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sábado, 16 de setembro de 2017

A difícil busca pelo depósito definitivo de lixo nuclear

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Há mais de seis décadas, usinas nucleares em todo o mundo geram resíduos radioativos, e nunca se encontrou uma solução para o armazenamento final – e por milhões de anos.

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Por Deutsche Welle
Seis das dez novas usinas são localizadas na China (Foto: Pixabay)
Seis das dez novas usinas são localizadas na China (Foto: Pixabay)


Em 2016 entraram em funcionamento dez reatores nucleares em todo o mundo, além de outros dois no primeiro semestre de 2017, segundo o relatório World Nuclear Industry Status Report, publicado na sexta-feira passada (8).

Seis dessas novas usinas estão localizadas na China, que passou ao terceiro lugar entre as cinco maiores potências geradoras de energia atômica, depois dos Estados Unidos e da França. Juntas, as cinco grandes produtoras geram 70% desse tipo de energia no mundo, cabendo a metade aos EUA e França.

Uma vez que, nesse mesmo período, apenas quatro reatores foram desativados, torna-se ainda mais premente a decisão de o que fazer com os resíduos radioativos – uma questão que ainda não foi devidamente respondida.

Oposição da população alemã
Em setembro de 2017, a Alemanha começará a procura por um local definitivo para armazenar seu lixo atômico. Uma comissão especial está encarregada de rastrear o país em busca de um sítio geológico apropriado à construção de um depósito profundo. Nele ficará enterrado, de uma vez por todas, o legado de décadas de produção de energia nuclear.

O governo alemão espera encontrar esse local até o ano de 2031. No entanto, críticos estão céticos de que o prazo seja viável. Há questões técnicas complexas, por exemplo se argila, granito ou sal oferecem a melhor proteção contra vazamento ou contaminação. O sítio deve fornecer segurança por 1 milhão de anos, portanto os cientistas querem estar certos de que ele resistirá a ocorrências como eventuais eras glaciais.

O maior desafio, contudo, será persuadir as comunidades a aceitar um depósito de lixo atômico "no seu quintal". No fim dos anos 1970, por exemplo, a Alemanha Ocidental decidiu testar uma mina de sal em Gorleben, na Baixa Saxônia, como possível depósito definitivo: seguiu-se uma batalha de décadas, com os moradores locais protestando veementemente contra o projeto.

Os opositores argumentavam que a área pouco populosa e próxima à fronteira com a antiga Alemanha comunista, teria sido escolhida por motivos políticos, e não científicos. Levantaram-se também objeções técnicas.

O especialista americano em assuntos nucleares Robert Alvarez destaca que a Alemanha ao menos dispõe de um conjunto de critérios científicos para selecionar um sítio que seja geologicamente estável e preserve os contêineres da oxidação e consequente corrosão. Em comparação com o governo dos EUA, Berlim "tem prestado mais atenção aos geólogos e aos especialistas em segurança nuclear".

Segurança questionável nos EUA
Nos EUA, o presidente Donald Trump tomou iniciativas para reiniciar as obras num depósito na Montanha Yucca, antigo local de testes de armas nucleares no remoto deserto de Nevada. Segundo Alvarez, a escolha do sítio, ocorrida antes da eleição de 1988, foi resultado de uma jogada política do Congresso, que descartou um estudo sobre possíveis locações por todo o país.

"As pessoas ficaram loucas, e isso assustou os políticos que concorriam na eleição. Então, em 1987, quando o processo estava se desenrolando, o Congresso simplesmente mudou a lei e disse: 'Vamos colocar o depósito em Yucca, vocês todos estão fora de perigo'."

O pesquisador sublinha que o local já estava contaminado pelos testes nucleares, e que na época Nevada só dispunha de quatro votos no colégio eleitoral que escolhe o presidente. No entanto as condições geológicas na montanha estão longe de ser ideais, exigindo ventilação em grande escala por pelo menos cem anos a fim de manter baixa a temperatura dos resíduos.

