Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Turistas espaciais decolaram na última quarta (15) para 3 dias de viagem com a empresa de Elon Musk. Vai ser a missão com humanos que chegará mais longe, após o programa Apollo, da Nasa. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por G1 Postado em 17 de setembro de 2021 às 09h15m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.984. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
O que você faz em 90 minutos – ou 1h30? Os integrantes do voo da SpaceX, que decolaram na noite da última quarta-feira (15), vão conseguir dar uma volta ao redor da Terra neste período, tamanha a velocidade da viagem, que é aproximadamente 22 vezes a velocidade do som.
Eles passarão 3 dias na primeira missão com tripulação totalmente civil a orbitar o planeta, um marco para o turismo espacial e para a empresa do bilionário Elon Musk. Também são os humanos a irem mais longe em uma missão desde o programa Apollo, da Nasa, que levou o homem à Lua.
Documentos relatam as angústias e as dores das mulheres do Brasil Colônia, como abuso sexual, violência doméstica, abandono, desigualdade de gênero - heranças vividas até os dias de hoje ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por G1 https://especiais.g1.globo.com/g1-15-anos/2021/voz-das-mulheres/ Postado em 16 de setembro de 2021 às 11h00m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.983. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
Um
grupo de pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) reuniu, pela
primeira vez, mais de 150 documentos de autoria de mulheres, ou relatos
de seus discursos, escritos entre 1500 e 1822. Os arquivos, com as
histórias de pessoas como Maria, Gertrudes, Felipa, Anna Maria,
Francisca, Feliciana e Anna Caetana, formam um catálogo importante para
os estudos da micro história do país, aquela não contada pelos
vencedores. Apesar de trazerem episódios distantes temporalmente, eles
dialogam com os dias de hoje, principalmente quanto à perpetuação da
violência contra a mulher. Episódios de agressão, preconceito, abuso,
são recorrentes no Brasil do século 21. Desde 2006, o G1 noticia casos
sobre violência doméstica e lesbofobia, por exemplo. E, nesses 15 anos
do portal, encontramos histórias que conectam o Brasil da atualidade com
o colonial.
Escolha um tema
Violência doméstica
1765
Ana Maria Cardosa
Em
uma carta de próprio punho, Ana Maria justifica porque fugiu da vila de
Atibaia, em São Paulo, e denuncia seu pai e seu irmão por violência
doméstica e abuso sexual. Ela pede a prisão do pai e do irmão e diz que
“eles não reservam irmãs, nem sobrinhas, nem nada”. O relato sobre como a
família foi obrigada a conviver com a situação é longo e detalhado.
Filólogos observam que ela escreveu até mesmo na vertical do papel, o
que poderia demonstrar que havia muito para dizer e não havia espaço
suficiente na folha.
Carta
Localidade: Atibaia, São Paulo
Por
essa razão saí da companhia dele, e meu irmão Sebastião fechou-me de
faca por querer se entender comigo, essa foi a razão porque eu saí da
companhia dele e meu pai querer dormir comigo. Eles não reservam irmãs
nem sobrinhas, nem nada. Agora andam me jurando a pele por querer me
matar, e andam dizendo que não hei de escapar mesmo, e assim quero que
prendam esta gente.
1765Ana Maria Cardosa
A
violência sexual ainda hoje é uma das principais formas de violência
sofrida pelas mulheres brasileiras. Cerca de 7,5 milhões de brasileiras
foram vítimas de algum episódio de violência sexual na vida. A violência
ocorreu, em 62% dos casos, na residência das próprias vítimas.
Uma dessas milhares de histórias é a da gerente de operações Juliana*, de 30 anos, que foi vítima de abuso em 2005, no prédio onde morava. Ela tinha 14 anos na época.
Esses
três meninos vieram na minha direção, e um deles puxou meu braço para
trás, o outro amarrou um moletom nos meus olhos, e outro sentou no meu
colo e começou a se mover. Os três passaram a mão no meu peito,
colocaram a mão por dentro da minha calcinha, me apalparam. E eu gritava
e chorava, mas ninguém veio na minha direção. Eu não sei quanto tempo
durou, mas para mim parece que durou uma eternidade conta Juliana.
A
lei que representa um dos maiores marcos na luta por direitos da mulher
é a Lei Maria da Penha, que completou 15 anos no último mês de agosto.
