Embora o lago e grande parte do sistema de canais tenham sido drenados ao longo dos anos para abrir espaço para uma população crescente, ainda há mais de 183 km de canais no bairro de Xochimilco — e 165 hectares de terra e água estão localizados na área protegida do Parque Ecológico de Xochimilco.

      Mas, em vez de axolotes, é mais provável que os visitantes encontrem hoje inúmeras espécies de aves migratórias e guias nos barcos nos canais. A área se tornou altamente turística, sendo mais conhecida como um lugar para dar um passeio nas icônicas traineiras coloridas, onde barcos menores passam repletos de mariachis ou vendendo cerveja.

      Ameaças ambientais
      Como as traineiras são barcos sem motor, não têm, a princípio, um impacto negativo nos axolotes. No entanto, as chinampas não estão conectadas ao sistema de esgoto da cidade; e os resíduos costumam acabar nos canais.

      Outras ameaças aos anfíbios incluem o rápido crescimento de plantas aquáticas ornamentais não nativas e a poluição de fertilizantes industriais, além de espécies invasoras, como carpas e tilápias, que foram introduzidas pelo governo na década de 1970 para fornecer alimento para a antiga área rural.

      A última iniciativa foi bem-intencionada, diz Servín Zamora, mas não tão bem planejada, uma vez que a carpa e a tilápia se deliciam com os jovens axolotes.

      "Os problemas que Xochimilco enfrenta não são apenas ambientais, mas também sociais", acrescenta.

      Nos canais de Xochimilco, uma das atrações é o passeio nas icônicas traineiras coloridas — Foto: Megan Frye/BBC
      Nos canais de Xochimilco, uma das atrações é o passeio nas icônicas traineiras coloridas — Foto: Megan Frye/BBC

      "As pessoas não obtêm renda suficiente com suas chinampas ou com o ecoturismo, então tendem a construir suas casas lá (no terreno das chinampas, o que é uma opção acessível, pois elas já são donas da propriedade) e, por esse motivo, a urbanização aumentou muito naquelas áreas. Infelizmente, todo o esgoto dessas casas vai diretamente para os canais, e isso causou uma tremenda poluição."

      Em 2017, a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) fez um estudo monitorando os canais. Embora os resultados ainda estejam sendo analisados, foi demonstrado que a poluição da água é muito grave nas zonas urbanas de crescimento rápido de Xochimilco.

      Servín Zamora disse que há esperança de recuperar espaços ainda dedicados à agricultura e, portanto, menos propensos a serem contaminados pela poluição causada pela superpopulação.

      "Se trabalharmos duro com educação, pesquisa e trabalho diretamente na área, podemos resgatá-lo, mesmo que seja apenas uma parte."
      Ainda assim, o estudo encontrou apenas um axolote vivendo na natureza em Xochimilco.

      Salvando o axolote
      Hoje, a maioria dos axolotes vive em cativeiro. Yanin Carbajal é cofundadora da Casa del Axolotl, um museu e aquário dedicado a educar o público sobre os axolotes, localizado na cidade de Chignahuapan, em Puebla.

      O projeto dela começou anos atrás, com tanques de criação no rancho de sua família, nas colinas das montanhas da Sierra Madre Oriental. O espaço do museu localizado na cidade foi inaugurado no ano passado, exibindo de 15 a 20 axolotes de quatro espécies diferentes.

      Carbajal conta que se sentiu motivada a cuidar dos axolotes por causa do seu forte vínculo com a história pré-colombiana do México, seus importantes efeitos para a saúde humana e o objetivo de preservar as espécies e melhorar seus habitats.

      Ela adverte, no entanto, que criar axolotes não é uma tarefa fácil. Embora seja permitido em todo o mundo mantê-los como animais de estimação, no México só é autorizado obter axolotes de um viveiro credenciado pela Secretaria de Meio Ambiente (equivalente a um ministério no Brasil).
      "A ignorância é um grande problema, com pessoas tirando (os axolotes) da natureza, mantendo como animais de estimação ou, em alguns casos, vendendo", afirma Carbajal.
      "Se as pessoas conseguem fazer com que se reproduzam, é positivo. Mas, do contrário, não ajuda as espécies. Como eles vivem nas águas tranquilas de lagos e lagoas, as temperaturas tendem a não flutuar tão rápido quanto em cativeiro."

      A Cidade do México tem poucos lugares onde os axolotes podem ser vistos em cativeiro hoje — entre eles, o Zoológico de Chapultepec, o Zoológico Los Coyotes e a sede das operadoras de turismo Axolotitlán e Umbral Axochiatl, ambas em Xochimilco.

      Pamela Valencia é fundadora da Axolotitlán, operadora da Cidade do México que tem como objetivo educar moradores e turistas sobre o delicado ecossistema de Xochimilco e a necessidade de se apoiar a causa dos axolotes, por meio de passeios com uma cooperativa de chinamperos (agricultores das chinampas) no parque ecológico.
      "O axolote é um tema no México que tem a ver com política, sociedade, uso de recursos, educação ambiental e sistematizada", avalia Valencia.
      "É um tópico que perpassa todas as vertentes da sociedade, de uma maneira ou de outra. 
      Acreditamos que o axolote é o segredo para salvar nossa cidade, nosso país e provavelmente o mundo. É um animal incrivelmente importante que pode inspirar as pessoas a parar de fazer coisas que estamos fazendo há muito tempo como sociedade (como poluir) e sermos melhores de várias maneiras."

      Dionisio Eslava, presidente da Umbral Axochiatl, que trabalha em parceria com a Axolotitlán organizando passeios em Xochimilco, para que os visitantes entendam melhor a natureza do bairro, acredita que diminuir a diferença geográfica, cultural e socioeconômica entre a população da Cidade do México e os agricultores do sul é uma maneira de ajudar a limpar a área e incentivar, assim, os axolotes a voltarem para a região.
      "Os ecossistemas são um tipo de segurança, não apenas para alimentos, mas também para água, oxigênio e um aliado para enfrentar as mudanças climáticas", afirmou.
      "As grandes cidades devem apoiar nossos ecossistemas nos visitando e nos acompanhando neste tesouro que é uma grande herança de toda a humanidade."
      Essa pequena criatura, muitas vezes esquecida, pode não só nos guiar na proteção do planeta, como também é potencialmente a chave para desvendar alguns mistérios científicos.

      Frankie viveu até os oito anos (embora os axolotes em cativeiro possam viver 12 anos ou mais), morrendo de causas naturais no Zoológico de Chapultepec em 2010.
      Ele ocupa até hoje um lugar cativo no coração Servín Zamora, já que foi um dos primeiros axolotes de quem ela cuidou e ela diz ter aprendido muito com ele — esperamos que o resto do mundo também aprenda.


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