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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Terra Yanomami completa 30 anos com maior devastação da história causada pelo garimpo

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Em meio à destruição ambiental, doenças e violações de direitos causadas pelo avanço do garimpo ilegal, a terra indígena completa 30 anos de homologação nesta quarta-feira (25). 'Grande conquista para o povo Yanomami', diz vice-presidente da Hutukara, Dário Kopenawa.
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Por Yara Ramalho e Valéria Oliveira, g1 RR — Boa Vista

Postado em 25 de maio de 2022 às 09h00m

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Povo da Terra Indígena Yanomami é considerado de recente contato com população não-indígena — Foto:  Fiona Watson/Survival/Arquivo
Povo da Terra Indígena Yanomami é considerado de recente contato com população não-indígena — Foto: Fiona Watson/Survival/Arquivo

A Terra Indígena Yanomami, maior reserva indígena do Brasil, completa 30 anos de demarcação e homologação nesta quarta-feira (25). Mas, diante do aumento desenfreado de garimpos ilegais dentro do território onde vivem mais de 28 mil ianomâmi, da destruição ambiental, dos casos de doença e violência, a celebração destas três décadas ocorre em forma de luta e resistência em defesa da reserva.

Com cerca de 10 milhões de hectares distribuídos no Amazonas e em Roraima, onde fica a maior parte, a Terra Yanomami tem 371 comunidades de difícil acesso espalhadas ao longo da densa floresta amazônica. O povo ianomâmi é considerado de recente contato com a população não-indígena. Além disso, na reserva há, ainda, indígenas isolados, sem contato ou influência externa.

Embora as condições geográficas os tornem isolados, isso não impede o avanço acelerado do garimpo. Em um ano, a devastação ambiental cresceu 46%, percentual histórico desde a demarcação (leia mais abaixo).

A situação em que vivem os ianomâmi é tão séria que foi considerada de "extrema gravidade e urgência", com risco de "danos irreparáveis aos seus direitos no Brasil", pela Comissão Interamericana da Direitos Humanos (CIDH). O órgão solicitou à Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) uma intervenção com medidas provisórias para proteger os direitos à vida do povo Yanomami.

Para marcar os 30 anos, lideranças indígenas realizam desde domingo (22) até esta quinta (26) uma festa restrita a convidados na comunidade Xihobi, região do Amazonas. Estima-se que cerca de 900 pessoas participem da celebração, entre eles, o líder indígena e ambientalista Ailton Krenak e o missionário Carlo Zacquini.

Nesta reportagem, você vai ler sobre:

  • Como foi o processo de demarcação
  • Avanço do garimpo e desmatamento
  • Conflitos, violência sexual e malária
  • Como é o acesso à reserva
30 anos da Terra Indígena Yanomami — Foto: Arte/g1
30 anos da Terra Indígena Yanomami — Foto: Arte/g1

Processo de demarcação

Oficialmente demarcada em 25 de maio de 1992, o processo de avaliação e registro da Terra Indígena Yanomami durou quase 15 anos, o que envolveu uma longa batalha, com articulação internacional, até o governo brasileiro, à época presidido por Fernando Collor, homologar a reserva.

Para que uma terra indígena seja reconhecida, antes o espaço precisa passar pela demarcação física. Depois de delimitada a área, é feita a chamada homologação, etapa final do processo, quando o presidente da República publica um decreto criando a reserva.

Peça fundamental nesta conquista, o líder e xamã do povo Yanomami, Davi Kopenawa, se tornou a referência do seu povo.

"Por que eu luto? Porque estou vivo. Eu acredito na minha luta. Estou lutando para os novos, as crianças, os adultos do meu povo não morrerem tão cedo", disse Davi Kopenawa em março de 1991, durante o processo pela demarcação.

A campanha a favor da homologação foi encabeçada pela entidade Comissão Pró-Yanomami e internacionalmente pela Survival International, uma organização não-governamental que defende os povos indígenas ao redor do mundo e até hoje atua em prol dos ianomâmi.