"Há um monte de baboseira sobre Yucca ser o melhor local", afirma Alvarez. Melhor seria um sítio granítico, como os que estão sendo explorados na Finlândia e na Noruega. "Temos uma grande extensão de solo de granito em nosso país, mas fica em áreas populosas", observa o especialista.

Obstáculos em aberto na Europa
A Finlândia ocupa as manchetes internacionais com o que se tem saudado como o primeiro depósito nuclear permanente de longo prazo do mundo, a 400 metros de profundidade no leito granítico do litoral oeste.

Segundo Alvarez, os países escandinavos estão se afirmando como a vanguarda no setor. Ainda assim, não há garantias de que os depósitos de granito profundos continuarão seguros daqui a centenas de anos, como pretendem os finlandeses. "Para dizer o mínimo, essa afirmativa contém fortes elementos de especulação. Como prever como estará o mundo daqui a cem anos?", objeta o cientista.

Outros países enfrentam dificuldades ainda maiores. "O problema na Finlândia e na Suécia é muito simples", diz Andy Blowers, do grupo independente de especialistas Nuclear Waste Advisory Associates. "Elas têm um tipo de geologia, e em grande quantidade, têm poucas usinas elétricas e, portanto, um volume definido de resíduos."

A França, que gera três quartos de sua energia de fontes termonucleares, planejava abrir em 2030 um depósito em Bure, no sul. No entanto, assim como no caso da montanha Yucca, o local apresenta uma série de problemas técnicos e de segurança, e ativistas vêm protestando contra o projeto.

No Reino Unido, os planos para um depósito definitivo próximo ao sítio de desmantelamento e reprocessamento nuclear foram cancelados, em seguida a consultas junto ao público e a autoridades científicas.

Também devido à oposição do público, em meados deste ano o governo da Austrália abandonou seus planos de um depósito internacional, onde iria se armazenar lixo atômico de todo o mundo.

Seco ou molhado?
Assim, antes mesmo de a Finlândia começar a encher seu novo depósito, os resíduos acumulados pelo mundo em mais de seis décadas de energia nuclear estão basicamente esperando sobre o solo, em instalações temporárias. Com graus variáveis de segurança, essas instalações nunca foram pensadas para concentrar tanto lixo radioativo, nem por tanto tempo.

Também neste ponto, Alvarez considera a posição da Alemanha melhor do que a de muitas outras nações: por um lado, ela tem utilizado contêineres que são "Mercedes", comparados aos "velhos Chevrolets" dos EUA, bem mais espessos e aptos a manter os resíduos em segurança por mais tempo.

Uma decisão importante é se o armazenamento de dejetos atômicos deve ser seco ou em piscinas. Os dejetos precisam ser mantidos resfriados em líquido, mas se este evapora, o lixo radioativo se aquece rapidamente, resultando em incêndios cujas consequências superariam Chernobyl de longe, preveem analistas.

Durante o acidente de Fukushima, em 2011, essa catástrofe esteve em cogitação por um breve período, quando uma piscina contendo um reator inativo foi seriamente danificada. No entanto um outro vazamento voltou a enchê-la. Sem esse acaso feliz, dezenas de milhões de japoneses – talvez até 27% da população total, segundo certos especialistas – teriam de ser removidos.

No entanto, apesar de todos os perigos e das recomendações dos analistas para que se opte pelo armazenamento seco em contêineres, países como França, Reino Unido, Coreia do Sul e EUA continuam depositando resíduos atômicos em piscinas.

Das piscinas para a eternidade
Especialistas apontam que a questão mais premente não é encontrar locais definitivos para o armazenamento, mas assegurar que os temporários sejam seguros e permaneçam assim até estar resolvida a charada de como eliminar os dejetos mais tóxicos que a humanidade já gerou. "Desconfio que o que temos pela frente é um período bem mais longo de depósitos de superfície", prevê Alvarez.

O alemão Mycle Schneider, analista independente de política nuclear e principal autor do relatório anual sobre o status do setor, diz não estar nem mesmo convencido de que o armazenamento geológico devesse ser a meta final: o lixo atômico precisaria sobretudo estar acessível para o caso de se encontrar um meio mais eficaz de dispor dele.