Maria
da Penha Maia Fernandes foi vítima, em 1983, de dupla tentativa de
feminicídio pelo marido, pai de suas duas filhas, e ficou paraplégica ao
ser baleada com um tiro na coluna. Após acionar o poder judiciário,
Maria da Penha conseguiu assegurar a sua luta por justiça em 7 de agosto
de 2006, quando foi sancionada a lei contra as violações aos direitos humanos das mulheres.
Em 2020, 230.160 mulheres denunciaram casos de violência doméstica no Brasil, o que equivale a um chamado por minuto.
Depois
de recorrentes episódios de violência doméstica, muitos casos culminam
em feminicídio. O crime só foi tipificado em 2015, quando a legislação
passou a prever penalidades mais graves para homicídios que se encaixam
na definição de feminicídio - ou seja, que envolvam “violência doméstica
e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher”. Os
casos mais comuns desses assassinatos ocorrem por motivos como a
separação.
Escravidão
1805
Feliciana Coelha
Ex-escrava,
Feliciana Coelha conta em sua carta que, mesmo após alcançar sua
liberdade, foi vendida, junto de seus cinco filhos, nascidos de ventre
livre, por um homem chamado Bento José Pires d'Avila. Segundo Feliciana,
seus senhores, Jacinto Coelho da Silva e Anna Ribeiro de Toledo, a
libertaram da escravidão em 1750. Mas, depois da morte de Jacinto, Anna
se casou com Bento, que teria tentado vender Feliciana e seus filhos. Na
carta, Feliciana diz que procurou a Justiça e que o juiz concordou com
sua reclamação e “mandou tirar a suplicante da violenta escravidão e aos
seus filhos”
Carta
Localidade: São Paulo, SP
Diz
Feliciana Coelha, crioula forra do distrito de Meia Ponte, que nascendo
ela escrava do sargento-mor Jacinto Coelho da Silva, casado com Ana
Ribeira de Toledo, estes a libertaram em 1750. Se transportou para o Rio
das Velhas com os escravos do casal, e com a suplicante inocente e seus
5 filhos, que todos paulatinamente vendeu e, por fim, vendeu a
suplicante.
1805Feliciana Coelha
Solange
tinha apenas 7 anos quando deixou sua casa em Curitiba para viver em
São Paulo. Em 2019, mais de 30 anos depois da sua chegada à capital
paulista, o Tribunal Regional do Trabalho considerou que Solange vivia
em condição análoga à escravidão.
Em
entrevista ao G1, aos 39 anos, ela contou que foi oferecida, ainda
criança, à irmã da dona da casa em que sua tia fazia faxina. Assim que
chegou na casa de sua patroa, ela começou a ajudar em trabalhos
domésticos. Com o tempo, suas responsabilidades foram aumentando. Ela
lavava, passava, cozinhava, cuidava da casa e cuidou dos patrões, que
eram idosos.
Apesar disso, nunca recebeu qualquer tipo de
salário. Aos 18 anos ela foi registrada como empregada doméstica para
que o INSS fosse pago. Embora possuísse um salário no registro em
carteira, Solange relatou à Justiça que esse valor nunca chegou em sua
mão, pois eram descontados gastos pagos pelos patrões, como convênio
médico e objetos quebrados.
O que mudou
A
escravidão foi abolida no Brasil em 1888, com a Lei Áurea. Antes disso,
escravos como Feliciana Coelha obtiveram a própria liberdade, a chamada
alforria, por meio de acordos, de pagamentos em dinheiro ou prestação
de serviços. Como não havia legislação específica para a negociação da
alforria, os acordos eram muitas vezes questionados posteriormente.
Apesar
da abolição ter ocorrido há mais de 130 anos, ainda há casos de
trabalhadores que são mantidos em condições análogas à escravidão no
Brasil. São pessoas submetidas a trabalhos forçados ou jornadas
exaustivas, e também aquelas que convivem com situações degradantes de
trabalho ou com restrições de locomoção em razão de dívidas contraídas
com o empregador.
A definição legal
de trabalho análogo à escravidão, contida no artigo 149 do Código Penal
brasileiro, ajudou a criar mecanismos para coibir essas práticas. No
entanto, todos os anos, centenas de pessoas são resgatadas dessas
condições de trabalho. Em 2020, o Ministério Público do Trabalho (MPT)
contabilizou 942 trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão.
A maior parte desses resgates ocorreu no meio rural, mas o MPT relatou
um aumento no número de casos nas cidades, especialmente entre
trabalhadoras domésticas.