Davi Kopenawa, atualmente, é presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), a mais representativa organização deste povo. O filho dele, Dário Kopenawa, que é o vice-presidente, afirma que, mesmo diante das violações de direitos, os indígenas não desanimam e, de alguma forma, sentem alegria pela conquista e falam da importância dela para os jovens e crianças.

"[A situação] não está muito boa, mas nós estamos comemorando esse dia histórico para o povo Yanomami e Ye'kuana. Isso é para as gerações que vão lutar pelo seu território. Nós vamos falar da importância [da homologação] e ensinar sobre isso para os jovens e crianças. É uma grande alegria, felicidade e vitória. Uma grande conquista para nós", afirmou.

À época da demarcação, Davi assumiu a missão de organizar os Yanomami e conscientizar os indígenas sobre as ameaças históricas, através de um programa de educação idealizado por ele e executado pela comissão. Ele também atuou como intérprete da língua Yanomami.

"Foi uma grande mobilização e super importante. A luta foi uma grande conquista para o povo Yanomami, uma grade de resistência. Nós fizemos uma grande jornada para demarcar", afirma Dário.

Canteiro de garimpo no Uraricoera, na Terra Indígena Yanomami. — Foto: Divulgação/Arquivo
Canteiro de garimpo no Uraricoera, na Terra Indígena Yanomami. — Foto: Divulgação/Arquivo

Com a homologação, o que deveria ser uma conquista também virou um pesadelo. Há décadas, a Terra Yanomami é alvo de garimpeiros que buscam ouro, cassiterita e outros minérios. A Hutukara estima que atualmente há 20 mil garimpeiros explorando ilegalmente a região.

A presença dos invasores causa desmatamento, provoca poluição dos rios e impacta diretamente na saúde dos ianomâmi que vivem nas comunidades - sem contar os conflitos armados. Ano passado, em maio, garimpeiros abriram fogo contra a comunidade Palimiú, às margens do rio Uraricoera, umas das principais rotas usada pelos garimpeiros. Até hoje, a situação é de tensão.

"Os garimpeiros nunca saíram e as autoridades não estão preocupadas em retirá-los", diz Davi sobre os ataques a Palimiú. 
Avanço do garimpo e desmatamento
Atividade garimpeira tem provocado a poluição dos rios na Terra Yanomami, conforme a HAY. — Foto: © Bruno Kelly/HAY/Arquivo
Atividade garimpeira tem provocado a poluição dos rios na Terra Yanomami, conforme a HAY. — Foto: © Bruno Kelly/HAY/Arquivo

Em meio ao avanço dos garimpos, visível na cor da água lamacenta dos rios e nas crateras a céu aberto, e ao aumento da violência, os números também endossam o estrago: a reserva vive a pior devastação da história, com 46% de aumento em um ano.

Relatório "Yanomami sob ataque", divulgado pela Hutukara em abril deste ano, apontou que, em 2021, a degradação causada pelo garimpo chegou à marca de 3.272 hectares, frente aos 2.234 hectares de 2020 -- 1.038 hectares a mais em um ano.

Em quatro anos, de outubro de 2018 até o fim de 2021, a área destruída pelo garimpo ilegal quase dobrou de tamanho, ultrapassando 3,2 mil hectares.

As regiões com maior degradação causada pelo garimpo são, respectivamente, Waikás, Homoxi e Kayanau. Com exceção das regiões Surucucu, Missão Catrimani e Uraricoera, todas as áreas tiveram um crescimento na degradação de 2020 até o fim de 2021.

O número de comunidades afetadas diretamente pela extração ilegal seria de 273, abrangendo mais de 16 mil pessoas, ou 56% da população Yanomami.

Voo realizado em janeiro pela HAY flagrou o avanço do garimpo e destruição ambiental na Terra Yanomami. — Foto: © Bruno Kelly/HAY/Arquivo
Voo realizado em janeiro pela HAY flagrou o avanço do garimpo e destruição ambiental na Terra Yanomami. — Foto: © Bruno Kelly/HAY/Arquivo

Baro de garimpeiro atracado no rio Parima, na Terra Yanomami. — Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica
Barco de garimpeiro atracado no rio Parima, na Terra Yanomami. — Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica

Os principais rios e igarapés afetados pela exploração de são: rio Uraricoera, rio Parima, Igarapé Inajá, Igarapé Surucucus, rio Mucajaí, rio Couto Magalhães, rio Apiaú, rio Novo, rio Catrimani e rio Lobo d’Almada, conforme o estudo.

