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terça-feira, 4 de outubro de 2022

Nobel de Física 2022 vai para três cientistas por descobertas sobre a mecânica quântica

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Os ganhadores são da França, Áustria e Estados Unidos. As láureas em Química, Literatura e Paz serão entregues ao longo desta semana; já a de Economia será divulgada na próxima segunda (10).
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 04 de outubro de 2022 às 14hh50m

 #.*Post. - N.\ 10.494*.#

Nobel de Física 2022 vai para Alain Aspect, John F. Clauser e Anton Zeilinger
Nobel de Física 2022 vai para Alain Aspect, John F. Clauser e Anton Zeilinger

Alain Aspect, John F. Clauser e Anton Zeilinger são os ganhadores do Prêmio Nobel 2022 em Física, anunciou a Academia Real das Ciências da Suécia nesta terça-feira (4).

Os ganhadores são da França, Estados Unidos e Áustria, respectivamente. Eles dividirão o prêmio que totaliza 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 4,8 milhões).

Os cientistas levaram o Nobel por estudos sobre a mecânica quântica, um campo da Física que investiga o comportamento de partículas muito minúsculas como átomos, elétrons e fótons (entenda mais abaixo).

As descobertas "lançaram as bases para uma nova era da tecnologia quântica", afirmou o comitê do Nobel.

"Ser capaz de manipular e gerenciar estados quânticos e todas as suas camadas de propriedades nos dá acesso a ferramentas com um potencial inesperado", completou.

Os ganhadores do Nobel de Física de 2022. — Foto: The Nobel Prize/Divulgação
Os ganhadores do Nobel de Física de 2022. — Foto: The Nobel Prize/Divulgação

No ano passado, o prêmio de Física foi para três cientistas que contribuíram para modelos do aquecimento global. Desde 1901, mais de 200 pessoas foram laureadas. A distinção científica só não foi concedida em seis ocasiões: em 1916, 1931, 1934, 1940, 1941 e 1942.

Até 2021, das 218 pessoas agraciadas com o Nobel em Física, apenas 4 eram mulheres. Entre elas, a cientista polonesa Marie Curie, a primeira mulher a ganhar o prêmio.

Alain Aspect, John F. Clauser e Anton Zeilinger levaram o Nobel de Física de 2022 por experimentos inovadores usando o chamado entrelaçamento quântico, um fenômeno físico onde duas partículas subatômicas (muito menores que os átomos) se comportam como uma única unidade, até mesmo quando elas estão bastante separadas.

Em entrevista ao g1, Ulf Danielsson, professor de física teórica e membro da Real Academia Sueca de Ciências, explica que esse fenômeno desafia as leis da física clássica, aquela de Isaac Newton.

No entrelaçamento, tudo o que acontece nesse "par emaranhado" com uma única partícula determina o que acontece com a outra, mesmo que elas estejam muito distantes para serem afetadas.

"Elas podem ser influencidas mesmo a anos-luz de distância", diz o pesquisador.

Os fundamentos da mecânica quântica têm importantes implicações modernas, principalmente para a computação.  — Foto: The Nobel Prize/Divulgação
Os fundamentos da mecânica quântica têm importantes implicações modernas, principalmente para a computação. — Foto: The Nobel Prize/Divulgação

Ao longo dos anos, os experimentos dos três cientistas demonstraram o potencial tecnológico para investigar e controlar essas partículas que estão nesses estados emaranhados. E isso não tem só implicações teóricas ou técnicas.

No futuro, computadores superpoderosos e sistemas de telecomunicações impossíveis de hackear poderão ser criados por causa dessas pesquisas.

"Hoje em dia, por exemplo, nossas transações bancárias são baseadas em sistemas criptográficos complexos que utilizam truques matemáticos. No futuro, usando o entrelaçamento e a mecânica quântica poderemos transferir informações de uma maneira impossível de quebrar essa criptografia. Uma maneira absolutamente segura de transferir informações que se baseia nas leis da física", diz Danielsson.

"Esses prêmios foram concedidos porque apontam para novas e importantes aplicações no futuro", completou o cientista. 

