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sábado, 14 de março de 2020

Pesquisadores montam armadilhas fotográficas para estudar mamíferos do Parque da Serra do Divisor

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Imagens foram colhidas entre novembro e dezembro do ano passado e agora seguem sendo analisadas. Algumas espécies são endêmicas da região. 
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 Por Tácita Muniz, G1 AC — Rio Branco  

 Postado em 14 de março de 2020 às 16h00m  
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      Post.N.\9.176  
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Soim preto fotografado dentro do Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre  — Foto: Hugo Costa/Arquivo pessoal Soim preto fotografado dentro do Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre — Foto: Hugo Costa/Arquivo pessoal

Muitos estudos têm sido feitos para atualizar o número e tipo de espécies que habitam a área que engloba o Parque Nacional da Serra do Divisor, que fica entre Acre e Peru, em cidades do Vale do Juruá.

E foi pensando nisso que uma expedição foi feita na unidade de conservação entre novembro e dezembro do ano passado. Foram cerca de 15 pesquisadores para estudar mamíferos, aves e répteis. Um desses grupos estuda mamíferos terrestres de médio e grande porte e também os primatas.

Durante o período da expedição, armadilhas fotográficas foram montadas para fazer os flagras dentro da unidade.

A ideia é fazer um inventário das espécies que ocorrem no parque, mas nesta primeira fase, o grupo ficou apenas na região do rio Moa.

“O diferencial desta expedição foi a utilização de armadilhas fotográficas, que nada mais são do que câmeras fotográficas digitais disparadas por sensores de movimento e temperatura. Com elas, conseguimos registrar, por 24 horas durante 40 dias, todos os animais que passavam pelas trilhas e também no topo das árvores. Como as armadilhas foram retiradas há poucos dias, ainda estamos analisando as imagens”, explica o doutorando em ecologia e conservação da biodiversidade pela Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus (BA) e também membro fundador e pesquisador do Instituto Juruá, Hugo Costa.

Localização privilegiada
Até que as imagens sejam completamente analisadas, detalhe por detalhe, é difícil antecipar se há alguma novidade na área estudada pelo grupo de Costa, porém, ele destaca que o Parque Nacional da Serra do Divisor é um dos lugares mais ricos do país.

“É uma região com poucos estudos e de localização geográfica privilegiada e que, com mais estudos genéticos e de taxonomia, com certeza encontraremos novidades para muitos grupos como primatas, aves e pequenos mamíferos”, acredita.

As peculiaridades da região, segundo Costa, provêm do fato de sofrer forte influência dos Andes.

“É provavelmente a região de maior diversidade biológica do Brasil e de toda a Amazônia brasileira, justamente por ser uma região sob forte influência dos Andes, além de ser nascente de importantes rios Amazônicos como o rio Juruá por exemplo”, pontua.
Uacari é uma das espécies que só são registradas na Serra do Divisor  — Foto: Hugo Costa/Arquivo pessoal Uacari é uma das espécies que só são registradas na Serra do Divisor — Foto: Hugo Costa/Arquivo pessoal

Espécies endêmicas
O local pré-andino também abriga espécies que só podem ser vistas lá, segundo o pesquisador. Outras estão ameaçadas de desaparecer, caso não sejam conservadas. Algumas espécies conhecidas pela ciência hoje naquela região são:
  • O Callimico goeldi, um macaco conhecido localmente como lalau ou soim preto;
  • O uacari (Cacajao calvus);
  • O macaco-barrigudo (Lagothrix poeppigii)
“Além de muitas questões de taxonomia e de distribuição geográfica, que precisam ser elucidadas sobre os “soins” (primatas de pequeno porte dos gêneros Saguinus e Leontocebus), parauacus (Pithecia spp) e zogue-zogues (Plecturocebus spp). Além desses também ocorrem no Parque a onça-pintada (Panthera onca), o cachorro vinagre (Speothos venaticus), o cachorro-do-mato-de-orelha-curta ou raposa (Atelocynus microtis) a ariranha (Pteronura brasiliensis) a anta (Tapirus terrestris), o queixada (Tayassu pecari) todos sob o risco de extinção de acordo com a IUCN [União Internacional para a Conservação da Natureza)”, acrescenta o estudo.

