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domingo, 4 de agosto de 2013

A carta em que o embaixador americano no Brasil agradece o apoio da NSA


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O documento ultrassecreto mostra como o governo americano se beneficiou das ações da Agência Nacional de Segurança na Cúpula das Américas de 2009

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GLENN GREENWALD, RAPHAEL GOMIDE E LEONARDO SOUZA
02/08/2013 20h47 - Atualizado em 02/08/2013 20h56
Postado e atualizado em 04 de agosto de 2013 às 09h50
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“EXCEPCIONAL APOIO” Os presidentes das nações americanas na Cúpula  de 2009 (Obama é o quarto  em pé na terceira fileira,  da direita para a esquerda). Segundo o documento,  a ação da NSA ajudou  o governo americano (Foto: Juan Manuel Herrera Oas/AFP)
No último mês de junho, o mundo tomou conhecimento do maior programa de monitoramento em massa de comunicações de que se tem notícia até hoje, promovido pela Agência Nacional de Segurança, a NSA, do governo dos Estados Unidos. 

As revelações foram feitas pelo ex-consultor Edward Snowden, que trabalhou para a NSA e copiou milhares de documentos sigilosos. Vazados inicialmente para o jornal britânico The Guardian (publicados pelo colunista Greenwald, que também assina esta reportagem), os papéis revelam a escala global da ação da NSA. 

No mês passado, o jornal O Globo revelou que o Brasil era um dos alvos prioritários da ação da agência americana. Em Brasília, o porta-voz escalado pelo governo americano para tratar de um assunto tão delicado foi o embaixador Thomas Shannon Jr., no cargo desde fevereiro de 2010. 

Ele minimizou o conteúdo das reportagens. Afirmou que elas apresentaram “uma imagem que não é correta” do programa de inteligência da NSA. Oficialmente convocado, Shannon reuniu-se com os ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, das Comunicações, Paulo Bernardo, e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), José Elito Carvalho Siqueira. 

Shannon anunciou a criação de um grupo de especialistas para investigar as denúncias e se comprometeu a colaborar com o Brasil. Para o governo brasileiro, suas explicações foram consideradas “insuficientes”.


Um novo documento ultrassecreto da NSA, obtido por ÉPOCA com exclusividade, revela que o envolvimento de Shannon com a NSA é anterior a sua nomeação para o cargo de embaixador no Brasil. Shannon não apenas conhecia a ação de coleta de dados sobre representações diplomáticas de outros países da região, como se beneficiou dela. Fez isso no início da gestão do presidente Barack Obama quando, ao ocupar o cargo de secretário-assistente de Estado, respondia à secretária de Estado Hillary Clinton.

Com uma pequena ajuda da NSA (Foto: Reprodução/ÉPOCA)
Em ofício de 19 de maio de 2009, cerca de sete meses antes de ser confirmado como embaixador do Brasil, Shannon agradece e parabeniza o diretor da NSA, general Keith Alexander, pelas “excepcionais” informações obtidas numa ação de vigilância de outros países do continente, antes e depois da 5ª Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, em abril daquele ano. 

Ele assina o documento, “em nome do Departamento de Estado” – portanto, em nome da então secretária Hillary Clinton. Procurado por ÉPOCA, o governo dos Estados Unidos, por intermédio de sua embaixada em Brasília, informou que não comenta nenhum tipo de atividade secreta e que, portanto, não se pronunciaria.

Shannon celebra, no documento, como o trabalho da NSA permitiu que os EUA tivessem conhecimento do que fariam na reunião os representantes de outros países. Afirma que tal trabalho foi essencial para manter o governo americano informado em seu mais alto nível. 


“Os mais de 100 relatórios que recebemos da NSA nos deram uma compreensão profunda sobre os planos e intenções de outros participantes da Cúpula e garantiram que nossos diplomatas estivessem bem preparados para aconselhar o presidente Obama e a secretária Clinton sobre como lidar com questões controversas, tais como Cuba, e interagir com contrapartes difíceis, como o presidente venezuelano, Hugo Chávez”, escreveu Shannon.


A Cúpula das Américas de 2009 era considerada estratégica pelo governo Barack Obama. Para entender as razões, é necessário conhecer um pouco da história do encontro. A Cúpula das Américas foi criada em 1994 pelo então presidente americano, Bill Clinton, com o objetivo de se aproximar política e economicamente das demais nações do continente. 


Nas três primeiras reuniões – em 1994, 1998 e 2001 –, o assunto mais discutido foi o projeto de integração comercial, na forma da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso não era simpático à ideia. Preferia fortalecer sua liderança regional no Mercosul. Fez várias exigências para que a Alca se concretizasse. 