  • Os vencedores
  • Alain Aspect nasceu em 1947 em Agen, na França. Em 1983 ele recebeu o doutorado pela Universidade Paris-Sud, em Orsay, na França. Atualmente é professor na Université Paris-Saclay e na École Polytechnique, Palaiseau, também na França.
  • John F. Clauser nasceu em 1942 em Pasadena, na Califórnia (EUA). Em 1969, ele recebeu o doutorado pela Columbia University, de Nova York. Atualmente é físico pesquisador no centro de pesquisa J.F. Clauser & Assoc. também nos EUA.
  • Anton Zeilinger nasceu em 1945 em Ried im Innkreis, na Áustria. Em 1971, ele recebeu o doutorado pela Universidade de Viena. Atualmente é professor na mesma instituição.
Anton Zeilinger durante a conferência de imprensa que o anunciou como um dos vencedores do Nobel de Física 2022. — Foto: The Nobel Prize/Divulgação
Anton Zeilinger durante a conferência de imprensa que o anunciou como um dos vencedores do Nobel de Física 2022. — Foto: The Nobel Prize/Divulgação

Nobel 2022

A láurea em Medicina foi a primeira a ser anunciada, na segunda (3). Os prêmios em Química, Literatura e Paz serão entregues ainda nesta semana; já a láurea em Economia será divulgada na próxima segunda (10). Veja o cronograma:

  • Medicina: segunda-feira, 3 de outubro
  • Física: terça-feira, 4 de outubro
  • Química: quarta-feira, 5 de outubro
  • Literatura: quinta-feira, 6 de outubro
  • Paz: sexta-feira, 7 de outubro
  • Economia: segunda-feira, 10 de outubro

Veja, abaixo, perguntas e respostas sobre o prêmio.

O que é o Prêmio Nobel?

A láurea foi criada pelo químico e empresário Alfred Nobel. Inventor da dinamite em 1867, o sueco doou a maior parte de sua fortuna em testamento para a criação de prêmios de física, química, medicina, literatura e paz (o prêmio de economia foi criado anos mais tarde).

O documento dizia que os prêmios deveriam ser concedidos “àqueles que, durante o ano anterior, tenham conferido o maior benefício à humanidade”.

Um busto do fundador do Prêmio Nobel, Alfred Nobel, em exibição durante cerimônia de entrega da láurea em 2018, em Estocolmo. — Foto: Henrik Montgomery/TT News Agency via AP, File
Um busto do fundador do Prêmio Nobel, Alfred Nobel, em exibição durante cerimônia de entrega da láurea em 2018, em Estocolmo. — Foto: Henrik Montgomery/TT News Agency via AP, File

Contudo, hoje em dia, conforme explica Juleen Zierath, membro do Instituto Karolinska -o júri do Nobel de Medicina-, essa regra não é mais tão levada à risca.

"Você pode ter feito essa descoberta em um estágio muito inicial de sua carreira de pesquisa, ou pode ter feito essa descoberta em um estágio muito avançado de sua carreira de pesquisador", ressalta a pesquisadora.

Como o prêmio é escolhido?

Todos os anos, o Comitê do Nobel envia um pedido de nomeação para membros da comunidade científica.

Isso significa que alguns candidatos elegíveis recebem um convite especial para enviar seus nomes. Sem esse convite, nenhum postulante pode concorrer ao prêmio.

"Você não pode se nomear, mas membros de comunidades científicas, reitores de faculdades de Medicina [no caso do prêmio na área], ex-laureados com o Prêmio Nobel e outros que trabalham no ramo científico mais amplo e que receberam esse pedido podem fazer uma indicação", diz Zierath. 
  • Quantas pessoas podem compartilhar o mesmo prêmio?

Até três pessoas podem compartilhar um Prêmio Nobel, ou uma organização pode ganhar a láurea da Paz.

A Fundação Nobel, responsável por realizar os desejos do seu fundador, ressalta que essa regra está descrita no testamento de Alfred Nobel.