Falta de recurso
Apesar do grande potencial científico e para turismo da região, muitos pesquisadores esbarram na falta de recursos para apostar em estudos dentro da unidade de conservação.
Atualmente, Costa diz que ocorrem pesquisas pontuais, mas diz que há meios de expandir.

“O Acre possui campus da sua Universidade Federal em Cruzeiro do Sul. Tenho certeza que todos os pesquisadores e professores da instituição teriam o maior prazer em conduzir suas pesquisas e aulas na unidade com maior frequência”, salienta.
Grupo fez armadilhas fotográficas para captar imagens de primatas  — Foto: Hugo Costa/Arquivo pessoal Grupo fez armadilhas fotográficas para captar imagens de primatas — Foto: Hugo Costa/Arquivo pessoal

Fase seguinte
Após essa expedição, o grupo pretende conseguir mais recursos para explorar outras áreas dentro do parque. Conforme o levantamento for avançando, os resultados devem ser apresentados em artigos científicos.

“Esperamos obter mais recursos para uma nova expedição, agora na parte sul do parque, que pode possuir algumas espécies diferentes ou que não encontramos durante esse primeiro trabalho. Com esses dados podemos auxiliar na gestão do parque e também propor novas pesquisas e também o monitoramento de algumas espécies”, finaliza.

Quarto maior parque nacional do país
A Serra do Divisor é o 4º maior Parque Nacional do Brasil, segundo o biólogo Ricardo Plácido. O local tem mais de 843 mil hectares e ocupa cinco municípios acreanos, entre eles, Mâncio Lima (31,8%), Marechal Thaumaturgo (4,8%), Cruzeiro do Sul (23,1%), Rodrigues Alves (13,3%), Porto Walter (27%).

Um projeto de lei propõe mudar a unidade de conservação da área de proteção integral para uma área de uso sustentável, mas uma petição online tenta barrar a aprovação do projeto e já reúne mais de 80 mil assinaturas.
Parque Nacional da Serra do Divisor tem uma das faunas e floras com mais diversidade de espécies — Foto: Tomaz de Melo/Arquivo pessoal Parque Nacional da Serra do Divisor tem uma das faunas e floras com mais diversidade de espécies — Foto: Tomaz de Melo/Arquivo pessoal

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sexta-feira, 13 de março de 2020

'Nova onda' de vírus de resgate avança em redes empresariais com ataques controlados por humanos, alerta Microsoft

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Vírus não funcionam de forma automatizada como as pragas digitais antigas. Invasores adaptam ataques e exploram erros de configuração.
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 Por Altieres Rohr  

 Postado em 13 de março de 2020 às 15h30m  
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      Post.N.\9.175  
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Vírus de resgate 'automatizados' estão dando lugar a pragas digitais instaladas por humanos, que usam ferramentas para roubar senhas em redes corporativas e chegar ao maior número possível de computadores. — Foto: Simon Stratford/FreeimagesVírus de resgate 'automatizados' estão dando lugar a pragas digitais instaladas por humanos, que usam ferramentas para roubar senhas em redes corporativas e chegar ao maior número possível de computadores. — Foto: Simon Stratford/Freeimages

Embora os filmes e séries de TV normalmente mostrem hackers "pilotando" ataques em tempo real, a maioria das violações é consequência do trabalho automatizado de programas invasores.

