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terça-feira, 28 de setembro de 2021

Crise hídrica: Brasil tem em agosto recorde de geração de energia térmica, solar e eólica, diz ONS

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Alta da produção por termelétricas tem levado ao encarecimento das contas de luz. Uso de hidrelétricas voltou a cair no mês passado, mas fonte segue atendendo maior parte da demanda.
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Por Fábio Amato, g1 — Brasília

Postado em 28 de setembro de 2021 às 11h30m


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Em meio ao agravamento da situação nos reservatórios de hidrelétricas devido à falta de chuvas, o Brasil registrou, em agosto, recorde de geração de energia térmica, solar e eólica (por meio do vento), aponta levantamento feito pelo g1 com base em dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Já a produção de energia por hidrelétricas no país voltou a cair no mês passado e permanece no menor patamar desde 2002.

Apesar da redução, a energia hidráulica continua atendendo à maior parte da demanda no país. Em agosto, respondeu por 50%, seguida pela termelétrica (28,8%), eólica (16,8%), nuclear (3%) e solar (1,3%).

Ao diminuir a participação das hidrelétricas no fornecimento de energia o objetivo do governo é poupar água dos reservatórios e reduzir as chances de que o país enfrente apagões ou um novo racionamento nos próximos meses.

Entretanto, essa redução precisa ser compensada pelo aumento da geração via outras fontes. E é o maior uso das termelétricas, especialmente, que vem sendo responsável pelo encarecimento das contas de luz.

Volume útil da Represa de Furnas é o menor para setembro em 20 anos
Volume útil da Represa de Furnas é o menor para setembro em 20 anos

Geração recorde

De acordo com o levantamento feito pelo g1 com base em números do ONS, a geração termelétrica em agosto foi de 19.009 megawatts-médios (MWmed). Foi o segundo mês seguido de recorde na produção por essas usinas, que funcionam por meio da queima de combustíveis como óleo diesel e gás natural.

As usinas eólicas produziram, em agosto, 11.111 MWmed. Já as solares, 870 MWmed. Em ambos os casos, a geração no mês passado também foi recorde.

A geração hidrelétrica, por outro lado, vem caindo nos últimos meses e chegou, em agosto, a 32.961 MWmed, de acordo com o ONS.

Esse valor é o menor desde 2002, quando o país atravessa uma crise hídrica que levou a um racionamento de energia.

Medidas do governo

No fim de agosto, o governo e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciaram um novo patamar de bandeira tarifária. Chamada de "bandeira tarifária escassez hídrica", começou a vigorar em 1º de setembro e introduziu nas contas de luz uma cobrança adicional de R$ 14,20 a cada 100 kW/h consumidos.

A previsão é que a nova bandeira permaneça em vigor até 30 de abril de 2022.

Também no fim de agosto, o governo anunciou um programa que dará desconto na conta de luz dos consumidores residenciais e pequenos negócios que reduzirem de forma voluntária o consumo de energia.

Esse programa prevê um bônus para quem diminuir o consumo de energia entre setembro e dezembro em, no mínimo, 10% em relação ao mesmo período de 2020.

O desconto será de R$ 0,50 por cada quilowatt-hora (kWh) do volume de energia economizado, dentro de uma meta de 10% a 20%. Quem economizar menos que 10% não receberá bônus, e quem economizar mais que 20% não receberá prêmio adicional.

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segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Grandes empresas pedem protagonismo do Brasil na agenda ambiental

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Em carta, grupo afirma compromisso com o combate às mudanças climáticas e defende ações eficazes para a preservação do meio ambiente e o cumprimento das metas de combate ao desmatamento ilegal.
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Por g1

Postado em 27 de setembro de 2021 às 10h35m


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Um grupo de 107 empresas e 10 entidades setoriais assinou uma carta defendendo "objetivos climáticos ambiciosos" e o "protagonismo" do Brasil na defesa contra o agravamento e os efeitos das mudanças climáticas.

No documento “Empresários pelo Clima”, divulgado nesta segunda-feira (27), as empresas também defendem medidas para uma economia de baixo carbono e assumem responsabilidades nessa transformação.

A carta será apresentada ao governo brasileiro e levada pelo setor para a próxima Conferência sobre o Clima, a COP 26, que acontece em novembro, em Glasgow (Escócia).

"O mundo precisa, com urgência, caminhar para uma economia de baixo carbono e o setor empresarial no Brasil reconhece sua responsabilidade nessa transformação", diz o documento. "Objetivos climáticos ambiciosos correspondem à nossa convicção de que o Brasil deve buscar o protagonismo nas negociações de clima", acrescenta.

