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quarta-feira, 12 de julho de 2023

Veja vídeo que mostra vulcão em atividade na Islândia

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O vulcão Litli Hrútur fica a cerca de 60 quilômetros da capital da Islância. A erupção diminuiu consideravelmente, de acordo com autoridades do país.
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Por g1

Postado em 23 12 de julho de 2023 às 14h45m

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Imagem de vulcão que entrou em erupção na IslândiaImagem de vulcão que entrou em erupção na Islândia

Na segunda-feira (10), um vulcão entrou em atividade na Islândia, perto da capital, Reykjavik. Passados dois dias, a atividade do vulcão diminuiu e, como consequência, a qualidade do ar melhorou --durante uma erupção, há emissão de gases tóxicos.

A erupção diminuiu consideravelmente, informou o Escritório Meteorológico da Islândia, Vedur, na terça-feira. No entanto, as pessoas ainda devem ficar longe da montanha.

O vulcão Litli Hrútur fica a cerca de 60 quilômetros da capital do país. Algumas pessoas tentaram se aproximar do local. Do estacionamento mais perto até o alto do morro, são 9 quilômetros de caminhada.

Hjordis Gudmundsdottir, porta-voz do departamento de proteção civil e gestão de emergências, disse que, embora não seja perigoso estar do lado de fora, a situação é imprevisível, e crianças não devem ser permitidas perto da área, mesmo quando as restrições forem eventualmente suspensas.

O departamento incentivou os moradores da região a fecharem as janelas e desligarem a ventilação.

O Escritório Meteorológico havia alertado anteriormente para alta poluição do ar ao redor da erupção. Espera-se que os gases perigosos afetem a área ao sul do vulcão, que não é densamente povoada.

A erupção ocorre após uma intensa atividade sísmica nos últimos dias e é classificada como uma erupção fissural, que geralmente não resulta em grandes explosões ou uma quantidade significativa de cinzas na estratosfera, afirmou o governo islandês.



Co meçaram a chegar, nesta terça-feira (12), as primeiras imagens de satélite do vulcão Litli Hrutur, que entrou em erupção no último domingo
Copernicus Sentinel-2/União Europeia/Reuters - 11.07.2023



A falha geológica está situada a cerca de 30 km da capital do país, mas, até agora, não há registro de danos materiais ou vítimas
Copernicus Sentinel-2/União Europeia/Reuters - 11.07.2023



A coluna de fumaça provocada pelo vulcão pode ser vista a milhares de km de distância, desde o espaço sideral
Copernicus Sentinel-2/União Europeia/Reuters - 11.07.2023




As lavas escorrem com fúria da montanha e atraem curiosos e turistas. As autoridades islandesas já reco

mendaram ficar longe da nova erupção vulcânica perto de Reykjavik, mas um grupo de espectadores não consegue resistir à atração da lava "tão laranja quanto o Sol"
Juergen Merz - Glacier Photo Artist/Reuters - 10.07.2023



Especialistas dizem que a erupção perto da pequena montanha de Litli Hrutur é de "baixa intensidade" por enquanto
Ken Cedeno/Reuters - 05.08.2022

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terça-feira, 11 de julho de 2023

Entenda por que bananas são radioativas, mas não fazem mal à saúde

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Veja ranking de alimentos mais radioativos, castanha-do-Pará fica em primeiro lugar. Para desenvolver um câncer, a pessoa precisaria comer um milhão de bananas de uma vez só.
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Por Vivian Souza, g1

Postado em 11 de julho de 2023 às 07h10m

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Banana — Foto: Aleksandar Pasaric / Pexels
Banana — Foto: Aleksandar Pasaric / Pexels

Toda vez que nos alimentamos com uma banana, estamos ingerindo radioatividade e isso não é exclusivo dela. Outros alimentos, como a castanha-do-Pará, a cerveja e até a água, também têm esse componente em sua estrutura.

Mas não precisa ter medo, a quantidade de radiação não é o suficiente para fazer mal à saúde. Por exemplo, para desenvolver um câncer, a pessoa precisaria comer um milhão de bananas de uma vez só.

Quase todos os alimentos que consumimos têm um grau de radioatividade, explica o pesquisador do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), Bruno Melo Mendes.

Isso porque existem materiais radioativos que estão no solo desde que a terra foi criada, sendo passados para os alimentos cultivados e até mesmo para a água. Há ainda radiação na atmosfera, que entra no nosso organismo sempre que respiramos - sim, nós também temos a nossa radiação natural.