Dados do Ipea mostram que, em 2018, 92% (5,7 milhões) das domésticas eram mulheres, das quais 3,9 milhões eram negras.
Relações homoafetivas
1591
Felipa de Sousa
A
portuguesa Felipa de Sousa foi acusada pelo Tribunal do Santo Ofício -
que condenou centenas de pessoas por crimes de ordem religiosa em
Portugal e suas colônias - do chamado crime de “sodomia feminina”, por
manter práticas sexuais com outras mulheres. Durante uma das incursões
do visitador do Santo Ofício ao Brasil, ela chegou a admitir para o
oficial que procurava outras mulheres “pelo grande amor e afeição carnal
que sentia” ao vê-las. Com a confissão, tornou-se a única mulher
condenada pelo crime em toda a colônia. Além de lhe serem impostas
“penitências espirituais”, ela foi ainda condenada a ser açoitada
publicamente. O tribunal determinou também seu degredo perpétuo para
fora da capitania, ou seja, sua mudança da Bahia em caráter definitivo.
Carta
Localidade: Salvador, BA
Consta
a dita ré, Felipa de Sousa, pecar horrendo e nefando crime de sodomia,
pecado contra natura, com muitas mulheres assim casadas como solteiras
em diversos tempos.
1591Felipa de Sousa
A
mudança de estado em caráter definitivo, à qual Felipa de Sousa foi
condenada no Brasil colonial, não é mais uma pena prevista em lei no
país. Apesar disso, as namoradas Laura Coelho e Lorrana Araújo, além da
amiga Míriam Clara, que foram vítimas de lesbofobia em Itabuna, no sul
da Bahia, receberam um bilhete anônimo de vizinhos pedindo que elas se mudassem.
Se mude. Avizo (sic), sapatão. Dois dias de aviso. Vou tocar fogo nesse carro vermelho. Cuidado dizia o bilhete endereçado a elas.
O que mudou
O
Brasil foi um dos primeiros países da América a revogar leis que
criminalizam as relações homossexuais, em 1830, quando foi promulgado o
Código Penal do Império.
Apesar
disso, o Brasil não possui, até hoje, nenhuma lei que criminalize
explicitamente a homofobia e a transfobia. Em 2019, uma decisão do
Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o enquadramento desses crimes
por meio da Lei do Racismo (Lei 7.716/1989) até que o Congresso Nacional
edite uma lei específica sobre o tema.
Traição
1820
Gertrudes Maria de Godoy
Em
um requerimento que data entre 1820 e 1829, Gertrudes Maria de Godoy
conta que seu marido há mais de 30 anos, José Ortiz de Camargo,
“embriagado no amor de suas concubinas”, a abandonou por mais de 5 anos.
Além da traição, Gertrudes conta ter que lidar com o abandono
financeiro e revela não poder nem usufruir dos bens do casal. Na carta,
enviada para o juiz da capitania de São Paulo, ela relata que seu marido
não quis divorciar-se amigavelmente e pede que a Justiça determine que o
marido assine um termo para "não dispor do resto dos bens de seu
casal".
Carta
Localidade: Bragança Paulista, SP
Sempre
viveu com todo o recato e honra, sem que desse o menor desgosto ao dito
Alferes, seu marido, porém este, de cinco anos a esta parte, embriagado
no amor de suas concubinas, se tem separado da companhia da mesma. Não
supre sua avultada família com coisa alguma, e por consequência esta a
suplicante e seus pobres filhinhos suportando as mais cruéis misérias.
1820Gertrudes Maria de Godoy
Apesar
de cada vez mais o entendimento da Justiça estar voltado para não
indenizar pessoas traídas, já que o Direito advoga que os envolvidos
devem assumir os riscos do relacionamento, ainda há um debate sobre
indenizações por danos morais e financeiros. Os tribunais têm entendido
que é preciso ter provas consistentes que a traição provocou danos, como
exames laboratoriais que atestem uma doença venérea, por exemplo.
No caso do Tribunal de Justiça do Distrito Federal de 2018, a ex-esposa alegou que ahumilhação sofridafez com que ela tivesse tido um parto prematuro e, por isso, o bebê não resistiu e morreu quatro dias após nascer.
O
simples descumprimento do dever jurídico da fidelidade conjugal não
implica, por si só, em causa para indenizar, apesar de consistir em
pressuposto, devendo haver a submissão do cônjuge traído a situação humilhante que ofenda a sua honra, a sua imagem, a sua integridade física ou psíquica apontaram os desembargadores da 7ª turma cível do Tribunal de Justiça do DF.