Depois de anos de negociações, os Estados Unidos atenderam a essas exigências em 2001 e abriram caminho para um diálogo mais aprofundado. O assunto virou tema da campanha presidencial do ano seguinte, quando a Alca foi repudiada pelo Partido dos Trabalhadores. 

Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito e, por motivos políticos, deixou o assunto em segundo plano. Com o Brasil de fora, a Alca foi enterrada. E a Cúpula, esvaziada de seu principal objetivo, perdeu importância.

Sem objetivo concreto, os Estados Unidos, criadores da Cúpula, chegaram à quinta edição do encontro com um objetivo simbólico. Na reunião realizada em 2009, em Trinidad e Tobago, a intenção era apresentar o novo presidente dos EUA, Barack Obama, como um líder disposto ao diálogo com as demais nações americanas. Era também a primeira vez em que Obama se encontraria com dois desafetos declarados dos Estados Unidos: os presidentes Hugo Chávez (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia). Em setembro de 2008, ainda no governo de George W. 


Bush, a Bolívia declarara persona non grata o embaixador dos EUA no país, Philip Goldberg, e o expulsara de La Paz, sob a acusação de conspirar e “fomentar separatistas” nas províncias opositoras ao governo. Seguindo o princípio da reciprocidade, Washington fez o mesmo com o representante boliviano em seu solo, Gustavo Guzmán. 

O venezuelano Chávez elevou ainda mais a tensão com o governo americano, ao ordenar a saída do país do embaixador americano em Caracas, “em solidariedade” à Bolívia. Em março de 2009, Morales expulsou mais um diplomata americano, Francisco Martínez.


Nesse período, cabia a Shannon a operação da diplomacia dos EUA na região, sempre sob as ordens de Hillary. Foi nesse contexto de adversidade e enfrentamento que ele enxergava Morales e Chávez como “rivais determinados a constranger” e a “desafiar os interesses” dos EUA, como se lê no documento obtido por ÉPOCA.


Os dois tinham uma agenda para a cúpula: pregar contra o embargo americano a Cuba e tentar esvaziar o discurso de integração de Obama. Assim que tomou posse, em 2009, Obama demonstrou disposição em reconstruir laços no continente e a melhorar as relações com Cuba. 

Logo no começo do mandato, tornou mais flexíveis as limitações de viagens de americanos a Cuba, reduziu as restrições a remessas de dinheiro de cubanos residentes nos Estados Unidos e autorizou empresas de comunicações americanas a operar por lá.

Acabar com o embargo, no entanto, não estava a seu alcance. Obama teria de contrariar vários interesses, firmemente estabelecidos no Congresso.

propaganda  e gratidão Barack Obama cumprimenta Hugo Chávez na Cúpula das Américas de 2009 (à esq.). Chávez presenteou Obama com um exemplar do livro As veias abertas da América Latina e ganhou a guerra da propaganda. Abaixo, Hillary Clinton, secretária d (Foto: Jim Watson/AFP, Saul Loeb/AFP  e Anderson Schneider/Ed. Globo)

As intenções diplomáticas de Obama esbarraram no talento marqueteiro de Chávez, com suas conhecidas ambições regionais. A imagem que marcou a quinta Cúpula das Américas foi a fotografia de Chávez dando a Obama um exemplar do livro As veias abertas da América Latina, clássico da esquerda de autoria do uruguaio Eduardo Galeano. Num tom caro ao vitimismo político dos anos 1970, o livro mapeia a “exploração” dos países latino-americanos pelas “potências hegemônicas”. 

“Chávez conseguiu mudar a agenda do encontro e obteve uma vitória do ponto de vista da propaganda”, diz o professor José Augusto Guilhon Albuquerque, da Universidade de São Paulo. “A mensagem de Obama era a aproximação das demais nações do continente. O gesto de Chávez mudou o discurso para: ‘Todos contra os Estados Unidos’.”

Apesar disso, a avaliação de Shannon para o resultado da Cúpula foi positiva. “Nossa nova administração estava determinada a construir uma relação produtiva e positiva com nossos vizinhos, enquanto nossos rivais na região estavam igualmente determinados a nos constranger e desacreditar”, afirma o embaixador no documento obtido por ÉPOCA.


“Tivemos êxito e nossos rivais fracassaram, e nosso sucesso se deve, em boa medida, às informações abundantes, detalhadas e no tempo certo que vocês forneceram.”