A medalha do Prêmio Nobel. — Foto: The Nobel Prize
A medalha do Prêmio Nobel. — Foto: The Nobel Prize

“Em nenhum caso o valor do prêmio pode ser dividido entre mais de três pessoas", destaca um trecho do documento. Alguns pesquisadores, porém, criticam essa escolha e afirmam que as descobertas científicas de hoje em dia são muito mais coletivas: um trabalho de vários pesquisadores.

A láurea pode ser concedida postumamente? Tem limite de idade?

Não, um Prêmio Nobel não pode ser concedido postumamente.

Apesar, disso, a Fundação ressalta que, desde 1974, se o destinatário do prêmio falecer após o anúncio, a láurea ainda poderá ser concedida.

Sobre o limite de idade, o prêmio também não tem uma regra a respeito.

"O que eu diria é que, na maioria das vezes, levamos muitos anos até que o campo científico reconheça que a descoberta que você fez é uma distinção que deveria ser considerada para um Prêmio Nobel. Então, às vezes você tem que ser bastante paciente", ressalta Zierath.

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Agroglifo aparece em plantação de trigo em SC: 'Negócios misteriosos', diz proprietário

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Marca foi notada pelo morador na manhã desta terça-feira (4). Segundo ufólogo, trata-se de um agroglifo.
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Por Andrielli Zambonin e Caroline Borges, g1 SC

Postado em 04 de outubro de 2022 às 13h45m

 #.*Post. - N.\ 10.493*.#

Imagem foi vista nesta terça-feira e surpreendeu dono de propriedade rural em SC. — Foto: Tiago Kosinski/Divulgação
Imagem foi vista nesta terça-feira e surpreendeu dono de propriedade rural em SC. — Foto: Tiago Kosinski/Divulgação

Uma figura misteriosa apareceu em uma plantação de trigo em Ipuaçu, no Oeste catarinense. A imagem foi encontrada na manhã desta terça-feira (4). O dono da propriedade, Sérgio Girotto, 62 anos, estava tomando café quando recebeu mensagens avisando sobre o desenho visto na plantação.

Segundo o proprietário, esta não é a primeira vez que uma imagem enigmática aparece na plantação. O agricultor lembra que o mistério já rondou a propriedade há 7 anos, com uma imagem feita a cerca de 200 metros de onde o desenho atual foi registrado (veja o vídeo abaixo).

"Hoje, nos deparamos pela segunda vez na nossa propriedade. A gente estava tomando café e vimos esses negócios misteriosos que a gente não sabe explicar de onde vêm", afirmou.

Moradores encontram marcas em plantação em IpuaçuMoradores encontram marcas em plantação em Ipuaçu

As imagens circulam nas redes sociais, e a existência da figura foi confirmada pelo dono da propriedade.

Segundo o servidor da Epagri/Ciram Sydney Kavalco não há certeza de como a figura foi desenhada. No entanto, objetos simples podem amassar com facilidade as plantas.

"Existem sim equipamentos que podem amassar o trigo dessa forma. A grande questão é porque não deixa rastro, como é que entra na lavoura", disse. "Um equipamento bem simples, um toco que você passe rolando sobre o trigo vai amassar dessa maneira deixando o rastro percorrido. Lógico, a posição e as dimensões e serem linhas extremamente retas, e formas geométricas ali dentro deixam a dúvida no ar", disse.

Além de Ipuaçu, em Bom Jesus, na mesma região, agroglifos também apareceram em uma plantação de milho, em 2017. Eles foram notados por moradores da cidade e tinham cerca de vinte metros de diâmetro.