A bacia do rio Mucajaí é a mais impactada, concentrando 180 km de destruição em dois trechos do seu leito, mais 50 km do rio Couto Magalhães, e 30 km da cabeceira do rio Apiaú, que deságua no Mucajaí, fora da Terra Yanomami, e 10 km do rio Novo, afluente do Apiaú.

Além disso, o relatório mapeou 40 pistas localizadas em fazendas indicadas como suspeitas de prestar apoio logístico aos garimpeiros. Para chegar as regiões onde estão os garimpos, os dois principais meios são os rios ou o céu.

Aviões, helicópteros e galões de combustíveis também foram flagrados dentro da área explorada por garimpeiros na Terra Yanomami. — Foto: © Bruno Kelly/HAY/Arquivo
Aviões, helicópteros e galões de combustíveis também foram flagrados dentro da área explorada por garimpeiros na Terra Yanomami. — Foto: © Bruno Kelly/HAY/Arquivo

O estudou identificou, ainda, outras 12 pistas de pouso clandestinas que transportam pessoas, alimentos e equipamentos usados na extração do ouro.

Em meio aos avanços da exploração, nos últimos meses, lideranças indígenas registraram uma série de denúncias sobre violações de direitos, violência, disseminação de doenças e desnutrição.

Conflitos, violência sexual e malária

Os conflitos causados pelo garimpo na Terra Yanomami não começaram agora. Segundo a antropóloga e professora emérita da Universidade de Brasília (UnB) Alcida Rita Ramos, que trabalha com o povo Yanomami desde 1968, a invasão do território vem desde a década de 70, na ditadura militar.

Com uma série de políticas de ocupação na Amazônia, em 1973, o Exército deu início à construção da rodovia Perimetral Norte, que iria ligar toda a região no chamado Plano de Integração Nacional (PIN). A ação provocou uma série de epidemias, que diminuiu parte da população.

Mãe segura filho doente na comunidade Xaruna, Terra Yanomami. — Foto: Valéria Oliveira/g1/Arquivo
Mãe segura filho doente na comunidade Xaruna, Terra Yanomami. — Foto: Valéria Oliveira/g1/Arquivo

Paralisada no meio, a rodovia foi abandonada em 1976. No fim da década seguinte, aconteceu a invasão massiva de garimpeiros atrás da exploração de ouro.

Nos anos 1990, 12 indígenas foram mortos por garimpeiros no massacre do Haximu, um dos mais violentos registrados na reserva.

"Os primeiros estragos materiais foram a construção da Perimetral. Em dois anos, destruíram muito, mataram 22% da população de uma aldeia e foram embora. Até hoje, tem comunidades que não se recuperaram. Esse foi o primeiro choque do século 20, que terminou com outro choque violento: a massificação da invasão garimpeira. Foi tudo desencadeado. E, agora, no século 21, são garimpeiros, misturados com Covid e todo o lixo que a sociedade manda para eles", resume.

A busca pelo minério se intensificou ainda mais nos últimos anos. Desde junho de 2020, uma série de confrontos entre indígenas e garimpeiros foi deflagrada na Terra Yanomami, causando medo e insegurança nos que vivem na região. Além disso, as lideranças também registraram várias denúncias de violência contra meninas e mulheres.

Os problemas gerados pelo garimpo são sentidos por meses. Na comunidade Palimiú, que foi atacada a tiros por garimpeiros há um ano, os moradores ainda são assombrados pela violência.

A região foi atacada em 10 de maio de 2021 e deixou feridos, relatos de mortes, correria em fuga dos tiros, dias seguidos de tensão com sucessivos atentados e até troca de tiros dos invasores com a Polícia Federal. Palimiú fica às margens do rio Uraricoera, região usada pelos invasores para acessar os acampamentos no meio da floresta.