Na semana passada, foi divulgado
que a nsa tem um sistema
ainda mais eficiente para obter
dados virtuais
A história teve desdobramentos. No mesmo documento, Shannon diz: “Nosso trabalho está longe de terminar – a Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos, no próximo mês, provavelmente trará discussões renovadas sobre Cuba, e países como Venezuela e Bolívia permanecem com a intenção de desafiar os nossos interesses no curto prazo –, mas estou confiante de que as informações da NSA continuarão a nos dar a vantagem de que nossa diplomacia necessita”. Em 4 de junho, na Assembleia-Geral da OEA, em Honduras, foi anulado o ato que suspendia Cuba da organização. Foi uma derrota diplomática dos Estados Unidos. Houve tensão e discussões. 

Os países reunidos por Chávez em seu arremedo de pacto regional, a Aliança Bolivariana das Américas (Alba), defendiam, além da revogação, um pedido de desculpas a Cuba. Ao final, prevaleceu uma solução intermediária: foi anulada a suspensão a Cuba na OEA, mas Cuba ainda não pode integrá-la na prática.


O documento obtido por ÉPOCA não esclarece uma questão fundamental: a que tipo de dado Shannon e sua equipe tiveram acesso? Não informa se puderam ler e-mails de delegações de outros países. O governo americano nega que a NSA tenha acesso ao conteú­do de mensagens e ligações telefônicas. Afirma que o trabalho de inteligência eletrônica se limita à coleta de informações como dia e hora de uma ligação telefônica ou local de acesso a uma conta de e-mail. São informações conhecidas tecnicamente pelo termo “metadados”.

As revelações de Snowden lançam dúvidas cada vez maiores sobre essa versão. Na semana passada, ÉPOCA revelou que, em 2010, a então embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Susan Rice, teve acesso a pelo menos 100 relatórios da NSA sobre pelo menos oito integrantes do Conselho de Segurança da ONU antes da aprovação de sanções econômicas contra o Irã por causa de seu programa nuclear. 

 Nas próprias palavras dela, os relatórios ajudaram-na a saber “quando os outros membros permanentes estavam dizendo a verdade”, revelaram “suas reais posições sobre as sanções” e deram a ela “uma posição de vantagem nas negociações”. “Todas as evidências indicam que fizeram escuta mesmo das conversas”, disse a ÉPOCA o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

VISTO Vladimir Putin, presidente da Rússia, e  o visto de asilo concedido a Edward Snowden (acima). O incidente  criou um estremecimento diplomático entre  Rússia e Estados Unidos (Foto: Alexei Nikolsky/AP)
Na semana passada, o The Guardian revelou detalhes do programa XKeyscore, que permite a analistas saber quase tudo o que alguém faz na internet. O material de treinamento da agência diz se tratar do “sistema de mais amplo alcance para desenvolver inteligência baseada em dados virtuais”. Altamente sigiloso, o XKeyscore permite aos analistas fazer buscas sem autorização prévia em vastos bancos de dados, com acesso até mesmo ao conteúdo. 

 De acordo com os documentos que Greenwald obteve com Snowden, o XKeyscore tem acesso a 700 servidores em 150 pontos do mundo, inclusive no Brasil. Ao longo dos últimos três anos, os Estados Unidos pagaram 100 milhões de libras (R$ 350 milhões) para ter acesso aos dados do Government Comunications Headquarters (GCHQ), a versão britânica da NSA. Segundo o Guardian, além de ter acesso aos dados, a NSA influenciou e direcionou as investigações do GCHQ.


Todos esses fatos, somados aos que envolvem particularmente o Brasil, vêm preocupando as autoridades em Brasília. A ÉPOCA, o Itamaraty afirmou, em nota, que “o governo brasileiro tem mantido contatos diretos com o governo dos Estados Unidos e está preparando uma missão técnica para que as denúncias de espionagem, seja de órgãos do governo ou de cidadãos brasileiros, sejam esclarecidas”. O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o caso “exige grandes cuidados”. 

“Essas suspeitas são, de fato, suspeitas recorrentes. Recordaria também que, quando houve a iniciativa da intervenção militar americana e britânica no Iraque, em 2003, surgiram várias notícias falando de espionagem na missão do México e do Chile, que eram membros não permanentes do Conselho de Segurança na época, e de outros países também, até alguns membros permanentes.”

Em 2003, de acordo com documentos publicados pelo jornal britânico The Observer, a NSA instalou escutas telefônicas nas casas e nos escritórios de Nova York de delegados da ONU. 


