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quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Patinho Feio: como funcionava o primeiro computador brasileiro, criado há 50 anos

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Com mais de 60 kg e apenas 4 kb de armazenamento, dispositivo criado na USP foi batizado em alusão ao Cisne Branco, projeto de computador da Unicamp. O aniversário de meio século do aparelho começa a ser comemorado nesta quinta-feira (22) pela Escola Politécnica.
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Por Victor Hugo Silva, g1

Postado em 22 de setembro de 2022 às 06h35m

 #.*Post. - N.\ 10.482*.#

Primeiro computador brasileiro, Patinho Feio foi inaugurado em 24 de julho de 1972 — Foto: Reprodução/USP
Primeiro computador brasileiro, Patinho Feio foi inaugurado em 24 de julho de 1972 — Foto: Reprodução/USP

Há 50 anos, em uma época em que quase não havia profissionais capacitados para isso no país, cerca de 15 pesquisadores criaram o primeiro computador brasileiro. O aparelho ficou conhecido como Patinho Feio na Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), onde foi desenvolvido.

O Patinho Feio tinha apenas 4 kilobytes de armazenamento (um simples disquete tem 360 vezes mais espaço). Não contava com tela, mouse, nem a maioria das funções dos computadores de hoje. Mas serviu para dar início à indústria brasileira de equipamentos digitais.

"O Patinho Feio foi uma semente da indústria digital brasileira a partir de um protótipo viável", disse Lucas Moscato, professor aposentado de automação industrial e robótica da Poli-USP e um dos criadores do computador, em entrevista ao g1.

O dispositivo foi resultado de um esforço de engenheiros, professores, estagiários e estudantes de pós-graduação da faculdade.

"A gente teve alunos excelentes. Muitos ficaram trabalhando conosco na Poli, outros alimentaram a indústria de computadores que começou a surgir no Brasil", destacou Edith Ranzini, professora da Poli-USP e uma das quatro mulheres que participaram do projeto, ao g1.

O 50º aniversário do dispositivo começa a ser comemorado nesta quinta-feira (22) na Poli-USP. Nos próximos meses, serão realizadas exposições e visitas programadas de estudantes para mostrar os avanços da tecnologia e destacar a importância dos investimentos na universidade pública.

O primeiro computador brasileiro foi um projeto do antigo Laboratório de Sistemas Digitais da USP, hoje chamado de Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais. Inaugurado em 24 de julho de 1972, ele começou a ser desenvolvido dois anos antes.

Relembre reportagem sobre computadores criados na USP:

USP desenvolve microcomputador do tamanho de uma moedaUSP desenvolve microcomputador do tamanho de uma moeda

O dispositivo foi criado depois do pedido da Marinha para a construção de um computador nacional que pudesse ser utilizado em seus navios. O aparelho seria feito na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que chamou seu projeto de Cisne Branco.

Então, os engenheiros da USP, que também projetavam um computador, chamaram a sua iniciativa de Pato Feio, que viria a ser chamado no diminutivo. "Foi realmente uma brincadeira que gerou o nome. O Patinho Feio teve essa ligação com o que o pessoal da Unicamp propôs fazer", explicou Moscato.

O Cisne Branco da Unicamp não vingou e o G10, um sucessor do Patinho Feio, viria a ser utilizado em sistemas de navegação de alguns navios da Marinha.

Bispo Dom Ernesto de Paula na inauguração do Patinho Feio, em 1972 — Foto: Jorge Murata/USP
Bispo Dom Ernesto de Paula na inauguração do Patinho Feio, em 1972 — Foto: Jorge Murata/USP

Como funcionava?

O Patinho Feio era controlado por um painel com botões e chaves liga-desliga que enviavam códigos binários (0 e 1) para rodar pequenos programas.

O dispositivo também usava um sistema de entrada e saída com periféricos, ou seja, aparelhos que ficam conectados à máquina. Nesse projeto, os acessórios serviam para salvar e iniciar programas.