Confira os 10 alimentos mais radioativos — Foto: Luisa Rivas / g1
Confira os 10 alimentos mais radioativos — Foto: Luisa Rivas / g1

A radiação da banana

Normalmente, os alimentos possuem a radiação derivada do potássio. No caso da banana, que é muito rica neste elemento, se trata do componente Potássio 40, diz Mendes.

Mas se trata de uma quantidade muito pequena. A banana tem 0,1 microsievert (μSv), medida usada para indicar o impacto da radiação ionizante sobre os seres humanos, chamada também de dose equivalente, que leva em conta os efeitos biológicos da radiação absorvida.

A banana também é considerada uma unidade de medida de radiação, é a dose equivalente de banana (DEB), outra forma de chamar o μSv.

Por exemplo, ao dormir ao lado de alguém, somos expostos a 0,05 μSv, uma dose equivalente a meia banana.

Para causar a morte imediata, a quantidade de radiação deve ser de 5 milhões de μSV, aponta o pesquisador.

Já para causar câncer, um estudo com sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki aponta que seria necessária uma dose de 100 milisievert (mSv), um milhão de vezes maior do que ingerimos ao comer uma banana.

Ainda assim, um caminhão cheio com a fruta poderia acionar um detector de radioatividade mais sensível. Isso porque a energia consegue atravessar objetos e chegar até o detector.

Mendes explica que o nosso corpo está acostumado com pequenas doses de radioatividade e que isso é importante para a evolução dos seres vivos. "Então, a radioatividade contribui para essa diversidade do planeta", diz.

De onde vem o que eu como: banana

ASSISTA: mulheres transformam fibra da bananeira em artesanato no Vale do Ribeira

Gente do campo: mulheres transformam fibra da bananeira em artesanato no Vale do RibeiraGente do campo: mulheres transformam fibra da bananeira em artesanato no Vale do Ribeira

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segunda-feira, 10 de julho de 2023

Com 134 mil voos, dia 6 de junho foi o mais cheio da aviação comercial, diz site

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Portal faz catalogação de voos desde 2009.
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Por g1

Postado em 10 de julho de 2023 às 20h20m

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Mais de 134 mil voos foram registrados em apenas um dia — Foto: Flightradar24
Mais de 134 mil voos foram registrados em apenas um dia — Foto: Flightradar24

A quinta-feira (6) foi o dia mais cheio da avião comercial com 134.386 voo registrados, segundo o site Flightradar24.

Entraram para a contagem da Flightradar24 voos de carga, voos fretados, alguns voos executivos e voos comerciais de passageiros.

O portal, criado em 2006, faz a catalogação de voos em todo o mundo desde 2009.

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Por que o desmatamento cai na Amazônia e aumenta no Cerrado?

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Veja cenário atual, respostas e análise Gestão Lula termina primeiro semestre celebrando reversão do cenário de caos na Amazônia, mas enfrenta dilema com desmate no Cerrado, que ocorre em áreas cujos donos são conhecidos.
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Por Júlia Putini, g1

Postado em 10 de julho de 2023 às 007h30m

 #.*Post. - N.\ 10.863*.#

Foto aérea mostra uma área desmatada durante uma operação de combate ao desmatamento perto de Uruara, Estado do Pará, em janeiro de 2023. — Foto: Reprodução/Reuters
Foto aérea mostra uma área desmatada durante uma operação de combate ao desmatamento perto de Uruara, Estado do Pará, em janeiro de 2023. — Foto: Reprodução/Reuters

Quais os motivos para a queda no desmatamento na Amazônia e o aumento no Cerrado no 1º semestre de 2023? De um lado, as explicações passam pela retomada da aplicação de multas e da proibição de uso de terras desmatadas. Do outro, o desafio é frear a devastação que ocorre, em sua maioria, em áreas cujos responsáveis têm nome e CPF conhecido.

Apesar do momento oposto, o governo e especialistas afirmam que é possível apontar perspectivas menos sombrias para ambos os biomas brasileiros com a retomada de uma política ambiental na gestão Lula.