Imagem circulou nas rede sociais nesta terça-feira (4) — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Imagem circulou nas rede sociais nesta terça-feira (4) — Foto: Reprodução/Redes Sociais


Agroglifos em SC é mistério para proprietário da área. — Foto: Tiago Kosinski/Divulgação
Agroglifos em SC é mistério para proprietário da área. — Foto: Tiago Kosinski/Divulgação

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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Nobel de Medicina 2022 vai para Svante Pääbo por descobertas sobre o genoma de ancestrais humanos extintos

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Vencedor é sueco e leva prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 4,8 milhões). As láureas em Física, Química, Literatura e Paz serão entregues ao longo da semana; já a de Economia será divulgada na próxima segunda (10).
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 03 de outubro de 2022 às 08h35m

 #.*Post. - N.\ 10.492*.#

Nobel de Medicina 2022 vai para Svante Pääbo
Nobel de Medicina 2022 vai para Svante Pääbo

O sueco Svante Pääbo é o ganhador do Prêmio Nobel 2022 em Medicina, anunciou a Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, da Suécia, nesta segunda-feira (3).

Pääbo levou o prêmio, que totaliza 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 4,8 milhões), por suas descobertas sobre os genomas de hominídeos extintos e a evolução humana. Em 1982, o pai do cientista, Sune Bergstrom, também ganhou o Nobel de Medicina.

Ao explicar as diferenças genéticas que distinguem todos nós seres humanos vivos desses ancestrais já extintos, o trabalho de Svante Pääbo deu origem a um campo científico totalmente novo: a paleogenética.

"Suas descobertas fornecem a base para explorar o que nos torna exclusivamente humanos", afirmou o comitê.

O cientista sueco Svante Pääbo, ganhador do Nobel de Medicina de 2022. — Foto: The Nobel Prize/Divulgação
O cientista sueco Svante Pääbo, ganhador do Nobel de Medicina de 2022. — Foto: The Nobel Prize/Divulgação

A distinção científica de renome mundial só não foi concedida em nove ocasiões: em 1915, 1916, 1917, 1918, 1921, 1925, 1940, 1941 e 1942.

Ao longo dos anos, das 224 pessoas agraciadas com o Nobel em Medicina, apenas 12 eram mulheres.

Pääbo nasceu em 20 de abril de 1955, em Estocolmo, na Suécia.

Atualmente, o cientista é afiliado ao Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, em Leipzig, na Alemanha, e ao Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa, Okinawa, no Japão.

Svante Pääbo, ganhador do Nobel de 2022 de Medicina. — Foto: Nobel Institute
Svante Pääbo, ganhador do Nobel de 2022 de Medicina. — Foto: Nobel Institute

O biólogo descobriu que foi o ganhador do Nobel deste ano enquanto tomava uma xicára de café.

"Depois que o choque passou, uma das primeiras coisas que ele se perguntou foi se poderia compartilhar a notícia com sua esposa, Linda", disse o comitê do prêmio, que divulgou, em um tuíte, uma foto do laureado (veja abaixo).

Svante Pääbo, ganhador do Nobel de 2022 de Medicina. — Foto: The Nobel Prize/Divulgação
Svante Pääbo, ganhador do Nobel de 2022 de Medicina. — Foto: The Nobel Prize/Divulgação

As descobertas

O comitê do Nobel afirmou que o cientista sueco levou o prêmio porque realizou algo aparentemente impossível: sequenciou o genoma do Homem de Neandertal, um parente extinto dos seres humanos de hoje em dia.

Fora isso, um hominídeo anteriormente desconhecido, o Denisova, também foi descoberto por Svante Pääb.

A evolução humana e a disseminação dos humanos pelo mundo foram temas exploradas ao longo dos anos pelo trabalho do cientista sueco.

Pääbo também descobriu que a transferência de genes ocorreu desses hominídeos agora extintos para o Homo sapiens (a espécie à qual pertencemos) após a saída migratória humana da África há cerca de 70.000 anos, uma informação importante que ajuda a entender como o mundo era povoado nessa época.

 O comitê afirmou que o trabalho Pääbo fornece a base para explicar o que nos torna exclusivamente humanos. — Foto: The Nobel Prize/Divulgação
O comitê afirmou que o trabalho Pääbo fornece a base para explicar o que nos torna exclusivamente humanos. — Foto: The Nobel Prize/Divulgação  

Como o DNA (a molécua de de informação genética de um organismo) se modifica quimicamente e se degrada em pequenos fragmentos ao longo do tempo, identificar o genoma desses ancestrais humanos não foi uma tarefa fácil.