Esses programas eram salvos em fitas perfuradas impressas em teletipo, uma espécie de máquina de escrever que enviava e recebia mensagens por telégrafo. Depois, uma máquina leitora podia ler essas fitas e executar os programas.

Na época em que foi desenvolvido, o Patinho Feio era considerado um minicomputador. Mas ele pesava cerca de 60 kg e, como destacou a professora Edith, tinha o tamanho de dois frigobares.

"Um 'frigobar', do lado esquerdo, é para as fontes de alimentação, para você ver como ele consumia energia", relembrou. "O outro é a parte do Patinho Feio propriamente dito, é aquele em que há um painel verde".

Painel do Patinho Feio tem botões e chaves liga-desliga que eram usados para enviar comandos — Foto: Divulgação/USP
Painel do Patinho Feio tem botões e chaves liga-desliga que eram usados para enviar comandos — Foto: Divulgação/USP

Para que servia?

Como tinha pouca memória, o Patinho Feio rodava apenas pequenos programas de demonstração. Ele seguia instruções para criar listas e copiar textos, além de realizar contas de soma e subtração, por exemplo.

Então governador de São Paulo, Laudo Natel compareceu à inauguração do Patinho Feio, em 1972 — Foto: Jorge Murata/USP
Então governador de São Paulo, Laudo Natel compareceu à inauguração do Patinho Feio, em 1972 — Foto: Jorge Murata/USP

A ideia era testar o que tinha sido aprendido nas aulas sobre sistemas digitais, incluídas no curso de Engenharia da Computação da Poli-USP um ano antes da inauguração do computador.

"O importante na época era demonstrar a capacidade de desenvolver um equipamento confiável que funcionasse e permitisse que os engenheiros que ali haviam trabalhado pudessem progredir fazendo outros equipamentos ou indo até para a indústria", diz Moscato.

Segundo Edith, o objetivo "era estudar como fazer um módulo de entrada e saída, como ligar mais um periférico. O foco não era tanto que programa fazer, era dotar o Patinho Feio de mais recursos de infraestrutura básica para depois o pessoal rodar programa".
O que veio depois?

O segundo computador do grupo de engenheiros da USP foi o G10, produzido para a Marinha. Ele serviu de base para o primeiro computador comercial brasileiro, chamado de MC 500 e fabricado pela Cobra (Computadores e Sistemas Brasileiros).

Lucas Moscato, um dos criadores do Patinho Feio, em demonstração do computador — Foto: Jorge Murata/USP
Lucas Moscato, um dos criadores do Patinho Feio, em demonstração do computador — Foto: Jorge Murata/USP

O conhecimento obtido com o Patinho Feio ainda ajudaria pesquisadores em outros projetos, que incluíram sistemas de controle de trens, apoio a motoristas em rodovias e de central telefônica.

"Outras indústrias nasceram a partir daí e muita coisa aconteceu por 25 anos até meados dos anos 1990, quando a opção brasileira foi pela agricultura, deixando um pouco de lado a indústria", avalia Moscato.

Os dois engenheiros ouvidos pelo g1 destacam que a indústria brasileira não estava preparada para a abertura comercial no início dos anos 1990, que aumentou a presença no país de equipamentos de empresas estrangeiras. Para eles, é preciso fortalecer o setor no brasil.

Edith alerta ainda para o problema de fuga de cérebros do país. "Tem uma série de coisas que, para serem feitas, precisam de indústria por trás. Mas algumas, por exemplo, desenvolvimento de software, precisam de cabeças. E elas estão indo embora, tem muita gente indo para o exterior", afirma.