Abaixo, veja os números de cada bioma, as explicações para cada realidade e a análise de especialistas:

Os números de cada bioma

  • Desmatamento na Amazônia: Total de áreas sob alerta de desmate caiu 33,6% no 1º semestre; número equivale a 2.649², segundo o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter);
  • Desmatamento no Cerrado: total de alertas cresceram 21% no 1º semestre, número equivale a 4.408 km².
Queda na Amazônia: principais ações

  • Retomada da cobrança de multas a infratores ambientais: foram aplicados R$ 2,3 bilhões em multas (via Ibama), aumento de 167% em relação ao mesmo período do ano anterior;
  • Intensificação da destruição de equipamentos usados em crimes ambientais: o ICMBio aplicou 452 termos de destruição de equipamento, alta de 138%
  • Retorno da aplicação de embargos remotos: embargo é a medida que veta ou congela o uso da área onde um crime ambiental foi cometido. Governo está aplicando a sanção com uso de satélites. Foram 3.341 autos de infração, aumento de 166%;
  • Intensificação da fiscalização: apreensão de 3 mil cabeças de gado, 25 aeronaves, 36 toneladas de cassiterita, e 30 barcos, entre outros bens; foram ainda desmobilizados 335 acampamentos de garimpeiros apenas na Terra Indígena Yanomami.
  • Aplicação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm): plano estipula metas e ações conjuntas entre órgãos e ministérios.
Aumento no Cerrado: principais desafios

  • Dificuldade de monitorar autorizações para desmatamento: governo estima que mais da metade do desmate no bioma tenha sido autorizado por órgãos ambientais regionais. Sabe-se, por exemplo, que apenas no Cerrado baiano, entre 2007 e junho de 2021, foi autorizada a supressão de uma área total de mais de 500 km².
  • Áreas com cadastro (CAR) lideram desmatamento: 76% dos alertas foram registrados em áreas cujos donos são cadastrados
  • Falta de reconhecimento do território ocupado por povos tradicionais: só 8% do bioma são legalmente protegidos com unidades de conservação.
  • Falta um Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento: enquanto a Amazônia tem o instrumento desde 2004 (embora tenha sido suspenso na gestão Bolsonaro), o plano para o Cerrado está em elaboração e deve ser lançado em outubro;
  • Desmatamento concentrado: 26 municípios concentram cerca de 50% dos alertas de janeiro a junho de 2023; governo quer definir municípios críticos no Cerrado para inclusão Pacto Federativo pelo Desmatamento Ilegal Zero.
Análise dos especialistas e o que diz o governo

Para o governo federal, os números, sobretudo da Amazônia, indicam que a primeira missão foi alcançada: reverter a tendência de aumento. Sob a gestão Jair Bolsonaro, foram 4,8 mil km² de desmatamento no segundo semestre de 2022, um aumento de 54% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Para ambientalistas, os dados do primeiro semestre mostram a retomada de uma política séria rumo às metas de desmatamento zero.

Para Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, "o governo passado não inaugurou o desmatamento no Brasil, mas inaugurou a parceria do governo com o crime".

Ele diz que esses primeiros resultados positivos não podem dar a falsa sensação de que a causa está ganha.

"O governo tem um pacote em prática para reduzir o desmatamento, mas o congresso tem um pra acelerar. Tem que ficar com um olho no chão da floresta e outro no tapete do congresso porque o combate ao desmatamento se dá nesses dois setores", analisa.

Apesar de os dados do Cerrado serem relativamente novos, visto que a série histórica iniciou em 2019, o bioma possui várias fisionomias diferentes e havia um desafio tecnológico para identificar cada uma dessas áreas.

"Historicamente, ele tem sido tratado como menos importante para a conservação, tido como importante apenas para a produção de grãos, intensificada desde a década de 70, o que é importante para o agronegócio", diz Ana Carolina Crisostomo, especialista de conservação do WWF-Brasil.

Os números recordes significam que o bioma está absorvendo os impactos do maior rigor com a Amazônia. Uma das alternativas para ajudar a refrear isso é o reconhecimento dos territórios ocupados por povos e comunidades tradicionais, segundo Isabel Figueiredo, coordenadora do Programa Cerrado e Caatinga do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).

"A relevância das comunidades na proteção é muito estratégica, mas elas também estão em insegurança fundiária", afirma.

Figueiredo, que também é integrante do Projeto Ceres (Cerrado Resiliente), destaca que é preciso que se compreenda um pouco mais a relevância do Cerrado para o contexto nacional.

Tido como o "berço das águas" do país, ele abriga reservas hídricas que vertem para a bacia amazônica.

Crisostomo diz ainda que as autorizações de supressão da vegetação têm sido emitidas pelos órgãos públicas sem consonância com a legislação, além de faltar transparência nos dados.