O cientista sueco teve que utilizar métodos genéticos modernos e analisar o DNA de mitocôndrias de neandertais (pequenas estruturas encontradas em células e que são responsáveis pela produção de energia) de um pedaço de osso de 40.000 anos.

Como o genoma mitocondrial contém uma fração da informação genética da célula, Pääbo conseguiu então sequenciar, pela primeira vez, uma região do DNA de um ancestral humano extinto.

Esses resultados mostraram que os neandertais têm características distintas que não são encontradas encontradas em humanos modernos e chimpanzés.

Ainda de acordo com o comitê, o cientista levou a láurea de Medicina deste ano porque essas descobertas são fundamentais para o entendimento de como o nosso sistema imunológico reage a infecções.

Isso porque a paleogenética revela como a sequências de genes ancestrais de nossos parentes extintos influenciam o funcionamento do corpo humano.

Na população tibetana de hoje em dia, por exemplo, um certo tipo de gene (EPAS1) encontrado entre os hominídeos de Denisova há 50 mil anos confere uma vantagem de sobrevivência em grandes altitudes e é bastante comum entre os tibetanos.

Nobel 2022

A láurea em Medicina é sempre a primeira a ser anunciada. Os prêmios em Física, Química, Literatura e Paz serão entregues ao longo da semana; já a láurea em Economia será divulgada na próxima segunda (10). Veja o cronograma:

  • Medicina: segunda-feira, 3 de outubro
  • Física: terça-feira, 4 de outubro
  • Química: quarta-feira, 5 de outubro
  • Literatura: quinta-feira, 6 de outubro
  • Paz: sexta-feira, 7 de outubro
  • Economia: segunda-feira, 10 de outubro

Veja, abaixo, perguntas e respostas sobre o prêmio.

O que é o Prêmio Nobel?

A láurea foi criada pelo químico e empresário Alfred Nobel. Inventor da dinamite em 1867, o sueco doou a maior parte de sua fortuna em testamento para a criação de prêmios de física, química, medicina, literatura e paz (o prêmio de economia foi criado anos mais tarde).

O documento dizia que os prêmios deveriam ser concedidos “àqueles que, durante o ano anterior, tenham conferido o maior benefício à humanidade”.

Um busto do fundador do Prêmio Nobel, Alfred Nobel, em exibição durante cerimônia de entrega da láurea em 2018, em Estocolmo. — Foto: Henrik Montgomery/Pool Photo via AP, File
Um busto do fundador do Prêmio Nobel, Alfred Nobel, em exibição durante cerimônia de entrega da láurea em 2018, em Estocolmo. — Foto: Henrik Montgomery/Pool Photo via AP, File

Contudo, hoje em dia, conforme explica Juleen Zierath, membro do Instituto Karolinska -o júri do Nobel de Medicina-, essa regra não é mais tão levada à risca.

"Você pode ter feito essa descoberta em um estágio muito inicial de sua carreira de pesquisa, ou pode ter feito essa descoberta em um estágio muito avançado de sua carreira de pesquisador", ressalta a pesquisadora.

Como o prêmio é escolhido?

Todos os anos, o Comitê do Nobel envia um pedido de nomeação para membros da comunidade científica.

Isso significa que alguns candidatos elegíveis recebem um convite especial para enviar seus nomes. Sem esse convite, nenhum postulante pode concorrer ao prêmio.

"Você não pode se nomear, mas membros de comunidades científicas, reitores de faculdades de medicina, ex-laureados com o Prêmio Nobel e outros que trabalham no ramo científico mais amplo e que receberam esse pedido podem fazer uma indicação", diz Zierath. 
Quantas pessoas podem compartilhar o mesmo prêmio?

Até três pessoas podem compartilhar um Prêmio Nobel, ou uma organização pode ganhar a láurea da Paz.

A Fundação Nobel, responsável por realizar os desejos do seu fundador, ressalta que essa regra está descrita no testamento de Alfred Nobel.

