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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Escolaridade, e não renda, determina adesão à internet no país, diz Ibope


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Acesso é maior em casas com chefes de família com ensino superior.
Pesquisa também encontrou municípios que fogem da média nacional.

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25/01/2013 08h27 - Atualizado em 25/01/2013 09h50
Postado às 11h20
Laura Brentano Do G1, em São Paulo
A escolaridade influencia mais na adesão à internet em um município brasileiro do que a renda média da população. De acordo com o estudo Target Group Index, realizado pelo Ibope, em famílias de igual renda, a presença da internet é maior quando uma pessoa tem mais escolaridade.

Gráfico sobre a relação da escolaridade com o interesse pela internet (Foto: Arte/G1)
Entre as famílias com renda mensal de R$ 300 a R$ 600, por exemplo, a adesão à internet é de 10% entre as quais o chefe do domicílio é analfabeto ou tem apenas instrução primária. Já nas casas com essa mesma renda, mas com um membro da família com ensino superior, a penetração da internet chega a 50%.

A pesquisa Target Group Index avaliou o comportamento de consumo de 20 mil pessoas entre 12 e 75 anos. O estudo foi feito de fevereiro de 2011 até o mesmo mês de 2012 em dez regiões metropolitanas do Brasil e cidades com mais de 50 mil habitantes do Sul e Sudeste, que apresentam uma melhor infraestrutura de acesso à internet.

Conforme José Calazans, analista do Ibope, a pesquisa foi aplicada em cidades maiores, pois elas sofrem menos influência da infraestrutura. “Quando a infraestrutura é eficiente, a influência da escolaridade fica mais clara”, explicou.

Dados do Censo
Para comprovar a influência da escolaridade no acesso à internet no Brasil, o Ibope aplicou esse conhecimento sobre todos os municípios por meio dos dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


A pesquisa concluiu que quanto maior for a renda e a escolaridade da cidade maior será a penetração da web. Segundo Calazans, a cada R$ 50 acrescentados à renda média da população do município, cresce um ponto percentual o índice de adesão à rede.

No entanto, o Ibope encontrou cidades que fogem da média nacional – apesar de renda ou escolaridade baixa, a penetração à internet é maior do que a esperada. Municípios pequenos do Nordeste conseguem ter um acesso à web maior do que seus vizinhos pela população mais escolarizada, conforme a pesquisa. Essas cidades têm como principal característica a presença de uma universidade próxima.
Lucrécia (RN)
População 3.633 habitantes
Área 31 km2
Número de escolas 5 (ensino fundamental) e 1 (ensino médio)
Internet 156 casas tinham PC com acesso à internet em 2010
* Informações do IBGE.
Um exemplo é Lucrécia (RN), distante 290 km de Natal. Pela renda média (R$ 673 por família), a cidade deveria ter 13% de suas casas com internet. Porém o acesso chega a 15% dos domicílios. Segundo dados do Censo 2010, 65% da população de Lucrécia não têm instrução, enquanto 5% já concluíram a faculdade.

Internet via rádio
Primeiro da família a ter curso superior completo, Wellisson Costa, de 24 anos, acessa a internet todos os dias da casa onde mora em Lucrécia. Filho de trabalhadores rurais, ele comprou seu primeiro computador em 2010 para fazer pesquisas para a faculdade. Wellisson se formou em março de 2012 na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), na unidade de Patu (RN), a 30 minutos de Lucrécia.

Wellisson, de 24 anos, comprou seu primeiro computador em 2010 para fazer pesquisas para a faculdade (Foto: Arquivo Pessoal)Wellisson, de 24 anos, comprou seu primeiro computador em 2010 para a faculdade (Foto: Arquivo Pessoal)
Logo depois de adquirir o netbook, ele contratou um plano de internet de R$ 50 em conjunto com uma vizinha. “Não é das melhores, mas quebra o galho. Como a internet é via rádio, tem muita interferência à noite ou durante o dia quando chove”, disse Wellisson, que deixou de morar com os pais quando entrou para a faculdade.

“Minha família sempre me incentivou a estudar. Meus pais moram em outra casa numa zona rural. Fui morar com meus avós porque era mais fácil para ir para a faculdade”, conta. O pai de Wellisson é analfabeto e a mãe estudou apenas até a 4ª série do ensino fundamental. Na casa dos avós moram também outros familiares. A renda é de dois salários mínimos para 13 pessoas. Ele é o único que usa o computador e acessa o Facebook diariamente.

