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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Greve dos caminhoneiros faz produção industrial recuar 10,9% em maio, diz IBGE

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Foi o maior tombo da indústria desde dezembro de 2008; desabastecimento de matérias-primas e bloqueio no escoamento afetaram o setor durante a paralisação que durou 11 dias.
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Por Daniel Silveira e Taís Laporta, G1 

Afetada pela greve dos caminhoneiros, a indústria brasileira recuou 10,9% no mês de maio frente a abril, na série com ajuste sazonal, divulgou nesta quarta-feira (4) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A paralisação que durou 11 dias afetou o processo de produção de várias unidades produtivas no país.
Esta foi a maior queda desde dezembro de 2008, quando a crise internacional prejudicou a indústria e derrubou a produção em 11,2%. O mês de maio mostrou também o segundo pior resultado da série histórica iniciada em 2002 (veja o gráfico abaixo).
Produção industrial mês a mês, desde o início da série histórica em 2002. (Foto: Karina Almeida/G1)Produção industrial mês a mês, desde o início da série histórica em 2002. (Foto: Karina Almeida/G1)
"A greve desarticulou o processo de produção em si, seja pelo abastecimento de matérias-primas, seja pela questão da logística na distribuição”, disse o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.
Vários fatores relacionados à paralisação impactaram de alguma forma a produção da indústria. Além da falta de insumos que não chegavam às fábricas, Macedo citou a dificuldade de escoamento da produção e, também, a limitação dos trabalhadores para se deslocarem até o trabalho.

Na comparação com o mês de maio de 2017, o setor industrial recuou 6,6%.
Greve dos caminhoneiros derruba produção industrial em maio, aponta IBGE
Greve dos caminhoneiros derruba produção industrial em maio, aponta IBGE

Com o resultado de maio, o patamar da produção industrial do país retornou a um nível próximo ao registrado em dezembro de 2013, ficando assim 23,8% abaixo do pico mais alto da série, alcançado em maio de 2011, segundo o pesquisador do IBGE.

Automóveis e alimentos pressionaram a queda
“As quedas [na produção] dos bens duráveis de 27,4% e de semi e não duráveis são as mais intensas desde o início da série histórica para a comparação mensal”, destacou o pesquisador.
Segundo Macedo, o declínio nos bens duráveis e não duráveis está relacionado, respectivamente, a automóveis e alimentos, que exerceram as maiores pressões negativas na paralisação dos caminhoneiros.
A categoria de veículos automotores, reboques e carrocerias retrocedeu 29,8% em maio, enquanto produtos alimentícios encolheu 17,1% em maio frente a abril, segundo os dados do IBGE.
Produção da indústria por categorias em maio de 2018. (Foto: Reprodução/IBGE)Produção da indústria por categorias em maio de 2018. (Foto: Reprodução/IBGE)

O segmento de bebidas caiu 18,1% e também exerceu pressão negativa. Celulose, papel e produtos de papel tiveram queda de 13,0%. A confecção de artigos do vestuário e acessórios, por sua vez, retrocedeu 15,4%. Já a produção de produtos químicos ficou 5,6% menor, e a de produtos de metal caiu 10,5%.

Dos 26 ramos industriais pesquisados, apenas dois não tiveram redução na produção: o de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis subiram 6,3%, e o de indústrias extrativas avançou 2,3%.

Evolução da produção industrial
Variação mês a mês, em %
Created with Highcharts 5.0.90,60,6110,50,5-0,5-0,50,50,5000,80,83,13,1-2,2-2,20,10,1000,80,8-10,9-10,9Maio/17Jun/17Jul/17Ago/17Set/17Out/17Nov/17Dez/17Jan/18Fev/18Mar/18Abr/18Mai/18-12,5-10-7,5-5-2,502,55
Fonte: IBGE

“Os dois são, relativamente, menos dependentes dessa paralisação. No caso dos derivados do petróleo, por exemplo, a matéria-prima muitas vezes chega por dutos, não por caminhões. Isso pode ser uma explicação para algum tipo de comportamento positivo que esses segmentos tiveram mesmo em meio a greve”, explicou Macedo.