A medalha do Prêmio Nobel. — Foto: The Nobel Prize Foundation
A medalha do Prêmio Nobel. — Foto: The Nobel Prize Foundation

“Em nenhum caso o valor do prêmio pode ser dividido entre mais de três pessoas", destaca um trecho do documento. Alguns pesquisadores, porém, criticam essa escolha e afirmam que as descobertas científicas de hoje em dia são muito mais coletivas: um trabalho de vários pesquisadores.

A láurea pode ser concedida postumamente? Tem limite de idade?

Não, um Prêmio Nobel não pode ser concedido postumamente.

Apesar, disso, a Fundação ressalta que, desde 1974, se o destinatário do prêmio falecer após o anúncio, a láurea ainda poderá ser concedida.

Sobre o limite de idade, o prêmio também não tem uma regra a respeito.

"O que eu diria é que, na maioria das vezes, levamos muitos anos até que o campo científico reconheça que a descoberta que você fez é uma distinção que deveria ser considerada para um Prêmio Nobel. Então, às vezes você tem que ser bastante paciente", ressalta Zierath.

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sábado, 1 de outubro de 2022

Desemprego recua para 8,9% em agosto com recorde de trabalhadores sem carteira assinada, aponta IBGE

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País inicia o segundo semestre do ano com menor índice de desemprego desde 2015, puxado pela informalidade. Pressionado pelo recuo da inflação, rendimento real cresceu novamente.
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Por Daniel SIlveira, g1

Postado em 01 de outubro de 2022 às 11h40m

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Carteira de Trabalho e Previdência Social — Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Carteira de Trabalho e Previdência Social — Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Brasil começou o segundo semestre deste ano com índices de desemprego mais baixos em sete anos, consolidando tendência de recuperação do mercado de trabalho. Em contrapartida, bateu recorde histórico o número de trabalhadores sem carteira assinada no país. É o que apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, realizado por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), a taxa de desemprego em agosto caiu para 8,9%, a menor desde julho de 2015, quando ficou em 8,7%.

Esta foi a sexta queda seguida da taxa de desemprego no país, que já mantinha uma trajetória de declínio desde março do ano passado. De acordo com a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, o resultado de agosto consolida a tendência de recuperação do mercado de trabalho no Brasil.

Em números absolutos, o país encerrou agosto com um contingente de, aproximadamente, 9,7 milhões de desempregados - o menor nível desde novembro de 2015 - cerca de 4,2 milhões a menos que em agosto do ano passado, o que representa uma queda de 30,1% em um ano.

Na comparação com o trimestre terminado em julho, o recuo foi de aproximadamente 2%, o que representa cerca de 200 mil trabalhadores a menos na fila do desemprego.

Também diminuiu o número de pessoas subutilizadas no mercado de trabalho, cujo total foi estimado em 23,9 milhões de trabalhadores - 1,5 milhão (ou 5,8%) a menos na comparação trimestral e 7,4 milhões (ou 23,6%) a menos no confronto anual.

O contingente de subutilizados é formado por:

  • 9,7 milhões de desempregados: pessoas que não trabalham, mas procuraram empregos nos últimos 30 dias;
  • 6,4 milhões de subocupados: pessoas que trabalham menos de 40 horas por semana, mas gostariam de trabalhar mais;
  • 7,9 milhões de pessoas na força de trabalho potencial: que poderiam trabalhar, mas não trabalham, grupo que inclui 4,3 milhões de desalentados (que desistiram de procurar emprego) e outras 3,6 milhões de pessoas que podem trabalhar, mas que não têm disponibilidade por algum motivo, como mulheres que deixam o emprego para cuidar os filhos.

Com isso, a taxa composta de subutilização ficou em 20,5%, a menor desde o trimestre terminado em maio de 2016.