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quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Caverna funerária da época de Ramsés II é encontrada em Israel; veja fotos

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A caverna foi descoberta na terça-feira (13), em uma praia a cerca de dez quilômetros de Tel Aviv. Arqueólogos encontraram dezenas de vasos de cerâmica de vários formatos e tamanhos, que remontam ao período do faraó morto em 1.213 a.C.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 21 de setembro de 2022 às 15h45m

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Uma foto fornecida pela Autoridade de Antiguidades de Israel em 18 de setembro de 2022 mostra os achados arqueológicos, incluindo vasos de cerâmica, que remontam ao século XIII aC, durante o governo do faraó Ramsés II do Egito. — Foto: AFP PHOTO / HO / ISRAEL ANTIQUITIES AUTHORITY
Uma foto fornecida pela Autoridade de Antiguidades de Israel em 18 de setembro de 2022 mostra os achados arqueológicos, incluindo vasos de cerâmica, que remontam ao século XIII aC, durante o governo do faraó Ramsés II do Egito. — Foto: AFP PHOTO / HO / ISRAEL ANTIQUITIES AUTHORITY

Arqueólogos israelenses anunciaram neste domingo (18) a descoberta "extremamente rara" de uma caverna funerária da época do faraó Ramsés II, repleta de objetos de cerâmica e bronze (veja imagens abaixo). Lá estavam dezenas de vasos de cerâmica de vários formatos e tamanhos, que remontam ao período do faraó morto em 1213 a.C.

A caverna foi encontrada na terça-feira (13) em uma praia no Parque Nacional de Palmahim (a cerca de dez quilômetros de Tel Aviv), depois de uma escavadeira mecânica atingir o teto da "construção".

Os arqueólogos utilizaram uma escada para descer até a caverna espaçosa e de formato quadrado. Em um vídeo divulgado pela Autoridade de Antiguidades de Israel, os pesquisadores usam lanternas para iluminar os objetos, que eram oferendas funerárias para acompanhar o falecido em sua jornada final e estavam intactos desde que foram posicionados ali, há quase 3,3 mil anos.

"A caverna pode fornecer uma imagem concreta dos costumes funerários da Idade do Bronze tardia", disse Eli Yannai, especialista em Idade do Bronze da Autoridade de Antiguidades.

Um esqueleto relativamente intacto também foi encontrado em duas metades retangulares.

Parque Nacional de Palmahim, onde os objetos de cerâmica e bronze foram encontrados. — Foto: SHLOMI AMRAN / ISRAEL NATURE AND PARKS AUTHORITY / AFP
Parque Nacional de Palmahim, onde os objetos de cerâmica e bronze foram encontrados. — Foto: SHLOMI AMRAN / ISRAEL NATURE AND PARKS AUTHORITY / AFP


A caverna foi descoberta na terça-feira (13) em uma praia, quando uma escavadeira mecânica que trabalhava no parque nacional de Palmahim atingiu seu teto. — Foto: AFP PHOTO / HO / ISRAEL ANTIQUITIES AUTHORITY
A caverna foi descoberta na terça-feira (13) em uma praia, quando uma escavadeira mecânica que trabalhava no parque nacional de Palmahim atingiu seu teto. — Foto: AFP PHOTO / HO / ISRAEL ANTIQUITIES AUTHORITY


Vasos de cerâmica encontrados na caverna. — Foto: AFP PHOTO / HO / ISRAEL ANTIQUITIES AUTHORITY
Vasos de cerâmica encontrados na caverna. — Foto: AFP PHOTO / HO / ISRAEL ANTIQUITIES AUTHORITY


Um arqueólogo entra na caverna descoberta no parque central de Palmahim. — Foto: EMIL ALADJEM / ISRAELI ANTIQUITIES AUTHORITY / AFP
Um arqueólogo entra na caverna descoberta no parque central de Palmahim. — Foto: EMIL ALADJEM / ISRAELI ANTIQUITIES AUTHORITY / AFP

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Autoridades encontram 230 baleias encalhadas na Austrália e temem a morte de metade do grupo

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As causas dos encalhes em massa não são completamente compreendidas.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 21 de setembro de 2022 às 10h15m

 #.*Post. - N.\ 10.480*.#

Dezenas de baleias são encontradas encalhadas em praia na AustráliaDezenas de baleias são encontradas encalhadas em praia na Austrália

Quase 230 baleias-piloto foram encontradas encalhadas nesta quarta-feira na costa oeste da Tasmânia, Austrália, e apenas metade pareciam estar vivas, informaram as autoridades.