Por enquanto, a questão é encontrar a solução menos ruim. "A coisa é bem clara: tirar o mais rápido possível o combustível usado das piscinas e colocá-lo em armazenamento seco, mesmo que, para início de conversa, isso não seja o ideal. Depois, passar ao próximo estágio, que é uma construção adequada, e depois a um depósito reforçado, como um bunker. A partir daí, pode-se começar a pensar na eternidade." 
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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

'Coruja' japonesa promete ser o carro de aceleração mais rápida da história

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No Salão de Frankfurt, empresa japonesa mostrou o Aspark Owl e diz que ele será capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em incríveis 2 segundos cravados.

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Por G1

Aspark Owl, a Aspark Owl, a "corujinha" japonesa que quer ser o carro mais rápido do mundo em aceleração (Foto: Divulgação/Newspress)

A coruja é conhecida por ser o símbolo da sabedoria, mas em breve poderá ser admirada por sua velocidade.

Isto porque uma empresa japonesa mostrou no Salão de Frankfurt um "hipercarro" elétrico chamado Aspark Owl (owl, quer dizer coruja em inglês), que seria capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em exatos 2 segundos.

Essa aceleração inédita superaria qualquer outro carro de produção da história. O Dodge Challenger SRT Demon, por exemplo, faz de 0 a 96 km/h em 2,3s. O Bugatti Chiron, com seus 1.500 cv, tem seu melhor tempo em 2,5s - mesma marca do Tesla P100D.
Mas como uma empresa desconhecida seria capaz disso? Primeiro é preciso esclarecer que o tempo não foi registrado, ele é uma estimativa com base nos números do carro.

De acordo com a fabricante, a "coruja" usa dois motores elétricos que têm uma nova tecnologia de controle de corrente, desenvolvendo no máximo 435 cavalos de potência (320kW).

Isso não é nem perto de outros conceito elétricos já mostrados, como o Mercedes-AMG Project One, que tem mais de 1.000 cv.
Até que parece uma coruja, não? (Foto: Divulgação/Newspress)Até que parece uma coruja, não? (Foto: Divulgação/Newspress)

O segredo (nem tão secreto assim) do Aspark Owl é um conceito básico de engenharia: quanto mais leve, mais rápido. Com a carroceria totalmente em fibra de carbono, este hipercarro pesa apenas 850 kg - menos que um Fiat Mobi.

Além das baterias de íon-lítio, a Aspark diz usar capacitores para armazenar energia elétrica das frenagens, que funcionariam como uma espécie de "turbo" para motores elétricos, aumentando a capacidade de descarga de energia.

Para acelerar dessa forma ainda é preciso controlar a aderência. Segundo a empresa, um sistema criado a partir do zero controla a força despejada nas quatro rodas a cada 100 microsegundos, ou 1 segundo dividido por 10.000.

Na velocidade máxima, no entanto, ele deve chegar a 280 km/h. É pouco, perto dos mais de 400 km/h do Bugatti Chiron.
Aspark Owl (Foto: Divulgação/Newspress)Aspark Owl (Foto: Divulgação/Newspress)

Nas medidas, o Aspark Owl é reduzido na altura, com menos de 1 metro (99 cm), o que dará uma sensação peculiar ao motorista.
O interior para duas pessoas tem telas que funcionam como espelhos retrovisores e assentos revestidos em couro.

A Aspark diz já ter construído um protótipo da "coruja", mas ainda não há informações sobre preço ou quando ela estará disponível para venda.
Aspark Owl (Foto: Divulgação/Newspress)Aspark Owl (Foto: Divulgação/Newspress)

Aspark Owl (Foto: Divulgação/Newspress)Aspark Owl (Foto: Divulgação/Newspress)

VÍDEO DO G1 MOSTRA OS DESTAQUES DE FRANKFURT:

Veja as principais novidades do Salão do Automóvel de Frankfurt 2017
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