Principais destaques da pesquisa:

  • Desemprego caiu para 8,9%, menor índice da série desde o trimestre encerrado em julho de 2015
  • Número de desempregados recuou para 9,7 milhões de pessoas, patamar mais baixo desde novembro de 2015
  • Contingente de pessoas ocupadas bateu novo recorde: 99 milhões
  • População subutilizada caiu para 23,9 milhões de pessoas, 23,6% a menos que em agosto do ano passado
  • Pessoas fora da força de trabalho se manteve estável em 64,6 milhões de pessoas
  • População desalentada (que desistiu de procurar trabalho) foi estimada em 4,2 milhões, estável na comparação trimestral, mas 18,5% menor no confronto anual
  • Taxa de informalidade foi de 39,7% da população ocupada
  • Número de trabalhadores informais chegou a 39,3 milhões
  • Número de empregados sem carteira assinada foi o maior da série: 13,2 milhões
  • Número de empregados com carteira de trabalho assinada subiu para 36 milhões
  • Trabalhadores por conta própria atingiram 25,9 milhões de pessoas
  • Número de trabalhadores domésticos subiu para 5,9 milhões de pessoas
  • Número de empregadores foi de 4,3 milhões de pessoas
  • Rendimento real habitual ficou em R$ 2.713 - 3,1% a mais que no trimestre anterior, mas estável na comparação anual
Recorde na ocupação

A melhora nos índices de desemprego, no entanto, não foi puxada pela redução do número de desempregados, mas pelo aumento da população ocupada no mercado de trabalho brasileiro, que bateu novo recorde da série histórica, iniciada em 2012, somando cerca de 99 milhões de pessoas.

Em um ano, o contingente de ocupados aumentou em 7,3 milhões de trabalhadores, o que corresponde a um crescimento de 7,9% no período. Já na comparação com o trimestre terminado em julho, a alta foi de 1,2 milhão, pouco mais de 1%. Com isso, o contingente de pessoas ocupadas chegou a 99 milhões, batendo novamente o recorde na série histórica, iniciada em 2012.

O nível de ocupação, ou seja, o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, foi estimado em 57,1%, com crescimento tanto no confronto trimestral, sobretudo no anual - em agosto do ano passado era de 53,4%.

Segundo o IBGE, três atividades influenciaram o aumento da ocupação e consequente queda no desemprego: comércio, administração pública e outros serviços, que tiveram o número de ocupados aumentado em, respectivamente, 566 mil, 488 mil pessoas e 211 mil pessoas.

O ingresso da maior parte dos 7,3 milhões de trabalhadores que se ocuparam no mercado desde agosto do ano passado se deu por meio da carteira assinada no setor privado - foram assinadas 3 milhões de carteiras em um ano, o que corresponde a 41% do contingente dos novos ocupados e a um aumento de 7,9% na comparação com igual período de 2021.

Outros 1,8 milhão de trabalhadores foram ocupados sem carteira assinada. Embora em menor número, este incremento de informais fez com que o contingente de trabalhadores nesta condição atingisse o maior patamar da série histórica iniciada em 2012, de 13,2 milhões de pessoas, 16% a mais que no mesmo período do ano passado.

Já a quantidade de trabalhadores por conta própria ficou estável em 25,9 milhões de pessoas, enquanto o número de empregados no setor público cresceu 4,1% e chegou a 12,1 milhões.

Aumento do rendimento real

A Pnad mostrou, também, que o rendimento real habitual cresceu pelo segundo mês consecutivo, após dois anos sem crescimento. Esse resultado se deu, sobretudo, por conta da pressão inflacionária.

Em agosto, o salário médio do trabalhador brasileiro chegou a R$ 2.713 – estável na comparação com agosto do ano passado, mas 3,1% acima do apurado no trimestre anterior

“Esse crescimento está associado, principalmente, à retração da inflação. Mas a expansão da ocupação com carteira assinada e de empregadores também são fatores que colaboram”, diz Beringuy.

O maior aumento percentual do rendimento real se deu entre os empregadores – subiu 11,5%, cerca de R$ 689 a mais. Entre o grupo de empregados com carteira de trabalho assinada, o crescimento foi de 2% (mais R$ 51).

Entre os setores, se destacaram “agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura”, com alta de 7,2% (R$ 123 a mais), “Indústria”, que subiu 4,4% (R$ 111), “Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas”, com 3,5% (R$ 77), “Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas”, com alta de 5,5% (R$ 205).

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