"Um grupo de aproximadamente 230 baleias encalhou perto do Porto de Macquarie", afirmou o Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente do estado da Tasmânia.

"Parece que metade dos animais estão vivos", acrescentou.

Grupo de baleias encalhadas na costa da Tasmânia — Foto: HANDOUT / AFP / Department of Natural Resources and Environment Tasmania
Grupo de baleias encalhadas na costa da Tasmânia — Foto: HANDOUT / AFP / Department of Natural Resources and Environment Tasmania

As imagens aéreas mostram uma cena devastadora de dezenas de cetáceos espalhados ao longo de um trecho de praia onde a água gelada encontra a areia.

Moradores jogaram cobertores nas sobreviventes e usaram baldes de água para mantê-las com vida, enquanto outras tentavam libertar-se, sem sucesso. Na mesma área, muitas estavam mortas.

As autoridades anunciaram que especialistas em conservação marinha e funcionários com equipamentos de resgate de baleias estavam a caminho do local.

Dezenas de baleias encalhadas na costa da Tasmânia — Foto: Andrew Breen/Huon Aquaculture via AP
Dezenas de baleias encalhadas na costa da Tasmânia — Foto: Andrew Breen/Huon Aquaculture via AP

Eles tentarão devolver à água aquelas que estão suficientemente fortes para sobreviver e, provavelmente, devem rebocar os animais mortos para o mar para evitar atrair tubarões à região.

Há quase dois anos, a mesma região foi cenário de outro encalhe em massa, com quase 500 baleias-piloto, das quais apenas 100 sobreviveram.

As causas dos encalhes em massa não são completamente compreendidas.

Diversas baleias são vistas encalhadas em praia da Tasmânia — Foto: Andrew Breen/Huon Aquaculture via AP
Diversas baleias são vistas encalhadas em praia da Tasmânia — Foto: Andrew Breen/Huon Aquaculture via AP

Cientistas sugerem que podem ser provocados por grupos que desviam de sua rota depois que se alimentam muito perto da costa.

As baleias-piloto são muito sociáveis e costumam seguir os companheiros de grupo que entram em situações de perigo.

Às vezes acontece quando baleias idosas, doentes ou feridas nadam até a costa e outras integrantes do grupo as seguem, em uma tentativa de responder aos sinais de socorro da baleia que ficou encalhada.

(Este vídeo se refere ao encalhe de 2020)

Austrália monta operação para salvar baleias que encalharam em banco de areia, na TasmâniaAustrália monta operação para salvar baleias que encalharam em banco de areia, na Tasmânia

Outras ficam confusas e acreditam estar em mar aberto quando ouvem sonares de alta frequência, quando na verdade estão em praias íngremes, como acontece no caso das baleias encalhadas na Tasmânia.

Esta semana também foram encontrados 14 cachalotes machos jovens mortos, encalhados em uma praia remota em King Island, na costa norte da Tasmânia.

Diversas baleias recebem ajuda de voluntários enquanto estão encalhadas na costa da Tasmânia — Foto: Australian Broadcasting Corporation via AP
Diversas baleias recebem ajuda de voluntários enquanto estão encalhadas na costa da Tasmânia — Foto: Australian Broadcasting Corporation via AP

A morte dos cetáceos poder ser um caso de "desventura", afirmou o biólogo da vida selvagem Kris Carlyon, da agência ambiental do governo, ao jornal local Mercury.

"A causa mais comum para estes eventos é uma desventura, podem ter ido buscar comida perto da costa, podem ter encontrado alimento e possivelmente ficaram presas na maré baixa", explicou Carlyon.

"Esta é a teoria no momento", acrescentou.

Onde fica a Tasmânia — Foto: Wagner Magalhães/G1
Onde fica a Tasmânia — Foto: Wagner Magalhães/G1

A Nova Zelândia também registra encalhes com relativa frequência.

No país, quase 300 animais são encontrados encalhados por ano em média, de acordo com os números oficiais. Não é incomum observar grupos de 20 a 50 baleias-piloto encalhadas em uma praia.