Comunidade Palimiú, na Terra Indígena Yanomami, fica às margens do rio Uraricoera — Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica/Arquivo
Comunidade Palimiú, na Terra Indígena Yanomami, fica às margens do rio Uraricoera — Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica/Arquivo

O relatório divulgado pela Hutukara apresentou ainda relatos de que garimpeiros exigem sexo com meninas e mulheres em troca de comida, o avanço desenfreado do garimpo e os ataques que impactam a segurança dos homens, mulheres e crianças ianomâmi.

Em menos de um mês, uma grave denúncia sobre uma menina ianomâmi, de 12 anos, que teria morrido após ser estuprada por garimpeiros desencadeou uma série de questionamentos nas redes sociais e apuração da Polícia Federal.

O caso ganhou repercussão nacional e mobilizou lideranças indígenas, autoridades, políticos, artistas e influencers que demonstraram apoio à causa questionando a situação nas redes sociais com a hashtag: "CADÊ OS YANOMAMI".

Aracaça, na Terra Yanomami, onde menina ianomâmi, de 12 anos, morava. — Foto: Considi-YY/Divulgação/Arquivo
Aracaça, na Terra Yanomami, onde menina ianomâmi, de 12 anos, morava. — Foto: Considi-YY/Divulgação/Arquivo

A denúncia foi feita pelo presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kwana (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami. A Polícia Federal foi até a comunidade Aracaçá, onde a menina morava, mas não encontrou indícios de crime. O caso segue em investigação.

Em novembro do ano passado, reportagem do Fantástico (TV Globo) e do g1 (assista abaixo) mostrou a grave situação da saúde na Terra Yanomami. Em uma das comunidades, a Xaruna, a equipe encontrou um dos piores cenários dentro da reserva, com dezenas de crianças desnutridas e com sintomas de malária.

Crianças yanomami sofrem com desnutrição e falta de atendimento médicoCrianças yanomami sofrem com desnutrição e falta de atendimento médico

Na mesma comunidade, que é vizinha a um garimpo ilegal, foram registradas ao menos quatro mortes de crianças com sintomas de malária e pneumonia. Em setembro do ano passado, duas crianças indígenas -- uma delas com seis meses de idade -- morreram também em Xaruna.

No dia 4 de novembro, uma adolescente indígena, de 17 anos, morreu na comunidade Yaritopi, que estava em estado grave de malária falciparum. Em 1º de outubro, um pajé da comunidade Makuxi Yano, de 50 anos, morreu sem atendimento.

Além da destruição ambiental, que reflete na saúde dos Yanomami, a exploração ilegal aproxima os garimpeiros das comunidades e provoca uma desestruturação social entre os indígenas.

Cercado pela densa floresta amazônica, o território Yanomami é de difícil acesso, e a comunicação é bastante restrita, o que impacta na divulgação das informações sobre o que acontece na região.

A entrada por via terrestre só é possível pelo sul da reserva, nas comunidades Ajarani I e II, onde não vivem indígenas.

Já o acesso às demais comunidades é feito por avião e helicóptero, que aterrissam em clareiras abertas na mata fechada ou pistas improvisadas para aeronaves de pequeno porte. Também é possível chegar à Terra Yanomami clandestinamente por embarcação, meio mais utilizado pelos garimpeiros.

Apenas profissionais da Sesai e pessoas autorizadas pelo Condisi-Y ou pela Fundação Nacional do Índio (Funai) podem entrar na reserva.

A comunicação na região é feita na maioria das vezes por radiofonia. Os aparelhos são instalados nos postos de saúde da Sesai e é de lá que servidores se comunicam com o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y), sediado na capital, Boa Vista. A energia elétrica também é limitada aos postos de saúde.

Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

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terça-feira, 24 de maio de 2022

Em cerimônia, França devolve ao Brasil 998 fósseis do período Cretáceo; veja imagens

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Este é o maior lote já recuperado pelo Brasil. Fósseis têm até 145 milhões de anos, foram apreendidos em 2013 e irão para o CE. Repatriação é fruto de acordo entre MPF e Justiça francesa.
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Por Vladimir Netto, TV Globo — Brasília

Postado em 24 de maio de 2022 às 16h10m

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Fóssil do período Cretáceo apreendido em 2013 e devolvido pela França ao Brasil — Foto: Geopark Araripe/URCA
Fóssil do período Cretáceo apreendido em 2013 e devolvido pela França ao Brasil — Foto: Geopark Araripe/URCA

Autoridades do governo francês fizeram uma cerimônia nesta terça-feira (24) em Le Havre para oficializar a devolução do maior lote de fósseis contrabandeados já recuperado pelo Brasil. Ao todo, são 998 peças do período Cretáceo, de 65 a 145 milhões de anos atrás.

Participaram da cerimônia cientistas brasileiros, servidores públicos e integrantes do Ministério Público Federal (MPF).

A repatriação é fruto de um acordo entre o MPF e a Justiça francesa, e os fósseis serão enviados para o Ceará (leia detalhes mais abaixo). A negociação começou em 2013, quando os fósseis foram descobertos em um contêiner que saiu do Brasil em direção ao país europeu.

Funcionários da alfândega do porto de Le Havre desconfiaram do contrabando durante a inspeção de um contêiner que, supostamente, levaria para a França carga de barris de quartzo.

A alfândega francesa informou ter encontrado:

  • 650 placas da Formação Crato com fósseis de crustáceos, insetos e plantas;
  • 348 nódulos de animais fossilizados em cobertura de argila (peixes, restos de dinossauros, tartarugas, crocodilos e pterossauros).

A perícia no material foi feita por especialistas de museus de Paris e de Le Havre e confirmou a autenticidade dos fósseis. Segundo a avaliação francesa, são peças emblemáticas do período.

A justiça francesa determinou a devolução dos fósseis ao Brasil após uma investigação ter confirmado a origem ilegal do material apreendido.

Fóssil do período Cretáceo apreendido em 2013 e devolvido pela França ao Brasil — Foto: Geopark Araripe/URCA
Fóssil do período Cretáceo apreendido em 2013 e devolvido pela França ao Brasil — Foto: Geopark Araripe/URCA

A devolução

A cerimônia desta terça-feira marcou a entrega oficial dos fósseis às autoridades brasileiras. Horas antes, os cientistas tiveram a oportunidade de dar uma olhada rápida no material, guardado em um galpão num distrito a 20 quilômetros de Le Havre.

No material recuperado, os cientistas já encontraram fósseis de:

  • plantas, com todas as partes preservadas;
  • insetos;
  • peixes;
  • um lagarto;
  • uma tartaruga;
  • um pequeno pterossauro.

Os cientistas ainda não tiveram acesso a todos os fósseis.

Os fósseis vão ser enviados a um museu gerido pela Universidade Regional do Cariri (URCA) . A Urca é responsável pelo Geopark Araripe, reconhecido pela Unesco como o primeiro geoparque das Américas, e por um museu de paleontologia que reúne um importante acervo de registros geológicos do período Cretáceo presentes na região.

Fóssil do período Cretáceo apreendido em 2013 e devolvido pela França ao Brasil — Foto: Geopark Araripe/URCA
Fóssil do período Cretáceo apreendido em 2013 e devolvido pela França ao Brasil — Foto: Geopark Araripe/URCA

Momento 'muito significativo'

O diretor do Museu, Allysson Pinheiro, disse que o momento é "muito significativo".

"É um momento muito significativo para o Cariri, para o Geopark Araripe, para o Brasil, para a paleontologia do Brasil. Estamos recebendo um material de valor inestimável. Estamos recuperando nosso patrimônio que vai direto para o nosso museu. Vamos receber esse material, trabalhar ele cientificamente e apresentar ele para a sociedade", afirmou Allysson Pinheiro. 
Brasil pode recuperar mais fósseis

O procurador Rafael Rayol, do Ministério Público Federal do Ceará, que atuou no caso, diz que o Brasil pode recuperar mais fósseis desviados em breve.