O levantamento "Desmatamentos Irregulares no Cerrado Baiano: uma política de estado", feito pelo WWF em parceira com o instituto IMATERRA e outros, identificou que dentre 5 mil autorizações, a maioria não está disponível para a sociedade civil.


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domingo, 9 de julho de 2023

Entenda por que Nefertiti, rainha do Antigo Egito, se tornou um mito

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Ela é considerada uma das mulheres mais poderosas da Antiguidade – e uma das mais belas. No entanto, muitos mistérios ainda pairam sobre a Rainha do Nilo.
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TOPO
Por Suzanne Cords, Deutsche Welle

Postado em 09 de julho de 2023 às 09h00m

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Famosa mundialmente: Nefertiti — Foto: Wikmedia Commons
Famosa mundialmente: Nefertiti — Foto: Wikmedia Commons

Com um olhar altivo e inacessível, Nefertiti parece olhar para longe. Pouco se sabe sobre essa mulher que viveu no antigo Egito há cerca de 3.500 anos. É sabido, sim, que seu nome significa "A bela chegou". Mas se era alta ou baixa, severa, generosa ou arrogante — tudo isso jaz na escuridão da história. Não há relatos de testemunhas oculares; nenhum papiro fala sobre sua vida. Apenas alguns relevos e inscrições antigas revelam alguns detalhes sobre a misteriosa Nefertiti.

Sabe-se que ela se casou com Amenófis 4º ainda jovem, provavelmente entre os 12 e 15 anos. Amenófis 4º foi o "faraó herético", que aboliu o politeísmo e passou a adorar apenas o deus do Sol Aton, representado como um disco radiante de luz. Ele também mudou seu nome para Aquenáton ("Aquele que serve a Aton"), ao tempo que Nefertiti teria se tornado Neferneferuaton ("Bela é a beleza de Aton").

Em Berlim, mais algumas pistas sobre Nefertiti podem ser encontradas no Neues Museum, que aloja o famoso busto na Ilha dos Museus. Olivia Zorn, vice-diretora da coleção egípcia, conta, por exemplo, que o cargo de "Grande Esposa Real" colocou Nefertiti em pé de igualdade com o marido.

"Eles formaram uma tríade com o deus Aton, ou seja, uma trindade. Aton, Aquenáton e Nefertiti eram uma espécie de unidade governamental", conta ela à DW. 
Uma nova cidade para o deus Aton

Por volta de 1.350 a.C. o casal governante deixou a capital Tebas e mandou construir uma nova residência real. Em pouco tempo, surgiria Achet-Aton ("Horizonte de Aton"), cidade de 50 mil habitantes situada em um vale protegido por penhascos íngremes — a planície de Amarna.

Aquenáton também mandou construir um templo para o deus do Sol em tempo recorde, o Gem-pa-Aton ("Aton foi encontrado"). Com a imposição do monoteísmo, o casal governante fez inimigos poderosos. Milhares de sacerdotes ficaram desempregados.

Aquenáton morreria no 17º ano de seu reinado. "O que aconteceu com Nefertiti, ninguém sabe", diz Zorn. Alguns acreditam que, por um tempo após a morte do marido, ela tenha reinado sob o nome de Semencaré. "Mas também é bem possível que ela tenha morrido antes dele", pontua a especialista.

"A mais vívida obra de arte egípcia"

A história toda só ganharia mais clareza na dinastia seguinte, sob o lendário Tutancâmon. Ao lado de seus conselheiros, o faraó ressuscitou os antigos deuses. Já as construções de Aquenáton em homenagem a Aton foram demolidas e usadas ​​como pedreira. A nova capital Aquenáton também foi destruída — e talvez nunca mais tivéssemos ouvido falar de Nefertiti se não fosse o arquiteto e egiptólogo alemão Ludwig Borchardt, que viajou ao Egito no início do século 20 atrás dos rastros da misteriosa cidade de Amarna.

Em nome do Imperador Guilherme 2º, Borchardt procurava objetos para os museus reais de Berlim. Em 6 de dezembro de 1912, ele e sua equipe de escavação encontraram o ateliê de um escultor que teria vivido em 1.300 a.C.. Numerosos bustos foram encontrados sob os escombros, incluindo um com a famosa coroa azul escuro. Excetuando pela falta do olho esquerdo, a figura de orelhas salientes e olhos delineados chamava a atenção por estar praticamente intacta.