A iniciativa foi liderada pelo CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), em parceria com outras entidades do setor, e reúne grandes empresas como Bradesco, BRF, Braskem, Cosan, Natura, Ipiranga, JBS, Suzano e Votorantim.

O CEBDS representa cerca de 80 grupos empresariais com atuação no Brasil, responsáveis por 47% do PIB brasileiro e 1,1 milhão de empregos.

O grupo destaca que o Brasil tem vantagens comparativas únicas na corrida para alcançar uma economia de emissões líquidas de carbono neutras, mas que o país precisa de um arcabouço político-regulatório que apoie essa trajetória dentro de um compromisso firme, com ações eficazes para o fim do desmatamento ilegal e a conservação do meio ambiente.

“Temos ambição climática e nossas empresas contam cada vez mais com metas de neutralização baseadas na ciência, utilizando parâmetros criteriosos de governança corporativa, social e ambiental (ESG)”, ressalta a presidente do CEBDS, Marina Grossi.

Segundo ela, até 2030, o país deve "priorizar o fim do desmatamento ilegal, a operacionalização de um sistema de mercados de carbono e a ampliação da agricultura de baixo carbono, resultando no aumento da ambição nas metas brasileiras.

Dentre as medidas propostas no documento, está o apoio à proposta de mercado de carbono regulado no Brasil. Estudo da CEBDS aponta que esse mercado pode atingir entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões na sua fase inicial (2022-2024), com transações de direitos de emissão e créditos de carbono.

Relatório da ONU: entenda a importância do Brasil no combate às mudanças climáticas
Relatório da ONU: entenda a importância do Brasil no combate às mudanças climáticas

Confira a íntegra da carta:

O mundo precisa, com urgência, caminhar para uma economia de baixo carbono e o setor empresarial no Brasil reconhece sua responsabilidade nessa transformação. Sobre as bases do compromisso, da ciência e da inovação, as empresas estão respondendo ao chamado expresso no Acordo de Paris, que, em 2015, conferiu ao setor produtivo protagonismo na defesa contra o agravamento e os efeitos das mudanças climáticas, em parceria com a sociedade civil e governos.

O Brasil tem vantagens comparativas extraordinárias na corrida para alcançarmos uma economia de emissões líquidas de carbono neutras, valendo-nos dos nossos múltiplos recursos naturais e da capacidade de nosso povo. Para isso, devemos desenvolver um arcabouço político-regulatório que apoie essa trajetória dentro de um compromisso firme com ações eficazes para a preservação do meio ambiente e o cumprimento das metas de combate ao desmatamento ilegal. Essa é uma oportunidade única do Brasil ser competitivo e melhorarmos as condições de vida da população, alinhados com as novas prioridades em torno das quais o mundo está se movimentando.

É possível trazer escala à inovação e às boas práticas e planejar estrategicamente para que o Brasil realize rapidamente o seu potencial de crescimento sustentável e alinhado com os objetivos de combater a mudança climática e proteger a biodiversidade. O setor empresarial brasileiro está engajado na recuperação do país dos efeitos da Covid-19, promovendo uma retomada verde (green recovery) fundada em bases de economia circular, de baixo carbono e de inclusão. Os CEOs signatários deste documento têm assumido posições e trabalhado por esse avanço em todo o país.

Às vésperas da COP de Glasgow, o momento é de ação, com vistas a evitar o aquecimento global para além de 1,5º C em relação ao período pré-industrial. Por isso, as empresas no Brasil já vêm adotando medidas para a redução e compensação das emissões de gases causadores do efeito de estufa (GEE), precificação interna de carbono, descarbonização das operações e cadeias de valor, investimentos em tecnologias verdes e estabelecimento de metas corporativas ambiciosas de neutralidade climática até 2050.

Uma transição célere para o baixo carbono é possível e desejada pelo setor produtivo brasileiro. Segundo estudo recente, apoiado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), é possível reduzirmos as emissões de GEE em até 42% no Brasil já em 2025, em relação aos níveis de 2005.

Para atingirmos essa meta, são importantes os avanços representados pelo RenovaBio, nossa recém-aprovada política de pagamento por serviços ambientais – PSA, futuro mercado regulado de carbono no Brasil, bem como o esforço para o reconhecimento global da experiência e contribuição brasileiras para a mitigação das emissões líquidas de gases do efeito estufa, inclusive com soluções baseadas na natureza. Assim, consideramos crucial o aprofundamento da discussão entre o setor privado, a sociedade civil e o governo brasileiro sobre a posição brasileira em relação ao Artigo 6° do Acordo de Paris.