Somente na França, há outros dois casos em tramitação e envolvem um esqueleto quase completo de pterossauro da espécie Anhanguera com quase quatro metros de envergadura e outros 45 fósseis, que incluem tartarugas marinhas, aracnídeos, peixes, répteis, insetos e plantas.

E há outras ações em países como Alemanha, Espanha, Portugal e Coréia do Sul. Em outra frente, cientistas atuam junto a organismos internacionais e universidades para pedir a devolução voluntária desse material científico.

"É um trabalho que a gente vem tentando convencer, mostrar para a comunidade acadêmica e para a comunidade jurídica internacional que não se deve fazer ciência, nem se fazer comércio, se sobrepondo às legislações e ao patrimônio de outros países. E que, mesmo a ciência desses países, pode ser realizada com a observância das leis. [...] A ciência não precisa ser feita sobre material criminoso", afirmou o procurador.

"O que a gente espera da nossa atividade é que possa reverter isso, possa reverter a nossa atividade em benefício da comunidade científica, da população em geral, para poder, aos poucos, desfrutar desse material em museus", acrescentou.

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segunda-feira, 23 de maio de 2022

Como Finlândia se prepara há décadas para potencial conflito com a Rússia

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A Finlândia tem um sofisticado sistema de abrigo subterrâneo, uma rede de armazenamento de mercadorias bem desenvolvida e um dos alistamentos militares mais rigorosos do mundo.
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TOPO
Por BBC

Postado em 23 de maio de 2022 às 13h15m

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Embaixo da bela paisagem de Helsinque existe uma extensa rede de milhares de abrigos subterrâneos — Foto: Getty Images via BBC
Embaixo da bela paisagem de Helsinque existe uma extensa rede de milhares de abrigos subterrâneos — Foto: Getty Images via BBC

Na capital Helsinque, como no resto da Finlândia, edifícios e casas de altura baixa e média, quase sem torres ou arranha-céus, dominam uma vista inconfundivelmente nórdica.

Mas abaixo dessa paisagem, no subsolo, a Finlândia possui um mundo à parte.

Tomi Rask atua na Defesa Civil em Helsinque e descreve com orgulho a famosa rede de abrigos subterrâneos da cidade — um enorme espaço criado para os finlandeses lutarem contra invasões, desastres naturais ou outro tipo de emergência.

"Só em Helsinque temos cerca de 5,5 mil abrigos subterrâneos. Eles podem acomodar quase um milhão de pessoas e resistem a todos os tipos de ataques das armas mais modernas, inclusive nucleares", disse Rask à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).

A rede subterrânea não é sua única forma de defesa dos finlandeses contra catástrofes.

Por décadas, a Finlândia impôs um dos sistemas de recrutamento militar mais rigorosos do mundo, reuniu grandes estoques de petróleo, alimentos e remédios, e trabalhou na conscientização de seu povo sobre a necessidade de estar preparado para os "piores cenários".

Esse nível de preparação é baseado, entre outros fatores, na desconfiança em relação ao seu vizinho ao leste, a Rússia, com a qual a Finlândia compartilha 1,3 mil km de fronteira, e que no passado invadiu e tomou territórios finlandeses.

Os amplos abrigos de Helsinque têm capacidade para abrigar quase um milhão de pessoas, cerca de 30% a mais do que a capacidade da cidade — Foto: Helsinki Media Bank via BBC
Os amplos abrigos de Helsinque têm capacidade para abrigar quase um milhão de pessoas, cerca de 30% a mais do que a capacidade da cidade — Foto: Helsinki Media Bank via BBC

Desde a Segunda Guerra Mundial, ambos os países vivem em relativa calma graças à neutralidade adotada pela Finlândia para garantir a paz com seu vizinho.

Mas tudo mudou com a guerra na Ucrânia. A Finlândia percebeu o perigo real e agora está acelerando sua adesão à aliança militar Otan, um movimento que gerou ameaças de Moscou.

São momentos de tensão para um país que há muitos anos se prepara para uma emergência.

Abrigos equipados

Vários dos milhares de espaços subterrâneos em Helsinque nem parecem um refúgio para tempos de guerra ou catástrofes.