Questionado, Macedo acenou para a possibilidade de que a greve dos caminhoneiros tenha reflexos na produção industrial de junho “na medida em que pode ter desarticulado determinadas cadeias produtivas”. Ele ressaltou, ainda, que o resultado de junho pode ter impacto negativo também da Copa do Mundo, em função do menor número de horas trabalhadas.

Alta da indústria desacelera no ano
Nos cinco primeiros meses do ano, o setor industrial acumulou expansão de 2%, ritmo abaixo do resultado registrado até abril, que ficou em 4,5%.

Nos últimos 12 meses, ao passar de 3,9% em abril para 3% em maio, a alta também desacelerou e interrompeu a trajetória ascendente iniciada em junho de 2016, quando o indicador caía 9,7%.
Produção industrial desaba em maio por conta da greve dos caminhoneiros. E eu com isso?
Produção industrial desaba em maio por conta da greve dos caminhoneiros. E eu com isso?

Dados revisados
O IBGE revisou os dados da produção industrial na comparação mensal de dezembro de 2,9% para 3,1%, de janeiro de queda de 2,1 para recuo de 2,2, e de março de uma queda de 0,1% para uma estabilidade de 0%.

* Colaborou Marta Cavallini.
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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Como o rublo se tornou a moeda nacional russa

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De palito de prata a nota de papel, o rublo está em circulação há mais de 700 anos.
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Agência Gazeta Russa
Por Agência Gazeta Russa 
Postado em 02 de julho de 2018 às 18h00m 

O rublo nem sempre foi o meio de pagamento mais usado na Rússia. Em 1316, quando foi mencionada pela primeira vez na história, a moeda tinha como principal concorrente o “den’gá”: pequenas moedas usadas para compras diárias.

Naquela época, “rublo” era o nome de um palito de prata de cerca de 200 gramas que era usado para fazer pagamentos maiores ou para armazenar riqueza.

Embora o “den'ga” não exista hoje, a palavra é usada ainda hoje em russo: “dêngui”, na língua atual, significa "dinheiro". Em 1654, durante o reinado de Aleksêi Mikhailovitch Romanov (também conhecido como “Aleixo da Rússia”), surgiu a primeira moeda de "rublo", feita a partir de moedas “táler” de prata usadas por toda a Europa. 

Os artesãos russos substituíram as imagens originais por símbolos russos - um cavaleiro e uma data. Esses rublos foram chamados de “iefímki” porque os táleres originais foram emitidos na cidade de Joachimsthal (atual República Tcheca).

Com a reforma financeira de Pedro o Grande, no início do século 18, o rublo se tornou a moeda oficial e serviu como base para o sistema monetário do país.

Em 1769, Catarina, a Grande, introduziu as primeiras notas emitidas para cobrir um grande déficit orçamentário de 1,8 milhão de rublos após guerra russo-turca (1768-1774).

A cédula mais valiosa do Império Russo foi chamada de "peten'ka", diminutivo do nome Piotr (Pedro), porque levava a imagem de Pedro, o Grande. Essa nota surgiu em 1898 e valia 500 rublos. A outra nota, de 100 rublos, era chamada de "katen'ka", diminutivo de Ekaterina, e levava a imagem de Catarina, a Grande.

Naquele tempo, um fazendeiro ganhava de 20 a 50 rublos por mês, enquanto o salário de um professor variava entre 100 e 500 rublos por ano. O último rublo em moeda imperial foi emitido em 1915, quando foi substituído pelas novas notas emitidas pelo Governo Provisório em 1917. A águia de duas cabeças na cédula perdeu seus símbolos imperiais: coroa, poder e cetro, e ganhou uma suástica - um antigo símbolo de prosperidade. As novas notas decepcionaram o público, já que não refletiam o poder e a grandeza do país.