Objetivos climáticos ambiciosos correspondem à nossa convicção de que o Brasil deve buscar o protagonismo nas negociações de clima. Esse é o papel compatível com a nossa tradição de integridade climática, presente na decisão do país em assumir uma contribuição nacionalmente determinada (NDC) para o combate à mudança climática relevante e não condicionada, e de construção de consensos internacionais que tem caracterizado nosso país. O Brasil deve manter a sua centralidade nesse diálogo, sob pena do enorme prejuízo ao setor produtivo e à sociedade brasileira.

Acreditamos que as discussões dos mecanismos de apoio ao objetivo de carbono neutro previstos no Acordo de Paris, a serem conduzidas em Glasgow, são uma oportunidade de estimular a economia mundial, abrindo fronteiras e alinhando esforços, para a inclusão dos países de todos os níveis de renda, com estímulo à inovação e atenção à integridade no combate ao aquecimento global.

Para dar concretude aos esforços na direção de uma economia de carbono neutro, apoiamos a aderência a metas baseadas em conceitos científicos (Science Based Targets) e práticas de transparência financeira (Task Force on Climate-Related Financial Disclosures), com a adoção de mecanismos de financiamento para a promoção da transição climática e o combate integral e inequívoco ao desmatamento ilegal da Floresta Amazônica e de outros biomas brasileiros.

É preciso, ainda, a adoção de regras que possibilitem o desenvolvimento de mercados de carbono voluntário e regulado no Brasil – com práticas de transparência na contabilização das emissões e sua conexão com mercados mundiais, assegurando a qualidade ambiental e integridade dos créditos de carbono a serem comercializados e cooperando para a criação de um mercado de carbono global no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC).

Devemos construir uma trajetória orientada para um futuro de claros objetivos climáticos, sob pena de sermos excluídos de uma nova ordem climático-econômica que se consolida diante dos nossos olhos, o que seria injustificável para um país como o Brasil.

O setor empresarial brasileiro convida, portanto, toda a sociedade e atores políticos que apoiem o engajamento do Brasil nessa nova realidade global de economia climática, por meio da retomada verde da economia e da participação ativa na Conferência de Glasgow e em seus preparativos. Assim poderemos reafirmar nossa inserção internacional e construir um melhor legado ambiental, social e econômico, com menos desigualdades e melhores condições de vida, para essa e as próximas gerações.

Quem assina

Empresas: 2W Energia; Abralatas; Accenture; AES Brasil; Alcoa Alumínio; Amaggi; Amazon; Ambipar; Apple; Approach Comunicação; Arcadis; B3; Bain & Company; Banco BV; Bayer Brasil; BMA Advogados; BMG Seguros; BNP Paribas; Bosch; BP Brasil; Bradesco; Braskem; BRF; BRK Ambiental; Brookfield; BSBIOS; Camargo Corrêa Infra; Cargill Agrícola S.A.; Carrefour Brasil; CBA; Ceptis Soluções; Chevron Brasil; Chubb Brasil; Cosan; Daemon Investimentos; Deloitte Brasil; Dow; DSM; Ecolab; Egis; Embraer; Energisa; Eneva; Engie Brasil; Equinor Brasil; ERM Brasil; EY Brasil; FS Bioenergia; Grupo Natura & Co.; Grupo Sabará; Grupo Ultra; Grupo Vamos; Hewlett Packard Enterprise; Hitachi ABB Power Grids; HP Brasil; I Care & Consult; IBM; Ipiranga; JBS; JSL; Klabin; Korin Agropecuária; Kroll; LDC; Lexmark; Lojas Renner; Lwart; Makro Group; Marfrig; Mars Petcare; Mastercard; Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados; Michelin; Movida; Nestlé Brasil; Nexa Resources; Nidec Global Appliance; Norflor; NotreDame; P&G; PwC Brasil; Queiroz Galvão; SAP Brasil; Schneider Electric Brasil; Shell Brasil; Siemens Energy Brasil; Siemens Infraestrutura e Indústria; Simpar; Sky Brasil; Socicam; SPIC Brasil; Struttura Desenvolvimento e Financiamento de Projetos e WF Consultores Associados; Suzano; TechnipFMC; Telefônica Brasil; Thyssenkrupp; TicketLog; Tozzini Freire Advogados; UBS BB; Vedacit; Vivara; Votorantim Cimentos; Votorantim S.A.; Way Carbon; WestRock; Yara Brasil Fertilizantes; Zurich Minas Brasil Seguros.