Mas os números podem alcançar centenas, como em 2017, quando cerca de 700 baleias ficaram encalhadas.

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terça-feira, 20 de setembro de 2022

Nova espécie divulgada: primeiro 'titanossauro anão' das Américas é descoberto no interior de SP

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Nomeada de Ibirania parva em homenagem a cidade de Ibirá (SP), a espécie foi divulgada na última semana pelo Paleontólogo Bruno Navarro.
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Por Muryel Boian, g1 Rio Preto e Araçatuba

Postado em 20 de setembro de 2022 às 08h45m

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Reprodução do Ibirania parva feita por um ilustrador — Foto: Matheus Fernandes Gadelha/Divulgação
Reprodução do Ibirania parva feita por um ilustrador — Foto: Matheus Fernandes Gadelha/Divulgação

Depois de anos de pesquisas, foi divulgada a nova espécie de dinossauro encontrada em Ibirá, cidade do interior de São Paulo conhecida por abrigar outras descobertas.

Trata-se do Ibirania parva, um titanossauro de cinco a seis metros de comprimento, espécie herbívora conhecida pelo pescoço grande. Ele é considerado o primeiro “anão” das Américas.

Bruno Navarro foi o responsável pela divulgação das pesquisas — Foto: Arquivo Pessoal
Bruno Navarro foi o responsável pela divulgação das pesquisas — Foto: Arquivo Pessoal

O nome vem da junção das palavras Ibirá, cidade onde foi encontrado, "ania", que em grego significa “peregrino”, e "parva", palavra em latim para pequeno.

A descoberta foi proveniente de um trabalho realizado desde os anos 90 e publicada em uma revista cientifica internacional na última quinta-feira (15).

Espécie de dinossauro viveu no interior de SP há 80 milhões de anosEspécie de dinossauro viveu no interior de SP há 80 milhões de anos

Em entrevista ao g1, Bruno Navarro, Paleontólogo do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e principal percursor da descoberta, deu detalhes sobre o trabalho realizado pelos pesquisadores.

“Desde 1999 começaram as coletas, ano em que acharam alguns fósseis da nova espécie. Mas o material do holótipo –indivíduo que carrega o nome da espécie– foi descoberto pelo professor Dr. Marcelo Adorna Fernandes, em 2005”, contou Bruno.

Viriato Antônio Lobo de Araújo é secretário de Turismo de Ibirá e foi um dos voluntários das escavações. Ele foi responsável por achar o material na Vila Ventura, local onde os trabalhos foram realizados.

Secretário de Turismo participou das escavações em 2005 — Foto: Arquivo Pessoal
Secretário de Turismo participou das escavações em 2005 — Foto: Arquivo Pessoal

“O Marcelo nos explicava como fazia. Na hora que estava escavando, vi apenas um filete. Conforme comecei a cavar, consegui achar o fóssil”, explicou o secretário.

O material encontrado por Marcelo e Viriato serviu como análise para Bruno em 2015. Foi neste ano que ele começou a perceber algumas características do fóssil e perceber que poderia ser de uma nova espécie.

“Quando coletamos algum tipo de fóssil, vamos comparando com os seus similares. Se notamos algo diferente, vamos olhando mais a fundo, se aquilo pode remeter a um parentesco. Mas isso é tudo por análise”, contou Bruno.

Descobertas e surpresas

Fíbola da nova espécie encontrada em 2005 — Foto: Fabiano Vidoi Iori/Divulgação
Fíbola da nova espécie encontrada em 2005 — Foto: Fabiano Vidoi Iori/Divulgação

A partir dos trabalhos, Bruno e os pesquisadores perceberam que a nova espécie tinha algumas características anatômicas que se diferenciavam das outras.

Uma delas é que as estruturas do Ibirania parva apresentavam uma hiper pneumatização de seu esqueleto axial, ou seja, espaços ocos nas vértebras, preservando inclusive resquícios de sacos-aéreos, usados para controle da temperatura. Esse tipo de estrutura é semelhante às aves e diferentes de outros dinossauros.