Hoje, Wellisson está desempregado, mas, desde que começou a estudar, trabalha na área da educação. “Não tenho nada fixo, mas faço alguns trabalhos às vezes, como substituir um professor”, conta. Wellisson comprou seu computador com o dinheiro que juntou com uma bolsa do governo. Pagou R$ 1,3 mil à vista pela máquina. Ele conta que Lucrécia é uma cidade muito pequena, com pouca oferta de emprego. “As famílias se mantêm por meio da agricultura e de programas do governo federal”.

Wellisson influenciou o irmão Wandeson a comprar um computador (Foto: Andison Araújo/Arquivo Pessoal)
Wellisson, de Lucrécia, influenciou o irmão
Wandeson a comprar um computador
(Foto: Andison Araújo/Arquivo Pessoal)
Influência
Wellisson influenciou o irmão Wandeson Van Alves, de 21 anos, a comprar um computador. Ele mora com os pais na zona rural, mas começou a cursar letras na UERN em 2010 e viu a necessidade de ter um PC. Três meses depois de entrar na faculdade, o pai de Wandeson, que ganha um salário mínimo, comprou um netbook para ele.

Durante alguns meses, o estudante usava a máquina apenas para trabalhos acadêmicos. Porém, há 7 meses, resolveu comprar um modem da única operadora na região para se conectar à rede. "Quando preciso fazer algo mais pesado, que exige mais da internet, como baixar vídeos, eu uso o computador do meu irmão", conta Wandeson, que ganha R$ 200 em uma bolsa da faculdade. "Uso o chip do meu celular pré-pago para acessar a internet pelo computador. Pago R$ 0,50 por dia".

Wandeson tem perfil no Facebook há 3 anos e gosta de visitar portais de notícias, blogs e checar e-mails. "Quando coloco crédito no chip, acesso a internet todos os dias. Gasto cerca de R$ 15 por mês". O estudante conta que quando chega o inverno, a internet fica muito ruim por causa da chuva. "A página do Facebook demora uns 5 minutos para abrir", disse. Os pais nunca usam o seu computador. Quando eles precisam de algo que o PC pode ajudar, Wandeson faz para eles.

Nova Roma do Sul (RS)
População 3.343 habitantes
Área 149 km2
Número de escolas 4 (ensino fundamental) e 1 (ensino médio)
Internet 213 casas tinham PC com acesso à internet em 2010
* Informações do IBGE.
Pouco interesse
Na região da Serra Gaúcha, o Ibope descobriu uma série de municípios que têm renda média alta, em comparação às outras cidades brasileiras, mas cuja penetração à internet é menor do que a esperada. Aplicando o conhecimento da escolaridade, o estudo identifica outros fatores para o baixo acesso, que interferem no interesse pela internet: são regiões muito rurais ou com grande parte da população idosa, por exemplo.


É o caso de Nova Roma do Sul (RS), a 160 km de Porto Alegre. A renda média da população é de R$ 2,4 mil, o que levou o Ibope a projetar 48% dos domicílios com internet. Na prática, entretanto, apenas 21% das casas têm acesso à web. Nessa cidade da Serra Gaúcha, 65% das pessoas não têm instrução, e apenas 5% têm curso superior completo.

Sem computador em casa, Luciano Sartori, de 30 anos, acessa a internet em Nova Roma do Sul pelo smartphone. Ele decidiu comprar um Galaxy SII, da Samsung, por influência dos amigos, que também têm bons celulares. Sartori pagou R$ 700 pelo aparelho em uma loja em Caxias do Sul, cidade de mais de 400 mil habitantes que fica a 50 km de Nova Roma do Sul. O município onde Sartori mora tem menos de 4 mil habitantes e a população vive basicamente da agricultura, principalmente do cultivo de uvas.
Luciano, de 30 anos, tem uma chácara e gosta de acessar a internet no smartphone para ver informações sobre cavalos (Foto: Arquivo Pessoal)
Luciano, de 30 anos, tem uma chácara e gosta
de acessar a internet pelo smartphone para ver
informações sobre cavalos (Foto: Arquivo Pessoal)
Sartori mora com a mãe e trabalha em uma balsa da prefeitura que transporta carros entre sua cidade e Nova Pádua (RS). Para completar a renda mensal que varia entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil, ele cria cavalos e bois em uma chácara que tem há cerca de 8 anos. Sartori não fez faculdade, mas tem ensino médio completo, diferente da mãe, que não chegou a completar o ensino fundamental.