Entidades setoriais: Abag (Associação Brasileira do Agronegócio); Abal (Associação Brasileira do Alumínio); Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base); Abimaq/Sindimaq (Associação Brasileira e Sindicato Nacional da Indústria de Máquinas e Equipamentos); Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio no Brasil); CDP; Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais); ICC Brasil; Instituto Urbem; IPGC (Instituto de Planejamento e Gestão de Cidades).

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domingo, 26 de setembro de 2021

IPCA-15: prévia da inflação acelera para 1,14% em setembro, maior taxa para o mês desde o início do Plano Real

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Gasolina e energia elétrica foram, novamente, as 'vilãs' da alta de preços no país. Com o resultado, inflação acumulada em 12 meses passa de dois dígitos e atinge quase o dobro do teto da meta do governo.
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Por Daniel Silveira, g1 — Rio de Janeiro
24/09/2021 09h00 
Postado em 26 de setembro de 2021 às 12h00m


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Preço do litro da gasolina em setembro passa dos R$ 7 em postos de combustíveis no Rio Grande do Sul — Foto: Reprodução/RBS
Preço do litro da gasolina em setembro passa dos R$ 7 em postos de combustíveis no Rio Grande do Sul — Foto: Reprodução/RBS

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia da inflação oficial do país, acelerou de 0,89% em agosto para 1,14% em setembro, apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o IBGE, "trata-se do maior resultado para o mês de setembro desde o início do Plano Real, em 1994, quando ficou em 1,63%", além de ser a maior taxa da série histórica do indicador desde fevereiro de 2016, quando ficou em 1,42%.

IPCA-15, prévia da inflação oficial (variação mensal) — Foto: Economia/G1
IPCA-15, prévia da inflação oficial (variação mensal) — Foto: Economia/G1

No ano, o índice acumulou alta de 7,02%. Já no acumulado em 12 meses, o indicador superou os dois dígitos, ficando em 10,05%, quase o dobro do teto da meta estabelecida pelo governo para a inflação deste ano, que é de 5,25%.

O resultado veio pior do que o esperado pelo mercado. Pesquisa da Reuters com economistas estimava alta de 1,02% para o período.

Inflação acumulada em 12 meses passa dos dois dígitos em setembro e é quase o dobro do teto da meta do governo para o ano — Foto: Economia/G1
Inflação acumulada em 12 meses passa dos dois dígitos em setembro e é quase o dobro do teto da meta do governo para o ano — Foto: Economia/G1

Gasolina e energia: as vilãs da inflação

De acordo com o IBGE, a gasolina e a energia elétrica foram os itens que exerceram os maiores impactos individuais sobre o IPCA-15 de setembro, de 0,17 ponto percentual cada.

O preço médio da gasolina subiu 2,85% entre agosto e setembro e acumulou alta de 33,37% no ano e de 39,05% nos últimos 12 meses.

Já o preço médio da energia elétrica teve alta de 3,61% em setembro, abaixo da registrada em agosto, que foi de 5%. No ano, a alta acumulada foi de 20,27%, enquanto nos últimos 12 meses o aumento acumulado foi de 25,26%.

O IBGE destacou que em agosto d vigorou a bandeira tarifária vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos. A partir de 1º de setembro, passou a valer a bandeira tarifária de Escassez Hídrica, que acrescenta R$ 14,20 para os mesmos 100 kWh.

Quase tudo mais caro

O aumento de preços na passagem de agosto para setembro foi, mais uma vez, generalizado entre os produtos e serviços pesquisados pelo IBGE para o cálculo do IPCA-15.

Dos 367 itens que compuseram a cesta analisada pelo órgão no mês, 253 registraram alta. Com isso, o índice de difusão da inflação ficou em 68,9%.

Dos nove grupos pesquisados, oito registraram aumento de preços - somente o de educação teve taxa negativa no mês, embora próxima da estabilidade.

Segundo o IBGE, a alta da inflação no mês foi puxada pelo grupo de transportes, cuja variação mensal foi o dobro da registrada na passagem de julho para agosto, resultado influenciado pela alta de 3% nos preços médios dos combustíveis, acima da alta de 2,02% registrada em agosto.

Além do grupo de transportes, outros três registraram variação superior à do mês anterior (alimentação e bebidas, artigos de residência e saúde e cuidados pessoais). Os outros cinco grupos registraram desaceleração da taxa na comparação com agosto.