Estrutura das vértebras chamou a atenção dos pesquisadores — Foto: Arquivo Pessoal
Estrutura das vértebras chamou a atenção dos pesquisadores — Foto: Arquivo Pessoal

Além de já ser comprovado que a espécie era menor comparada com outros titanossauros, o que surpreendeu a equipe é que a forma "anã" foi a primeira registrada nas Américas.

“Já tinha titanossauros anões reportados, desde 1915, em alguns locais da Europa. Mas o continente era um arquipélago, então o confinamento entre eles forçava esses animais a serem pequenos, pela questão da área e dos recursos. Então, a nossa surpresa foi: o que um animal anão está fazendo no Brasil", afirmou Bruno.

Como a região de Ibirá não tinha uma relação com o mar, os pesquisadores ficaram motivados a entender como o ambiente da época influenciou no tamanho da espécie.

Comparativo mostra o tamanho da espécie com os seres humanos — Foto: Sérgio Lages/Divulgação
Comparativo mostra o tamanho da espécie com os seres humanos — Foto: Sérgio Lages/Divulgação

Segundo Bruno, um dos primeiros motivos é que essa espécie tinha preferência por uma alimentação rasteira, como arbustos.

Além disso, no período Cretáceo, que foi quando o Ibirania parva viveu, a região noroeste paulista era marcada por estações secas e prolongadas, além de um clima bastante árido. Foi esse ambiente hostil que selecionou os pequenos dinossauros herbívoros.

“Os animais pequenos teriam uma maior tolerância, porque eles necessitavam de menos recursos, e conseguiam se manter em refúgios de vegetação específicos. Ou seja, com menor tamanho, eram maiores as chances de sobreviver a estes ambientes”, explica.

Outras descobertas e importância histórica

Fêmur de um titanossauro encontrado na região noroeste paulista — Foto: Marcos Lavezo/G1
Fêmur de um titanossauro encontrado na região noroeste paulista — Foto: Marcos Lavezo/G1

Ibirá já foi cenário de descobertas de outras espécies de dinossauros. Uma delas foi o Thanos Simonattoi, uma espécie carnívora, cujo fóssil foi encontrado no município em 2018.

Por conta disso, Viriato contou que o município já tem projetos para montar um museu próprio na cidade, especialmente na Vila Ventura, onde são achados a maioria dos fósseis.

“Entramos com um pedido no estado de São Paulo para transformar o prédio de uma escola desativada em um museu da cidade, até como forma de aumentar o turismo na região", diz.

Confira os dinossauros descobertos na região

Titanossauro: era herbívoro com mais de 20 metros de comprimento. Fósseis foram encontrados em toda a região noroeste paulista, sendo o maior acervo do museu. Tinha o pescoço e a cauda alongados, andava por toda região em busca de alimento.

Megaraptora: animal carnívoro e tinha cerca de 10 metros de altura. Fóssil de uma vértebra e possíveis dentes foram encontrados na região de Ibirá. Era o topo da cadeia alimentar na região e tinha garras potentes.

Thanos Simonattoi: parente distante do T-Rex, tinha cerca de 5 metros de altura e era carnívoro. Fóssil de vértebra encontrado em Ibirá. Tinha as patas dianteiras bem curtas.

Maniraptora: outro animal carnívoro e tinha cerca de dois metros de comprimento. Diferente dos outros dinossauros, esse era coberto por penas. Foram encontrados dentes e vértebras na região toda.

Outros animais: além de dinossauros, na região também viviam outros tipos de animais, como peixes e crocodilos pré-históricos, como o baurussuquídeo, peirossaurídeo e o esfagessaurídeo.

Titanossauro (pescoço longo), megaraptora, maniraptores (pequeno à frente), crocodilos e o Thanos: animais que viviam no interior de SP há 80 milhões de anos — Foto: Marcos Lavezo/G1
Titanossauro (pescoço longo), megaraptora, maniraptores (pequeno à frente), crocodilos e o Thanos: animais que viviam no interior de SP há 80 milhões de anos — Foto: Marcos Lavezo/G1 

Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba

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