Antes do Galaxy, Sartori tinha o modelo C3, da Nokia. Ele começou a acessar a internet pelo celular há quase 2 anos, mas não tem muito interesse em entrar na rede. A irmã, que mora em uma casa ao lado da sua, tem computador e internet em casa e era onde Sartori acessava antes do smartphone.

“Tenho Facebook há pouco mais de um ano. Como gosto de cavalos e rodeios, sempre acesso o site da ABBC – Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos – para ver notícias, além de pesquisar sobre cavalos”, conta. “Mas não uso muito [a internet]. Acesso todos os dias, mas fico pouco tempo”. No smartphone, Sartori também tem o aplicativo do Banco do Brasil, para acessar sua conta bancária.


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Cubo mágico ajuda a aprender mais sobre a matemática, diz colecionador


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Quebra-cabeça desenvolve raciocínio lógico, segundo engenheiro.
São Paulo sedia campeonato entre esta sexta (25) e domingo (27).

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25/01/2013 07h00 - Atualizado em 25/01/2013 09h10
Vanessa Fajardo Do G1, em São Paulo
Um dos quebra-cabeças mais populares e difíceis de montar do mundo, o cubo mágico pode ser um bom aliado no ensino da matemática, segundo o engenheiro civil e arquiteto Fabio Bini Graciose, de 29 anos, que há dois anos participa de torneios montando o objeto. O brinquedo possui seis lados subdivididos em nove pequenos quadros. 

A brincadeira consiste em embaralhar as peças e depois ordená-las igualando as cores de cada face. Para o arquiteto, a atividade ajuda a entender dilemas matemáticos como geometria espacial, análise combinatória, probabilidade, entre outros.
Fabio Graciose tem uma coleção de 1.000 cubos mágicos (Foto: Arquivo pessoal)Fabio Graciose tem uma coleção de 1.000 cubos mágicos (Foto: Arquivo pessoal)
"Para conseguir resolver o enigma do cubo mágico é preciso mexer em poucas peças para não bagunçar as outras. É lógica, é matemática. O cubo tem 43 quintilhões [milhões de milhões de milhões] de combinações possíveis. Em um nível básico, em sete etapas é possível montar. Já no avançado, são apenas quatro passos", conta.

Graciose diz que a prática, ainda, auxilia o desenvolvimento do raciocínio lógico. “A atividade envolve concentração, paciência, melhora a observação, além de tudo é divertida.” O engenheiro aprendeu a montar seu primeiro cubo em 2008, e desde então se tornou colecionador, hoje reúne mais de 1.000 unidades de diferentes modelos e tamanhos.
Fabio Graciose participa de competições há dois anos e já foi premiado (Foto: Arquivo pessoal)
Fabio Graciose participa de competições há dois
anos e já foi premiado (Foto: Arquivo pessoal)
“Sempre gostei de coleções e fui comprando cubos. Sei montar uns 20 % dos que tenho, mas gosto de ter e aprender”, diz. Segundo ele, há uns cubos mais complicados, porém os tradicionais, chamados de 3 por 3, podem ser montados quando se aprende sete etapas. “Com aulas de duas a três horas dá para sair montando.”

O competidor costuma levar, em média, 25 segundos para montar um cubo 3 por 3, mas já conseguiu a marca de 17 de segundos – o recorde mundial é de 5,66 segundos. Graciose diz que seu prêmio mais importante foi o terceiro lugar em um campeonato onde resolveu o enigma do cubo somente com os pés no tempo de três minutos e meio – o recorde mundial desta modalidade é 27 segundos.

Um cubo mágico pode custar pouco, menos de R$ 2, segundo Graciose, mas estes não são recomendados para quem pretende sair do amadorismo. Os objetos profissionais custam entre R$ 30 a R$ 60 cada.

COMO MONTAR O CUBO MÁGICO

No vídeo ao lado, o campeão sul-americano de montagem do cubo mágico, Rafael Cinoto, mostra quais devem ser as etapas para resolver o quebra-cabeça e montar o brinquedo. Assista

Torneio em São Paulo
Graciose é um dos organizadores do campeonato São Paulo Open 2013 que começa nesta sexta-feira (25) e vai até domingo (27), na Escola Técnica Albert Einstein, na Vila Baruel, Zona Norte de São Paulo.