Veja o resultado do IPCA-15 para cada um dos grupos:

  • Alimentação e bebidas: 1,27%
  • Habitação: 1,55%
  • Artigos de residência: 1,23%
  • Vestuário: 0,54%
  • Transportes: 2,22%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,33%
  • Despesas pessoais: 0,48%
  • Educação: -0,01%
  • Comunicação: 0,02%
Comida cada vez mais cara

A inflação do grupo Alimentação e bebidas acelerou de 1,02% em agosto para 1,27% em setembro. Desde março, a taxa para este grupo acelera a cada mês.

A principal influência do aumento em setembro, segundo o IBGE, partiu da alimentação no domicílio, que acelerou de 1,29% em agosto para 1,51% em setembro.

As carnes tiveram reajuste de 1,10% e foram as principais responsáveis pelo resultado, com impacto de 0,03 p.p.

Todavia, os alimentos que registraram os maiores aumentos de preços no mês foram a batata-inglesa (10,41%), o café moído (7,80%), o frango em pedaços (4,70%), as frutas (2,81%) e o leite longa vida (2,01%).

No lado oposto, de queda de preços, os destaques ficaram com o arroz (-1,03%), que registrou a oitava deflação mensal consecutiva, a cebola (-7,51%), a sexta taxa negativa seguida.

A alimentação fora do domicílio também acelerou na passagem de agosto para setembro, passando de 0,35% para 0,69%.

“No entanto, observaram-se movimentos distintos nos dois principais componentes desse subgrupo: enquanto a refeição subiu 1,31%, frente à alta de 0,10% no mês anterior, o lanche registrou recuo de 0,46%, após alta de 0,75% em agosto”, destacou o IBGE.

Passagens aéreas voltam a subir

Os preços médios das passagens aéreas subiram 28,76% em setembro, após terem registrado queda de 10,90% em agosto.

No acumulado do ano, as passagens aéreas continuaram registrando deflação. Mas a alta mensal fez com que essa queda acumulada fosse reduzida em mais da metade - passou de -34,52% em agosto para -15,70% em setembro.

Já o indicador acumulado em 12 meses quase dobrou, passando de 29,03% para 56,68%.

Alta em todas as regiões pesquisadas

A alta do IPCA-15 foi registrada em todas as 11 áreas regionais do país em que o IBGE realiza a pesquisa de preços para calcular o indicador.

Fortaleza registrou a menor taxa, influenciada pela queda nos preços do tomate, das carnes e dos produtos farmacêuticos. Já a maior variação foi registrada em Curitiba, onde pesaram as altas da gasolina e da energia elétrica.
Alta de preços foi registrada em todas as áreas pesquisadas pelo IBGE para cálculo da prévia da inflação — Foto: Economia/G1
Alta de preços foi registrada em todas as áreas pesquisadas pelo IBGE para cálculo da prévia da inflação — Foto: Economia/G1

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados entre 14 de agosto e 14 de setembro de 2021 e comparados com aqueles vigentes entre 14 de julho a 13 de agosto. O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos

Inflação persistente e acima da meta

A meta central do governo para a inflação em 2021 é de 3,75%, e o intervalo de tolerância varia de 2,25% a 5,25%. Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Na última quarta-feira (22), a entidade monetária decidiu aumentar a Selic de 5,25% para 6,25%. Foi a quinta alta consecutiva da taxa, que atingiu o maior patamar desde julho de 2019.

Na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central dois dias antes do aumento da Selic, os analistas do mercado financeiro aumentaram de 8% para 8,35% a expectativa para a inflação de 2021.

Para 2022, o mercado financeiro subiu de 4,03% para 4,10% a estimativa de inflação - foi a nona alta seguida no indicador.

No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

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Cientistas dizem ter descoberto a 'fórmula matemática da forma dos ovos'

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Os ovos das aves despertam há muito tempo a atenção de cientistas de todo o mundo.
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TOPO
Por BBC

Postado em 26 de setembro de 2021 às 10h10m


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Não é a primeira vez que os cientistas tentam estabelecer a fórmula do ovo — Foto: Pixabay
Não é a primeira vez que os cientistas tentam estabelecer a fórmula do ovo — Foto: Pixabay

Os ovos das aves despertam há muito tempo a atenção de cientistas ao redor do mundo.