Piscinas, pistas olímpicas, museus, parques infantis e restaurantes podem ser encontrados a dezenas de metros de profundidade nesses espaços gigantes.

No entanto, basta acionar o alarme para que uma piscina se torne um abrigo para uso em menos de 72 horas, incluindo o tempo necessário para instalar chuveiros de descontaminação, sanitários e fechar as portas para o exterior.

"Nossos abrigos têm um uso duplo. Nós os usamos para abrigar e armazenar mercadorias. Em tempos de guerra, podemos fornecer oxigênio filtrado, comida e água", descreve Rask.

E se a ameaça se estender por mais semanas e meses, os abrigos também contam com um sistema interno para manter o fluxo de mercadorias e medicamentos.

Em Helsinque, esses espaços podem acomodar quase um milhão de pessoas.

"Considerando que há 630 mil habitantes na capital e capacidade para mais de 900 mil nos abrigos, há muito espaço para visitantes e não residentes em Helsinque", diz Rask.

No início de 2020, a Finlândia tinha 54 mil abrigos de defesa civil com capacidade para 4,4 milhões de pessoas. A maioria está nas grandes cidades e são abrigos particulares de concreto armado em prédios individuais. Propriedades compostas por vários edifícios têm abrigos conjuntos.

Essa extensa rede começou a ser construída na década de 1980, em plena Guerra Fria, "com a ameaça de uma guerra nuclear" pairando sobre a cabeça de muitos, diz à BBC News Mundo Anu Lahtinen, especialista em história nórdica e finlandesa da Universidade de Helsinque.

Serviço militar rigoroso

Com o fim da Guerra Fria, o colapso do socialismo soviético e o retorno da estabilidade no continente europeu, o serviço militar obrigatório perdeu popularidade e muitos países o aboliram.

Hoje, apenas oito dos 28 países da União Europeia continuam a praticá-la, incluindo a Finlândia, onde a medida é popular.

Países como Finlândia, Estônia, Lituânia e Suécia possuem alistamento obrigatório porque "consideram seu vizinho [a Rússia] perigoso ou imprevisível", afirma relatório da Finabel, uma entidade que promove a cooperação entre os exércitos nacionais da UE.

A Finlândia tem um dos sistemas de alistamento mais rigorosos do continente. No site do Ministério do Interior, a justificativa apresentada é o fato de que a Finlândia precisa se defender, pois não pertence a nenhuma aliança militar.

De acordo com a Constituição, todo finlandês é obrigado a participar da defesa nacional. Todo homem entre 18 e 60 anos pode ser chamado para prestar serviço militar. As mulheres podem se inscrever voluntariamente.

O serviço militar é obrigatório para os homens na Finlândia — Foto: Getty Images via BBC
O serviço militar é obrigatório para os homens na Finlândia — Foto: Getty Images via BBC

Durante o serviço, os recrutas recebem treinamento de alta qualidade e, após a conclusão, são convocados para a reserva das Forças de Defesa.

A Finlândia é um dos países da UE que mais gasta com suas Forças Armadas. Seu número total de recrutas é um dos maiores em proporção à sua população total — que é de pouco mais de 5 milhões.

Grandes reservas por lei

A Finlândia também se destaca por seu sistema de armazenamento de bens e recursos para uso em tempos de crise.

Todos os anos, representantes dos setores de alimentação, energia e telecomunicações se reúnem para analisar cuidadosamente as questões que afetam seus setores.

"São reservas caras para se manter. É um sistema altamente desenvolvido, onde as empresas privadas estão muito envolvidas. Estamos todos envolvidos nessa preparação da nossa sociedade", explica à BBC News Mundo Johanna Ketola, especialista em políticas de segurança externa finlandesa do Instituto Finlandês de Assuntos Internacionais.

Mesmo antes da pandemia, o país já tinha um mandato para os produtores e importadores de medicamentos e alimentos manterem reservas entre três e 10 meses para abastecimento de emergência. E a chegada do vírus revelou algumas deficiências que o país agora está trabalhando para melhorar.

"Muitos dos nossos mecanismos de preparação não eram testados há anos, e na pandemia percebemos que nem tudo estava funcionando como deveria. Acho que foi um bom alerta do que precisamos melhorar para nos sentirmos mais seguros", diz Lahtinen.