Borchardt estava entusiasmado: "Tínhamos a mais vívida obra de arte egípcia em nossas mãos", observou. "Busto da rainha pintado em tamanho real, com 47 cm de altura. ...Excelente trabalho."

Hoje inconfundível, a coroa de Nefertiti era comum no antigo Egito, assim como as perucas volumosas. Acredita-se, aliás, que a cabeça da rainha fosse raspada, pois além de ser mais prático diante do pesado adorno, isso impedia a proliferação de piolhos. Mas como ela realçava a sua beleza?

"A maquiagem, no sentido de hoje, não existia naquela época", explica Olivia Zorn. "Mas os olhos eram maquiados com este lindo delineador. Ele também tinha um efeito antisséptico, pois mantinha afastadas as bactérias capazes de provocar infecções oculares e cegueira." 
Nefertiti em troca de um retábulo

Borchardt trouxe o busto de Nefertiti para Berlim com o apoio financeiro da Sociedade Alemã do Oriente, que financiara sua missão no Egito. De acordo com os regulamentos em vigor na época, todos os achados antigos eram divididos igualmente entre o Egito e o país que realizava as escavações. Borchardt, no caso, representava o Império alemão.

Gaston Maspero, diretor do Serviço de Antiguidades, sob a égide da França, encarregou seu colega Gustave Lefebvre de regulamentar a divisão do achado. Numa das partes estava, entre outras coisas, o busto de Nefertiti, enquanto a segunda continha um retábulo mostrando o casal real Aquenáton e Nefertiti com três de seus filhos.

Como o Museu do Cairo não dispunha de nenhum retábulo até então, ele optou por abrir mão do busto. Posteriormente, Borchardt seria acusado de ter apresentado o busto apenas à meia-luz para que não despertasse o interesse de Lefebvre.

Um ideal moderno de beleza

E assim a bela egípcia viajou até Berlim, onde só seria apresentada ao público em 1924 — e logo provocando um verdadeiro estrondo. Ela estampou capa das revistas e virou um ícone publicitário: não só de cosméticos, perfumes e joias, mas também de cerveja, café e até cigarros. Soterrada na areia do deserto por milhares de anos, Nefertiti se tornava mais uma vez um ídolo admirado — provavelmente como o fora durante a vida.

"Mesmo no início do século 20, ela já correspondia ao ideal moderno de beleza de hoje, com maçãs do rosto proeminentes e um rosto bem desenhado", diz Zorn. "Mas se esse era o ideal de beleza de quase 3.500 anos atrás, já não podemos dizer com certeza", acrescenta. 
Os mistérios do busto de Nefertiti

O busto policromado não é a única imagem preservada de Nefertiti. Esculturas antigas mostram a rainha egípcia de mãos dadas com Aquenáton em cerimônias religiosas ou no papel carinhoso de mãe de seis filhas. Além disso, outras estátuas foram encontradas.

Dentro do busto há uma espécie de núcleo feito de calcário, no qual o escultor modelou o rosto de Nefertiti. Imagens de tomografia computadorizada geradas em 2007 revelaram que a rainha provavelmente era muito magra e tinha rugas bem marcadas. "Sobre ela, o artista colocou uma fina camada de gesso, que funciona então como uma boa base de maquiagem e esconde as imperfeições", explica Zorn.

O fato de o famoso busto não ter um olho provavelmente não significa que Nefertiti era caolha. "Trata-se apenas de um modelo, usado pelo artista para criar outras estátuas da rainha", afirma a especialista. "Ele provavelmente optou por não colocar um dos olhos embutidos para testar diferentes materiais", conjectura. 
O problema do nariz autêntico

Para obter uma reconstrução mais precisa do verdadeiro rosto de Nefertiti, seria preciso ter a múmia dela. "Mas até agora a múmia de Nefertiti não foi claramente identificada, apesar das inúmeras tentativas", conta Zorn, acrescentando que mesmo que isso aconteça um dia, sempre haverá imprecisões.

"As múmias, naturalmente, se desgastam. Restam apenas pele e ossos, e o mais difícil de uma reconstrução facial é geralmente o nariz."

Claro que existem cientistas que podem dizer exatamente quanta carne havia sob aquela pele, diz Zorn. "Mas não acho que seja possível reconstruir claramente um nariz com as possibilidades de hoje". Quase 3.500 anos após sua morte, é impossível dizer como Nefertiti era de fato. E é exatamente por isso que, graças ao busto, ela permanece na memória como uma beleza fora do comum.

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