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Avaliação de 2026 aponta agravamento em todos os sete processos fora da faixa segura e alerta para enfraquecimento da capacidade de florestas e solos de absorver carbono.
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Por Roberto Peixoto, g1
Postado em 21 de Setembro de 2.026 às 16h15m
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Representação visual dos limites planetários. — Foto: Globaia/Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK)
Os sete limites planetários que já estavam fora da faixa considerada segura pioraram em 2026 e atingiram os maiores níveis de pressão já registrados, aponta um novo relatório feito por mais de 60 cientistas e coordenado pelo Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK), na Alemanha.
O número de limites ultrapassados continua o mesmo do levantamento anterior. A novidade agora é que todos os sete seguem em piora.
➡️ O relatório também aponta avanço da acidificação dos oceanos e sinais de que florestas, solos e outros ecossistemas podem estar perdendo parte da capacidade de absorver o gás carbônico emitido pelas atividades humanas.
Os chamados limites planetários são indicadores usados para acompanhar nove processos fundamentais para o funcionamento da Terra.
Ultrapassar um deles não significa que haverá um colapso imediato, mas indica aumento do risco de mudanças graves e difíceis de reverter.
🌎 Os sete limites que seguem fora da faixa segura são:
- mudanças climáticas;
- perda de biodiversidade;
- mudanças no uso da terra;
- alterações na água doce;
- desequilíbrios nos ciclos de nitrogênio e fósforo;
- poluição por substâncias produzidas pelo homem, como plásticos e compostos químicos;
- acidificação dos oceanos.
Os dois limites que continuam dentro da faixa considerada segura em escala global são os relacionados à camada de ozônio e à quantidade de partículas suspensas na atmosfera, como poeira, fumaça e fuligem.
Mesmo assim, o relatório ressalta que algumas regiões ainda apresentam níveis elevados dessas partículas.
Segundo Boris Sakschewski, principal autor do relatório, a piora simultânea dos sete indicadores mostra que a pressão sobre os sistemas naturais continua aumentando.
“O diagnóstico é claro. A pressão está aumentando em todos os limites planetários que já estão fora da faixa segura”, afirmou.
Um dos pontos de atenção da edição de 2026 é a capacidade da própria natureza de ajudar a retirar gás carbônico da atmosfera.
Vegetação e solos absorvem uma parcela importante das emissões de CO₂ produzidas pelas atividades humanas.
Mas episódios repetidos de calor, seca, incêndios e degradação de ecossistemas podem diminuir essa absorção e, em algumas regiões, fazer com que áreas que antes retiravam carbono da atmosfera passem a liberá-lo.
O relatório afirma que observações recentes levantam dúvidas sobre até que ponto florestas e outros ecossistemas conseguirão manter essa função nas próximas décadas.
“Nossa trajetória para zerar as emissões líquidas depende do funcionamento desses sistemas naturais. As observações atuais levantam um sinal de que o planeta pode estar perdendo parte dessa capacidade de proteção”, disse Sakschewski.
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Gráfico mostra os nove limites planetários e indica quais já estão fora da faixa considerada segura para o funcionamento da Terra. — Foto: Reprodução/Planetary Health Check 2026
Outro ponto de piora é a acidificação dos oceanos. O fenômeno ocorre quando o mar absorve parte do gás carbônico presente na atmosfera, alterando a química da água.
Isso dificulta, por exemplo, a formação e a manutenção de conchas e esqueletos de alguns organismos marinhos e pode afetar cadeias alimentares, pesca e ecossistemas costeiros.
O levantamento também reforça que os nove limites não funcionam separadamente. Alterações no clima, na biodiversidade, na água, nas florestas e nos oceanos podem se influenciar e ampliar os efeitos umas das outras.
Apesar do cenário de piora, os pesquisadores destacam que há exemplos de recuperação. A camada de ozônio, por exemplo, voltou para a faixa considerada segura após acordos internacionais restringirem substâncias responsáveis por sua degradação.
Para Johan Rockström, diretor do PIK e um dos autores do relatório, medidas para reduzir essas pressões ainda podem mudar a trajetória.
“Não temos o luxo do tempo, mas temos o conhecimento, a capacidade e as soluções para mudar de rumo”, afirmou./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/U/5/FTxxgHQBqvdXB3mgmjpA/2026-07-24t020821z-940910565-rc20kmakr4my-rtrmadp-3-europe-weather-france-wildfire.jpg)
Turistas observam um incêndio florestal em meio ao agravamento da seca após uma onda de calor e escassez de água em grande parte da França, 24 de julho de 2026 — Foto: Stephane Mahe/REUTERS

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