O que mudou
Historicamente,
o adultério era praticado apenas por mulheres. A traição era vista como
um ataque ao direito do homem sobre o corpo de sua esposa. Na época do
requerimento, o Código Penal de 1830 só previa o adultério feminino. No
Brasil, o crime de adultério passou a valer para homens só em 1940. Em
2005, o adultério deixou de ser crime no país. A argumentação para a
descriminalização da traição passa pela discussão da intervenção mínima
do estado na vida privada e sobre avanços em busca da igualdade de
gênero.
Só em 2021, o Supremo
Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade que a traição de mulheres
não podia ser usada como argumento de defesa em casos de feminicídio, a
chamada tese da legítima defesa da honra.
Assédio sexual na Igreja
1802
Francisca Antonieta
Francisca
Antonieta denuncia em sua carta um padre que a assediava e relata que
não queria mais se confessar com ele. No texto, que ela ditou para outro
padre escrever, possivelmente porque era analfabeta, Francisca conta
que o vigário pediu que ela "lhe quisesse bem, pois que achava muita
graça em certa parte" do seu corpo. Ela conta que, mesmo após evitar o
padre por algum tempo, se viu obrigada a confessar-se com ele, já que
ele era o único confessor da cidade onde morava. Depois do episódio, ela
se mudou e foi orientada por outro padre a denunciar o assédio que
sofreu.
Carta
Localidade: Rio de Janeiro, RJ
Por
várias vezes o Reverendo Vigário, Miguel de Azevedo, me mandou dizer
que eu lhe quisesse bem, pois que achava muita graça em certa parte do
meu corpo quando me via, dizendo mais que eu era uma tola em não lhe
querer bem. E isto por ver a repugnância que eu lhe tinha, fugindo
sempre de me encontrar com ele, e ainda de lhe aparecer.
1802Francisca Antonieta
Em março de 2021, um grupo de mulheres denunciou casos de assédio sexual
por pastores em Sergipe. Cerca de 50 mulheres entraram em contato com
um pastor de outra igreja, mas apenas uma parte delas decidiu formalizar
as denúncias. Dois pastores foram indiciados por crimes como estupro de
vulnerável, assédio sexual e violação sexual mediante fraude contra
mais de 10 mulheres.
Ele falou assim: 'Eu
vou lhe dar um exemplo como pastor e como homem. Como pastor a gente tem
que orar, pedir a Deus, porque sabe que a vontade da carne fala. Mas
como homem, eu vou ser bem sincero com você aqui. Só estamos nós dois
aqui conversando e você é uma mulher que desperta muito desejo em muitos
homens, inclusive a mim'. Aí ele começou a falar que quando me via,
tirava a concentração dele no altar, que ele desejava coisas
inimagináveis comigo. Aí falou que eu tava muito nervosa, que eu
precisava relaxar, que se eu quisesse sairia com ele pra um lugar mais
íntimo. Aí eu me senti acuada disse uma das vítimas.
O que mudou
Relatos
de assédio e abuso sexual contra mulheres praticados por religiosos são
frequentes até hoje. Uma das principais dificuldades para que esses
casos sejam denunciados é a relação de poder que se estabelece entre
fiéis e integrantes das igrejas, como pastores ou padres. O medo de ser
punida espiritualmente ou de ser excluída da comunidade a que pertence
faz com que muitas mulheres se sintam desconfortáveis para denunciar.
Além
disso, muitas igrejas ainda não possuem mecanismos próprios para
denúncias internas, o que faz com que as vítimas tenham que recorrer à
polícia para as investigações. No caso da Igreja Católica, apenas em
2021 o Vaticano passou a criminalizar o abuso sexual
também de adultos e a permitir a punição de leigos que ocupam cargos
religiosos, além de criar um mecanismo de responsabilização por omissão e
negligência.
Bruxaria e feitiçaria
1591
Maria Gonçalves Cajada
Maria
Gonçalves Cajada, de alcunha "arde-lhe o rabo", foi denunciada por sete
mulheres por ser feiticeira. Ela havia sido banida de Portugal para a
América Portuguesa por atear "fogo em umas casas" . Ao ser chamada para
se explicar no Tribunal do Santo Ofício, ela negou ter feito qualquer
tipo de feitiço, alegando enganar todas as pessoas que recorriam a seus
serviços pelo dinheiro e pela comida que lhe davam em troca.