"Mas, definitivamente, depois da Covid muitos apreciam mais nosso investimento nessa preparação." 
Ensinando a 'estar preparado'

Desde a infância, os finlandeses recebem aulas sobre a necessidade de estarem preparados e não deixar nada ao acaso. É uma mentalidade forjada pela situação geográfica precária do país e pelos traumas de guerra do passado.

Tomi Rask, da defesa civil em Helsinque, lembra que desde criança foi ensinado a estar preparado — Foto: Getty Images via BBC
Tomi Rask, da defesa civil em Helsinque, lembra que desde criança foi ensinado a estar preparado — Foto: Getty Images via BBC

"Se você nos comparar com outros países nórdicos, temos uma situação logística e geográfica muito diferente", diz Ketola.

"A Finlândia está muito isolada. Nossos suprimentos passam pelo Mar Báltico, mas quando a instabilidade aumenta na área, temos problemas. As estradas para a Europa continental passam pela Suécia e são incrivelmente longas."

Isso justifica em parte essa preparação ao mais alto nível. Mas a ameaça latente da Rússia é um componente vital dessa preocupação.

"De certa forma, a história da Finlândia está ligada a um vizinho do leste (Rússia) que a ameaça frequentemente", diz Lahtinen.

Entre 1939 e 1944, a Finlândia e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) travaram duas guerras praticamente consecutivas, conhecidas como Guerra de Inverno e Guerra da Continuação. Em ambos os casos, os soviéticos venceram e conseguiram tomar parte do território finlandês.

"O sentimento geral desses conflitos é que estávamos sozinhos e isso nos deixou traumatizados", diz Ketola.

"Por isso é importante estar preparado, com tudo isso que está acontecendo agora com a adesão à Otan", acrescenta Lahtinen.

A Finlândia solicitou a adesão à Otan junto com a Suécia em 18 de maio.

"Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a percepção de segurança dos finlandeses mudou muito rapidamente. Nesta situação volátil, não queremos mais ficar sozinhos", diz Ketola.

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domingo, 22 de maio de 2022

Camboja pede que turistas parem de colher 'planta pênis' para fazer fotos

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Espécime de planta carnívora corre risco de desaparecer e tem atraído curiosos que arrancam flor do pé para postar imagens em redes sociais.
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Por g1

Postado em 22 de maio de 2022 às 17h00m

 #.*Post. - N.\ 10.335*.#

Mulher posa com 'planta pênis' no Camboja — Foto: Reprodução/Governo do Camboja
Mulher posa com 'planta pênis' no Camboja — Foto: Reprodução/Governo do Camboja

O governo do Camboja pediu para que turistas parassem de colher uma flor que ficou popularmente conhecida como "planta pênis" para fazer fotos.

Com nome científico Nepenthes holdenii, o apelido faz referência a seu formato fálico. Ela corre risco de desaparecer após ter atraído curiosos que a arrancam do pé para postar imagens em redes sociais.

O Ministério do Meio ambiente deste país asiático pediu em um comunicado pela "preservação dos recursos naturais" e alertou para que a planta não seja colhida e depois jogada fora.

A pasta também divulgou imagens de influenciadoras digitais arrancando a flor do pé e posando para fotos "engraçadinhas". Veja as FOTOS abaixo.

"O que elas estão fazendo é errado e, por favor, não façam isso de novo no futuro!", disse em nota.

Influencers colhem 'planta pênis' no Camboja — Foto: Reprodução/Governo do Camboja
Influencers colhem 'planta pênis' no Camboja — Foto: Reprodução/Governo do Camboja


Mulher segura exemplares da 'planta pênis' no Camboja — Foto: Reprodução/Governo do Camboja
Mulher segura exemplares da 'planta pênis' no Camboja — Foto: Reprodução/Governo do Camboja


Mulher com duas 'plantas pênis' no Camboja — Foto: Reprodução/Governo do Camboja
Mulher com duas 'plantas pênis' no Camboja — Foto: Reprodução/Governo do Camboja

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