O torneio reúne 17 modalidades oficiais previstas pela Associação Mundial de Cubo Mágico, entre elas, a montagem dos cubos com os pés, com apenas uma mão, ou ainda, de olhos vendados. A expectativa é reunir 150 participantes.

Serviço:
São Paulo Open 2013
Local: Escola Técnica Albert Einstein, Rua Nova Granada, 35, Vila Baruel, São Paulo
Datas: sexta (25), sábado (26) e domingo (27)
Horário: das 9h às 19h
Mais informações pelo site
Entrada gratuita.


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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Vaticano é dono oculto de imóveis caros em Londres

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23/01/2013-05h00 -- Atualizado e Postado às 20h30

DO "GUARDIAN"

Poucos turistas em visita a Londres imaginariam que as instalações da refinada joalheria Bulgari em New Bond Street têm qualquer conexão com o papa. O mesmo vale para a sede do próspero banco de investimento Altium Capital, na esquina de St. James' Square e Pall Mall.

Mas esses edifícios de escritórios em um dos bairros mais caros de Londres são parte de um surpreendente império secreto de imóveis comerciais do Vaticano.

Por trás de uma estrutura disfarçada por companhias de paraísos fiscais, a carteira internacional de imóveis da igreja foi expandida ao longo dos anos, com o uso de dinheiro pago originalmente por Mussolini em troca do reconhecimento do regime fascista pelo papa, em 1929.

Desde então, o valor internacional desse patrimônio criado com a ajuda de Mussolini vem crescendo até atingir os 500 milhões de libras.

Em 2006, no auge da mais recente bolha imobiliária, o Vaticano investiu 15 milhões de libras desse dinheiro para adquirir o imóvel do nº 30, St. James' Square. Outros imóveis britânicos controlados pela igreja ficam em 168 New Bond Street e na cidade de Coventry. O Vaticano também controla edifícios de apartamentos em Paris e na Suíça.

O aspecto surpreendente da história, para alguns, será o esforço do Vaticano para preservar o sigilo sobre os milhões de Mussolini. O edifício da St. James' Square foi adquirido por uma empresa chamada British Grolux Investment, que detém outros imóveis no Reino Unido.

O registro de empresas britânico não revela os verdadeiros proprietários da empresa e não menciona o Vaticano.

Menciona dois acionistas nominais, ambos proeminentes executivos bancários católicos: John Varley, que até recentemente presidia o Barclays Bank, e Robin Herbert, ex-executivo do banco de investimento Leopold Joseph.

O "Guardian" enviou cartas a ambos perguntando a quem eles representavam, mas não recebeu respostas. A lei britânica permite que os verdadeiros proprietários de uma empresa sejam protegidos por sócios nominais.

BANQUEIRO
Os investimentos com o dinheiro de Mussolini no Reino Unido são controlados hoje, em companhia de outras propriedades europeias e de uma subsidiária de câmbio, por um funcionário do Vaticano em Roma, Paolo Mennini, que opera como banqueiro de investimento do papa.

Mennini comanda uma divisão especial do Vaticano, a divisão extraordinária da Amministrazione del Patrimonio della Sede Apostolica, que administra o chamado "patrimônio da Santa Sé".

De acordo com um relatório do Conselho da Europa no ano passado, que investigou os controles financeiros do Vaticano, os ativos controlados pela divisão de Mennini superam € 680 milhões.

Embora o sigilo quanto à origem fascista da riqueza papal pudesse ser compreensível durante a guerra, o que fica menos claro é o motivo para que o Vaticano tenha continuado a guardar segredo sobre suas propriedades em Londres mesmo depois que sua estrutura financeira foi reorganizada, em 1999.

O "Guardian" perguntou ao representante do Vaticano em Londres, o núncio apostólico Antonio Mennini, por que o papado continuava a manter tanto segredo sobre seus investimentos imobiliários na cidade. 

Também perguntou em que o papa gastava a receita gerada por eles.
Confirmando sua tradição de silêncio sobre o tema, um porta-voz da Igreja Católica afirmou que o núncio nada tinha a declarar.
//* Tradução de PAULO MIGLIACCI
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