Em 1917, as notas começaram a se desvalorizar rapidamente. No início dos anos 1920, a quantidade de notas no mercado era tão alta que era mais racional queimá-las que comprar madeira para produzi-las.

O Governo Provisório começou a emitir notas de 20 e 40 rublos que pareciam papéis com selos e não eram valorizadas pelo púbico, as que chamava de "kérenki", em referência a Aleksandr Kerenski, presidente do Governo Provisório.

Os "kérenki" foram impressos em folhas não cortadase sem perfuração e inicialmente foram planejados para serem um meio de pagamento temporário. Mas, mesmo após a queda do governo de Kerenski, em outubro de 1917, as notas permaneceram em uso até 1922. Havia muitas notas diferentes em uso na época, incluindo cheques especiais para comprar pão e vinho.

Mesmo as antigas, como a “katen'ka” e a “peten'ka”, ficaram em circulação até 1922.
Na década de 1930, surgiram novas cédulas: os chamados rublos "simples", de baixo valor (1, 3 e 5 rublos), e o mais valioso, "tchervôntsi", que foram garantidos por reservas de ouro.

O nome "tchervonets" foi usado na Rússia Imperial para moedas de ouro estrangeiras. A imagem de Lênin apareceu pela primeira vez em um "tchervônets" de 10 rublos e permaneceu nas cédulas até 1991.

A reforma monetária do governo de 1947 baniu todas as moedas anteriores, mas elas podiam ser trocadas por novos rublos soviéticos. O design dos novos rublos era semelhante ao das antigas notas imperiais. Segundo a vice-diretora do Museu do Dinheiro de Moscou, Irina Fedorkova, isto não foi coincidência.

"O país, que venceu a Segunda Guerra Mundial e salvou metade do mundo do fascismo, começou a se sentir de outra maneira: a autoconsciência nacional aumentou significativamente e isso levou à necessidade de se identificar com um país grande, como o Império Russo", explica Fedorkova.

Em 1961, o rublo recebeu uma nova versão em moeda, feita de liga de cobre-níquel, em vez de metais preciosos como anteriormente. Os rublos soviéticos só podiam ser usados dentro do país, e as notas emitidas após 1961 tinham traduções de seus valores para todas as línguas oficiais da União Soviética. Após o colapso da URSS, foram emitidas novas notas que tinham o mesmo design, mas sem traduções.

Em 1992, as notas de rublo ganharam novo design, mas foram substituídas em 1995. Naquela época, devido à inflação, o valor do rublo caiu drasticamente, e o governo teve que emitir notas de 500, 1.000, 50.000, 100.000 e até 500.000 rublos.

Em 1997, as denominações foram reduzidas para 5, 10, 50, 100 e 500 rublos, respectivamente. Nos anos 2000, surgiram notas de 1.000 e 5.000 rublos. As últimas mudanças nas notas foram introduzidas em 2017, quando o governo começou a emitir cédulas de 200 e 2.000 rublos. As novas notas parecem ter sido inspiradas pela moeda europeia. A de 200 rublos, de tom esverdeado, tem cor parecida com a da nota de 100 euros, enquanto a de 2.000 rublos, de tonalidade azul, lembra a nota de 20 euros.
A de 200 rublos, de tom esverdeado, tem cor parecida com a da nota de 100 euros. (Foto: Divulgação) 

A nota de 2.000 rublos apresenta marcos de duas cidades: a Ponte Rússki, em Vladivostok, e o Cosmódromo de Vostótchni, na região de Amur.

Já a cédula de 200 rublos exibe dois pontos turísticos de Sevastopol: o Monumento aos Navios Afundados e o Quersoneso (ruínas de uma antiga colônia grega localizada na parte sudoeste da península da Crimeia).

Todas as imagens apresentadas nas novas notas foram selecionadas por meio de votação popular na internet.
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