Os criminosos muitas vezes nem sabem se o vírus que eles criaram contaminou um notebook de um estudante ou um servidor que armazena o banco de dados de uma empresa.
Mas uma nova onda de vírus de resgate está deixando a realidade um pouco mais próxima da ficção. Os códigos são personalizados e configurados em tempo real pelos criminosos, inclusive provocando as vítimas com referências, como o nome de empresa ou o número de telefone.
O fenômeno não é novo, mas um relatório recente da Microsoft expôs detalhes dos procedimentos de três gangues envolvidas nesses ataques, que operam os vírus de resgate Wadhrama, Doppelpaymer e Ryuk.

Vírus de resgate são assim chamados porque exigem que a vítima desembolse uma certa quantia para restaurar arquivos e o funcionamento de sistemas "sequestrados". Uma consequência da ação humana é uma arbitrariedade maior no valor cobrado.

Enquanto vírus de resgate antigos cobravam o mesmo valor de todas as vítimas, o preço do resgate nos vírus desta nova onda varia conforme os dados sequestrados e os recursos da vítima para quitar o resgate. O Wadhrama, por exemplo, pode cobrar de 0,5 a 2 Bitcoin (R$ 18 a R$ 74 mil) por máquina contaminada.
Tela de aviso do sequestro de arquivos do vírus de resgate Wadhrama, um dos programas utilizados pelos criminosos.  — Foto: Reprodução/MicrosoftTela de aviso do sequestro de arquivos do vírus de resgate Wadhrama, um dos programas utilizados pelos criminosos. — Foto: Reprodução/Microsoft

Acesso a dados confidenciais
Uma vítima recente do Doppelpaymer foi a Visser Precision, uma fabricante de peças e fornecedora da Tesla e da Boeing. Os criminosos criptografaram os arquivos como de costume, mas o resgate foi cobrado também sob a ameaça de que o não pagamento levaria ao vazamento desses arquivos.

Em um site dedicado ao golpe, os hackers publicaram contratos confidenciais para servir de "amostra" do que poderia vir a público.

Esse tipo de flexibilidade e adaptação ao alvo não é comum em vírus de resgate "automáticos". De acordo com a Microsoft, o DoppelPaymer nem sequer possui capacidade de contaminar outros computadores da rede. Toda a disseminação é controlada manualmente pelos hackers, que também personalizam outros aspectos da contaminação.

O vírus de resgate normalmente não é ativado imediatamente. Antes, os hackers aprofundam o acesso na rede atacada, roubando senhas e elevando os privilégios e permissões em cada sistema alcançado.
O vírus de resgate pode demorar semanas ou meses para aparecer, segundo o relatório. Nesse período, os hackers se aproveitam das máquinas para outras finalidades, como o envio de mensagens indesejadas (spam) ou mineração de criptomoedas.
Além de aumentar o número de máquinas e agravar as consequências do ataque, essa estratégia fortalece a presença dos criminosos na rede. Se eles não forem expulsos por completo, o vírus pode ser novamente acionado.

De acordo com o FBI, criminosos já conseguiram cobrar pelo menos US$ 144 milhões (cerca de R$ 676 milhões) das vítimas de vírus de resgate desde 2013. O número foi estimado com base em uma análise das carteiras de Bitcoin associadas com o crime. Pagamentos em outras moedas não foram contabilizados.

Senhas fracas e sem antivírus
Para a atividade ser mais lucrativas, os criminosos miram as redes de empresas e instituições governamentais.

Para chegar nelas, as gangues utilizam ataques à Área de Trabalho Remota (RDP, na sigla em inglês), uma tecnologia comum em redes corporativas. Muitas vezes, os invasores tentam diversas combinações de usuário/senha até conseguir o acesso.

Em outros casos, o acesso inicial pode ser realizado por vírus que roubam senhas bancárias e normalmente chegam por e-mail, como o Trickbot ou Dridex. Segundo a empresa de segurança Check Point, o Trickbot foi distribuído por e-mails falsos que prometem conteúdo ligado ao coronavírus.

A Microsoft afirmou que alguns dos ataques mais bem-sucedidos foram realizados contra servidores sem antivírus ou controles de segurança. De acordo com a Microsoft, essa situação normalmente acontece por receio de que as proteções possam interferir no funcionamento do servidor ou diminuir o desempenho da máquina.