E, agora, um grupo de pesquisadores afirma ter descoberto a fórmula matemática que pode descrever a forma dos ovos de qualquer espécie de ave. Caso seja confirmada, seria uma descoberta almejada por muitos durante décadas.

Especialistas — da Universidade de Kent, no Reino Unido; do Instituto de Pesquisa para Tratamento Ambiental, na Ucrânia; e da empresa Vita-Market — dizem ter resolvido o enigma que intrigava matemáticos, engenheiros e biólogos interessados ​​em entender um objeto, o ovo, grande o suficiente para conter e incubar um embrião e pequeno o bastante para ser expelido pelo corpo das aves sem rolar em seguida.

Os cientistas publicaram sua descoberta na Annals of the New York Academy of Sciences, revista científica editado pela Academia de Ciências de Nova York, nos Estados Unidos.

O ovo é, na verdade, uma maravilha da natureza com a composição estrutural adequada para suportar o peso necessário e ser o início da vida para 10.500 espécies de aves que sobreviveram desde a época dos dinossauros.

Não é à toa que o ovo foi descrito como "a forma perfeita".

Citado pelo site especializado em ciência Eurekalert!, Darren Griffin, professor de genética da Universidade de Kent e um dos responsáveis ​​pela descoberta, disse que "processos de evolução biológica como a formação de um ovo devem ser investigados para se conseguir uma descrição matemática como base para a pesquisa em biologia evolutiva".

Griffin acredita que a nova "fórmula universal pode ser usada em diferentes disciplinas-chave, especialmente na indústria de alimentos e avícola, e servirá como estímulo para pesquisas futuras baseadas no ovo como objeto de estudo."

Até agora, todas as análises da forma do ovo haviam sido baseadas em quatro figuras geométricas: esférica, elipsoide, ovoide e piriforme (em forma de pêra).

Os cientistas de Kent introduziram uma função adicional à piriforme, desenvolvendo assim um modelo matemático adequado para uma forma geométrica completamente nova, caracterizada como a última fase da evolução esférico-elipsoidal, que é aplicável à geometria de todos os ovos.

A nova fórmula matemática para a forma dos ovos é baseada em quatro parâmetros: comprimento do ovo, largura máxima, deslocamento de seu eixo vertical e o diâmetro na altura de um quarto do comprimento do ovo.

Buscada durante anos, a nova fórmula representa um avanço significativo na compreensão da forma do ovo em si, mas também de como e por que evoluiu — o que se espera que possibilite uma ampla variedade de aplicações biológicas e tecnológicas.

As pesquisas de alimentos, a engenharia mecânica, a agricultura, a biologia, a arquitetura e a aeronáutica já utilizavam descrições matemáticas de todas as formas básicas do ovo e são algumas das áreas em que a nova fórmula poderia ter mais impacto.

Múltiplas possibilidades

A nova fórmula representa um importante avanço com possíveis aplicações em diferentes setores.

Agora que a forma de um ovo pode ser descrita com uma fórmula matemática, os trabalhos de sistematização biológica e otimização de processos, como incubação e seleção de aves, vão ficar mais fáceis.

As características externas de um ovo são vitais para pesquisadores e engenheiros que desenvolvem tecnologias para incubação, armazenamento e seleção de ovos.

É preciso simplificar o processo de identificação usando apenas o volume, raio, superfície ou curvatura do ovo — e a fórmula recém-desenvolvida oferece uma solução a este respeito.

Sem contar as possibilidades para a arquitetura e a engenharia. O ovo é um sistema natural estudado para o desenvolvimento de tecnologias de ponta.

Na arquitetura, as formas ovoides são comuns, como é o caso da sede da prefeitura de Londres e outros prédios ao redor do mundo, pois sua adoção permite suportar cargas máximas com consumo mínimo de material. A nova fórmula do ovo também deve ajudar nessa área.

A sede da prefeitura de Londres é um dos exemplos do uso da forma ovoide na arquitetura. — Foto: Domínio público/via Wikipedia
A sede da prefeitura de Londres é um dos exemplos do uso da forma ovoide na arquitetura. — Foto: Domínio público/via Wikipedia

Michael Romanov, pesquisador-visitante da Universidade de Kent, argumenta que "esta equação matemática ressalta nossa compreensão e apreciação por uma certa harmonia filosófica entre matemática e biologia, e para uma maior compreensão de nosso universo a partir delas, claramente compreendido na forma de um ovo".

"Este estudo inovador revela porque a pesquisa colaborativa de diferentes disciplinas é essencial", conclui Valeriy Narushin, que também esteve envolvido no projeto.

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