Carta
Localidade: Salvador, BA
E
logo foi dito, com muitas lágrimas que era verdade que por toda essa
Bahia ela tinha usado de muitos enganos, enganando a muitas pessoas,
homens e mulheres, que lhe pediam feitiços e ela lhes dava uns pós de
fígados de galinhas forrados e outras coisas que não eram feitiços.
1591Maria Gonçalves Cajada
Em 2014, a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, morreu após ser espancada
por dezenas de moradores do Guarujá, no litoral de São Paulo, sob
acusações similares às enfrentadas por Maria Gonçalves Cajada em 1591.
Essas
pessoas que agrediram ela e as que assistiram e não tiveram a coragem
de salvar uma pessoa inocente, não deram nem tempo de defesa para minha
esposa. Quero que eles reflitam e que isso não aconteça nunca com a
família deles. disse Jaílson Alves das Neves, o marido da vítima
O que mudou
Até
hoje, a crença na bruxaria e as tentativas de atribuir, de forma
pejorativa, características sobrenaturais às mulheres fazem com que
muitas sejam perseguidas e estigmatizadas. Segundo historiadores,
acusações de bruxaria funcionam como punições para mulheres que não se
enquadram nos padrões sociais.
Embora práticas de feitiçaria não
sejam mais consideradas criminosas no primeiro código penal do Brasil
independente, elaborado em 1830, já não há punição para a feitiçaria,
como havia durante o período colonial - essas acusações ainda alimentam
casos de perseguição que podem inclusive culminar em episódios de
linchamento.
Enquanto o país era colônia de Portugal, houve
grande influência do Tribunal do Santo Ofício, que atuou na Europa e
condenou centenas de pessoas por crimes de ordem religiosa, como as
acusações de bruxaria ou feitiçaria.
Desde
a década de 90, o Brasil tem leis para punir a intolerância religiosa.
Embora não cite especificamente a bruxaria, a Lei nº 7.716, de 5 de
janeiro de 1989 considera crime a prática de discriminação ou
preconceito contra qualquer prática religiosa.
Divisãode bens e herança
1816
Ana Caetana de Jesus
O
documento é um requerimento por meio do qual Ana Caetana suplica a
ajuda de uma autoridade pois suas terras, herdadas de seu pai, estão
sendo invadidas por um homem que quer tomá-las com a justificativa de a
suplicante ser mulher.
Carta
Localidade: São Paulo, SP
Antônio
Joze de Miranda, do mesmo distrito, por a suplicante ser mulher, a tem
violentado, entrado nas suas terras, querendo lhe tomá-las à valentona
debaixo do respeito do Capitão Mor daquela vila. Por essa causa se vê
obrigada a molestar a Vossa Excelência, rogando-lhe que por sua bondade
seja servido mandar que o suplicado se abstenha de fazer roça nas terras
da suplicante.
1816 Ana Caetana de Jesus
Atualmente,
disputas para conseguir acesso a heranças ou para defender suas
propriedades não são tão recorrentes, mas ainda podem motivar casos de
violência contra a mulher.
Em 2017, um homem atirou na própria filha
em São Paulo durante uma briga de família sobre divisão de herança.
Maira Cintra Soares, de 40 anos, foi morta na frente dos filhos.
Meu
pai resolveu que queria a casa e ficou muito indignado. Ele fez várias
tentativas de tirar a gente da casa, eu e meu irmão, inclusive colocando
um segurança um dia e falando que nós éramos indigentes. Só que na
delegacia foi provado que nós éramos herdeiros e filhos dele. Então ele
não conseguiu tirar a gente daqui afirmou a vítima Maira Soares em vídeo publicado meses antes da briga.
O que mudou
Assim
como Ana Caetana em 1816, mulheres ainda hoje têm dificuldades em
manter a segurança de suas propriedades por serem vistas como mais
frágeis e, portanto, mais suscetíveis a invasores. Além disso, o acesso à
propriedade também é dificultado para as mulheres, inclusive pelas leis
que tratam do acesso a herança e divisão de bens.
O direito à
herança para as mulheres evoluiu com o tempo no Brasil. Historiadoras
explicam que, durante o período colonial, a legislação brasileira ora
facilitava, ora criava grandes obstáculos para que as mulheres tivessem
acesso ao patrimônio familiar.