Por essa razão, esses criminosos não estão no mesmo nível dos operadores de ataques sofisticados (chamados de "APT"). Para a Microsoft, esses problemas podem ser evitados, mas é preciso uma "mudança de mentalidade" nas empresas: em vez de tentar resolver o problema o mais rápido possível, as causas de uma invasão devem ser analisadas e compreendidas.

Sem essa análise, é possível que a empresa não consiga expulsar os invasores e tenha problemas mais de uma vez.

A Microsoft recomendou o uso do Windows Defender ATP, a configuração de boas senhas e o monitoramento de tentativas de ataques de força bruta. A empresa sugere o uso de senhas administração temporárias ou credenciais restritas para reduzir a eficácia do roubo de senhas locais.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com
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quinta-feira, 12 de março de 2020

Ameaçada de extinção, maior águia do mundo é flagrada pela 1ª vez em parque de MT

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Área onde a ave foi vista está na transição do Cerrado com a Amazônia e é cercada por fazendas de gado e áreas de agricultura extensiva. Nos últimos 15 anos, a espécie perdeu entre 12 e 24 ninhos no estado.
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 Por Kessillen Lopes, G1 MT  

 Postado em 12 de março de 2020 às 16h00m  
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      Post.N.\9.174  
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Harpia foi flagrada em um parque de Rosário Oeste — Foto: Sesc-MT/Divulgação
Harpia foi flagrada em um parque de Rosário Oeste — Foto: Sesc-MT/Divulgação

Um gavião-real – também conhecido como harpia – foi flagrado pela primeira vez no Parque Sesc Serra Azul, em Rosário Oeste, a 133 km de Cuiabá. Segundo a instituição, a primeira aparição da ave no local foi no dia 26 de fevereiro deste ano e, desde então, ela passa pelo parque, fica por um tempo e 'some' de novo.

A harpia é considerada a maior águia do mundo e está na lista dos animais ameaçados de extinção.

Um estudo do professor de engenharia florestal Éverton Miranda mostra a perda de habitat das harpias. Segundo ele, o desmatamento é o que mais tem contribuído para o desaparecimento da ave.
Espécie é considerada a maior águia do mundo — Foto: Sesc-MT/Divulgação
Espécie é considerada a maior águia do mundo — Foto: Sesc-MT/Divulgação

Em Mato Grosso, foram desmatados 41 mil hectares nos últimos 15 anos, o que representa uma perda entre 12 e 24 ninhos de harpia no estado.

De acordo com o Sesc Serra Azul, a presença do gavião-real no parque é um indicador que o predador é capaz de se sustentar na região.
Área onde a ave foi vista está na transição do Cerrado com a Amazônia — Foto: Sesc-MT/Divulgação
Área onde a ave foi vista está na transição do Cerrado com a Amazônia — Foto: Sesc-MT/Divulgação

Com 5 mil hectares, a área onde a ave foi vista está na transição do Cerrado com a Amazônia e é cercada por fazendas de gado e áreas de agricultura extensiva.

O parque informou que a ave é vista sempre sozinha no topo de uma árvore. Uma equipe da instituição está fazendo o monitoramento na região para saber se ela está usando a área apenas para transição ou como um novo habitat.
Harpia está na lista dos animais ameaçados de extinção — Foto: Sesc-MT/Divulgação
Harpia está na lista dos animais ameaçados de extinção — Foto: Sesc-MT/Divulgação

O Parque Sesc Serra Azul também já foi fazenda de gado, serviu de plantação de arroz e até garimpo. No entanto, há nove anos, o local foi destinado à conservação e está em processo de regeneração para o ecoturismo.

A instituição afirmou que espera que a harpia encontre um parceiro e se reproduza no local.
Vídeo mostra ave sendo resgatada e o local onde estava sendo reabilitada
Vídeo mostra ave sendo resgatada e o local onde estava sendo reabilitada

Em novembro de 2019, um filhote da espécie foi resgato em Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, depois de ter sido domesticado por trabalhadores rurais que o encontraram.