Isso ocorreu às vésperas de o Conselho de Segurança votar uma resolução que autorizasse os Estados Unidos a invadir o Iraque. A vigilância da NSA visava especialmente às delegações dos seis países do Conselho de Segurança considerados “indecisos”: Angola, Guiné, Camarões, México, Chile e Paquistão. A resolução nem chegou a ser votada, dada a ameaça de veto da França. No final, os Estados Unidos invadiram o Iraque sem aval da ONU.

A revelação de ÉPOCA na semana passada não foi isolada. As consequên­cias dos arquivos de Snowden parecem longe de acabar. Depois de fazer as primeiras revelações sobre a atuação da NSA em junho, ele foi processado pelo governo dos Estados Unidos. Os americanos pediram sua extradição à China, pois ele estava em Hong Kong. Temendo ser preso, Snow­den pegou um avião em 23 de junho e foi para Moscou, onde não desembarcou formalmente. 


Passou mais de cinco semanas na área de trânsito do aeroporto. Na quin­ta-feira passada, recebeu asilo por um ano do governo de Vladimir Putin. Pôde, finalmente, deixar a área de embarque e entrar em Moscou. 

O resultado foi uma tensão diplomática entre Estados Unidos e Rússia. O debate aberto pelos arquivos de Snowden – até que ponto organismos de segurança, mesmo com finalidades defensáveis, podem se apropriar de informações privadas de representantes diplomáticos e de cidadãos? – só deverá crescer à medida que novos casos apareçam. 

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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Dólar tem 5ª alta seguida e fecha acima de R$ 2,30


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Moeda fechou no maior patamar desde 31 de março de 2009.
Dólar fechou com valorização de 0,85%, a R$ 2,3019.

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01/08/2013 17h01 - Atualizado em 01/08/2013 17h31
Postado às 23h30
Do G1, em São Paulo
O dólar fechou em alta ante o real nesta quinta-feira (1) pelo quinto pregão consecutivo, encerrando no patamar de R$ 2,30 pela primeira vez em mais de quatro anos, acelerando a alta perto do fechamento, em linha com o cenário externo.

O dólar avançou 0,85%, a R$ 2,3019 na venda, no maior patamar desde 31 de março de 2009, no auge da crise financeira internacional, quando a moeda encerrou cotada a R$ 2,318. Veja a cotação

No ano, a moeda já acumula alta de 12,58%.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta que o câmbio tem sido volátil diante das expectativas de que o Federal Rserve, banco central norte-americano, possa começar a reduzir seu programa de compra de ativos em breve, diminuindo a liquidez nos mercados intercionais e afetando os mercados cambiais.

"O mercado deduz que o Fed vai acelerar a desativação dos estímulos e aí todo mundo vai para o treasury, no título americano de 10 anos, e o juro sobe. No dia seguinte, vem alguma notícia dizendo o cotrário... Teremos essa volatilidade até que o Fed comece a fazer essa desativação e comece a ser mensurada pelo mercado", afirmou o ministro.

Segundo Mantega, o governo tem agido para diminuir essa volatilidade. "Se houve mudança de patamar, eu não sei. O que posso dizer é que já faz um mê ou um mês e pouco que está acima do patamar anterior. Se vai voltar ou não, eu não sei dizer", acrescentou.

Segundo analistas ouvidos pela Reuters, o real está acompanhando o movimento no exterio. "As moedas estrangeiras, de uma maneira geral, estão mais ou menos no mesmo rumo do real: todas lá fora estão se desvalorizando ante o dólar e nós estamos no mesmo caminho", afirmou o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros.

Pela manhã, foi divulgado que o número de norte-americanos que entrou com novos pedidos de auxílio-desemprego caiu à mínima de 5 anos e meio e que o crescimento da indústria acelerou para seu maior nível em dois anos, sinalizando possível melhora no cenário econômico dos Estados Unidos.

Tudo isso alimentava as expectativas de que o Federal Rserve, banco central norte-americano, possa começar a reduzir seu programa de compra de ativos em breve, diminuindo a liquidez nos mercados intercionais e afetando os mercados cambiais.

No Brasil, o IBGE divulgou nesta quinta que a produção industrial brasileira em junho subiu 1,9% frente a maio, acima do esperado por analistas.

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'Justiça venceu', diz Snowden sobre seu asilo temporário na Rússia


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Via WikiLeaks, americano agradeceu aos russos e criticou Obama.
Homem que abriu segredos dos EUA deixou aeroporto rumo a local secreto.