Naquela época, as mulheres
solteiras dependiam de que não houvesse oposição de parentes do sexo
masculino para usufruir do patrimônio herdado. Apenas com o Código Civil
de 2002 a mulher viúva passou a ter direito à herança, na separação de
bens. Antes, essa divisão era condicionada a ter patrimônio próprio.
Antes
disso, a legislação passou a reconhecer o direito de herança a mulheres
que vivem com um homem em condição similar à de casamento. Em 1994, uma
lei passou a permitir que a companheira de um homem solteiro, separado
judicialmente, divorciado ou viúvo, que tenha vivido com ele por mais de
5 anos, ou que tenha tido filhos com ele, deve ter direito à sua
herança.
Sobre o projeto
Decifrar
os registros do passado para a linguagem do presente. Este é um dos
maiores desafios das pesquisadoras do Projeto Mulheres na América
Portuguesa (M.A.P.), ligado ao grupo de pesquisas em humanidades
digitais vinculado à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
(FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).
Coordenadas
pelas professoras Maria Clara Paixão de Sousa e Vanessa Martins do
Monte, 24 pesquisadoras fazem parte do grupo atualmente. Elas localizam,
decifram e catalogam cartas, documentos e outros registros escritos por
mulheres, ou que relatem seu discurso, feitos no período colonial.
No vídeo acima, a coordenadora Vanessa Martins do Monte explica o trabalho do grupo de pesquisa e explica o projeto
Empresária está entre os destaques da categoria 'Titãs', ao lado da ginasta americana Simone Biles, a autora Shonda Rimes, o jogador de futebol americano Tom Brady e o presidente da Apple, Tim Cook. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por G1 15/09/2021 10h17 Atualizado há uma hora Postado em 15 de setembro de 2021 às 11h25m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.982. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza — Foto: Divulgação
Luiza está entre os destaques da categoria "Titãs", com profissionais
que são referência em suas áreas de atuação. Ao seu lado estão nomes
como a ginasta americana Simone Biles, a autora Shonda Rimes, o jogador de futebol americano Tom Brady e o presidente-executivo da Apple, Tim Cook.
A tradição da revista Time é de que outras personalidades escrevam uma
introdução dos indicados. No caso de Luiza Trajano, o texto é assinado
pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Em
um mundo de negócios ainda dominado por homens, a brasileira Luiza
Trajano conseguiu transformar o Magazine Luiza, que começou como uma
única loja em 1957, em um gigante do varejo de dezenas de bilhões. É uma
grande conquista — uma entre muitas", escreve o ex-presidente.
Luiza Trajano está na lista das pessoas mais influentes de 2021 da revista Time
Dentre as demais conquistas, Lula realça a iniciativa do Magazine Luiza
em ajudar pequenas empresas a se adaptarem ao comércio digital no auge
da pandemia do coronavírus.
A empresa lançou o projeto Parceiro Magalu, que incluia pequenos
comerciantes na sua plataforma de marketplace, dando visibilidade e
auxiliando na logística de entrega de pequenos e médios negócios.
É lembrado também o papel de Luiza Trajano no incentivo à ampliação da
vacinação contra a Covid-19 no Brasil. Luiza foi o rosto à frente do
movimento Unidos pela Vacina, que pretendia mobilizar a iniciativa
privada em ações de apoio ao governo, em todas as esferas, para
facilitar a chegada dos imunizantes a todos os brasileiros.
Luiza é também a líder do grupo Mulheres do Brasil, que reúne mais de
95 mil participantes no Brasil e no exterior, para lutar por políticas
públicas e de negócios focadas em direitos iguais, trabalho, segurança,
educação e saúde de qualidade.
"Em
um mundo onde bilionários queimam fortunas em aventuras espaciais e
iates, Luiza se dedica a um tipo diferente de odisseia. Ela assumiu o
desafio de construir um gigante comercial e ao mesmo tempo construir um
Brasil melhor", diz o texto.
Luiza Trajano — Foto: Reprodução/TV Globo
Lista de bilionários
Luiza Trajano é destaque também na lista de bilionários da revista
Forbes. Principal acionista do Magazine Luiza, o patrimônio estimado da
empresária é de US$ 3,9 bilhões (cerca de R$ 20,5 bilhões).
Luiza é a mulher que tem maior fortuna construída por si do Brasil. Na
lista da Forbes, apenas Esther Safra, herdeira de parte da fortuna de Joseph Safra, está à sua frente. Vicky Safra, viúva do banqueiro que morreu em 2020, é de origem grega.