O filhote morava em um ninho construído numa castanheira, que foi derrubada. Desde então a ave passou a ser criada em uma casa por moradores da região.
Professor diz que recompensa para quem encontrar ninho é uma forma de preservar o local onde a ave está vivendo — Foto: Éverton Miranda/Arquivo pessoal
Professor diz que recompensa para quem encontrar ninho é uma forma de preservar o local onde a ave está vivendo — Foto: Éverton Miranda/Arquivo pessoal

Harpia e a busca por ninhos
A harpia possui longo tempo de vida e baixa taxa reprodutiva. O tempo geracional da espécie é estimado em 18,5 anos. Segundo especialistas, o ninho do gavião-real é considerado grande e, geralmente, é encontrado em árvores altas.

A espécia costuma pôr dois ovos, mas é comum desenvolver apenas um filhote.

Ao longo dos três anos de pesquisa, o professor Éverton constatou que os ninhos são relativamente fáceis de achar, e afirmou ainda que é oferecida a quantia de R$ 500 a quem encontrar e indicar a localização de um ninho de harpia, além de uma porcentagem do valor do turismo ao dono da terra.

Segundo ele, essa é uma forma de preservação da espécie ameaçada. Atualmente, o professor e uma equipe de pesquisadores monitoram cerca de 30 ninhos, em Mato Grosso.

Veja mais notícias do estado no G1 Mato Grosso.

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    Um gráfico explica a pandemia

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    Não é histeria nem exagero. Para "achatar a curva" de contágio e evitar o colapso dos hospitais, será essencial evitar aglomerações e adotar as medidas básicas de prevenção.
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     Por Helio Gurovitz  
     Diretor de redação da revista Época por 9 anos, tem um olhar único sobre o noticiário. Vai ajudar você a entender melhor o Brasil e o mundo. Sem provincianismo

     Postado em 12 de março de 2020 às 12h00m  
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    Gráfico elaborado pelo cientista Drew Harris e adaptado pelo biólogo Carl Bergstrom mostra como medidas de prevenção podem retardar o contágio da Covid-19 e evitar o colapso do sistema de saúde  — Foto: Carl Bergstrom e Esther Kim/CC BY 2.0Gráfico elaborado pelo cientista Drew Harris e adaptado pelo biólogo Carl Bergstrom mostra como medidas de prevenção podem retardar o contágio da Covid-19 e evitar o colapso do sistema de saúde — Foto: Carl Bergstrom e Esther Kim/CC BY 2.0

    Dias atrás o biólogo Carl Bergstrom tuitou elogios enfáticos a um gráfico. Publicado pela jornalista visual Rosamund Pearce na revista The Economist, depois modificado pelo especialista em saúde pública Drew Harris com base em recomendações de 2017 dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) para a epidemia de gripe, ele traduz com perfeição o desafio das autoridades sanitárias diante da pandemia de Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

    Explica, numa imagem simples e de fácil compreensão, o sentido da expressão mais importante para enfrentá-lo: “achatar a curva” (acima, a tradução da versão de Bergstrom e da designer Esther Kim).

    O erro mais frequente cometido por quem desdenha a pandemia é chamar a atenção para o a proporção aparentemente baixa de mortos (entre 0,5% e 3,5% do infectados), para a alta quantidade de casos leves (mais de 80%) e para a gravidade reduzida, a não ser em grupos de risco específicos (como idosos, diabéticos e doentes do coração). É afirmar que o risco mínimo para crianças não justifica medidas como a supensão de aulas ou comparar tudo a uma gripe, como fez ontem o presidente Jair Bolsonaro em mais uma manifestação infeliz.