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01/08/2013 12h58 - Atualizado em 01/08/2013 13h18
Do G1, em São Paulo
Cópia do documento provisório russo de Edward Snowden é mostrada nesta quinta-feira (1º) por seu advogado, Anatoly Kucherena, em Moscou (Foto: AP)Cópia do documento provisório russo de Edward Snowden é mostrada nesta quinta-feira (1º) por seu advogado, Anatoly Kucherena, em Moscou (Foto: AP)
O ex-consultor de inteligência americano Edward Snowden agradeceu nesta quinta-feira (1º) à Rússia pela concessão de asilo temporário, disse que "a justiça venceu" e criticou o governo Obama.

"Durante as últimas oito semanas, vimos que a administração Obama não mostrou respeito nenhum pelas leis internacionais e nacionais, mas, no final das contas, a justiça venceu", disse. "Agradeço à Rússia por ter me outorgado o asilo, de acordo com suas leis e suas obrigações internacionais."
As declarações foram feitas por intermédio do site de vazamento de documentos WikiLeaks, que prestam assessoria ao americano, acusado de vazar segredos do governo dos EUA.

Snowden recebeu os documentos necessários e deixou a área de trânsito do aeroporto de Moscou, onde estava retido desde 23 de junho, rumo a um "local seguro" em território russo.

"Eu acabei de entregar a ele os documentos do serviço federal de migração da Rússia", disse Anatoly Kucherena, advogado russo que auxilia o americano, segundo a agência russa Interfax.

O advogado afirmou que os papéis têm validade de um ano, e que Snowden rumou para "lugar seguro", que não será revelado publicamente.

"A segurança é uma questão muito importante para ele", disse Kucherena à TV estatal Rússia 24. "Ele próprio decidirá para onde ir."

"Eu o coloquei em um táxi entre 15 e 20 minutos atrás e dei-lhe o certificado para obter o status de refugiado na Federação Russa", disse ele. "Ele pode morar onde quiser na Rússia. É a sua escolha pessoal."

O advogado disse que Snowden não ficaria em qualquer embaixada em Moscou, apesar de três países latino-americanos terem se oferecido para abrigá-lo. Snowden estava bem, acrescentou Kucherena.

A informação sobre sua saída foi confirmada por autoridades do aeroporto Cheremetievo, onde ele vivia "no limbo" jurídico, em uma área de trânsito.
cronologia_edward_snowden (1º de agosto) (Foto: Editoria de Arte / G1)
O americano, ex-consultor dos serviços de inteligência dos EUA, é procurado pelas autoridades americanas após ter vazado informações sobre os programas de monitoramento de telecomunicações do governo.

O caso gerou uma crise para o governo do presidente democrata Barack Obama, repercutiu internacionalmente e provocou um grande debate sobre a privacidade dos usuários da Internet.

Snowden, de 30 anos, havia pedido asilo temporário à Rússia para depois possivelmente viajar para um país latino-americano, mas ainda não se sabe ao certo quais serão seus próximos passos.
Ele teme que os EUA, que tentam conseguir sua extradição, interceptem sua possível fuga.


EUA e Rússia
O fato de Snowden ter escolhido a Rússia para se abrigar, após uma rápida passagem por Hong Kong, levou ao temor de uma crise diplomática entre EUA e Rússia.

Os laços entre Rússia e EUA não vão sofrer por conta do "relativamente insignificante" caso de Snowden, disse nesta quinta um importante funcionário do Kremlin.

"Nosso presidente expressão muitas vezes esperança de que isso não vai afetar o caráter de nossas relações", disse Yuri Ushakov.
Ele acrescentou que não existe sinal de que o presidente Obama vá cancelar uma viagem à Rússia prevista para setembro.


WikiLeaks comemora
"Nós ganhamos uma batalha -agora, vamos à guerra", disse o WikiLeaks, em sua conta no Twitter, após a saída de Snowden.
O site de vazamentos de informações sigilosas está prestando assessoria ao americano desde que ele revelou os segredos americanos.

Sarah Harrison, uma representante do WikiLeaks que estava com Snowden, confirmou que ele havia deixado o aeroporto.


Pai agradece
O pai de Snowden, Lonnie, disse à TV estatal russa que é "grato" à nação russa e ao presidente Vladimir Putin por ajudar seu filho.
O advogado russo  Anatoly Kucherena mostra cópia do documento temporário de Snowden, em imagem da TV russa (Foto: AP)
O advogado russo Anatoly Kucherena mostra cópia do documento temporário de Snowden, em imagem da TV russa (Foto: AP)
O ex-consultor americano Edward Snowden é visto nesta sexta-feira (12) em Moscou, em imagem divulgada pela Human Rights Watch (Foto: AFP)
O ex-consultor americano Edward Snowden é visto em 12 de julho em Moscou, em imagem divulgada pela Human Rights Watch (Foto: AFP)
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