    O crucial não é a gravidade da doença em si, mas na capacidade de dar atenção a todos os infectados no momento em que eles precisam. Quanto mais as infecções são adiadas, quanto mais se "achata" a curva de contágio ao longo do tempo, menor a pressão sobre o sistema de saúde, maior a probabilidade de que ele dê conta da epidemia no pico. Quando o vírus se espalha rápido, não há leitos, máscaras, tomógrafos, respiradores e outros equipamentos para quem precisa.

    A situação na Itália demonstra o que pode acontecer: hospitais lotados, sem condição de atender pacientes não só de Covid-19, mas de qualquer doença: câncer, ataque do coração, perna quebrada ou mesmo gripe.
    Italianos hoje morrem do que não morreriam em situação normal. A tragédia deriva não do efeito da Covid-19, mas do impacto dela no sistema de saúde. O alerta do colunista David von Drehle em artigo no Washington Post resume a questão com perfeição:
    – Uma doença não precisa ser a pior de todos os tempos para produzir o pior cenário de todos os tempos. Basta impor ônus adicionais aos recursos de saúde superiores à capacidade desses recursos.
    É por isso que todos os países afetados pela pandemia precisam fazer o possível para “achatar a curva” de contágio. Como a imagem demonstra, o mesmo número de infectados, mas mais espalhados ao longo do tempo, pode representar um ônus tolerável sobre a infra-estrutura de saúde. Quando todos precisam ser atendidos no hospital ao mesmo tempo, as mortes disparam.

    Comparar as medidas adotadas por países que têm obtido sucesso no combate à pandemia ajuda a entender o problema. Na Itália, quando havia cerca de 7.500 infectados confirmados, o número de mortes já beirava 400 (hoje são quase 830 mortos para 12.500 infectados). Na Coreia do Sul, havia pouco mais de 50 mortes para 7.500 infectados (hoje há 66 para menos de 7.900). O que os sul-coreanos fizeram? Por que estão conseguindo controlar o vírus, ao contrário dos italianos?

    A resposta pode ser resumida em duas palavras: testes e isolamento. Mais de 200 mil testes foram aplicados para confirmar as infecções. Cientistas desenvolveram um método que afirmam levar apenas 10 minutos para fornecer o resultado. Assim que um paciente com o vírus é descoberto, passa imediatamente a ficar confinado.

    Evitar a transmissão é essencial para “achatar a curva” e evitar a pressão sobre o sistema hospitalar. Medidas drásticas, como quarentenas (Itália), confinamento de milhões de pessoas (China) ou proibição de viagens (Estados Unidos) podem até render mais repercussão. Mas têm eficácia menor que atitudes simples, como lavar as mãos, trabalhar em casa e evitar aglomerações (leia mais aqui).

    Em vez de proibir os europeus de entrar nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump deveria era garantir o acesso a testes rápidos e baratos a todas as cidades americanas. Até 8 de março, quando os coreanos já tinham aplicado 190 mil testes (ou 3.700 para cada milhão de habitantes) e os italianos 50 mil (826 por milhão), os americanos mal passavam de 1700 (5 por milhão). Não é coincidência que os maiores sucessos na contenção da pandemia sejam Hong Kong e Cingapura, cuja população adotou medidas de auto-isolamento sozinha, em virtude da experiência com epidemias anteriores.

    Não se trata de histeria, nem de exagero. Quanto antes as autoridades brasileiras entenderem a extensão da ameaça, quanto antes adotarem as medidas de prevenção necessárias, mais terão sucesso no desafio de “achatar a curva” e menor será o impacto da pandemia no sistema de saúde e na economia.

    Cada indivíduo também deve fazer sua parte: lavar as mãos, evitar aglomerações e contatos desnecessários, só sair de casa quando essencial. Não porque pegar a doença seja necessariamente grave, mas porque, assim, evitará se transformar numa fonte de contágio para aqueles que realmente correm risco maior, como idosos ou diabéticos. Qualquer um que seja patriota de verdade e queira o bem da nação precisa contribuir para “achatar a curva”.

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